Mostrar mensagens com a etiqueta Cogumelos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cogumelos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Copos & Cusquices (Porto)

Um dos meus objectivos no Porto era conhecer muita da cultura gastronómica local. Mas, quando cheguei à Invicta, fui-me começando a aperceber da vastidão de restaurantes interessantes que existem! Uns seguindo as tendências da moda, outros mais originais, outros mais típicos... Mas muita diversidade e muita qualidade aparente, o que me foi dificultando a escolha quando queria conhecer algo novo.
Um dos que surgiram, assim de forma meio inesperada, foi este Copos & Cusquices. Por isso mesmo, as expectativas não eram muito altas, mas saí de lá rendido ao que encontrei. Uma ementa muito apelativa, com algumas propostas originais, uma decoração castiça e um bom serviço, ainda que tenha havido uns momentos da refeição em que nos sentimos mais esquecidos, por estarmos na sala mais afastada da cozinha.
Começamos com umas Bolinhas de Morcela com Cebolada de Maçã, executadas de forma exemplar. Exterior crocante, interior saboroso e a cebolada de maçã a ir cortando a riqueza da morcela.


A ideia do Ceviche de Bacalhau com Maçã Verde e Malagueta é muito boa mas a concretização falhou um pouco. Quando vejo a palavra ceviche penso imediatamente em leche de tigre, aquele suco vibrante essencial para qualquer ceviche, mas este exemplar não continha essa componente, o que o tornou algo seco. Ainda assim, boa combinação de sabores algo surpreendentes e improváveis!


Algo que se notou regular nos petiscos provados foi a segurança em apresentar sabores fortes, como nestes Cogumelos Recheados com Queijo Alentejano e Cebolada de Presunto. Bastante bem equilibrados e bastante contrastantes, foi um dos pratos favoritos da noite, o que nos levou a pedir uma segunda dose!


Num registo menos original, mas não menos bem executado, os Folhados de Queijo de Cabra com Doce de Pêssego continuaram a senda de sabores equilibrados, mas a massa folhada poderia estar um pouco mais cozida nalguns pontos.


O prato menos surpreendente na noite, na originalidade e nos sabores apresentados, foram as Asinhas de Frango. Fritura irrepreensível, interior húmido mas a faltar-lhe sabor, principalmente depois de termos experimentados outros sabores bastante fortes. A maionese de alho ajudou um pouco mas não de forma significativa.


Um twist engraçado na Tortilha de Batata Doce, petisco que vem acompanhado com uma salada, pois estava em falta o elemento ácido e é assim dado pelo tomate. Boa composição, recheio nada seco e bastante satisfatório.


A nível pessoal, o meu prato favorito na noite foram os Palmiers de Presunto e Queijo da Ilha. Mais uma vez, sabores fortes que andam à tareia dentro da nossa boca lutando pela superioridade e tentando dominar o outro. Felizmente, acabam por se ir completando!


Não houve registo fotográfico da sobremesa, pois também só veio para a mesa em jeito de pedido de recipiente de vela para a aniversariante, pois já estávamos todos algo repletos de comida. Não havendo um queque ou um bolo que suportasse uma vela, o serviço prontamente trouxe uma Mousse de Chocolate com uma vela por cima. Tamanho mini mas imenso em sabor e no jogo de texturas que se apresentava em tão pequeno frasco.
Saímos de lá impressionados pelo espaço, pelo serviço mas, principalmente, pelo qualidade que encontrámos!

Copos & Cusquices
Porto, Portugal
Copos&Cusquices Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 6 de Setembro 2017

domingo, 10 de dezembro de 2017

Nó de Gosto (Tavira)

Antes de avançarem muito na leitura deste texto quero deixar bem claro que sou sempre imparcial em tudo o que escrevo. Independentemente se paguei pela refeição ou não (pois há refeições para as quais sou convidado), se usufrui de algum tipo de desconto, se é um restaurante de um amigo ou, como neste caso, o restaurante do meu próprio pai.


Achei por bem avisar-vos antes de começarem esta leitura para que possam tirar as vossas próprias conclusões tendo todos os factos na mão. Factos esses que começam há alguns meses atrás, quando o meu pai decidiu deixar a vida empresarial, tirar um curso intensivo de cozinha e abrir um pequeno restaurante de petiscos na fantástica cidade de Tavira. 


Todo o conceito foi desenvolvido pelo meu pai, Vítor, e pela sua sua esposa, Maria João, ficando o primeiro encarregue da cozinha e o segundo da sala. Uma ementa algo extensa, baseada sobretudo em petiscos com um nível de originalidade bastante engraçado, e uma longa carta de conservas, disponíveis para consumo no restaurante ou para levar para casa.


Tendo passado alguns dias em Tavira, tive a oportunidade de provar grande parte da carta, tendo ficado bastante satisfeito com a qualidade da comida que aqui se serve bem como do serviço de sala. Foi ainda a minha primeira experiência do "outro lado do espelho", tendo estado 2 serviços de jantar a servir à mesa, acabando por perceber melhor algumas das dificuldades que se pode enfrentar nesta profissão, tornando-me mais tolerante a algumas coisas que se possam passar futuramente (mas também menos tolerante a outras)!


Um dos pratos mais marcantes deste espaço, tendo entrado agora na nova carta de Outuno-Inverno, foi a Chora, uma sopa feita com caras de bacalhau, servida a bordo dos navios da Frota Portuguesa do Bacalhau, representando muito da cozinha de reaproveitamento que tanto nos caracteriza e, principalmente, um prato que o meu avô fazia e que nunca vi ser servido em nenhum restaurante! 


A maior parte da cozinha do Nó de Gosto assenta em sabores tradicionais portugueses, em conjunções aparentemente simples mas saborosas como o Bacalhau Fumado com Queijo Creme e Endro.


Ainda na senda dos pratos com bacalhau, as Lascas de Bacalhau com Puré de Grão e Espinafres relembram-me o bom que a comida portuguesa realmente é, ainda aqui com um empratamento que foge ao tradicional mas ajuda a ligar em cada garfada as 3 componentes presentes.


Em muitos dos meus almoços ou jantares de família é servido este Chouriço à Camões, um chouriço cozinhado com vinho tinto e sumo de laranja. É servido há tanto tempo que não me recordo de onde, como ou porquê esta receita entrou na nossa vida mas a verdade é que não mais saiu.


Se a Chora foi o meu prato favorito, pela evocação de sabores familiares que nos comovem e fazem recordar, a Batata-Doce com Pá de Borrego e Alecrim Fresco foi sem dúvida o mais surpreendente. Uma pá de borrego cozinhado durante várias horas, sendo depois desfiada, colocada em cima de uma fina fatia de batata-doce e uma fina fatia de tomate Coração-de-Boi e terminada com alecrim fresco. Um prato bastante completo e equilibrado, que provoca o nosso palato com os seus toques doces, salgados e ácidos.


Ainda no campo dos torricados, excelente combinação neste de Cebola Caramelizada, Queijo dos Açores e Tomilho Fresco, onde mais uma vez vários pontos do nosso palato a serem estimulados ao mesmo tempo.


Excelentes também os Ovos Beneditinos, com o pão ligeiramente torrado a servir perfeitamente de base para um excelente presunto, bons espinafres, um ovo escalfado cozinhado na perfeição e um molho com aquele toque de acidez essencial! Ah, e como bónus, está disponível a qualquer refeição do dia!


A influência da maior parte da ementa é portuguesa, mas muitos dos pratos levam alguns twists que os tornam ainda melhores do que estamos habituados, caso da Muxama Extra, um simples prato com uma excelente muxama (lombo de atum seco, o presunto dos mares), um bom queijo de cabra fresco e uma óptima compota picante para elevar a prato a um nível estratosférico. Como muita da cozinha do Nó de Gosto, simples mas com muito sabor.


As Bochechas de Porco SV (cozinhadas em sous-vide durante 6 horas!) é outro dos pratos que mais me impressionou. Excelente textura nas bochechas, a desfazerem-se facilmente ao toque, regadas com um guloso molho e acompanhadas por dois bons purés, um de castanhas e um de maçã, e com um ligeiro picante dado pelo chutney de malagueta. 


A cozinha do Nó de Gosto passa, como já referi várias vezes, pela simplicidade de alguns pratos mas que contenham muito sabor. Ora bem, tal não era possível também sem que houvesse qualidade nos ingredientes e onde podemos testemunhar facilmente isso é nos Cogumelos do Cardo (Pleurotus Eryngii), com uns saborosos e carnudos exemplares simplesmente salteados e terminados com soja.


Outro dos pratos da nova carta do Nó de Gosto, retrata alguma da melhor comida de conforto portuguesa. Uma das coisas que mais gosto de comer com o tempo frio são bons estufados e guisados. Pratos quentes e que nos aquecem a alma, como estas Favas com Choco.


Podem terminar uma ronda de petiscos com o Prego de Atum, simplesmente braseado com sementes de sésamo, temperado com um pouco de soja e servido num bom pão de alfarroba. Impressionante a qualidade do atum, a não colocar qualquer oposição às dentadas que vorazmente lhe desferi. 


Para acompanhar o Prego de Atum, umas Batatas-Doce Fritas bastante competentes.


Isto já vai longo, mas a verdade é que as sobremesas são também um importante capítulo nesta casa. Vão variando ao longo dos dias por isso o ideal é perguntar o que há ou deixarem-se levar pelas sugestões da casa. Tive a oportunidade de provar algumas cujo registo fotográfico lamentavelmente falhou, como o Bolo Semifrio de Chocolate Picante ou uma óptima Mousse de Marmelo. Tentei compensar garantindo o registo de um óptimo Folhado de Tavira, um bolo típico desta zona algarvia.


Outro item que está sempre disponível são as Panquecas com Fruta Fresca, que podem terminar uma refeição de petiscos ou um brunch composto pelos Ovos Beneditinos!


Pode parecer um texto bastante imparcial mas a verdade é que fiquei realmente agradado com a comida que experimentei! Gostei do espaço, do conceito e da ementa diferente de tudo o que se pode encontrar nas redondezas. Não fiquem iludidos, sei que não é perfeito mas vejo bastante potencial e força de vontade de trabalhar alguns aspectos que possam não estar ainda tão oleados. E, agora numa nota muito pessoal e parcial, isso deixa-me cheio de orgulho no que aqui se produz, acreditem! 

Nó de Gosto
Tavira, Portugal
Preço Médio: < 20 €

domingo, 20 de agosto de 2017

Mequinhos (Aldeia do Meco)

Numa peregrinação veranil para zonas balneares, passei pela Aldeia do Meco petiscar qualquer coisa ao almoço. Tenho algumas coisas referenciadas para esta zona mas a escolha acabou por recair no Mequinhos, que apresenta um conceito de partilha de latas. Isso mesmo, latas. Ok, o conceito das latas não é mais do que apresentar petiscos com uma "lavagem" diferente mas não deixa de ser engraçado a forma como são apresentadas. Existe ainda alguma variedade de marisco fresco mas os nossos apetites nesse dia não nos levaram para esses caminhos.
Com uma sala bastante vazia, mas era um almoço de Agosto por isso acredito que estivesse quase tudo na praia, o serviço foi rápido mas a roçar o limite inferior da cordialidade e da simpatia. Se percebo isso quando uma casa está cheia e há muito para fazer, não o entendo tão bem com uma casa quase vazia.
Podemos pedir até 6 latas, com petiscos diferentes, em conjunto com uma escolha de 3 acompanhamentos. Existem já algumas combinações sugeridas, onde se pode trocar 1 lata e 1 acompanhamento, levando um ajuste ao preço conforme a troca. O serviço não ajudou a clarificar se podíamos compor nós as combinações ignorando completamente as sugestões por isso optámos por escolher 3 latas, e fazendo algumas trocas.
Começando pelo mais fraco, os acompanhamentos, optámos por um arroz de coentros simpático, umas boas batatas fritas e uns sofríveis cogumelos de lata! Não percebo a opção dos restaurantes em usar cogumelos de lata, com a facilidade que há em arranjar bons cogumelos frescos e que são incomparavelmente melhores no seu sabor. É um atalho preguiçoso que faz cada vez menos sentido e mostra uma falta de interesse grave.


Vá lá que as latas (3 latas chegam para 2 pessoas) em si são bastante decentes e acabaram por salvar a refeição. O Pastelão Verde (ovos mexidos com farinheira e legumes) apresentou-se saboroso, surpreendendo pela positiva apesar do aspecto desleixado, as Gambas ao Alho estavam muito boas, com o molho apurado e guloso e o Choco Frito estava bem frito mas não deslumbrou pois poderia estar melhor temperado.
O restaurante não é fantástico, o conceito não é novo (ainda que mascarado com latas), os preços são um pouco mais elevados do que acho justo e o serviço deixa algo a desejar no campo da simpatia, mas o Mequinhos não é uma má opção para quem sai da praia e quer petiscar algo naquela zona. Só é pena os cogumelos de lata...

Mequinhos
Aldeia do Meco, Portugal
Mequinhos Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 13 de Agosto 2016

domingo, 23 de julho de 2017

Mussol Arenas (Barcelona)

Uma das primeiras pessoas a colocar a Catalunha no mapa da gastronomia mundial foi Ferran Adrià. O chef do El Bulli, que encerrou em 2011 e foi durante muitos anos considerado o melhor do mundo para a revista Restaurant, revolucionou mentalidades e introduziu na cabeça de muitos o conceito de gastronomia molecular! Ferran tem um brilhante irmão de nome Albert, que também o acompanhou no El Bulli, e que é neste momento o chef executivo de vários restaurantes do grupo El Barri Adrià (onde se inclui os estrelados Tickets, Hoja Santa ou Pakta, entre outros). Neste momento, Albert Adrià parece estar para Barcelona como José Avillez está para Lisboa, ou não tivesse o português bebido muitas influências dos irmãos Adrià aquando a sua passagem pelo El Bulli em 2006. Ambos detêm vários restaurantes na cidade onde trabalham e todos os seus restaurantes estão confinados numa única zona geográfica dentro da cidade. Se Avillez é o rei do Chiado, Albert Adrià tem todos os seus restaurantes perto da Plaça de Espanya (não sei exactamente o nome da zona). Claro que tentei marcar para o Tickets, mas a sua logística de abrir as reservas para o dia X exactamente 2 meses antes não ajudou e não consegui mesa. Por algum descuido, mas também para não ter restrições a nível de organização dos dias (só o Tickets me iria fazer ter essa condicionante), acabei por não marcar para qualquer outro do grupo Adrià, tentando a minha sorte na Bodega 1900. Como já devem calcular, pelo título do post, foi uma tentativa infrutífera, tendo acabado por ir jantar ao supracitado Mussol Arenas, que me tinha sido recomendado por alguém que vive na cidade. Então porquê todo este texto sobre a família Adrià? Porque são um marco na gastronomia catalã e, como tal, merecem ser referenciados sempre que possível.
Apesar do restaurante se encontrar num Centro Comercial, construído numa antiga Praça de Touros, o nível onde se encontra faz com que não se sinta qualquer ambiente de food court comercial. No topo do edifício, quase como se de um terraço se tratasse, encontram-se vários restaurantes com espaço própria, tendo alguns uma excelente e privilegiada vista para o Monte Montjuïc e a sua Fonte Mágica.
O Mussol Arenas apresenta uma ementa bastante variada e interessante, não sendo totalmente virada para tapas e apresentando alguns pratos de carne bastante apetitosos, mas o nosso apetite era o de tapear algo para depois podermos observar o espectáculo da Fonte Mágica através do parapeito do próprio "terraço". E, para começar a picar algo, umas boas Azeitonas, de 4 ou 5 variedades diferentes, e bem temperadas.


Excelentes os Cogumelos Recheados com Queijo de Cabra e Escalivada, uma espécie de ratatouille catalão, onde os vegetais (maioritariamente pimentos e beringela) são grelhados. A combinação é um sucesso com o forte sabor dos cogumelos a ser ajudado pelo fumado da escalivada e o queijo de cabra a dar aquele toque salgado essencial. Para um pouco de frescura, um ligeiro apontamento de manjericão.


Não podia faltar o Pão com Tomate, também executado com o catalão Pão de Coca, mas aqui algo a chegar-se ao queimado. De resto, a simplicidade do costume e os sabores excelentes como em qualquer outro lado.


Os Ovos Rotos com Presunto Ibérico de Bolota estavam muito bons, principalmente pela sempre suprema qualidade do presunto apresentado, mas as batatas fritas poderiam ser bem melhores.


As Batatas Bravas tinham algumas falhas. Não me importo que se sirvam as batatas em gomos, e até podem ser grandes mas então as batatas terão que cozinhar mais tempo senão ficam ainda encruadas por dentro (como era o caso). Pena também o seu nível de picante ser bastante baixo, parecendo mais umas batatas mansas que bravas.


Há aqui uma variedade de pratos pedidos que são recorrentes entre vários restaurantes porque são algumas das nossas coisas favoritas em Espanha e que não são fáceis de encontrar bem feitos em Portugal. Os Croquetes de Presunto Ibérico de Bolota do Mussol foram, infelizmente, os menos bons que já comi. Fritura algo desastrada, a chegarem à mesa com excesso de óleo e com alguns exemplares a abrirem já. O recheio é sempre bom e consistente, ainda que já tenha experimentado melhor.


As sobremesas também estiveram a um nível bastante aceitável com principal destaque para o Carpaccio de Ananás com Mousse de Crema Catalana. Bons contrastes de acidez e doçura com a hortelã a darem um novo nível bastante interessante.


Menos surpreendente e a um nível mais baixo, a Tarte Tatin Fria de Pêra com Gelado de Violeta e Chocolate Branco. Textura da fatia de Tarte Tatin demasiado gelatinosa mas com um decente sabor a pêra a combinar bem com o sabor mais floral do gelado.


Não sendo um sítio fantástico não deixa de ser uma boa opção para jantar. Talvez até menos para tapas e mais para a restante ementa existente. Tem ainda a mais valia da localização fantástica para quem quiser assistir ao espectáculo da Fonte Mágica.

Mussol Arenas
Barcelona, Espanha
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 21 de Junho 2017

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Ciudad Condal (Barcelona)

Quando estava a planear as minhas férias por Barcelona pedi, na página de Facebook do blog (esta e onde todos vocês, caros leitores, deveriam colocar o vosso like), recomendações para comer na cidade! Claro que fiz, também eu, o meu trabalho de casa, pesquisando em vários sites algumas recomendações mas queria recomendações de quem já lá estivesse estado.
Obrigado a todos os que contribuíram para fazer crescer a lista de referências para Barcelona (tinha cerca de 55 e só lá iria estar 5 dias!) mas não consegui, como é lógico, experimentar tudo o que queria! Um dos locais que foi referenciado, pelo chef Hugo Bernardo do fantástico B'Entrevinhos (aqui) e mais tarde pelo meu próprio irmão, foi o Ciudad Condal. Ainda por cima era relativamente perto da zona onde se encontrava o meu hotel!
Por falar em hotel, vou fazer uma breve referência aos locais onde fiquei, só para referência de possíveis interessados em visitar Barcelona ou Madrid (onde estive 1 noite). O Hostal Medea, em Barcelona está relativamente bem localizado, com bastantes atracções a que se consegue aceder a pé, como a Sagrada Família, a Casa Milà ou a Casa Batlló, e ainda a 5 minutos das estações de Metro e Comboio de Passeig de Gràcia. É um hotel bastante minimalista e o quarto onde ficámos tinha duas pequenas janelas que davam...para lado nenhum! Não sendo fantástico, vale mais pela localização que pela qualidade do sítio em si. Foi um pouco daqueles casos onde as fotos online são melhores que a realidade que experimentámos mas também não é terrível.
Já em Madrid, onde estive apenas 1 noite para ir ao Download Festival, falhada a tentativa de voltar a ficar hospedado Hotel Praktik Metropol, acabámos por marcar o room007 Sol, muito perto do Teatro Real de Madrid, ou seja, com bons acessos e também numa zona bastante central da cidade! Aqui, a realidade do quarto já bastante mais próximo do que vimos online e ficámos bastante satisfeitos.
Bem, voltando às questões gastronómicas, estamos em Espanha amigos e aqui tenho o hábito de fazer ligeiras refeições ao almoço, consistindo maioritariamente em bocadillos (sandes) com presunto, deixando as refeições mais consistentes para o jantar.
Apesar de estarmos em Espanha, onde a arte de tapear é rainha, a verdade é que a zona da Catalunha não é uma zona cuja gastronomia tradicional seja representada com tapas. Mas, seja por motivos práticos ou turísticos, a verdade é que é mais fácil encontrar restaurantes com tapas do que restaurantes puramente catalães. 
O Ciudad Condal é um pouco isso, um restaurante mais representativo da gastronomia espanhola que se conhece no mundo do que algo catalão. A sua ementa é virada para os pequenos pratos, sejam eles em forma de tapas, montaditos ou flautas (pequenas sandes em baguete), com a maior parte das propostas clássicas e tradicionais, e juntando ainda uma pequena ementa de propostas do dia. A variedade é muita chegando a ter disponíveis quase 100 itens diferentes, dificultanto, e muito, a escolha.
Mais fácil foi escolher o que beber nesta primeira refeição em Barcelona, não podendo fugir ao vinho espumante tradicional desta região de Espanha, a cava!


Para nós, Espanha é sinónimo de 2 coisas: Pão com Tomate (em catalão, Pa Amb Tomaquet) e Presunto! E, sempre que possível, estes itens fazem parte das nossas refeições. É impressionante o quão bom é pão com tomate esfregado, azeite e sal! Ainda que o pão usado, uma baguete vulgar, pudesse estar torrado e pudesse ser de melhor qualidade, a verdade é que é o início de refeição perfeito.


Acho que já referi 1001 vezes que acho surpreendente a inexistência de mau presunto em Espanha. Seja em que zona do país for, encontramos bom presunto e a preços mais baixos do que os praticados em Portugal! Aqui não foi excepção com um óptimo Presunto Ibérico de Belota.


Incontornáveis também, para matar saudades de terras espanholas, pedir Croquetas, neste caso de Frango e Presunto. Boa fritura, excelente cremosidade dada pelo béchamel e óptimo sabor mas com o frango a ser completamente ofuscado pelo predominante sabor do presunto.


Ainda que em dose reduzida, até mesmo para uma tampa, as Gambas Al Ajillo deixaram uma boa impressão no seu molho de sabor apurado.


Apesar de bem cozinhados, e bem temperados, os Pimentos de Padrón não deixaram de desiludir um pouco pelo facto de nenhum dos espécimes deglutidos ter apresentado qualquer valor na Escala de Scoville.


Apesar da ligeira falta de sal, estava excelente este Surtido Cremoso de Cogumelos, com uma variedade bastante considerável e sendo tudo bem ligado com a cremosidade de uma gema de ovo.


Até agora o restaurante não tinha desiludido e manteve o nível nas sobremesas, com uma excelente Crema Catalana, uma sobremesa parecida com o Crème Brûlée ou o nosso Leite Creme mas com ligeiras diferenças nos seus ingredientes e método de confecção (podem ver as diferenças neste artigo). Creme bastante saboroso e uniforme com uma cobertura estaladiça perfeita.


Excelente também o Flan da Casa, tanto ao nível de textura como de sabor, sem ser excessivamente doce ou tornar-se enjoativo. Dispensei apenas o chantilly que se encontrava no prato pois não trazia nenhum valor ao prato.


Uma óptima refeição a abrir as hostilidades no país vizinho. A nível de valores, o preço das doses parecia estar em conformidade com o praticado um pouco por toda a cidade, mas de valores mais altos do que se encontram noutras cidade de Espanha, como Madrid ou Sevilha.

Ciudad Condal
Barcelona, Espanha
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 18 de Junho 2017

terça-feira, 6 de junho de 2017

O Quintal (Amadora)

O Quintal é um daqueles restaurantes que tem uma ascensão meteórica em tudo o que são redes sociais, criando ondas de hype gigantescas. A curiosidade começa a infiltrar-se, as boas reviews seguem-se (mesmo que ocasionalmente intercaladas com outras menos boas) e a vontade de ir descobrir este recanto improvável, localizado na zona da Venteira (Amadora), aumenta. O problema é nestes locais é arranjar mesa mas, com alguma boa vontade da casa, lá se arranjou uma mesa para 8 pessoas jantarem no Dia da Mãe.
O primeiro pensamento vai para a localização. Tinha a zona da Venteira como algo inóspita para as aventuras gastronómicas, exceptuando o Alqueva (um restaurante a que já não vou faz largos anos). Mas, quando olho melhor para a minha lista, vejo que num raio de 300 metros tenho mais 2 restaurantes referenciados, sendo que um deles é alvo do mesmo tipo sucesso. Tal que, para marcar mesa no Maria Azeitona, parece ser necessário mais do que uma semana de antecedência!
Aqui o conceito começa à porta. Como em qualquer casa, para entrarmos necessitamos de bater à porta. O impacto continua na primeira divisão, como se estivéssemos numa sala de estar da casa dos nossos avós, com uns cadeirões de ar antigo. Bastante engraçado e a restante área do restaurante acompanha este tipo de decoração. Apenas um pouco mais de luz, na área de jantar, seria apreciável.
Algo que achei verdadeiramente surpreendente foi o serviço. Sim, nestes locais "da moda" normalmente o serviço é feito por gente jovem e gira (e isso não é diferente aqui) mas cuja simpatia e competência pode ser questionável. Aqui, mesmo não sendo um serviço perfeito, houve um aspecto que se destacou e ofuscou as poucas falhas: a simpatia. Excelente a rapariga que nos atendeu toda a refeição, sempre com um sorriso honesto e generoso para oferecer. No final, visto ser Dia da Mãe, a oferenda de uma flor às mulheres presentes na mesa.
E o que se come n'O Quintal? Apesar do nome, este não é um restaurante vegetariano nem com uma ementa virada para os vegetais (apesar de poder ser interessante a existência em Lisboa de um restaurante com uma abordagem parecida com a de Alain Passard no L'Arpège. Por falar nisso, obrigatório o seu episódio no Chef''s Table France!). Aqui existem vários petiscos para partilhar e cerca de 1 dúzia de pratos individuais. Fomos para a opção de partilha mas vi passar algumas volumosas doses individuais que me deixaram com curiosidade! Aviso desde já, isto vai ser extenso pois pedimos muita comida. 11 petiscos e mais umas sobremesas, para ser concreto!
Enquanto tentamos escolher, o que não é fácil devido à apelativa ementa, chega um bom Couvert, com especial destaque para a Manteiga Aromatizada e para o Queijo Curado. Pena o Cesto de Pão ter apenas 4 fatias (de 2 variedades diferentes), pois acaba rapidamente e sentimos a necessidade de pedir mais.



Excelentes Ovos Mexidos com Farinheira, principalmente no seu tempero. De destacar ainda a óptima textura apresentada e o bom balanceamento entre a quantidade de ovos e de farinheira.



O Tataki de Vazia levou-me a imaginar algo bastante diferente daquilo que nos foi apresentado. Tataki é uma técnica japonesa que nos remete para uma peça de proteína (peixe ou carne) apenas selada rapidamente, ficando com o seu interior cru. O que experimentámos aqui é apenas um bife da vazia cozinhado médio. Por ser um tataki não sentimos necessidade de especificar temperatura, nem nos foi perguntada. A peça é boa, a carne estava bem temperada e era tenra mas não o chamaria um tataki.



A Morcela Assada com Mousse de Maçã apresentou uma boa textura com a sua pele crocante, bastante bem acompanhada pela mousse (talvez mais um puré mas nada de grave).



Para mim, os pratos menos conseguidos da noite foram aqueles que apresentaram molho. Na sua maioria os pratos estavam saborosos e bem temperados mas os que tinham algum tipo de molho, cuja vontade e expectativa é sempre de que se apresentem gulosos para podermos encharcar o pão neles, No Pica Pau a carne era macia mas mais parecia ter cozido no molho onde vinha, o que não abonava muito a seu sabor.



Também a piscina de Lulinhas Algarvias apresentava o mesmo problema. Molho sensaborão mas as lulas em si apresentavam uma textura bastante macia.



Pouco melhor as Gambas a la Guillo, com o molho a apresentar mais sabor, mas a precisarem de ser bastante mais puxadas no seu tempero!



Bastante melhor, e a pedir mais um cesto de pão, o Chèvre Gratinado e a sua combinação clássica com componentes adocicados como o mel e as passas.



As Chips de Batata Doce também se revelaram uma agradável surpresa, ainda que não ao nível do Pigmeu, mas apresentando-se bem fritas e estaladiças.



A surpresa da noite, numa nota bastante positiva, foi algo tão simples como Cogumelos Frescos Salteados. Em pratos mais complexos e com molho tudo se revelava desinteressante mas aqui, onde algo simples funciona, o arriscar no saltear com alecrim e tomilho foi uma aposta perfeita.



N'O Quintal não se parece arriscar muito em temperos fortes ou combinações improváveis (exceptuando os supracitados cogumelos). O Tártaro de Peixe, corvina neste caso, acabava por reflectir isso mesmo, com o uso de frutas doces já visto em muitas ementas. Mas, apesar disto, não deixa de ser um bom exemplar de um tártaro, porque combinam bem com a acidez do sumo de lima, sem ofuscar o peixe.



O Tártaro de Novilho apresentava-se como uma interpretação próxima da original, na sua versão "Finish It Yourself", mas com o uso de ingredientes menos intensos. Neste caso, a substituição da mostarda de Dijon por uma de grãos ou o uso de vodka no lugar de cognac. Excelente o corte de carne, com cubos grandes a permitirem sentir a frescura e qualidade da carne.
O único ponto menos positivo é a forma como é servido, numa tábua de ardósia. Visto ser temperado com azeite, a facilidade com que, sem intenção, se entornou líquido num dos comensais presentes na mesa é algo que deveria mesmo ser revisto. Também houve alguma dificuldade ao misturar tudo na ardósia.



As sobremesas estiveram todas a um excelente nível! Um Bolo de Chocolate com 2 texturas distintas e de excelente e guloso sabor.



A acidez perfeitamente balanceada na Mousse de Lima foi um claro vencedor para mim. Sabores óptimos, que satisfizeram plenamente o amante de sabores cítricos que há em mim, numa mousse de cremosidade incrível e com um fundo de bolacha bastante simpático.



Também o Banoffee se revelou uma excelente sobremesa, principalmente com aquele pequeno pedaço perfeitamente caramelizado que existia no topo. 



O Quintal tem o potencial para não ser só um restaurante de "moda passageira", tornando-se um bastião do bem receber e bem comer na Amadora. Mas necessitam de corrigir e trabalhar mais nalguns dos pratos para que isso aconteça. Como as doses não são grandes, os preços podem parecer inflacionados, mas se a qualidade da comida aumentar será mais do que justificável os preços praticados.

O Quintal
Amadora, Portugal
O Quintal Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 7 de Maio 2017