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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

SOCIEDADE (Parede)

Uma das melhores refeições do ano de 2015, num restaurante que me vinha aguçando a curiosidade desde a sua abertura, em Novembro de 2014. A SOCIEDADE (assim mesmo com o nome totalmente capitalizado) é um renovado restaurante na SMUP (Sociedade Musical União Paredense), que promete sabores portugueses com um twist. Adoro reinvenções de pratos e sabores clássicos, portanto fiquei automaticamente curioso com o conceito.
Mas já muitos conceitos me fizeram perder de amores apenas para depois me deixarem de coração partido com altas expectativas. A entrada no restaurante é feita com sorrisos, gestos e palavras simpáticas. Algo que se estende ao longo do tempo como se de clientes habituais nos tratássemos. E foi assim que nos sentimos durante todo o jantar, com o serviço a fazer-me apaixonar-me pela casa e pelo espaço. Ah, já vos falei da ementa? Babei-me, sobre a folha que nos foi entregue, durante todo o longo e penoso processo de selecção. Por mim, vinha tudo! Caso se sintam neste labirinto amoroso, entreguem-se ao serviço e deixem-se levar pelo que vos poderá ser proposto.



Com o couvert, um pão cortado com uma grossura milimétrica e dois tipos de manteiga (cabra e ovelha), é colocado na mesa um Queijo Fresco e Azeite impecável e um prato de Enchidos de Porco Preto e Não Só cortados tão finos que se conseguiam ver à transparência. A delicadeza de um excelente queijo fresco regado de um azeite também de bom nível abrem as hostilidades para uns enchidos que fazem as delícias do meu palato. Sempre ouvi dizer que um homem se conquistava pela barriga, e eu já não precisava de muito mais do que isto para ficar rendido. Mas a refeição ainda agora tinha começado...




A fome neste jantar não era muita (também não pode ser sempre a alarvar, não é?) por isso optámos por pedir 2 petiscos e 2 pratos para dividirmos por 3 adultos e 1 criança. Reparámos depois que as doses de petiscos são de tamanho generoso, daí o preço geral dos petiscos (rondam os 8€, se não me engano) ser mais alto do que estamos habituados. Claro que a qualidade deste SOCIEDADE também é mais alta do que estamos habituados.
Começámos por um Escabeche de Pato muito bom, com uma quantidade invejável da dita ave, e sem qualquer excesso de gordura. A cebola acrescenta-lhe pormenores adocicados, parecendo-me ainda reparar numa ligeira nota cítrica na preparação do prato. Talvez um pouco mais de acidez pudesse ajudar o prato a brilhar ainda mais mas nada de grave.



O segundo petisco escolhido foram uns fantásticos e gulosos Cogumelos, Pancetta e Queijo Emmental, um twist genial nos típicos cogumelos salteados com a adição do emmental a funcionar na perfeição neste típico petisco. Apenas a quantidade de pancetta era algo escassa, acabando por se esconder atrás do sabor dos cogumelos e do queijo. Apesar de o prato ser excelente com os cogumelos paris (Agaricus Bisporus), cada vez sou mais adepto da utilização de cogumelos diferentes e acredito que ajudaria a dar mais "encanto" a este prato. Transforma o sabor dos pratos, confere diferentes texturas, etc.



Muito acima da média estava também o Leitão, Batata-Doce e Abacaxi. Um belo "naco" deste jovem suíno, com a carne muito macia e a desfazer-se na boca, mas a pele poderia estar mais tostada e mais estaladiça. A combinação original do abacaxi com o leitão funciona e surpreende-nos o palato. Acompanha com umas boas chips de batata-doce. Por esta altura já andava a suspirar alto e a pensar que teria que vir a este restaurante mais vezes, mas a refeição ainda nem tinha acabado.



Faltava ainda o prato da noite. Aquele pelo qual me rendi, me ajoelhei, me lambi e que fiquei a desejar mais, as Bochechas de Porco Preto, Pão e Tomate (adoro estes nomes com só 2 ou 3 ingredientes e que nos deixam curiosos com o que será). Estas foram, sem dúvidas ou segundos pensamentos, das melhores bochechas que já comi! Desfiavam-se imediatamente ainda nós estávamos a tentar dividi-las pelos pratos. O seu sabor enchia-nos a boca, mostrando-se relutante a abandonar-nos o palato e a mente. Umas óptimas migas de tomate ajudavam a tornar este prato mais rústico do que sofisticado. O único elemento que dispensava no prato era uma espécie de ratatouille que, apesar de perceber a sua ideia, não me pareceu minimamente necessário para dar vida a um prato que está perto da imortalidade.



Para terminar uma refeição fantástica, e para saber se as sobremesas estariam ao nível de tudo o resto, pedi uma Panna Cotta com Abóbora. Excepcional a execução da panna cotta, extremamente cremosa e a colmatar a sua normal neutralidade com um doce de abóbora fora do comum. Encheu-me o coração de memórias do doce de abóbora que a minha avó há muito não faz.



Um jantar fantástico, cheio de sabores portugueses mas ainda assim com apontamentos originais e que me deixa com borboletas no estômago para uma próxima visita. A paixão criada por toda a envolvência do restaurante, desde o seu serviço à qualidade da comida, deixa marcas. Marcas essas que espero reviver, numa data preferencialmente não muito longínqua.

SOCIEDADE
Rua Marquês de Pombal, 319
Parede, Portugal
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Preço Médio: < 30 €

quinta-feira, 12 de março de 2015

Cascas (Cascais)

Se a moda das hamburguerias parece não querer abrandar, o mesmo digo quanto à moda dos petiscos. Aberto em meados de 2012, acabei por já visitar este restaurante por duas vezes e nunca de lá saí desiludido. Mesmo com alguns pratos mais fracos, saio do restaurante de barriga bem cheia e satisfeito.
Tendo visitado o Cascas mais do que uma vez, tive oportunidade de provar uma boa parte da ementa e deixo-vos aqui com pequenos comentários aos pratos experimentados. 


Boa Morcela de Arroz com Ananás, uma combinação clássica e que funciona sempre, desde que os ingredientes sejam bons, como era o caso.


Bons Pimentos de Padrón, com bastante sal e bem salteados. Pena o rácio de picantes ser bastante baixo.


Um interessante e bem frito trio de Croquetes (Farinheira, Queijo Brie e Presunto).


Na segunda visita pedi apenas os Croquetes de Presunto, que tinham sido aqueles que mais me tinham impressionado.


Muito bons os Cogumelos Recheados com Presunto. Saborosos, bem recheados e com uma boa quantidade de queijo por cima.


Uma dose de quantidade e qualidade acima da média de Pica-Pau, bem servida de pickles. Boa carne e molho simpático.



Muito boas as Batatas Fritas nas suas versões Bravas e Ali Oli, mais pela qualidade do molho do que pela das batatas em si mas ainda assim bom,


Não tão bom, chegando até a ser muito fraco, as Batatas Fritas com Parmesão e Redução de Balsâmico. As batatas pouco fritas, numa combinação que poderia funcionar se bem concretizado mas o queijo apresentava-se sem muito sabor e bastante borrachoso. 


Simpáticas as Costelinhas de Porco, sendo já mais semelhante a um prato principal.


Numa altura em que não faltam hambúrgueres por todo o lado, os Mini Hambúrgueres são apenas bons, sendo o melhor o de farinheira. O de queijo Brie e o normal estão bem temperados mas não são surpreendentes.


Acima da média estavam os Peixinhos da Horta, um petisco que peço sempre que possível e que é um dos meus petiscos favoritos. Bem fritos e estaladiços.


Também as Puntillitas estavam muito boas. Pequeninas, bastante crocantes e com uma boa maionese a acompanhar. 


Muito bom é o Prego em Bolo do Caco com que rematei a primeira refeição no Cascas. Bom bolo do caco, óptima carne e simplesmente acompanhado com uma fantástica cebola caramelizada e mostarda de grãos.


Já o Prego Estoril, com secretos de porco preto, grelos e ovo estrelado. O porco estava pouco cozinhado, tendo ainda bocados de gordura não totalmente incorporada. Uma ideia que parece boa mas que falha na concretização.


No campo das sobremesas, um CheeseCake à Cascas algo enjoativo, e com o doce de tomate a não conseguir cortar o sabor excessivo e forte do queijo.


Já a Panna Cotta estava ao nível do restante restaurante. Boa confecção e boa calda de laranja a dar um bom balanço ao prato.


Para regar todos estes petiscos, peça a óptima Sangria de Espumante de Frutos Silvestres
Das muitas opções para petiscar, esta é uma das minhas favoritas. Boa localização, boa comida e a preços justos. Ideal para um fim de tarde solarengo.

Cascas
Cascais, Portugal
Preço Médio: < 20 €

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Come Prima (Alcântara)

Por vezes sinto-me uma pessoa mimada. Não quero com isto dizer que seja um mimado, apenas que a Zomato me mima com os convites fantásticos para experimentar restaurantes como este Come Prima. Se nunca ouviram falar no Come Prima, fiquem desde já a saber que este é um dos melhores restaurantes italianos (ou, quem sabe, o melhor) da cidade de Lisboa. Quer isto dizer que será gerido e com produtos confeccionados por italianos? Nem por isso, porque o chef Tanka Sapkota, apesar de nepalês, conhece bem a cozinha italiana e isso nota-se no respeito que ele tem pelos ingredientes.
O convite Zomato referia que iria experimentar o menu "O Melhor de Itália", mas não soube o que isto incluía, e os primeiros empregados que nos atenderam também não sabiam, acabando por nos colocar a ementa nas mãos. Acabámos por dar uma vista de olhos na ementa, e se nos fosse pedido para escolher à carta já sabíamos o que pedir, mas isso não foi necessário porque a responsável pela sala rapidamente nos veio sugerir que fossem eles a encarregar-se da escolha dos pratos, ao que nós prontamente acedemos, pois assim conseguimos perceber o verdadeiro potencial do restaurante e eles têm a hipótese de mostrar o que consideram ser os seus melhores pratos.
Enquanto o parágrafo anterior se passava, chegou o couvert, composto por um fantástico pão caseiro (a fazer lembrar uma focaccia) servido com azeite e vinagre balsâmico, uma Bruschetta con Pomodoro e Basílico (Bruschetta de Tomate e Manjericão) feita com o mesmo pão caseiro, bastante crocante e plena de sabor com o tomate cortado finamente e o manjericão a dar a dose certa de frescura, e um copo de Prosecco


Começam então a chegar os pratos do menu, todos bastante bem cadenciados, e começam-se a notar os pormenores que fazem deste restaurante um dos melhores da cidade, com o serviço cuidadoso a explicar-nos os pratos, chegando a explicar modos de confecção de certos componentes.
A primeira entrada, Funghi Ripieni (Cogumelos Recheados com Legumes e Queijo) acerta em cheio na entrada que pediria caso fosse lá comer à carta. Cogumelos frescos, cozinhados de forma perfeita, com proporção correcta de recheio em cada cogumelo e tudo com bastante sabor. Mais uma nota de distinção do serviço a oferecerem-se, sempre que necessário, para moer a pimenta preta sobre o prato na hora, cuidados estes que são retrato da tradição italiana.


A segunda entrada que pediria seria a Melanzane Alla Parmigiana (Beringelas Panadas com Tomate e Parmigiano Regiano) e foi exactamente essa a segunda entrada que nos trouxeram para a mesa, quase como se nos estivessem a ler a mente. Tinha uma ideia um bocadinho diferente do que poderia ser o prato, pois imaginava rodelas de beringela panadas, mas ainda assim as expectativas foram ultrapassadas, principalmente a nível de sabor. Fatias fininhas de beringela, onde se denotava algum sabor a pão, cobertas por molho de tomate e parmesão. Tudo fantástico, especialmente o molho de tomate. O chef faz tudo de raiz, assando os tomates antes de os pelar e triturar, juntando depois algumas ervas do seu próprio terraço. Todo este trabalho e dedicação nota-se na qualidade deste molho.


Mas não há duas sem três, e também acertaram na muche quanto ao primeiro prato principal com o Tris di Casa per Due (uma Degustação de Massas Frescas da Casa para duas pessoas) composto por (e sendo sugerido que comêssemos por esta ordem) Ravioli di Ricotta e Spinaci, Taglitatelle Della Casa e Rigatoni Alla Siciliana.
Óptimo raviolis com proporções perfeitas em tudo, desde a espessura da massa, à quantidade de recheio e balanço entre o queijo ricota e os espinafres sendo tudo bastante bem temperado, especialmente com a pimenta moída fresca que liberta e intensifica os restantes sabores. Espectacular em toda a sua simplicidade.
O tagliatelle também esteve perto da perfeição, pena estar um pouco grosso demais para o meu gosto, mas tudo o resto estava perfeito. Camarões frescos espectaculares, e em número generoso para a porção apresentada, complementados com cogumelos frescos laminados e um molho de tomate, natas e (julgo) creme de marisco que era fantástico, com um balanço perfeito e não se tornando enjoativo.
Parece que a execução de massas é realmente a grande especialidade, porque o rigatoni estava soberbo. Toda a conjugação entre as beringelas, a mozzarella e o molho de tomate (o mesmo das beringelas) equilibra-se perfeitamente. As beringelas macias a funcionarem bem com a textura da mozzarella derretida e tudo ligado pelo (não me canso de dizer) fantástico molho de tomate.
Não me lembrava de comer massas tão boas há muito tempo, se é que alguma vez comi massas tão boas. Simplesmente soberbo. Com as entradas e este primeiro prato foi-nos servido um vinho branco Quinta da Lagoalva. Bastante suave e a uma temperatura correcta, acompanhou bastante bem as entradas e as massas.


O Primi Piatti ainda tínhamos considerado e pensado, mas nada nos tinha preparado (e aos nossos estômagos) para a chegada do Secondi Piatti, Vitello Alla Milanese, felizmente numa porção reduzida. Este foi o prato que menos impressionou em toda a refeição. Sim, os medalhões de vitela branca estão a marinar de um dia para o outro em cerca de 7 ervas diferentes, todas do terraço do chef. Sim, a carne é depois cozinhada a baixa temperatura por duas horas, recozida depois só para a avivar antes de ir a panar. Carne tenra e muito saborosa. Mas o próprio empratamento, e os grelos bringidos que são servidos como acompanhamento, fazem com que considere este prato consideravelmente mais pobre que os restantes. Não é que seja mau, mas perto dos restantes pratos este é apenas bom. Para este prato, foi-nos servido um Quinta da Lagoalva, mas tinto.


Já cheios e com vontade de rebolar pela rua abaixo, vieram duas sobremesas para que pudéssemos dividir entre os dois. Não foi fácil aguentar, mas assim que nos pousaram os pratos na mesa, não conseguimos resistir a comer cada bocadinho.
O Dolce Della Casa é bastante semelhante a uma panna cotta. E se avaliarmos isto enquanto panna cotta, é muito boa. Cremosa e com um bom sabor cítrico, especialmente dado pela casca de laranja com que é cozinhado. A acompanhar, uma quantidade apropriada de frutos silvestres mornos, e mais uma clara distinção de qualidade face aos restaurantes que normalmente nos servem os frutos ainda semi-congelados.


Como é lógico, num dos melhores italianos da cidade, não poderia faltar uma das sobremesas mais emblemáticas de Itália, o Tiramisu. Bom contraste entre o doce do mascarpone e o amargo do café que envolve os palitos la reine, notando-se ainda o cacau polvilhado por cima, sendo tudo bastante bem balanceado.


No final ainda estivemos um pouco à conversa com o chef Tanka, que nos continuou a convencer que o resultado de uma refeição deste nível tinham sido muitos anos de trabalho e amor pelo produto que apresentam, confeccionando de raiz tudo o que enviam para a mesa.
Soberbo! Fantástico!
Espero lá voltar muitas vezes, principalmente quando voltarem a fazer um dos seus jantares de abertura de Parmigiano Reggiano!

Come Prima
Alcântara, Portugal
Preço Médio: < 30 €