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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Como tirar o melhor partido de um presunto?

Antes de mais quero-vos avisar que as imagens seguintes podem provocar vários sintomas, entre os quais se incluem transpiração, aumento do ritmo cardíaco, produção excessiva de saliva e um aumento excessivo da vontade de sair de casa a correr para ir comprar um presunto Joselito!


Haja alguém que no seu perfeito juízo possa afirmar que não gosta de presunto? Podem até cometer aquelas atrocidades de tirar a gordura à fatia de presunto mas a verdade é que é rara a pessoa neste planeta que não se comece a babar quando vê uma perna de presunto à sua frente. 
Mas quem diria que a arte de cortar presunto não é tão simples como parece? Não só existem diferentes sabores, dependendo da parte da perna que estamos a cortar, como existem técnicas específicas para que o aproveitamento seja máximo!
Não acreditam? Achas que basta chegar lá e trinchar umas fatias? Então vejam o vídeo seguinte, mas não digam que não vos avisei quando estiverem já na caixa do supermercado mais próximo a comprar um presunto só para vocês! Não fiquem é chocados com o preço daquele que é considerado o melhor presunto do mundo! No El Corte Inglés está a 94€/kg e cada presunto tem cerca de 7kg!




quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Il Matriciano (São Bento)

Estamos numa era em que as pessoas procuram autenticidade. Seja nos produtos que escolhem para sua casa ou nos restaurantes que frequentam. Há umas décadas, os conceitos que cá chegavam seguiam uma fórmula pouco original e com as ementas a tornarem-se quase cópias directas. Veja-se os restaurantes chineses ou italianos que havia. Mas com esta "moda" gastronómica emergente, começaram a abrir restaurantes que promovem autenticidade, seja na sua ementa seja na decoração ou até no serviço.
O Il Matriciano é um desses restaurantes. Tudo é promovido com um nível de autenticidade elevado, cuja minha curta experiência não me permite comprovar totalmente, mas onde até os empregados falam exclusivamente italiano. A ementa tem alguns pratos já nossos conhecidos e outros um pouco menos, mas mesmo os conhecidos são feitos segundo a tradição italiana. Como fiquei na recatada esplanada existente (que tem vista para a Assembleia da República) não tive oportunidade de ver a decoração interior.
Quando chegamos é-nos oferecido um copo de prosecco e um prato com uma amostra de um enchido e de um queijo. Umas boas vindas simpáticas enquanto damos uma vista de olhos pelas várias secções da ementa que, como é tradicional nos italianos, se divide em Antipasti, Primo Piatto, Secondi Piatti, Contorni e Dolci.
Começámos por dividir uma Bruschetta con Parma e Bufala, um prato simples e onde é suposto os seus ingredientes brilharem. Excelente mozzarella, e servida numa dose generosa, ao contrário de muitos restaurantes que apenas colocam 2 ou 3 fatias, e um presunto de Parma de excelente cura. Tudo regado com um bom azeite, tornando esta bruschetta como uma excelente entrada para uma noite de verão.


Entre a entrada e os pratos pedidos houve uma demora exagerada. Percebo que tudo seja feito na hora, mas 1 hora desde a entrada dos pedidos é excessivo. Aliás, todo o restaurante parece-me lento, tanto no serviço como na cozinha. Se estiverem com pressa não é um restaurante que recomende.
O Spaghetti Alla Carbonara segue à risca a receita original, com a utilização de guanciale, apesar de na ementa dizer bacon, já li artigos que mencionam o facto de realmente usarem o guanciale, uma peça de charcutaria feita com as bochechas do porco. Tenho ideia de nunca ter provado uma carbonara com pecorino mas fiquei fã da cremosidade que confere ao molho e do seu intenso sabor. Toda a concretização do prato é muito boa, sendo que apenas desejava uma maior porção de guanciale.


A espessura da Cotoletta Alla Milanese con Patate Al Forno era mínima, proporcionando uma textura leve, apenas conjugada com a da boa fritura. A carne estava bastante saborosa, calculo que devido a uma eventual marinada, e apenas falhou o ponto de sal das batatas, uma espécie de batatas wedges no forno.


A tradição do Il Matriciano é tanta que, habituado a pedir apenas um prato nos italianos que frequento, acabei por ficar terrivelmente surpreendido pelo tamanho das doses. Aqui é suposto fazer uma refeição completa com Antipasti, Primo e Secondi. Só me apercebi disto quando chegaram os pratos e, como não estávamos para esperar mais 1 hora, optámos por seguir para as sobremesas. Isto ajuda a que um restaurante que parece barato, acabe por não o ser, se não quisermos sair de lá com fome. O serviço foi sempre simpático e prestável, mas acredito que poderia e deveria ser feito um aviso, à semelhança do que um bom serviço faria caso se estivesse a pedir comida demais.
Acabámos a refeição com a sobremesa que peço sempre que estou num italiano mais tradicional, o Tiramisù. Estava excelente, não sei se o melhor que já comi mas dos melhores sem dúvida. Camadas bem definidas, com um bom nível de cremosidade e sabor a café. Se fosse servido um pouco mais fresco não lhe faria mal, principalmente nos meses quentes.


Sim, é um restaurante tradicional italiano, como tal todos os sabores típicos estão lá com um ênfase grande na utilização de produtos importados. Devo admitir que gostei bastante dos pratos experimentados mas, habituado a doses maiores, acabei por sair do Il Matriciano ainda com um buraquinho no estômago. Numa próxima visita já estarei preparado para tal.

Il Matriciano
São Bento, Portugal
Click to add a blog post for Il Matriciano on Zomato
Preço Médio: < 40 €

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Luar da Fóia (Monchique)

A serra algarvia é dona de uma beleza extraordinária. A sua paisagem e envolvente são únicas, dando lugar a recantos preciosos. Quando a isto se junta o melhor da gastronomia local, ficamos na presença de restaurantes que merecem ser icónicos em qualquer guia deste país que entenda promover a boa comida portuguesa.
Nem sempre os lugares de comida tradicional portuguesa são tascos. Nem sequer é uma regra que possa ser seguida axiomaticamente. Cada vez há mais lugares que não se preocupam só com a qualidade da sua comida ou com a utilização dos melhores produtos, dando preferência a sabores da sua região, mas que acrescentam a isso uma boa apresentação nos seus pratos, um serviço cuidado e um restaurante atraente. E quem diria que na Fóia, perto de Monchique, se encontra um lugar que preenche todos estes requisitos? A isso juntamos uma varanda detentora de uma das melhores vistas imagináveis e temos o Luar da Fóia!
Esta é daquelas ementas onde tudo é apelativo e onde cada item nos deixará o estômago a roncar em antecipação. Os preços parecem ser um pouco puxados (os pratos rondam os 15€) mas as doses são de tal tamanho que 3 chegam perfeitamente para alimentar 4 pessoas de bom apetite. Fora da ementa há ainda carnes maturadas, por isso não se coíbam de perguntar o que há.


Foto retirada daqui
O couvert apresenta um fantástico pão, com boa crosta e um interior qb de massudo mas muito saboroso. Apresenta-se também na mesa um bom queijo amanteigado e um Presunto de excelente qualidade, apesar de não aparentar ter muito tempo de cura e ser cortado de forma excessivamente grosseira. Pareciam mais bifes de presunto.



O Polvo Frito com Batata Doce foi a surpresa do dia. Não só a conjugação não é muito comum, como funciona na perfeição. A doçura da batata ajuda a suportar o sabor do polvo frito em alho e coentros. A execução de todo o prato é quase infalível e só desejaria que a batata estivesse um pouco mais crocante para contrastar com o macio polvo.



O Leitão de Porco Preto também tinha elementos surpreendentes. Ainda que apresentado sem um molho que suportasse a carne, o que não foi muito grave visto que não estava seco, o leitão veio praticamente todo desossado, mostrando algum cuidado por parte da cozinha quanto ao que põem no prato. A pele estava pouco uniforme quanto à textura, com algumas partes crocantes e outras nem tanto. Boas batatas fritas caseiras, cortadas finas, estaladiças e sem excesso de gordura.



Apesar de bem cheios, todos os comensais quiseram experimentar as sobremesas. A Mousse de Alfarroba com Gelado de Baunilha mostrou-se simpática, e deu uns ares de graça pela lembrança de gelado de baunilha coberto com chocolate derretido, mas não mais que isso.



O Morgado de Figo era demasiado consistente e seco, acabando por ficar cerca de metade no prato. Ao fim de várias colheradas os meus maxilares já se começavam a queixar. Precisava de algo que ajudasse a cortar a consistência do bolo, como um gelado.



Refrescante foi a reinterpretação de morangos com chantilly no formato de Morangos com Mascarpone. Uma sopa de morangos cremosa, com a sua acidez e doçura a ser bem suportada pelo mascarpone.



Excelente Pudim de Mel, com bom sabor e consistência, não se mostrando excessivamente doce ou massudo. A calda colocada por cima ajuda a que o pudim não esteja seco, acabando por ser a melhor sobremesa experimentada.



Um restaurante delicioso e que vale a viagem, sem dúvida! A localização é excelente, mas não nos esqueçamos que o que realmente interessa no final é o que sai da cozinha e foi esse ponto que me deslumbrou.

Luar da Fóia
Estrada da Fóia
Monchique, Portugal
Foodspotting
Facebook
Preço Médio: < 20 €

segunda-feira, 23 de março de 2015

O Nobre / Spazio Buondi (Campo Pequeno)

O Nobre é, sem dúvida alguma, um dos restaurantes mais famosos na cidade de Lisboa. Não só por ser chefiado pela chef Justa Nobre, uma verdadeira estrela no pequeno mundo dos celebrity chefs portugueses, ou pelo famoso buffet de Cozido à Portuguesa que é servido aos almoços de domingo (apenas no Inverno, se não me engano), mas por ser um dos bastonários da comida tradicional portuguesa, com especial influência transmontana.
Já tinha tido a oportunidade de experimentar o buffet há uns anos e lembro-me de ter ficado bastante satisfeito com a qualidade da refeição em si, mas sempre tive curiosidade em voltar. Essa oportunidade surgiu quando ganhei um passatempo Zomato, num dos muitos blogs que sigo. O convite era para experimentar o Menu da Chef, que acredito ser equivalente ao Menu de Degustação que existe na carta do restaurante.
No início da refeição perguntaram-nos se desejaríamos ver a carta ou nos iríamos deixar levar pelas sugestões da casa. Claro que optámos pela segunda opção, e prontamente nos foi perguntado se tínhamos algumas restrições alimentares, pergunta essencial neste tipo de menu. Todo o serviço foi bastante prestável e simpático, sem ser intrometido, e colocando-nos sempre à vontade.
Começámos a refeição com um fantástico Presunto Pata Negra Joselito. Boa cura, bem cortado e com um bom nível de gordura presente nas fatias. Não há dúvidas que comer presunto de qualidade é um dos grandes prazeres da vida...


O presunto não esteve presente apenas em fatia, com umas Tostas com Manteiga de Presunto e Ervas a chegarem à mesa bastante estaladiças e gulosas. Apreciei a ausência de vergonha na altura de colocar a manteiga na tosta. Uma tosta quer-se bem barrada e com a manteiga derretida a cair pelas extremidades.


Petiscámos ainda uma Salada de Favas com Chouriço, uma versão refrescante do prato favorito de José Cid. De destacar o excelente chouriço, assim como a qualidade das favas usadas. Frescas, bem cozinhadas e com um tempero exemplar. Tudo conjugado resultou num prato simples e bastante saboroso.


Não é só a qualidade dos produtos que é notável, mas também a execução dos pratos em si, algo que foi notório quando alguém que não gosta de iscas (a minha excelsa cara-metade, que cada vez mais abre os seus horizontes gastronómicos) decidiu experimentar e repetir umas surpreendentes Iscas de vitela. Cortadas de forma muito fina, perdem toda a sua textura farinhenta, sendo depois temperadas com azeite, vinagre, alho e salsa.


Eis que chega um dos pratos icónicos do restaurante, a Sopa de Santola. Servida na própria carapaça, é um creme de marisco de sabores claros, simples e com uma cremosidade exemplar. Aliás, os elementos cremosos estiveram, ao longo de toda a refeição, sempre perfeitos na sua consistência, uma amostra da perfeição técnica da cozinha de Justa Nobre. Esta sopa aqueceu-nos a boca e o espírito. Agora consigo perceber o porquê da fama desta sopa, e apenas posso afirmar que é totalmente justificada.


O prato do mar, a Empada de Lavagante, continuou a revelar alguns pormenores de execução brilhantes. Massa bem cozinhada e estaladiça, recheio cremoso e com a proteína a revelar-se cozinhada na perfeição. Uma empada fantástica (a lembrar mais uma empanada) em toda a sua complexão. Acompanhou com legumes (courgette, cenoura, nabo, beterraba e couve-flor) simplesmente cozidos, parecendo depois terem sido borrifados com azeite. Visualmente, apresentavam um brilho que se traduziu também em sabores brilhantes. Nunca na minha vida comi legumes cozidos que fossem tão gulosos!


Até aqui tudo tinha deslumbrado e não foi diferente com o prato de carne, umas Bochechas de Porco Bísaro com Puré de Castanhas. Um puré uniforme, sem vestígio de granularidade e exímio tanto no sabor como na execução. As bochechas, cozinhadas até ao ponto em que as podemos comer com uma colher, estavam perfeitas também no nível de tempero. Um prato muito consistente e que é representativo das influências transmontanas na cozinha de Justa Nobre.


Já a rebentar pelas costuras e desejando apenas uma sobremesa pequena, chega-nos à mesa um Pijama! Ainda que em doses moderadas, as quatro sobremesas juntas ultrapassavam a nossa quota disponível, mas lá se fez o esforço e acabou por não sobrar nada. Tarte de Castanhas bem executada mas a desiludir um pouco no sabor, quando comparado com o puré de castanhas do prato anterior. Cheesecake muito amanteigado e a precisar de alguma acidez para contrabalançar o creme, mesmo considerando as raspas de laranja e lima presentes. Pudim Abade de Priscos e Sopa Dourada muito bons mas tendo um nível de açúcar (próprio destes doces) que o meu corpo tem dificuldade em ingerir em grandes quantidades. Apesar de boas, as sobremesas não estiveram ao mesmo nível dos restantes pratos.


Com o café uns caseiros Mini Pastéis de Nata. Mais uma vez, parece que nada falha na execução técnica dos pratos, com um recheio cremoso e saboroso a preencher um invólucro perfeitamente cozinhado e crocante.


A consistência apresentada em todos os pratos não é fácil de alcançar. O Nobre prima não só pela execução como pela qualidade dos produtos que confecciona, e assim se percebe o sucesso (justificado) que o restaurante tem ganho nos últimos anos. Pode não ser um restaurante barato, mas vale uma visita para podermos apreciar e testemunhar a qualidade da comida.

Zomato
Foodspotting
O Nobre / Spazio Buondi
Avenida Sacadura Cabral, 53B
Lisboa, Portugal
Facebook
Site
Preço Médio: < 50 €

segunda-feira, 9 de março de 2015

Furnas do Guincho (Guincho)

Existem poucos sítios com um rácio tão grande de "restaurantes com uma vista espectacular"/quilómetro como a estrada do Guincho. De 500 em 500 metros (ou menos) damos com um restaurante com uma vista fantástica para o Atlântico. Então, porquê este Furnas do Guincho? Porque a Zomato foi, como sempre, extremamente simpática em me oferecer um convite para eu ter a oportunidade de o experimentar.
Apesar da vista do restaurante ser fantástica, fui lá jantar numa noite pré-natalícia menos luminosa, não a podendo apreciar a 100%. Ainda assim, um restaurante com um bom ambiente e serviço cuidado, altamente recomendado para uma refeição mais intimista.
Começámos a refeição com um óptimo prato de Presunto Pata Negra. Simples e muito bom. Pessoalmente gosto do meu presunto com um pouco mais de gordura nas fatias, mas não sei se a falta da mesma se terá dado pelo corte executado ou pelo presunto em si.


Um dos pratos favoritos da minha cara-metade são Amêijoas à Bulhão Pato. O fanatismo é tal que ela chega a afirmar ser capaz de comer este prato para o resto da sua vida. Os espécimenes degustados apresentavam-se saborosos e de bom tamanho, mas faltava-lhes mais acidez. Sim, podíamos (e devíamos) ter pedido limão mas estávamos com alguma fome e decidimos atacar na mesma os nossos pratos. Um pequeno conselho... não se coíbam de comer os "bichos" à mão por estarem num restaurante mais refinado. Se nos trazem toalhetes húmidos é porque, à partida, pressupõem que o iremos fazer. E são muito melhores quando comidos à mão, não é?


Mesmo sabendo que o Peixe ao Sal é uma das especialidades deste restaurante, e que a qualidade do peixe nos restaurantes desta zona é excepcional, por vezes há dias em que nos apetece algo com um pouco mais de substância e acabámos por optar por uma Cataplana de Polvo com Batata-Doce. Polvo macio, numa boa e típica conjugação de sabores, com os pimentos a darem o ar de sua graça sem dominarem todo o nosso palato. Se a batata fosse mais doce, teria dado um maior contraste ao prato e teria ficado ainda melhor. Se todos os pratos com pimentos fossem assim, não teria uma aversão tão grande aos mesmos.


Por incrível que pareça, o melhor prato da noite não veio do mar. Num restaurante claramente virado para o mar (pun intended), comemos um dos melhores e mais gulosos bifes dos últimos tempos. O Tornedó à Chefe é um saboroso e macio naco de carne, imerso num molho de natas e cogumelos que pede que nele mergulhemos as batatas fritas que vêm a acompanhar.


Aspecto menos positivo de toda a refeição foi a sobremesa. Um Crocante de Ananás que pouco tinha de crocante. Tudo bastante ensopado, sem contraste de texturas e um pouco doce demais. Não estraga muito a imagem geral com que saí do restaurante mas tenho perfeita noção de que um restaurante com esta gama de preços deveria produzir sobremesas melhores.


Numa estrada recheada de bons restaurantes, muitos com o mesmo tipo de menu, é complicado escolher. Não sei se este será superior ou não aos restantes, pois ainda não tive oportunidade de experimentar todos, mas garanto-vos que não sairão desiludidos pela qualidade da comida.

Furnas do Guincho
Guincho, Portugal
Preço Médio: < 40 €

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Pigmeu (Campo de Ourique)

Mal ouvi falar na abertura de um restaurante unicamente dedicado a comer porco fiquei em pulgas. Sou um fã confesso deste tipo de carne e a ideia de um restaurante com um conceito "Nose to Tail" (um conceito popularizado pelo chef Fergus Henderson) é inovador em Lisboa. Bem, neste caso é mais "Ears to Toes", pois não existe nenhum prato com o nariz ou a cauda do bicho. Sim, isto era uma dica para que possam incluir na ementa algo como "Crispy Pig Tails"!
Foto retirada daqui
O restaurante tem a típica decoração de madeira que é usada em qualquer restaurante que queira ter um ar moderno e descontraído, mas o que me trouxe aqui não foi a decoração, mas sim a ementa. E essa tem um aspecto fantástico. Fácil de perceber e com o conceito bem retratado, onde até a opção vegetariana se encaixa no conceito (Sandes Vegetariana de Bolota). Apeteceu-me pedir tudo, mas éramos só 2 e isso poderia ter sido um problema, de maneira que escolhemos apenas os pratos que achámos serem da nossa preferência.
Começámos pelos (já famosos) Croquetes de Bochecha Estufada. Boa fritura e com um interior muito saboroso. Fantástico este novo uso para a bochecha, uma parte do porco que aprecio bastante. Estava apenas um pouco salgado mas ainda assim repetiria vezes e vezes sem conta.


Já o Prato de Presunto Português Reserva não convenceu pela qualidade do produto. A um preço bastante mais simpático que qualquer prato de presunto em qualquer outro restaurante, preferia que o presunto fosse de maior qualidade e que o preço acompanhasse esse ajuste. Pareceu-me um presunto light.


Também a qualidade dos enchidos não satisfez totalmente na Tábua de Enchidos. Existem melhores chouriços, alheiras e morcelas no país, e acho que um restaurante que quer fazer do porco a sua imagem de marca deve usar apenas os melhores produtos que este animal consiga produzir. Não me entendam mal. Os enchidos eram bons, apenas não eram fantásticos. Um pormenor que parece falhar também na tábua é a quantidade dos enchidos. Sendo a maior parte destes acepipes para dividir, não encontro justificação para apenas uma rodela de morcela.


Não sendo fácil a escolha dos pratos principais, optámos por uma Sandes de Pernil, com queijo meia cura, a fazer lembrar a ideia por trás das famosas Sandes de Pernil com Queijo, da Casa Guedes. Boa conjugação de sabores, com um bom balanceamento entre os dois componentes, tudo bem suportado por um fantástico pão. Gostaria apenas que a carne tivesse mais sabor, pois quando provada sozinha parece ser bastante unidimensional. Acho que uma abordagem mais arriscada, com um maior uso de especiarias nas 8 horas que o pernil cozinha, poderia compensar.


Já a Sandes de Barriga, com cebola caramelizada, desapontou um pouco pelos fracos sabores apresentados. Se há algo que a barriga (ou entremeada) precisa é de uma dose de sal qb que ajude a fazer sobressair os sabores deste corte tão subvalorizado. A ideia da sandes está lá, mas precisa de maior aprumo nos temperos usados, acabando por passar como uma sandes insossa. 


Tudo isto foi acompanhado por umas das melhores chips de Batata Doce Frita que experimentei nos últimos anos. Fininhas e estaladiças, estas batatas apresentam um nível de doçura que falta a muitos exemplares que encontramos neste restaurantes "modernos".


A sobremesa deixou-nos um ligeiro amargo de boca. O Crumble de Maçã estava excessivamente doce e com as maçãs apenas semi-cozidas. Não nos convenceu enquanto sobremesa, deixando-me arrependido por não ter experimentado a Mousse de Lima ou o Caldo Verde. Sim, nesta casa o Caldo Verde está na secção das sobremesas, pois é uma forma tão boa como qualquer outra (ou melhor até) de acabar uma refeição. E não, não é uma reinterpretação doce da sopa. 


Saí um pouco desiludido do Pigmeu, não porque tivesse comido mal mas porque reconheço o potencial para ser muito melhor. Adoro o conceito e a forma como foi trabalhado, mas têm que afinar alguns pontos essenciais na confecção dos pratos e nos produtos usados. Precisam também de ser mais arrojados com a forma como cozinham o porco. Atingindo o potencial que demonstram, podem facilmente tornar-se uma nova moda.

Pigmeu
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 20 €

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Bistrot O Porto (Tavira)

Tavira, como qualquer cidade algarvia que se vê preenchida por milhares de turistas nos meses de Verão, tem opções de todo o género para jantar, com boas e más opções, e algumas, como o Bistrot O Porto, fugindo ao tradicional restaurante algarvio, apostando em cartas simples, de influências mediterrânicas, com produtos frescos e muitas vezes locais. Ou seja, um bom porto de partida para novas experiências.
Perto do cais de partida do barco para a Ilha de Tavira, a escassos metros do antigo (e restaurado) Mercado de Tavira, fica um restaurante pequeno e com um aspecto acolhedor. Ao entrar, rapidamente reparamos na ementa escrita na ardósia, descrevendo os pratos através dos seus ingredientes, sem grandes floreados e tentando transmitir a simplicidade da sua cozinha.
Enquanto esperávamos que nos recebessem, o que demorou mais tempo do que seria expectável parecendo que os empregados passavam por nós sem repararem, ou havendo até empregados encostados ao balcão, o que nos levou a crer que seria tudo menos um funcionário, pudemos interiorizar o espaço e começar a ler o menu. O serviço em si foi um pouco lento e despreocupado durante toda a refeição. Mas essa espera teve um aspecto positivo, pois permitiu-nos ler e reler a ementa, sendo que quando finalmente nos sentámos e trouxeram a ementa, já não precisámos de olhar para ela pois já tínhamos escolhido.
Para começar, uns refrescantes Figos Recheados com Requeijão e Presunto. Uma combinação agradável entre a (não excessiva) doçura dos figos e do requeijão, com o salgado do presunto, este fatiado de forma um pouco mais grossa que o desejável. O prato ficaria completo com umas folhas de rúcula, de sabor forte e apimentado, bastante diferente da rúcula que habitualmente nos servem e, por isso mesmo, um ingrediente bastante interessante.


A ementa levou-me a desejar pratos simples e a escolha para prato principal acabou por recair numa Pasta com Molho de Tomate, Feta e Pecorino. Bastante simples, de bons sabores, com um "feeling" leve onde fiquei a desejar que houvesse um pouco mais do molho de tomate e que este tivesse um pouco mais de acidez. Ainda assim, um bom prato, simples e com bons ingredientes. Provei ainda a Pasta com Choco com um fantástico tagliatelle caseiro, fino e leve.


Cheguei ao fim da refeição a sentir-me saudável e até um pouco leve. Para que voltasse a sentir-me normal decidi pedir o Cheesecake para a sobremesa. Mas até este cheesecake é diferente dos restantes, não deixando de quase parecer saudável. Sendo um cheesecake cozinhado, não perdeu a leveza e doçura do creme, aliando a isso uma base. Em vez do tradicional topping, este cheesecake vinha acompanhado com uma metade de pêssego em calda e uma calda de pêssego, funcho e mel (pelo menos foi o que me foi dito pela senhora que nos estava a atender). Uma boa combinação de sabores e um bom culminar de refeição, a demonstrar uma consistência notável na ementa ao longo de toda a refeição, tanto ao nível da confecção como na lógica de ter pratos que combinem bem entre si.


Um bom restaurante, fiel aos seus princípios e aos produtos frescos e de qualidade. Preços justos e adequados à ementa, com a componente mediterrânica a sobressair. Mesmo para quem gosta, como eu, de grandes quantidades de carne e/ou peixe, deixem-se levar pela cativante e interessante ementa.

Bistrot O Porto
Tavira, Portugal
Preço Médio: < 30 €

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Tik Tapas (Ericeira)

Para quem pensa que a Ericeira é só peixe e marisco, desengane-se. Há várias opções de qualidade que fogem a este estereótipo. Para mim, este é um espaço que visito sempre que possível, e que nunca me deixa desiludido. Seja para se comer uns pregos rápidos ou para estar a petiscar tranquilamente, o Tik Tapas cumpre ambos os requisitos e aumenta a parada com pratos individuais também de qualidade acima da média. Aqui, o difícil é escolher.
Enquanto estudamos a ementa (uma lição já muito estudada mas que ainda causa algumas dificuldades), pede-se um prato de Presunto Pata Negra. Boa dimensão no corte para um fantástico presunto que não precisa realmente de mais nada para brilhar. É fantástico como alguns dos melhores prazeres são tão simples quanto um bom presunto.


Com especial atenção e simpatia da casa, que já conhece os nossos gostos, foi-nos dito que os Pimentos de Padrón eram especiais e portanto foi também imediatamente pedido. Se há coisa que muitas vezes me desilude, é quando comemos uma travessa inteira desta iguaria e nenhum dos pimentos pica («Los Pimientos de Padrón, unos pican y otros no»). Bem, mas eles avisaram que estes eram especiais e arrisco-me a dizer que cerca de 50% era picante, o que já é uma óptima percentagem. Houve até quem, na mesa, soltasse umas lágrimas de felicidade com isto. Ok, eu confesso, não era de felicidade mas sim do quão picante era o pimento ingerido.


E foi depois dos pimentos que aconteceu a pior parte da noite, pois o serviço tornou-se lento e demorado e estivemos bastante tempo sem qualquer comida na mesa. Já visitei este estabelecimento várias vezes e esta foi a primeira vez que tal aconteceu. Mas quando chegaram as tapas pedidas os sorrisos voltaram à mesa. Na primeira travessa, uma excelente Alheira de Caça com Ovos Mexidos e um fantástico e tenro Pica-Pau, com o Feijão Preto e a Batata Assada com Molho de Ervas a serem "apenas bons".


A segunda travessa era composta por alguns dos itens que mais gosto no menu do Tik Tapas. A Tapa de Lombo ao Champagne é realmente fantástica com a carne bastante tenra e um molho bastante guloso. O Choco Frito vem perfeitamente cozinhado, sem estar borrachoso como se encontra noutros sítios. As Batatas Salteadas apenas pecam por não estarem um pouco mais estaladiças, mas adoro a combinação das batatas com a cebola finamente cortada e o bacon. Já o Arroz Selvagem não me enche muito as medidas porque me sabia como se tivesse sido cozinhado com pimento e, tirando os de Padrón, não sou um particular fã de pimentos...


Um sítio a ter em conta nesta vila, com bons petiscos, para quem quer fugir um pouco ao peixe e ao marisco.

Tik Tapas
Ericeira, Portugal
Preço Médio: < 30 €

segunda-feira, 17 de março de 2014

Nebraska - Huevos Rotos con Patatas y Jamón Ibérico

É impressionante como em Espanha conseguimos encontrar presunto fantástico, seja onde for. Desde a loja de conveniência que nos vende sandes com enchidos a peso, como no Museo del Jamón ou num restaurante de topo. E porque estou eu apenas a falar de presunto quando o prato tem mais ingredientes para além deste?
Porque apenas o presunto merece nota de destaque aqui. O ovo demasiado cozinhado, com a gema já cozida e as batatas cozidas sem grande sabor, e onde apenas o presunto dava um ar de sua graça... uma pena que um presunto tão bom fosse usado num prato tão medíocre.


Restaurante Nebraska (Gran Vía)
Calle Gran Vía, 55
Madrid, Espanha
Preço Médio: < 20 €