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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Akla (Marquês de Pombal)

Graças a um convite da Zomato, tive a oportunidade de ir conhecer o restaurante Akla, localizado no hotel InterContinental Lisbon. Já tinha ouvido falar deste espaço noutros blogs, e tinha ficado com o mesmo referenciado mas, como em muitos outros restaurantes, a oportunidade de o conhecer ainda não tinha surgido. E para os muitos que possam estar a ler este texto com a ideia de que os restaurantes de hotel são todos um tourist trap gigante, este é um daqueles capaz de vos fazer mudar de ideias. Sim, a verdade é que ainda existe muito esta ideia em Portugal, principalmente em Lisboa, mas está na altura de mudar esta mentalidade, pois cada vez são mais comuns os bons restaurantes que encontramos localizados em hóteis lisboetas.
Em meados de 2016, o InterContinental Lisbon chamou Eddy Melo, chef açoriano que passou grande parte da sua vida no Canadá, para liderar a cozinha do seu novo restaurante Akla (ou أَكْلة em árabe, traduzindo-se para "refeição" ou "comida"). Isto traduziu-se numa cozinha bastante internacional, com influências de todo o mundo, mas com algum foco em fazer chegar à mesa bons produtos portugueses (e não só), seja nas ostras da Ria Formosa, o atum de São Miguel ou no tomate do Ribatejo.
Uma das vantagens de jantar num hotel em Lisboa, é a forte probabilidade de o restaurante não estar cheio e conseguirmos ter um serviço mais atencioso e presente. No dia da visita, uma sala a meio gás, onde nós éramos os únicos portugueses, o serviço esteve realmente bastante presente (talvez até um pouco demais) mas sempre prestável, simpático e preocupado com o decorrer da refeição. O único aspecto que não gostei muito na sala foi a distância entre o assento circular (aparentemente fixo) onde estava sentado e a mesa, fazendo com que tivesse de me chegar muito à frente para conseguir comer. Claro que isto pode ser derivado da minha baixa estatura mas ainda assim parece-me um local mais confortável para beber algo e pôr a conversa em dia do que fazer uma refeição.
Bebidas essas que estiveram presentes na refeição em forma de cocktails. Por feliz acaso, esta visita decorreu durante a Lisbon Cocktail Week, e conseguimos provar dois dos cocktails preparados especialmente para o evento.

Mish Mash (Fever Tree Ginger Beer, Lima, Limão, Laranja, Manjericão, Xarope de Açúcar, Sumo de Maçã)
Le Bataclan (Jinzu Gin, Licor de Ervas, Colis de Frutos Vermelhos, Sumo de Limão, Xarope de Açúcar, Clara de Ovo, Champanhe)
A refeição iniciou-se com um Couvert excelente, composto por 4 óptimos pães (que me pareceram: Pão de Cebola, Pão Tigre, Focaccia de Azeitona e um Pão mais escuro que não consegui identificar do que era) e um excelente azeite Herdade do Esporão. Os pães foram realmente um início de refeição auspicioso, pela sua qualidade e diversidade, tornando-se de tal forma viciante que penso que seríamos capazes de fazer uma refeição inteira só disto. Como se não bastasse o quão bom eram, ainda nos substituíram o cesto com uma nova fornada ainda antes de chegarem as entradas.


O couvert neste dia incluía um amuse bouche bastante agradável, com uma Salada de Quinoa com Salmão Fumado. Bastante simples e equilibrado.


Nas entradas, e com muitas e apelativas opções por experimentar, optámos por seguir o nosso instinto pedindo um excelente Tártaro de Vazia, Ovos de Codorniz, Cebola Caramelizada e Maionese de Anchovas do Atlântico. Tudo ligava bastante bem, e a apresentação era irrepreensível, mas aquela maionese fazia toda a diferença no prato e elevava-o para um nível quase excêntrico!


A matéria prima do Akla é de facto fantástica, como se pôde comprovar no Ceviche de Atum de São Miguel com Molho Tigre, Abacate e Agulhas do Mar. Somos de facto o país com o melhor peixe do mundo e ao apanhar atum desta soberba qualidade aqui só me fez questionar o porquê de muitos restaurantes de sushi servirem atum de tão baixa qualidade. Excelente toda a preparação, ainda que o leche de tigre estivesse muito mais suave do que é habitual nas preparações peruanas, mas acaba por encaixar bem no atum. Excelente adição também do pimento, algo que também foge à preparação tradicional peruana mas que encaixa bem no palato português.


Sabores claramente portugueses foi o que encontrámos no Risotto de Grelos, Camarão Grelhado e Burrata DOP. Excelentes os grelos, a brilharem acima de tudo o resto, com um arroz bem cozido e os camarões saborosos a ajudarem o conjunto. O único elemento que parecia estar eclipsado era a burrata, que acabava por não se conseguir destacar o suficiente contra os sabores mais fortes dos grelos e do camarão.





Não podíamos visitar o Akla sem experimentar uma das suas carnes maturadas, cozinhadas no Josper, um forno a carvão que permite dar as propriedades fumadas duma típica grelha a carvão, mas também cozinhar de forma uniforme como num forno convencional. Excelente o Entrecôte Maturado, ainda que visualmente o tipo de corte mais parecesse vazia do que entrecôte (devido à camada de gordura localizada numa das extremidades), mas não percebo o suficiente sobre cortes de carne para ter a certeza disto. Portanto, resta-me comentar o excelente sabor que a carne tinha e o ponto perfeito em que vinha cozinhado, mal necessitando do uso da flor de sal que vem na tábua. Realmente fantástico!




O acompanhamento escolhido para acompanhar a carne é que não se mostrou à altura da proteína. A Abóbora Assada com Presunto fumado e Queijo Fresco estava demasiado unidimensional, o que é algo surpreendente quando um dos ingredientes é presunto!





Acabámos a refeição em grande estilo, com um excelente Mil-Folhas de Baunilha, Frutos Vermelhos e Sorbet de Morango, onde tudo apresentava uma execução impecável. Excelente a opção de frutos vermelhos e sorvete de morango para ir cortando com a riqueza do creme de baunilha.





Com os cafés, umas boas mignardises, ainda que não conseguisse identificar nenhum sabor predominante em nenhuma delas.





Não é um sítio para ir todos os dias mas a verdade é que é uma excelente opção para se jantar fora e está ao nível dos melhores restaurantes de Lisboa, nesta gama de preços! 


Akla
Lisboa, Portugal
Akla Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 60 €
Data da Visita: 24 de Abril 2017

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Ferro Velho (Amora)

As idas à Margem Sul, de forma propositada para uma refeição, são raras, para não dizer inexistentes. Não é que não seja um sítio interessante, ainda que incomparável com a cidade de Lisboa e seus arredores, mas não é uma "margem" para descurar quando estamos a considerar ir comer fora.
Por ocasião de uma ida ao Freeport, ou algo semelhante (já não me recordo bem), decidiu-se fazer o desvio no regresso para ir a um restaurante na Amora, perto do Seixal, que tem como especialidade a Carvoada! Para todos os que acham ridícula a ideia de ir comer fora e cozinhar a sua própria comida, podem parar de ler aqui. Se não são fãs de bifes na pedra ou fondue, por exemplo, não acredito que este prato seja do vosso agrado.
Mas já lá vamos porque a refeição não foi directa para a Carvoada, ainda que não tenham existido grandes preliminares, pois estávamos todos a guardar-nos para o prato principal. Ainda assim, houve tempo e espaço para um bom couvert, composto por um cesto de pão, Pão Torrado e um excelente Queijo de ovelha.



Mas, afinal, o que é uma carvoada e o que tem de tão especial? Consiste num pequeno grelhador de mesa a carvão, onde podemos cozinhar a carne disponibilizada a nosso bel-prazer. É realmente notável como este tipo de pratos existem um pouco por todo o mundo, com o caso português (tradicional da zona de Porto Brandão) da carvoada, o suiço fondue, o hot pot chinês, o japonês shabu shabu, o barbecue coreano ou como uma das refeições que fiz na minha estadia em Istambul (falarei disso daqui a uns tempos). Basicamente, são pratos que assentam na necessidade humana do fogo e calor, reunindo família e amigos à volta da mesma fonte calor e de comida. Algo que é transversal a qualquer cultura, um pouco por todo o mundo! E isto é o que de tão especial pode existir numa carvoada. A maior interacção entre as pessoas da mesa, nem que seja no simples movimento de arranjar espaço no grelhador de pequenos pés (e ar instável) que servia como peça de centro da mesa. Porque, de resto, é carne grelhada (de boa qualidade) e bem temperada, grelhada a gosto! Não há muito que errar aqui principalmente quando os acompanhamentos são também eles decentes... 



Erraram realmente foi no Cheesecake, ao falharem completamente o ingrediente principal, o queijo, que aqui pareciam ser única e exclusivamente natas. O resto dos componentes até pode ser simpático mas quando me falham um cheesecake neste ponto fulcral então não há muita volta a dar.


Bem melhor o Leite Creme, principalmente no que a sabor dizia respeito, ainda que a caramelização superior pudesse ser um pouco mais intensa, mas cumpria os requisitos mínimos para dar textura à sobremesa!


O restaurante tem mais opções do que a Carvoada mas este parece ser o prato icónico do sítio. O problema aqui é o preço que é praticado pela carvoada, pois ainda que a carne seja boa não é de excelência!

Ferro Velho
Amora, Portugal
Ferro Velho Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 12 de Março 2016

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Varanda do Vale Formoso (Marvila)

Proclamo a época dos caracóis aberta!! Ok, já a proclamei há cerca de 3 semanas mas só agora tinha espaço na "agenda" para lançar este artigo. Depois de uma tarde de passeio no Parque das Nações, o objectivo era jantar nalgum local perto, eventualmente mais virado para o petisco. E isto parece ser um problema nesta zona, onde predominam hamburguerias, restaurantes de sushi e rodízios brasileiros. Procurávamos algo simples, algo português, algo bom e fomos encontrá-lo em Marvila, numa rua estratégica com 3 restaurantes interessantes no espaço de 100 metros.
Entre o Júlio dos Caracóis, a rebentar pelas costuras com gente e ainda com muita gente cá fora à espera, o Germano, com o pouco espaço também cheio, e o Varanda do Vale Formoso, um restaurante de 2 pisos com bastante gente sentada mas que não tinha ninguém à espera e cuja ementa despertou bastante curiosidade. A ementa é realmente apelativa mas é também extensa demais... Tanto que acabamos por perder um pouco o foco no meio de tanto prato! Pensam que estou a brincar?
A "Ementa do Dia" tinha 2 Sopas, 21 Pratos de Peixe, 15 Pratos de Carne.
As "Sugestões de Abril" eram 5 Pratos de Peixe e 5 Pratos de Carne.
As "Especialidades da Varanda" contavam com 4 Pratos de Bacalhau, 7 Pratos de Peixe e Marisco, 7 Pratos de Carne e 8 Bifes.
A ementa termina com "apenas" 40 Petiscos. Mesmo que considere que possa haver algumas repetições, não deixam de ser pratos a mais, acabando por dificultar mais a tarefa do que facilitar. Para não falar que podem sempre ser levantadas questões de espaço de armazenamento para tanta matéria-prima fresca e afins... Mas isso já são questões por onde não quero entrar, principalmente porque não tenho nada a apontar nesse aspecto.
Iniciámos a refeição com uns belíssimos Caracóis, de tempero acertado, bom tamanho e molho guloso. Pena que alguns dos nossos exemplares não estivessem bem limpos.



Chegou também um bom Pão Torrado e umas óptimas Manteigas e Azeitonas, numa espécie de couvert tardio.




Excelentes Amêijoas à Bulhão Pato com um molho muito saboroso! Excelentes bivalves, tanto no tamanho como no sabor, a servirem de concha perfeita para o apurado molho.



O único problema durante todo o jantar, e que foi prontamente resolvido pelo serviço, foi o Bacalhau Lascado em Cama de Grelos com Puré de Batata Doce. Um prato que apelou pela sua descrição, e que visualmente está um nível acima daquilo que esperava do restaurante, mas que desiludiu completamente quando chegou à mesa, pelo uso de canela no puré que abafava todo e qualquer dos restantes sabores. Quando provado individualmente, tanto o bacalhau como os grelos estavam bons, mas o facto do puré ser a camada intermédia e a mais "maleável", no que ao seu volume diz respeito, fez com que o sabor a canela invadisse todo o prato. Felizmente o serviço prontificou-se imediatamente a substituir o prato, dado o desagrado demonstrado. Aproveito para referir que todo o serviço aqui foi bastante competente e prestável.



Ainda na vertente petisco, um bom Choco Frito, não o mais macio que já experimentei mas ainda assim sem oferecer grande resistência aos dentes e dono de uma boa fritura.



Algo que me chamou à atenção no menu foi o Bitoque que, à semelhança do Bacalhau à Brás, aparece destacado numa secção como Vencedor do Melhor Bitoque de Lisboa em 2015, num concurso organizado pela Coca-Cola, votado pelo chef Alexandre Silva, do LOCO. Se o próprio Alexandre Silva dedica todo um momento à arte de molhar o pão no molho de bife (aqui), quem melhor do que ele para votar no melhor bitoque de Lisboa? Isto foi suficiente para me fazer pedir o bitoque! Excelente carne, ainda que pedida mal passada e apresentada média, bom ovo estrelado e um molho que pedia para ser limpo com pão! Os acompanhamentos é que não estavam ao mesmo nível com umas batatas fritas que poderiam sê-lo mais, um arroz branco sem grande encanto e um pouco de cenoura ralada...
Também o Bacalhau à Brás foi premiado como o melhor de Lisboa em 2016, no mesmo concurso, com o voto do chef Tiago Bonito (ex-Lisboeta e actualmente no estrelado Largo do Paço).



Foi a entrar nas sobremesas que a gula se sobrepôs ao bom senso, com 4 pessoas a pedirem 4 sobremesas. Bem, não foi só gula, foi também desconhecimento pois não tínhamos noção que todas as sobremesas fossem servidas em dose XL. É bastante possível que o nome das sobremesas esteja errado, pois não vi a ementa propriamente dita, apenas nos foi passada a informação por via oral.
Excelente o Queijo de Amêndoa Algarvio, com um recheio húmido e bem coberto por uma massapão excelente e sem estar excessivamente doce, o que é bastante comum acontecer.



Encharcada excelente, bastante húmida e óptima caramelização superior! Uma das características que mais apreciei, de forma transversal a todas as sobremesas, foi o excelente balanço dos ingredientes. Nenhuma das sobremesas era excessivamente doce!



Outro prato que surpreendeu e superou expectativas foi a Delícia de Chocolate, um guloso e pecaminoso bolo de chocolate negro que acompanha com um gelado de morango e está assente numa poça de doce de frutos vermelhos. Excelentes todos os componentes, principalmente aquele bolo!



Fantástico também uma Tarte de Fios de Ovos, com um exterior competentemente estaladiço e uns óptimos fios de ovos a fazerem de recheio.



Dada a vasta ementa, não cheguei a perceber bem em que segmento se encaixaria este restaurante. É uma Cervejaria? É uma Marisqueira? É uma Petisqueira? Comida Tradicional Portuguesa? Grelhados?
Tirando o bacalhau, tudo o resto estava a um nível muito bom, e o serviço deu rapidamente conta desse pequeno percalço, tornando este restaurante mais uma excelente referência numa zona que tem vindo a crescer e a tornar-se bastante interessante!

Varanda Vale Formoso
Marvila, Portugal
Varanda Vale Formoso Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 8 de Abril 2017

terça-feira, 14 de março de 2017

Tartine (Chiado)

Os brunches estão na moda! Existem cada vez mais sítios a oferecer esta refeição que é uma espécie de pequeno almoço fortalecido. Uns melhores, outros piores, mas a verdade é que a procura e a oferta tem aumentado bastante nos últimos tempos. Nada como acordar "tarde" ao fim de semana, sem preocupações com o que fazer para o almoço, e irmos deleitar-nos com pão, queijo, fiambre, ovos e toda essa decadência gulosa.
À entrada do Tartine podemos logo começar a observar as variedades de pães disponíveis e que podemos comprar para levar para casa, assim como alguns bolos e doces. Tudo com excelente aspecto.
Algo que reparámos enquanto nos retiravam o pedido é o fraco nível do serviço. Funcionários de caras fechadas, pouco simpáticos e parecendo fazer tudo de má vontade.
O Brunch no Tartine inclui um bom copo de Granola com Iogurte Bio, onde podemos escolher leite ou soja. Doçura e alguma acidez numa boa e já habitual combinação.



Um prato com compotas Casa de Mateus (logo, bastante boas), manteigas de pacote, uma boa quantidade de fiambre e de queijo, ainda que não haja qualquer variedade, o que seria interessante.



Um cesto de Pão com 3 variedades (Pão Tigre, Pão de Azeitonas e Pão de Sementes), todos bastante bons e ainda uma escolha por pessoa entre Croissant, Pain Au Chocolat ou Brioche. Realmente fantástico o Croissant e o Brioche.



Para beber podemos optar entre um bom mas não fantástico Sumo de Laranja ou sumo de frutas do dia.



E ainda uma opção quente, à escolha entre todas as existentes na carta. Um razoável Cappuccino.



E um excelente Chá Lapsang Souchong com um aroma fumado bastante interessante.



Brunch que é brunch tem de ter ovos! O brunch do Tartine não os inclui mas existe a possibilidade de pedir como extra. Como gulosos que somos, pedimos os Ovos Benedict e Royal, onde a diferença está na proteína usada. Presunto no caso dos Benedict e salmão nos Royal. Os ovos estavam perfeitos, assim como o molho holandês que generosamente banhava todo o prato. Apenas o pão poderia ser utilizado de forma diferente, com uma fatia mais fina e torrado. Um conselho, pedir um prato de ovos para cada um pode ser algo excessivo...




Tirando o aspecto do serviço, que não era horrível mas não deixa de ficar na memória por maus motivos, a comida é boa. Os pães são muito bons e os ovos são excelentes! Só faltava uma maior variedade ao nível das carnes frias e queijos...

Tartine
Rua Serpa Pinto, 15A
Lisboa, Portugal
Tartine Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 18 de Fevereiro 2017

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O Talho (Lisboa)

Kiko Martins entrou de caras na cena gastronómica lisboeta (e nacional). Viajou o mundo, voltou, lançou um livro e abriu um restaurante de sucesso. Pareceu fácil, pareceu natural e a'O Talho seguiram-se A Cevicheria e O Asiático mas só foi possível graças a muito (e bom) trabalho. Neste momento, Kiko Martins parece uma máquina imparável e está já a preparar a abertura do seu 4º restaurante (O Watt, na sede da EDP). Isto só para falar no que a restaurantes diz respeito e tentando passar ao lado das inúmeras aparições televisivas que vai fazendo. Mas será que todo este sucesso é justificado?
O "meu primeiro Kiko" teria que ser o original...fazia-me sentido ir à "casa-mãe" e ver onde "tudo começou" (ok, se calhar estou a abusar das aspas e dos chavões). As primeiras visitas fizeram-se para experimentar a vertente talho e, tentando não me alongar muito, é muito bom! Mais caro que os talhos normais, inclusive os ditos gourmet, todos os produtos que trouxe de lá são muito bons e já lá fui algumas vezes só para ir buscar carne!



Mas falemos sobre a vertente restaurante e tentemos não nos alongar. Primeiro, o espaço é bonito e gosto, particularmente, dos tons mais sóbrios. Especialmente por contrastarem com um serviço descontraído e jovial, ainda que perfeito. É fácil notar que se está num dos melhores restaurantes da cidade apenas pela qualidade do serviço.
Aqui, apesar do tema principal ser a carne, ou não estivéssemos nós num talho, a ementa sofre influências de todo o mundo e a primeira prova disso é a variedade de pão no Couvert, onde podemos apreciar pão português ao lado de uma focaccia ou de papadum. Um início bastante auspicioso para o que seria esta viagem pelos sabores do chef Kiko Martins.



Antes das entradas chega uma pequena oferenda por parte da cozinha, na forma de um Creme de Castanha com Amêndoa que nos aquece e reconforta numa fria noite de Janeiro.



Logo na primeira entrada, o restaurante consegue superar-se a ele próprio. Os Croquetes de Cozido à Portuguesa são bons quando comidos em casa (podem-se comprar congelados) mas não se compara à experiência de os comer no restaurante acompanhados por uma fantástica maionese de chouriço.



Ainda que estando num talho, a ementa incorpora um dos pratos chave de outro restaurante de Kiko Martins, o Ceviche Puro. Excelente da primeira à última dentada, com as notas ácidas perfeitas no leche de tigre e um bom jogo de textura, principalmente na batata-doce em 2 texturas.



Mas O Talho não é um restaurante que se leve muito a sério. Quer dizer, leva-se a sério e tudo o que faz, fá-lo seriamente bem, mas não deixa de ser um restaurante que quer proporcionar experiências diferentes e brincar com o que conhecemos. O melhor exemplo disso é o seu Tártaro, com uma interpretação e um empratamento que nos leva a pensar em sushi. A alga nori está lá e temos um creme de rábano, que nos leva a pensar no sabor do wasabi, substituindo o uso da tradicional mostarda de Dijon. Temos ainda um shot de vodka, que podemos beber, mas que serve para misturar com a carne, iniciando um ligeiro processo de cozedura. Acompanha com umas batatas fritas fantásticas. Excelente textura e excelentes sabores num dos melhores tártaros lisboetas!



O Surf and Turf (que se encontrava disponível na altura), um Quinoto do Mar com Tonkatsu de Barriga de Porco, foi menos consensual na mesa. Se a minha paciente e corajosa companhia (pois é preciso paciência e coragem para me aturar nestes desvarios), não ficou minimamente impressionada com o prato que (quase) lhe impus (queria o Tártaro só para mim e ainda queria muito muito muito experimentar este!). Já eu tive uma opinião muito contrária. Apesar de ser um prato algo pesado, com um quinoto de densos sabores a mar a não conseguir contrabalançar completamente a riqueza da barriga de porco, achei que os dois sabores juntos conseguiam funcionar. A minha imposição sobre a escolha do prato seria só para provar mas não resisti e "ajudei" a acabar o prato.



Para terminar a refeição, um Crumble que esteve demasiado rico, demasiado doce e pouco equilibrado, com a manteiga de amendoim e o dulce de leche a não conseguirem ser totalmente cortados pelo uso da lima.



Ainda que terminando numa nota menos boa, toda a refeição esteve num patamar muito alto. A definição de barato ou caro varia consoante o valor pessoal que damos a uma experiência. Consoante o valor que nós próprios damos à satisfação com que saímos do restaurante. E deixem-me dizer-vos que saí muito satisfeito d'O Talho.

O Talho
Lisboa, Portugal
O Talho Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 50 €
Data da Visita: 13 de Janeiro 2016

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Casa da Igreja (Cacela Velha)

Há sítios que primam pelo uso de técnicas inovadoras na sua cozinha. Espumas, sous-vides, esferificações e outros que mais. Têm cozinhas gigantes e brigadas altamente treinadas para que tudo seja perfeito.
E depois há sítios como a Casa da Igreja, em Cacela Velha, onde é tudo perfeito recorrendo apenas a técnicas simples e aos produtos existentes a meros passos do restaurante. Claro que a proximidade à Ria Formosa é um privilégio, a vista natural é algo do outro mundo e a envolvente veranil ajuda mas é raro termos acesso a produtos desta qualidade a preços tão justos.


Começamos com o Pão que a casa tem, com uma crosta fantástica e um interior perfeito, daqueles que temos vontade de comer assim mesmo à guloso.


Mas que podemos, e devemos, acompanhar com um óptimo Queijo de Ovelha Amanteigado.


Ou um muito bom Chouriço Assado, que larga sucos merecedores de varrer todo o prato com o pão.


Mas não esqueçamos que nesta terra, os produtos marítimos são as grandes estrelas e na Casa da Igreja vamos encontrar apenas o melhor que a Ria tem para oferecer. Fantásticas Amêijoas, servidas sem grande artifícios ou temperos, com os bivalves são gordos e muito saborosos e o molho no fundo da travessa de uma naturalidade rara para quem está tão habituado aos coentros do Bulhão Pato.


E, que dizer das Ostras, sejam ao natural ou a vapor? Acho que nunca tinha percebido a expressão "comer o mar" tão bem como aqui. Ainda para mais com um preço inigualável em qualquer restaurante que já tenha visitado, pois uma dúzia custa 12€. Imperdível

Ao Natural
Ao Vapor
Tal como a cozinha da Casa da Igreja é simples, também este texto não precisa de muitas palavras. Simplesmente fantástico!

Casa da Igreja
Cacela Velha, Portugal
Preço Médio: < 30 €