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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Restaurante Lounge Sal (Ilha de Tavira)

Última manhã de praia em Tavira, lá fomos nós até à Ilha de Tavira para aproveitar as últimas horas de sol algarvio, seguido de almoço num dos restaurantes da própria ilha. A ideia que tinha desses restaurantes é que seriam todos exagerados ao nível financeiro, virados para as centenas (milhares?) de estrangeiros que todos os dias frequentam aquela praia e sem uma qualidade por aí além. 
Mas este Sal acabou por me convencer do contrário. Começámos por conhecer a cozinheira que está à frente do estabelecimento, que é amiga de uma das pessoas com quem me encontrava, bastante simpática e que disse que fazia os possíveis na cozinha mas sempre com bastante amor. Pode parecer conversa da treta, mas o ar da senhora convenceu-me.
Começámos a refeição com um dos pratos mais curiosos da ementa, Mexilhão com Gengibre e Molho Napolitano. Bons mexilhões mas a verdadeira diferença estava no molho, com a conjugação do tomate, cebola e alho a combinarem perfeitamente com o gengibre tostado finamente picado, dando uma verdadeira sensação de profundidade nos vários sabores que nos vão preenchendo a boca.


As Tiras de Choco Frito são boas e com uma fritura uniforme, de boa textura e sabor, acompanhadas por uma maionese de alho não excessivamente forte. Não são as melhores que já comi mas são bastante boas!


O Lingueirão Salteado com Alho e Limão, a fazer lembrar um Bulhão Pato, com os bivalves bem cozinhados e um nível quase acertado de tempero, faltando-lhe ser acompanhado por um gomo de limão que pudesse ser mais facilmente espremido do que a rodela que vem no prato. Problema facilmente e rapidamente resolvido quando o pedido é feito aos empregados e rapidamente correspondido.


Mas, infelizmente, nem tudo esteve a um bom nível nesta refeição. O Polvo "Aglio Olio" com Batata-Doce com um péssimo nível de cozedura, estando duro, borrachoso e difícil de mastigar. O sabor até era agradável com o azeite a ser perfumado pelo alho que lá foi frito e as batatas de bom sabor e bem cozidas, mas o polvo acabou por estragar a experiência deste prato.


Também a Posta de Garoupa com Amêijoas, um dos pratos sugeridos pela cozinheira, acaba por não surpreender apesar do bom sabor da garoupa, mas a ser estragado pela quantidade de amêijoas que tinham areia, algo bastante desagradável. Um prato bom e consistente mas sem deslumbrar.


Também no campo das sobremesas houve altos e baixos. A Baba de Camelo, realizada com uma receita da filha da cozinheira, era bom por não ser tão doce como as que habitualmente se costumam comer, mas a textura não estava correcta e até já tinha criado um fundo de soro. 


Mas o melhor da refeição ficou mesmo para o fim, acabando com uma nota altíssima toda esta experiência. Pedimos dois Cheesecakes, um de Frutos Vermelhos e outro de Figos, e se o de Frutos Vermelhos já era bom, não sei bem como hei-de descrever o de Figos! É um dos melhores, ou até mesmo o melhor, cheesecake que já experimentei! A base podia não ser a mais consistente mas era bastante saborosa, com o queijo creme a ser complementado com raspas de lima que lhe dão um toque amargo ideal, sendo tudo encimado por um doce de figos de comer e chorar por mais. Inesquecível!




No final, não foi só o ar da senhora que me convenceu mas também a sua cozinha, apesar de alguns pontos mais baixos, a ser consistente e feita de bons ingredientes, com os preços a estarem um pouco acima do normal por o restaurante estar localizado na Ilha de Tavira.

Restaurante Lounge Sal
Tavira, Portugal
Preço Médio: < 30 €

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A Escadinha (Alfragide)

Este texto começou por ser um esboço em Novembro de 2014! Foi a primeira vez que me dirigi ao restaurante A Escadinha, já depois de muito cobiçar as suas ementas de pratos do dia e até de já o ter recomendado a quem de lá saiu muito satisfeito. Mas como é que um restaurante perdido numa zona residencial de Alfragide se pode tornar tão apelativo? Basta consultarem as ementas que eles lançam semanalmente para perceber. 
Senhores e senhoras, apresento-vos comida de autor a preços baixos! Apenas há 1 prato do dia, que muda diariamente, raramente se repetindo e sempre com nomes e apresentações pomposas. Juntem bebida e café e fica tudo por 7€ (ou 8€, caso queiram sobremesa).
A primeira vez que lá entrei ia lançado para uns "Nacos de Porco Preto com Crumble de Bacon e Batata Recheada com Queijo da Ilha". Fui a correr para A Escadinha, apenas para lá chegar e ser gentilmente avisado que os pratos do dia já tinham esgotado e que, numa próxima vez, seria muito aconselhável a reserva dos pratos. A delicadeza e simpatia perante a minha ingenuidade foram tais que a vontade de lá ir aumentou. Isso e o facto do cozinheiro de serviço estar a usar uma jaleca da 1300 Taberna. Agora percebo melhor o nível de elaboração do menu num pequeno restaurante que nem jantares serve. Não havendo prato do dia preferi sair com a promessa que iria regressar, desta vez com reserva.
6 Meses Depois
Finalmente! A preguiça batia sempre mais forte e transformava 10km de carro numa viagem que tardava em acontecer. Mas era inevitável que um dia a curiosidade fosse mais forte. Reserva feita e à hora de almoço lá me dirigi para o que se viria a revelar uma verdadeira surpresa. As expectativas eram altas, mas foram claramente superadas.
O Risotto de Polvo Crocante era simplesmente genial! Umas delicadas e macias pernas de polvo, panadas para criar um excelente contraste de texturas, que encimava um saboroso, cremoso e perfeitamente cozinhado risotto de polvo. Para finalizar, algumas lascas de parmesão e bocados de cebola frita. Percebo a cebola frita, ajudando mais na textura que no sabor, mas estranhei o parmesão, por muito clássico que seja finalizar um risotto com o mesmo. A verdade é que funciona maravilhosamente. Das melhores interpretações que já experimentei do típico arroz de polvo.



As doses são de um tamanho suficiente para ficar satisfeito, mas queria saber o que valeriam as sobremesas depois de tão aprumado prato. E as expectativas não foram defraudadas! Excelente Tarte de Lima, com uma base de chocolate consistente a ajudar a quebrar a forte acidez do creme. 



Também o Cheesecake era muito bom. Boa proporção de bolacha, com um creme de (aquilo que acho ser) requeijão bastante saboroso onde apenas lhe faltava ainda mais doce, para a acidez quebrar a riqueza do queijo. Quase perfeito.



Entrei com expectativas altas. Um restaurante que apresenta uma carta com nomes de pratos tão elaborados corre o risco de não conseguir fazer corresponder a comida à expectativa. Aqui foi ao contrário. A relação qualidade/preço é a melhor que já encontrei em menus de almoço, seja onde for! Acredito que nem todos os pratos estejam ao mesmo nível (o que é normal quando o prato muda todos os dias), mas se todos estiverem tão perto da qualidade do que comi então não sairão desiludidos de Alfragide.

A Escadinha
Alfragide, Portugal
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Foodspotting
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Preço Médio: < 10 €

quinta-feira, 21 de maio de 2015

LXeeseCake (Alcântara)

Não sou uma pessoa doceira. Prefiro empanturrar-me com os pratos "salgados" do que acabar a refeição com a boca doce. Mas existem excepções na vida para (quase) tudo e, neste caso, abro sempre uma excepção quando vejo Cheesecake na ementa.
Em 2014, abriu o LXeeseCake no sítio mais hipster (escrito sem qualquer conotação depreciativa) da cidade de Lisboa, o LX Factory! Este espaço promete cheesecakes à americana (cozidos no forno) que podemos encomendar, levar para casa ou comer uma fatia na própria loja.
Nesta primeira visita, provámos primeiro o Lemon Pie Cheesecake. Uma fatia muito alta mais do que suficiente para qualquer guloso com apetites extra ou de boas dimensões para dividir. Um merengue interessante, bastante acima da média das Tartes de Limão Merengadas que tenho experimentado, mas sem ser fantástico. Recheio alto, suave e com boas acentuações cítricas mas um sabor ligeiramente mais amanteigado do que o desejável. Pena foi a base de bolacha que se apresentava bastante ensopada, e numa proporção bastante reduzida quando comparada com as restantes camadas. Não dava aquele contraste de textura que procuro num cheesecake.



Também o mesmo problema da bolacha se apresentou no Banoffee Cheesecake. Melhor estava o recheio, que enganava aparências com o seu visual massudo para depois revelar-se suave. Um topping bem balanceado e, felizmente, não sendo excessivamente doce. Pensei que tal pudesse acontecer, pois sei que a preferência de muita gente vai para um caramelo de sabor intenso e este acrescentava apenas a doçura necessária, sem se tornar enjoativo.



Não foram os melhores cheesecakes que provei, mas não deixam de ser muito bons e com uma variedade interessante o suficiente para justificar mais visitas! Basta dizer que poderemos apanhar combinações como: Pêra Rocha e Gengibre ou Chocolate, Baileys e Avelãs. Se a tudo isto juntarmos um serviço muito simpático, ficamos com um sítio muito bom para adocicar a boca.

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Foodspotting
LXeeseCake
Rua Rodrigues Faria, 103
LX Factory, Alcântara, Portugal
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Preço Médio: < 5 € (Fatia + Chá/Água)

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Frankie Hot Dogs (Campo Grande)

Fui finalmente conhecer uma das grandes novidades de 2015 e que mais buzz tem estado a gerar: o Frankie Hot Dogs. Não sei se 2015 será o ano dos cachorros quentes, mas o Frankie vai ficar marcado pela rápida crescente na sua fama. Abriu em Fevereiro e tem já para cima de 130 críticas e 272 votos na Zomato, por exemplo. A sua localização é fantástica para um público alvo jovem (à porta do Colégio Moderno e colado à Cidade Universitária) mas será que toda esta popularidade e hype irá corresponder à qualidade do restaurante?
Aproveitando uma promoção 2 por 1 na Time Out Lisboa, decidimos juntar alguns membros da família e tentar marcar mesa para uma 5ª feira à noite. Aqui começam os meus problemas e ainda são alguns ao nível de organização e estrutura do restaurante. Se aceitam marcações de mesa mas não têm um serviço de pedidos à mesa, então todo o processo de pré-pagamento, sentar, comer e sair tornar-se-à mais lento. Prova disso foi o anúncio, na página oficial de Facebook, no dia seguinte a esta visita e depois de uma breve conversa com um dos responsáveis pelo espaço, de que iriam deixar de aceitar reservas. 
Quanto à forma de pagamento, honestamente, não sou um fã de pré-pagamentos em restaurantes com espaço próprio. Acho que só complica e aumenta tempos de espera. E foi exactamente isso que me aconteceu. 



Chegámos à hora marcada, sentámo-nos e fomos à parede onde se encontra o menu. Também não sou um fã de menus expostos apenas na parede mas aqui faz um pouco mais de sentido porque fica virado para quem está na fila de pagamento. Apenas precisa de mais luz naquele canto para se poder ver melhor. Depois de todos termos escolhidos, fomos para a fila, onde esperámos 30 minutos até podermos fazer o nosso pedido! Estava muita gente na fila mas não acho que justifique os 30 minutos só para pedir. Quando fizemos o pedido foi-nos dito que teria uma demora estimada de 25 minutos, que nós aceitámos porque já eram perto das 21h e não nos apetecia estar a sair dali para procurar uma opção em cima do joelho. Lá nos aguentámos mais 30 minutos de espera pela comida! Estamos a falar de hot dogs e não de haute cuisine
Ao fazermos o pedido, decidimos pedir também as sobremesas pois não existia qualquer vontade de voltar para a demorada fila. Ponto positivo do serviço, que foi sempre prestável e simpático, foi a disponibilidade com que reservaram de imediato as sobremesas pedidas, pois também já se encontravam perto de esgotar.
Quando as bebidas chegaram à mesa, uma simpática e saborosa Limonada de Morango, vinham à temperatura ambiente e sem qualquer gelo, pois este tinha acabado e a pequena máquina disponível não conseguia dar vazão à quantidade necessária. Durante toda a refeição fomos pedindo mais gelo que lá foi chegando à mesa em pequenas porções.
Ao fim de 30 minutos começou a comida a chegar à mesa. Um bom Corn Dog, algo ainda pouco visto na cidade lisboeta, com uma generosa salsicha de aves envolta numa estaladiça e saborosa polme.



A execução dos Onion Rings também estava acima da média. Mais uma boa polme, mais leve que a utilizada para o corn dog, a envolver os aros de cebola bem fritos e estaladiços.



No campo dos acompanhamentos, experimentámos as duas variedades de Batatas Fritas, normais e as Frankie. Ambas (bem) fritas com casca, a diferença está no queijo e bacon que cobrem as Frankie. Gulosas e com uma boa injecção de colesterol.




Como bom curioso gastronómico que sou, fiz questão de conseguir provar todos os cachorros diferentes que vieram para a mesa. O Sweet Mango Hot Dog, com a salsicha de aves a ser coberta de uns bons legumes frescos salteados, a ter um bom balanço de doçura sem que o molho de manga agridoce se tornasse predominante.



Excelente o Frankie 4 Fingers, onde a salsicha alemã é envolvida em onion rings incompletos (no tempo de espera fui observando a cozinha e apercebi-me que são escolhidos aros não fechados para facilitar a montagem) e coberta com pequenos pedaços de bacon. O molho de barbecue liga bem com o de mostarda e mel, dando acidez e ligando todos os restantes ingredientes. Este foi o melhor cachorro que experimentei nesta refeição.



O hot dog do mês, a Frankiesinha, desiludiu um pouco naquilo que é mais importante numa francesinha: a qualidade do molho. Não picante e com um sabor atomatado demais. Os restantes ingredientes eram bons, especialmente a linguiça, mas o fiambre parecia meio perdido na combinação. Para este cachorro é utilizado uma salsicha Frankfurt. Numa ementa relativamente pequena, é de louvar a variedade de salsichas disponíveis (penso que eram 6 diferentes).



Um dos hot dogs que mais expectativa tinha criado era o Tuga, especialmente pelo seu aspecto visual. Aquele ovo estrelado por cima da salsicha, em conjunto com o bacon, fizeram maravilhas no meu imaginário. Pena foi não ter correspondido às expectativas. Para além de ser mais estético que funcional, pois o ovo em cima do cachorro em nada facilita a forma como o comemos, não apreciei totalmente a salsicha (e eu que até sou fã de uma boa salsicha fresca), e achei que faltava algo mais ao cachorro. O molho de mostarda e mel ou o bacon não foram suficientes para elevar este cachorro ao patamar que merece.



Uma boa surpresa foi o Chilli Hot Dog, com ingredientes saborosos e que fazem sentido juntos. É inevitável a comparação com o concorrente respectivo da marca Hot Dog Lovers, mas este não fica muito atrás. Falta-lhe um maior nível de picante e de topping. O pão, igual para todos os cachorros, é muito bom e diferente do que estamos habituados.



Experimentámos as duas sobremesas disponíveis nesse dia. Se o Cheesecake de Manga correspondeu às expectativas e cumpriu o seu propósito de adoçar a boca, uns bons furos abaixo esteve a Mousse de Lima e Manjericão, com o conjunto a saber demasiado a natas. Precisava de mais acidez e de mais manjericão.




Não saí totalmente convencido do Frankie. Gostei da ementa e das ideias originais para os cachorros existentes. Gostei da qualidade da maior parte da comida, apesar de alguns aspectos menos positivos. Mas se me perguntarem se volto, respondo "Não sei", mesmo dando uma nota positiva à comida. Não sei se teria a paciência de voltar a esperar 1 hora para comer 1 cachorro quente só porque a logística do restaurante não aguenta uma enchente de gente. Talvez lá volte fora de horas sem correr o risco de apanhar uma grande fila.

Frankie Hot Dogs
Rua Doutor João Soares, 8B
Campo Grande, Portugal
Zomato
Foodspotting
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Preço Médio: < 10 €

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Astrolábio (Paço de Arcos)

Há vários anos que não visitava o Astrolábio, um dos restaurantes do centro histórico de Paço de Arcos. Mesmo muitos anos depois da última visita, guardava ainda na memória um arroz de peixe (que julgava eu ser garoupa mas era tamboril) que me tinha maravilhado. Mal fiz a reserva para um almoço de família, sabia que iria voltar a pedir esse mesmo prato, tentando reavivar  as memórias que o meu palato tinha guardado.
A refeição começou com Mexilhões à Bulhão Pato e Amêijoas à Bulhão Pato, ambos os pratos bem confeccionados e de molho bem apurado. Boa concretização de uma receita clássica e utilização de bons produtos tornaram este um bom início de refeição.

Mexilhões à Bulhão Pato
Amêijoas à Bulhão Pato
Sabem quando a nossa memória nos diz que algo que comemos muitos anos atrás era fantástico, mas quando o voltamos a comer a ilusão dissipa-se e sentimos uma desilusão e vazio sem igual? Felizmente isso não me aconteceu!
Este Arroz de Tamboril era tudo o que eu poderia ter desejado! O arroz malandrinho cozinhado na perfeição e muito bem acompanhado por uns lombos de tamboril e miolos de camarão, também estes perfeitos na concretização. E o caldo? A despertar-nos todos os cantos da boca, devido a uma utilização mais pronunciada de tomate, mostrando uns níveis de acidez e umami bastante interessantes. Para ajudar à festa, uns pedaços de fígado de tamboril deram o ar de sua graça e fizeram-me saborear cada garfada. Mesmo quando já não havia tamboril ou camarão, não resisti a continuar a comer apenas o arroz.


Provei ainda uma Cabeça de Garoupa que me pareceu estar também ela fantástica. A "carne" húmida e saborosa num prato simplista mas de cuidada concretização.


Menos interessante o Fillet Mignon que veio para a mesa. Aquele naco precisava de um molho (ou jus) que ajudasse a carne a ganhar mais sabor. O lombo apesar de ser um corte mais tenro precisa de mais ajuda para brilhar, devido à escassez de gordura presente. No prato brilhavam as batatas fritas às rodelas e uns óptimos grelos salteados. Já o Steak au Poivre, que apenas mirei sem degustar, não padecia do mesmo mal, segundo os comensais que o provaram.


Finalizei a refeição com um Cheesecake de Framboesa, saboroso e bem equilibrado nas proporções de doce e ácido dos seus componentes. Boa compota de framboesa, bom queijo creme e apenas a base de bolacha se revelava menos consistente, ainda que de bom sabor.


Um local de visita obrigatória para experimentar o Arroz de Tamboril, e uma boa aposta para os apreciadores de bom peixe, garantindo produtos marítimos frescos a preços justos.

Zomato
Foodspotting
Astrolábio
Praça Guilherme Gomes Fernandes, 7-9
Paço de Arcos, Portugal
Site
Preço Médio: < 30 €

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Churrasqueira Al's (Sassoeiros)

Há muitos anos atrás ia ao Al's porque era o único sítio que conhecia que servia spare ribs. E uso este termo específico para denotar a diferença que há para a forma de confecção do nosso entrecosto. Sim, são a mesma peça, mas no Al's serviam a peça como a vemos em tantos vídeos de programas norte-americanos e depois cobriam-no com um guloso molho barbecue.
Muitos anos passaram e quando voltei a esta churrasqueira apercebi-me que as coisas tinham mudado. Sim, continua a ser um bom entrecosto, mas já não é o mesmo que estava guardado nos confins da minha memória... Agora é apenas um bom Entrecosto grelhado. Nem sequer é muito bom, é apenas bom. 


Para a sobremesa, um Cheesecake que pouco tinha de cheese, safando-se pela compota que servia de topping. Mas, mais um prato de nível médio e sem especial nota digna de menção.


Bem melhor o T-Bone Steak que provei. Boa carne, bem temperada e com boa temperatura. Se ao menos tivesse pedido esta costeleta tinha ficado bem melhor servido...
E já agora, porquê esta vontade de meter em inglês o nome de pratos que têm tanto de estrangeiro como eu de extra-terrestre? Se não é em nada diferente do que podemos encontrar noutros lados, não faz sentido...

Churrasqueira Al's
Sassoeiros, Portugal
Preço Médio: < 20 €

segunda-feira, 23 de março de 2015

O Nobre / Spazio Buondi (Campo Pequeno)

O Nobre é, sem dúvida alguma, um dos restaurantes mais famosos na cidade de Lisboa. Não só por ser chefiado pela chef Justa Nobre, uma verdadeira estrela no pequeno mundo dos celebrity chefs portugueses, ou pelo famoso buffet de Cozido à Portuguesa que é servido aos almoços de domingo (apenas no Inverno, se não me engano), mas por ser um dos bastonários da comida tradicional portuguesa, com especial influência transmontana.
Já tinha tido a oportunidade de experimentar o buffet há uns anos e lembro-me de ter ficado bastante satisfeito com a qualidade da refeição em si, mas sempre tive curiosidade em voltar. Essa oportunidade surgiu quando ganhei um passatempo Zomato, num dos muitos blogs que sigo. O convite era para experimentar o Menu da Chef, que acredito ser equivalente ao Menu de Degustação que existe na carta do restaurante.
No início da refeição perguntaram-nos se desejaríamos ver a carta ou nos iríamos deixar levar pelas sugestões da casa. Claro que optámos pela segunda opção, e prontamente nos foi perguntado se tínhamos algumas restrições alimentares, pergunta essencial neste tipo de menu. Todo o serviço foi bastante prestável e simpático, sem ser intrometido, e colocando-nos sempre à vontade.
Começámos a refeição com um fantástico Presunto Pata Negra Joselito. Boa cura, bem cortado e com um bom nível de gordura presente nas fatias. Não há dúvidas que comer presunto de qualidade é um dos grandes prazeres da vida...


O presunto não esteve presente apenas em fatia, com umas Tostas com Manteiga de Presunto e Ervas a chegarem à mesa bastante estaladiças e gulosas. Apreciei a ausência de vergonha na altura de colocar a manteiga na tosta. Uma tosta quer-se bem barrada e com a manteiga derretida a cair pelas extremidades.


Petiscámos ainda uma Salada de Favas com Chouriço, uma versão refrescante do prato favorito de José Cid. De destacar o excelente chouriço, assim como a qualidade das favas usadas. Frescas, bem cozinhadas e com um tempero exemplar. Tudo conjugado resultou num prato simples e bastante saboroso.


Não é só a qualidade dos produtos que é notável, mas também a execução dos pratos em si, algo que foi notório quando alguém que não gosta de iscas (a minha excelsa cara-metade, que cada vez mais abre os seus horizontes gastronómicos) decidiu experimentar e repetir umas surpreendentes Iscas de vitela. Cortadas de forma muito fina, perdem toda a sua textura farinhenta, sendo depois temperadas com azeite, vinagre, alho e salsa.


Eis que chega um dos pratos icónicos do restaurante, a Sopa de Santola. Servida na própria carapaça, é um creme de marisco de sabores claros, simples e com uma cremosidade exemplar. Aliás, os elementos cremosos estiveram, ao longo de toda a refeição, sempre perfeitos na sua consistência, uma amostra da perfeição técnica da cozinha de Justa Nobre. Esta sopa aqueceu-nos a boca e o espírito. Agora consigo perceber o porquê da fama desta sopa, e apenas posso afirmar que é totalmente justificada.


O prato do mar, a Empada de Lavagante, continuou a revelar alguns pormenores de execução brilhantes. Massa bem cozinhada e estaladiça, recheio cremoso e com a proteína a revelar-se cozinhada na perfeição. Uma empada fantástica (a lembrar mais uma empanada) em toda a sua complexão. Acompanhou com legumes (courgette, cenoura, nabo, beterraba e couve-flor) simplesmente cozidos, parecendo depois terem sido borrifados com azeite. Visualmente, apresentavam um brilho que se traduziu também em sabores brilhantes. Nunca na minha vida comi legumes cozidos que fossem tão gulosos!


Até aqui tudo tinha deslumbrado e não foi diferente com o prato de carne, umas Bochechas de Porco Bísaro com Puré de Castanhas. Um puré uniforme, sem vestígio de granularidade e exímio tanto no sabor como na execução. As bochechas, cozinhadas até ao ponto em que as podemos comer com uma colher, estavam perfeitas também no nível de tempero. Um prato muito consistente e que é representativo das influências transmontanas na cozinha de Justa Nobre.


Já a rebentar pelas costuras e desejando apenas uma sobremesa pequena, chega-nos à mesa um Pijama! Ainda que em doses moderadas, as quatro sobremesas juntas ultrapassavam a nossa quota disponível, mas lá se fez o esforço e acabou por não sobrar nada. Tarte de Castanhas bem executada mas a desiludir um pouco no sabor, quando comparado com o puré de castanhas do prato anterior. Cheesecake muito amanteigado e a precisar de alguma acidez para contrabalançar o creme, mesmo considerando as raspas de laranja e lima presentes. Pudim Abade de Priscos e Sopa Dourada muito bons mas tendo um nível de açúcar (próprio destes doces) que o meu corpo tem dificuldade em ingerir em grandes quantidades. Apesar de boas, as sobremesas não estiveram ao mesmo nível dos restantes pratos.


Com o café uns caseiros Mini Pastéis de Nata. Mais uma vez, parece que nada falha na execução técnica dos pratos, com um recheio cremoso e saboroso a preencher um invólucro perfeitamente cozinhado e crocante.


A consistência apresentada em todos os pratos não é fácil de alcançar. O Nobre prima não só pela execução como pela qualidade dos produtos que confecciona, e assim se percebe o sucesso (justificado) que o restaurante tem ganho nos últimos anos. Pode não ser um restaurante barato, mas vale uma visita para podermos apreciar e testemunhar a qualidade da comida.

Zomato
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O Nobre / Spazio Buondi
Avenida Sacadura Cabral, 53B
Lisboa, Portugal
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Preço Médio: < 50 €

quinta-feira, 12 de março de 2015

Cascas (Cascais)

Se a moda das hamburguerias parece não querer abrandar, o mesmo digo quanto à moda dos petiscos. Aberto em meados de 2012, acabei por já visitar este restaurante por duas vezes e nunca de lá saí desiludido. Mesmo com alguns pratos mais fracos, saio do restaurante de barriga bem cheia e satisfeito.
Tendo visitado o Cascas mais do que uma vez, tive oportunidade de provar uma boa parte da ementa e deixo-vos aqui com pequenos comentários aos pratos experimentados. 


Boa Morcela de Arroz com Ananás, uma combinação clássica e que funciona sempre, desde que os ingredientes sejam bons, como era o caso.


Bons Pimentos de Padrón, com bastante sal e bem salteados. Pena o rácio de picantes ser bastante baixo.


Um interessante e bem frito trio de Croquetes (Farinheira, Queijo Brie e Presunto).


Na segunda visita pedi apenas os Croquetes de Presunto, que tinham sido aqueles que mais me tinham impressionado.


Muito bons os Cogumelos Recheados com Presunto. Saborosos, bem recheados e com uma boa quantidade de queijo por cima.


Uma dose de quantidade e qualidade acima da média de Pica-Pau, bem servida de pickles. Boa carne e molho simpático.



Muito boas as Batatas Fritas nas suas versões Bravas e Ali Oli, mais pela qualidade do molho do que pela das batatas em si mas ainda assim bom,


Não tão bom, chegando até a ser muito fraco, as Batatas Fritas com Parmesão e Redução de Balsâmico. As batatas pouco fritas, numa combinação que poderia funcionar se bem concretizado mas o queijo apresentava-se sem muito sabor e bastante borrachoso. 


Simpáticas as Costelinhas de Porco, sendo já mais semelhante a um prato principal.


Numa altura em que não faltam hambúrgueres por todo o lado, os Mini Hambúrgueres são apenas bons, sendo o melhor o de farinheira. O de queijo Brie e o normal estão bem temperados mas não são surpreendentes.


Acima da média estavam os Peixinhos da Horta, um petisco que peço sempre que possível e que é um dos meus petiscos favoritos. Bem fritos e estaladiços.


Também as Puntillitas estavam muito boas. Pequeninas, bastante crocantes e com uma boa maionese a acompanhar. 


Muito bom é o Prego em Bolo do Caco com que rematei a primeira refeição no Cascas. Bom bolo do caco, óptima carne e simplesmente acompanhado com uma fantástica cebola caramelizada e mostarda de grãos.


Já o Prego Estoril, com secretos de porco preto, grelos e ovo estrelado. O porco estava pouco cozinhado, tendo ainda bocados de gordura não totalmente incorporada. Uma ideia que parece boa mas que falha na concretização.


No campo das sobremesas, um CheeseCake à Cascas algo enjoativo, e com o doce de tomate a não conseguir cortar o sabor excessivo e forte do queijo.


Já a Panna Cotta estava ao nível do restante restaurante. Boa confecção e boa calda de laranja a dar um bom balanço ao prato.


Para regar todos estes petiscos, peça a óptima Sangria de Espumante de Frutos Silvestres
Das muitas opções para petiscar, esta é uma das minhas favoritas. Boa localização, boa comida e a preços justos. Ideal para um fim de tarde solarengo.

Cascas
Cascais, Portugal
Preço Médio: < 20 €