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terça-feira, 14 de março de 2017

Tartine (Chiado)

Os brunches estão na moda! Existem cada vez mais sítios a oferecer esta refeição que é uma espécie de pequeno almoço fortalecido. Uns melhores, outros piores, mas a verdade é que a procura e a oferta tem aumentado bastante nos últimos tempos. Nada como acordar "tarde" ao fim de semana, sem preocupações com o que fazer para o almoço, e irmos deleitar-nos com pão, queijo, fiambre, ovos e toda essa decadência gulosa.
À entrada do Tartine podemos logo começar a observar as variedades de pães disponíveis e que podemos comprar para levar para casa, assim como alguns bolos e doces. Tudo com excelente aspecto.
Algo que reparámos enquanto nos retiravam o pedido é o fraco nível do serviço. Funcionários de caras fechadas, pouco simpáticos e parecendo fazer tudo de má vontade.
O Brunch no Tartine inclui um bom copo de Granola com Iogurte Bio, onde podemos escolher leite ou soja. Doçura e alguma acidez numa boa e já habitual combinação.



Um prato com compotas Casa de Mateus (logo, bastante boas), manteigas de pacote, uma boa quantidade de fiambre e de queijo, ainda que não haja qualquer variedade, o que seria interessante.



Um cesto de Pão com 3 variedades (Pão Tigre, Pão de Azeitonas e Pão de Sementes), todos bastante bons e ainda uma escolha por pessoa entre Croissant, Pain Au Chocolat ou Brioche. Realmente fantástico o Croissant e o Brioche.



Para beber podemos optar entre um bom mas não fantástico Sumo de Laranja ou sumo de frutas do dia.



E ainda uma opção quente, à escolha entre todas as existentes na carta. Um razoável Cappuccino.



E um excelente Chá Lapsang Souchong com um aroma fumado bastante interessante.



Brunch que é brunch tem de ter ovos! O brunch do Tartine não os inclui mas existe a possibilidade de pedir como extra. Como gulosos que somos, pedimos os Ovos Benedict e Royal, onde a diferença está na proteína usada. Presunto no caso dos Benedict e salmão nos Royal. Os ovos estavam perfeitos, assim como o molho holandês que generosamente banhava todo o prato. Apenas o pão poderia ser utilizado de forma diferente, com uma fatia mais fina e torrado. Um conselho, pedir um prato de ovos para cada um pode ser algo excessivo...




Tirando o aspecto do serviço, que não era horrível mas não deixa de ficar na memória por maus motivos, a comida é boa. Os pães são muito bons e os ovos são excelentes! Só faltava uma maior variedade ao nível das carnes frias e queijos...

Tartine
Rua Serpa Pinto, 15A
Lisboa, Portugal
Tartine Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Foodspotting
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Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 18 de Fevereiro 2017

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Mini Bar (Chiado)


José Avillez é, sem grande dúvidas, o chef português mais mediático por este mundo fora. O Grupo José Avillez tem 7 restaurantes (se contar o Bairro só como um) e 1 serviço de Take-Away (que já usei e do qual gostei bastante!). Estamos perante um dos melhores chefs portugueses e o "Rei do Chiado", logo as expectativas em todos os restaurantes com o seu nome são naturalmente altas assim como o nível de exigência.


Perú de Natal do Take-Away do Grupo José Avillez
Tenho adiado a minha visita ao Belcanto (mais do que devia mas tentarei ir lá este ano de 2017!), e por muito que quisesse que o Belcanto fosse o meu primeiro contacto com a cozinha de José Avillez, decidi ir visitar o Mini Bar para festejar o meu aniversário. Apetecia-me algo diferente, apetecia-me cozinha de autor, em modo "petisco" e que pudesse vir a ser uma das melhores refeições do ano. E foi!
Antes de começar a dissertar sobre os pratos, aconselho vivamente os cocktails do Mini Bar. Penso que se enquadram melhor na temática do restaurante. Todos os 4 experimentados eram muito bons.


Cosmopolitan - Vodka Absolut Citron, Triple Sec, Frutos Silvestre
Kir Royal - Champagne Perrier Jouët Grand Brut NV, Licor Cassis
Lisboa - Vodka Absolut Blue, Frutos Silvestres, Gengibre
Menina e Moça - Rum Havana Club Añejo Especial, Abacaxi, Limão, Cardamomo
A viagem no Menu Épico, composto por 12 momentos, começou com uma refrescante interpretação de um cocktail, a Margarita de Maçã Verde e Hortelã com flor de sal e flocos de piri piri. Um prato de textura engraçada e de sabores subtis, a servir como um limpa-palato para a refeição que se iniciava.



Um dos componentes icónicos comum a vários restaurantes de Avillez (seja isolado como no Mini Bar ou fazendo parte de um Bacalhau à Brás como no Café Lisboa), são as Azeitonas Explosivas, onde Avillez faz uso de uma técnica de esferificação, que utiliza alginato, popularizada por Ferran Adriá no seu (já extinto) El Bulli, onde o chef estagiou em 2007. É uma técnica "antiga", que já se vê em diversos restaurantes mas da qual ainda não me cansei, pois o seu resultado é sempre fantástico.



Também bastante popular é o Ferrero Rocher de José Avillez, onde o chef criou um prato visualmente perfeito na sua conceptualização, apresentando uma mousse de foie gras com avelã como recheio de um bombom de chocolate. Um dos motivos pelo qual a cozinha de autor me fascina bastante é por este desafio cerebral a ideias pré-concebidas. Neste caso, o nosso cérebro vê um ferrero rocher perfeito, a primeira dentada e os primeiros sabores que nos chegam ao cérebro são do chocolate e da avelã... e demora cerca de 3 segundos a aperceber-se que não estamos a comer um prato doce. Conceptualmente perfeito.



As brincadeiras com "finger food" continuam com o Ceviche de Gambas do Algarve, com a meia lima a servir de colher para duas óptimas e frescas gambas, um grão de milho frito, uma esfera de sumo de beterraba, uma rodela de malagueta e brotos de coentros. Sabores perfeitamente balanceados com o sumo da lima, que mordemos e apertamos enquanto colocamos tudo na boca, a contribuir com a sua acidez para se criar o famoso leche de tigre directamente na nossa boca. Fantástico apontamento do milho frito que acrescenta textura e dá um excelente toque salgado ao prato.



E agora, o momento da noite, com a chegada do Frango Assado de José Avillez. Frango assado?! Comida de autor?! Meus caros, este é dos melhores frangos assados que já experimentei. Todos os fantásticos sabores estão lá, representados por uma das coisas que mais aprecio no frango assado, a pele, tendo como toppings um creme de requeijão fumado e outro de abacate. Para terminar, piri-piri em pó para dar algum "kick" a todo o conjunto. Perfeito!



A finger food terminou com um duo de tártaros em cornetto. Excelente Tártaro de Novilho com Emulsão de Mostarda, com vários dos sabores clássicos de um tártaro presentes. Apreciei bastante o corte mais grosseiro na carne, a funcionar bastante bem e a ser um bom ponto diferenciador dos demais tártaros que existem.



A interpretação asiática de José Avillez para o Tártaro de Atum era fenomenal. O atum de uma qualidade exemplar, marinado em soja, e a desfazer-se na boca. Era difícil superar o tártaro de novilho mas conseguiu!



O Ovo BT com Parmesão não convenceu na plenitude ainda que tudo estivesse bem executado. O uso de óleo de trufa não me seduz e não acho que acrescente algo de fantástico ao prato. Já a simples combinação pão torrado, parmesão e ovo é muito boa e funciona bastante bem sem o acrescento do óleo de trufa.



Muito boas, tanto a nível de textura como de sabores, as Vieiras Salteadas com Sabores Thai, onde o molho era uma representação de um caril verde tailandês.



Para terminar os momentos salgados do Menu Épico, o JAburguer DOP. Excelente pão, excelente carne, principalmente a nível de tempero e temperatura, com uma folha de alface e um pouco de tomate. Melhor que muitos hambúrgueres espalhados pela maior parte das hamburguerias que continuam a proliferar por este país fora. Acompanhava com umas excelentes Batatas Parvas.



Para estômagos mais pequenos, este menu tem uma dimensão óptima mas aqui o glutão não se satisfez com (só) 12 momentos e decidimos pedir algo mais. Repetimos as Azeitonas e o Frango Assado e pedimos uns Croquetes com Emulsão de Mostarda, fantásticos nas texturas com o exterior estaladiço e um interior suculento e muito saboroso.



Fechámos o capítulo salgado com um bom Presunto Joselito Gran Reserva.



A sobremesa do menu épico nesta noite foi o Globo Lima-Limão, traduzindo-se na grande desilusão da noite. Apesar de ser um grande fã de sabores cítricos, não gostei dos sabores aqui apresentados, fosse na "casca" de lima ou na espuma cremosa de yuzu. Conceptualmente, a ideia da sobremesa é boa mas não gostei da concretização com sabores que pareceram pouco naturais.
O serviço foi competente e bastante rápido durante toda a noite e apenas aqui houve uma pequena falha. Um dos globos foi para trás com mais de metade no prato e não houve a preocupação de perguntar porquê. Se um prato volta para trás com comida, penso que será do interesse de todos perceber o que deu origem a isso...



O último momento do menu chega com o café (que estava algo queimado), com um Marshmallow de Maracujá e Coco e um Bombom de Chocolate.



As expectativas eram altas ou não estivesse a falar de um restaurante de José Avillez e não foram defraudadas. Falta agora conhecer os restantes espaços do grupo.

Mini Bar
Lisboa, Portugal
Mini Bar Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 60 €
Data da Visita: 20 de Janeiro 2017

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Zomato Foodie MeetUp @ Tágide Wine & Tapas Bar (Chiado)

Tive o prazer de ser convidado para mais um Zomato Foodie MeetUp, desta vez realizado no restaurante Tágide Wine & Tapas, um restaurante com uma vista fantástica sobre a cidade e com alguma fama, o que automaticamente cria expectativas altas. Um muito obrigado à Zomato pelo convite e aos restantes comensais por mais de 3 horas de boa conversa, um dos pontos altos recorrentes dos encontros onde já estive.
Serviço impecável e irrepreensível durante todo o jantar, infelizmente não sendo bem acompanhado pela comida, que teve demasiados baixos e poucos altos. Para um restaurante que se quer impor como um restaurante de qualidade acima da média, a comida tem que acompanhar a ambição.
Começámos a refeição com uma tábua com um Mix de Petiscos, donde se destacava a Morcela Beirã Assada com Banana e Gengibre. Surpreendente o toque do gengibre a aliviar o peso dado pela conjunção da morcela com a banana. A tábua apresentava ainda uns Mexilhões em Escabeche e um Queijo de Azeitão com Compota de Tomate, mais normais sem deslumbrarem nem comprometerem muito.



Seguiram-se uns Ovos Rotos cuja denominação facilmente poderia ser outra. Na realidade era um prato que apresentava uns ovos mexidos já a caminho de um estado desidratado, umas batatas fritas que apesar da boa fritura apresentavam um excessivo sabor a óleo, safando-se apenas o bom presunto.



O Bacalhau Confitado com Broa, Grão e Hortelã foi o melhor prato da noite com o bacalhau a apresentar-se bem cozinhado e a lascar facilmente, contrastando na perfeição com a textura da broa crocante. Tudo bem temperado e com a hortelã a refrescar-nos o palato enquanto se intrometia com os sabores mais fortes do prato.



Depois do melhor veio também o pior prato da noite, com um Pica-Pau de novilho muito duro e difícil de mastigar. Molho bem apurado, muito devido à mostarda de grão usada, e uns pickles simpáticos mas que não chegavam para salvar o prato em si.



A sobremesa foi uma simpática Trilogia onde nenhuma das individualidades brilhou, mas que se mantiveram com um nível bastante aceitável. Pecou o Creme Brulèe na caramelização do açúcar, a Trufa na cremosidade e a Mousse de Dois Chocolates com Frutos Vermelhos no pouco balanceamento da doçura dos chocolates com a acidez dos frutos vermelhos, pendendo a balança para os chocolates.



Uma refeição fraca para os preços presentes na ementa, com alguns apontamentos engraçados mas caindo a maior parte da refeição numa mediocridade sofrível. Safa-se o bom serviço, a vista e a conversa que durou até gentilmente nos expulsarem do restaurante.

Tágide Wine & Tapas Bar
Lisboa, Portugal
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Preço Médio: < 30 €

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

The Meating (Chiado)

Este texto foi escrito há algum tempo e, na altura, o restaurante The Meating ainda se encontrava aberto. Decidi publicá-lo na mesma pois este é um conceito de restaurante americano que quase não existe em Lisboa, excepção feita ao Joe's Shack, no Mercado de Campo de Ourique. O Harlem não aprofunda tanto, aproximando o seu menu mais da Soul Food, e os diners americanos acabam por estar mais focados nos hambúrgueres do que no conceito de "American Barbecue".
Acho que é um mercado que tem muito por explorar em Portugal. Afinal de contas, quantos de nós não salivámos já a ver imagens como esta?

Franklin Barbecue - Link Original
Lisboa tem algumas opções (algumas de qualidade, outras não) de "diner" americano, mas faltava-lhe algo que conseguisse replicar e identificar-se pelo Barbecue à Americana. O The Meating é a resposta a quem se salivava a ver as imagens do Franklin Barbecue e sonhava com uma casa parecida em Lisboa. Eu disse parecida, e é só isso que o The Meating é. É um projecto de restaurante, que me parece ter bastante potencial, mas ainda não é aquilo que penso ser o verdadeiro barbecue, como vemos em tantos filmes, séries e afins.
A primeira vez que olhei para a carta do The Meating, comecei imediatamente a salivar, imaginando e revendo mentalmente as imagens que tantas vezes vi, com carne ultra temperada, fumada durante horas e a desfazer-se ao toque. Por querermos experimentar mais do que uma das especialidades, pedimos um Dá Para Dois, Três ou Quatro.
Dizer que dá para dois eu aceito, três ou quatro é exagerado, a não ser que essas pessoas peçam mais pratos para partilhar. Mas, felizmente, éramos só dois, num almoço tardio, em que fomos bem recebidos ainda que já não fossem horas normais de almoço e achámos que ficaríamos bem com uma "tábua XL".
Esta tábua consiste nuns bons Aros de Cebola, bastante consistentes a nível de fritura e umas Batatas Fritas médias e com ar pouco caseiro, mas que deram para satisfazer a fome.


Mas a verdadeira curiosidade era a qualidade das Asas de Frango BBQ e do Entrecosto BBQ. E, se em relação à forma como a carne era cozinhada, não saí desiludido pois a carne era realmente muito macia e a libertar-se facilmente dos ossos, no que respeita ao sabor penso que coloquei as minhas expectativas demasiado altas.
A carne é boa e apresenta uma boa caramelização, principalmente no entrecosto, mas ultrapassada a crosta criada pelo molho, o resto da carne apresenta um sabor muito uniforme, acabando por ser bom mas não fantástico.
Já as asas de frango, são suculentas mas têm pouco de estaladiço e crocante, que é o que está descrito no menu.


Para terminar a refeição com um pequeno doce, experimentámos a Mousse de Lima, que de mousse pouco tinha. Nada cremosa, de consistência bastante sólida e a deixar-nos desiludidos com a sobremesa pedida.


Acabo por culpar mais a pessoa que escreveu a ementa e a descrição dos pratos, que promete mais do que cumpre, reflectindo-se no restaurante pelas expectativas criadas. Tem potencial e merece que esse potencial seja explorado com um aperfeiçoamento dos pratos.

The Meating
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 20 €

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Kook Chiado (Chiado)

Ouvi falar, pela primeira vez, no Kook Chiado à cerca de duas semanas, quando saiu um pequeno artigo sobre a sua equipa e o seu conceito. A equipa parecia-me interessante e com passagens por sítios de renome na cidade de Lisboa, mas o conceito assustava-me um pouco. Sushi e petiscos portugueses no mesmo espaço? Já tive más experiências com restaurantes que ambicionam agradar a um público alvo vasto, ou encaixar-se nas modas, e depois falham miseravelmente.
Mas a possibilidade de fazer o passatempo de aniversário do blog num espaço recentemente aberto, com boa pinta e com uma carta que, apesar do anteriormente mencionado, até parece apelativa, era irrecusável. E não poderia lançar um passatempo sobre um restaurante sem primeiro vos dar a minha opinião sobre o mesmo não é?


Ao entrarmos no restaurante ficamos agradados com a decoração. É um restaurante moderno, decorado com bom gosto e recebemos logo o primeiro sorriso da noite. Ao longo de toda a refeição, todo o atendimento foi (quase) exemplar, mas sempre bastante simpático e prestável. Tão prestável que, enquanto nos colocávamos nas mãos do chef David Costa, não colocando qualquer restrição aos pratos com que ele nos quisesse presentear, estávamos bastante indecisos sobre o que beber, ao que nos foi sugerido uma Sakerinha de Maracujá. Fresca, quase um sumo, não se notando muito o álcool e servido com os caroços do maracujá, e isso para mim é um ponto a favor. É como as mousses de maracujá, se não tiver sementes não tem metade da piada.


Assim que chega o Couvert, senti as minhas expectativas subir, apenas pela forma cuidada como é apresentado. Uma base com dois tipos de pães (e dois exemplares de cada) quentinhos a libertar um aroma que nos mete a boca a salivar. A manteiga de ovelha cremosa, quase com a textura de um queijo, derretendo-se assim que colocada num pedaço do fantástico pão. Também o hummus é muito bom, de boa consistência e com a adição de um qualquer ingrediente que não consegui descortinar, mas que lhe conferia uma ligeira acidez, tornando-o multidimensional. (Depois de uma rápida consulta à ementa do Kook, apercebi-me que o hummus do restaurante é feito de tremoço. Excelente ideia e concretização)
Nunca um couvert me deixou com um sorriso tão grande na cara.


Com o couvert, chega também um mini cesto de Chips de Batata-Doce Frita. Não pareciam acabadas de fritar pela temperatura a que estavam e faltava-lhes a adição de um pouco de sal, mas estavam boas e cada rodela estaladiça foi devorada até não restar nada mais no cesto.


Para entrada, o chef quis presentar-nos com uma verdadeira obra de arte, concretizada pelo sushiman Octávio Melo. Apesar de não ser das minhas piores fotos (sendo que as minhas fotos nunca são realmente boas), ela não faz justiça ao prato que nos foi colocado à frente. Sim, sushi é arte, mesmo que não tenha sido pintado por Picasso, e a forma como as peças são dispostas no prato são o cartão de visita do sushiman, pois os olhos também comem.
Variedade suficiente para nos dar a provar um pouco do que têm na carta de sushi, vou tentar descrever-vos o melhor possível aquilo que havia neste combinado de 20 peças. Aqui foi um ponto onde o serviço falhou porque não nos foi explicado (nem antes nem depois) o que nos estava a ser servido. Penso que apenas no couvert e na sobremesa isso nos foi explicado.
Sashimi de salmão, camarão e atum ligeiramente braseado. Fantástico a nível de frescura e sabor, principalmente o atum. Tem sido raro encontrar sashimi de atum desta qualidade, parecendo-me até ser um corte de uma zona mais gorda, mas não sendo barriga. Mais um ponto positivo na apresentação do sashimi de camarão, com a cauda e a cabeça do animal a ser também apresentado. Bonito, mas acima de tudo saboroso.
Nos nigiris, bom o de atum (agora já parecendo ter um tipo de atum mais magro) com um arroz acima da média mas com o formato de nigiri a ser mais alto do que o que estou habituado. O de salmão foi mais uma fantástica surpresa, pela adição de pesto no topo do peixe. Boa combinação e a funcionar bastante bem.
O (único) rolo presente tinha um nível técnico e de inovação que apreciei bastante. O Salmão braseado a fazer a vez do arroz, com atum picado no interior e um molho de kimuchi (a versão japonesa do kimchi) por cima. Excelente combinação, dando para distinguir na perfeição os dois peixes diferentes
Para completar as 20 peças, dois gunkans de salmão, com uma variedade grande de ingredientes a servir de topping, mas infelizmente não fui capaz de distinguir mais quase nenhum. Mesmo não sabendo bem o que estava a comer, a explosão de sabores que senti foi impressionante. Sabores que parecia reconhecer mas que o meu cérebro não conseguiu nomear. Muito bom.


Para nos dar a conhecer a vertente de cozinha portuguesa do Kook, chegaram à mesa dois pratos principais diferentes, tendo a empregada que colocou os pratos se enganado, porque colocou o prato de peixe a quem tinha os talheres de carne e vice-versa. Mas nada de grave.
O prato de peixe era o BaKalhau à Lagareiro, uma reinterpretação bastante fiel do nosso prato tão bem conhecido, sendo o ponto principal de diferenciação o nível da apresentação, não sendo servido uma posta grande mas três bocados. O bacalhau estava excelentemente cozinhado, a lascar bastante bem e com bom ponto de sal, apresentando ainda o pormenor da pele semi-estaladiça. Normalmente evito a pele do bacalhau porque é um pouco grossa e costuma apresentar-se com uma textura mais gelatinosa, mas esta não resisti e não sobrou nem uma amostra para levar à cozinha. Boas batatas no forno e umas folhas de espinafres salteadas completam um conjunto tão típico da nossa cozinha, neste caso elevado a uma qualidade superior à normalmente encontrada.


Porque este é um restaurante com uma temática bastante portuguesa, o prato de carne teria que ser um dos mais emblemáticos pratos de carne em Portugal, o cozido à portuguesa, aqui apelidado de Kozido Kook. E aqui nota-se claramente o cuidado na apresentação (e consequente inovação) que parece ser uma das imagens de marca do Kook. À esquerda, apresentado como numa terrina, as várias carnes colocadas em camadas. Carne de vaca, farinheira, chouriço, morcela e no fim carne de porco e sua orelha. Todas as componentes muito boas individualmente e a funcionar bem quando juntas. A orelha (algo que adoro) estava bastante cozida e até gosto dela um pouco menos cozida para dar uma textura diferente ao conjunto. Também o acompanhamento é diferente e apresentado de forma original, com os legumes cozidos (cenoura, batata-doce e batata?) a estarem enroladas em couve lombarda. Um pouco cozidos demais os legumes, tornando-se em puré já na boca, mas pouco grave na minha opinião. Diferente, novo, original e com um toque de hortelã. Tudo finalizado com o caldo do cozido que é despejado sobre o prato.
Se tivesse que dar um exemplo do que é reinterpretar um clássico, este é um exemplo perfeito. E estava de tal forma saboroso e viciante que, não só fiquei triste quando acabou o prato porque ainda queria mais, como me esqueci de verter mais caldo de tão entusiasmado que estava.


Também nas sobremesas, tivemos o prazer de receber duas diferentes para poder experimentar o máximo de coisas possível. Primeiro, uma surpresa original mas que junta vários sabores nossos conhecidos. Suspiros em cama de mousse de lima, com um granizado de mirtilos (que não era só granizado mas continha também alguns pedaços de gelatina de mirtilos). Individualmente todos os elementos a serem fantásticos, mas a sua combinação é uma coisa de outro mundo. Excelente balanço entre acidez e doce.


Mas as reinterpretações deles não se ficaram pelos pratos principais. Quando me colocaram o prato à frente (foto em baixo) senti-me intrigado, mas devo ter feito cara de parvo quando ouvi as palavras "Este é o nosso Arroz Doce". Arroz doce? Mas onde é que está o arroz? Vou tentar descrever todos os elementos como me foram descritos mas posso-me enganar algures... Arroz doce frito com leite de coco (umas pequenas bolas a fazerem lembrar arancini), mousse de leite de coco com creme de maracujá e gelado de mojito. Muita coisa? Sim, talvez um pouco demais. Individualmente tudo era fantástico. As bolas de arroz doce fritas com o arroz ainda cremoso e bastante saboroso. A mousse de coco e o creme de maracujá a funcionarem bem juntos, graças à acidez do maracujá. E o sorbet de mojito? Genial! Muito bom mesmo. O único problema? Estes elementos não funcionavam bem juntos. Uma pena porque todos eles eram excelentes.


Saio do Kook feliz. Um sorriso na cara e na mente embarcam-me o espírito para o regresso a casa, acreditando que este é um restaurante que pode dar que falar. Pena é, a uma 5ª feira, ter tido apenas 4 clientes (eu e a minha companhia incluídos) enquanto lá estive. E quando saí de lá às 21h30 ficou o restaurante vazio. Apesar de não ser um restaurante barato, achando apenas que existe um desequilíbrio nos preços dos pratos principais, parece-me que tudo o resto é justo para o que é servido. Motivo mais do que suficiente para ser merecedor de algumas visitas e poder experimentar o resto da carta.

Kook Chiado
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 30 €