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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Curtas #12: Marisqueira Azul (Mercado da Ribeira - Cais do Sodré)

O Mercado da Ribeira é um exemplo ideal do que poderiam ser os food courts nos grandes Centros Comerciais. Variedade, muita gente, a maior parte das propostas com qualidade (e não o contrário) e com um ou outro recanto mais sossegado e tranquilo. Um destes recantos é a Marisqueira Azul, com direito a esplanada para o bom tempo veranil que se aproxima.
Um dos muitos petiscos marítimos que lá podemos experimentar são estas óptimas Puntillitas de fritura exemplar, apresentando-se secas e estaladiças, e de tamanho reduzido.


Fica a vontade de lá voltar para experimentar outras iguarias como os Caranguejos de Casca Mole.

Marisqueira Azul
Lisboa, Portugal
Azul Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 12 de Dezembro 2015

domingo, 2 de abril de 2017

Miss Jappa (Príncipe Real)

Este artigo, ainda que tardio e comentando itens do menu não actuais, serve para falar sobre um restaurante e um conceito mais do que sobre pratos específicos. Anna Lins, mulher de Paulo Morais e uma das maiores especialistas de comida asiática em Portugal, decidiu lançar-se no seu primeiro restaurante a solo e abriu assim o Miss Jappa, no Príncipe Real.
A expectativa era muita e a oportunidade surgiu com um convite da Zomato para um Foodie Meetup, com o objectivo de conhecer a nova carta que iria entrar em Maio de 2016. Durante todo o evento o restaurante esteve fechado apenas para o Foodie Meetup e exclusivamente dedicado aos foodies presentes, logo não se conseguiu ter uma ideia de como será num dia normal.
Antes de passar à comida em si, o Miss Jappa tem também cocktails muito interessantes, ainda que um pouco doces demais para acompanhar uma refeição com sushi, mas não deixa de ser uma vertente bastante interessante do restaurante.

Mr. Murray (Gin, Sakê, Yuzu, Lima com Manjericão e Wasabi Peas)
Tokyo Garden (Lemongrass, Lima, Gengibre, Tanqueray Gin, Coentros, Ginger Ale e Hortelã)
Anna Lins tenta dar um toque diferente a vários pratos conhecidos da maior parte das pessoas, como por exemplo no Tártaro in a Box, onde a ideia é cada um construir a sua concha de tártaro à medida. Uma ideia engraçada e que funciona relativamente bem.


Excelente o Ceviche de Mexilhão, servido na casca, com um óptimo balanço entre todos os sabores.


Algo presente em muitos dos pratos do Miss Jappa são as apresentações originais e divertidas como no Quantos Queres, uma espécie de couvert com 4 snacks diferentes, todos eles simpáticos e um óptimo entretém para um cocktail inicial, por exemplo.


De sabores subtis, o Sulmono com Ravioli de Papel de Arroz com um consommé de atum seco bastante menos intenso do que esperava.


Algo que só por si vale a viagem ao Miss Jappa é o Okonomiyaki, esta espécie de panqueca japonesa. Repleta de umami e sabores contrastantes, ainda que equilibrados, chega à mesa com umas lascas de katsuobushi dançantes, dando ainda mais vida e alma ao prato.


Para fazer a ponte Japão-Portugal, Anna Lins apresentou um Nanbanzuke com Tempura de Batata-Doce que não entusiasmou ninguém, ainda que a ideia tenha sido realmente interessante pois o nanbanzuke é uma técnica japonesa parecida com o tão português escabeche.


Mas Anna Lins não quer só que as pessoas se relacionem com a comida. Ela quer também que as pessoas se divirtam à mesa, daí ter criado a Roleta Russa de Gunkans, onde 1 dos gunkans tem uma malagueta escondida e quem o comer terá que beber o shot de sakê que se encontra no meio do prato.


A primeira versão de Chirashi a entrar no menu (entretanto já substituída por outra versão evoluída e mais apelativa) apresentava diferentes peixes curados na casa, sobre uma cama de arroz, mas faltando-lhe um maior factor "wow", que a versão mais recente já parece ter só julgando pelas imagens que já vi (aqui).


Anna Lins tentou também trazer uma maior noção da street food japonesa para o Miss Jappa, com a incorporação dos Onigirazu, uma espécie de sandes de sushi bastante interessante.


Não sendo um restaurante exclusivo de Sushi, este também é uma parte fulcral da ementa, sendo servido com uma apresentação bastante original e apresentando peças de sushi tradicional simpáticas mas não fantásticas.


Terminou-se a parte salgada da refeição com um óptimo Bao com Yakiniku, Cebola Roxa e Ito Togarashi, o que se traduz num pão japonês cozido a vapor com um fantástico novilho grelhado e molho de gengibre, alho e soja, ajudados por finíssimas lâminas de cebola roxa e tiras de ito togarashi.


Até aqui tudo esteve a um nível bom, com alguns destaques óbvios, mas a maior parte a cair no campo do bom sem ser fantástico. A única coisa que esteve mediana foi a sobremesa, uma Panna Cotta de Chá Oolong com Creme de Umeshu que não me deslumbrou.


Fiquei com alguns mix feelings quanto à comida em si (principalmente devido às altas expectativas com que ia) mas reconheço o que Anna Lins quer fazer e acredito que seja a pessoa certa para que este restaurante se torne uma das referências da gastronomia japonesa em Lisboa. Ainda que alguns destes pratos já tenham saído da ementa, o conceito de mostrar uma gastronomia japonesa mais abrangente mantém-se e é isso, aliado ao espírito divertido e descontraído, que tornam o Miss Jappa atractivo.

Miss Jappa
Lisboa, Portugal
Miss Jappa Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 23 de Maio 2016

segunda-feira, 20 de março de 2017

Jesus é Goês (Av. da Liberdade)

Por muitos confundida e "a mesma coisa", a comida indiana e a comida goesa têm bastantes diferenças. E essa é a primeira coisa que devem fixar se querem realmente experimentar o Jesus é Goês. Aqui não vão encontrar Tikkas Masalas, Naan ou algo do género. Aqui come-se comida goesa, das receitas que Jesus aprendeu ao longo da sua vida, e a que se mantém fiel. E é uma viagem fantástica, onde somos levados a bom porto por meio de pratos condimentados, picantes, uns tradicionais e outros verdadeiramente surpreendentes.
Fui com alguns colegas, sendo que um deles conhece o próprio Jesus, e deixámos ao critério dele que escolhesse o que nós íamos experimentar sem restrições ou amarras, ainda que devidamente preparados para que a comida fosse picante. Relativamente a este aspecto, achei que todos os pratos tinham um equilíbrio genial sem nunca se tornar excessivamente picante.
Para abrir as hostilidades e irmos preparando o palato, uma espécie de "snack", com umas finas fatias de Manga verde com rodelas de malagueta verde.


Excelentes os Boges (também chamados Bhaji) com Chutney de Coentros, Boa fritura, leves e saborosos por dentro com a óptima combinação entre a cebola e a farinha de grão.


Diz-se que no Jesus se comem as melhores chamuças de Lisboa... Não sei se serão as melhores mas são realmente extraordinárias, tanto as de Camarão como as de Carne.

Chamuça de Camarão
Chamuça de Carne
Os sabores de Jesus podem parecer simples mas revelam-se complexos como no Bhajipuri, onde uma simples salada de batata faz um leve bhaji brilhar.


Toda a ementa é bastante apelativa mas a primeira vez que olhei para ela pensei "O que raio está um hamburguer aqui a fazer?". Ainda por cima nas entradas? Seria o último item que teria curiosidade em experimentar... Curiosamente foi a melhor coisa que comi a noite toda. Foi o prato mais surpreendente que Jesus me serviu e a explosão de sabores na boca é um verdadeiro estalo de perfeição.


Assim acabaram as entradas e começou o banquete de pratos principais, todos eles excelentes, bem condimentados, com múltiplos níveis sensoriais que nos vão enchendo o palato mas sem cansar.
Boas texturas, excelentes ingredientes e um molho apurado no Caril de Camarão com Quiabos.


Excelente também o Aad Mass, (ou Ard Mass ou Hadd Mass ou Aad Maas... não consegui encontrar muitas referências sobre este prato cuja foto ficou tão mal que não vou sequer meter aqui) e fantástico o Xacuti de Javali, algo que costuma ser feito com Cabrito, mas que Jesus andava a experimentar com esta nova proteína.


Ok, visualmente realmente não são pratos atractivos, devido à sua tendência monocromática e aspecto quase indistinguível uns dos outros mas a verdade é que os sabores são bastante distintos e todos eles excelentes! O Sarapatel é o exemplo perfeito de um prato que nada tem de atraente mas cujo aroma e sabor deixa qualquer um KO.


Os pratos de carne são bastante "fortes" e vão atingindo a nossa boca em vagas poderosas. Já o Ambot-tic de Cação é um prato que começa mais delicado e vai crescendo.


Terminámos a refeição com uma Bebinca muito boa e que ajudou a fazer o cool down dos pratos principais.


E um dos ex libris da casa, a Chamuça de Tâmara com Gelado de Gengibre e Cardamomo, que não desiludiu e mostrou que nesta casa se comem das melhores chamuças da cidade, seja em versão salgada ou doce.


Excelente toda a refeição de princípio a fim, onde a qualidade surpreendeu e ultrapassou toda e qualquer expectativa.

Jesus é Goês
Lisboa, Portugal
Jesus é Goês Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 13 de Outubro 2016

terça-feira, 14 de março de 2017

Tartine (Chiado)

Os brunches estão na moda! Existem cada vez mais sítios a oferecer esta refeição que é uma espécie de pequeno almoço fortalecido. Uns melhores, outros piores, mas a verdade é que a procura e a oferta tem aumentado bastante nos últimos tempos. Nada como acordar "tarde" ao fim de semana, sem preocupações com o que fazer para o almoço, e irmos deleitar-nos com pão, queijo, fiambre, ovos e toda essa decadência gulosa.
À entrada do Tartine podemos logo começar a observar as variedades de pães disponíveis e que podemos comprar para levar para casa, assim como alguns bolos e doces. Tudo com excelente aspecto.
Algo que reparámos enquanto nos retiravam o pedido é o fraco nível do serviço. Funcionários de caras fechadas, pouco simpáticos e parecendo fazer tudo de má vontade.
O Brunch no Tartine inclui um bom copo de Granola com Iogurte Bio, onde podemos escolher leite ou soja. Doçura e alguma acidez numa boa e já habitual combinação.



Um prato com compotas Casa de Mateus (logo, bastante boas), manteigas de pacote, uma boa quantidade de fiambre e de queijo, ainda que não haja qualquer variedade, o que seria interessante.



Um cesto de Pão com 3 variedades (Pão Tigre, Pão de Azeitonas e Pão de Sementes), todos bastante bons e ainda uma escolha por pessoa entre Croissant, Pain Au Chocolat ou Brioche. Realmente fantástico o Croissant e o Brioche.



Para beber podemos optar entre um bom mas não fantástico Sumo de Laranja ou sumo de frutas do dia.



E ainda uma opção quente, à escolha entre todas as existentes na carta. Um razoável Cappuccino.



E um excelente Chá Lapsang Souchong com um aroma fumado bastante interessante.



Brunch que é brunch tem de ter ovos! O brunch do Tartine não os inclui mas existe a possibilidade de pedir como extra. Como gulosos que somos, pedimos os Ovos Benedict e Royal, onde a diferença está na proteína usada. Presunto no caso dos Benedict e salmão nos Royal. Os ovos estavam perfeitos, assim como o molho holandês que generosamente banhava todo o prato. Apenas o pão poderia ser utilizado de forma diferente, com uma fatia mais fina e torrado. Um conselho, pedir um prato de ovos para cada um pode ser algo excessivo...




Tirando o aspecto do serviço, que não era horrível mas não deixa de ficar na memória por maus motivos, a comida é boa. Os pães são muito bons e os ovos são excelentes! Só faltava uma maior variedade ao nível das carnes frias e queijos...

Tartine
Rua Serpa Pinto, 15A
Lisboa, Portugal
Tartine Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Foodspotting
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Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 18 de Fevereiro 2017

segunda-feira, 13 de março de 2017

LOCO (Estrela)

Desde a sua abertura que o LOCO causava em mim imensa curiosidade. As fantásticas críticas que foram surgindo, assim como o facto de ter conseguido a 1ª Estrela Michelin em menos de 1 ano, só serviram para aguçar este sentimento. Alexandre Silva não é de todo um qualquer desconhecido na cena gastronómica portuguesa, tendo sido o responsável pela cozinha do Bocca entre 2008 e 2012 (único restaurante a quem foram atribuídas 6 estrelas pela Time Out Lisboa), vencido a edição do Top Chef Portugal, tendo ainda passado pela cozinha do Hotel Alentejo Marmòris e da Bica do Sapato, até abrir o LOCO em Dezembro de 2015. Tem também um Food Corner no Mercado da Ribeira (do qual já falei aqui).


Não é fácil descrever com detalhe uma visita ao LOCO, nem este artigo tem essa intenção. A quantidade de técnicas e ingredientes utilizados é grande demais para que conseguisse decorar tudo. Não que fosse estragar a magia que se sente no local, quando vivemos tudo "in loco", porque por muito que tenha lido sobre o restaurante, a comida e o chef, nada me preparou para as fantásticas 3 horas que lá passei.


O serviço fantástico de princípio a fim, a responder a qualquer pergunta que pudéssemos colocar ou simplesmente a trocar-nos o guardanapo rapidamente quando este caía ao chão. Consegui deixar cair miseravelmente o guardanapo 2 vezes (!!) e tentei apanhá-lo embaraçado tentando que ninguém desse conta, mas toda a equipa está entrosada de tal forma que em 5 segundos já mo estavam a substituir. A interacção com a maior parte da equipa da cozinha, que vem à mesa servir os pratos e dar uma pequena explicação sobre o prato, dá-nos um maior sentimento de proximidade com aquelas pessoas e chegamos ao final da experiência com pena de os deixar e querendo rapidamente voltar para junto de quem nos trata tão bem. Fantástico também o acompanhamento de bebidas (não apenas vinhos) de 6 momentos que escolhemos para acompanhar o menu de degustação de 18 momentos.


Momentos esses que se iniciam de forma algo teatral quando somos conduzidos à mesa e pedem a cada pessoa da mesa para escolher e guardar uma chave, das que se encontram por cima da mesa. que no final desvendará o momento final da refeição.


O menu de degustação divide-se em 4 momentos distintos, bem identificados e sempre com um timing espectacular. Se alguém da equipa do LOCO ler isto que me perdoe as incorrecções que possa haver sobre alguma descrição dos pratos, e agradeço que me corrijam para que possa actualizar o post, mas não consegui (infelizmente) decorar tudo e não queria estar constantemente a tirar notas, preferindo desfrutar a 100% da refeição (ok, parei só para as obrigatórias fotos). Logo à partida começamos a notar uma tendência que seguiu toda a refeição e que projecta o menu para um orgulho português gigante. Existiram sempre elementos característicos portugueses e que o nosso palato recebe com prazer e surpresa.

Pastel de Bacalhau
Surpreendente foi um dos adjectivos que não deixou a nossa mente durante toda a refeição.

Tosta de Ovas de Pregado, Funcho, Escamas de Robalo
Nem todos os pratos tinham elementos surpreendentes mas a verdade é que a forma como são trabalhados ou a sua conjugação fez sentido em todos os momentos.

Bróculos, Natas Cozinhadas e Trevos
Alexandre Silva é um claro conhecedor e apreciador dos produtos marítimos portugueses, dando-nos aqui a conhecer uma nova espécie de bivalve que nunca tinha experimentado, a castanhola.

Castanhola com Malagueta Verde
Mas a alta cozinha de Alexandre Silva é, acima de tudo, divertida, ao nos proporcionar experimentar pratos que conhecemos tão bem, mas com uma "lavagem visual".

Pão com Chouriço
Ou ao dar-nos conjugações que nunca nos tinham passado pela cabeça, mas que encantam à primeira colherada.

Mexilhão das Berlengas e Alho Francês
Impressionante a forma como se conjuga diversão e perfeição, ao trabalhar o suficiente um ingrediente até nos dar uma interpretação que o nosso palato vai reconhecer. Mas estamos numa cozinha de Alexandre Silva, logo até vamos preferir a sua interpretação.

Croquete de Piano com Ketchup de Ruibarbo
O 2º momento do menu é dedicado a um único ingrediente, o pão! Alguma ousadia ao introduzir o pão, que normalmente associamos ao couvert, após os snacks.


Acho que não há nada neste momento que não seja um desafio às pré-concepções sobre a alta cozinha, desde a comida à própria bebida!


E sempre, sempre, com um nível altíssimo em tudo o que chega à mesa.

Alho, Salsa e Pó de Cebola, Ovelha de Azeitão, Algas, Pimento Assado
A ousadia não acaba na altura em que o momento é servido ou na bebida que o acompanha, mas também num dos seus componentes. Porque comer num Estrela Michelin não implica ter que abdicar de costumes tão perfeitamente portugueses (e tão maravilhosos!) como molhar o pão no molho.


Ao entrar no 3º momento, o dos pratos mais substanciais, começamos a querer quebrar as etiquetas e a vontade passa por sorver, limpar ou outros (acho que se me deixassem haveria alturas que quereria lamber o prato!) tudo o que nos é apresentado.

Cogumelos, Puré de Aipo, Caldo de Mão de Vaca, Raspas de Mão de Buda
Mais uma excelente representação sobre ingredientes trabalhados para nos despertar reconhecimento sensorial no palato. Aqui, com o aconchego de usar proteínas tão sobejamente portuguesas e muitas vezes menosprezadas.

Cavala, Maionese de Oléo de Girassol, Molho de Beterraba Fumada, Rábano
Apesar do respeito pelos produtos que Alexandre Silva demonstra, por vezes existem pequenas provocações, ou não decidisse ele criar um "surf and turf" de carapau e pato. Maravilhoso!

Carapau com Jus de Pato
Ok, nem tudo foi perfeito. Mas o que não foi perfeito foi "apenas" muito bom. Quantos de nós já comeram o "Peixe do dia" em vários restaurantes? Pois é, no LOCO também isso nos traz memórias...

Peixe do dia (Robalo) ao Vapor em Folha de Bananeira
Mesmo quando foge um pouco às influências portuguesas, não falta aprumo e consistência nos sabores e apresentação dos pratos.

Pato Fumado, Kale Salteada, Comporta de Marmelo, Chip de Batata e Alho
A conversa que os pratos originam entre dois cúmplices e amantes de boa comida também faz parte da experiência. A admiração ao provar os componentes, ao comentar o quão improvável seria juntar isto com aquilo, ou trabalhar de certa forma este ou aquele ingrediente. Até que chegámos ao jogo da noite e mais um ponto bastante divertido.
"Adivinhem o que é!" Foi este o desafio que a equipa do LOCO nos propôs para este prato (e que falhámos redondamente), mas que adorámos depois perceber o que tínhamos acabado de comer. Até o facto da composição do prato ser conhecida depois faz sentido aqui, pois quantas pessoas estariam relutantes a experimentar Língua de Vaca? Tivessem dito antes que estaríamos a comer isto e poderia haver relutância quanto aos sabores presentes... mas depois de já ter decidido que gostava do prato, o impacto que tem saber o que estou a comer é muito maior! Este tipo de jogos são fantásticos e fulcrais para se conseguir mudar mentalidades (principalmente junto a gerações mais jovens) quanto a este tipo de ingredientes.

Língua de Vaca, Puré de Salsa, Puré de Cebola, Pickle de Sementes de Mostarda num Molho com Moscatel
Na passagem para os momentos doces, começamos com algo intermédio para que a mudança não fosse brusca e ainda houvesse um ligeiro toque salgado.

Alga Nori, Gel de Citrinos
Carlos Fernandes, o Chef de Pastelaria do LOCO, faz um trabalho fantástico ao não ter medo de arriscar em sabores fortes nas sobremesas.

Bacon, Especiarias, Merengue de Pimenta Rosa
Para acompanhar os doces não foi fácil a equipa escolher um vinho que suportasse, ao longo de todo o momento, a criatividade fora da caixa de Carlos Fernandes mas acertaram em cheio com este Erro Dosse.


A ligeira doçura cítrica do vinho ligou na perfeição com uma sobremesa que usa mais de 6 citrinos do Lugar do Olhar Feliz.

Citrinos (Gelado de Tangerina, Crumble de Alecrim, Citrinos)
No LOCO, a refeição não acaba com o café. Aliás, apesar do menu referir 4 momentos do menu de degustação, até o café e seus petit fours são momentos divertidos. Acho que nunca tinha chegado ao momento de tomar café com um sorriso tão grande na cara. Aqui não há expressos e o café é preparado junto à mesa.


Diversidade, perfeição e tamanhos adequados em todos os pequenos doces que devorámos para finalizar esta refeição.

Queijada de Leite, Churro com Canela e Doce de Limão, Bolacha de Especiarias Marroquinas, Trufa 55%, Cookie 90%
Bola de Berlim com Gelado de Doce de Ovo
Mas, faltava uma última surpresa, anunciada no início da refeição! Não vos vou revelar o que foi, mas a verdade é que a chave abriu uma caixa onde estava a folha do serviço e algo que apenas a pessoa que abriu a caixa deveria experimentar. Com muita infelicidade minha, não fui eu o sortudo, mas o ar divertido e de felicidade da outra pessoa foi o suficiente para perceber que também para ela tinha sido um momento final único.


Poderia ter dito muito mais sobre o LOCO. Mas não é fácil escrever um texto sobre um menu tão extenso e tão bom, preferindo focar-me nas ideias com que fiquei em vez de focar nos sabores que senti. Tal como o LOCO, decidi ter uma abordagem diferente. Poderá haver pessoas a quem o texto não agrade, mas o que aqui quero transmitir é que têm mesmo que visitar o LOCO! Ainda agora saí de lá e já tenho saudades...

LOCO
Lisboa, Portugal
Loco Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 100 €
Data da Visita: 24 de Fevereiro 2017