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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Curtas #4: O sushi de fusão do Tamagoshi!

Se me acompanham sabem que gosto bastante de sushi! Não sou esquisito e abordo o tradicional com a mesma gula com que abordo o de fusão. Interessa-me a qualidade do arroz, a frescura dos ingredientes, a variedade existente e, caso esteja a comer fusão, a originalidade do que é apresentado.
Há um restaurante onde é possível ter tudo isto e mais um pouco. O Tamagoshi Food Fusion é o sítio ideal para quem procura originalidade, diversidade e qualidade! Só há duas pessoas a confeccionar o sushi, por isso é natural que seja tudo um pouco demorado (principalmente quando pedimos combinados grandes) pois tudo é feito no momento. Vale a pena a espera acreditem.
O Couvert é simples mas faz sentido no conceito do restaurante. Um competente sunomono e uma folha de endívia com pasta à base de salmão. 



Muito bom o Carpaccio Moriawase com o omnipresente salmão, um excelente atum e o peixe branco disponível que se revelou na forma de bacalhau fresco. Uma das coisas que adoro no Tamagoshi é esta capacidade de me darem a provar peixes que nem sempre são comuns encontrar.



Boa fritura no Hot Maguro Maki e uma excelente pasta por cima. Deveria ter mais sweet chilli sauce pois acabou por passar despercebido esta componente.



Nas visitas anteriores nunca tinha provado o Gunkan Egg mas agora será sempre uma peça obrigatória. A riqueza que a gema confere ao conjunto é fantástico.



O chef Péricles já me conhece e decidiu brindar-nos com algumas das novas criações dele que ainda não se encontram presentes na carta. 
Um Gunkan de salmão e camarão que apesar de bom não me deslumbrou devido ao meu fraco entusiasmo para com estes decápodes.



Surpreendente a combinação entre o salmão, ginger wakame (a alga wakame infundida com gengibre), pasta de lavagante e tobiko. Que este Gunkan entre na ementa e não saia mais.



O combinado Omakassê Itamae San é a prova final, se ainda não estavam convencidos até aqui, que o Tamagoshi não apregoa só o sushi de fusão, como o concretiza de forma exemplar.
Nesse dia, 5 variedades de sashimi (Salmão, Pampo, Bacalhau Fresco, Maguro e Toro) deliciaram o meu lado tradicionalista. É complicado descrever os restantes rolos e gunkans, pois a variedade presente é vasta, mas a qualidade do sushi continua a ser fantástico. 



Terminámos a refeição com uma Tarte de Toblerone, bastante cremosa mas um pouco doce demais para mim. Ideal para partilhar mas penso que não conseguiria comer uma fatia sozinho.



Saio mais uma vez maravilhado do Tamagoshi. Apesar de ser a minha 4ª ou 5ª visita, saio com novas combinações e novos sabores descobertos e até com novas variedades de peixe experimentadas. Saio com a certeza que voltarei.
(Sei que não foi bem uma "curta" mas foi muita coisa experimentada... tentei ser breve mas não é fácil!)

Parede, Portugal
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Preço Médio: < 40 €

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Carpacceria (Mercado de Campo de Ourique)

Finalmente fui conhecer o Mercado de Campo de Ourique. O primeiro desta nova moda de mercados renovados, com o seu renovado conceito de restauração baseado no Mercado de San Miguel (em Madrid). Uma grande variedade de oferta gastronómica, capaz de agradar praticamente a todos. Sendo que muitos dos restaurantes demoram na confecção dos seus pratos, existem uns buzzers para que os clientes sejam notificados quando o seu pedido estiver pronto. As bebidas (mas não todas) podem ser pedidas já na mesa.
A estrutura deste tipo de food court funciona, ainda que não concorde com a exclusividade da venda de bebidas. Estes conceitos atraem uma multiplicidade de conceitos interessantes (algo que espero que seja contagioso aos Centros Comerciais) e conseguem cativar muitos clientes exactamente pela diversidade oferecida.
Um dos conceitos mais interessantes (consegui provar várias coisas mas farei 1 artigo sobre cada espaço) é a Carpacceria. O nome é explícito mas na ementa existem ainda tártaros, wraps e bruschettas.
Muito bem temperado o Carpaccio de Novilho do Mercado. Fatias de boa grossura e uma desavergonhada quantidade de tempero sem medo de dar sabor a um prato que se não for temperado é bastante insípido. Adoro os carpaccios com alcaparras, que nos vão dando pequenos toques de sobressalto no palato. Um óptimo exemplar do que um carpaccio deve ser.



Não havendo o Tártaro de Bacalhau, optámos por experimentar o Tártaro de Atum Asiático. Excelente a simples combinação de sabores do gengibre e da soja. Bons cubos de atum com uma grossura adequada e que nos permitem verificar a sua frescura assim como a sua textura.



Um conceito muito engraçado, e que mesmo não funcionando para uma refeição inteira (excepção provável feita aos wraps), é uma óptima opção para servir como entrada. Bons produtos e boas execuções fazem desta uma boa banca!

Carpacceria
Mercado de Campo de Ourique, Rua Coelho da Rocha
Campo de Ourique, Portugal
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Preço Médio: < 20 €

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Rescaldo Tascas no Cais 2015 (Lisboa)

2ª Edição do evento Tascas no Cais, patrocinado pela Super Bock, um evento que junta alguns (poucos) restaurantes existentes na cidade, num recinto ao ar livre. Mais num conceito de partilha, os restaurantes têm vários pratos (com os preços a variar até aos 8€, mais ou menos) que poderão ser demonstrativos da cozinha que praticam na sua morada permanente. Nesta 2ª edição, pudemos contar com Taberna da Rua das Flores, Can The Can, Cantina LX e Tasca de Três, o único a não ter uma morada fixa, mas que junta o chef Nuno Diniz (da EHTL, Tágide e ex-York House), o chef Nuno Barros (1300 Taberna e ex-2780 Taberna) e o foodie Rodrigo Meneses (foodie.pt e Curador da Academia TimeOut). A iniciativa é bastante interessante mas pareceu pecar pela pouca oferta gastronómica existente. Na 1ª Edição estiveram presentes Ramiro, Cantina LX, Can The Can, Taberna da Rua das Flores/Flores do Bairro e Tasca de Três com Nuno Diniz, Nuno Barros e João Sá (ex-Assinatura e ex-G-Spot).
O evento teve um custo de entrada de 3€, dando direito a uma imperial, o que não é propriamente barato, tal como as ofertas gastronómicas não o são, se fizéssemos uma comparação puramente baseada na quantidade. Para além disso, das 4 ofertas existentes, as únicas que me cativaram o suficiente para me deslocar ao Cais do Sodré foi a Tasca de Três, de onde já conhecia a famosa Sandes de Porco Fumado, e a Taberna da Rua das Flores, um restaurante que desde há muito me suscita curiosidade.
Como em qualquer festival dos dias de hoje (não sei como se processou o ano passado pois não estive presente), todo o dinheiro que quiséssemos gastar teria que ser previamente trocado por senhas. Ainda que de melhor qualidade que as senhas dos festivais de Street Food (especialmente se tivermos em conta a edição em Paço de Arcos) e mesmo sem sabendo se aceitariam devoluções ou não (começo a estar de tal maneira preparado para este sistema que faço questão de saber exactamente o que vou pedir antes de trocar dinheiro) continuo a achar que na óptica do cliente final (aquele a quem qualquer evento é suposto satisfazer) esta solução é menos prática e pode chegar a ser prejudicial.
Apresentações e queixas feitas, vamos à comida! Como disse, a minha curiosidade recaía principalmente entre a Tasca de Três e a Taberna da Rua das Flores. É natural que a maior parte das escolhas tenham sido entre essas duas bancadas. Mesmo no evento, olhando para todos os menus, havia poucas propostas captivantes do Can The Can e a Cantina LX parecia ter uma ementa demasiado parecida com a do restaurante (que já conheço e cuja review podem ler aqui).
Na Tasca de Três, voltei a experimentar a Sandes de Porco Fumado. Depois do fantástico exemplar que experimentei no European Street Food Festival (aqui), as expectativas eram altas mas, infelizmente, não estava tão boa. O pão era bom mas a carne estava à temperatura ambiente e com uma menor profundidade de sabor. A maionese de bacon continua impecável e a rodela de tomate presente nada de novo acrescentou.



Os Ovos com Farinheira e Barriga de Porco estavam cremosos e com sabor ligeiramente predominante da farinheira, algo que poderia ser balançado com uma maior quantidade de barriga. Para os que possam fazer um ar desconfiado perante as palavras "barriga de porco", lembrem-se que o bacon vem desta deliciosa parte do porco.



Boa Mousse de Chocolate com Caramelo e Amendoim, demonstrando boa consistência e a não ser excessivamente doce, um erro onde muitas mousses de chocolate acabam por cair. A transversalidade de sabores entre chocolate e o caramelo não chocam e até se acentua graças a alguma salinidade do caramelo e do amendoim.



Já a Mousse Cítrica com Suspiros não estava tão boa, faltando-lhe a sua própria adjectivação e tornando-se demasiado doce. Tudo correcto a nível de textura e consistência, mas aquela acidez característica apenas foi descoberta no fundo do copo, com um creme que deveria ter sido um topping.


Não conhecendo a ementa habitual da Taberna da Rua das Flores, não sei quão comparável à que foi apresentada no evento, mas se a qualidade for algum indício então este é um restaurante obrigatório em Lisboa. Os Peixinhos da Horta estavam muito bons, com uma saborosa e estaladiça polme. O molho sweet chilli dá-lhes um toque original.



As Pataniscas de Bacalhau foram algo surpreendentes pela sua forma de apresentação e irrepreensível fritura. As pataniscas, cortadas de forma rectangular, estavam ultra estaladiças. Apenas achei que o sabor do bacalhau foi bastante mais suave do que o esperado, mas nada de grave.



O Picadinho de Carapau é algo de maravilhoso e refrescante. Bastante bem balanceado em todos os sabores presentes, fosse pela alga wakame ou pela acidez dada pela maçã, que suportaram o conjunto e ajudaram a elevar o carapau. Fantástico!



Uma ideia interessante na concretização do Frango Satay com bons sabores e uma boa quantidade de especiarias a transportarem o peito do frango até à Ásia, mas faltando um molho que ajudasse a dar mais vida a uma peça um pouco seca.



Outro prato fantástico desta Taberna, e que repetiria sempre que pudesse, foram os Lagartos Grelhados. A carne desfazia-se na boca e, dado à gordura intrínseca do corte, enchia-nos o palato com sabor e umami. A adição da cebola picada é importante para cortar toda aquela riqueza do porco.



No Can The Can, a qualidade da comida não deslumbrou. Apesar de achar alguma piada ao conceito, a curiosidade nunca se aguçou depois de ter lido algumas críticas menos positivas. E se a qualidade da comida for igual ao que aqui demonstraram, então não me parece mesmo que chegue a visitar o espaço. As Chamuças de Atum eram desinteressantes, com o sabor a ser todo mascarado pela quantidade de cominhos utilizada. Estavam bem recheadas, mas de resto nada de muito positivo a apontar.



Pouco acima estavam os Croquetes de Polvo com Tinta. Recheio demasiado unidimensional, avivando apenas quando misturado com a mostarda de dijon e um outro molho mais adocicado. Interessante proposta mas a concretização poderia estar melhor.



Único prato experimentado na Cantina LX, por motivos já explicados, foi a Tarte de Batata Doce. Ainda que bastante húmida, e com o acrescento interessante de sumo de laranja e respectivas raspas, a verdade é que o sabor da batata-doce não se mostrou.


A iniciativa é interessante, e os moldes em que é executada ainda podem ser melhorados, mas a base está lá e o conceito também (talvez até um pouco replicado do que se faz no Peixe em Lisboa). Todas as bancas estiveram perto das expectativas criadas, inclusive as de baixa expectativa. Como resultado final, ficou a enorme vontade de ir à Taberna da Rua das Flores e experimentar a restante cozinha do chef taberneiro André Magalhães.

Tasca de Três
Projecto único que surge apenas no evento Tascas no Cais. A ideia junta 3 chefs numa só ementa. Este ano tivemos o chef Nuno Diniz (Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, Tágide e ex-York House), chef Nuno Barros (1300 Taberna) e o foodie Rodrigo Meneses (foodie.pt e Curador da Academia TimeOut).
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Preço Médio: < 20 €

Taberna da Rua das Flores
Morada Permanente: Rua das Flores, 103
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Preço Médio: < 20 €

Can The Can
Morada Permanente: Praça do Comércio, Terreiro do Paço, Ala Nascente, 82-83
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Preço Médio: < 20 €

Cantina Lx (review aqui)
Morada Permanente: LX Factory, Rua Rodrigues Faria, 103, Edifício C, Piso 0
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Preço Médio: < 20 €

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Ideal (Cabanas de Tavira)

Há vários restaurantes que são de passagem (quase) obrigatória, cada vez que vou para a zona de Tavira, para comer alguns dos pratos mais icónicos da região. Se o Zé Maria e o seu peixe grelhado são obrigatórios, não ficará muito atrás a Sopa do Mar do Ideal, em Cabanas de Tavira. Servida no pão, com um creme de fantástico sabor, bons bocados de peixe e vários bivalves, que, infelizmente, nesta minha última visita estavam um pouco sobre-cozinhados e, consequentemente, de textura um pouco borrachosa.


Para muitos esta sopa pode ser uma verdadeira refeição, mas para mim é apenas o prelúdio para a mesma. Decidimos pedir para entrada também algumas Amêijoas que apesar de bem cozinhadas, lhes faltava mais tempero e uns óptimos Palitos de Atum, que são tiras grossas de atum marinadas em limão, envoltas numa polme e depois fritas. Como o polme ficou um pouco grosso, as tiras não estavam tão estaladiças como seria expectável, mas ainda assim uma boa surpresa.



A qualidade do atum no Algarve é realmente uma coisa do outro mundo. Basta entrar na praça de Tavira para perceber isso verificando a distinção que lá se faz entre o Fresco e o Congelado. Por isso é (normalmente) uma aposta segura pedir um bife de atum num restaurante, e foi isso mesmo que fiz. E o Bife de Atum à Ideal cumpre o requisito, mesmo sendo um bife de cebolada, acabando por não se tornar tão evidente a frescura do atum. Mas que é saboroso, é. Bom sabor, boa textura, bom molho e umas batatas fritas médias compõem este prato. 
Para além da Sopa do Mar, existem outros pratos que merecem ser degustados como é o caso dos Pastéis de Polvo e dos Filetes de Pescada (que tive oportunidade de provar em visitas anteriores).



Para sobremesa, outra especialidade desta casa, o Doce de Vinagre! Tirando o nome da técnica com que o leite é coalhado, este doce de avinagrado não tem nada, sendo bastante doce e um pouco granulado, mas sem dúvida uma sobremesa a experimentar.



Pode não ter sido a melhor visita que já fiz ao Ideal mas é um restaurante que nunca desilude, com pratos consistentemente bons e preços justos. Para garantirem que conseguem provar a Sopa do Mar e o Doce de Vinagre convém reservar quando fizerem a reserva da mesa, algo praticamente obrigatório no Verão, pois o restaurante está sempre cheio, tornando-o um pouco barulhento.

Restaurante Ideal
Cabanas de Tavira, Portugal
Preço Médio: < 20 €

sexta-feira, 20 de março de 2015

Gaijin Sushi Bar - Take II - Almoço à Carta (Paço de Arcos)

Já falei no blog sobre o Gaijin Sushi Bar, em Paço de Arcos, mais concretamente na sua versão All You Can Eat. Desta vez, escrevo-vos para vos falar sobre a experiência que tive à carta, aproveitando um dos descontos 2 por 1 da revista Time Out Lisboa. Aquando a reserva foi-me imediatamente perguntado se tinha conhecimento que o 2 por 1 apenas se aplicava à refeição à carta, e não nos menus de almoço nem no All You Can Eat. Por acaso, já tinha ouvido algumas queixas pela internet, pois todo o artigo que "vende" o Gaijin Sushi Bar na secção de descontos da revista falava no All You Can Eat e só nas letras pequenas do talão em si mencionava que só era aplicável à carta. Um pormenor que não fica bem e que pode levar muita gente ao engano.
Ainda assim, queria experimentar o restaurante à carta para conseguir perceber a diferença entre a oferta à carta e no All You Can Eat. E foi aqui que fiquei um pouco desiludido com esta mais recente experiência no Gaijin, pois pareceu-me que a diferença entre as variedades à carta e as do menu All You Can Eat não compensam a diferença de preço. Para terem um exemplo, uma refeição All You Can Eat são 20€ sem bebidas e pagámos cerca de 16€/pessoa num almoço com desconto em 50% na comida. O que, como poderão ver a seguir, parece-me um pouco díspar quando a variedade da carta não é assim tão significativa.


Pedimos o Combinado de 40 Peças e um uramaki Salmon Skin, algo que tanto eu como a minha fantástica companheira na maioria destes devaneios (e que inicialmente nem apreciadora de sushi era), simplesmente adoramos e pedimos sempre que possível. Íamos também pedir os óptimos Gunkans que o Gaijin serve mas pedimos ao empregado que, caso já viessem no combinado, não valeria a pena trazer extras.
Claro que nos esquecemos de referir o mesmo quanto ao Salmon Skin, e claro que o empregado poderia ter tido também isso em conta quando fez o pedido, mas não. E lá ficámos nós com 12 peças (em 48) iguais. Apesar de não me importar nada de comer pele de salmão grelhada (e que bem grelhada estava) acho que poderia ter sido evitado com um pouco de melhor comunicação.
De resto, a consistência e qualidade que tanto aprecio no Gaijin. Do melhor arroz que já encontrei, peixe com uma frescura exemplar e a desfazer-se na boca e os sempre obrigatórios Gunkans, de comer e chorar por mais (se calhar devia mesmo ter pedido mais).


Para terminar este almoço, uma Mousse de Limão dona de um balanço entre doçura e acidez surpreendente, que nos estimula todas as papilas gustativas e promove uma produção excessiva de saliva.


Resumidamente, apesar de pecar pela variedade, para mim compensa largamente pela qualidade, especialmente na opção All You Can Eat. Nesta vertente à carta não fiquei tão surpreendido mas a qualidade manteve-se e isso é de louvar.

Gaijin Sushi Bar
Paço de Arcos, Portugal
Preço Médio: < 40 €

segunda-feira, 2 de março de 2015

T'Chef (Telheiras)

Telheiras não é uma zona conhecida pela variedade e qualidade dos restaurantes que lá existem. Mas claro que existem excepções e este T'Chef é a prova viva disso! Nunca alguém imaginou que no meio de Telheiras pudesse existir um restaurante com comida de autor e a preços mais que justos. O convite Zomato foi a motivação final para me deslocar até Telheiras, tentando perceber se todas as críticas positivas que tinha lido seriam justificadas ou não.
Ao chegar ao restaurante fiquei um pouco assustado. O néon arroxeado que ilumina a primeira sala não me transporta para um ambiente de restaurante mas sim de bar. Algo que é logo ultrapassado quando chegamos à sala principal, que apresenta uma decoração sóbria, de bom gosto e com uma iluminação bastante mais normal.

Foto retirada daqui
O convite incluía um menu de degustação do chef mas deram-nos a hipótese de olharmos para a ementa de jantar, que é apresentada dentro de álbuns de vinis. Pratos com descrições bastante apelativas mas o menu de degustação não inclui obrigatoriamente pratos desta ementa, sendo tudo de inspiração da cozinha com base nos ingredientes que têm à disposição. E não podia ter corrido melhor...
Começámos o jantar com um Couvert que incluía uma taça de azeite com vinagre balsâmico, uma manteiga de mel, lima e alecrim e uma pasta de tomate assado com broa crocante. Se o azeite com balsâmico é algo que já se pode considerar banal, mesmo quando o azeite utilizado é de qualidade, os restantes componentes do couvert eram inovadores e fantásticos. Na manteiga não se notava muito o mel, principalmente devido ao sabor predominante do alecrim, que era complementado com a frescura da lima. A pasta de tomate assado não tinha qualquer falha e era gulosa o suficiente para se comer à colher. Muito umami e alguma acidez fizeram as delícias das nossas papilas, mas fomos surpreendidos pelos croûtons de broa que se mantiveram sempre crocantes, conferindo um nível de textura extra. O couvert merecia um pão melhor e, preferencialmente, acabado de sair do forno. Um bom prenúncio para a refeição que se avizinharia.


Não muito tempo depois do couvert, chegou a primeira entrada, um Crocante de Alheira com Gema BT, Grelos, Molho de Alho Doce e Redução de Porto. A trouxa estaladiça escondia um recheio de alheira com bastante qualidade e alguns bons bocados de carne. Para adicionar riqueza ao prato, uma bem executada gema cozinhada a baixa temperatura, por cima de uns grelos que infelizmente apenas se caracterizaram como normais. Os molhos eram bons, quando experimentados à parte, mas perdiam-se no meio de sabores tão fortes.


A segunda entrada mostrou uma conjugação de sabores fortes mas que se balanceavam na perfeição. O Porco Se Embrulhou com a Cabra mostrava uns cilindros de queijo de cabra envolvidos em presunto, com açúcar caramelizado no topo a fazer um excelente contraste de salgado com doce. Para juntar tudo, uma espécie de pesto com tomate ajudava a balancear os sabores fortes do queijo e do presunto. Um prato muito bom e bem conseguido. Esta é uma entrada que faz parte do menu actual.


Findas as entradas, começámos os pratos principais com um bife de Atum Braseado com Esparguete de Legumes. O atum bem selado, com o seu interior cru, necessitando apenas de um pouco de flor de sal para espevitar mais o prato. Excelentes os legumes em soja, com um corte algo irregular (o que nos levou a pensar terem sido cortados à mão), mas muito bons a nível de tempero e execução.


Todo o serviço foi exemplar. Simpático, prestável, explicativo e com vontade de nos dar a conhecer o restaurante e seu conceito. Curioso ainda a procura por restaurantes mais próximos da Linha do Estoril, revelando que a pessoa que nos atendeu (um dos sócios do espaço) é também um entusiasta pela arte de bem comer. Único problema do serviço foi exactamente a seguir ao prato de atum, onde houve uma espera bastante prolongada até que o segundo prato chegasse à mesa. Esta demora foi amenizada pelo pedido de desculpas, pois teria surgido um imprevisto na cozinha.
Se por um lado esta espera pode afectar a experiência geral, por outro pode ser significativo que algo não estava bem com o prato e tiveram que refazer todo o seu processo, o que é apreciável e revelador de um cuidado extra na cozinha apresentada.
Irrepreensível estava o Ramen de Camarão com Granizado de Gengibre, com uns noodles caseiros leves e que se desfaziam na boca. Não fiquei particularmente fã do minúsculo miolo de camarão utilizado, pois também não sou um grande entusiasta deste crustáceo, não tendo ajudado o facto de ter encontrado algumas cascas. Dispensava de todo o camarão, bastando o caldo para que este prato me enchesse as medidas. Acabei por pedir uma colher (que inicialmente tinha dispensado) para poder desfrutar de um saboroso e intenso caldo de marisco que nos preenchia a boca, ajudado pelo granizado de gengibre, e que continha um nível de picante satisfatório.


Para finalizar os pratos principais, fomos presenteados com um dos pratos da ementa actual, as Bochechas de Porco Preto com Risotto de Aipo e Maçã, do qual eu (vergonhosamente) não tirei foto. A pressa e a vontade de provar este prato era tal que só no dia seguinte me apercebi da minha falha. A apresentação deste prato é divertida e diferente, com as bochechas a chegarem numa marmita, deixando ao cliente a parte final do empratamento. O risotto apresentava uma boa cremosidade e os bocados de maçã davam frescura e um ligeiro adocicado ao arroz, mas provado por si só era algo bastante unidimensional. Algo que deixou de acontecer mal lhe juntámos o molho onde vinham as bochechas. Parece que deu outra vida a este prato. Pena as bochechas não estarem "de comer à colher", mesmo que não se apresentassem duras. Faltava-lhes tempo de cozedura para que as fibras se partissem mais e deixasse as bochechas realmente macias.
Começámos a fase doce da refeição com um Crème Brulée de Coco, que estava exemplar no seu creme, tanto no sabor como na consistência. Falhou o brulée que foi claramente exagerado, dando um sabor queimado ao açúcar. Não é preciso tanto tempo de maçarico para que aquela crosta superior fique estaladiça. Ainda assim, uma boa sobremesa.


A sobremesa que mais curiosidade nos tinha despertado, quando olhámos para a carta, foram as Pataniscas do Éden, umas pataniscas de maçã acompanhadas de um puré de batata-doce e ainda uma bola de gelado. Boa fritura nas pataniscas, estando bastante estaladiças, mas mereciam mais pedaços de maçã, para que houvesse um maior contraste entre a textura exterior e interior e também um maior sabor da própria fruta. Bom puré, a cortar bem o frito da patanisca e a combinar bem com a frescura do gelado.


Com o café, ainda nos foi permitido provar a Key Lime Pie. Honestamente, não sou capaz de distinguir entre diferentes tipos de limas, por isso apenas consigo avaliar isto como uma tarte de lima. E deixem que vos diga que é uma boa tarte de lima. Boa bolacha, com um travo a bolacha integral, que combinava perfeitamente com a acidez do creme de lima. Ainda que não tivesse a textura que mais aprecio, pois estava um pouco esponjoso, os sabores estavam lá.


Contas feitas ao final da refeição, saio do T'Chef extremamente satisfeito. Não só pela quantidade de pratos experimentados, como pela qualidade dos mesmos. Apesar dos preços à carta não serem elevados, esta hipótese de ter um menu de degustação de 8 pratos (2 entradas, 3 pratos e 2 sobremesas) com muita qualidade, e que está constantemente a variar, por 22€ é extraordinário, ainda para mais se pensarmos que este menu varia constantemente consoante os produtos disponíveis e a imaginação do chef. A juntar a isto um serviço bom, foram 3 horas bem passadas num desconhecido restaurante em Telheiras. O restaurante dispõe ainda de uma carta de almoço, que varia diariamente, com preços mais acessíveis mas com o mesmo cuidado na confecção e apresentação dos pratos.
Não é perfeito, mas é, sem dúvida, um restaurante que vale a pena conhecer. E não apenas uma vez mas várias, pois é daqueles restaurantes aos quais desejo voltar para me deixar nas mãos do chef e sair de lá surpreendido.

Zomato
Foodspotting
T'Chef
Rua Hermano Neves, 22, Loja B
Telheiras, Portugal
Facebook
Preço Médio: < 30 €

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tamagoshi Food Fusion (Parede)

A definição que temos de "sushi de fusão" vai mudando consoante os restaurantes que vamos conhecendo. Se ao início ficamos fascinados pelo uso de morangos, manga e queijo creme, esta noção rapidamente se torna aborrecida. Começamos aí a definir as nossas preferências, acabando por pender para um lado mais tradicionalista, onde impera a simplicidade das peças mas somos mais implacáveis com a sua execução, ou para para um lado mais "ocidentalizado" onde nos interessam as peças de fusão e o seu grau de originalidade.
Confesso não ter uma preferência bem definida (como acredito que muitos não tenham), mas não fiquei indiferente às boas críticas que foram surgindo sobre um japonês, com nome de brinquedo virtual dos anos 90, onde a fusão era realmente bem concretizada e inovadora.
Quem por lá passa, mesmo que repare no toldo com o nome, duvido que se aperceba da qualidade que se esconde por trás de um nome que afugenta mais do que atrai. Cheguei a falar neste restaurante a outros apreciadores de sushi, mas surgiu sempre um ar céptico seguido de um franzir de sobrolho como resposta ao nome. Mas nada como entrar e experimentar.
Um rápido olhar pela ementa faz-nos aperceber de que existem algumas peças com ingredientes inovadores, como ovo de codorniz ou couve. Sendo a primeira visita ao Tamagoshi, o desejo era experimenta uma maior variedade de peças de criação do sushiman (ou itamae) e acabámos por pedir o combinado de 50 peças especiais, Omakasse Itamae San. (Omakasse é a maneira japonesa de dizer que deixamos a escolha dos pratos ao critério do chef)


14 variedades diferentes (7 uramakis, 3 gunkans e 4 sashimis) todos de execução exemplar. É difícil falar sobre todas as peças, pois nem sempre consegui identificar todos os elementos que as compunham. Algumas nem parecem existir na carta do restaurante, tornando esta identificação mais complicada. Mas falarei brevemente sobre algumas das peças mais marcantes.
4 variedades diferentes de sashimi, estando o sempre presente salmão acompanhado por charuteiro e por duas variedade de atum, akami e chūtoro (uma zona do atum mais próxima da barriga). Tudo fantástico na frescura e qualidade do corte, com particular destaque para o chūtoro que se desfazia na boca.

Foto retirada daqui
Gunkans também eles excepcionais. Uma das variedades apresentando-se com um molho de ervas no topo que primava por não ofuscar a qualidade do peixe, mas dando-lhe uma sensação mais próximo a "casa". Mas verdadeiramente surpreendente era o gunkan com pepino à volta e o que parecia ser uma pasta de ovas em cima, que me levou para recordações de saladas de ovas devido à complexidade de sabores que me assolava o palato. 

Foto retirada daqui
Nos uramakis, apesar de haver algumas peças muito boas mas menos surpreendentes, outras se destacaram pela originalidade e qualidade com que estavam executadas. Apesar de não ser um fã do uso de componentes muito doces no sushi, pois acaba por tornar toda a peça um conjunto enjoativo, a combinação de goiabada, queijo filadélfia, sésamo e cebola frita estava balanceada na perfeição, com a cebola a ajudar a cortar a doçura dos restantes componentes.
Muito bom o uso da massa descrita na ementa como folha de Harukami (basicamente, a massa usada para o que conhecemos como "crepes chineses"), com a textura crocante da massa a destacar-se, sendo bem acompanhada de salmão, maionese e cebolinho. Apenas desejaria que tivesse sido usada a pele do salmão grelhada para rechear o maki, pois é uma componente mais rica e isso poderia tornar a peça ainda melhor.
E, deixando o melhor para o fim, o uramaki Hakusai (uma variedade de couve japonesa)! Usar a folha da couve para substituir a alga é original e utilizar como topping flocos de milho tostados (Fritos) não só adiciona profundidade de sabor e textura como nos invoca memórias de sabores bem nossos conhecidos.

Para mim, foi uma refeição que exemplificou (quase) na perfeição o que de melhor a comida de fusão pode ter. A conjunção de ingredientes e técnicas de cozinhas diferentes, que acabam por se juntar em combinações improváveis (desculpe o roubo de expressão chef Avillez!), que nos deixam aquela sensação com que ficamos depois de uma refeição que fez transbordar as nossas medidas e superar expectativas.

Tamagoshi Food Fusion
Parede, Portugal
Preço Médio: < 40 €

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Tasca da Esquina (Campo de Ourique)

Há alguns anos atrás, antes desta moda de petiscos e de tascas modernas, Vitor Sobral (em conjunto com Hugo Nascimento e Luis Espadana) decidiu abrir um restaurante que fosse uma homenagem às tascas portuguesas, mas revitalizando a comida tradicional portuguesa e apostando em pratos portugueses, com um maior cuidado ao nível da apresentação e da qualidade dos produtos. Apenas em Outubro passado tive a oportunidade de visitar este mítico espaço lisboeta, que tem ganho adeptos não só em Lisboa mas também no Brasil e em Angola, com a abertura de outros espaços "da Esquina" nestes mesmos países.
Para grupos superiores a 6 elementos, é sugerido que o grupo siga um dos menus de degustação disponíveis, onde ficamos nas mãos do chef residente. De destacar o serviço de perfeito profissionalismo que acompanhou toda a refeição, tanto na explicação dos pratos, na simpatia demonstrada e prontidão de satisfazer qualquer pedido por nós feito. Da cozinha não foi só a qualidade da comida como todo o timing e cadência dos pratos apresentados a ser adequada.
Começamos com um Couvert composto por bom pão (com destaque para a broa de milho) e uns óptimos croquetes de novilho e amêndoa, de boa fritura e bom tempero. Sou um fanático de croquetes e estes são dos melhores que já comi na cidade.


O Caldo Verde lança uma refeição de 5 pratos de forma perfeita. Bom caldo, bastante cremoso com uma couve galega que parece ter sido previamente salteada e uns pedaços de chouriço que trazem multidimensionalidade ao prato e o torna mais rico.


De seguida, um prato de sabores subtis mas tipicamente portugueses, o Filete de Sardinha Fumado com Pastel de Batata, uma verdadeira homenagem aos produtos portugueses, com o filete de sardinha a apresentar um ligeiro sabor fumado e acompanhado por um pastel de batata que faz lembrar, na sua forma, um pastel de bacalhau. Um molho de pimento ajudava a ligar estes dois componentes, mas, felizmente, não se apresentando dominante sobre os restantes ingredientes a nível de sabor.


Também muito boa a Açorda de Camarão. A textura não era a que mais aprecio, estando um pouco mais líquida que desejaria, mas óptima no sabor e os camarões estavam perfeitamente cozinhados e em número generoso. Aqui quero referir mais um aspecto que achei impecável no serviço, pois estando uma grávida à mesa, foi executado um prato específico para ela, umas Lulas Salteadas com Cogumelos.


Aqui já me encontrava meio maravilhado com tudo, mas eis que chega a estrela do almoço, o Espadarte Braseado com Creme de Nabo e Farófia de Amendoim. A frescura do peixe era incrível, trabalhado na perfeição com apenas os milímetros exteriores cozinhados, mantendo o peixe húmido. Também fantástico o creme de nabo, principalmente para quem, como eu, aprecia bastante este legume. A farófia de amendoim ajudava a dar textura ao conjunto e elevava-o a um patamar bastante acima da maior parte dos pratos de peixe que já provei.


Pedimos para finalizar o menu de degustação com um dos clássicos da Tasca da Esquina, pedido que foi prontamente acedido, e acabámos em nota alta, com o Prego de Atum. Bom pão sem ser nada massudo, o atum cozinhado na perfeição e uma boa proporção entre o pão e o peixe, mantendo toda a integridade estrutural do prego. Apesar de não estarmos numa tasca, este é um prato para comer à mão.


Apesar de satisfeitos com os 5 pratos servidos, não conseguimos evitar pedir algumas sobremesas. Eu estive quase a resistir, mas segui o conselho de quem já experimentou o Kitanda da Esquina (restaurante de Vitor Sobral em Luanda) e que diz que o seu Pudim Abade de Priscos é algo imperdível. E é realmente, com um creme de abacaxi a cortar toda a doçura excessiva que é típica neste pudim. Tive oportunidade de provar também a Sopa de Frutas, um óptimo e guloso caldo de morango.



Pode não ser um restaurante barato mas parece-me que o preço é mais do que justificado pela qualidade da cozinha e do serviço. Não é por acaso que a Tasca da Esquina se tornou um clássico da cidade de Lisboa.

Tasca da Esquina
Rua Domingos Sequeira, 41C
Campo de Ourique, Portugal
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Preço Médio: < 40 €