Mostrar mensagens com a etiqueta Queijo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Queijo. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Taxca (Porto)

Este espaço abriu, em 2013, na Baixa do Porto, trazendo consigo todo o hype pertencente a uma das tascas mais icónicas do Porto, a Badalhoca! 4 anos depois, e na ressalva da abertura do seu terceiro espaço, os donos da Badalhoca original (é demasiado fácil fazer trocadilhos com o nome do local!) decidiram defender a sua honra proclamando, através de um artigo de rectificação na Evasões (aqui), que a única e verdadeira sandes da Badalhoca, continuava a ser servida exclusivamente no espaço original.
Por motivos profissionais, estive durante algum tempo na cidade do Porto, aproveitando para tentar conhecer alguns dos melhores e mais carismáticos restaurantes da Invicta. Não conseguindo ir à Badalhoca original, por questões logísticas, decidi fazer a minha primeira refeição no Porto no local que se promove como uma segunda casa Badalhoca. A decoração e a ementa parecem ser muito semelhantes, mas acaba por ser uma tasca com um ar bastante clean até.
E não podemos falar em Badalhoca, seja ela qual for, sem falar nas suas sandes de presunto! Não tendo um termo de comparação directo é complicado saber se está ao nível da casa mãe, mas a Sandes de Presunto com Queijo da Serra é um digno representante com o seu bom pão (tipo carcaça), um bom presunto (bem cortado e atendendo ao preço da sandes, com uma excelente relação qualidade-preço) e uma generosa fatia de queijo da serra, que ficaria bem melhor se estivesse num estado mais liquefeito. 


A variedade de sandes é grande mas decidimos também provar alguns dos petiscos servidos na casa, como umas simpáticas Moelas, com um molho apetitoso mas que, para mim, poderia ter notas mais picantes!


A Punheta de Bacalhau, que faz muito mais sentido quando servido numa casa Badalhoca (eu tento conter-me mas há vezes que não resisto), também cumpriu bem o seu propósito ao encher-nos o bandulho destes sabores tão bons e tão portugueses.


A única coisa que não deslumbrou, ainda que não tivesse desgostado, foi o Bucho. Primeiro, porque estava à espera da sua versão recheada e não desta salada fria que nos remete para as saladas de orelha. E segundo, porque lhe faltava um pouco mais de sal, sendo um prato com pouco sabor.


A Taxca não deslumbrou mas serviu perfeitamente como cartão de visita mostrando que no Porto se come bem e a preços bastante justos. Fica a curiosidade para a casa original, tendo que ficar para outras núpcias, mas a verdade é que o nível de acessibilidade desta Badalhoca da Baixa facilita muita coisa.

Taxca
Porto, Portugal
Taxca Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 10 €
Data da Visita: 7 de Agosto 2017

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Pizza Mobile (Ericeira)

A Ericeira é rica em produtos marítimos, ou não viesse o seu próprio nome de um, e existe uma quantidade imensurável de restaurantes que o apregoam. Mas a oferta gastronómica na Ericeira não é, felizmente, unicamente dedicada a este tipo de produtos como, por exemplo, o fantástico Tik Tapas (aqui), um restaurante de petiscos óptimo e que toda a gente deve visitar! 
Existe também um nome que vem regularmente à baila, principalmente no que se refere ao campeonato das pizzas. Não conheço bem a história do Pizza Mobile, mas tenho ideia que terá começado como um negócio de street food, tendo-se depois expandido para a actual localização, uma vivenda com uma vista fantástica sobre a Praia de São Lourenço, onde podemos descontrair ao final de tarde enquanto observamos um pôr do sol apaixonante.
O serviço é jovem e mais ou menos desenrascado, ainda que passe demasiado tempo com os olhos no chão, em vez de levantar a cabeça para a sala. E o espaço... nem sei! Estava estarrecido com a vista e não quis ver mais nada. Isto bastante bem acompanhado por uma Mean Sardine Zagaia, uma cerveja artesanal nascida na Ericeira.


As coisas nem começaram muito bem. Pedimos uma Focaccia que de focaccia nada tinha. Alguma mea culpa ao não ter lido na descrição "massa de pizza". Porque uma focaccia não é massa de pizza! Logo, assumi que estávamos todos em linha nos mesmos termos gastronómicos italianos e não nos tínhamos posto a inventar e a roubar a ideia mental que as pessoas têm de um prato. Percebo interpretações, desconstruções e reinvenções. Mas não era o caso, era só mesmo ilusão de focaccia. Os restantes ingredientes (rúcula, cogumelos, queijo azul, queijo edam e nozes) deram um ligeiro ar de sua graça mas não consigo perceber a sua parca utilização principalmente porque a base continuou muito seca. Havia ainda um bocado de tomate no meio da massa de pizza que criou alguns esgares de gozo. Chamar a isto focaccia é só tentar enganar os mais distraídos e, desta vez, com sucesso!


Os "apontamentos" no meio do prato devem ser prática comum, já que as pizzas também apresentavam um ridículo pormenor de rúcula localizado no centro das pizzas. Não acrescenta nada logo, não deveria estar presente! Felizmente as pizzas são boas. Muito boas! Excelente base, saborosa e cozinhada o suficiente para permitir que se coma à mão e com o seu rebordo estaladiço. Pode-se pedir em 3 tamanhos (Mini para quem come pouco, Large para uma pessoa que coma bem ou duas que comam pouco ou XL para duas pessoas que comam bem) e ainda há a hipótese de pedir 2 metades diferentes para a mesma pizza XL, o que é óptimo pois dá para experimentar mais variedades da ementa. Apesar de que a ementa não parece extremamente diversificada, com uma escolha algo limitada no que se refere aos ingredientes. Acabamos por olhar várias vezes para a ementa e ficar com a sensação que algumas pizzas parecem repetidas.
Optámos por uma XL metade Chourição (queijo, tomate, oregãos, chourição, cebola, alho e alcaparras), metade Fiambre (queijo, tomate, oregãos, fiambre, cebola e pimentos) e outra XL metade 4 Queijos (tomate, oregãos, queijo azul, queijo feta, queijo mascarpone e queijo edam), metade Presunto (queijo, tomate, oregãos, queijo mascarpone e presunto).
Combinações simples mas com ingredientes decentes e utilizados sem contenção. Não são ingredientes de excelência mas tudo ali encaixa bem. O sítio, a vista, a boa base e o rácio base/ingredientes. E os preços são justos!

Chourição / Fiambre
4 Queijos / Presunto
Com a sobremesa, apercebi-me que a especialidade aqui são mesmo as pizzas! Se a entrada não tinha deslumbrado, também a saída não convenceu com um Apple Crumble fraquinho. Base e rebordo excessivamente grosso e cozinhados, revelando uma dose de recheio de maçã demasiado fina ainda que simpática. O crumble em si também não ajudou, apresentando-se demasiado enfarinhado e sem ser muito estaladiço. Se as proporções estivessem mais ajustadas até poderia ser uma sobremesa decente mas a concretização não foi boa.


Para quem está na zona da Ericeira e quer comer uma pizza (ou até ir buscar, pois existe serviço de Take-Away) é uma excelente opção. A qualidade das pizzas convenceu-me a querer regressar e a recomendar, mesmo que o resto não acompanhasse.

Pizza Mobile
Ericeira, Portugal
Pizza Mobile Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 10 de Agosto 2016

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Barola (Mazagón)

Não querendo fazer o jantar deste quente dia de Junho no El Choco (aqui), optámos por ver que mais haveria pela zona de Mazagón, tendo andado muito tempo às voltas a tentar encontrar aquele que parecia o restaurante mais atractivo, o Mesón de Marisa, infelizmente sem sucesso. No meio de tantas voltas passámos pelo Barola, que parecia ter uma ementa simpática, uma esplanada porreira e decidimos assentar arraiais aí mesmo.
Começámos com um Queso a la Plancha con Marmelada y Crocante de Almendras, um prato que pela descrição me levava a pensar para um queijo de sabores fortes, amanteigado, passado pela chapa para ganhar aquela crosta exterior e servido com uns pedaços de marmelada (como nós a conhecemos) e o crocante de amêndoas para dar textura e até alguma neutralidade nos sabores fortes. Mas o queijo não era nada de fantástico e a marmelada era um simples doce de morango que pode ter saído de qualquer frasco de supermercado. Podia ter sido pior, mas as coisas até se ligavam com alguma piada (mesmo com a fraca concretização) mas o início da refeição não foi auspicioso.


E as coisas mantiveram-se um pouco numa linha bastante fraca neste Barola. Pedimos também os Tacos de Atun e agora vou-vos pedir um favor. Se puderem, abram o google, pesquisem "Tacos de Atun" e vejam as imagens que surgirem. Ok, já viram? Pronto, agora, avancem os vossos olhos para a imagem imediatamente abaixo. É parecido, certo? Pois... Atum excessivamente cozinhado, num molho esquisito e sem grande piada por cima de umas (inevitáveis e sofríveis) batatas fritas. Até me podiam apresentar algo diferente, pois assumo que tacos de atum naquela zona possa ser algo diferente, mas ao menos que me apresentassem algo bom.


Nem as Croquetas de Cocido eram particularmente famosas, com o seu recheio a faltar-lhe intensidade e sabor. Deveriam aprender com Kiko Martins (aqui) como fazer excelentes croquetes de cozido! Ah, e porque já havia batatas fritas a mais, toma lá umas batatas palha de pacote...



Nem a sobremesa salvou esta fraca refeição. Um Brownie de Caramelo tão seco que nem o chantilly conseguia humedecer as garfadas que lhe íamos dando.



De forma geral, foi uma refeição muito fraca. Ok, que escolhemos o local porque "parecia bem", o que me leva a continuar a acreditar que a preparação prévia é sempre melhor, mas ainda assim esteve muitos pontos abaixos de algo medíocre.

Barola
Mazagón, Espanha
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 8 de Junho 2016

domingo, 30 de julho de 2017

Boi-Cavalo (Alfama)

Hugo Brito é um dos chefs do momento em Lisboa. Desde que abriu o Boi-Cavalo em 2014, com Pedro Duarte mas tomando as rédeas do projecto a solo em 2015, que se tem vindo a destacar na cena gastronómica da capital como um dos novos chefs a ter em conta. Tanto que foi um dos chefs a subscrever o Manifesto para o Futuro da Cozinha Portuguesa (aqui), proclamado no Peixe em Lisboa, conjuntamente com outros colegas bastante relevantes. A lista completa: Henrique Sá Pessoa (Alma / Tapisco), José Avillez (Belcanto / Mini Bar / Cantinho do Avillez  / Bairro do Avillez / Pizzaria Lisboa / Café Lisboa), Alexandre Silva (LOCO), João Rodrigues (Feitoria), Milton Anes (LAB by Sergi Arola), Kiko Martins (O Talho / A Cevicheria / O Asiático / Surf & Turf / O Watt), Hugo Nascimento (Tasca da Esquina / Peixaria da Esquina / Taberna da Esquina), Pedro Pena Bastos (Herdade do Esporão), Tiago Bonito (Largo do Paço), Luís Barradas (Tago's), Leandro Carreira, Hugo Brito (Boi-Cavalo), Manuel Maldonado (Ostraria), Tiago Feio (Leopold), Rodrigo Castelo (Taberna Ó Balcão), David Jesus (Belcanto) e Carlos Fernandes (LOCO).
Num registo muito próprio, Hugo Brito apresenta-se no Boi-Cavalo com uma cozinha muito diferente e muito única, com um menu de degustação (7 pratos, 32€) que muda semanalmente. Claro que esta mudança semanal acarreta riscos. Existe sempre o risco de um novo prato, pouco trabalhado ainda, não estar a funcionar bem, ou até a possibilidade de chegar a um bloqueio criativo pois é um trabalho extremamente exigente que obriga o chef a reinventar-se e continuar em constante adaptação com os produtos disponíveis. Se, ao fim de 3 anos, Hugo Brito conseguiu domar este animal selvagem que é o Boi-Cavalo, muito diz do trabalho nele colocado e que tornou este espaço como um dos melhores de Lisboa. Era um restaurante que já tinha na lista há muito tempo mas acabei por aproveitar o voucher 2 por 1 da Time Out que surgiu a meio de Julho.
Espaço esse que é bastante giro, tendo sido em tempos idos um talho, mas com as mesas relativamente pequenas e as cadeiras algo desconfortáveis. Apesar da política de menu de degustação, que deveria levar as pessoas a desfrutar de uma viagem nas mãos do chef sem tempo limite, o restaurante impõe (ao fim de semana) uma política de dois turnos (às 20h e às 22h30) o que, tendo em conta as cadeiras em questão até é benéfico pois perto do fim da refeição já existe muito a vontade de se levantar e esticar as pernas. O aviso relativo aos turnos foi feito na hora da reserva, até com alguma insistência mas a verdade é que, chegando às 20h, tudo correu bastante suavemente, tendo quase toda a gente saído do restaurante um pouco antes do início do turno seguinte, mas já com o decorrer do reboliço de preparação para a nova fornada de clientes.
A ementa servida por Hugo Brito é uma imensidão de irreverência com sabores novos e conhecidos a conjugarem-se em técnicas bem executadas mas onde nem sempre o resultado foi perfeito. O principal a ter em conta aqui é que temos que ir de mente aberta e sem restrições (pois também essas não nos foram perguntadas em momento algum, da reserva ao fim da refeição, e neste tipo de conceito deve sempre ser perguntado). Mente aberta é realmente o mais importante aqui, e aconselho a só mencionarem restrições alimentares se forem realmente condições médicas. Se não comem carne, peixe ou legumes por opção vossa (e respeito a vossa opção apesar de não concordar com ela) arrisquem na mesma e deixem-se ir! A questão é sempre "Porque não arriscar?"... porquê ficar amarrado a manias, quando podemos numa refeição descobrir novos horizontes e novos prazeres?
Nota de aviso: é muito possível que os nomes dos pratos esteja um pouco errado porque em momento algum me disponibilizaram uma ementa com o que iria comer (o que seria agradável) e foi tudo baseado em notas tiradas depois da descrição do prato.
Digo tudo isto mas, atenção, a refeição nem sequer começou bem! O Lingueirão, Manjericão Tailandês e Framboesa Desidratada ficou muito aquém das expectativas. O bivalve de sabor natural intenso mas algo estagnado, não de mar aberto e pirolitos na praia mas mais de Ria Formosa e seu natural lodo, que quando primeiramente provado não deixou ninguém na mesa perceber onde raio estavam os restantes ingredientes. Lá descobrimos uma folha de manjericão na casca do bivalve e esfregámo-lo veementemente (se fosse um mexilhão isto lembrava-me a outra música) e tudo tomou uma nova dimensão! Aqui já mais agradável mas sem chegar ao patamar que estávamos à espera. Ah, e a framboesa desidratada? Quando provada em conjunto era totalmente afogada pelos restantes sabores. Quando provada individualmente tinha piada mas o seu propósito no conjunto já se tinha perdido.


Felizmente foi só o início que foi atribulado porque a restante refeição correu bastante melhor. Atenção, correu bastante melhor para mim, mas houve pessoas na mesa que não gostaram do prato X ou Y. E é isso que também é engraçado nestes menus em que não sabemos o que vamos comer. O entrar num local com uma venda nos olhos e ir retirando a venda aos poucos. Cada pessoa irá interpretar aqueles sabores à sua maneira e gostará ou não. Mas ao menos arriscou!
Claro que houve alguns pratos consensuais, como foi o caso do Creme de Favas com Chouriço, Chips de Batata Roxa e Ovo Curado. Que sabores tão portugueses, tão fantásticos e tão bem trabalhados! Altamente viciante e a apetecer-me lamber toda a taça! Único pormenor que não percebi no prato, e que aconteceu nalguns pratos salgados sem fazer grande sentido gostativo, foi o Ovo Curado, apresentado em forma de pó.


Também a puxar aos sabores portugueses, mas com aquele toque de irreverência essencial, o Puré de Morcela e Tamarindo, Tagliatelle de Lula, Vinagrete de Maracujá, Amêndoa Torrada e Pó de Nori. Começando pelo aspecto menos positivo, o pó de nori que não pareceu acrescentar nada de novo excepto dar mais uma cor ao prato. Todos os restantes ingredientes bastante bons quando provados individualmente, com o vinagrete de maracujá a surpreender bastante e o puré a puxar também ao avinagrado dos chouriços de sangue. E, por muito estranho que seja combiná-los, fazia total sentido!


O prato de peixe da noite consistiu num Chicharro Braseado com Molho de Poejo e Pó de Mexilhão (lá está o pó que para mim nada acrescentou) acompanhado por Noodles de Batata Macerados à Bulhão Pato com Pele de Porco. Ainda que o chicharro estivesse ligeiramente salgado, estava fantástico. Excelente textura, com uma cozedura mesmo muito ligeira e pleno de sabor. Do outro lado, uns leves noodles de batata, onde o bulhão pato não era de todo pronunciado mas que ligava lindamente com a estaladiça pele de porco.


O prato mais "simples" da noite não foi menos bom pela aparente simplicidade com que chegou à mesa. 3 componentes, sem grandes descrições ou complicações nas notas tiradas. Um excelente, super macio, super tenro e bastante saboroso Lombinho de Porco com Puré de Alface e Vinagrete de Batata-Doce. Aqui, finalmente, sem pós de pirlimpimpim ou outros adereços que não faziam sentido. 3 sabores distintos e fortes, com o lombinho de porco (que era realmente de bradar aos céus, com o seu interior ainda rosado) a puxar o lado salgado, o puré de alface a trazer amargor e o vinagrete de batata-doce, que não era um componente ácido mas sim um componente doce. Excelentes individualmente mas muito melhores juntos.


O penúltimo momento pareceu muito pouco português no seu timing, a puxar mais por raízes francesas julgo, com um prato de Queijos e Pães a chegar à mesa antes da sobremesa. 3 tipos de pães (que não me recordo quais eram mas todos de bom nível) e 3 queijos, bastante diferentes entre si mas todos de sabores únicos e pronunciados. O de Serpa (na image, o do meio) com tons mais macios ao palato mas a acariciar-nos gentilmente as papilas gustativas, assim como o Chèvre que sendo um pouco mais intenso, e de uma excelente qualidade, nos ajuda a progredir para aquele que foi um queijo apoteótico com o São Jorge de 40 (!!) meses de cura. Um queijo que surpreende e evolui na própria boca para ser uma verdadeira bomba! Para ir cortando e limpando o palato, uns simpáticos pickles de rabanete.


Falava-se à mesa como é cada vez mais comum encontrar, em restaurantes com cozinhas de autor ou mais vanguardistas, sobremesas menos doces. Algo que não seja aquelas bombas de doçura que nós portugueses tão bem fazemos. Atenção, nada contra os nossos tradicionais doces conventuais mas é bom variar de vez em quando. O Cheesecake de Banana, Molho de Sakê, Espuma de Raíz Forte, Doce de Marmelada e Banana Frita acabapor fazer isso mesmo. Apesar do (longo e provavelmente errado) nome soar a algo bastante doce, o sabor da raíz forte, com toques entre a mostarda e o wasabi, ajuda a contrabalançar tudo o restante, transformando-a numa sobremesa que foi crescendo a cada colher.


Mesmo não tendo ficado fã do primeiro prato, a vontade de voltar ao Boi-Cavalo é grande! Porque a probabilidade de comer o mesmo que comi na semana que lá fui é muito baixa. Porque quero conhecer melhor o nível de criatividade de Hugo Brito. Porque quero perceber se a sua cozinha irá de encontro ao Manifesto que proclamou. Mas no final quero voltar por um simples motivo... porque é bom!

Boi-Cavalo
Alfama, Portugal
Boi Cavalo Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 40 €
Data da Visita: 16 de Julho 2017

terça-feira, 30 de maio de 2017

Petiscaria da Terra (Lumiar)

Sabia que a zona de Telheiras se estava a tornar um ponto de restauração muito interessante mas desconhecia do que o seu vizinho Lumiar fosse capaz, exceptuando o óbvio Volver de Carne Y Alma. Ok, estou a ser injusto! Tenho mais restaurantes no Lumiar na minha lista mas a verdade é que não reconhecia à zona capacidade para me surpreender. Mas enganei-me...
Procurava um lugar para almoçar. Algo que não fosse extremamente demorado, nem extremamente caro. Algo simples, reconfortante mas guloso. E a ementa que vimos, numa rápida pesquisa online, cativou-nos bastante por encaixar em tudo o que procurávamos. E, melhor ainda, não desiludiu!
O espaço interior é relativamente pequeno, facilmente enchendo durante o almoço mas, agora que o bom tempo se está a impor, existe também uma esplanada. Alguns apontamentos de decoração engraçados e uma visão aberta para a pequena cozinha, algo que para mim representa sempre um sinal de confiança dos responsáveis do estabelecimento ao não querer esconder nada do cliente final. O único senão foi o tempo algo longo pelo qual esperámos pela comida, numa fase em que o restaurante não estava ainda cheio. Como bónus, o restaurante é aderente Zomato Gold, ainda que não tenha sido por este motivo que lá me dirigi, e foi a primeira vez que a utilização do serviço foi simples e sem erros.
Abrimos hostilidades com uns bons Cogumelos Portobello gratinados, onde o único apontamento negativo que posso fazer é ao nome dado ao prato, pois a nível de sabor estavam impecáveis. Agora, chamar Portobello ao que nos foi servido já pode ser algo incorrecto, dedução feita ao tamanho dos pedaços. Um cogumelo da espécie Agaricus Bospirus é denominado Portobello quando atinge um nível de maturidade alto, podendo atingir um tamanho entre 5 e 10 cm de diâmetro e apresentando uma cor acastanhada. Quando "jovens" os agaricus bospirus podem ter 2 cores que costumamos reconhecer por outros nomes, branca (cogumelos Paris) e castanha (cogumelos Marrom), ainda que façam todos parte da mesma espécie. É uma questão de nomenclatura... nada de grave.


Quem acompanha o blog há algum tempo pode já ter percebido o meu confesso amor a Croquetes. Seja de que forma for é o meu manjar favorito e um pedido incontornável quando os vejo numa ementa! Aqui são servidos uns bons exemplares de pato, extremamente bem fritos, mas onde lhes faltava uma pontinha de sal. Acompanhava com uma compota de laranja que dispensei pois não estava a ajudar o sabor do pato a crescer, acabando por o ocultar e tornar o conjunto pouco equilibrado (para o lado do doce). Sei que pato e laranja é uma combinação clássica mas aqui não funcionou bem.


Excelente o Queijo de Cabra em massa folhada, em mais uma combinação clássica, com a junção da óptima marmelada a balancear-se perfeitamente com o sabor mais intenso do queijo. Elementos simples, bem executados e que funcionam tão bem em conjunto...


Terminámos a refeição a dividir um Croque Monsier, essa afamada sandes que influenciou a criação da invicta Francesinha. Bons ingredientes, numa interpretação muito própria, com o uso de presunto, queijo (que nos pareceu cheddar) e cogumelos, depois levados a gratinar com molho branco e mais queijo, até ter o aspecto delicioso que podem ver. Acompanhava com umas batatas fritas simpáticas mas pouco estaladiças (e chegaram à mesa já algo mornas).


Fica o feliz sentimento final, pela surpreendente positiva, de encontrar um espaço assim e do qual nunca tivesse ouvido falar. A comida não desiludiu e, mesmo não deslumbrando, saímos com um sorriso na cara deste verdadeiro achado.

Petiscaria da Terra
Rua Luís Pastor de Macedo, 4B
Lumiar, Portugal
Petiscaria da Terra Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Foodspotting
Facebook
Site
TheFork
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 5 de Maio 2017

domingo, 28 de maio de 2017

Churrasqueira D. Pedro (Ramada)

Há serviços que fazem uma casa! Este é o maior elogio que posso fazer à Churrasqueira D. Pedro, na Ramada. Entrar pela primeira vez num restaurante e sentirmos que somos tratados como se lá fossemos todas as semanas. Tudo de uma forma genuinamente honesta e fantástica! Saí do restaurante plenamente convencido que caso fosse mais perto da minha zona seria um cliente regular.
Mas não é só o serviço que aqui é bom, apesar de ser facilmente o ponto de maior destaque da casa. Gostei bastante da decoração do restaurante, que foge radicalmente à decoração de tasca/churrasqueira a que normalmente estamos habituados, e tem toda uma temática vínica, acompanhando com o que parece ser uma garrafeira de meter respeito. Mas estou para aqui a gabar todos os pontos que normalmente considero secundárias e ainda nem uma referência à cozinha fiz? 
A refeição iniciou-se com um excelente Couvert, composto por bom pão, umas azeitonas decentes e um óptimo Painho Alentejano.



Também foi colocado na mesa um excelente Queijo de Ovelha curado, intenso no seu sabor e que acompanhou bem o pão já servido.



A ementa é composta por pratos simples, sem grandes preparações, como seria de esperar de uma churrasqueira. A indicação de meias doses leva-nos a fazer crer que uma dose chegaria para 2 pessoas e estávamos correctos. Ainda assim, um dos comensais decidiu devorar uma dose de Secretos só para si. Apesar do bom aspecto (do qual não existe registo fotográfico), disse estarem um pouco salgados demais. Mas não me apetecia grelhados. Desde o dia anterior que o meu apetite andava à procura de um bife com molho, acabando a escolha por recair no Bife à Dionísio. Excelente bife, com uma carne tenra, saborosa e bem temperada e a repousar numa gulosa poça de um curioso molho escuro que se revelou algo viciante! Em cima, um ovo ligeiramente estrelado demais (para o meu gosto) mas com a gema a apresentar-se ainda líquida.



Acompanhou com um simpático Arroz de cenoura e umas decentes Batatas Fritas. E aqui entra mais uma vez o maravilhoso serviço que, vendo o pobre esfomeado que tinha acabado de ingerir uma dose inteira de secretos ainda a raspar os pratos das pessoas à sua volta, prontamente, pela voz do responsável do restaurante, fez chegar à mesa mais acompanhamentos para que nada nos faltasse. Pequenos pormenores que fazem toda a diferença.



As doses individuais são bem servidas mas o estômago pedia um aconchego final, que se traduziu num bom Bolo de Bolacha. Nada daqueles excessos de manteiga ou natas (blasfémia!), mas antes perfeitamente equilibrado e onde o ingrediente principal era realmente a bolacha.



Menos satisfatório mas ainda assim de bom nível, a Delícia de Morango. Uma espécie de panna cotta com uma cobertura de morangos liquidificados a concretizar um bom contraste.



Uma autêntica revelação esta Churrasqueira D. Pedro! Já tinha lido coisas positivas mas ainda assim conseguiu superar as expectativas.

Churrasqueira D. Pedro
Ramada, Portugal
Restaurante Churrasqueira D. Pedro Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 29 de Abril 2017

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Ferro Velho (Amora)

As idas à Margem Sul, de forma propositada para uma refeição, são raras, para não dizer inexistentes. Não é que não seja um sítio interessante, ainda que incomparável com a cidade de Lisboa e seus arredores, mas não é uma "margem" para descurar quando estamos a considerar ir comer fora.
Por ocasião de uma ida ao Freeport, ou algo semelhante (já não me recordo bem), decidiu-se fazer o desvio no regresso para ir a um restaurante na Amora, perto do Seixal, que tem como especialidade a Carvoada! Para todos os que acham ridícula a ideia de ir comer fora e cozinhar a sua própria comida, podem parar de ler aqui. Se não são fãs de bifes na pedra ou fondue, por exemplo, não acredito que este prato seja do vosso agrado.
Mas já lá vamos porque a refeição não foi directa para a Carvoada, ainda que não tenham existido grandes preliminares, pois estávamos todos a guardar-nos para o prato principal. Ainda assim, houve tempo e espaço para um bom couvert, composto por um cesto de pão, Pão Torrado e um excelente Queijo de ovelha.



Mas, afinal, o que é uma carvoada e o que tem de tão especial? Consiste num pequeno grelhador de mesa a carvão, onde podemos cozinhar a carne disponibilizada a nosso bel-prazer. É realmente notável como este tipo de pratos existem um pouco por todo o mundo, com o caso português (tradicional da zona de Porto Brandão) da carvoada, o suiço fondue, o hot pot chinês, o japonês shabu shabu, o barbecue coreano ou como uma das refeições que fiz na minha estadia em Istambul (falarei disso daqui a uns tempos). Basicamente, são pratos que assentam na necessidade humana do fogo e calor, reunindo família e amigos à volta da mesma fonte calor e de comida. Algo que é transversal a qualquer cultura, um pouco por todo o mundo! E isto é o que de tão especial pode existir numa carvoada. A maior interacção entre as pessoas da mesa, nem que seja no simples movimento de arranjar espaço no grelhador de pequenos pés (e ar instável) que servia como peça de centro da mesa. Porque, de resto, é carne grelhada (de boa qualidade) e bem temperada, grelhada a gosto! Não há muito que errar aqui principalmente quando os acompanhamentos são também eles decentes... 



Erraram realmente foi no Cheesecake, ao falharem completamente o ingrediente principal, o queijo, que aqui pareciam ser única e exclusivamente natas. O resto dos componentes até pode ser simpático mas quando me falham um cheesecake neste ponto fulcral então não há muita volta a dar.


Bem melhor o Leite Creme, principalmente no que a sabor dizia respeito, ainda que a caramelização superior pudesse ser um pouco mais intensa, mas cumpria os requisitos mínimos para dar textura à sobremesa!


O restaurante tem mais opções do que a Carvoada mas este parece ser o prato icónico do sítio. O problema aqui é o preço que é praticado pela carvoada, pois ainda que a carne seja boa não é de excelência!

Ferro Velho
Amora, Portugal
Ferro Velho Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 12 de Março 2016

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Rubro (Mercado da Vila - Cascais)

O nome Rubro é muitas vezes associado a boa gastronomia espanhola. Os seus dois restaurantes iniciais (no Campo Pequeno e perto da Avenida da Liberdade) estão mais do que estabelecidos em Lisboa e desde cedo me despertaram a curiosidade, tanto pelas tapas como pela carne da raça Rubia Gallega. E eis que em Abril de 2016 abriu o Rubro Cascais, e decidi que seria desta que finalmente iria conhecer um restaurante deste grupo. Como é natural, as expectativas estavam altas mas, verdade seja dita, a experiência não foi das melhores ainda que tenhamos pedido vários pratos "recomendados" (encontram-se com um U na ementa).
A ementa é realmente muito apelativa com várias tapas interessantes e apelativas propostas de carne mas os apetites dessa noite estavam unicamente virados para a arte de tapear e iniciámos a refeição com uns Cogumelos Grelhados que de grelha viram muito pouco tempo. Não é que não goste de cogumelos crus, pois até aprecio bastante, mas faltava-lhes aquele toque característico da grelha e também um pouco de sal.



Os Ovos Rotos com Presunto revelaram-se uma desilusão completa, principalmente pelas moles batatas "fritas". que não conseguiram ser ajudadas e tiradas do "lodo" pelo presunto, visto que a qualidade (e quantidade) deste estava longe de ser memorável.



O Queijo Provolone na Chapa apresentou uma qualidade simpática, temperado com colorau e por cima de umas incompreensíveis rodelas de tomate. É queijo na chapa, um prato de gula e devassidão... o tomate parece fora de contexto ali.



As Puntillitas, prato que peço quase sempre em restaurantes espanhóis, foram o melhor que se comeu esta noite, ainda que estivessem longe das melhores que já experimentei. Boa e correcta fritura mas falhou o tempero.



Apesar dos pratos não terem correspondido ao que esperávamos, decidimos ainda assim arriscar no Cheesecake de Maracujá para sobremesa. Infeliz a hora em que o fizemos pois foi dos piores cheesecakes que comi nos últimos tempos. A bolacha bastante mole, o creme com um sabor unidimensional e desinteressante e um desequilibrado topping de maracujá que mesmo sendo o melhor no prato não chegou para o salvar.



Já falei várias vezes sobre o quão perigosas são as expectativas e aqui saíram bastante defraudadas. Pode ter sido um dia mau, e acredito verdadeiramente nisso, daí não excluir os Rubro totalmente da minha lista, mas se lá voltar será para experimentar a carne,

Rubro Cascais
Cascais, Portugal
Rubro Cascais Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 7 de Maio 2016

terça-feira, 14 de março de 2017

Tartine (Chiado)

Os brunches estão na moda! Existem cada vez mais sítios a oferecer esta refeição que é uma espécie de pequeno almoço fortalecido. Uns melhores, outros piores, mas a verdade é que a procura e a oferta tem aumentado bastante nos últimos tempos. Nada como acordar "tarde" ao fim de semana, sem preocupações com o que fazer para o almoço, e irmos deleitar-nos com pão, queijo, fiambre, ovos e toda essa decadência gulosa.
À entrada do Tartine podemos logo começar a observar as variedades de pães disponíveis e que podemos comprar para levar para casa, assim como alguns bolos e doces. Tudo com excelente aspecto.
Algo que reparámos enquanto nos retiravam o pedido é o fraco nível do serviço. Funcionários de caras fechadas, pouco simpáticos e parecendo fazer tudo de má vontade.
O Brunch no Tartine inclui um bom copo de Granola com Iogurte Bio, onde podemos escolher leite ou soja. Doçura e alguma acidez numa boa e já habitual combinação.



Um prato com compotas Casa de Mateus (logo, bastante boas), manteigas de pacote, uma boa quantidade de fiambre e de queijo, ainda que não haja qualquer variedade, o que seria interessante.



Um cesto de Pão com 3 variedades (Pão Tigre, Pão de Azeitonas e Pão de Sementes), todos bastante bons e ainda uma escolha por pessoa entre Croissant, Pain Au Chocolat ou Brioche. Realmente fantástico o Croissant e o Brioche.



Para beber podemos optar entre um bom mas não fantástico Sumo de Laranja ou sumo de frutas do dia.



E ainda uma opção quente, à escolha entre todas as existentes na carta. Um razoável Cappuccino.



E um excelente Chá Lapsang Souchong com um aroma fumado bastante interessante.



Brunch que é brunch tem de ter ovos! O brunch do Tartine não os inclui mas existe a possibilidade de pedir como extra. Como gulosos que somos, pedimos os Ovos Benedict e Royal, onde a diferença está na proteína usada. Presunto no caso dos Benedict e salmão nos Royal. Os ovos estavam perfeitos, assim como o molho holandês que generosamente banhava todo o prato. Apenas o pão poderia ser utilizado de forma diferente, com uma fatia mais fina e torrado. Um conselho, pedir um prato de ovos para cada um pode ser algo excessivo...




Tirando o aspecto do serviço, que não era horrível mas não deixa de ficar na memória por maus motivos, a comida é boa. Os pães são muito bons e os ovos são excelentes! Só faltava uma maior variedade ao nível das carnes frias e queijos...

Tartine
Rua Serpa Pinto, 15A
Lisboa, Portugal
Tartine Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Foodspotting
Facebook
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 18 de Fevereiro 2017