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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Rescaldo Tascas no Cais 2015 (Lisboa)

2ª Edição do evento Tascas no Cais, patrocinado pela Super Bock, um evento que junta alguns (poucos) restaurantes existentes na cidade, num recinto ao ar livre. Mais num conceito de partilha, os restaurantes têm vários pratos (com os preços a variar até aos 8€, mais ou menos) que poderão ser demonstrativos da cozinha que praticam na sua morada permanente. Nesta 2ª edição, pudemos contar com Taberna da Rua das Flores, Can The Can, Cantina LX e Tasca de Três, o único a não ter uma morada fixa, mas que junta o chef Nuno Diniz (da EHTL, Tágide e ex-York House), o chef Nuno Barros (1300 Taberna e ex-2780 Taberna) e o foodie Rodrigo Meneses (foodie.pt e Curador da Academia TimeOut). A iniciativa é bastante interessante mas pareceu pecar pela pouca oferta gastronómica existente. Na 1ª Edição estiveram presentes Ramiro, Cantina LX, Can The Can, Taberna da Rua das Flores/Flores do Bairro e Tasca de Três com Nuno Diniz, Nuno Barros e João Sá (ex-Assinatura e ex-G-Spot).
O evento teve um custo de entrada de 3€, dando direito a uma imperial, o que não é propriamente barato, tal como as ofertas gastronómicas não o são, se fizéssemos uma comparação puramente baseada na quantidade. Para além disso, das 4 ofertas existentes, as únicas que me cativaram o suficiente para me deslocar ao Cais do Sodré foi a Tasca de Três, de onde já conhecia a famosa Sandes de Porco Fumado, e a Taberna da Rua das Flores, um restaurante que desde há muito me suscita curiosidade.
Como em qualquer festival dos dias de hoje (não sei como se processou o ano passado pois não estive presente), todo o dinheiro que quiséssemos gastar teria que ser previamente trocado por senhas. Ainda que de melhor qualidade que as senhas dos festivais de Street Food (especialmente se tivermos em conta a edição em Paço de Arcos) e mesmo sem sabendo se aceitariam devoluções ou não (começo a estar de tal maneira preparado para este sistema que faço questão de saber exactamente o que vou pedir antes de trocar dinheiro) continuo a achar que na óptica do cliente final (aquele a quem qualquer evento é suposto satisfazer) esta solução é menos prática e pode chegar a ser prejudicial.
Apresentações e queixas feitas, vamos à comida! Como disse, a minha curiosidade recaía principalmente entre a Tasca de Três e a Taberna da Rua das Flores. É natural que a maior parte das escolhas tenham sido entre essas duas bancadas. Mesmo no evento, olhando para todos os menus, havia poucas propostas captivantes do Can The Can e a Cantina LX parecia ter uma ementa demasiado parecida com a do restaurante (que já conheço e cuja review podem ler aqui).
Na Tasca de Três, voltei a experimentar a Sandes de Porco Fumado. Depois do fantástico exemplar que experimentei no European Street Food Festival (aqui), as expectativas eram altas mas, infelizmente, não estava tão boa. O pão era bom mas a carne estava à temperatura ambiente e com uma menor profundidade de sabor. A maionese de bacon continua impecável e a rodela de tomate presente nada de novo acrescentou.



Os Ovos com Farinheira e Barriga de Porco estavam cremosos e com sabor ligeiramente predominante da farinheira, algo que poderia ser balançado com uma maior quantidade de barriga. Para os que possam fazer um ar desconfiado perante as palavras "barriga de porco", lembrem-se que o bacon vem desta deliciosa parte do porco.



Boa Mousse de Chocolate com Caramelo e Amendoim, demonstrando boa consistência e a não ser excessivamente doce, um erro onde muitas mousses de chocolate acabam por cair. A transversalidade de sabores entre chocolate e o caramelo não chocam e até se acentua graças a alguma salinidade do caramelo e do amendoim.



Já a Mousse Cítrica com Suspiros não estava tão boa, faltando-lhe a sua própria adjectivação e tornando-se demasiado doce. Tudo correcto a nível de textura e consistência, mas aquela acidez característica apenas foi descoberta no fundo do copo, com um creme que deveria ter sido um topping.


Não conhecendo a ementa habitual da Taberna da Rua das Flores, não sei quão comparável à que foi apresentada no evento, mas se a qualidade for algum indício então este é um restaurante obrigatório em Lisboa. Os Peixinhos da Horta estavam muito bons, com uma saborosa e estaladiça polme. O molho sweet chilli dá-lhes um toque original.



As Pataniscas de Bacalhau foram algo surpreendentes pela sua forma de apresentação e irrepreensível fritura. As pataniscas, cortadas de forma rectangular, estavam ultra estaladiças. Apenas achei que o sabor do bacalhau foi bastante mais suave do que o esperado, mas nada de grave.



O Picadinho de Carapau é algo de maravilhoso e refrescante. Bastante bem balanceado em todos os sabores presentes, fosse pela alga wakame ou pela acidez dada pela maçã, que suportaram o conjunto e ajudaram a elevar o carapau. Fantástico!



Uma ideia interessante na concretização do Frango Satay com bons sabores e uma boa quantidade de especiarias a transportarem o peito do frango até à Ásia, mas faltando um molho que ajudasse a dar mais vida a uma peça um pouco seca.



Outro prato fantástico desta Taberna, e que repetiria sempre que pudesse, foram os Lagartos Grelhados. A carne desfazia-se na boca e, dado à gordura intrínseca do corte, enchia-nos o palato com sabor e umami. A adição da cebola picada é importante para cortar toda aquela riqueza do porco.



No Can The Can, a qualidade da comida não deslumbrou. Apesar de achar alguma piada ao conceito, a curiosidade nunca se aguçou depois de ter lido algumas críticas menos positivas. E se a qualidade da comida for igual ao que aqui demonstraram, então não me parece mesmo que chegue a visitar o espaço. As Chamuças de Atum eram desinteressantes, com o sabor a ser todo mascarado pela quantidade de cominhos utilizada. Estavam bem recheadas, mas de resto nada de muito positivo a apontar.



Pouco acima estavam os Croquetes de Polvo com Tinta. Recheio demasiado unidimensional, avivando apenas quando misturado com a mostarda de dijon e um outro molho mais adocicado. Interessante proposta mas a concretização poderia estar melhor.



Único prato experimentado na Cantina LX, por motivos já explicados, foi a Tarte de Batata Doce. Ainda que bastante húmida, e com o acrescento interessante de sumo de laranja e respectivas raspas, a verdade é que o sabor da batata-doce não se mostrou.


A iniciativa é interessante, e os moldes em que é executada ainda podem ser melhorados, mas a base está lá e o conceito também (talvez até um pouco replicado do que se faz no Peixe em Lisboa). Todas as bancas estiveram perto das expectativas criadas, inclusive as de baixa expectativa. Como resultado final, ficou a enorme vontade de ir à Taberna da Rua das Flores e experimentar a restante cozinha do chef taberneiro André Magalhães.

Tasca de Três
Projecto único que surge apenas no evento Tascas no Cais. A ideia junta 3 chefs numa só ementa. Este ano tivemos o chef Nuno Diniz (Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, Tágide e ex-York House), chef Nuno Barros (1300 Taberna) e o foodie Rodrigo Meneses (foodie.pt e Curador da Academia TimeOut).
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Preço Médio: < 20 €

Taberna da Rua das Flores
Morada Permanente: Rua das Flores, 103
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Preço Médio: < 20 €

Can The Can
Morada Permanente: Praça do Comércio, Terreiro do Paço, Ala Nascente, 82-83
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Preço Médio: < 20 €

Cantina Lx (review aqui)
Morada Permanente: LX Factory, Rua Rodrigues Faria, 103, Edifício C, Piso 0
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Preço Médio: < 20 €

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Aquasul (Tavira)

Tenho a felicidade de já ter visitado Tavira por várias ocasiões, uma cidade algarvia de muitos encantos e boa gastronomia. Mas um dos restaurantes que sempre me tinha escapado, e que muita curiosidade me suscitava, era o Rive Gauche. Depois da inauguração do novo bar cultural O Poeta, lá surge finalmente a tão desejada oportunidade.
Entramos pela porta das traseiras, dando com um grupo de estrangeiros confortavelmente instalados perto da lareira que ambienta a sala (estávamos no frio invernal de Dezembro). Algum fumo na sala, algo incómodo mas normal quando as portas estão praticamente fechadas. Exceptuando este grupo, o restaurante encontrava-se vazio a um sábado à noite.
Um rápido olhar pela ementa foi o causador de alguma repulsa, notando que a ementa é uma desorganizada mixórdia entre o inglês, português e francês. Sei que este é um restaurante com comida de influência europeia (maioritariamente francesa), mas sou adverso às ementas "para estrangeiro ver".
Depois de pedida uma "Sopa de Tomate c/ Queijo Creme de Cabra e Manjericão" e um "Peito de Pato com Molho de Manga Picante" eis que chega o alarme dado pelo grupo de estrangeiros: "Hey! It's on fire!". Pois é, parece que a ideia fantástica de ter uma lareira (e consequente extracção) numa sala com tecto em madeira não correu muito bem e assim acabou gorada a nossa tentativa de jantar no Rive Gauche.



Felizmente, outro restaurante relativamente conceituado em Tavira encontra-se a 50 metros de distância e assim acabámos por conseguir uma mesa no Aquasul. Este é um restaurante italiano, claramente virado para os turistas, e que apregoa (em inglês, "para estrangeiro ver") a confecção de pratos com ingredientes bons, frescos e regionais. Parece-me uma boa premissa. Pena foi o aviso prévio, por parte da empregada, que começavam a escassear alguns ingredientes, havendo a possibilidade de não haver todos os pratos. "Quais?" perguntamos nós, obtendo a resposta "É mais fácil pedir e então eu depois verifico se há ou não."... Não era mais fácil o processo contrário?



Começámos por uma finíssima e boa Pizza de Alho, ou seja, Pão de Alho com massa de pizza, finamente estendido, besuntada com manteiga de alho e algum mozzarella para ajudar a juntar tudo. Bom, leve e de se comer à mão.



Provaram-se ainda uns Croquetes de Bacalhau. Excelente fritura a revelar um interior um pouco insípido. Um pouco de sal e cebola já lhe daria uma outra dimensionalidade no palato, aproximando-os mais do sabor que associamos aos pastéis de bacalhau. O molho romesco que acompanhava pareceu-me pouco arrojado, apesar de ajudar a conferir alguma frescura ao prato.



Para prato principal, decidi-me por uma Pizza Margherita. Se uma pizzaria conseguir uma boa Margherita então é meio caminho andado para produzir boas pizzas de forma geral. Sendo uma pizza mais simples, é também mais fácil compará-la com outras do mesmo género. Mas acabei por ficar um pouco desiludido com o que comi, pois foge à ideia que tenho desta tão tradicional pizza. A massa era boa e bem cozinhada, mas os ingredientes presentes eram fracos. O molho de tomate era excessivamente adocicado, a mozzarella deu pouco o seu ar de graça devido à escassez de utilização e o manjericão a ser transformado em algo parecido com um pesto mas que pouco sabor acabou por dar ao conjunto.


Pizza Margherita no Aquasul
Onde estão os meus pecaminosos pedaços de mozzarella derretida? Onde está um guloso molho de tomate que aumente a produção salivar das minhas papilas? E aquelas refrescantes folhas de manjericão? A comparação com outras Margheritas é inevitável (como a experimentada no Mercantina), mas mesmo que avaliasse só como uma pizza o molho de tomate acaba por pesar bastante na fraca avaliação que faço.


Pizza Margherita no Mercantina
Um restaurante com uma boa premissa mas que me parece falhar um pouco na concretização de alguns elementos simples. Espero ainda que o problema no Rive Gauche seja ultrapassado para que um dia o possa experimentar, mas sem incidentes.

Rive Gauche
Aquasul
Tavira, Portugal
Preço Médio: < 30 €

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Zomato Foodie MeetUp @ Tágide Wine & Tapas Bar (Chiado)

Tive o prazer de ser convidado para mais um Zomato Foodie MeetUp, desta vez realizado no restaurante Tágide Wine & Tapas, um restaurante com uma vista fantástica sobre a cidade e com alguma fama, o que automaticamente cria expectativas altas. Um muito obrigado à Zomato pelo convite e aos restantes comensais por mais de 3 horas de boa conversa, um dos pontos altos recorrentes dos encontros onde já estive.
Serviço impecável e irrepreensível durante todo o jantar, infelizmente não sendo bem acompanhado pela comida, que teve demasiados baixos e poucos altos. Para um restaurante que se quer impor como um restaurante de qualidade acima da média, a comida tem que acompanhar a ambição.
Começámos a refeição com uma tábua com um Mix de Petiscos, donde se destacava a Morcela Beirã Assada com Banana e Gengibre. Surpreendente o toque do gengibre a aliviar o peso dado pela conjunção da morcela com a banana. A tábua apresentava ainda uns Mexilhões em Escabeche e um Queijo de Azeitão com Compota de Tomate, mais normais sem deslumbrarem nem comprometerem muito.



Seguiram-se uns Ovos Rotos cuja denominação facilmente poderia ser outra. Na realidade era um prato que apresentava uns ovos mexidos já a caminho de um estado desidratado, umas batatas fritas que apesar da boa fritura apresentavam um excessivo sabor a óleo, safando-se apenas o bom presunto.



O Bacalhau Confitado com Broa, Grão e Hortelã foi o melhor prato da noite com o bacalhau a apresentar-se bem cozinhado e a lascar facilmente, contrastando na perfeição com a textura da broa crocante. Tudo bem temperado e com a hortelã a refrescar-nos o palato enquanto se intrometia com os sabores mais fortes do prato.



Depois do melhor veio também o pior prato da noite, com um Pica-Pau de novilho muito duro e difícil de mastigar. Molho bem apurado, muito devido à mostarda de grão usada, e uns pickles simpáticos mas que não chegavam para salvar o prato em si.



A sobremesa foi uma simpática Trilogia onde nenhuma das individualidades brilhou, mas que se mantiveram com um nível bastante aceitável. Pecou o Creme Brulèe na caramelização do açúcar, a Trufa na cremosidade e a Mousse de Dois Chocolates com Frutos Vermelhos no pouco balanceamento da doçura dos chocolates com a acidez dos frutos vermelhos, pendendo a balança para os chocolates.



Uma refeição fraca para os preços presentes na ementa, com alguns apontamentos engraçados mas caindo a maior parte da refeição numa mediocridade sofrível. Safa-se o bom serviço, a vista e a conversa que durou até gentilmente nos expulsarem do restaurante.

Tágide Wine & Tapas Bar
Lisboa, Portugal
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Preço Médio: < 30 €

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Cantina LX (Alcântara)

A LX Factory, para os lados de Alcântara, começa-se a tornar uma zona cada vez mais activa, não só pela quantidade de pequenas empresas que mudaram para lá as suas instalações, como pela oferta gastronómica, com propostas para todos os gostos e feitios. Desta vez, tive a oportunidade de experimentar o restaurante Cantina LX.
O primeiro aspecto a saltar à vista é a decoração do espaço, usando peças que transmitem um ar antiquado e caseiro. Tudo neste espaço foi reaproveitado de antigas instalações fabris, e a forma como o espaço foi montado dá-lhe um ar vintage o que faz com que fiquemos a olhar à volta, curiosos com o que nos rodeia. Um dos pontos onde mais recaiu o meu olhar é o forno a lenha que está na sala e onde a maior parte dos pratos são cozinhados.
Apesar de quererem recriar um ambiente descontraído, não é necessário que o serviço acompanhe tanto esta tendência, passando o estado descontraído para aparentar ser desinteressado. O tempo de demora na recolha do pedido, quando já tínhamos avisado que estávamos prontos a pedir, é injustificado pois podíamos ver os empregados sem nada para fazer.
Saltando as entradas, que não experimentei nesta minha primeira visita, passámos directamente para os pratos principais onde consegui ir provando aquilo que à minha volta se ia degustando. Boa Alheira em Costa de Sésamo, com bons bocados de carne na alheira e uma crosta estaladiça a dar algum contraste ao prato. A cama de couve e broa a apresentar-se excessivamente gordurosa, algo que se verificou em praticamente todos os acompanhamentos apresentados.


A Bochecha de Porco Ibérico a sofrer de uma falta de sabor que não é característico quando se cozinha este tipo de carne. Faltava-lhe vivacidade e brilho, ainda que estivesse praticamente a desfazer-se. Mas a maleita de falta de sabor transparecia para as migas, que ainda padeciam do excesso gordura verificado nos outros acompanhamentos.


Melhor a Costeleta de Vitelona, com a carne bastante suculenta e cozinhada no ponto (médio-mal claro está!). Bastante saborosa a carne, e sem grandes invenções no tempero, deixando o matéria prima brilhar. Também saborosa a cama de vegetais onde a enorme costeleta vem, mas vêm a nadar num banho de azeite altamente desnecessário.


Já o Arroz de Amêijoas, que acompanhava as Almofadinhas de Bacalhau, apesar de cozinhado no ponto e não sofrer do excesso de gordura dos outros pratos, pecava pela falta de sal, tornando-o meio sensaborão. O mesmo não se podia dizer das almofadinhas. Bom recheio de bacalhau, cremoso e a contrastar bem com o crocante da massa brick.


Optei por não comer sobremesa, pois queria satisfazer uma das minhas curiosidades doceiras que se encontra apenas umas portas abaixo, mas isso deixo para um próximo post.
Apesar de a comida ser acima da média, acabei por não ficar maravilhado com o que me foi apresentado. Pequenos pormenores a fazer a diferença entre aquilo que poderia ser uma fantástica refeição mas que não passou de boa. Nota-se que os produtos são bons mas a confecção não está à altura dos mesmos.

Zomato
Cantina LX
Rua Rodrigues Faria, 103
LX Factory, Alcântara, Portugal
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Preço Médio: < 30 €

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Eleven (Lisboa)

No próximo dia 26 de Fevereiro começa mais uma edição Restaurant Week, com restaurantes de topo, espalhados por todo o país, a disponibilizarem menus de 3 pratos por 20€! Já deixei um post sobre esta edição (podem vê-lo aqui) por isso não me vou alongar mais quanto ao conceito da Restaurant Week nem sobre os participantes da mesma. 
Um dos restaurantes que rapidamente esgota as suas reservas é o Eleven, chefiado por Joachim Koerper e detentor de 1 Estrela Michelin. Esta é uma oportunidade única de comer num restaurante estrelado por apenas 20€ (sem bebidas)! Quando andei a olhar para os menus, um ou dois dias depois de terem sido lançados, o Eleven tinha a indicação de já se encontrar esgotado mas um dia depois já havia novos slots de marcação, ainda que apenas para almoços a dias de semana. Mas acabei por marcar, aproveitando para celebrar um aniversário com um almoço num restaurante diferente...
Claro que as expectativas são gigantes quando falamos no Eleven, mas também temos a noção que uma refeição na Restaurant Week não será o mesmo tipo de experiência que uma refeição com um menu de degustação, mas a qualidade da comida tem de continuar a ser exímia, assim como o serviço. E é pelo serviço que quero começar. Eu sei que vamos pagar menos que metade das pessoas na sala mas ainda assim o maître d' não precisa de ser arrogante. E também não precisa de ignorar os nossos pedidos de bebida, já que foi ele que nos perguntou o que queríamos beber! Mas enfim, depois deixámos de lidar com esse senhor e o serviço melhorou para algo bastante profissional e mais simpático. A cadência dos pratos também não foi a melhor, com tempos de espera altos entre pratos.
A refeição começou com dois amuse bouches, oferecidos pelo chef. Um Crocante de Risotto, parecido com um arancini, com um exterior estaladiço, um interior cremoso e um molho de tomate que era indiferente a sua presença, de tão neutro que era o seu sabor.


A Brandade de Bacalhau era muito boa, com um nível de cremosidade adequado e de forte sabor a bacalhau sem ser salgado ou insosso. Simples e bom, não deixando o bacalhau esconder-se atrás da batata ou da cebola.


O Salmão Marinado com Beterraba deixou-me algo indiferente quanto ao seu perfil de sabor. Era bom mas tirando o factor visual nada mais se destacava. Era um prato de sabores suaves e bastante lineares, acabando por não surpreender nem deslumbrar.


O que deslumbrou foi o Creme de Cogumelos. Bastante leve, de textura suave e com uns surpreendentes pedaços de castanha no fundo, que conferiam textura e alguma doçura à sopa. Muito bom! Este sim, um prato da qualidade do que eu esperava encontrar neste tipo de restaurante e que já se equiparou às expectativas criadas.


Também em bom nível se apresentou o Peixe-Espada Preto, Puré de Batata-Doce e Emulsão de Maracujá. Peixe bem cozinhado e bem acompanhado por um bom e sedoso puré de batata-doce. Pena apenas que a emulsão de maracujá não fosse notada quando comida em conjunto com o peixe, nem tivesse um sabor muito activo quando provada sozinha, fazendo-se sentir mais pela acidez.


Também o Magret de Pato com Molho de Cassis, Talharins e Couve de Bruxelas foi um bom prato, apesar de alguns problemas com a proteína. Carne bem cozinhada e com bom tempero mas sem que a pele se apresentasse estaladiça. Também um pequeno reparo quanto à escolha dos talheres, com a faca disponível a dificultar bastante a tarefa de cortar o peito de pato. O molho de cassis é que andava meio eclipsado, sem que qualquer sabor ou acidez fosse notado. O melhor neste prato era, sem dúvida alguma, os talharins servido com minúsculos bocados de bacon e quartos de couves de Brulexas. Massa caseira, saborosa e a roubar protagonismo ao pato.


Uma das sobremesas disponível causou-me alguma confusão mesmo quando li pela primeira vez a ementa... É que um Prato de Fruta, num restaurante onde a criatividade deve primar, faz-me confusão! O abacaxi ainda era saboroso, mas o kiwi nem estava particularmente maduro. Fraco, criativamente inexistente e nem consigo perceber bem porque colocam esta hipótese no menu da Restaurant Week.


Criatividade tinha a Sinfonia Tropical. Uma óptima conjugação do coco com a lima, e um ligeiro travo floral que julgo ser dado pela lúcia-lima. Bom balanço entre doçura e acidez, com brilhante execução técnica tanto no "bolo" como no sorvete. 


Não sei se por ser um cliente de Restaurant Week, mas a verdade é que o Eleven não me deslumbrou. Atenção, de forma geral, a refeição foi positiva. Teve pontos muito bons e que estiveram dentro das expectativas que tinham sido criadas mas acho que um restaurante deste calibre não deve ter tantos pormenores fracos. Seja no serviço, na comida apresentada ou até na construção do menu para este evento. 
Será que a vontade de voltar existe quando a experiência não foi assim tão espectacular? Para mim continua a existir pois acredito que seja diferente, mas a verdade é que não o deveria ser! Deveriam sempre proporcionar a melhor experiência possível, seja um cliente que vá pagar 30€ ou 100€.

Eleven
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 30 € (apenas em Restaurant Week)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Don Castellana (Cais do Sodré)

O Don Castellana abriu em Agosto de 2014, em Lisboa, transportando um dos melhores restaurantes italianos de Luanda até à capital portuguesa, pelas mãos do chef Riccardo Paglia, quase à semelhança daquilo que já tinha acontecido com o Kook Chiado. E, graças a um convite Zomato, tive a oportunidade de ir experimentar o Menu Especial de Natal, que simboliza a extensão do menu que o restaurante apresentou na Restaurant Week, até ao final do ano 2014, mas apenas de 2ª a 5ª feira. Para vos dar um exemplo do quão compensador esta experiência pode ser, este menu à carta não custaria menos de 38€/pessoa sem bebidas, enquanto que neste caso podemos ter uma refeição completa por apenas 20€/pessoa! O difícil é escolher entre o menu de almoço ou de jantar, sendo ambos bastante apelativos.
Não é o típico italiano onde vamos comer pão de alho e pizza, tendo uma ementa bastante mais elaborada, ainda que com alguns clássicos italianos como carpaccio, risotto ou tiramisù. E assim que entramos no restaurante notamos que estamos num sítio diferente, com um ambiente um pouco intimidante, seja pelas cores escolhidas para a decoração, onde predominam as cores arroxeadas, ou pela própria farda dos empregados, a fazer lembrar roupa italiana da época Renascentista. Mas estes aspectos intimidantes vão-se dissipando ao longo da refeição, com um serviço bastante simpático e prestável, onde os empregados sabem adaptar o seu discurso aos clientes. Um aspecto engraçado no restaurante são os pequenos recantos mais íntimos, de mesa para dois, que têm um nível de privacidade bastante adequado.
Assim que nos sentamos, é colocado o Couvert na mesa, composto por um azeite italiano, sal com especiarias, sal fumado e manteiga de cabra e gengibre. Podemos ainda escolher entre três pães diferentes (sêmola, tomate e ricotta ou integral, se não me engano) mas acabei por pedir apenas o de tomate e ricotta, que se revelou surpreendente, levando-me a arrepender apenas ter pedido uma única unidade.


A refeição em si começa com um amuse bouche oferta do chef, constituído por uma Espetada de Tomate Cherry, Mozzarella e Pistáchio e um Copo de Gaspacho. Simples, fresco e a servir quase como um limpa palato para o início da refeição.


De seguida, outra oferta do chef, uma Quiche de Chanterelle, com molho dos mesmos. Massa folhada perfeitamente cozinhada, com um recheio bastante saboroso e de forte sabor a cogumelo, intensificado pelo respectivo molho. Delicioso!


Perto da perfeição estava o Carpaccio de Novilho com Salada de Cogumelos com Funcho, bem temperado e com um bom contraste entre os vários sabores. A delicadeza da carne combina perfeitamente com o habitual parmesão lascado, mas a adição dos cogumelos eleva este prato para um nível superior aos normais carpaccios. Tudo isto regado com um bom azeite e algo que parecia um molho de tomate caseiro semi-picante que criava novas camadas de sabor no palato.


A segunda entrada deste menu consiste num Mil Folhas de Bacalhau com a sua espuma. O que mais me impressionou neste prato foi o quanto os sabores presentes me faziam lembrar os de um pastel de bacalhau. Batata frita às rodelas, com uma pasta de bacalhau entre camadas, a ser uma verdadeira chamada à memória onde temos a textura contrastante da batata frita a ser comparável à da fritura do pastel de bacalhau e o perfil de sabor a retratar-se bastante idêntico. Um prato que brincou com as memórias e onde só a espuma não me pareceu acrescentar algo muito significativo, exceptuando alguma leveza e subtileza ao conjunto.


Para mim, o prato menos surpreendente da noite, não que isso implique que seja um mau prato mas não o considero do mesmo nível que os restantes, os Tortelloni de Crustáceos e Ricotta. Boa espessura na massa mas um recheio de crustáceos e ricotta bastante unidimensional no sabor, complementado com um molho de tomate simpático, mas que me deixou desejoso que fosse como o molho de tomate do Come Prima. Por cima dos tortelloni, pequenos pedaços de diferentes crustáceos, bem cozinhados mas a não ser algo surpreendente. Ainda assim, um bom prato.


Os pratos principais foram o foco menos espectacular da refeição, ainda que o Lombo de Pregado com Caponata de Beringela e Tomate Coração de Boi estivesse melhor que o prato de massa. O peixe panado tinha uma boa crosta, estava bastante húmido e recheado com tomate e manjericão, acabando por funcionar como uma infusão e transferindo bastante sabor para o peixe. A caponata era deliciosa e gulosa, estando repleta de umami. Os restantes acompanhamentos (courgette grelhada e umas tostas com um molho de tomate pouco interessante) pareciam estar algo deslocados no prato não se enquadrando muito bem com os outros componentes. Ainda assim, vale pelo pregado e pela caponata.


A primeira sobremesa foi uma referência muito pouco italiana, mas ainda assim estava fantástico o Petit Gâteau com Gelado de Baunilha. Uma boa crosta a revelar um interior cremoso e que deslizou pelo prato fora. Fantástico! Acompanhava um cremoso e caseiro gelado de baunilha, algo bastante típico nesta sobremesa.


Mas a surpresa da noite foi a Mousse de Iogurte e Lima com Carpaccio de Ananás e Amêndoas Caramelizadas, a fazer lembrar uma panna cotta de forte sabor cítrico e textura delicada. Óptimo balanço com a doçura do carpaccio de ananás a cortar bem a acidez da mousse. Para transferir alguma textura, umas gulosas amêndoas caramelizadas que pecavam apenas pela pouca quantidade.


No final, tivemos direito a mais uma oferenda da casa, com um shot de Limoncello e uma esferificação do mesmo licor com raspas de limão por cima. Por a bebida não se encontrar muito fresca, a notar-se demasiado o álcool no shot, algo que já não aconteceu na esferificação. Ainda assim, uma brincadeira engraçada e bem concretizada a finalizar em beleza uma refeição memorável.


A comida é, de forma geral, fantástica e saí do Don Castellana bastante feliz com a refeição. Apesar de ainda ter algumas reticências quanto aos preços praticados na carta, este menu, que se encontra disponível de 2ª a 5ª até ao final de Dezembro de 2014, é uma opção barata para a qualidade praticada. Para todos os que ficaram curiosos, é de aproveitar este menu, onde todos os itens disponíveis também se encontram na carta, ou então aguardar por uma próxima Restaurant Week.

Don Castellana
Lisboa, Portugal
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Site
Preço Médio: 20€ (sem bebidas) pelo Menu Especial de Natal (disponível até 31 de Dezembro, de 2ª a 5ª) / À carta: < 50 €

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O Caçador (Cruz Quebrada)

Nem sempre é fácil encontrar um restaurante que agrade a graúdos e miúdos para se realizar um almoço de família. Apesar de já ter O Caçador na minha wishlist, a ideia de marcarmos mesa neste espaço não foi minha, tendo eu apenas concordado e a minha curiosidade aumentado quando comecei a ouvir falar bem da comida deste espaço.
Perdido algures na Cruz Quebrada, perto do Jamor e do Estádio Nacional, fomos encontrar uma das melhores casas onde comi nos últimos tempos. Este é um restaurante de boa e tradicional comida portuguesa, mas onde a especialidade são os arrozes. E que arrozes... Não sei se já o mencionei, mas eu adoro arroz! Como acompanhamento ou prato, simples ou cheio de "entulho", eu acho que não me importaria de comer arroz a todas as refeições...
Ok, isso talvez seja um exagero, mas é sem dúvida alguma um dos meus ingredientes favoritos. O problema é que nem sempre é bem confeccionado. Demasiado espapaçado, demasiado cru, demasiado seco, desenxabido ou até salgado. Não parece difícil mas a verdade é que nem toda a gente sabe acertar naquele ponto de confecção exacto, deixando-o tão "malandrinho" quanto desejado, com a dose de tempero ideal e capaz de nos fazer salivar só de pensar nele. Felizmente, este restaurante acerta em todos estes pontos e ainda serve porções bastante generosas.
O Arroz de Bacalhau é saboroso, com generosos nacos de bacalhau (também este bem cozinhado), sem qualquer excesso de sal, como por muitas vezes acontece quando lidamos com algo tão delicado como o bacalhau. Foi o prato que pedi, que devorei e repeti. Como arroz de bacalhau estava realmente excelente. Mas (porque há sempre um mas) não foi este arroz que mais "concretizado" me deixou.


Essa honra ficou reservada para o Arroz de Lingueirão com Marisco. Tinha todas as componentes perfeitamente alinhadas. Cozedura perfeita, caldo saboroso, bem temperado, dose generosa e muito bem recheada. Ok, o arroz não tinha lagosta, lagostim e outros mais, mas sinceramente não precisa. O ingrediente principal é o lingueirão e os camarões e ameijôas que o circundam estão lá apenas para ajudar a dar mais algum corpo ao tacho. Um prato perfeito que nos deixa com vontade de continuar a comer até rebentarmos...


Pode-se dizer que tive uma fantástica surpresa com este restaurante. Entrei com expectativas altas e elas não foram defraudadas. Dos restantes pratos provei apenas o Coelho com Feijão, mas, apesar de saboroso, não achei que fosse nada de especial, principalmente quando comparado com os arrozes provados.

Zomato
Foodspotting
O Caçador
Rua Bento de Jesus Caraça, 10A
Cruz Quebrada, Portugal
Facebook
Preço Médio: < 30 €