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sábado, 17 de dezembro de 2016

Back 2 Pigmeu

Depois de uma promissora primeira visita ao Pigmeu, decidi aproveitar um Voucher da TimeOut para regressar e perceber o que tinha evoluído no restaurante. Acabei assim por comprovar o que já pensava do Pigmeu: estamos perante um dos conceitos mais interessantes de Lisboa, e que está a trabalhar para atingir o seu fantástico potencial.
O serviço continua impecável, desde o momento da reserva até à saída do restaurante, Sugere, esclarece dúvidas, não se intromete mas é interessado na opinião tendo sempre um sorriso para dar. Melhor nesta segunda visita, mas continuo a acreditar que ainda têm espaço para crescer e evoluir. 
- Sandes de Barriga melhor do que na primeira vez, notando-se a correcção de tempero no momento final (e ainda bem!) e a passagem pela chapa a ser essencial para puxar e aprumar o sabor da barriga.


- Boa Açorda de Tomate e Poejo com Carne, bastante cremosa e com simpáticos pedaços de carne. Pedia-se um sabor mais acentuado ao poejo mas nada de grave.


- As Chips de Batata-Doce continuam a ser as melhores de Lisboa!


- No primeiro artigo (aqui), tinha sugerido a adição de rabos de porco e eis que eles surgem na ementa. Os Rabinhos de Porco com Molho Agridoce são uma adição curiosa mas que parecem saber pouco a porco, devido ao agridoce ser demasiado avassalador.


- Apesar da Sandes de Barriga estar melhor, senti que a Sandes de Cachaço precisava de mais tempero (sal principalmente). A maionese de alho dá-lhe alguma graça mas a carne em si peca por falta de sabor.


- Fantásticos e obrigatórios os Croquetes de Bochecha!


- Excelente ideia e execução nas Tibornas de Porco e Tomate, um dos novos pratos da ementa. O estaladiço torresmo como base da tiborna, tendo o tomate e a cebola para ajudar a cortar o intenso sabor.


- A Salada de Queijo de Cabra e Presunto é uma opção simpática para acompanhamento, sem ser fantástica, merecendo um melhor presunto (também merecia uma foto melhor mas aí a culpa é exclusivamente minha!).


- Bom Gaspacho com Presunto Crocante. Refrescante e com o bónus do presunto desidratado que lhe adiciona textura. Não sei se o presunto que usam nas saladas é igual ao que desidratam, mas é clara a intensidade que a versão desidratada tem quando comparado com o das saladas.


- O Frasco de Bochechas Estufadas apresenta uma forte componente de vinho tinto no palato mas sem se tornar excessivo. As bochechas apresentavam uma excelente cozedura, desfazendo-se facilmente.


- A Mousse de Lima é muito boa, com um alto nível de acidez, tal como eu gosto, contrabalançando com o doce do crumble que também lhe dá textura.


- Muito bom Pudim Abade de Priscos, não sendo excessivamente doce, um problema comum em muitas versões encontradas nos restaurantes.


- A Mousse com Presunto Desidratado foi uma agradável surpresa, podendo parecer estranho a combinação de chocolate com presunto mas a verdade é que funciona muito bem.



Acredito que o Pigmeu continue a melhorar e a trabalhar na sua ementa, mantendo-se fiéis ao conceito. Neste momento é já um restaurante de visita obrigatória em Lisboa.

Pigmeu
Lisboa, Portugal
Pigmeu Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €

Food Corner Chef Alexandre Silva (Mercado da Ribeira - Cais do Sodré)

A ideia dos Food Corners específicos de chefs conceituados é fantástica, permitindo a todos o acesso a cozinha de alto nível e por preços bastante acessíveis. Principalmente quando um dos nomes é o de Alexandre Silva que anda nas bocas do mundo pelo seu novo restaurante LOCO, já premiado com a sua 1ª estrela Michelin.
Uma ementa que reflecte o mundo, havendo influências dos vários cantos do mundo, mas apenas podia escolher 1 prato, recaindo a escolha sobre a influência oriental da Barriga de Porco Confitada. Não foi difícil a escolha, apesar de haver vários pratos apelativos, mas a minha paixão por porco e suas gorduras foi mais forte e não me arrependi. A pele ultra crocante, talvez até um pouco demais estando quase no ponto de quase não se conseguir cortar com os talheres, a servir como capa para uma barriga macia e extremamente saborosa. Sendo um corte naturalmente saboroso, o agridoce dado pelo teriyaki ajuda a cortar e equilibrar todo o prato, conjugando muito bem com a doçura do puré de ervilhas. A couve pak choi é uma adição interessante mas parece-me ficar um pouco aquém dos restantes ingredientes.


Se tivesse que recomendar um prato, de todos os que já experimentei no mercado, esta barriga ficaria logo a seguir aos tártaros da Tartar-Ia. A curiosidade perante a cozinha de Alexandre Silva continua a crescer, e o desejo de visitar o LOCO também!

Food Corner - Chef Alexandre Silva
Lisboa, Portugal
Chef Alexandre Silva - Food Corner Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

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Preço Médio: < 20 €

domingo, 21 de agosto de 2016

Armazém dos Grelhados (Mafra)

Gosto do conceito de ser possível pedir carne à peça nas churrasqueiras, dando a possibilidade de fazermos nós próprios a nossa "grelhada mista" e podendo assim experimentar uma maior quantidade de cortes. Este é um dos aspectos que mais me agrada neste Armazém dos Grelhados, um restaurante um pouco escondido perto de Mafra.
Já lá fui mais do que uma vez e parece-me que o serviço está cada vez mais fraco. Desde a empregada que masca pastilha e trata os clientes com grande à vontade, ainda que de forma simpática, à empregada que não mostra os dentes, seja com um sorriso, um rosnar ou até mesmo, pasme-se falando. Cheguei a ver clientes levantarem-se, mais do que uma vez, para falar com as empregadas. Duvido que o pouco movimento da sala seja justificativo para elas se eclipsarem mas um pouco mais de atenção às mesas seria agradável.
O facto é que este restaurante vale pela qualidade da comida e a cada visita recente cada vez duvido mais deste aspecto. A carne é de qualidade e a mão da grelha é competente, sendo que nenhum dos cortes pedidos chegou seco à mesa mas houve um problema comum a tudo o que foi pedido, o ponto de sal. Qualquer uma das 5 peças, como os 3 acompanhamentos, pediam mais sal, e este é um ponto fulcral quando falamos de grelhados. Toda a carne grelhada pede aquele ponto quase excessivo mas principalmente o porco, dado o seu potencial gordo (e todos sabemos que gordura é sabor)! E a adição posterior de sal não soluciona este problema...
Provou-se Abanico, Pluma, Bochecha, Lagarto e Entremeada.

Abanico
Pluma
Bochecha, Lagarto e Entremeada
O acompanhamento é pedido à parte, existindo alguma diversidade engraçada. A Salada de Batata costuma ser uma aposta segura mas, como já foi dito, se tivesse sal tinha sido bastante melhor.


Melhor o Abacaxi Grelhado, ainda que não perceba o porquê de não lhe retirarem a pele, deixando essa tarefa para o cliente.


Uma boa Banana Frita, estaladiça por fora e não se apresentando excessivamente mole no interior.


Um restaurante que já me pareceu melhor em refeições anteriores, fazendo-me recear uma próxima visita, não vá a qualidade continuar a decrescer...

Armazém dos Grelhados
Mafra, Portugal
Armazém dos Grelhados Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Il Matriciano (São Bento)

Estamos numa era em que as pessoas procuram autenticidade. Seja nos produtos que escolhem para sua casa ou nos restaurantes que frequentam. Há umas décadas, os conceitos que cá chegavam seguiam uma fórmula pouco original e com as ementas a tornarem-se quase cópias directas. Veja-se os restaurantes chineses ou italianos que havia. Mas com esta "moda" gastronómica emergente, começaram a abrir restaurantes que promovem autenticidade, seja na sua ementa seja na decoração ou até no serviço.
O Il Matriciano é um desses restaurantes. Tudo é promovido com um nível de autenticidade elevado, cuja minha curta experiência não me permite comprovar totalmente, mas onde até os empregados falam exclusivamente italiano. A ementa tem alguns pratos já nossos conhecidos e outros um pouco menos, mas mesmo os conhecidos são feitos segundo a tradição italiana. Como fiquei na recatada esplanada existente (que tem vista para a Assembleia da República) não tive oportunidade de ver a decoração interior.
Quando chegamos é-nos oferecido um copo de prosecco e um prato com uma amostra de um enchido e de um queijo. Umas boas vindas simpáticas enquanto damos uma vista de olhos pelas várias secções da ementa que, como é tradicional nos italianos, se divide em Antipasti, Primo Piatto, Secondi Piatti, Contorni e Dolci.
Começámos por dividir uma Bruschetta con Parma e Bufala, um prato simples e onde é suposto os seus ingredientes brilharem. Excelente mozzarella, e servida numa dose generosa, ao contrário de muitos restaurantes que apenas colocam 2 ou 3 fatias, e um presunto de Parma de excelente cura. Tudo regado com um bom azeite, tornando esta bruschetta como uma excelente entrada para uma noite de verão.


Entre a entrada e os pratos pedidos houve uma demora exagerada. Percebo que tudo seja feito na hora, mas 1 hora desde a entrada dos pedidos é excessivo. Aliás, todo o restaurante parece-me lento, tanto no serviço como na cozinha. Se estiverem com pressa não é um restaurante que recomende.
O Spaghetti Alla Carbonara segue à risca a receita original, com a utilização de guanciale, apesar de na ementa dizer bacon, já li artigos que mencionam o facto de realmente usarem o guanciale, uma peça de charcutaria feita com as bochechas do porco. Tenho ideia de nunca ter provado uma carbonara com pecorino mas fiquei fã da cremosidade que confere ao molho e do seu intenso sabor. Toda a concretização do prato é muito boa, sendo que apenas desejava uma maior porção de guanciale.


A espessura da Cotoletta Alla Milanese con Patate Al Forno era mínima, proporcionando uma textura leve, apenas conjugada com a da boa fritura. A carne estava bastante saborosa, calculo que devido a uma eventual marinada, e apenas falhou o ponto de sal das batatas, uma espécie de batatas wedges no forno.


A tradição do Il Matriciano é tanta que, habituado a pedir apenas um prato nos italianos que frequento, acabei por ficar terrivelmente surpreendido pelo tamanho das doses. Aqui é suposto fazer uma refeição completa com Antipasti, Primo e Secondi. Só me apercebi disto quando chegaram os pratos e, como não estávamos para esperar mais 1 hora, optámos por seguir para as sobremesas. Isto ajuda a que um restaurante que parece barato, acabe por não o ser, se não quisermos sair de lá com fome. O serviço foi sempre simpático e prestável, mas acredito que poderia e deveria ser feito um aviso, à semelhança do que um bom serviço faria caso se estivesse a pedir comida demais.
Acabámos a refeição com a sobremesa que peço sempre que estou num italiano mais tradicional, o Tiramisù. Estava excelente, não sei se o melhor que já comi mas dos melhores sem dúvida. Camadas bem definidas, com um bom nível de cremosidade e sabor a café. Se fosse servido um pouco mais fresco não lhe faria mal, principalmente nos meses quentes.


Sim, é um restaurante tradicional italiano, como tal todos os sabores típicos estão lá com um ênfase grande na utilização de produtos importados. Devo admitir que gostei bastante dos pratos experimentados mas, habituado a doses maiores, acabei por sair do Il Matriciano ainda com um buraquinho no estômago. Numa próxima visita já estarei preparado para tal.

Il Matriciano
São Bento, Portugal
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Preço Médio: < 40 €

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

SOCIEDADE (Parede)

Uma das melhores refeições do ano de 2015, num restaurante que me vinha aguçando a curiosidade desde a sua abertura, em Novembro de 2014. A SOCIEDADE (assim mesmo com o nome totalmente capitalizado) é um renovado restaurante na SMUP (Sociedade Musical União Paredense), que promete sabores portugueses com um twist. Adoro reinvenções de pratos e sabores clássicos, portanto fiquei automaticamente curioso com o conceito.
Mas já muitos conceitos me fizeram perder de amores apenas para depois me deixarem de coração partido com altas expectativas. A entrada no restaurante é feita com sorrisos, gestos e palavras simpáticas. Algo que se estende ao longo do tempo como se de clientes habituais nos tratássemos. E foi assim que nos sentimos durante todo o jantar, com o serviço a fazer-me apaixonar-me pela casa e pelo espaço. Ah, já vos falei da ementa? Babei-me, sobre a folha que nos foi entregue, durante todo o longo e penoso processo de selecção. Por mim, vinha tudo! Caso se sintam neste labirinto amoroso, entreguem-se ao serviço e deixem-se levar pelo que vos poderá ser proposto.



Com o couvert, um pão cortado com uma grossura milimétrica e dois tipos de manteiga (cabra e ovelha), é colocado na mesa um Queijo Fresco e Azeite impecável e um prato de Enchidos de Porco Preto e Não Só cortados tão finos que se conseguiam ver à transparência. A delicadeza de um excelente queijo fresco regado de um azeite também de bom nível abrem as hostilidades para uns enchidos que fazem as delícias do meu palato. Sempre ouvi dizer que um homem se conquistava pela barriga, e eu já não precisava de muito mais do que isto para ficar rendido. Mas a refeição ainda agora tinha começado...




A fome neste jantar não era muita (também não pode ser sempre a alarvar, não é?) por isso optámos por pedir 2 petiscos e 2 pratos para dividirmos por 3 adultos e 1 criança. Reparámos depois que as doses de petiscos são de tamanho generoso, daí o preço geral dos petiscos (rondam os 8€, se não me engano) ser mais alto do que estamos habituados. Claro que a qualidade deste SOCIEDADE também é mais alta do que estamos habituados.
Começámos por um Escabeche de Pato muito bom, com uma quantidade invejável da dita ave, e sem qualquer excesso de gordura. A cebola acrescenta-lhe pormenores adocicados, parecendo-me ainda reparar numa ligeira nota cítrica na preparação do prato. Talvez um pouco mais de acidez pudesse ajudar o prato a brilhar ainda mais mas nada de grave.



O segundo petisco escolhido foram uns fantásticos e gulosos Cogumelos, Pancetta e Queijo Emmental, um twist genial nos típicos cogumelos salteados com a adição do emmental a funcionar na perfeição neste típico petisco. Apenas a quantidade de pancetta era algo escassa, acabando por se esconder atrás do sabor dos cogumelos e do queijo. Apesar de o prato ser excelente com os cogumelos paris (Agaricus Bisporus), cada vez sou mais adepto da utilização de cogumelos diferentes e acredito que ajudaria a dar mais "encanto" a este prato. Transforma o sabor dos pratos, confere diferentes texturas, etc.



Muito acima da média estava também o Leitão, Batata-Doce e Abacaxi. Um belo "naco" deste jovem suíno, com a carne muito macia e a desfazer-se na boca, mas a pele poderia estar mais tostada e mais estaladiça. A combinação original do abacaxi com o leitão funciona e surpreende-nos o palato. Acompanha com umas boas chips de batata-doce. Por esta altura já andava a suspirar alto e a pensar que teria que vir a este restaurante mais vezes, mas a refeição ainda nem tinha acabado.



Faltava ainda o prato da noite. Aquele pelo qual me rendi, me ajoelhei, me lambi e que fiquei a desejar mais, as Bochechas de Porco Preto, Pão e Tomate (adoro estes nomes com só 2 ou 3 ingredientes e que nos deixam curiosos com o que será). Estas foram, sem dúvidas ou segundos pensamentos, das melhores bochechas que já comi! Desfiavam-se imediatamente ainda nós estávamos a tentar dividi-las pelos pratos. O seu sabor enchia-nos a boca, mostrando-se relutante a abandonar-nos o palato e a mente. Umas óptimas migas de tomate ajudavam a tornar este prato mais rústico do que sofisticado. O único elemento que dispensava no prato era uma espécie de ratatouille que, apesar de perceber a sua ideia, não me pareceu minimamente necessário para dar vida a um prato que está perto da imortalidade.



Para terminar uma refeição fantástica, e para saber se as sobremesas estariam ao nível de tudo o resto, pedi uma Panna Cotta com Abóbora. Excepcional a execução da panna cotta, extremamente cremosa e a colmatar a sua normal neutralidade com um doce de abóbora fora do comum. Encheu-me o coração de memórias do doce de abóbora que a minha avó há muito não faz.



Um jantar fantástico, cheio de sabores portugueses mas ainda assim com apontamentos originais e que me deixa com borboletas no estômago para uma próxima visita. A paixão criada por toda a envolvência do restaurante, desde o seu serviço à qualidade da comida, deixa marcas. Marcas essas que espero reviver, numa data preferencialmente não muito longínqua.

SOCIEDADE
Rua Marquês de Pombal, 319
Parede, Portugal
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Preço Médio: < 30 €

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Rescaldo Tascas no Cais 2015 (Lisboa)

2ª Edição do evento Tascas no Cais, patrocinado pela Super Bock, um evento que junta alguns (poucos) restaurantes existentes na cidade, num recinto ao ar livre. Mais num conceito de partilha, os restaurantes têm vários pratos (com os preços a variar até aos 8€, mais ou menos) que poderão ser demonstrativos da cozinha que praticam na sua morada permanente. Nesta 2ª edição, pudemos contar com Taberna da Rua das Flores, Can The Can, Cantina LX e Tasca de Três, o único a não ter uma morada fixa, mas que junta o chef Nuno Diniz (da EHTL, Tágide e ex-York House), o chef Nuno Barros (1300 Taberna e ex-2780 Taberna) e o foodie Rodrigo Meneses (foodie.pt e Curador da Academia TimeOut). A iniciativa é bastante interessante mas pareceu pecar pela pouca oferta gastronómica existente. Na 1ª Edição estiveram presentes Ramiro, Cantina LX, Can The Can, Taberna da Rua das Flores/Flores do Bairro e Tasca de Três com Nuno Diniz, Nuno Barros e João Sá (ex-Assinatura e ex-G-Spot).
O evento teve um custo de entrada de 3€, dando direito a uma imperial, o que não é propriamente barato, tal como as ofertas gastronómicas não o são, se fizéssemos uma comparação puramente baseada na quantidade. Para além disso, das 4 ofertas existentes, as únicas que me cativaram o suficiente para me deslocar ao Cais do Sodré foi a Tasca de Três, de onde já conhecia a famosa Sandes de Porco Fumado, e a Taberna da Rua das Flores, um restaurante que desde há muito me suscita curiosidade.
Como em qualquer festival dos dias de hoje (não sei como se processou o ano passado pois não estive presente), todo o dinheiro que quiséssemos gastar teria que ser previamente trocado por senhas. Ainda que de melhor qualidade que as senhas dos festivais de Street Food (especialmente se tivermos em conta a edição em Paço de Arcos) e mesmo sem sabendo se aceitariam devoluções ou não (começo a estar de tal maneira preparado para este sistema que faço questão de saber exactamente o que vou pedir antes de trocar dinheiro) continuo a achar que na óptica do cliente final (aquele a quem qualquer evento é suposto satisfazer) esta solução é menos prática e pode chegar a ser prejudicial.
Apresentações e queixas feitas, vamos à comida! Como disse, a minha curiosidade recaía principalmente entre a Tasca de Três e a Taberna da Rua das Flores. É natural que a maior parte das escolhas tenham sido entre essas duas bancadas. Mesmo no evento, olhando para todos os menus, havia poucas propostas captivantes do Can The Can e a Cantina LX parecia ter uma ementa demasiado parecida com a do restaurante (que já conheço e cuja review podem ler aqui).
Na Tasca de Três, voltei a experimentar a Sandes de Porco Fumado. Depois do fantástico exemplar que experimentei no European Street Food Festival (aqui), as expectativas eram altas mas, infelizmente, não estava tão boa. O pão era bom mas a carne estava à temperatura ambiente e com uma menor profundidade de sabor. A maionese de bacon continua impecável e a rodela de tomate presente nada de novo acrescentou.



Os Ovos com Farinheira e Barriga de Porco estavam cremosos e com sabor ligeiramente predominante da farinheira, algo que poderia ser balançado com uma maior quantidade de barriga. Para os que possam fazer um ar desconfiado perante as palavras "barriga de porco", lembrem-se que o bacon vem desta deliciosa parte do porco.



Boa Mousse de Chocolate com Caramelo e Amendoim, demonstrando boa consistência e a não ser excessivamente doce, um erro onde muitas mousses de chocolate acabam por cair. A transversalidade de sabores entre chocolate e o caramelo não chocam e até se acentua graças a alguma salinidade do caramelo e do amendoim.



Já a Mousse Cítrica com Suspiros não estava tão boa, faltando-lhe a sua própria adjectivação e tornando-se demasiado doce. Tudo correcto a nível de textura e consistência, mas aquela acidez característica apenas foi descoberta no fundo do copo, com um creme que deveria ter sido um topping.


Não conhecendo a ementa habitual da Taberna da Rua das Flores, não sei quão comparável à que foi apresentada no evento, mas se a qualidade for algum indício então este é um restaurante obrigatório em Lisboa. Os Peixinhos da Horta estavam muito bons, com uma saborosa e estaladiça polme. O molho sweet chilli dá-lhes um toque original.



As Pataniscas de Bacalhau foram algo surpreendentes pela sua forma de apresentação e irrepreensível fritura. As pataniscas, cortadas de forma rectangular, estavam ultra estaladiças. Apenas achei que o sabor do bacalhau foi bastante mais suave do que o esperado, mas nada de grave.



O Picadinho de Carapau é algo de maravilhoso e refrescante. Bastante bem balanceado em todos os sabores presentes, fosse pela alga wakame ou pela acidez dada pela maçã, que suportaram o conjunto e ajudaram a elevar o carapau. Fantástico!



Uma ideia interessante na concretização do Frango Satay com bons sabores e uma boa quantidade de especiarias a transportarem o peito do frango até à Ásia, mas faltando um molho que ajudasse a dar mais vida a uma peça um pouco seca.



Outro prato fantástico desta Taberna, e que repetiria sempre que pudesse, foram os Lagartos Grelhados. A carne desfazia-se na boca e, dado à gordura intrínseca do corte, enchia-nos o palato com sabor e umami. A adição da cebola picada é importante para cortar toda aquela riqueza do porco.



No Can The Can, a qualidade da comida não deslumbrou. Apesar de achar alguma piada ao conceito, a curiosidade nunca se aguçou depois de ter lido algumas críticas menos positivas. E se a qualidade da comida for igual ao que aqui demonstraram, então não me parece mesmo que chegue a visitar o espaço. As Chamuças de Atum eram desinteressantes, com o sabor a ser todo mascarado pela quantidade de cominhos utilizada. Estavam bem recheadas, mas de resto nada de muito positivo a apontar.



Pouco acima estavam os Croquetes de Polvo com Tinta. Recheio demasiado unidimensional, avivando apenas quando misturado com a mostarda de dijon e um outro molho mais adocicado. Interessante proposta mas a concretização poderia estar melhor.



Único prato experimentado na Cantina LX, por motivos já explicados, foi a Tarte de Batata Doce. Ainda que bastante húmida, e com o acrescento interessante de sumo de laranja e respectivas raspas, a verdade é que o sabor da batata-doce não se mostrou.


A iniciativa é interessante, e os moldes em que é executada ainda podem ser melhorados, mas a base está lá e o conceito também (talvez até um pouco replicado do que se faz no Peixe em Lisboa). Todas as bancas estiveram perto das expectativas criadas, inclusive as de baixa expectativa. Como resultado final, ficou a enorme vontade de ir à Taberna da Rua das Flores e experimentar a restante cozinha do chef taberneiro André Magalhães.

Tasca de Três
Projecto único que surge apenas no evento Tascas no Cais. A ideia junta 3 chefs numa só ementa. Este ano tivemos o chef Nuno Diniz (Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, Tágide e ex-York House), chef Nuno Barros (1300 Taberna) e o foodie Rodrigo Meneses (foodie.pt e Curador da Academia TimeOut).
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Preço Médio: < 20 €

Taberna da Rua das Flores
Morada Permanente: Rua das Flores, 103
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Preço Médio: < 20 €

Can The Can
Morada Permanente: Praça do Comércio, Terreiro do Paço, Ala Nascente, 82-83
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Preço Médio: < 20 €

Cantina Lx (review aqui)
Morada Permanente: LX Factory, Rua Rodrigues Faria, 103, Edifício C, Piso 0
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Preço Médio: < 20 €