Mostrar mensagens com a etiqueta Alheira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alheira. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Be Chill (Parede)

Já tinha ouvido falar do Be Chill há uns tempos, aquando a sua abertura, mas nunca me suscitou um interesse por aí além. A repetição de conceitos demasiado parecidos e sem grandes aspectos inovadores torna-se cada vez menos apelativo e acabo por só considerar algum restaurante (inserido neste contexto) ao fim de ler algumas críticas positivas. Antes de tomar uma decisão quanto à minha curiosidade, a Zomato fez a gentileza de me oferecer um convite para uma refeição a 2 e assim pude tirar as teimas. 
Não é fácil encontrar o restaurante. Quem passa na rua não tem qualquer tipo de sinalética e mal se imagina que tenha que se dar a volta ao edifício para encontrar este pequeno recanto de petiscos, pregos e hambúrgueres. O serviço foi simpático ainda que pareça um pouco perdido. Para acompanhar a refeição decidimos pedir a Sangria de Espumante com Hortelã e Pepino. Se ao início parecia agradável e fresca, ainda que com alguma falta de gás, o excessivo sabor do pepino foi-se entranhando e acabámos a refeição já saturados e enjoados. Não tenho nada contra pepino mas devido ao ser sabor forte tem de ser melhor balanceado ou evitar de total forma o seu uso em bebidas.


Os Polminhos da Horta, a denominação aqui utilizada para os tradicionais Peixinhos da Horta, foram dos melhores que comi nos últimos tempos. Exemplar fritura, executada com uma polme de espessura uniforme para que toda ela estivesse crocante, e a complementarem-se muito bem com a maionese de alho. A maionese não era nada de especial e só funcionava mesmo quando combinada com os polminhos, que tinham o sal que lhe faltava.


Pedimos o Folhado de Alheira e Grelos e receámos um pouco quando o prato pousou na mesa, parecendo os folhados na sua versão pré-congelada. Mas um olhar mais atencioso e o acto de deglutição dissiparam quaisquer dúvidas. Os tamanhos não eram iguais, ao contrário do que aconteceria num processo fabril, a qualidade da massa era acima de qualquer exemplar congelado e a da alheira também. Por cima, uns grelos muito bem salteados e bem temperados.


Para aconchegar o estômago, o PregáTuga revela-se uma excelente opção. O bolo do caco é muito bom, a carne é macia, ainda que tivesse chegado à mesa um pouco passado do ponto pedido, e todo o conjunto está temperado com bastante alho, um ponto a favor para o meu gosto pessoal. Tanto no prego como no hambúrguer, o ovo estrelado apresentava-se com a gema ainda líquida, tal como deve ser.


Também no Hambúrguer Be Chill a carne tinha uma qualidade acima da que encontramos na maior parte das hamburguerias. Bem temperada e servida no ponto pedido, a única dificuldade que se pode encontrar a comer este hambúrguer é a Torre de Pisa de ingredientes existentes. Ainda assim, consegui comer à mão sem que a torre se desmoronasse completamente. Os componentes são mesmo o aspecto mais fraco, pois ainda que a cebola caramelizada se destaque, o queijo passa um pouco despercebido.


Recordam-se de ter dito que o serviço parecia meio perdido? Quando fizemos o pedido, pedimos umas Batatas D'Alho que tinham o intuito de serem comidas com o prego e hambúrguer. Infelizmente, chegaram já a meio destes e ainda vinham com uma execução abaixo dos restantes itens. Fritura inconsistente devido a espessuras diferentes, algum excesso de gordura e alguma falta de sal.


Terminámos com um Cheesecake de Frutos Vermelhos com um bom topping mas onde o creme sabia excessivamente a natas. A base também não estava particularmente boa. A bolacha estava mal espalhada havendo uma altura inconsistente e esfarelava-se facilmente com o garfo, ainda que conseguisse aguentar a estrutura da fatia.


Já tinha sugerido o Be Chill a um amigo, para ele organizar o seu aniversário, mas informaram-no que o menu seria 20€/pessoa. Uns meses depois soube que o valor é de 15€ e as pessoas que lá estiveram gostaram bastante, tanto da comida como da bebida (algo essencial em qualquer jantar de grupo!). 
Este restaurante entra para a lista das boas opções quando não nos apetece algo muito complicado e será, certamente, o lugar onde realizarei o meu próximo aniversário.

Be Chill
Parede, Portugal
Click to add a blog post for Be Chill on Zomato
Preço Médio: < 10 €

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Cozinha 16 (Paço de Arcos)

Gosto de conceitos diferentes. Gosto de restaurantes que não têm problemas em afirmar aos sete ventos que a comida do seu estabelecimento muda consoante a vontade do chefe ou os produtos disponíveis. Para mim, isto mostra uma abordagem de quem se sente muito à vontade entre os tachos e que facilmente desenrasca qualquer petisco com o que houver na dispensa. Na verdade, um pouco à semelhança do que fazemos em casa.
Este Cozinha 16, em Paço de Arcos, é um desses restaurantes, servindo um menu composto por 6 petiscos e 1 prato principal por 15€. Nota-se aqui a abordagem de partilha que acaba por encaixar na perfeição com o tipo de serviço que é prestado neste restaurante. Parece que vamos só ali petiscar qualquer coisa a casa de um amigo. Notei isto na primeira vez que entrei no restaurante e só lá ia para marcar mesa. Fui bem recebido e disseram-me que se quisesse até podia ir à cozinha cheirar o que se cozinhava. Durante a refeição, o serviço foi extremamente descontraído, o que é bom, mas acabamos também por notar que se vai tornando mais lento à medida que a casa vai enchendo.
Como disse anteriormente, todo o menu é surpresa, podendo até variar entre mesas. Apesar de na altura em que fiz a reserva me terem mencionado que seria perguntado por preferências e restrições alimentares, na altura de iniciar a refeição tal não foi questionado. Não tendo nenhuma restrição esta não foi uma preocupação para nós, mas acho que um maior cuidado do serviço neste aspecto seria necessário. Os petiscos chegaram à mesa em sequência, com bom timing, e não se sobrepondo uns aos outros. Como o serviço é bastante amistoso, quem preferir que venham vários petiscos para a mesa penso que poderá fazer esse pedido.
Começámos com um couvert composto por dois tipos de pão (torrado e não), simpáticos mas sem muita história, e Tomate bem temperado com azeite, vinagre balsâmico e oregãos. Como bom guloso que sou, praticamente todo o pão foi usado na deglutição ritual de encharcar o pão com o azeite e o vinagre balsâmico.



Pouco depois, chegaram à mesa uns Croquetes de Alheira acabados de fritar. Bastante estaladiços, bom tamanho, bom formato e acompanhados de mostarda mas pedia-se que o sabor da alheira fosse mais intenso.



Também nesta altura, uma Tábua de Queijo da Ilha e Linguiça foi depositada na mesa para gáudio de todos (ok, éramos só 2) espectadores. Ambos os produtos apresentados de forma simples, com meia dúzia de fatias de queijo regadas com um pouco de mel e oregãos, mas de forma a que não abafasse o sabor do queijo. A linguiça era fantástica e estava muito bem assada.



No final destes pratos, começou a sequência individual de petiscos com o pelotão a ser comandado por uns Ovos com Farinheira e Hortelã. Uma ligeira mudança num petisco clássico das mesas portuguesas, mas onde a diferença que fez foi enorme, pois traz toda uma nova frescura a um prato que até poderia ser pesado. Os ovos estavam irrepreensivelmente cozinhados, ainda algo líquidos, mas com uma boa proporção de ovo e farinheira. O queijo ralado por cima traz pouco ao conjunto por só se apresentar no prato e por cima. Talvez uma integração com os ovos e a farinheira pudesse fazer mais sentido.



Sou um confesso adorador de Pimentos de Padrón, especialmente daqueles que picam! Ainda que aprecie bastante o seu sabor, acho que o que realmente o realça é aquele picante tão único. A dificuldade de arranjar restaurantes com um bom rácio de picantes e não-picantes é grande e, qual não foi a minha surpresa, quando cerca de metade dos pimentos no Cozinha 16 eram picantes! Para além da qualidade dos pimentos em si, estavam bastante bem cozinhados e com uma boa dose de sal, sem ser excessiva.



Os petiscos apresentados eram todos bastante próximos daquilo a que estamos habituados, em restaurantes com esse conceito, mas quase sempre com um twist próprio. Neste caso, uns carnudos Cogumelos marron salteados com alho, manjericão e vinagre balsâmico. Um prato que resulta de uma simples combinação de sabores que não se vê muitas vezes em conjunto, mas onde o adocicado do balsâmico funciona em perfeita harmonia com a frescura do manjericão. Muito bom e, para mim, o prato da noite.



Mas, se até aqui todos os pratos estavam num nível bastante satisfatório, depois a refeição começou a entrar em níveis qualitativos mais baixos do que o esperado. O Polvo à Cacela Velha representava uma ideia bastante interessante mas onde a sua concretização não foi a melhor. O bacon e a linguiça conferiam um óptimo e característico sabor a um, infelizmente, rijo e borrachoso polvo. A batata e o grão absorviam o saboroso molho resultante mas a desilusão do polvo foi tal que não chegámos a terminar o prato. Uma boa ideia que merecia uma melhor preparação da sua proteína principal.



O prato principal, dividido por 2, foi um Bife frito com alho e foi, em todas as suas componentes, muito fraco. O bife estava cozinhado de uma forma não uniforme, muito devido à diferença de altura entre as pontas e o meio. Mas o corte de carne escolhido também não ajudou e a carne era dura e difícil de suportar para os dentes, principalmente depois do polvo. As batatas fritas não melhoravam em nada a experiência e eram bastante medíocres, assim como o arroz de especiarias que apresentava um excesso de (aquilo que julgo ter sido) cominhos.



Já não houve espaço para a sobremesa, pois a quantidade de comida apresentada é mais do que justa para o preço praticado. O problema foi o nível com que se terminou a refeição, e aí a proporção preço/qualidade parece ficar um pouco aquém. Pode ser que noutros dias estes erros não aconteçam e a refeição acabe por se tornar mais memorável.

Cozinha 16
Paço de Arcos, Portugal
Click to add a blog post for Cozinha 16 on Zomato
Foodspotting
Preço Médio: < 20 €

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Zomato Foodie Meetup @ Tapas às Paletes (Cascais)

Fui convidado pela Zomato para mais um Foodie Meetup, desta vez no Tapas às Paletes. Este é um restaurante recente (abriu no início de 2015) e trouxe uma lufada de ar fresco aos estrangeirismos que andam à volta do Largo Camões, em Cascais. Esqueçam a ementa em 30 línguas diferentes e os empregados à porta a pressionarem para entrar no restaurante. Este é um restaurante de petiscos portugueses (e não tanto de tapas) cujo nome remete para a sua decoração, pois praticamente todos os componentes foram feitos a partir de paletes.



Ao contrário de outros encontros onde estive presente, neste tivemos a presença constante de 2 dos sócios do restaurante, que jantaram connosco, esclarecendo dúvidas quanto ao percurso do restaurante e respectiva evolução. Exigentes e defensores da qualidade dos pratos servidos, foram os mesmos a fazer vários apontamentos ao que estava na mesa, procurando sempre saber a nossa opinião sobre o que íamos provando.
A refeição começou com 3 petiscos pedidos pela casa, e depois cada um dos foodies presentes pôde pedir algo da ementa que tivesse curiosidade em experimentar. O resultado foi uma quantidade enorme de comida e uma refeição que se prolongou por várias horas. 
Começámos com uns Pimentos de Padrón de dimensões simpáticas e bem cozinhados. A quantidade de sal no prato era um pouco exagerada e, infelizmente, não pareceu surgir nenhum dos mágicos pimentos que picam. Sou um dos sádicos que acha mais piada aos pimentos de padrón que picam do que aos que não picam. 



A Sapateira Recheada não me encheu particularmente as medidas, mas também não sou um fã deste tipo de petisco. Apesar de ser bastante claro que componentes havia, devido à diferença textural entre a cremosidade do recheio e restantes ingredientes, era mais como uma maionese de sapateira. Para quem aprecia marisco, as pernas da sapateira também se encontram presentes.



A primeira surpresa da noite foram umas Gambas à Casa bastante saborosas. Ligeiro travo picante, excelente tempero e gambas bem cozinhadas tornam este petisco como uma excelente recomendação.



Excelentes também as Gambas Panadas. Apresentavam um bom tamanho, uma fritura excelente e eram complementadas com dois óptimos molhos, um agridoce e outro de alho. Provavelmente o meu prato favorito da noite. De qualidade comparável com o que experimentei no Sea Me.



O petisco por mim pedido foi como que uma tentativa de tirar teimas. A minha mãe faz uns Ovos Verdes de chorar por mais. São perfeitos! E quando vejo que algum restaurante também os faz, não resisto a pedir para ver se se aproximam da qualidade daquilo que como em casa. Infelizmente, estes não estavam perto da qualidade a que estou habituado. O recheio estava numa quantidade generosa mas faltava mais de sabor. Aqui optam por não fritar os ovos mas acho que é o tipo de prato que ganha com uma camada de textura adicional.



Os Cogumelos Salteados não têm grande história. Depois de ter feito uma visita ao Santa Clara dos Cogumelos não deixo de pensar que a utilização de um tipo de cogumelos diferente dos típicos Paris poderia dar muito ao prato. Ainda assim, estavam bons, saborosos e bem executados, com a adição clássica de bacon a tornar todo o conjunto mais saboroso.



Apesar de não ser um restaurante com uma ementa (muito) inovadora, consegue manter um nível de consistência bastante bom na maior parte dos seus pratos. Prova disso foi a Salada de Polvo experimentada. Polvo macio e com um bom balanço nos simples ingredientes usados.



Também o Choco Frito estava macio e com uma boa fritura, sem excesso de óleo e com um ligeiro crocante para contrabalançar com a textura do choco.



Menos consistentes e de menor qualidade estavam os Peixinhos da Horta. Uma polme que precisava de melhor fritura e de mais profundidade para apoiar e fazer crescer o sabor do feijão verde.



Há 2 parágrafos atrás disse que a ementa não era muito inovadora. Mas claro que há algumas excepções que rapidamente captivam o olhar, como é o caso das Perninhas de Rã. Um prato que pode afugentar mais do que atrair, mas estamos a falar de uma mesa com 10 foodies e por isso foi necessário experimentar esta "novidade". Faltou-lhes o ponto de sal correcto, o que seria suficiente para se tornar um prato muito bom. Assim, quedou-se pelo bom mas valeu o facto de ser um prato que não encontramos em muitos sítios.



Continuando na senda dos fritos, cuja culpa não é da gerência, chegaram à mesa as Pataniscas. Muito saborosas, faltando-lhes um pouco de cebola, mas já é um apontamento de cariz mais pessoal e que variará conforme os gostos pessoais. Mas o mais importante é a boa fritura e o facto de não se encontrarem maçudas.



A Cebola Frita, apesar da aparente simplicidade, foi também um prato que me surpreendeu. Fugindo aos típicos aros de cebola fritos devido ao uso de uma maior quantidade de rodelas por fritura e o uso de uma polme parecida (ou até a mesma) com a utilizada nos peixinhos da horta.



Simpáticos Ovos com Farinheira, com os ovos a passar ligeiramente do ponto de cozedura que considero ideal. Sou apreciador dos ovos mal passados (um pouco à semelhança da carne) e com uma maior proporção de farinheira do que a que foi apresentada.



Fechámos a refeição com as Lascas à Casa, que eram mais Cascas do que Lascas, e se apresentavam finas e estaladiças. Um dos sócios decidiu pedir uma outra dose pois não estavam tão boas como as que costumam servir. Terei que lá voltar para atestar nestes padrões de qualidade demonstrados. A adição de queijo ralado por cima pouco traz de novo. Talvez se se encontrasse gratinado pudesse fazer uma maior diferença.



Esta foi uma noite recheada de boa (e muita) comida, onde a variedade foi tal que houve pratos que fotografei mas que não tive oportunidade de provar. Foi o caso das Bolinhas de Alheira e do Pica-Pau.




Para sobremesa, um Cheesecake pouco acima da média. Um bom creme que merecia uma bolacha melhor executada para o suportar e ajudar com contrastes de textura. O topping trazia acidez e dava profundidade ao cheesecake. Só dispensava (e dispensei, pois não lhe toquei) o chantilly que rodeava toda a fatia.



O tipo de localização que nunca sonharia ser possível para uma boa refeição. Sempre tive algum preconceito pela zona circundante ao Largo Camões no que se refere a opções viáveis para jantar, mas o Tapas às Paletes veio trazer uma lufada de ar fresco. Pode ser que mais restaurantes decidam investir num produto e conceito virado tanto para dentro como para fora.

Tapas às Paletes
Cascais, Portugal
Click to add a blog post for Tapas às Paletes on Zomato
Preço Médio: < 20 €

quinta-feira, 28 de maio de 2015

B'Entrevinhos (Oeiras)

Faltava à Marina de Oeiras um restaurante assim. Um restaurante onde podemos ir com a garantia que seremos bem atendidos e onde a qualidade da comida supera expectativas. O B'Entrevinhos não vem só colmatar uma falha na restauração da Marina, como vem colocar toda uma nova perspectiva sobre os típicos restaurantes de petiscos. Sim, tem alguns clássicos como os Ovos com Farinheira, Croquetes de Alheira ou Salada de Povo, mas tem também petiscos com um nível de criatividade bastante apreciável.



Entrei já com expectativas altas, pois mesmo sem alguma vez ter visitado o restaurante já o tinha recomendado ao meu irmão, que de lá tinha regressado com óptima opinião e que podem consultar aqui. Antes de começar a divagar sobre a comida, uma palavra para o excelente serviço que acompanhou a refeição. A simpatia e atenção foi simplesmente exemplar.
Abrimos as hostilidades com uns pequenos e gulosos Croquetes de Cogumelos. Boa fritura, com um recheio cremoso e saboroso. Muito bons.



As Lulinhas Fritas estavam também elas irrepreensíveis na fritura, no sabor, no contraste de texturas... em tudo. Os exemplares servidos com um tamanho um pouco superior ao que normalmente vemos como Puntillitas. Acompanhava uma maionese de alho com tinta de lula também de óptimo sabor.



A Tosta de Cebola Caramelizada com Rosmaninho e Camembert estava muito bem equilibrada nos sabores, com um bom pão tostado que suportava toda a estrutura do queijo semi-derretido com a cebola caramelizada. Menos evidente o sabor do rosmaninho que se perdia entre dois sabores contrastantes tão fortes.



Apesar de vendidos à unidade, os Croquetes de Alheira têm um tamanho bastante generoso. Mais uma fritura perfeita, sem uma pinga de óleo excessivo, e que revela um interior cremoso e carnudo. Estavam assentes numa maionese de alho que contrabalançava bem com a riqueza do croquete.



Para ir acompanhando a refeição, pedimos duas meias doses de diferentes tipos de batatas. As Batatas do Hugo, com maionese de manjericão e cebola frita, estavam bastante bem fritas, com o exterior estaladiço, sendo depois cobertas com a maionese e a cebola frita. No B'Entrevinhos nota-se que não há só uma preocupação em que as coisas estejam bem confeccionadas. Querem que cada um dos nossos sentidos se sinta vivo.



A interpretação das Batatas Bravas é também "muy buena", usando as mesmas batatas fritas que no prato anterior, mudando apenas o molho tendo este um bom nível de picante, não sendo exagerado (para quem gosta de picante existem também as Batatas Bravíssimas).



E está na altura de pararmos e reflectirmos sobre o tipo de carne que comemos. Para todos aqueles que não gostam de cortes mais gordos digo-vos apenas uma coisa: Nunca experimentaram a Barriga com Mel e Especiarias do B'Entrevinhos! É ridiculamente bom e tinha sido capaz de comer sozinho três doses deste petisco. A carne é macia e está fantasticamente temperada. A pele está perfeitamente estaladiça, desfazendo-se com cada dentada. Foi-nos dito que agora só servem este prato no dia em que assam a barriga e ainda bem que assim é, pois caso contrário a qualidade não seria tão fantástica. O único pormenor que alteraria seria na redução do número de grãos de pimenta preta utilizados.



A Bochecha de Novilho com Compota de Cereja e Gengibre é apresentada de uma forma um pouco diferente da habitual, sendo servida desfiada por cima de uma torrada. Compota com uma forte componente de cereja, que dá uma boa acidez ao prato, mas não deu para sentir muito o gengibre. Todos os pratos pedidos jogam com diferentes texturas o que é um toque muito bom.



O último prato antes das sobremesas foi, para mim, o prato menos conseguido da refeição. O Brie com Pêra Escalfada, Cebola Frita e Redução de Vinho do Porto não me conseguiu satisfazer ao nível dos pratos anteriores. A combinação de brie com pêra não era má, mas não achei fascinante. Falta-lhe alguma acidez e um melhor equilíbrio dos ingredientes.



Chegada a hora da sobremesa, optámos por uma simpática Tarte de Lima, com base de oreo, onde apenas desejava que houvesse mais acidez no creme, e uma Tarte de Nutella que apesar de boa, excedia os meus níveis de doçura pessoal, sendo que nunca conseguiria comer uma fatia sozinho. Ainda assim, boas sobremesas, tanto ao nível da base como do creme, para acabar uma excelente refeição.


Tarte de Lima
Tarte de Nutella
Um restaurante que já estava na minha wishlist há tempo demais. Se soubesse que seria deste nível acho que teria demorado muito menos tempo a visitá-lo. Anseio pela minha próxima visita para que possa voltar a provar aquela barriga de porco...

Update: Já voltei ao B'Entrevinhos e não saí de lá tão maravilhado como na primeira visita. O serviço não foi tão bom, apesar de também não ter sido mau. Apenas menos prestável e informativo.
Repeti alguns petiscos, mas deu ainda para experimentar pratos que tinham ficado para trás na primeira visita. Os pratos repetidos pareceram-me um pouco abaixo da qualidade anteriormente demonstrada. Sabores menos apurados, especialmente na Barriga de Porco que tanto tinha adorado.


Tosta de Cebola Caramelizada com Rosmaninho e Camembert
Barriga de Porco com Mel e Especiarias
Lulinhas Fritas
Croquetes de Alheira
Batatas Bravas
Dos novos pratos, há que destacar o bom Montadito de Salmão Fumado com Queijo Creme e Sriracha, onde os sabores se equilibram e são elevados devido ao ligeiro picante do molho sriracha.



De destaque menos positivo, a Tosta de Bacalhau Fresco e Coentros, de sabores simples e algo neutros, sem qualquer notas mágicas a acontecer na boca. Um sabor que se mantém a cada dentada e que não passa daí.



Para mim, não funcionou o Crostini de Requeijão com Alecrim, Uvas e Mel. Excessivamente doce e a precisar de alguma acidez que cortasse o conjunto. A ideia é original, é boa mas precisa de mais trabalho para se tornar um bom prato.



Mesmo depois de uma visita uns furos abaixo da primeira, continuo a acreditar que o B'Entrevinhos é o restaurante que faltava na Marina de Oeiras. Merece uma visita sem dúvida alguma.

B'Entrevinhos
Oeiras, Portugal
Click to add a blog post for B'Entrevinhos on Zomato
Preço Médio: < 30 €