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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

cáBARé (Porto)

A baixa do Porto é das zonas mais movimentadas da cidade mas, muito provavelmente, também a mais interessante gastronomicamente. Muitos restaurantes, uns mais recentes, outros mais antigos, numa zona que vibra com a vida que por lá passa. Esta vida é uma das razões que me fez adorar a cidade do Porto enquanto lá estive.
Outra das razões é, claro, a comida! Depois de um dia a passear, apetecia-me algo diferente, logo a zona escolhida para jantar tinha de ser a baixa, pois a oferta é realmente bastante. Acabei por escolher este misto de bar e restaurante, apesar do nome constatar mais um conceito de bar do que de restaurante, pois estava algo fixado num prato específico e achei que seria a altura ideal para o experimentar.
Mas antes desse prato queria algo para me abrir o apetite e, entre as várias propostas interessantes, acabei por escolher a Açorda de Ovas de Bacalhau e Coentros. Uma açorda? Para entrada?! E porque não? Ainda por cima de ovas de bacalhau, algo que adoro! Servido de forma clássica, com a gema no topo para ser envolvida apenas na mesa, apresentou um bom nível de cremosidade mas faltou-lhe algo para dar textura. As ovas acabam por ficar demasiado encorporadas na açorda e precisava de algum apontamento que lhe conferisse textura como umas chips de alho ou pequenos pedaços de ovas panadas, por exemplo.


O prato que me fez vir ao cáBARé foi o Risotto de Rabo de Boi (que entretanto parece ter desaparecido da ementa)! Fantástico nos sabores e texturas, com o arroz perfeitamente cozinhado num profundo caldo de carne, provavelmente onde terá cozido o rabo de boi em si, com a cremosidade exigida. Excelente também a carne, e até percebo a opção do prato ser servido com osso, em vez de vir já desfiado e incorporado no risotto, mas o empratamento tem de ser revisto. As bordas do prato enclinadas fizeram com que passasse muito tempo a tentar equilibrar ossos e cartilagens, que caíam constantemente para o centro do prato. A meio lá me trouxeram um prato auxiliar onde pudesse guardar, sem chatices, os pedaços não comestíveis.


Terminei a refeição com um Cheesecake com Calda de Vinho do Porto. Sendo uma versão de forno de cheesecake, achei-o um pouco mais denso do que deveria estar mas bastante bom a conjugação do recheio com a calda. Apenas a bolacha passou algo despercebida.


Tendo o cáBARé uma grande vertente de bar, não posso acabar este artigo sem dar algum destaque à carta de cocktails, do qual experimentei um bom Mojito cáBARé.


Bons pratos, a preços que considero justos para a qualidade apresentada. É um bar? É um restaurante? Parece-me que o nome se torna algo enganador para o potencial que apresenta na comida...

cáBARé
Rua Conde de Vizela, 149
Porto, Portugal
cáBARé Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 9 de Setembro 2017

domingo, 25 de junho de 2017

Less by Miguel Castro e Silva @ Zomato Gold Meetup (Príncipe Real)

A Zomato decidiu fazer o seu primeiro Gold Meetup, convidando alguns dos seus subscritores Gold para conhecer o restaurante do Príncipe Real de um dos mais conhecidos chefs portugueses, Miguel Castro e Silva, detentor de um percurso invejável e com vários projectos em carteira para abrir este ano.
Neste Less, Miguel Castro e Silva tem a oportunidade de revisitar pratos e um conceito que há muito tinha colocado de parte, quando o seu foco começou a incidir mais sobre a cozinha portuguesa. Aqui, a ementa reflecte as influências internacionais na cozinha do chef, mas não deixando de parte sabores muitas vezes portugueses. O restaurante, inserido no 1º piso d'A Embaixada no Príncipe Real numa iniciativa conjunta com a Gin Lovers, tem um ambiente algo rústico, com as suas paredes a descascar e colunas imponentes.



Neste jantar, tendo o restaurante praticamente só por conta do Meetup, tivemos a oportunidade de experimentar pratos que ainda estão a ser trabalhados e foram pouco testados (como admitido pelo próprio chef no início do jantar), exceptuando um. O chef teve a oportunidade de estar sentado à mesa, a provar estes mesmos pratos, e foi interessante ver que. no final do jantar, teve a espontaneidade e honestidade de dizer o que ainda teria que trabalhar sobre os pratos para que pudessem estar ao nível que ele concebia.



Começámos com bom pão e tostas, excelentemente acompanhadas por boas manteigas. Muito boa a manteiga de manjericão mas sem conseguir suplantar os excelentes sabores da manteiga de fígados.



O Tártaro de Atum com Cebolete deve ter entrada directa para a carta sem muitas afinações. Sabores simples mas apurados, sem ser necessário inventar muito ou complicar. Aqui nota-se, principalmente, a qualidade do produto servido, sem medo de deixar cubos maiores para que possamos verificar isso mesmo quando trincamos.



A interpretação do Bacalhau à Conde da Guarda de Miguel Castro e Silva apresenta a brandade de bacalhau, plena de sabor, conjugada com uma compota de tomate seco, bastante intensa mas parecendo faltar ao prato alguma acidez, algo que acontecia na interpretação de Vitor Claro (aqui) com o uso de tomate fresco.



O único prato que já está na carta actual são os Ravioli de Abóbora Assada com Amêndoa sendo, curiosamente, o prato salgado que achei menos interessante. Um prato bastante unidimensional e de sabores demasiado ligeiros e doces para o meu gosto, mesmo com o uso do parmesão que dava, ocasionalmente, um toque mais salgado. Talvez a utilização de um caldo salgado mais intenso pudesse fazer o prato brilhar.



O Risotto de Trompetas com Vitela Crocante tinha 2 execuções de qualidade bastante distintas. Se de um lado estava um risotto cremoso, com o arroz cozinhado no ponto e extremamente guloso, do outro tínhamos uma fatia de vitela cozinhada durante 12 horas a baixa temperatura mas cujo tempo posterior na frigideira deixou a carne médio-bem e não surtindo o efeito crocante desejado.



A sobremesa é talvez o prato que precise de mais trabalho e afinação. O Crumble de Pêra com Zabaglione de Disaronno (a substituir o típico vinho Marsala usado) falhava na textura do crumble e, principalmente, no zabaglione. Uma sobremesa que necessitará de mais acidez para não se tornar tudo demasiado uniforme.



Não é possível avaliar esta refeição como se fosse uma refeição normal. Foi um jantar onde o chef aproveitou para experimentar algumas coisas com perfeita noção que teria que haver ainda mais trabalho. De certa forma, isto torna-se reconfortante porque havia aqui pratos já de si muito bons mas percebemos que o chef Miguel Castro e Silva almeja chegar sempre a um ponto que o satisfaça plenamente. E quando se trabalha com este objectivo, o resultado final será sempre bom!

Less by Miguel Castro e Silva
Lisboa, Portugal
Less by Miguel Castro e Silva Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 40 €
Data da Visita: 18 de Maio 2017

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Akla (Marquês de Pombal)

Graças a um convite da Zomato, tive a oportunidade de ir conhecer o restaurante Akla, localizado no hotel InterContinental Lisbon. Já tinha ouvido falar deste espaço noutros blogs, e tinha ficado com o mesmo referenciado mas, como em muitos outros restaurantes, a oportunidade de o conhecer ainda não tinha surgido. E para os muitos que possam estar a ler este texto com a ideia de que os restaurantes de hotel são todos um tourist trap gigante, este é um daqueles capaz de vos fazer mudar de ideias. Sim, a verdade é que ainda existe muito esta ideia em Portugal, principalmente em Lisboa, mas está na altura de mudar esta mentalidade, pois cada vez são mais comuns os bons restaurantes que encontramos localizados em hóteis lisboetas.
Em meados de 2016, o InterContinental Lisbon chamou Eddy Melo, chef açoriano que passou grande parte da sua vida no Canadá, para liderar a cozinha do seu novo restaurante Akla (ou أَكْلة em árabe, traduzindo-se para "refeição" ou "comida"). Isto traduziu-se numa cozinha bastante internacional, com influências de todo o mundo, mas com algum foco em fazer chegar à mesa bons produtos portugueses (e não só), seja nas ostras da Ria Formosa, o atum de São Miguel ou no tomate do Ribatejo.
Uma das vantagens de jantar num hotel em Lisboa, é a forte probabilidade de o restaurante não estar cheio e conseguirmos ter um serviço mais atencioso e presente. No dia da visita, uma sala a meio gás, onde nós éramos os únicos portugueses, o serviço esteve realmente bastante presente (talvez até um pouco demais) mas sempre prestável, simpático e preocupado com o decorrer da refeição. O único aspecto que não gostei muito na sala foi a distância entre o assento circular (aparentemente fixo) onde estava sentado e a mesa, fazendo com que tivesse de me chegar muito à frente para conseguir comer. Claro que isto pode ser derivado da minha baixa estatura mas ainda assim parece-me um local mais confortável para beber algo e pôr a conversa em dia do que fazer uma refeição.
Bebidas essas que estiveram presentes na refeição em forma de cocktails. Por feliz acaso, esta visita decorreu durante a Lisbon Cocktail Week, e conseguimos provar dois dos cocktails preparados especialmente para o evento.

Mish Mash (Fever Tree Ginger Beer, Lima, Limão, Laranja, Manjericão, Xarope de Açúcar, Sumo de Maçã)
Le Bataclan (Jinzu Gin, Licor de Ervas, Colis de Frutos Vermelhos, Sumo de Limão, Xarope de Açúcar, Clara de Ovo, Champanhe)
A refeição iniciou-se com um Couvert excelente, composto por 4 óptimos pães (que me pareceram: Pão de Cebola, Pão Tigre, Focaccia de Azeitona e um Pão mais escuro que não consegui identificar do que era) e um excelente azeite Herdade do Esporão. Os pães foram realmente um início de refeição auspicioso, pela sua qualidade e diversidade, tornando-se de tal forma viciante que penso que seríamos capazes de fazer uma refeição inteira só disto. Como se não bastasse o quão bom eram, ainda nos substituíram o cesto com uma nova fornada ainda antes de chegarem as entradas.


O couvert neste dia incluía um amuse bouche bastante agradável, com uma Salada de Quinoa com Salmão Fumado. Bastante simples e equilibrado.


Nas entradas, e com muitas e apelativas opções por experimentar, optámos por seguir o nosso instinto pedindo um excelente Tártaro de Vazia, Ovos de Codorniz, Cebola Caramelizada e Maionese de Anchovas do Atlântico. Tudo ligava bastante bem, e a apresentação era irrepreensível, mas aquela maionese fazia toda a diferença no prato e elevava-o para um nível quase excêntrico!


A matéria prima do Akla é de facto fantástica, como se pôde comprovar no Ceviche de Atum de São Miguel com Molho Tigre, Abacate e Agulhas do Mar. Somos de facto o país com o melhor peixe do mundo e ao apanhar atum desta soberba qualidade aqui só me fez questionar o porquê de muitos restaurantes de sushi servirem atum de tão baixa qualidade. Excelente toda a preparação, ainda que o leche de tigre estivesse muito mais suave do que é habitual nas preparações peruanas, mas acaba por encaixar bem no atum. Excelente adição também do pimento, algo que também foge à preparação tradicional peruana mas que encaixa bem no palato português.


Sabores claramente portugueses foi o que encontrámos no Risotto de Grelos, Camarão Grelhado e Burrata DOP. Excelentes os grelos, a brilharem acima de tudo o resto, com um arroz bem cozido e os camarões saborosos a ajudarem o conjunto. O único elemento que parecia estar eclipsado era a burrata, que acabava por não se conseguir destacar o suficiente contra os sabores mais fortes dos grelos e do camarão.





Não podíamos visitar o Akla sem experimentar uma das suas carnes maturadas, cozinhadas no Josper, um forno a carvão que permite dar as propriedades fumadas duma típica grelha a carvão, mas também cozinhar de forma uniforme como num forno convencional. Excelente o Entrecôte Maturado, ainda que visualmente o tipo de corte mais parecesse vazia do que entrecôte (devido à camada de gordura localizada numa das extremidades), mas não percebo o suficiente sobre cortes de carne para ter a certeza disto. Portanto, resta-me comentar o excelente sabor que a carne tinha e o ponto perfeito em que vinha cozinhado, mal necessitando do uso da flor de sal que vem na tábua. Realmente fantástico!




O acompanhamento escolhido para acompanhar a carne é que não se mostrou à altura da proteína. A Abóbora Assada com Presunto fumado e Queijo Fresco estava demasiado unidimensional, o que é algo surpreendente quando um dos ingredientes é presunto!





Acabámos a refeição em grande estilo, com um excelente Mil-Folhas de Baunilha, Frutos Vermelhos e Sorbet de Morango, onde tudo apresentava uma execução impecável. Excelente a opção de frutos vermelhos e sorvete de morango para ir cortando com a riqueza do creme de baunilha.





Com os cafés, umas boas mignardises, ainda que não conseguisse identificar nenhum sabor predominante em nenhuma delas.





Não é um sítio para ir todos os dias mas a verdade é que é uma excelente opção para se jantar fora e está ao nível dos melhores restaurantes de Lisboa, nesta gama de preços! 


Akla
Lisboa, Portugal
Akla Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 60 €
Data da Visita: 24 de Abril 2017

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Belvedere - Grande Real Villa Itália (Cascais)

Há alguns anos atrás os restaurantes de hotel eram vistos, quase sem excepção, como uma praga na restauração que teimava em mal impressionar os turistas que recebiam. Felizmente esse paradigma mudou e temos cada vez mais e melhores restaurantes, podendo agora ser vistos como uma opção válida para se jantar sejamos hóspedes ou não. E foi assim que a curiosidade foi despertada, sendo concretizada com um voucher 2 por 1 da Time Out.
O Hotel Grande Real Villa Itália é luxuoso, com uma decoração imponente e de bom gosto, reservando para o seu restaurante uma sala bastante espaçosa. O serviço foi digno do requinte que o local aparenta e mostrou-se informativo durante toda a refeição. Enquanto aguardávamos a mesa, e tomávamos um aperitivo, encaminharam-nos para uns sofás algo desconfortáveis mas a estadia foi curta e rapidamente nos pudemos sentar numas cadeiras bastante melhores.
Couvert com uma óptima variedade. Pão bola, grissini, focaccia, pão integral, tudo de bom nível. Duas manteigas, com especial destaque para a de pancetta (ou prosciutto - já não me recordo), e uma espécie de brandade (mas não triturada) de bacalhau, cebola e tinta de choco muito boa.



Bom Funghi Gratinati Con Mozzarella e Pancetta (Cogumelo Gratinado com Mozzarella e Pancetta), com uma generosa dose de queijo, mas onde se pedia que a pancetta se destacasse mais. Simpática a salada que acompanha e ajuda a cortar a untuosidade e riqueza da mozzarella.



Seguimos a recomendação de entrada do chef para o Cacio e Pepe, um prato que já tinha visto nalguns programas da "especialidade" e que tinha muita curiosidade em experimentar, pela sua simplicidade. Massa fresca muito saborosa, com sabor intenso a alho e pimenta preta (algo normal e que apreciei bastante). Bom equilíbrio destas componentes com o pecorino.



Excelente o Risotto Di Asparagi Verdi E Capesante (Risotto de Espargos Verdes e Vieiras). Boa cremosidade, excelente ponto de cozedura no arroz, notando-se um caldo bem trabalhado e com várias camadas de sabor, onde apenas o sal poderia ser um pouco menos. Pena a escassa existência de vieiras (3), achando que seria mais adequado a adição de mais 1 ou 2. As vieiras perfeitamente cozinhadas, com uma caramelização externa fantástica e depois o seu miolo macio.



Já os Ravioli Al Funghi E Spinaci, Melanzane Con Ricotta, Zucca Arrosto con Pinoli E Crema Di Barbabietole (Raviolis de Cogumelos e Espinafres, Beringela Recheada com Ricotta, Abóbora e Pinhão e Creme de Beterraba) não apresentavam o mesmo trabalho ao nível do sabor. Nada tinha muito sabor, fossem os raviolis de ricotta e espinafres, o creme de beterraba ou a beringela recheada, ainda que esta última fosse o melhor aspecto do prato. Apesar dos muitos componentes do prato, funcionavam bem juntos, mas a falta de sabor do conjunto não fez corresponder às expectativas que tinha do prato.



As sobremesas foram médias, sem serem fantásticas. Não percebo (e embirro com) a utilização de copos afunilados em sobremesas por camadas. Tiramisù fresco mas com sabor a café intenso demais, ofuscando os restantes sabores.



Melhor o "Cappuccino" com uma boa panna cotta de café, bem balanceada com a mousse de chocolate branco e os morangos.



Os preços acima da média (cerca de 73€ para 2 pessoas, sem vinhos, apenas água e 2 proseccos de aperitivo), se fosse só pela comida, não justificariam totalmente mas quando se toma em conta todas as variáveis (espaço, serviço, localização) parece mais justificável. As expectativas eram altas, pelo local, ementa e preçário, e acabei por sair satisfeito com toda a experiência mas não sei se o mesmo teria acontecido caso não tivesse usufruído do voucher da Time Out. 

Belvedere
Cascais, Portugal
Belvedere - Grande Real Villa Itália Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 40 €
Data da Visita: 25 de Outubro 2015 (a partir deste momento, quase todos os posts passarão a contar com uma data para que seja melhor contextualizada a altura em que a visita ocorreu. Sim, alguns posts têm mais de 1 ano de atraso mas tenho cerca de 100 notas para passar a texto e irá demorar algum tempo até conseguir pôr tudo em dia!)

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Risotto (Rio de Mouro)

Não tenho por hábito falar de restaurantes inseridos em food courts de Centros Comerciais (CC). As opções são quase sempre desinteressantes e de baixa qualidade. Mas abri um precedente quando falei do The Smokery (aqui) e continuarei a abrir excepções caso veja que o nível da comida ou o conceito é inovador e digno de interesse.
E é aqui que se enquadra o Risotto, no CC Fórum Sintra. Mas não existem já alguns restaurantes de CC que fazem risottos? Sim, mas quantos deles são exclusivamente dedicados a este prato? Na verdade, nem considero este estabelecimento como uma verdadeira cadeia de fast-food, pois os tempos de espera para os pratos são superiores ao da maior parte dos restaurantes aqui localizados. E digo isto como um aspecto positivo! Se me servissem um risotto em 1 ou 2 minutos iria estranhar a forma de preparação e finalização do prato. Aqui chegamos a esperar entre 5 e 10 minutos para que o prato seja finalizado e nos seja entregue, ou seja, existe uma boa preparação por parte da cozinha, que consegue ter várias porções de arroz já adiantadas. 
Não precisamos de fazer o risotto num só passo, podendo haver uma pré-cozedura que será finalizada na hora do pedido. Isto nota-se quando o prato chega a mesa. Um nível de cremosidade bastante satisfatório, e com o arroz a apresentar-se "al dente", não seria possível caso tudo estivesse previamente cozinhado. Aqui, nem as apresentações são descuradas. Apenas os caldos usados poderiam ser mais saborosos, dando maior intensidade ao prato.
No caso do Risotto de Frango e Abóbora, tudo foi executado com um nível de competência relativamente elevado com o frango a ser o ponto mais fraco. O facto de haver uma preparação prévia, pois era impossível fazer um peito de frango do início desde o momento que o pedido entrou até ao momento em que recebemos o prato, acabou por deixar o frango um pouco seco. 



Melhor ainda estava o Risotto de Bacon, Cogumelos e Alho-Francês, pois nenhum destes ingredientes estava mal cozinhado e todos eram de qualidade apreciável. De referir ainda que as doses de risotto são bastante generosas. 



Surpreendendo pela positiva, pois não sendo a primeira visita ao Risotto já conhecia a qualidade dos pratos principais, a Tarte de Limão Merengada. Um merengue simpático, uma curd de limão que poderia ter um pouco mais de acidez e uma bolacha que se revelou o melhor componente da sobremesa graças à adição de pequenos pedaços de manjericão à sua base.



Se fosse num restaurante próprio este Risotto poderia cobrar mais pelos seus pratos que eu pagaria sem pensar muito. A quantidade e qualidade apresentada são justificativos suficientes. Como está inserido num food court, acaba por se tornar uma opção excelente para uma refeição "not so fast-food".

Risotto
CC Fórum Sintra - Piso 2
Rio de Mouro, Portugal
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Preço Médio: < 10 €

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Santa Clara dos Cogumelos (Santa Apolónia)

A visita ao Santa Clara dos Cogumelos não foi uma visita qualquer. Para imaginarem o nível de expectativa em que me encontrava, este era o restaurante que estava no topo da minha wishlist. Adoro cogumelos e desde a abertura deste restaurante que andava tão excitado como um hippie no Woodstock. Demorou mas valeu a pena garanto-vos.
Primeira impressão, e que perdurou, foi a de um serviço informal mas respeitoso e bastante simpático. Por vezes, clientes portadores de descontos (como era o meu caso que ia com um desconto Time Out) podem ser alvos de um nível de simpatia inferior mas aqui não foi o caso. Durante toda a refeição houve simpatia e sorrisos, mesmo com algum embaraço, causado pela incapacidade de conseguir beber a cerveja artesanal produzida pelo restaurante, pois esta não parava de jorrar espuma como um vulcão activo. Uma situação que poderia ser chata acabou por ser resolvida com alguma diversão à mistura.
A ementa do Santa Clara dos Cogumelos é, como podem calcular, focada em cogumelos, de vários tipos e feitios. Um aviso à navegação: Se não gostam de cogumelos, esqueçam! Todos os pratos, sobremesas inclusive, contêm cogumelos. Não existem alternativas e, muito sinceramente, isso não me incomoda nem um bocadinho. É uma forma de se manterem fiéis ao conceito que têm e não acho que seja de forma alguma prejudicial.
Sendo um menu com entradas, petiscos e pratos, aconselho a pedirem (para 2 pessoas) 3 petiscos e 1 prato principal, podendo posteriormente decidir se querem mais ou não, mas esta foi a abordagem que seguimos na nossa visita. Aqui, o difícil é escolher.
Começámos com uns Pleurotus de Fricassé de excelente sabor e com o molho a apresentar uma boa cremosidade, mas gosto do fricassé com um maior nível de acidez para cortar a riqueza do ovo. De realçar que todos os pratos de petiscos são confeccionados com cogumelos diferentes, sendo estes uns Pleurotus Ostreatus, comummente denominados de Cogumelos Ostra.



Já os Cogumelos Panados pareciam ser uns típicos Cogumelos Paris (ou Agaricus Bisporus), perfeitamente fritos com aquela camada exterior crocante e o interior carnudo e macio. Acompanhou com um molho de iogurte e açafrão interessante e leve.



Para terminar a ronda de petiscos, chegaram os Shitake à Bulhão Pato. Boa consistência, bons cogumelos Shiitake e bom molho nesta interpretação de algo tão tipicamente português mas executado com um produto encontrado com mais regularidade na gastronomia asiática. Bom, guloso e a pedir pão, tal como o molho da fricassé também já tinha pedido.



Mas o prato da noite foi o Magret de Pato que, mesmo apesar de alguns aspectos com o qual não fiquei deslumbrado, foi o prato que mais marcou esta refeição. Um peito de pato com o interior bem rosado mas onde a gordura podia estar mais cozinhada e a pele mais estaladiça. Mas o efeito surpresa é o intenso sabor fumado que está incorporado no pato. Surpreendentemente bom! O molho de laranja ajuda a fundir sabores dando-lhe uma nota de maior dimensionalidade.
O risotto de Porcini (Boletus Edulis) "al salto" não convenceu. A técnica de fritura (usada tradicionalmente para reaproveitamento) acaba por secar um pouco o arroz, retirando-lhe cremosidade, e o próprio bago usado pareceu-me estranho. Duvido que fosse Arbório, e não tenho conhecimentos suficientes para os diferenciar, mas pelas descrições que li sobre os diferentes bagos, pareceu-me ser Carnaroli. (Podem ler aqui sobre os diferentes tipos de arroz para risotto)



Não podia sair do Santa Clara dos Cogumelos sem provar uma das sobremesas, pois estas também têm cogumelos. A escolha acabou por recair no Pecado de Santa Clara que, infelizmente, se mostrou pouco pecaminoso. Uma boa sobremesa, bastante inovadora no uso das trompetas da morte (Craterellus Cornucopioides) tanto no topo da tarte de limão como incorporadas em pó entre o creme de limão e o merengue. Bom, com doçura e acidez qb, mas que não me maravilhou neste viagem alucinogénica.



As expectativas que tinha para o Santa Clara dos Cogumelos foram correspondidas. Adoro o conceito e a ementa desenhada à volta desse mesmo conceito (algo que também me atraiu no Pigmeu). Adorei a comida experimentada e só fiquei triste por não conseguir experimentar toda a ementa. Resumidamente, adorei o Santa Clara dos Cogumelos.

Santa Clara dos Cogumelos
Mercado de Santa Clara, 7 - 1º Andar
Santa Apolónia, Portugal
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Preço Médio: < 30 €

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A Escadinha (Alfragide)

Este texto começou por ser um esboço em Novembro de 2014! Foi a primeira vez que me dirigi ao restaurante A Escadinha, já depois de muito cobiçar as suas ementas de pratos do dia e até de já o ter recomendado a quem de lá saiu muito satisfeito. Mas como é que um restaurante perdido numa zona residencial de Alfragide se pode tornar tão apelativo? Basta consultarem as ementas que eles lançam semanalmente para perceber. 
Senhores e senhoras, apresento-vos comida de autor a preços baixos! Apenas há 1 prato do dia, que muda diariamente, raramente se repetindo e sempre com nomes e apresentações pomposas. Juntem bebida e café e fica tudo por 7€ (ou 8€, caso queiram sobremesa).
A primeira vez que lá entrei ia lançado para uns "Nacos de Porco Preto com Crumble de Bacon e Batata Recheada com Queijo da Ilha". Fui a correr para A Escadinha, apenas para lá chegar e ser gentilmente avisado que os pratos do dia já tinham esgotado e que, numa próxima vez, seria muito aconselhável a reserva dos pratos. A delicadeza e simpatia perante a minha ingenuidade foram tais que a vontade de lá ir aumentou. Isso e o facto do cozinheiro de serviço estar a usar uma jaleca da 1300 Taberna. Agora percebo melhor o nível de elaboração do menu num pequeno restaurante que nem jantares serve. Não havendo prato do dia preferi sair com a promessa que iria regressar, desta vez com reserva.
6 Meses Depois
Finalmente! A preguiça batia sempre mais forte e transformava 10km de carro numa viagem que tardava em acontecer. Mas era inevitável que um dia a curiosidade fosse mais forte. Reserva feita e à hora de almoço lá me dirigi para o que se viria a revelar uma verdadeira surpresa. As expectativas eram altas, mas foram claramente superadas.
O Risotto de Polvo Crocante era simplesmente genial! Umas delicadas e macias pernas de polvo, panadas para criar um excelente contraste de texturas, que encimava um saboroso, cremoso e perfeitamente cozinhado risotto de polvo. Para finalizar, algumas lascas de parmesão e bocados de cebola frita. Percebo a cebola frita, ajudando mais na textura que no sabor, mas estranhei o parmesão, por muito clássico que seja finalizar um risotto com o mesmo. A verdade é que funciona maravilhosamente. Das melhores interpretações que já experimentei do típico arroz de polvo.



As doses são de um tamanho suficiente para ficar satisfeito, mas queria saber o que valeriam as sobremesas depois de tão aprumado prato. E as expectativas não foram defraudadas! Excelente Tarte de Lima, com uma base de chocolate consistente a ajudar a quebrar a forte acidez do creme. 



Também o Cheesecake era muito bom. Boa proporção de bolacha, com um creme de (aquilo que acho ser) requeijão bastante saboroso onde apenas lhe faltava ainda mais doce, para a acidez quebrar a riqueza do queijo. Quase perfeito.



Entrei com expectativas altas. Um restaurante que apresenta uma carta com nomes de pratos tão elaborados corre o risco de não conseguir fazer corresponder a comida à expectativa. Aqui foi ao contrário. A relação qualidade/preço é a melhor que já encontrei em menus de almoço, seja onde for! Acredito que nem todos os pratos estejam ao mesmo nível (o que é normal quando o prato muda todos os dias), mas se todos estiverem tão perto da qualidade do que comi então não sairão desiludidos de Alfragide.

A Escadinha
Alfragide, Portugal
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Preço Médio: < 10 €

domingo, 27 de outubro de 2013

Gordinni Choupana - Risotto de Vieiras, Lima e Vodka

Eu gosto de arroz! Não, gostar é pouco... eu sou um fanático por arroz! Branco, de tomate, frito, com carne guisada, de línguas de bacalhau... é só dizer! E desde que descobri a maravilha que é um bom risotto, são raras as vezes que a palavra surge numa ementa e eu escolho um prato diferente. Por isso, numa visita ao Gordinni Choupana, decidi pedir este risotto de vieiras para verificar a qualidade dos risottos neste restaurante.
Não saí desiludido com a qualidade do risotto... o arroz vem no ponto, com uma cremosidade boa, ou seja, nem muito espesso nem muito líquido, com uma acentuada acidez dada pela lima, mas que acaba por contrabalançar bem com o coulis de manga colocado no prato. A minha queixa não vem do arroz, mas da quantidade de vieira que existe no risotto. Por um risotto que ronda os 20€, esperava mais do que 2 vieiras cortadas aos quartos. Acabamos por andar a racionar os pequenos quartos de forma a conseguirmos mais garfadas com as vieiras, mas o resultado final é sempre o de comer o risotto já sem qualquer bocado de vieira.
Num risotto altamente recomendável, este ponto faz-nos equacionar a vontade de repetir este prato.


Restaurante Gordinni Choupana
Avenida Marginal, 5579
São João do Estoril, Portugal
Preço Médio: < 40 €