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domingo, 10 de dezembro de 2017

Nó de Gosto (Tavira)

Antes de avançarem muito na leitura deste texto quero deixar bem claro que sou sempre imparcial em tudo o que escrevo. Independentemente se paguei pela refeição ou não (pois há refeições para as quais sou convidado), se usufrui de algum tipo de desconto, se é um restaurante de um amigo ou, como neste caso, o restaurante do meu próprio pai.


Achei por bem avisar-vos antes de começarem esta leitura para que possam tirar as vossas próprias conclusões tendo todos os factos na mão. Factos esses que começam há alguns meses atrás, quando o meu pai decidiu deixar a vida empresarial, tirar um curso intensivo de cozinha e abrir um pequeno restaurante de petiscos na fantástica cidade de Tavira. 


Todo o conceito foi desenvolvido pelo meu pai, Vítor, e pela sua sua esposa, Maria João, ficando o primeiro encarregue da cozinha e o segundo da sala. Uma ementa algo extensa, baseada sobretudo em petiscos com um nível de originalidade bastante engraçado, e uma longa carta de conservas, disponíveis para consumo no restaurante ou para levar para casa.


Tendo passado alguns dias em Tavira, tive a oportunidade de provar grande parte da carta, tendo ficado bastante satisfeito com a qualidade da comida que aqui se serve bem como do serviço de sala. Foi ainda a minha primeira experiência do "outro lado do espelho", tendo estado 2 serviços de jantar a servir à mesa, acabando por perceber melhor algumas das dificuldades que se pode enfrentar nesta profissão, tornando-me mais tolerante a algumas coisas que se possam passar futuramente (mas também menos tolerante a outras)!


Um dos pratos mais marcantes deste espaço, tendo entrado agora na nova carta de Outuno-Inverno, foi a Chora, uma sopa feita com caras de bacalhau, servida a bordo dos navios da Frota Portuguesa do Bacalhau, representando muito da cozinha de reaproveitamento que tanto nos caracteriza e, principalmente, um prato que o meu avô fazia e que nunca vi ser servido em nenhum restaurante! 


A maior parte da cozinha do Nó de Gosto assenta em sabores tradicionais portugueses, em conjunções aparentemente simples mas saborosas como o Bacalhau Fumado com Queijo Creme e Endro.


Ainda na senda dos pratos com bacalhau, as Lascas de Bacalhau com Puré de Grão e Espinafres relembram-me o bom que a comida portuguesa realmente é, ainda aqui com um empratamento que foge ao tradicional mas ajuda a ligar em cada garfada as 3 componentes presentes.


Em muitos dos meus almoços ou jantares de família é servido este Chouriço à Camões, um chouriço cozinhado com vinho tinto e sumo de laranja. É servido há tanto tempo que não me recordo de onde, como ou porquê esta receita entrou na nossa vida mas a verdade é que não mais saiu.


Se a Chora foi o meu prato favorito, pela evocação de sabores familiares que nos comovem e fazem recordar, a Batata-Doce com Pá de Borrego e Alecrim Fresco foi sem dúvida o mais surpreendente. Uma pá de borrego cozinhado durante várias horas, sendo depois desfiada, colocada em cima de uma fina fatia de batata-doce e uma fina fatia de tomate Coração-de-Boi e terminada com alecrim fresco. Um prato bastante completo e equilibrado, que provoca o nosso palato com os seus toques doces, salgados e ácidos.


Ainda no campo dos torricados, excelente combinação neste de Cebola Caramelizada, Queijo dos Açores e Tomilho Fresco, onde mais uma vez vários pontos do nosso palato a serem estimulados ao mesmo tempo.


Excelentes também os Ovos Beneditinos, com o pão ligeiramente torrado a servir perfeitamente de base para um excelente presunto, bons espinafres, um ovo escalfado cozinhado na perfeição e um molho com aquele toque de acidez essencial! Ah, e como bónus, está disponível a qualquer refeição do dia!


A influência da maior parte da ementa é portuguesa, mas muitos dos pratos levam alguns twists que os tornam ainda melhores do que estamos habituados, caso da Muxama Extra, um simples prato com uma excelente muxama (lombo de atum seco, o presunto dos mares), um bom queijo de cabra fresco e uma óptima compota picante para elevar a prato a um nível estratosférico. Como muita da cozinha do Nó de Gosto, simples mas com muito sabor.


As Bochechas de Porco SV (cozinhadas em sous-vide durante 6 horas!) é outro dos pratos que mais me impressionou. Excelente textura nas bochechas, a desfazerem-se facilmente ao toque, regadas com um guloso molho e acompanhadas por dois bons purés, um de castanhas e um de maçã, e com um ligeiro picante dado pelo chutney de malagueta. 


A cozinha do Nó de Gosto passa, como já referi várias vezes, pela simplicidade de alguns pratos mas que contenham muito sabor. Ora bem, tal não era possível também sem que houvesse qualidade nos ingredientes e onde podemos testemunhar facilmente isso é nos Cogumelos do Cardo (Pleurotus Eryngii), com uns saborosos e carnudos exemplares simplesmente salteados e terminados com soja.


Outro dos pratos da nova carta do Nó de Gosto, retrata alguma da melhor comida de conforto portuguesa. Uma das coisas que mais gosto de comer com o tempo frio são bons estufados e guisados. Pratos quentes e que nos aquecem a alma, como estas Favas com Choco.


Podem terminar uma ronda de petiscos com o Prego de Atum, simplesmente braseado com sementes de sésamo, temperado com um pouco de soja e servido num bom pão de alfarroba. Impressionante a qualidade do atum, a não colocar qualquer oposição às dentadas que vorazmente lhe desferi. 


Para acompanhar o Prego de Atum, umas Batatas-Doce Fritas bastante competentes.


Isto já vai longo, mas a verdade é que as sobremesas são também um importante capítulo nesta casa. Vão variando ao longo dos dias por isso o ideal é perguntar o que há ou deixarem-se levar pelas sugestões da casa. Tive a oportunidade de provar algumas cujo registo fotográfico lamentavelmente falhou, como o Bolo Semifrio de Chocolate Picante ou uma óptima Mousse de Marmelo. Tentei compensar garantindo o registo de um óptimo Folhado de Tavira, um bolo típico desta zona algarvia.


Outro item que está sempre disponível são as Panquecas com Fruta Fresca, que podem terminar uma refeição de petiscos ou um brunch composto pelos Ovos Beneditinos!


Pode parecer um texto bastante imparcial mas a verdade é que fiquei realmente agradado com a comida que experimentei! Gostei do espaço, do conceito e da ementa diferente de tudo o que se pode encontrar nas redondezas. Não fiquem iludidos, sei que não é perfeito mas vejo bastante potencial e força de vontade de trabalhar alguns aspectos que possam não estar ainda tão oleados. E, agora numa nota muito pessoal e parcial, isso deixa-me cheio de orgulho no que aqui se produz, acreditem! 

Nó de Gosto
Tavira, Portugal
Preço Médio: < 20 €

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Cabana Velha (Rebelva)

A Cabana Velha é um restaurante português típico a tentar sobreviver numa zona extremamente populada. Digo sobreviver porque é comum passar lá e não vejo as filas que outros restaurantes têm. Aliás, nunca sequer o tinha considerado como hipótese para fazer uma refeição e acredito que alguns dos clientes se dirijam lá quando o que há à volta está cheio. O que me levava a pensar que o restaurante seria fraco mas saí de lá agradado e até algo surpreendido.
É um restaurante como tantos outros e não existe na sua decoração, ementa ou conceito algo diferenciador. Tem sempre 3 pratos do dia e o resto da ementa baseia-se em grelhados, seja de carne ou peixe. O principal atractivo está no preço, com as doses, de boa dimensão para 1 pessoa, a não ultrapassarem os 10€, salvo 2 ou 3 excepções!
O Polvo Frito com Batata Doce não foi o melhor que já comi (nem estava perto do nível do Luar da Fóia) mas os sabores estavam lá e o polvo estava macio. Todo o conjunto estava com um pouco de gordura a mais, o que retirou alguma textura às batatas mas nada de muito grave.


O Cheesecake, não sendo fenomenal, era caseiro e conseguia ter uma boa base de bolacha e um doce de frutos vermelhos decente. Só o creme poderia ter sido melhor...


A comida da Cabana Velha não é fantástica mas é boa o suficiente (e o factor preço ajuda) para considerar o regresso a esta casa.

Cabana Velha
Rebelva, Portugal
Cabana Velha Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 4 de Junho 2016

terça-feira, 6 de junho de 2017

O Quintal (Amadora)

O Quintal é um daqueles restaurantes que tem uma ascensão meteórica em tudo o que são redes sociais, criando ondas de hype gigantescas. A curiosidade começa a infiltrar-se, as boas reviews seguem-se (mesmo que ocasionalmente intercaladas com outras menos boas) e a vontade de ir descobrir este recanto improvável, localizado na zona da Venteira (Amadora), aumenta. O problema é nestes locais é arranjar mesa mas, com alguma boa vontade da casa, lá se arranjou uma mesa para 8 pessoas jantarem no Dia da Mãe.
O primeiro pensamento vai para a localização. Tinha a zona da Venteira como algo inóspita para as aventuras gastronómicas, exceptuando o Alqueva (um restaurante a que já não vou faz largos anos). Mas, quando olho melhor para a minha lista, vejo que num raio de 300 metros tenho mais 2 restaurantes referenciados, sendo que um deles é alvo do mesmo tipo sucesso. Tal que, para marcar mesa no Maria Azeitona, parece ser necessário mais do que uma semana de antecedência!
Aqui o conceito começa à porta. Como em qualquer casa, para entrarmos necessitamos de bater à porta. O impacto continua na primeira divisão, como se estivéssemos numa sala de estar da casa dos nossos avós, com uns cadeirões de ar antigo. Bastante engraçado e a restante área do restaurante acompanha este tipo de decoração. Apenas um pouco mais de luz, na área de jantar, seria apreciável.
Algo que achei verdadeiramente surpreendente foi o serviço. Sim, nestes locais "da moda" normalmente o serviço é feito por gente jovem e gira (e isso não é diferente aqui) mas cuja simpatia e competência pode ser questionável. Aqui, mesmo não sendo um serviço perfeito, houve um aspecto que se destacou e ofuscou as poucas falhas: a simpatia. Excelente a rapariga que nos atendeu toda a refeição, sempre com um sorriso honesto e generoso para oferecer. No final, visto ser Dia da Mãe, a oferenda de uma flor às mulheres presentes na mesa.
E o que se come n'O Quintal? Apesar do nome, este não é um restaurante vegetariano nem com uma ementa virada para os vegetais (apesar de poder ser interessante a existência em Lisboa de um restaurante com uma abordagem parecida com a de Alain Passard no L'Arpège. Por falar nisso, obrigatório o seu episódio no Chef''s Table France!). Aqui existem vários petiscos para partilhar e cerca de 1 dúzia de pratos individuais. Fomos para a opção de partilha mas vi passar algumas volumosas doses individuais que me deixaram com curiosidade! Aviso desde já, isto vai ser extenso pois pedimos muita comida. 11 petiscos e mais umas sobremesas, para ser concreto!
Enquanto tentamos escolher, o que não é fácil devido à apelativa ementa, chega um bom Couvert, com especial destaque para a Manteiga Aromatizada e para o Queijo Curado. Pena o Cesto de Pão ter apenas 4 fatias (de 2 variedades diferentes), pois acaba rapidamente e sentimos a necessidade de pedir mais.



Excelentes Ovos Mexidos com Farinheira, principalmente no seu tempero. De destacar ainda a óptima textura apresentada e o bom balanceamento entre a quantidade de ovos e de farinheira.



O Tataki de Vazia levou-me a imaginar algo bastante diferente daquilo que nos foi apresentado. Tataki é uma técnica japonesa que nos remete para uma peça de proteína (peixe ou carne) apenas selada rapidamente, ficando com o seu interior cru. O que experimentámos aqui é apenas um bife da vazia cozinhado médio. Por ser um tataki não sentimos necessidade de especificar temperatura, nem nos foi perguntada. A peça é boa, a carne estava bem temperada e era tenra mas não o chamaria um tataki.



A Morcela Assada com Mousse de Maçã apresentou uma boa textura com a sua pele crocante, bastante bem acompanhada pela mousse (talvez mais um puré mas nada de grave).



Para mim, os pratos menos conseguidos da noite foram aqueles que apresentaram molho. Na sua maioria os pratos estavam saborosos e bem temperados mas os que tinham algum tipo de molho, cuja vontade e expectativa é sempre de que se apresentem gulosos para podermos encharcar o pão neles, No Pica Pau a carne era macia mas mais parecia ter cozido no molho onde vinha, o que não abonava muito a seu sabor.



Também a piscina de Lulinhas Algarvias apresentava o mesmo problema. Molho sensaborão mas as lulas em si apresentavam uma textura bastante macia.



Pouco melhor as Gambas a la Guillo, com o molho a apresentar mais sabor, mas a precisarem de ser bastante mais puxadas no seu tempero!



Bastante melhor, e a pedir mais um cesto de pão, o Chèvre Gratinado e a sua combinação clássica com componentes adocicados como o mel e as passas.



As Chips de Batata Doce também se revelaram uma agradável surpresa, ainda que não ao nível do Pigmeu, mas apresentando-se bem fritas e estaladiças.



A surpresa da noite, numa nota bastante positiva, foi algo tão simples como Cogumelos Frescos Salteados. Em pratos mais complexos e com molho tudo se revelava desinteressante mas aqui, onde algo simples funciona, o arriscar no saltear com alecrim e tomilho foi uma aposta perfeita.



N'O Quintal não se parece arriscar muito em temperos fortes ou combinações improváveis (exceptuando os supracitados cogumelos). O Tártaro de Peixe, corvina neste caso, acabava por reflectir isso mesmo, com o uso de frutas doces já visto em muitas ementas. Mas, apesar disto, não deixa de ser um bom exemplar de um tártaro, porque combinam bem com a acidez do sumo de lima, sem ofuscar o peixe.



O Tártaro de Novilho apresentava-se como uma interpretação próxima da original, na sua versão "Finish It Yourself", mas com o uso de ingredientes menos intensos. Neste caso, a substituição da mostarda de Dijon por uma de grãos ou o uso de vodka no lugar de cognac. Excelente o corte de carne, com cubos grandes a permitirem sentir a frescura e qualidade da carne.
O único ponto menos positivo é a forma como é servido, numa tábua de ardósia. Visto ser temperado com azeite, a facilidade com que, sem intenção, se entornou líquido num dos comensais presentes na mesa é algo que deveria mesmo ser revisto. Também houve alguma dificuldade ao misturar tudo na ardósia.



As sobremesas estiveram todas a um excelente nível! Um Bolo de Chocolate com 2 texturas distintas e de excelente e guloso sabor.



A acidez perfeitamente balanceada na Mousse de Lima foi um claro vencedor para mim. Sabores óptimos, que satisfizeram plenamente o amante de sabores cítricos que há em mim, numa mousse de cremosidade incrível e com um fundo de bolacha bastante simpático.



Também o Banoffee se revelou uma excelente sobremesa, principalmente com aquele pequeno pedaço perfeitamente caramelizado que existia no topo. 



O Quintal tem o potencial para não ser só um restaurante de "moda passageira", tornando-se um bastião do bem receber e bem comer na Amadora. Mas necessitam de corrigir e trabalhar mais nalguns dos pratos para que isso aconteça. Como as doses não são grandes, os preços podem parecer inflacionados, mas se a qualidade da comida aumentar será mais do que justificável os preços praticados.

O Quintal
Amadora, Portugal
O Quintal Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 7 de Maio 2017

terça-feira, 25 de abril de 2017

Eat 4 Fit (Oeiras)

A comida saudável está na moda! Não só têm aberto vários restaurantes com uma temática saudável como, até já em centros comerciais (normalmente associados a fast food e com uma conotação negativa), existem algumas opções para quem queira comer de forma mais saudável sem ser através de saladas.
Há uns meses atrás abriu o Eat 4 Fit, substituindo o também saudável The Cru (que se mudou para a zona de Cascais), apresentando uma temática saudável... sobre a forma de hambúrgueres! Ok, algo aqui me parece contraditório, principalmente quando um dos pratos mais vendidos na casa é à base de picanha. Mas, se isto é a definição de comida saudável, então são capazes de me convencer a comer de forma mais saudável (de vez em quando)!
Nesta noite escolhi o Eat 4 Fit por mera curiosidade. Queria perceber como é que uma "hamburgueria", pois toda a sua ementa funciona à volta de hambúrgueres (picanha, maminha, salmão  ou vegetariano) com diferentes tipos de pães (com feijão preto, cebola roxa, beterraba) poderia ser fit e se, sendo saudável, conseguiria ser saboroso.
E acabei a refeição, após comer um Dark Picanha, sem perceber bem como todo o modelo e conceito se aplicava. O pão de feijão preto pareceu-me enquadrar-se mais no tema do hambúrguer do que no do restaurante, ainda que seja bom e não demasiado massudo. A carne é de picanha, um corte de carne vermelha com um rácio de gordura que a mim me agrada bastante, mas que me parece pouco virado para o saudável e para o fitness. Assim como o molho de mostarda e mel, bastante bom por sinal! A cebola caramelizada e os cogumelos salteados são mais normais mas fazem sentido e ligam bem com os sabores do hambúrguer. E a parte saudável? Havia uma folha de alface, talvez seja isso! Não que eu me importe...



Para acompanhar escolhi o Mix de Batatas (2 tipos de batata-doce e mandioca) que, não se apresentando com um nível de gordura em excesso, não deixam de ser fritas! Saboroso, mas... saudável?
A limonada de morango que acompanhou tudo já me parecia mais saudável, visto ser feita sem qualquer açúcar e isso se notar no sabor! Curiosamente foi o que menos me convenceu em toda a refeição...
Não sei quão saudável ou fit será tudo o que ingeri mas o sentimento com que acabei a refeição foi semelhante a ter comido um hambúrguer em qualquer outro lado, com o mesmo sentimento de culpa com que ficaria nesses sítios (caso me preocupasse com tais aspectos!).

Eat 4 Fit
Oeiras, Portugal
Eat4Fit Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 10 €
Data da Visita: 3 de Abril 2017

domingo, 2 de abril de 2017

Miss Jappa (Príncipe Real)

Este artigo, ainda que tardio e comentando itens do menu não actuais, serve para falar sobre um restaurante e um conceito mais do que sobre pratos específicos. Anna Lins, mulher de Paulo Morais e uma das maiores especialistas de comida asiática em Portugal, decidiu lançar-se no seu primeiro restaurante a solo e abriu assim o Miss Jappa, no Príncipe Real.
A expectativa era muita e a oportunidade surgiu com um convite da Zomato para um Foodie Meetup, com o objectivo de conhecer a nova carta que iria entrar em Maio de 2016. Durante todo o evento o restaurante esteve fechado apenas para o Foodie Meetup e exclusivamente dedicado aos foodies presentes, logo não se conseguiu ter uma ideia de como será num dia normal.
Antes de passar à comida em si, o Miss Jappa tem também cocktails muito interessantes, ainda que um pouco doces demais para acompanhar uma refeição com sushi, mas não deixa de ser uma vertente bastante interessante do restaurante.

Mr. Murray (Gin, Sakê, Yuzu, Lima com Manjericão e Wasabi Peas)
Tokyo Garden (Lemongrass, Lima, Gengibre, Tanqueray Gin, Coentros, Ginger Ale e Hortelã)
Anna Lins tenta dar um toque diferente a vários pratos conhecidos da maior parte das pessoas, como por exemplo no Tártaro in a Box, onde a ideia é cada um construir a sua concha de tártaro à medida. Uma ideia engraçada e que funciona relativamente bem.


Excelente o Ceviche de Mexilhão, servido na casca, com um óptimo balanço entre todos os sabores.


Algo presente em muitos dos pratos do Miss Jappa são as apresentações originais e divertidas como no Quantos Queres, uma espécie de couvert com 4 snacks diferentes, todos eles simpáticos e um óptimo entretém para um cocktail inicial, por exemplo.


De sabores subtis, o Sulmono com Ravioli de Papel de Arroz com um consommé de atum seco bastante menos intenso do que esperava.


Algo que só por si vale a viagem ao Miss Jappa é o Okonomiyaki, esta espécie de panqueca japonesa. Repleta de umami e sabores contrastantes, ainda que equilibrados, chega à mesa com umas lascas de katsuobushi dançantes, dando ainda mais vida e alma ao prato.


Para fazer a ponte Japão-Portugal, Anna Lins apresentou um Nanbanzuke com Tempura de Batata-Doce que não entusiasmou ninguém, ainda que a ideia tenha sido realmente interessante pois o nanbanzuke é uma técnica japonesa parecida com o tão português escabeche.


Mas Anna Lins não quer só que as pessoas se relacionem com a comida. Ela quer também que as pessoas se divirtam à mesa, daí ter criado a Roleta Russa de Gunkans, onde 1 dos gunkans tem uma malagueta escondida e quem o comer terá que beber o shot de sakê que se encontra no meio do prato.


A primeira versão de Chirashi a entrar no menu (entretanto já substituída por outra versão evoluída e mais apelativa) apresentava diferentes peixes curados na casa, sobre uma cama de arroz, mas faltando-lhe um maior factor "wow", que a versão mais recente já parece ter só julgando pelas imagens que já vi (aqui).


Anna Lins tentou também trazer uma maior noção da street food japonesa para o Miss Jappa, com a incorporação dos Onigirazu, uma espécie de sandes de sushi bastante interessante.


Não sendo um restaurante exclusivo de Sushi, este também é uma parte fulcral da ementa, sendo servido com uma apresentação bastante original e apresentando peças de sushi tradicional simpáticas mas não fantásticas.


Terminou-se a parte salgada da refeição com um óptimo Bao com Yakiniku, Cebola Roxa e Ito Togarashi, o que se traduz num pão japonês cozido a vapor com um fantástico novilho grelhado e molho de gengibre, alho e soja, ajudados por finíssimas lâminas de cebola roxa e tiras de ito togarashi.


Até aqui tudo esteve a um nível bom, com alguns destaques óbvios, mas a maior parte a cair no campo do bom sem ser fantástico. A única coisa que esteve mediana foi a sobremesa, uma Panna Cotta de Chá Oolong com Creme de Umeshu que não me deslumbrou.


Fiquei com alguns mix feelings quanto à comida em si (principalmente devido às altas expectativas com que ia) mas reconheço o que Anna Lins quer fazer e acredito que seja a pessoa certa para que este restaurante se torne uma das referências da gastronomia japonesa em Lisboa. Ainda que alguns destes pratos já tenham saído da ementa, o conceito de mostrar uma gastronomia japonesa mais abrangente mantém-se e é isso, aliado ao espírito divertido e descontraído, que tornam o Miss Jappa atractivo.

Miss Jappa
Lisboa, Portugal
Miss Jappa Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 23 de Maio 2016