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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Maresias (Parede)

As expectativas são uma coisa muito difícil de gerir. A criação de uma ideia mental ilusória e abstracta quanto à qualidade de um sítio, baseada em meros relatos lidos, enche-nos o espírito de altas expectativas, e pode ser complicado gerir isto de forma a não sairmos defraudados. 
Bem, na verdade, o que aqui aconteceu nem foi bem um defraude de expectativa, pois o restaurante já não existe com o mesmo conceito que ouvi falar desde meados de 2015 até 2016, tendo mudado de gerência com a mudança do ano, mas mantendo o nome, o logo e toda a decoração. Mas estive o último ano a alimentar o espírito com imagens de diversos pratos, todos eles com um excelente aspecto, numa ementa cravejada de variedade (12 Petiscos, 3 Sopas, 6 Entradas, 8 Pratos de Peixe, 7 Pratos de Carne). Até que surgiu a oportunidade de conhecer o Maresias, onde em tempos se situava o Peixe na Linha e depois o Petis.cos, e ver se as expectativas iriam corresponder à realidade.
E começou "mal", quando abro a ementa e me deparo com uma ementa completamente diferente da que tinha visto na Zomato. Menor variedade e uma ementa menos apelativa assustam-me pois a minha mente começa a divagar para o "não era isto que eu queria". E isso influencia mentalmente toda a experiência, mas tentarei ser o mais imparcial possível.
Começámos com um Creme de Lavagante interessante, mas onde esperava uma maior profundidade de sabor.


Também como entrada, um Tártaro com um bom corte manual, uma apresentação bastante clássica, ainda que faltando a gema de ovo no topo, mas sem ser fantástico. Pequena nota para as tostas que poderiam ser em maior quantidade, para que se conseguisse comer a maior parte do tártaro com as mesmas.


Dividiu-se umas Amêijoas à Bulhão Pato medianas, onde os bivalves eram bons mas o seu molho era pouco apurado. Merecia ser mais trabalhado.


Como não estávamos com muita fome, partilhámos o Polvo Maresias, um polvo extremamente bem cozinhado, que aparentava uma textura borrachosa mas na verdade se apresentava macio na boca, com umas boas batatas assadas, bons grelos e um mau puré de cebola, demasiado doce para o conjunto.


As sobremesas não nos atraíram e decidimos dar a refeição por terminada. Algumas notas extras no que toca ao serviço, bastante "verde" apesar de ser simpático e esforçado mas nota-se alguma falta de experiência. Avaliando esta experiência por aquilo que foi não consigo deixar de pensar que acabou por se tornar cara face à qualidade da comida.
Se em 2016 o Maresias estava numa maré alta de fama e prestígio, veremos o que esta mudança da maré irá fazer. Percebo que tentem aproveitar a fama já ganha pelo restaurante, mas isso ajuda a criar expectativas que podem sair furadas.

Maresias
Praia da Bafureira
Parede, Portugal
Maresias Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato (a página da Zomato ainda referencia o antigo restaurante)
Foodspotting
Facebook
Preço Médio: < 40 €
Data da visita: 6 de Janeiro 2017

terça-feira, 26 de julho de 2016

Curtas #5: Faustino

Já não é a primeira vez que falo do Faustino mas deixo aqui pequenas notas da minha última visita. Sim, desta vez não me vou alongar muito!
- Serviço clássico com o à vontade de quem sabe o que faz e o faz há muitos anos.
- Amêijoas boas, com bom tamanho e tempero correcto.
- Posta de Vitela à Moda de Miranda, ou aquilo que normalmente denominamos como Posta Mirandesa com falta de sal, na carne e nas batatas! Ainda assim, boa qualidade da carne, como é habitual.







Desta vez a comida não me pareceu estar ao nível de dias anteriores mas não deixo de considerar o Faustino como um dos sítios mais seguros em Oeiras para levar toda a família.

Faustino
Rua A Gazeta d'Oeiras, 8B
Oeiras, Portugal
Faustino Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Foodspotting
Facebook
Preço Médio: < 30 €

quinta-feira, 30 de julho de 2015

O Fernando (Armação de Pêra)

O Algarve está recheado de tascos com pratos regionais, uns melhores outros piores. Sotavento a Barlavento, por todo o lado temos restaurantes que apregoam peixe e marisco da região, também como chamariz para as debandadas de turistas que enchem o sul do nosso país durante o Verão.
O Fernando é mais um destes restaurantes, onde as especialidades vêm do mar e que uma mão relativamente competente consegue fazer brilhar. Nas coisas um pouco mais elaboradas, isto já nem sempre se verifica, como foi o caso da Sopa de Peixe, com muita massa mas pouco peixe. O próprio caldo estava um pouco insípido, necessitando de mais sabor e também sal.



Acho que nunca comi umas Amêijoas à Bulhão Pato no Algarve que não fossem fantásticas, principalmente pela qualidade do bivalve em questão. Estas não fugiam à regra sendo bastante carnudas e com um molho bem apurado, onde podemos afogar todo o pão que nos seja depositado na mesa.



As Sardinhas Assadas mesmo estando bem grelhadas pecavam na sua qualidade. Parece que este ano está complicado conseguir experimentar umas daquelas sardinhas gordas, cheias de molho e que deixam uma piscina de umami no prato. Daquelas que abrimos para descobrir aquela tão deliciosa iguaria que são as ovas de sardinha.  



Um restaurante como tantos outros, com preços típicos para uma ementa típica. Se vale a visita? Porque não! Não há muito por onde errar com estes restaurantes onde as expectativas não são enormes.

O Fernando
Rua D. João II, 1
Armação de Pêra, Portugal
Foodspotting
Preço Médio: < 20 €

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Santa Clara dos Cogumelos (Santa Apolónia)

A visita ao Santa Clara dos Cogumelos não foi uma visita qualquer. Para imaginarem o nível de expectativa em que me encontrava, este era o restaurante que estava no topo da minha wishlist. Adoro cogumelos e desde a abertura deste restaurante que andava tão excitado como um hippie no Woodstock. Demorou mas valeu a pena garanto-vos.
Primeira impressão, e que perdurou, foi a de um serviço informal mas respeitoso e bastante simpático. Por vezes, clientes portadores de descontos (como era o meu caso que ia com um desconto Time Out) podem ser alvos de um nível de simpatia inferior mas aqui não foi o caso. Durante toda a refeição houve simpatia e sorrisos, mesmo com algum embaraço, causado pela incapacidade de conseguir beber a cerveja artesanal produzida pelo restaurante, pois esta não parava de jorrar espuma como um vulcão activo. Uma situação que poderia ser chata acabou por ser resolvida com alguma diversão à mistura.
A ementa do Santa Clara dos Cogumelos é, como podem calcular, focada em cogumelos, de vários tipos e feitios. Um aviso à navegação: Se não gostam de cogumelos, esqueçam! Todos os pratos, sobremesas inclusive, contêm cogumelos. Não existem alternativas e, muito sinceramente, isso não me incomoda nem um bocadinho. É uma forma de se manterem fiéis ao conceito que têm e não acho que seja de forma alguma prejudicial.
Sendo um menu com entradas, petiscos e pratos, aconselho a pedirem (para 2 pessoas) 3 petiscos e 1 prato principal, podendo posteriormente decidir se querem mais ou não, mas esta foi a abordagem que seguimos na nossa visita. Aqui, o difícil é escolher.
Começámos com uns Pleurotus de Fricassé de excelente sabor e com o molho a apresentar uma boa cremosidade, mas gosto do fricassé com um maior nível de acidez para cortar a riqueza do ovo. De realçar que todos os pratos de petiscos são confeccionados com cogumelos diferentes, sendo estes uns Pleurotus Ostreatus, comummente denominados de Cogumelos Ostra.



Já os Cogumelos Panados pareciam ser uns típicos Cogumelos Paris (ou Agaricus Bisporus), perfeitamente fritos com aquela camada exterior crocante e o interior carnudo e macio. Acompanhou com um molho de iogurte e açafrão interessante e leve.



Para terminar a ronda de petiscos, chegaram os Shitake à Bulhão Pato. Boa consistência, bons cogumelos Shiitake e bom molho nesta interpretação de algo tão tipicamente português mas executado com um produto encontrado com mais regularidade na gastronomia asiática. Bom, guloso e a pedir pão, tal como o molho da fricassé também já tinha pedido.



Mas o prato da noite foi o Magret de Pato que, mesmo apesar de alguns aspectos com o qual não fiquei deslumbrado, foi o prato que mais marcou esta refeição. Um peito de pato com o interior bem rosado mas onde a gordura podia estar mais cozinhada e a pele mais estaladiça. Mas o efeito surpresa é o intenso sabor fumado que está incorporado no pato. Surpreendentemente bom! O molho de laranja ajuda a fundir sabores dando-lhe uma nota de maior dimensionalidade.
O risotto de Porcini (Boletus Edulis) "al salto" não convenceu. A técnica de fritura (usada tradicionalmente para reaproveitamento) acaba por secar um pouco o arroz, retirando-lhe cremosidade, e o próprio bago usado pareceu-me estranho. Duvido que fosse Arbório, e não tenho conhecimentos suficientes para os diferenciar, mas pelas descrições que li sobre os diferentes bagos, pareceu-me ser Carnaroli. (Podem ler aqui sobre os diferentes tipos de arroz para risotto)



Não podia sair do Santa Clara dos Cogumelos sem provar uma das sobremesas, pois estas também têm cogumelos. A escolha acabou por recair no Pecado de Santa Clara que, infelizmente, se mostrou pouco pecaminoso. Uma boa sobremesa, bastante inovadora no uso das trompetas da morte (Craterellus Cornucopioides) tanto no topo da tarte de limão como incorporadas em pó entre o creme de limão e o merengue. Bom, com doçura e acidez qb, mas que não me maravilhou neste viagem alucinogénica.



As expectativas que tinha para o Santa Clara dos Cogumelos foram correspondidas. Adoro o conceito e a ementa desenhada à volta desse mesmo conceito (algo que também me atraiu no Pigmeu). Adorei a comida experimentada e só fiquei triste por não conseguir experimentar toda a ementa. Resumidamente, adorei o Santa Clara dos Cogumelos.

Santa Clara dos Cogumelos
Mercado de Santa Clara, 7 - 1º Andar
Santa Apolónia, Portugal
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Preço Médio: < 30 €