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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Stuppendo Sushi Bar / Momentum Sushi Bar (Paço de Arcos)

O primeiro contacto que tive com o Momentum Sushi (que entretanto virou Stuppendo Sushi Bar) não foi o melhor (aqui). A vontade de conhecer este outro espaço do grupo (na Quinta da Fonte) nem era muita, mas alguns comentários que fui recebendo convenceram-me a dar uma oportunidade. E ainda bem que o fiz.
Senti que a qualidade entre os espaços é abismal. Talvez a medíocre experiência, com sabor a centro comercial, tenha baixado de tal forma as expectativas que a surpresa tenha sido maior. O espaço também é algo descaracterizado e manteve-se maioritariamente vazio durante toda a noite, num jantar a meio da semana, mas acredito que seja mais pela localização do restaurante (dentro de um pólo empresarial) e não pela qualidade do que é servido.
Um ponto que me deixou meio dividido foi o serviço. Extremamente informado, explicando cada prato do extenso Menu de Degustação do Chef Especial com bastante detalhe (tanto que não consegui decorar tudo!) mas com uma simpática arrogância que se foi suavizando ao longo da noite acabando por deixar uma boa impressão mas marcando uma forte primeira posição que pode não ser a mais confortável para todos.
O menu de degustação especial é uma enxurrada de comida tal que apenas não sobrou nada porque estavam duas pessoas de apetite saudável à mesa (vá, uma era um bocado alarve... não vou dizer quem!). Claro que este banquete também se paga (e bem), por isso, caso não tenham apetite para devorar 7 entradas, 1 combinado de sushi de mais de 40 peças e 4 gunkans especiais, existe uma opção mais comedida.
Para não me alongar em demasia (vou tentar com que estes devaneios sejam cada vez mais concisos e objectivos) é de referir que o ponto alto da refeição não foi o sushi, mas sim as várias entradas que o precederam, onde quase todos os pratos superaram as expectativas. Apenas o Tataki de Atum com Cogumelos Shiitake e Cebola Frita deixou um pouco a desejar pela temperatura (fria) a que foi servido.

Tempura
Tataki de Atum, Cogumelos Shiitake, Cebola Frita
Camarão e Rúcula
Usuzukuri
Soft Shell Crab Uramaki
Gunkan Salmão, Vieira, Ikura
Tártaro de Salmão
A expectativa para o combinado era grande mas, apesar da variedade e qualidade aceitável do peixe servido, deixou um pouco a desejar. É sushi de fusão, e não naquele excesso de molho que muitas vezes encontramos mas acabou por ser pouco surpreendente.


Como "sobremesa", chegaram ainda os gunkans que são imagem de marca da casa (e que já tinha experimentado no Taguspark). Boa concretização mas peças demasiado pesadas para o fim de uma refeição tão longa. Sim, é suposto uma refeição de sushi começar nos sabores mais leves e terminar nos mais fortes mas a sensação de ter o estômago a rebentar acaba por prejudicar a experiência.

Gunkan de Picanha
Gunkan de Salmão e Pistáchio
Uma experiência diferente e que surpreende pelos seus primeiros momentos, ficando aquém no momento que deveria ser a apoteose da refeição. Ainda assim, a opinião final é positiva quanto à qualidade da comida, ainda que os preços pareçam um pouco desenquadrados para o contexto.

P.S: Desculpem a longa ausência, mas andava com pouca disponibilidade para escrever. Tentarei que haja uma maior regularidade nos próximos tempos, mas não prometo nada!
Entretanto podem seguir-me no Instagram (aqui) onde vou deixando pequenos resumos rápidos das refeições que vou fazendo!

Momentum Sushi Bar
Edifício Holmes Place - Quinta da Fonte
Paço de Arcos, Portugal
Momentum Sushi Bar by Chef Gerardo Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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TheFork
Preço Médio: < 40 €
Data da Visita: 14 de Março 2018

segunda-feira, 12 de março de 2018

Momentum Sushi Exclusivo (Porto Salvo)

Fui até ao Núcleo Central do Taguspark com o intuito de ir almoçar. Não fazia isto há muitos anos, já que nunca achei que a oferta existente fosse algo por aí além, excepto quando existiu um Faustino II (já falei do Faustino aqui). Até que, recentemente, abriu o Panorâmico by Marlene Vieira, chef com food corner no Time Out Mercado da Ribeira e sobre o qual já falei (aqui). Não é pela experiência do food corner ter corrido mal que deixo de ter curiosidade quanto à cozinha de Marlene Vieira!
Mas, a caminho do restaurante, deparámo-nos com uma novidade (pelo menos, para nós). Existia um restaurante de sushi, meio fast food, que nunca tínhamos visto. Espreitámos e os nossos apetites mudaram e acabámos por entrar no Momentum Sushi. Filosofia de pedido bastante parecida com a de um food court, onde fazemos o pedido, pagamos, recebemos as bebidas e vamos sentar-nos à espera que o pedido seja completo nos seja trazido à mesa.
O Menu de Degustação inclui 18 peças de sushi, temaki ou yakisoba e 1 bebida (ao qual eu não sei porque lhe dão esse nome, pois parece-me estar muito longe do que um menu de degustação deve ser). Sendo a escolha mais substancial (já vos disse que sou uma pessoa de muito alimento!), claro que foi esta a minha opção, optando por um Temaki de Atum e Manga. Atum fraquinho, manga demasiado verde, alga mal trabalhada e arroz médio.



O Combinado do menu não é nada mau, se tivermos em conta que o restaurante se parece com um qualquer balcão de centro comercial! Três variedades de peixe, ainda que o dominante seja o salmão (como é, infelizmente, habitual), com o peixe branco a ser usado em apenas um nigiri e o atum braseado a estar terrível! Já as peças de salmão, mesmo sem apresentarem níveis criativos fantásticos, não se encontravam mal executadas e satisfizeram o meu apetite.





18 peças e um temaki não era suficiente para mim (não me julguem dessa forma, ok?!), e claramente as pessoas do restaurante acharam o mesmo pois trouxeram para a mesa uma oferta do chef na forma de um Gunkan de Salmão e Pistáchio, uma especialidade da casa e uma combinação que funciona estranhamente bem, mesmo com o uso de um queijo que não me pareceu Philadelphia (ou algo do género).




Mesmo com o restaurante praticamente vazio, o serviço conseguiu esquecer-se dos Gunkanha que tinha pedido. E o que é um gunkanha? É um gunkan feito com picanha! A picanha é ainda braseada com maçarico e leva um topping de cebola crocante. Muito bom mas seria interessante ver o topping a usar pedaços perfeitamente caramelizados da gordura da picanha no lugar de pequenos cubos de carne.




Não conhecia este Momentum Sushi mas não fiquei de todo desagradado com o que provei, principalmente tendo em conta o conceito "food cornesco". A curiosidade levou-me a descobrir que existe também um Momentum Sushi na Quinta da Fonte, cujo menu e reviews parecem bem mais interessantes.

Momentum Sushi Exclusivo
Porto Salvo, Portugal
Momentum Sushi Executivo Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 9 de Outubro 2017

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Sushi D'Art (Tavira)

Não me recordo de Tavira ter um restaurante de sushi antes deste Sushi D'Art. Estarei, muito provavelmente, enganado mas é estranho que, no meio daquele boom de sushi que houve há uns anos, nenhum local tenha aberto no centro da cidade. 
Próximo da Câmara Municipal de Tavira abriu, no final de 2017, aquilo que faltava à cidade. Com uma carta bastante simples, o Sushi D'Art tenta trazer uma vertente de fusão ao sushi que serve, ainda que nem sempre bem conseguida. 
Começamos com um Ceviche, de atum e salmão, decente mas a faltar-lhe acidez e atum de maior qualidade. A chave num bom ceviche é o leche de tigre, aquele suco essencial à vida com toques ácidos e picantes que transformam qualquer peixe em que toque numa maravilha da gastronomia. Dose bastante generosa, principalmente quando se considera o preço marcado no menu (3,90€) e que acho ter sido o preço cobrado! De destacar a boa apresentação, que foi uma constante em todos os pratos, mas afinal estamos perante arte, e não apenas sushi.


O melhor que comi em toda a refeição foi algo que não está sequer na ementa, mas cujo serviço fez questão de mencionar, e ainda bem. O Ebi Tempura do Sushi D'Art é servido com amêndoa e é um prato completamente viciante. O molho em que está envolvido é de tal forma guloso que damos por nós a atacar os camarões violentamente com as mãos para depois podermos lamber cada gota que tenha ficado agarrada nas nossas mãos.


Terminámos com um combinado Asahi (20 peças) onde o melhor aspecto foi a apresentação. Mesmo que o truque do gelo seco já não seja algo que impressione, não deixa de ficar bem quando a apresentação do sashimi do combinado é feito sobre uma pedra de gelo. Peixe de boa qualidade, mas foi pedido que não fosse incluído atum. Já não era a primeira visita da pessoa com quem estava e ela não tinha ficado de toda agradada com o atum que tinha experimentado da primeira vez. Pelo que serviram no ceviche, consegue-se perceber porquê.


Os rolos que vieram, de quatro variedades diferentes, não estiveram num mau nível mas acabam por ficar marcados pela negativa. A execução de todos era bastante decente, o arroz de um nível aceitável mas um dos rolos era excessivamente doce. Soube-me a torradas com doce de morango, e isso é um problema muito grande quando não estou a comer torradas com doce de morango mas sim sushi! É suposto aperceber-me da qualidade do arroz e do peixe, e não ter a boca inundada pelo adocicado doce...


É um restaurante que aparenta ter potencial caso se deixem de (con)fusões. Alguma curiosidade para o Menu de Degustação (45€) que apresentam na ementa. Pelo valor, a expectativa será claramente alta e tem de estar a um nível bem superior do que experimentei neste solarengo almoço de Janeiro, na pequena mas simpática do Sushi D'Art.

Sushi D'Art
Tavira, Portugal
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 21 de Janeiro 2018

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Saikō (Campo Pequeno)

Não sabia bem o que esperar deste convite para ir conhecer o Saiko Campo Pequeno. A sua abertura criou bastante curiosidade. Seria este um espaço réplica do Estoril (de que já falei aqui)? Só isso já é sinónimo de muita qualidade e o melhor sushi de fusão que a cidade de Lisboa já testemunhou! Mas uma cópia exacta não seria o suficiente para me fazer deslocar propositadamente até Lisboa, já que o Estoril é mais prático para mim.
Até que, em conversa com a pessoa que me convidou, percebi que a carta tinha também evoluído, sempre com a consultoria do chef Péricles Lacerda (que acompanho desde os tempos do Tamagoshi). As condições são outras e é natural que exista esta evolução mas tinha que lá ir para experimentar e verificar isto por mim próprio.


O Couvert é muito semelhante ao que já tinha experimentado anteriormente e continua delicioso. Aquelas folhas de endívia deixam-me sempre rendido.


Já tinha visto este tipo de pratos várias vezes mas, vá se lá saber porquê, nunca tinha tido a curiosidade de o experimentar. Felizmente nesta noite a ementa não foi escolhida por nós, e este Nasu Dengaku é a primeira entrada que nos chega à mesa. Um prato delicado, com a beringela a ser simplesmente glaceada com o molho dengaku (um molho à base de miso), o que lhe dá uns excelentes toques salgados e adocicados.


O Kimuchi Moriawase é um contraste de sabores grandes, com os vários peixes perfeitamente envolvidos no molho ligeiramente picante, mas que se balanceia perfeitamente com a acidez do sunomono, a cama de pickles de pepino que estava no fundo do prato. Qualquer um dos três peixes (salmão, atum e peixe branco - que não me recordo qual era neste dia) de uma frescura exemplar e ajudados ainda pelo molho ponzu, que lhe confere acidez e doçura.


Como já conhecia a casa do Estoril, adaptaram o menu que me foi servido, dando-me a conhecer vários pratos novos, com maior incidência nos pratos quentes. Daí esta ter sido uma refeição com pouco sushi, mas ainda assim excelente, como foi caso deste Maguro Chili! É nestes pormenores que o sushi do Saiko está a anos luz da maior parte das fusões manhosas que por aí se vê. Não é preciso molhos que disfarcem e tapem completamente os restantes sabores. É preciso saber combinar as coisas para que se enalteçam os ingredientes. Neste caso, excelente uso de sriracha, que combina lindamente com o atum, e a piada de ter no exterior massago arare (pequenas pérolas de arroz crocante) a complementar o arroz do sushi.


Chegamos aos pratos que diferenciam as duas casas, com uma aposta maior nos pratos quentes japoneses neste novo espaço, muito devido às melhores condições da cozinha aqui existente. A Ebi Soba é um prato que faz, por si só, uma refeição consistente. Boa massa de trigo sarraceno, excelente ovo com a gema ainda meio líquida, os legumes e algas cozidos ainda com aquela ligeira resistência à dentada, só para dar textura... mas tudo ficou meio ofuscado pelo óptimo caldo e pelo fantástico camarão panado! Só tive pena que não houvesse mais camarões porque estava verdadeiramente viciante.


Por falar em viciante, a Yaki Hotate, uma espetada de vieiras (que pareciam zamburinhas tão pequenas eram) com cogumelos shitake, foi uma verdadeira surpresa. A mostrar, uma vez mais, uma das novas possibilidades da nova cozinha, com a introdução de pratos yakitori na ementa. Concretização fantástica, com a vieira cozinhada na perfeição e a ligar bastante bem com a intensidade dos shitake, tendo os sabores sido ainda balanceados pela adição do molho tarê.


Assim tinha acabado o menu de pratos que estava definido mas, sendo a primeira vez que a minha companhia visita um Saikō, não podia deixar que saísse do restaurante sem experimentar aquele que é o meu prato favorito, o Gunkan Egg. É a perfeição num gunkan só, com a gema a explodir-nos na boca e a desencadear pequenos gemidos de prazer.


As sobremesas chegaram em forma de Pijaminha, com algumas já bem conhecidas da minha parte, mas que não desiludiram em nada, havendo-as para todos os gostos. Excelente gelado de sésamo (Goma Aisukurïmu), com uma profundidade de sabores que não esperava. Menos fantástico, mas ainda assim bom, o gelado de chá verde. Voltamos ao campo do excelente com o Ryôri de Lima, parecido com um cheesecake mas feito com natas, e o Müsu de Maracujá! Excelentes as texturas e os sabores.
A Mousse de Chocolate foi alvo de grandes elogios por parte da minha companhia, dizendo que a fazia lembrar da mousse da mãe dela. Que maior elogio existe quando o que estamos a comer nos traz à memória momentos familiares? 
As duas versões de cheesecake (Chizukeki Saikō), apresentados sem uma base fixa mas sim bolacha esfarelada espalhada à volta, de uma textura aveludada fantástica e com óptimos toppings.


O Saikō continua memorável e continua a superar-se a si próprio. Esta ambição é de louvar e esperemos que não fique por aqui! A minha dificuldade agora vai ser escolher entre o Estoril e o Campo Pequeno!

Saikō Campo Pequeno
Praça do Campo Pequeno, 602
Lisboa, Portugal
Saikō Campo Pequeno Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Preço Médio: < 50 €
Data da Visita: 23 de Janeiro 2018

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Ori Gin (Porto)

Com a mudança para o Porto em trabalho, que entretanto já terminou e já estou de regresso a Lisboa, decidi subscrever ao serviço Zomato Gold (sobre o qual já falei aqui). A necessidade de estar constantemente a almoçar e jantar fora levou-me a subscrever directamente a opção de 12 meses e, deixem-me que vos diga, em 4 meses já tinha pago o valor da subscrição! A subscrição mais longa acaba por compensar, principalmente se conseguirmos arranjar um código promocional. Caso queiram, podem usar o código DEVANE e terão 25% de desconto na vossa subscrição.
Tudo isto para dizer que a escolha do Ori Gin deveu-se a dois simples factores: vontade de comer sushi e ter Zomato Gold! O espaço em si é bastante normal mas a carta é algo estranha. O conceito parece ser virado para o sushi e o gin, duas coisas tão em voga, mas depois há várias opções de pastelaria e de tostas que parecem algo desenquadradas ali.
Iniciámos a refeição com o Sunomono, uma entrada simples de cenoura e pepino em pickle, que ajuda a limpar um pouco o palato para o está para vir.


Dividiu-se depois o combinado Freestyle de 30 peças, com o intuito de ver o que haveria de criatividade no sushiman do Ori Gin. Primeiro ponto bastante positivo, e que nota uma atenção extra que nem todos os restaurantes têm, o número de peças no combinado, sendo que havia pelo menos duas peças de cada tipo no prato, excepção feita ao sashimi que vinha em número ímpar. Não achei as peças especialmente criativas, havendo até um certo exagero desnecessário no uso de frutas, ainda que estivessem decentemente executadas. Não fiquei tão deslumbrado com o arroz, nalgumas peças a revelar-se demasiado compacto, ou com a qualidade do atum do combinado.


Algo que já não pareceu acontecer no Mix Sashimi, onde as fatias de atum já aparentavam ser de uma qualidade superior à servida no combinado. Mais um destaque positivo para o serviço que, num prato anunciado com cinco fatias, decidiu incluir mais uma para que houvesse um número par de fatias.


Para aconchegar o estômago um Temaki, onde a alga precisava de ser um pouco mais trabalhada para poder tornar-se mais quebrável. Ao recheio, deixado ao critério de quem fez a peça, não tenho nada de negativo a apontar.


Por ser perto do meu local de trabalho acabei por também visitar o Ori Gin ao almoço. De destacar, mais uma vez, a atenção dada aos pratos combinados com o Freestyle de 20 peças a trazer várias peças individuais, pois não seria para dividir! Quanto à execução, tanto do combinado como do Temaki com que (desta vez) iniciei a refeição, manteve-se consistente com a visita anterior e, consequentemente, com o que escrevi nos parágrafos acima.



Não sendo fantástico, o Ori Gin cumpre bem o papel de matar todo e qualquer bichinho de sushi que possamos ter, a um preço aceitável!

Ori Gin
Porto, Portugal
Ori Gin Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data das Visitas: Agosto e Outubro 2017

domingo, 10 de dezembro de 2017

Nó de Gosto (Tavira)

Antes de avançarem muito na leitura deste texto quero deixar bem claro que sou sempre imparcial em tudo o que escrevo. Independentemente se paguei pela refeição ou não (pois há refeições para as quais sou convidado), se usufrui de algum tipo de desconto, se é um restaurante de um amigo ou, como neste caso, o restaurante do meu próprio pai.


Achei por bem avisar-vos antes de começarem esta leitura para que possam tirar as vossas próprias conclusões tendo todos os factos na mão. Factos esses que começam há alguns meses atrás, quando o meu pai decidiu deixar a vida empresarial, tirar um curso intensivo de cozinha e abrir um pequeno restaurante de petiscos na fantástica cidade de Tavira. 


Todo o conceito foi desenvolvido pelo meu pai, Vítor, e pela sua sua esposa, Maria João, ficando o primeiro encarregue da cozinha e o segundo da sala. Uma ementa algo extensa, baseada sobretudo em petiscos com um nível de originalidade bastante engraçado, e uma longa carta de conservas, disponíveis para consumo no restaurante ou para levar para casa.


Tendo passado alguns dias em Tavira, tive a oportunidade de provar grande parte da carta, tendo ficado bastante satisfeito com a qualidade da comida que aqui se serve bem como do serviço de sala. Foi ainda a minha primeira experiência do "outro lado do espelho", tendo estado 2 serviços de jantar a servir à mesa, acabando por perceber melhor algumas das dificuldades que se pode enfrentar nesta profissão, tornando-me mais tolerante a algumas coisas que se possam passar futuramente (mas também menos tolerante a outras)!


Um dos pratos mais marcantes deste espaço, tendo entrado agora na nova carta de Outuno-Inverno, foi a Chora, uma sopa feita com caras de bacalhau, servida a bordo dos navios da Frota Portuguesa do Bacalhau, representando muito da cozinha de reaproveitamento que tanto nos caracteriza e, principalmente, um prato que o meu avô fazia e que nunca vi ser servido em nenhum restaurante! 


A maior parte da cozinha do Nó de Gosto assenta em sabores tradicionais portugueses, em conjunções aparentemente simples mas saborosas como o Bacalhau Fumado com Queijo Creme e Endro.


Ainda na senda dos pratos com bacalhau, as Lascas de Bacalhau com Puré de Grão e Espinafres relembram-me o bom que a comida portuguesa realmente é, ainda aqui com um empratamento que foge ao tradicional mas ajuda a ligar em cada garfada as 3 componentes presentes.


Em muitos dos meus almoços ou jantares de família é servido este Chouriço à Camões, um chouriço cozinhado com vinho tinto e sumo de laranja. É servido há tanto tempo que não me recordo de onde, como ou porquê esta receita entrou na nossa vida mas a verdade é que não mais saiu.


Se a Chora foi o meu prato favorito, pela evocação de sabores familiares que nos comovem e fazem recordar, a Batata-Doce com Pá de Borrego e Alecrim Fresco foi sem dúvida o mais surpreendente. Uma pá de borrego cozinhado durante várias horas, sendo depois desfiada, colocada em cima de uma fina fatia de batata-doce e uma fina fatia de tomate Coração-de-Boi e terminada com alecrim fresco. Um prato bastante completo e equilibrado, que provoca o nosso palato com os seus toques doces, salgados e ácidos.


Ainda no campo dos torricados, excelente combinação neste de Cebola Caramelizada, Queijo dos Açores e Tomilho Fresco, onde mais uma vez vários pontos do nosso palato a serem estimulados ao mesmo tempo.


Excelentes também os Ovos Beneditinos, com o pão ligeiramente torrado a servir perfeitamente de base para um excelente presunto, bons espinafres, um ovo escalfado cozinhado na perfeição e um molho com aquele toque de acidez essencial! Ah, e como bónus, está disponível a qualquer refeição do dia!


A influência da maior parte da ementa é portuguesa, mas muitos dos pratos levam alguns twists que os tornam ainda melhores do que estamos habituados, caso da Muxama Extra, um simples prato com uma excelente muxama (lombo de atum seco, o presunto dos mares), um bom queijo de cabra fresco e uma óptima compota picante para elevar a prato a um nível estratosférico. Como muita da cozinha do Nó de Gosto, simples mas com muito sabor.


As Bochechas de Porco SV (cozinhadas em sous-vide durante 6 horas!) é outro dos pratos que mais me impressionou. Excelente textura nas bochechas, a desfazerem-se facilmente ao toque, regadas com um guloso molho e acompanhadas por dois bons purés, um de castanhas e um de maçã, e com um ligeiro picante dado pelo chutney de malagueta. 


A cozinha do Nó de Gosto passa, como já referi várias vezes, pela simplicidade de alguns pratos mas que contenham muito sabor. Ora bem, tal não era possível também sem que houvesse qualidade nos ingredientes e onde podemos testemunhar facilmente isso é nos Cogumelos do Cardo (Pleurotus Eryngii), com uns saborosos e carnudos exemplares simplesmente salteados e terminados com soja.


Outro dos pratos da nova carta do Nó de Gosto, retrata alguma da melhor comida de conforto portuguesa. Uma das coisas que mais gosto de comer com o tempo frio são bons estufados e guisados. Pratos quentes e que nos aquecem a alma, como estas Favas com Choco.


Podem terminar uma ronda de petiscos com o Prego de Atum, simplesmente braseado com sementes de sésamo, temperado com um pouco de soja e servido num bom pão de alfarroba. Impressionante a qualidade do atum, a não colocar qualquer oposição às dentadas que vorazmente lhe desferi. 


Para acompanhar o Prego de Atum, umas Batatas-Doce Fritas bastante competentes.


Isto já vai longo, mas a verdade é que as sobremesas são também um importante capítulo nesta casa. Vão variando ao longo dos dias por isso o ideal é perguntar o que há ou deixarem-se levar pelas sugestões da casa. Tive a oportunidade de provar algumas cujo registo fotográfico lamentavelmente falhou, como o Bolo Semifrio de Chocolate Picante ou uma óptima Mousse de Marmelo. Tentei compensar garantindo o registo de um óptimo Folhado de Tavira, um bolo típico desta zona algarvia.


Outro item que está sempre disponível são as Panquecas com Fruta Fresca, que podem terminar uma refeição de petiscos ou um brunch composto pelos Ovos Beneditinos!


Pode parecer um texto bastante imparcial mas a verdade é que fiquei realmente agradado com a comida que experimentei! Gostei do espaço, do conceito e da ementa diferente de tudo o que se pode encontrar nas redondezas. Não fiquem iludidos, sei que não é perfeito mas vejo bastante potencial e força de vontade de trabalhar alguns aspectos que possam não estar ainda tão oleados. E, agora numa nota muito pessoal e parcial, isso deixa-me cheio de orgulho no que aqui se produz, acreditem! 

Nó de Gosto
Tavira, Portugal
Preço Médio: < 20 €