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domingo, 23 de julho de 2017

Mussol Arenas (Barcelona)

Uma das primeiras pessoas a colocar a Catalunha no mapa da gastronomia mundial foi Ferran Adrià. O chef do El Bulli, que encerrou em 2011 e foi durante muitos anos considerado o melhor do mundo para a revista Restaurant, revolucionou mentalidades e introduziu na cabeça de muitos o conceito de gastronomia molecular! Ferran tem um brilhante irmão de nome Albert, que também o acompanhou no El Bulli, e que é neste momento o chef executivo de vários restaurantes do grupo El Barri Adrià (onde se inclui os estrelados Tickets, Hoja Santa ou Pakta, entre outros). Neste momento, Albert Adrià parece estar para Barcelona como José Avillez está para Lisboa, ou não tivesse o português bebido muitas influências dos irmãos Adrià aquando a sua passagem pelo El Bulli em 2006. Ambos detêm vários restaurantes na cidade onde trabalham e todos os seus restaurantes estão confinados numa única zona geográfica dentro da cidade. Se Avillez é o rei do Chiado, Albert Adrià tem todos os seus restaurantes perto da Plaça de Espanya (não sei exactamente o nome da zona). Claro que tentei marcar para o Tickets, mas a sua logística de abrir as reservas para o dia X exactamente 2 meses antes não ajudou e não consegui mesa. Por algum descuido, mas também para não ter restrições a nível de organização dos dias (só o Tickets me iria fazer ter essa condicionante), acabei por não marcar para qualquer outro do grupo Adrià, tentando a minha sorte na Bodega 1900. Como já devem calcular, pelo título do post, foi uma tentativa infrutífera, tendo acabado por ir jantar ao supracitado Mussol Arenas, que me tinha sido recomendado por alguém que vive na cidade. Então porquê todo este texto sobre a família Adrià? Porque são um marco na gastronomia catalã e, como tal, merecem ser referenciados sempre que possível.
Apesar do restaurante se encontrar num Centro Comercial, construído numa antiga Praça de Touros, o nível onde se encontra faz com que não se sinta qualquer ambiente de food court comercial. No topo do edifício, quase como se de um terraço se tratasse, encontram-se vários restaurantes com espaço própria, tendo alguns uma excelente e privilegiada vista para o Monte Montjuïc e a sua Fonte Mágica.
O Mussol Arenas apresenta uma ementa bastante variada e interessante, não sendo totalmente virada para tapas e apresentando alguns pratos de carne bastante apetitosos, mas o nosso apetite era o de tapear algo para depois podermos observar o espectáculo da Fonte Mágica através do parapeito do próprio "terraço". E, para começar a picar algo, umas boas Azeitonas, de 4 ou 5 variedades diferentes, e bem temperadas.


Excelentes os Cogumelos Recheados com Queijo de Cabra e Escalivada, uma espécie de ratatouille catalão, onde os vegetais (maioritariamente pimentos e beringela) são grelhados. A combinação é um sucesso com o forte sabor dos cogumelos a ser ajudado pelo fumado da escalivada e o queijo de cabra a dar aquele toque salgado essencial. Para um pouco de frescura, um ligeiro apontamento de manjericão.


Não podia faltar o Pão com Tomate, também executado com o catalão Pão de Coca, mas aqui algo a chegar-se ao queimado. De resto, a simplicidade do costume e os sabores excelentes como em qualquer outro lado.


Os Ovos Rotos com Presunto Ibérico de Bolota estavam muito bons, principalmente pela sempre suprema qualidade do presunto apresentado, mas as batatas fritas poderiam ser bem melhores.


As Batatas Bravas tinham algumas falhas. Não me importo que se sirvam as batatas em gomos, e até podem ser grandes mas então as batatas terão que cozinhar mais tempo senão ficam ainda encruadas por dentro (como era o caso). Pena também o seu nível de picante ser bastante baixo, parecendo mais umas batatas mansas que bravas.


Há aqui uma variedade de pratos pedidos que são recorrentes entre vários restaurantes porque são algumas das nossas coisas favoritas em Espanha e que não são fáceis de encontrar bem feitos em Portugal. Os Croquetes de Presunto Ibérico de Bolota do Mussol foram, infelizmente, os menos bons que já comi. Fritura algo desastrada, a chegarem à mesa com excesso de óleo e com alguns exemplares a abrirem já. O recheio é sempre bom e consistente, ainda que já tenha experimentado melhor.


As sobremesas também estiveram a um nível bastante aceitável com principal destaque para o Carpaccio de Ananás com Mousse de Crema Catalana. Bons contrastes de acidez e doçura com a hortelã a darem um novo nível bastante interessante.


Menos surpreendente e a um nível mais baixo, a Tarte Tatin Fria de Pêra com Gelado de Violeta e Chocolate Branco. Textura da fatia de Tarte Tatin demasiado gelatinosa mas com um decente sabor a pêra a combinar bem com o sabor mais floral do gelado.


Não sendo um sítio fantástico não deixa de ser uma boa opção para jantar. Talvez até menos para tapas e mais para a restante ementa existente. Tem ainda a mais valia da localização fantástica para quem quiser assistir ao espectáculo da Fonte Mágica.

Mussol Arenas
Barcelona, Espanha
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 21 de Junho 2017

terça-feira, 6 de junho de 2017

O Quintal (Amadora)

O Quintal é um daqueles restaurantes que tem uma ascensão meteórica em tudo o que são redes sociais, criando ondas de hype gigantescas. A curiosidade começa a infiltrar-se, as boas reviews seguem-se (mesmo que ocasionalmente intercaladas com outras menos boas) e a vontade de ir descobrir este recanto improvável, localizado na zona da Venteira (Amadora), aumenta. O problema é nestes locais é arranjar mesa mas, com alguma boa vontade da casa, lá se arranjou uma mesa para 8 pessoas jantarem no Dia da Mãe.
O primeiro pensamento vai para a localização. Tinha a zona da Venteira como algo inóspita para as aventuras gastronómicas, exceptuando o Alqueva (um restaurante a que já não vou faz largos anos). Mas, quando olho melhor para a minha lista, vejo que num raio de 300 metros tenho mais 2 restaurantes referenciados, sendo que um deles é alvo do mesmo tipo sucesso. Tal que, para marcar mesa no Maria Azeitona, parece ser necessário mais do que uma semana de antecedência!
Aqui o conceito começa à porta. Como em qualquer casa, para entrarmos necessitamos de bater à porta. O impacto continua na primeira divisão, como se estivéssemos numa sala de estar da casa dos nossos avós, com uns cadeirões de ar antigo. Bastante engraçado e a restante área do restaurante acompanha este tipo de decoração. Apenas um pouco mais de luz, na área de jantar, seria apreciável.
Algo que achei verdadeiramente surpreendente foi o serviço. Sim, nestes locais "da moda" normalmente o serviço é feito por gente jovem e gira (e isso não é diferente aqui) mas cuja simpatia e competência pode ser questionável. Aqui, mesmo não sendo um serviço perfeito, houve um aspecto que se destacou e ofuscou as poucas falhas: a simpatia. Excelente a rapariga que nos atendeu toda a refeição, sempre com um sorriso honesto e generoso para oferecer. No final, visto ser Dia da Mãe, a oferenda de uma flor às mulheres presentes na mesa.
E o que se come n'O Quintal? Apesar do nome, este não é um restaurante vegetariano nem com uma ementa virada para os vegetais (apesar de poder ser interessante a existência em Lisboa de um restaurante com uma abordagem parecida com a de Alain Passard no L'Arpège. Por falar nisso, obrigatório o seu episódio no Chef''s Table France!). Aqui existem vários petiscos para partilhar e cerca de 1 dúzia de pratos individuais. Fomos para a opção de partilha mas vi passar algumas volumosas doses individuais que me deixaram com curiosidade! Aviso desde já, isto vai ser extenso pois pedimos muita comida. 11 petiscos e mais umas sobremesas, para ser concreto!
Enquanto tentamos escolher, o que não é fácil devido à apelativa ementa, chega um bom Couvert, com especial destaque para a Manteiga Aromatizada e para o Queijo Curado. Pena o Cesto de Pão ter apenas 4 fatias (de 2 variedades diferentes), pois acaba rapidamente e sentimos a necessidade de pedir mais.



Excelentes Ovos Mexidos com Farinheira, principalmente no seu tempero. De destacar ainda a óptima textura apresentada e o bom balanceamento entre a quantidade de ovos e de farinheira.



O Tataki de Vazia levou-me a imaginar algo bastante diferente daquilo que nos foi apresentado. Tataki é uma técnica japonesa que nos remete para uma peça de proteína (peixe ou carne) apenas selada rapidamente, ficando com o seu interior cru. O que experimentámos aqui é apenas um bife da vazia cozinhado médio. Por ser um tataki não sentimos necessidade de especificar temperatura, nem nos foi perguntada. A peça é boa, a carne estava bem temperada e era tenra mas não o chamaria um tataki.



A Morcela Assada com Mousse de Maçã apresentou uma boa textura com a sua pele crocante, bastante bem acompanhada pela mousse (talvez mais um puré mas nada de grave).



Para mim, os pratos menos conseguidos da noite foram aqueles que apresentaram molho. Na sua maioria os pratos estavam saborosos e bem temperados mas os que tinham algum tipo de molho, cuja vontade e expectativa é sempre de que se apresentem gulosos para podermos encharcar o pão neles, No Pica Pau a carne era macia mas mais parecia ter cozido no molho onde vinha, o que não abonava muito a seu sabor.



Também a piscina de Lulinhas Algarvias apresentava o mesmo problema. Molho sensaborão mas as lulas em si apresentavam uma textura bastante macia.



Pouco melhor as Gambas a la Guillo, com o molho a apresentar mais sabor, mas a precisarem de ser bastante mais puxadas no seu tempero!



Bastante melhor, e a pedir mais um cesto de pão, o Chèvre Gratinado e a sua combinação clássica com componentes adocicados como o mel e as passas.



As Chips de Batata Doce também se revelaram uma agradável surpresa, ainda que não ao nível do Pigmeu, mas apresentando-se bem fritas e estaladiças.



A surpresa da noite, numa nota bastante positiva, foi algo tão simples como Cogumelos Frescos Salteados. Em pratos mais complexos e com molho tudo se revelava desinteressante mas aqui, onde algo simples funciona, o arriscar no saltear com alecrim e tomilho foi uma aposta perfeita.



N'O Quintal não se parece arriscar muito em temperos fortes ou combinações improváveis (exceptuando os supracitados cogumelos). O Tártaro de Peixe, corvina neste caso, acabava por reflectir isso mesmo, com o uso de frutas doces já visto em muitas ementas. Mas, apesar disto, não deixa de ser um bom exemplar de um tártaro, porque combinam bem com a acidez do sumo de lima, sem ofuscar o peixe.



O Tártaro de Novilho apresentava-se como uma interpretação próxima da original, na sua versão "Finish It Yourself", mas com o uso de ingredientes menos intensos. Neste caso, a substituição da mostarda de Dijon por uma de grãos ou o uso de vodka no lugar de cognac. Excelente o corte de carne, com cubos grandes a permitirem sentir a frescura e qualidade da carne.
O único ponto menos positivo é a forma como é servido, numa tábua de ardósia. Visto ser temperado com azeite, a facilidade com que, sem intenção, se entornou líquido num dos comensais presentes na mesa é algo que deveria mesmo ser revisto. Também houve alguma dificuldade ao misturar tudo na ardósia.



As sobremesas estiveram todas a um excelente nível! Um Bolo de Chocolate com 2 texturas distintas e de excelente e guloso sabor.



A acidez perfeitamente balanceada na Mousse de Lima foi um claro vencedor para mim. Sabores óptimos, que satisfizeram plenamente o amante de sabores cítricos que há em mim, numa mousse de cremosidade incrível e com um fundo de bolacha bastante simpático.



Também o Banoffee se revelou uma excelente sobremesa, principalmente com aquele pequeno pedaço perfeitamente caramelizado que existia no topo. 



O Quintal tem o potencial para não ser só um restaurante de "moda passageira", tornando-se um bastião do bem receber e bem comer na Amadora. Mas necessitam de corrigir e trabalhar mais nalguns dos pratos para que isso aconteça. Como as doses não são grandes, os preços podem parecer inflacionados, mas se a qualidade da comida aumentar será mais do que justificável os preços praticados.

O Quintal
Amadora, Portugal
O Quintal Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 7 de Maio 2017

domingo, 14 de maio de 2017

São Pedro 26 (Sintra)

Quando fui trabalhar para a zona da Beloura andei à procura de bons locais onde almoçar, tendo acabado por me deparar com este São Pedro 26. Uma ementa de referências internacionais extremamente cativante fazia as delícias dos meus olhos mas a visita tardava em acontecer.
O sítio não é fácil para estacionar, só está aberto para jantares às sextas e sábado, os preços não são baixos para um almoço semanal, ainda que se considerarmos a carta de forma independente da hora da refeição, todos os preços se tornam muito mais atractivos! Mas acho piada a ver numa só ementa Ovos Benedict, Polvo Confitado, Tonkatsu e outros... Parece uma cozinha de influências internacionais sem identidade definida, mas até que ponto isto pode afectar a qualidade do que servem?
Aparentemente nada visto que comi uns excelentes Ovos Benedict! Cozinhados na perfeição, acompanhados com um óptimo e bem balanceado molho holandês, umas boas fatias de salmão fumado e bons grelos cozidos. Pode parecer um prato de pequeno-almoço mas encheu-me perfeitamente as medidas para um almoço semanal.



Muito bons também os Filetes com Arroz de Coentros. Bem fritos e bastante húmidos no seu interior acompanhados por um solto e saboroso arroz e uma bem temperada salada.



Um sítio excelente para almoçar devido à variedade e excelente qualidade que apresentam. A juntar a isso os pratos apresentam um preço bastante justo se pensarmos que estamos a comer à carta, acabando um almoço por ficar a menos de 15€.

São Pedro 26
Sintra, Portugal
São Pedro 26 Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 8 de Março 2016

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Varanda do Vale Formoso (Marvila)

Proclamo a época dos caracóis aberta!! Ok, já a proclamei há cerca de 3 semanas mas só agora tinha espaço na "agenda" para lançar este artigo. Depois de uma tarde de passeio no Parque das Nações, o objectivo era jantar nalgum local perto, eventualmente mais virado para o petisco. E isto parece ser um problema nesta zona, onde predominam hamburguerias, restaurantes de sushi e rodízios brasileiros. Procurávamos algo simples, algo português, algo bom e fomos encontrá-lo em Marvila, numa rua estratégica com 3 restaurantes interessantes no espaço de 100 metros.
Entre o Júlio dos Caracóis, a rebentar pelas costuras com gente e ainda com muita gente cá fora à espera, o Germano, com o pouco espaço também cheio, e o Varanda do Vale Formoso, um restaurante de 2 pisos com bastante gente sentada mas que não tinha ninguém à espera e cuja ementa despertou bastante curiosidade. A ementa é realmente apelativa mas é também extensa demais... Tanto que acabamos por perder um pouco o foco no meio de tanto prato! Pensam que estou a brincar?
A "Ementa do Dia" tinha 2 Sopas, 21 Pratos de Peixe, 15 Pratos de Carne.
As "Sugestões de Abril" eram 5 Pratos de Peixe e 5 Pratos de Carne.
As "Especialidades da Varanda" contavam com 4 Pratos de Bacalhau, 7 Pratos de Peixe e Marisco, 7 Pratos de Carne e 8 Bifes.
A ementa termina com "apenas" 40 Petiscos. Mesmo que considere que possa haver algumas repetições, não deixam de ser pratos a mais, acabando por dificultar mais a tarefa do que facilitar. Para não falar que podem sempre ser levantadas questões de espaço de armazenamento para tanta matéria-prima fresca e afins... Mas isso já são questões por onde não quero entrar, principalmente porque não tenho nada a apontar nesse aspecto.
Iniciámos a refeição com uns belíssimos Caracóis, de tempero acertado, bom tamanho e molho guloso. Pena que alguns dos nossos exemplares não estivessem bem limpos.



Chegou também um bom Pão Torrado e umas óptimas Manteigas e Azeitonas, numa espécie de couvert tardio.




Excelentes Amêijoas à Bulhão Pato com um molho muito saboroso! Excelentes bivalves, tanto no tamanho como no sabor, a servirem de concha perfeita para o apurado molho.



O único problema durante todo o jantar, e que foi prontamente resolvido pelo serviço, foi o Bacalhau Lascado em Cama de Grelos com Puré de Batata Doce. Um prato que apelou pela sua descrição, e que visualmente está um nível acima daquilo que esperava do restaurante, mas que desiludiu completamente quando chegou à mesa, pelo uso de canela no puré que abafava todo e qualquer dos restantes sabores. Quando provado individualmente, tanto o bacalhau como os grelos estavam bons, mas o facto do puré ser a camada intermédia e a mais "maleável", no que ao seu volume diz respeito, fez com que o sabor a canela invadisse todo o prato. Felizmente o serviço prontificou-se imediatamente a substituir o prato, dado o desagrado demonstrado. Aproveito para referir que todo o serviço aqui foi bastante competente e prestável.



Ainda na vertente petisco, um bom Choco Frito, não o mais macio que já experimentei mas ainda assim sem oferecer grande resistência aos dentes e dono de uma boa fritura.



Algo que me chamou à atenção no menu foi o Bitoque que, à semelhança do Bacalhau à Brás, aparece destacado numa secção como Vencedor do Melhor Bitoque de Lisboa em 2015, num concurso organizado pela Coca-Cola, votado pelo chef Alexandre Silva, do LOCO. Se o próprio Alexandre Silva dedica todo um momento à arte de molhar o pão no molho de bife (aqui), quem melhor do que ele para votar no melhor bitoque de Lisboa? Isto foi suficiente para me fazer pedir o bitoque! Excelente carne, ainda que pedida mal passada e apresentada média, bom ovo estrelado e um molho que pedia para ser limpo com pão! Os acompanhamentos é que não estavam ao mesmo nível com umas batatas fritas que poderiam sê-lo mais, um arroz branco sem grande encanto e um pouco de cenoura ralada...
Também o Bacalhau à Brás foi premiado como o melhor de Lisboa em 2016, no mesmo concurso, com o voto do chef Tiago Bonito (ex-Lisboeta e actualmente no estrelado Largo do Paço).



Foi a entrar nas sobremesas que a gula se sobrepôs ao bom senso, com 4 pessoas a pedirem 4 sobremesas. Bem, não foi só gula, foi também desconhecimento pois não tínhamos noção que todas as sobremesas fossem servidas em dose XL. É bastante possível que o nome das sobremesas esteja errado, pois não vi a ementa propriamente dita, apenas nos foi passada a informação por via oral.
Excelente o Queijo de Amêndoa Algarvio, com um recheio húmido e bem coberto por uma massapão excelente e sem estar excessivamente doce, o que é bastante comum acontecer.



Encharcada excelente, bastante húmida e óptima caramelização superior! Uma das características que mais apreciei, de forma transversal a todas as sobremesas, foi o excelente balanço dos ingredientes. Nenhuma das sobremesas era excessivamente doce!



Outro prato que surpreendeu e superou expectativas foi a Delícia de Chocolate, um guloso e pecaminoso bolo de chocolate negro que acompanha com um gelado de morango e está assente numa poça de doce de frutos vermelhos. Excelentes todos os componentes, principalmente aquele bolo!



Fantástico também uma Tarte de Fios de Ovos, com um exterior competentemente estaladiço e uns óptimos fios de ovos a fazerem de recheio.



Dada a vasta ementa, não cheguei a perceber bem em que segmento se encaixaria este restaurante. É uma Cervejaria? É uma Marisqueira? É uma Petisqueira? Comida Tradicional Portuguesa? Grelhados?
Tirando o bacalhau, tudo o resto estava a um nível muito bom, e o serviço deu rapidamente conta desse pequeno percalço, tornando este restaurante mais uma excelente referência numa zona que tem vindo a crescer e a tornar-se bastante interessante!

Varanda Vale Formoso
Marvila, Portugal
Varanda Vale Formoso Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 8 de Abril 2017

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Rubro (Mercado da Vila - Cascais)

O nome Rubro é muitas vezes associado a boa gastronomia espanhola. Os seus dois restaurantes iniciais (no Campo Pequeno e perto da Avenida da Liberdade) estão mais do que estabelecidos em Lisboa e desde cedo me despertaram a curiosidade, tanto pelas tapas como pela carne da raça Rubia Gallega. E eis que em Abril de 2016 abriu o Rubro Cascais, e decidi que seria desta que finalmente iria conhecer um restaurante deste grupo. Como é natural, as expectativas estavam altas mas, verdade seja dita, a experiência não foi das melhores ainda que tenhamos pedido vários pratos "recomendados" (encontram-se com um U na ementa).
A ementa é realmente muito apelativa com várias tapas interessantes e apelativas propostas de carne mas os apetites dessa noite estavam unicamente virados para a arte de tapear e iniciámos a refeição com uns Cogumelos Grelhados que de grelha viram muito pouco tempo. Não é que não goste de cogumelos crus, pois até aprecio bastante, mas faltava-lhes aquele toque característico da grelha e também um pouco de sal.



Os Ovos Rotos com Presunto revelaram-se uma desilusão completa, principalmente pelas moles batatas "fritas". que não conseguiram ser ajudadas e tiradas do "lodo" pelo presunto, visto que a qualidade (e quantidade) deste estava longe de ser memorável.



O Queijo Provolone na Chapa apresentou uma qualidade simpática, temperado com colorau e por cima de umas incompreensíveis rodelas de tomate. É queijo na chapa, um prato de gula e devassidão... o tomate parece fora de contexto ali.



As Puntillitas, prato que peço quase sempre em restaurantes espanhóis, foram o melhor que se comeu esta noite, ainda que estivessem longe das melhores que já experimentei. Boa e correcta fritura mas falhou o tempero.



Apesar dos pratos não terem correspondido ao que esperávamos, decidimos ainda assim arriscar no Cheesecake de Maracujá para sobremesa. Infeliz a hora em que o fizemos pois foi dos piores cheesecakes que comi nos últimos tempos. A bolacha bastante mole, o creme com um sabor unidimensional e desinteressante e um desequilibrado topping de maracujá que mesmo sendo o melhor no prato não chegou para o salvar.



Já falei várias vezes sobre o quão perigosas são as expectativas e aqui saíram bastante defraudadas. Pode ter sido um dia mau, e acredito verdadeiramente nisso, daí não excluir os Rubro totalmente da minha lista, mas se lá voltar será para experimentar a carne,

Rubro Cascais
Cascais, Portugal
Rubro Cascais Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 7 de Maio 2016

terça-feira, 14 de março de 2017

Tartine (Chiado)

Os brunches estão na moda! Existem cada vez mais sítios a oferecer esta refeição que é uma espécie de pequeno almoço fortalecido. Uns melhores, outros piores, mas a verdade é que a procura e a oferta tem aumentado bastante nos últimos tempos. Nada como acordar "tarde" ao fim de semana, sem preocupações com o que fazer para o almoço, e irmos deleitar-nos com pão, queijo, fiambre, ovos e toda essa decadência gulosa.
À entrada do Tartine podemos logo começar a observar as variedades de pães disponíveis e que podemos comprar para levar para casa, assim como alguns bolos e doces. Tudo com excelente aspecto.
Algo que reparámos enquanto nos retiravam o pedido é o fraco nível do serviço. Funcionários de caras fechadas, pouco simpáticos e parecendo fazer tudo de má vontade.
O Brunch no Tartine inclui um bom copo de Granola com Iogurte Bio, onde podemos escolher leite ou soja. Doçura e alguma acidez numa boa e já habitual combinação.



Um prato com compotas Casa de Mateus (logo, bastante boas), manteigas de pacote, uma boa quantidade de fiambre e de queijo, ainda que não haja qualquer variedade, o que seria interessante.



Um cesto de Pão com 3 variedades (Pão Tigre, Pão de Azeitonas e Pão de Sementes), todos bastante bons e ainda uma escolha por pessoa entre Croissant, Pain Au Chocolat ou Brioche. Realmente fantástico o Croissant e o Brioche.



Para beber podemos optar entre um bom mas não fantástico Sumo de Laranja ou sumo de frutas do dia.



E ainda uma opção quente, à escolha entre todas as existentes na carta. Um razoável Cappuccino.



E um excelente Chá Lapsang Souchong com um aroma fumado bastante interessante.



Brunch que é brunch tem de ter ovos! O brunch do Tartine não os inclui mas existe a possibilidade de pedir como extra. Como gulosos que somos, pedimos os Ovos Benedict e Royal, onde a diferença está na proteína usada. Presunto no caso dos Benedict e salmão nos Royal. Os ovos estavam perfeitos, assim como o molho holandês que generosamente banhava todo o prato. Apenas o pão poderia ser utilizado de forma diferente, com uma fatia mais fina e torrado. Um conselho, pedir um prato de ovos para cada um pode ser algo excessivo...




Tirando o aspecto do serviço, que não era horrível mas não deixa de ficar na memória por maus motivos, a comida é boa. Os pães são muito bons e os ovos são excelentes! Só faltava uma maior variedade ao nível das carnes frias e queijos...

Tartine
Rua Serpa Pinto, 15A
Lisboa, Portugal
Tartine Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 18 de Fevereiro 2017