Mostrar mensagens com a etiqueta Sobremesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sobremesa. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Faisão (Campo Maior)

Estive uma semana a acampar pela Beira Interior e Alentejo, dando por mim em Campo Maior, um pouco farto de grelhados e com vontade de um bom prato alentejano. Ainda que mal preparado quanto à escolha de restaurantes, pois era um dos poucos sítios por onde não tinha contado passar nestas férias, uma rápida pesquisa online deu-me algumas opções e acabei por me decidir pelo restaurante Faisão. Na verdade, estava com desejos de dois pratos específicos e que eram dados como especialidades desta casa: Sopa de Tomate e Migas. Por isso, parecia-me o restaurante ideal.
Entramos e damos por nós naquilo que eu, como lisboeta, considero um restaurante tipicamente alentejano, com toda a decoração adequada. Abrindo a ementa, notamos que existem vários pratos do dia, com características regionais, mas que a ementa fixa contém poucos pratos regionais. Ainda assim decidimos experimentar duas das Especialidades da Casa, ambas aconselhadas para duas pessoas, sendo uma dela uma entrada.
Claramente a ementa tem uma gralha. As doses que nos foram servidas não são doses adequadas para duas pessoas, mas sim para três ou quatro! O Gaspacho à Alentejana é um tacho de barro enorme que bem poderia ser uma refeição completa. Mas não é só o tamanho da dose que é generoso, mas também os sabores que rapidamente nos preenchem a boca e violam o palato. Boa dose de acidez na sopa, bom caldo e bons ingredientes a revelarem os sabores da verdadeira cozinha alentejana e feita por quem tem mão para isso.


Também as Migas à Alentejana vinham numa dose cavalar, claramente um excesso para apenas duas pessoas, mas com tudo certo no que interessa. Boas migas, com um ar bastante caseiro e com bastante alho, fácil de retirar das migas visto estar inteiro para os que não são adeptos do mesmo. Mas a surpresa para mim foi a carne. Nem sempre sou adepto de pedir este tipo de pratos com carne frita pois mais de metade das casas acabam por estragar a carne durante o processo de fritura e fazendo com que a mesma fique seca. Esta vinha suculenta e a desprender-se facilmente do osso, também com bastante sabor e com uma boa dose de tempero, especialmente pimentão doce. Também os enchidos são merecedores de destaque, complementando e completando na perfeição o conjunto. Mais um prato a representar bastante bem a cultura gastronómica alentejana.


Mas nem tudo correu bem e a (grande) desilusão ficou guardada para o fim. O Molotof (Molotoff? Molotov? Não consegui encontrar uma resposta definitiva) estava com uma aparência bastante apetitosa, mas quando tentávamos cortá-lo à colher revelava-se borrachoso e nem o doce de ovos se safava nesta sobremesa. Depois de um inicio e meio auspicioso, o fim revelou-se quase tenebroso.


Faisão
Campo Maior, Portugal
Preço Médio: < 20 €

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Landeau (Alcântara)

Deixem-me explicar-vos uma coisa. Eu não sou uma pessoa gulosa! Prefiro atacar a mesa dos salgados do que a dos doces a seguir à refeição. Dispenso a maior parte das sobremesas, existindo claro algumas raras excepções, sobre as quais já fui falando aqui no blog. E nem sou um fã de chocolate preferindo sabores cítricos e ácidos em qualquer altura do ano.
Mas não resisti ao Landeau. As coisas que se ouvem e lêem por aí fora sobre o maravilhoso Bolo de Chocolate foram-me entrando no cérebro e preferi saltar rapidamente do 1300 Taberna (onde também existe um famoso bolo de chocolate) para a esplanada do Landeau e saber afinal se a fama era ou não justificada.



E não é que me levantei rendido e deliciado por aquilo que normalmente consideraria uma obscenidade de açúcar? Aquela primeira colherada afasta qualquer dúvida que possa existir quanto à qualidade do bolo. Estamos na presença de chocolate (em pó) em cima de chocolate (em mousse) em cima de chocolate (em bolo). E talvez me esteja a falhar alguma fina camada intermédia com mais chocolate! Surpreendentemente, nada disto é excessivamente doce. Tudo tem a quantidade qb de açúcar para que o bolo não se torne enjoativo. Torna-se é viciante.

Landeau
Rua Rodrigues Faria, 103
LX Factory, Alcântara, Portugal
Click to add a blog post for Landeau LX Factory on Zomato
Foodspotting
Facebook
Site
Preço Médio: < 10 €

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Herdade de Montalvo (Alcácer do Sal)

Já vos falei de uma das minhas paragens favoritas para quem faz a viagem de férias (ou trabalho) até ao Algarve, como O Cruzamento, mas outro bom ponto de paragem é Alcácer do Sal. Se quiserem ficar por Alcácer do Sal, existem várias boas opções nas imediações! Por já ter ido várias vezes ao Hortelã da Ribeira, sugeri à família irmos experimentar A Escola, restaurante ao qual fui o ano passado e onde fiquei bastante bem impressionado. Mas ao chegarmos ao restaurante, o que ainda envolve um desvio de 17km de Alcácer, deparámo-nos com a sala cheia e como a fome já apertava, não quisemos esperar e fomos à opção mais próxima possível, a Herdade de Montalvo.
Ao contrário da opção anterior, este encontrava-se praticamente vazio, e depois de posta a mesa no simpático alpendre de que dispõem, fomos informados quais eram os Pratos do Dia, acabando por nem sequer olhar para a ementa propriamente dita. Para mim, Galinha de Cabidela, tentando suprimir a fraca cabidela experimentada no Dom Henrique. E, não sendo uma cabidela fantástica, faltando-lhe uma maior profundidade de sabor e vinagre, ainda assim era saborosa e com a carne bastante macia. Também provei o Choco Frito e o Cachaço de Porco, estando ambos com uma qualidade acima da média.



Para a sobremesa pedi aquilo que foi dito ser uma das especialidades da casa, o Pudim de Abóbora. Apesar da aparência ligeiramente queimada (na sua base), esta sobremesa era simplesmente fantástica. Boa textura, óptimo sabor a abóbora, sem ser exageradamente doce para um pudim. Já a Sericaia era bastante massuda mas com uma óptima compota de ameixa (mas sem ameixa). Em conversa com os responsáveis do restaurante, percebemos que têm tido vários problemas em conseguir acertar na receita da sericaia.



Um restaurante simpático e, principalmente, uma óptima opção para se, como nós, chegarem à Escola sem reserva, encontrarem o restaurante cheio e não tiverem vontade de procurar muito mais por uma refeição.

Restaurante da Herdade de Montalvo
Alcácer do Sal, Portugal
Preço Médio: < 30 €

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Restaurante Lounge Sal (Ilha de Tavira)

Última manhã de praia em Tavira, lá fomos nós até à Ilha de Tavira para aproveitar as últimas horas de sol algarvio, seguido de almoço num dos restaurantes da própria ilha. A ideia que tinha desses restaurantes é que seriam todos exagerados ao nível financeiro, virados para as centenas (milhares?) de estrangeiros que todos os dias frequentam aquela praia e sem uma qualidade por aí além. 
Mas este Sal acabou por me convencer do contrário. Começámos por conhecer a cozinheira que está à frente do estabelecimento, que é amiga de uma das pessoas com quem me encontrava, bastante simpática e que disse que fazia os possíveis na cozinha mas sempre com bastante amor. Pode parecer conversa da treta, mas o ar da senhora convenceu-me.
Começámos a refeição com um dos pratos mais curiosos da ementa, Mexilhão com Gengibre e Molho Napolitano. Bons mexilhões mas a verdadeira diferença estava no molho, com a conjugação do tomate, cebola e alho a combinarem perfeitamente com o gengibre tostado finamente picado, dando uma verdadeira sensação de profundidade nos vários sabores que nos vão preenchendo a boca.


As Tiras de Choco Frito são boas e com uma fritura uniforme, de boa textura e sabor, acompanhadas por uma maionese de alho não excessivamente forte. Não são as melhores que já comi mas são bastante boas!


O Lingueirão Salteado com Alho e Limão, a fazer lembrar um Bulhão Pato, com os bivalves bem cozinhados e um nível quase acertado de tempero, faltando-lhe ser acompanhado por um gomo de limão que pudesse ser mais facilmente espremido do que a rodela que vem no prato. Problema facilmente e rapidamente resolvido quando o pedido é feito aos empregados e rapidamente correspondido.


Mas, infelizmente, nem tudo esteve a um bom nível nesta refeição. O Polvo "Aglio Olio" com Batata-Doce com um péssimo nível de cozedura, estando duro, borrachoso e difícil de mastigar. O sabor até era agradável com o azeite a ser perfumado pelo alho que lá foi frito e as batatas de bom sabor e bem cozidas, mas o polvo acabou por estragar a experiência deste prato.


Também a Posta de Garoupa com Amêijoas, um dos pratos sugeridos pela cozinheira, acaba por não surpreender apesar do bom sabor da garoupa, mas a ser estragado pela quantidade de amêijoas que tinham areia, algo bastante desagradável. Um prato bom e consistente mas sem deslumbrar.


Também no campo das sobremesas houve altos e baixos. A Baba de Camelo, realizada com uma receita da filha da cozinheira, era bom por não ser tão doce como as que habitualmente se costumam comer, mas a textura não estava correcta e até já tinha criado um fundo de soro. 


Mas o melhor da refeição ficou mesmo para o fim, acabando com uma nota altíssima toda esta experiência. Pedimos dois Cheesecakes, um de Frutos Vermelhos e outro de Figos, e se o de Frutos Vermelhos já era bom, não sei bem como hei-de descrever o de Figos! É um dos melhores, ou até mesmo o melhor, cheesecake que já experimentei! A base podia não ser a mais consistente mas era bastante saborosa, com o queijo creme a ser complementado com raspas de lima que lhe dão um toque amargo ideal, sendo tudo encimado por um doce de figos de comer e chorar por mais. Inesquecível!




No final, não foi só o ar da senhora que me convenceu mas também a sua cozinha, apesar de alguns pontos mais baixos, a ser consistente e feita de bons ingredientes, com os preços a estarem um pouco acima do normal por o restaurante estar localizado na Ilha de Tavira.

Restaurante Lounge Sal
Tavira, Portugal
Preço Médio: < 30 €

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Zomato Foodie MeetUp @ Tágide Wine & Tapas Bar (Chiado)

Tive o prazer de ser convidado para mais um Zomato Foodie MeetUp, desta vez realizado no restaurante Tágide Wine & Tapas, um restaurante com uma vista fantástica sobre a cidade e com alguma fama, o que automaticamente cria expectativas altas. Um muito obrigado à Zomato pelo convite e aos restantes comensais por mais de 3 horas de boa conversa, um dos pontos altos recorrentes dos encontros onde já estive.
Serviço impecável e irrepreensível durante todo o jantar, infelizmente não sendo bem acompanhado pela comida, que teve demasiados baixos e poucos altos. Para um restaurante que se quer impor como um restaurante de qualidade acima da média, a comida tem que acompanhar a ambição.
Começámos a refeição com uma tábua com um Mix de Petiscos, donde se destacava a Morcela Beirã Assada com Banana e Gengibre. Surpreendente o toque do gengibre a aliviar o peso dado pela conjunção da morcela com a banana. A tábua apresentava ainda uns Mexilhões em Escabeche e um Queijo de Azeitão com Compota de Tomate, mais normais sem deslumbrarem nem comprometerem muito.



Seguiram-se uns Ovos Rotos cuja denominação facilmente poderia ser outra. Na realidade era um prato que apresentava uns ovos mexidos já a caminho de um estado desidratado, umas batatas fritas que apesar da boa fritura apresentavam um excessivo sabor a óleo, safando-se apenas o bom presunto.



O Bacalhau Confitado com Broa, Grão e Hortelã foi o melhor prato da noite com o bacalhau a apresentar-se bem cozinhado e a lascar facilmente, contrastando na perfeição com a textura da broa crocante. Tudo bem temperado e com a hortelã a refrescar-nos o palato enquanto se intrometia com os sabores mais fortes do prato.



Depois do melhor veio também o pior prato da noite, com um Pica-Pau de novilho muito duro e difícil de mastigar. Molho bem apurado, muito devido à mostarda de grão usada, e uns pickles simpáticos mas que não chegavam para salvar o prato em si.



A sobremesa foi uma simpática Trilogia onde nenhuma das individualidades brilhou, mas que se mantiveram com um nível bastante aceitável. Pecou o Creme Brulèe na caramelização do açúcar, a Trufa na cremosidade e a Mousse de Dois Chocolates com Frutos Vermelhos no pouco balanceamento da doçura dos chocolates com a acidez dos frutos vermelhos, pendendo a balança para os chocolates.



Uma refeição fraca para os preços presentes na ementa, com alguns apontamentos engraçados mas caindo a maior parte da refeição numa mediocridade sofrível. Safa-se o bom serviço, a vista e a conversa que durou até gentilmente nos expulsarem do restaurante.

Tágide Wine & Tapas Bar
Lisboa, Portugal
Click to add a blog post for Tágide Wine & Tapas Bar on Zomato
Preço Médio: < 30 €

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O Convento (Tavira)

Desde pequeno que costumo ir passar férias a Tavira e sempre tinha reparado no Convento das Bernardas, um edifício imponente e num estado avançado de degradação. Mas isso mudou, e agora o Convento das Bernardas é um recuperado (pelo arquitecto Eduardo Souto Moura) complexo de habitação, que inclui um restaurante, O Convento.
Com mesa marcada, entramos no restaurante e deparamo-nos com uma sala grande e de aspecto requintado, com um pé-direito alto o que provoca algum eco na acústica da sala. Mas, sendo um grupo de 7, indicaram-nos uma sala à parte onde tinha sido colocado a nossa mesa para que estivéssemos mais à vontade. Apesar do sentimento de maior privacidade, a sala onde fomos colocados era toda uma diferente cacofonia de pratos a bater, o elevador da comida a subir e descer, a máquina do café a trabalhar, etc. Foi uma tentativa simpática, mas não sei até que ponto não preferia o eco das mesas vizinhas na outra sala...
A ementa é variada, com destaque para alguns pratos com produtos regionais (Polvo de Tavira, Amêijoas da Ria Formosa), mas depois de mais de uma semana a comer apenas peixe, decidi ir para a Bochecha de Porco Preto com Batata-Doce Frita e Cogumelos Salteados. Fantástica a bochecha, a desfazer-se com o garfo e a ligar perfeitamente com os cogumelos salteados, sobressaindo ainda o sabor do alho, mas não de maneira negativa. Também a batata-doce frita era muito boa e a funcionar muito bem como acompanhamento.


A sobremesa foi escolhida rapidamente, mantendo um tema de batata-doce com a aposta a recair sobre a Torta de Batata-Doce com Sabayon de Amarguinha. A torta cremosa e com um nível de humidade adequado onde a batata-doce brilhava, bem acompanhada de um sabayon que balanceava na perfeição a Amarguinha e a amêndoa, não ofuscando o sabor da batata-doce quando combinado com a torta.


Um restaurante simpático em Tavira, com algum requinte na confecção dos pratos mas principalmente na sua apresentação, com um serviço jovem mas bastante prestável e simpático. Os preços são um pouco mais altos do que as ofertas normais, mas entende-se pela qualidade dos pratos que acima descrevi.

O Convento
Tavira, Portugal
Preço Médio: < 30 €

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A Escadinha (Alfragide)

Este texto começou por ser um esboço em Novembro de 2014! Foi a primeira vez que me dirigi ao restaurante A Escadinha, já depois de muito cobiçar as suas ementas de pratos do dia e até de já o ter recomendado a quem de lá saiu muito satisfeito. Mas como é que um restaurante perdido numa zona residencial de Alfragide se pode tornar tão apelativo? Basta consultarem as ementas que eles lançam semanalmente para perceber. 
Senhores e senhoras, apresento-vos comida de autor a preços baixos! Apenas há 1 prato do dia, que muda diariamente, raramente se repetindo e sempre com nomes e apresentações pomposas. Juntem bebida e café e fica tudo por 7€ (ou 8€, caso queiram sobremesa).
A primeira vez que lá entrei ia lançado para uns "Nacos de Porco Preto com Crumble de Bacon e Batata Recheada com Queijo da Ilha". Fui a correr para A Escadinha, apenas para lá chegar e ser gentilmente avisado que os pratos do dia já tinham esgotado e que, numa próxima vez, seria muito aconselhável a reserva dos pratos. A delicadeza e simpatia perante a minha ingenuidade foram tais que a vontade de lá ir aumentou. Isso e o facto do cozinheiro de serviço estar a usar uma jaleca da 1300 Taberna. Agora percebo melhor o nível de elaboração do menu num pequeno restaurante que nem jantares serve. Não havendo prato do dia preferi sair com a promessa que iria regressar, desta vez com reserva.
6 Meses Depois
Finalmente! A preguiça batia sempre mais forte e transformava 10km de carro numa viagem que tardava em acontecer. Mas era inevitável que um dia a curiosidade fosse mais forte. Reserva feita e à hora de almoço lá me dirigi para o que se viria a revelar uma verdadeira surpresa. As expectativas eram altas, mas foram claramente superadas.
O Risotto de Polvo Crocante era simplesmente genial! Umas delicadas e macias pernas de polvo, panadas para criar um excelente contraste de texturas, que encimava um saboroso, cremoso e perfeitamente cozinhado risotto de polvo. Para finalizar, algumas lascas de parmesão e bocados de cebola frita. Percebo a cebola frita, ajudando mais na textura que no sabor, mas estranhei o parmesão, por muito clássico que seja finalizar um risotto com o mesmo. A verdade é que funciona maravilhosamente. Das melhores interpretações que já experimentei do típico arroz de polvo.



As doses são de um tamanho suficiente para ficar satisfeito, mas queria saber o que valeriam as sobremesas depois de tão aprumado prato. E as expectativas não foram defraudadas! Excelente Tarte de Lima, com uma base de chocolate consistente a ajudar a quebrar a forte acidez do creme. 



Também o Cheesecake era muito bom. Boa proporção de bolacha, com um creme de (aquilo que acho ser) requeijão bastante saboroso onde apenas lhe faltava ainda mais doce, para a acidez quebrar a riqueza do queijo. Quase perfeito.



Entrei com expectativas altas. Um restaurante que apresenta uma carta com nomes de pratos tão elaborados corre o risco de não conseguir fazer corresponder a comida à expectativa. Aqui foi ao contrário. A relação qualidade/preço é a melhor que já encontrei em menus de almoço, seja onde for! Acredito que nem todos os pratos estejam ao mesmo nível (o que é normal quando o prato muda todos os dias), mas se todos estiverem tão perto da qualidade do que comi então não sairão desiludidos de Alfragide.

A Escadinha
Alfragide, Portugal
Click to add a blog post for A Escadinha on Zomato
Foodspotting
Facebook
Preço Médio: < 10 €

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Frankie Hot Dogs (Campo Grande)

Fui finalmente conhecer uma das grandes novidades de 2015 e que mais buzz tem estado a gerar: o Frankie Hot Dogs. Não sei se 2015 será o ano dos cachorros quentes, mas o Frankie vai ficar marcado pela rápida crescente na sua fama. Abriu em Fevereiro e tem já para cima de 130 críticas e 272 votos na Zomato, por exemplo. A sua localização é fantástica para um público alvo jovem (à porta do Colégio Moderno e colado à Cidade Universitária) mas será que toda esta popularidade e hype irá corresponder à qualidade do restaurante?
Aproveitando uma promoção 2 por 1 na Time Out Lisboa, decidimos juntar alguns membros da família e tentar marcar mesa para uma 5ª feira à noite. Aqui começam os meus problemas e ainda são alguns ao nível de organização e estrutura do restaurante. Se aceitam marcações de mesa mas não têm um serviço de pedidos à mesa, então todo o processo de pré-pagamento, sentar, comer e sair tornar-se-à mais lento. Prova disso foi o anúncio, na página oficial de Facebook, no dia seguinte a esta visita e depois de uma breve conversa com um dos responsáveis pelo espaço, de que iriam deixar de aceitar reservas. 
Quanto à forma de pagamento, honestamente, não sou um fã de pré-pagamentos em restaurantes com espaço próprio. Acho que só complica e aumenta tempos de espera. E foi exactamente isso que me aconteceu. 



Chegámos à hora marcada, sentámo-nos e fomos à parede onde se encontra o menu. Também não sou um fã de menus expostos apenas na parede mas aqui faz um pouco mais de sentido porque fica virado para quem está na fila de pagamento. Apenas precisa de mais luz naquele canto para se poder ver melhor. Depois de todos termos escolhidos, fomos para a fila, onde esperámos 30 minutos até podermos fazer o nosso pedido! Estava muita gente na fila mas não acho que justifique os 30 minutos só para pedir. Quando fizemos o pedido foi-nos dito que teria uma demora estimada de 25 minutos, que nós aceitámos porque já eram perto das 21h e não nos apetecia estar a sair dali para procurar uma opção em cima do joelho. Lá nos aguentámos mais 30 minutos de espera pela comida! Estamos a falar de hot dogs e não de haute cuisine
Ao fazermos o pedido, decidimos pedir também as sobremesas pois não existia qualquer vontade de voltar para a demorada fila. Ponto positivo do serviço, que foi sempre prestável e simpático, foi a disponibilidade com que reservaram de imediato as sobremesas pedidas, pois também já se encontravam perto de esgotar.
Quando as bebidas chegaram à mesa, uma simpática e saborosa Limonada de Morango, vinham à temperatura ambiente e sem qualquer gelo, pois este tinha acabado e a pequena máquina disponível não conseguia dar vazão à quantidade necessária. Durante toda a refeição fomos pedindo mais gelo que lá foi chegando à mesa em pequenas porções.
Ao fim de 30 minutos começou a comida a chegar à mesa. Um bom Corn Dog, algo ainda pouco visto na cidade lisboeta, com uma generosa salsicha de aves envolta numa estaladiça e saborosa polme.



A execução dos Onion Rings também estava acima da média. Mais uma boa polme, mais leve que a utilizada para o corn dog, a envolver os aros de cebola bem fritos e estaladiços.



No campo dos acompanhamentos, experimentámos as duas variedades de Batatas Fritas, normais e as Frankie. Ambas (bem) fritas com casca, a diferença está no queijo e bacon que cobrem as Frankie. Gulosas e com uma boa injecção de colesterol.




Como bom curioso gastronómico que sou, fiz questão de conseguir provar todos os cachorros diferentes que vieram para a mesa. O Sweet Mango Hot Dog, com a salsicha de aves a ser coberta de uns bons legumes frescos salteados, a ter um bom balanço de doçura sem que o molho de manga agridoce se tornasse predominante.



Excelente o Frankie 4 Fingers, onde a salsicha alemã é envolvida em onion rings incompletos (no tempo de espera fui observando a cozinha e apercebi-me que são escolhidos aros não fechados para facilitar a montagem) e coberta com pequenos pedaços de bacon. O molho de barbecue liga bem com o de mostarda e mel, dando acidez e ligando todos os restantes ingredientes. Este foi o melhor cachorro que experimentei nesta refeição.



O hot dog do mês, a Frankiesinha, desiludiu um pouco naquilo que é mais importante numa francesinha: a qualidade do molho. Não picante e com um sabor atomatado demais. Os restantes ingredientes eram bons, especialmente a linguiça, mas o fiambre parecia meio perdido na combinação. Para este cachorro é utilizado uma salsicha Frankfurt. Numa ementa relativamente pequena, é de louvar a variedade de salsichas disponíveis (penso que eram 6 diferentes).



Um dos hot dogs que mais expectativa tinha criado era o Tuga, especialmente pelo seu aspecto visual. Aquele ovo estrelado por cima da salsicha, em conjunto com o bacon, fizeram maravilhas no meu imaginário. Pena foi não ter correspondido às expectativas. Para além de ser mais estético que funcional, pois o ovo em cima do cachorro em nada facilita a forma como o comemos, não apreciei totalmente a salsicha (e eu que até sou fã de uma boa salsicha fresca), e achei que faltava algo mais ao cachorro. O molho de mostarda e mel ou o bacon não foram suficientes para elevar este cachorro ao patamar que merece.



Uma boa surpresa foi o Chilli Hot Dog, com ingredientes saborosos e que fazem sentido juntos. É inevitável a comparação com o concorrente respectivo da marca Hot Dog Lovers, mas este não fica muito atrás. Falta-lhe um maior nível de picante e de topping. O pão, igual para todos os cachorros, é muito bom e diferente do que estamos habituados.



Experimentámos as duas sobremesas disponíveis nesse dia. Se o Cheesecake de Manga correspondeu às expectativas e cumpriu o seu propósito de adoçar a boca, uns bons furos abaixo esteve a Mousse de Lima e Manjericão, com o conjunto a saber demasiado a natas. Precisava de mais acidez e de mais manjericão.




Não saí totalmente convencido do Frankie. Gostei da ementa e das ideias originais para os cachorros existentes. Gostei da qualidade da maior parte da comida, apesar de alguns aspectos menos positivos. Mas se me perguntarem se volto, respondo "Não sei", mesmo dando uma nota positiva à comida. Não sei se teria a paciência de voltar a esperar 1 hora para comer 1 cachorro quente só porque a logística do restaurante não aguenta uma enchente de gente. Talvez lá volte fora de horas sem correr o risco de apanhar uma grande fila.

Frankie Hot Dogs
Rua Doutor João Soares, 8B
Campo Grande, Portugal
Zomato
Foodspotting
Facebook
Preço Médio: < 10 €

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Pistola Y Corazón (Cais do Sodré)

Já existiam em Lisboa alguns restaurantes mexicanos mas nunca um espaço exclusivo para um dos pratos mais icónicos deste país, os tacos. Um encontro fortuito num supermercado juntou Aaron e César, os cabecilhas deste projecto, naquilo que se viria a tornar a primeira taqueria portuguesa, o Pistola Y Corazón.
Tem sido um caso de sucesso, com filas constantes à porta e uma interminável lista de nomes no papel que serve para definir a lista de espera por uma mesa. Já mencionei que não aceitam reservas e por isso esta é a única alternativa para se conseguir jantar no Pistola Y Corazón? E é aqui que começam os meus problemas. Não sou um fã desta incerteza temporal para jantar. E o espaço interior de espera não é muito grande, por isso o esforço para podermos experimentar este conceito dependerá também das condições climatéricas. O facto de nos sentarmos de braços dados com estranhos incomoda-me pouco, excepto claro quando se opta por bancos corridos onde, uma pessoa de peso como eu, quase pontapeia violentamente a inocente rapariga que se encontrava sentada a meu lado. E eu não estava zangado, nem a imitar algum ritual de acasalamento esquisito do National Geographic, nem nada que se parecesse. Apenas tinha terminado a minha refeição e tentava graciosamente (quem me conhece sabe o quão "gracioso" sou, até parece que fiz ballet) sair do meu lugar. A isto junta-se um restaurante pequeno e cheio, criando um nível de ruído superior ao que normalmente aprecio quando quero jantar sossegadamente. Resumindo, não sou um fã de algumas coisas no espaço, do tempo de espera e do ambiente barulhento. Mas fiquei fã de tudo o resto.


O tempo de espera não foi completamente inútil, pois deu para avaliar a ementa, entrar em contacto com uma amiga mexicana e pedir-lhe conselhos quanto ao que pedir. Não que a lista seja muito extensa, mas o menu que está à porta encontra-se em espanhol e achámos que possíveis recomendações que atravessassem o Atlântico naquele momento seriam extremamente úteis. Tão úteis que quando finalmente nos sentámos não precisámos de olhar para a ementa para pedir.
A refeição começa com uns Nachos con Pico de Gallo (talvez fossem totopos, uma variante dos nachos, mas não sou capaz de os distinguir), oferta da casa, que servem como couvert e acompanham bastante bem com a cerveja Pacifico, uma das ofertas de cerveja mexicana disponível na carta (e que, segundo o que nos disse a cúmplice mexicana, difícil de arranjar em zonas afastadas do oceano com o mesmo nome). Bons nachos e um pico de gallo refrescante, com algumas notas de picante interessantes.



Todos os pratos chegaram à mesa com um bom timing, não enchendo o pouco espaço disponível, e foram sempre aconchegados por um serviço que se mostrou extremamente simpático e descontraído. Talvez uma explicação quanto aos molhos que vêm com cada prato (visto que na ementa estão vários molhos descriminados) fosse adequada, tal como uma melhor distribuição dos molhos já presentes nas mesas, para que não tenhamos que incomodar ninguém ao pedir um dos três molhos disponíveis.
E, quando estávamos a terminar os nachos, chegaram as Quesadillas, ou seja, meia-luas de tortilla recheadas com queijo e prensadas. O mote do Pistola Y Corazón é "Comida Sin Verguenza", e todos os pratos são feitos para poderem ser comidos à mão. E se as quesadillas são fáceis de comer à mão, é um pouco mais difícil juntar-lhes a pasta de feijão refrito que as acompanham. Nada que não se resolva com a ajuda dos nachos, servindo estes de veículo condutor, ou até do uso das nossas mãos, sem qualquer tipo de vergonha. Bom prato, com uma quantidade suficiente de queijo derretido para tornar as tortillas gulosas e viciantes. 


Seguindo as recomendações já mencionadas, pedimos uns Tacos Al Pastor e uns Tacos Carnitas. Cada um dos pratos vem com três pequenos tacos, promovendo o conceito de partilha, para que se possa experimentar um maior número de itens do menu. Nenhum dos tacos pedidos era picante de origem, ou pelo menos não se revelaram picantes sem a adição dos molhos que vêm nos pratos.
O Al Pastor, uma receita inspirada na Shawarma levada por imigrantes libaneses para o México, era um pouco diferente da ideia que tinha (e que agora complemento com alguma pesquisa, enquanto escrevo este post). O porco marinado desfazia-se na boca, a cebola deu-lhe um ligeiro adocicado, o (pouco notado) ananás alguma acidez e a lima espevitou-nos os sentidos, ajudando a equilibrar e conjugar os sabores do prato.
Torna-se um pouco "messy" pela quantidade e consistência do molho onde (penso) que a carne tenha sido cozinhada. Se assim é, é uma abordagem diferente da que esperava encontrar mas, ainda assim, muito bom taco.


Diferentes as Carnitas, com a carne bastante macia mas apresentando uma costa exterior que lhe dava uma textura diferente e mais interessante que a dos primeiros tacos. Para dar cremosidade, um guacamole um pouco pálido nos sabores, mas que ao mesmo tempo deixava a carne brilhar. Bom o Chimichurri de Leon que vinha no prato, uma maionese mexicana picante, combinando na perfeição com o porco estaladiço.


Para sobremesa, apenas nos perguntaram se queríamos um ou dois exemplares. Ainda questionei sobre o que seria, mais para saber o que escrever depois do que para tomar uma decisão, pois essa já estava tomada. E arrependi-me imenso quando dei a primeira colherada no Pastel de Tres Leches. Arrependi-me de não ter pedido duas doses, engolindo todo o meu egoísmo e contentando-me com a partilha de algo tão delicioso. Para não falar no olhar feroz que a minha companhia fez quando a deixei provar primeiro e me rosnou "Não vais querer isto!". Fantástico na textura, na quantidade de açúcar e na forma como acaba a refeição numa nota que roça o perfeito.


É um óptimo sítio para ir com um pequeno grupo de amigos, pedir vários pratos, petiscarmos e divertir-nos com conversa, boa comida e alguns copos à mistura. Tudo isto enquanto vamos conhecendo um novo lado da gastronomia mexicana.

Pistola Y Corazón Taqueria
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 20 €

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Churrasqueira Al's (Sassoeiros)

Há muitos anos atrás ia ao Al's porque era o único sítio que conhecia que servia spare ribs. E uso este termo específico para denotar a diferença que há para a forma de confecção do nosso entrecosto. Sim, são a mesma peça, mas no Al's serviam a peça como a vemos em tantos vídeos de programas norte-americanos e depois cobriam-no com um guloso molho barbecue.
Muitos anos passaram e quando voltei a esta churrasqueira apercebi-me que as coisas tinham mudado. Sim, continua a ser um bom entrecosto, mas já não é o mesmo que estava guardado nos confins da minha memória... Agora é apenas um bom Entrecosto grelhado. Nem sequer é muito bom, é apenas bom. 


Para a sobremesa, um Cheesecake que pouco tinha de cheese, safando-se pela compota que servia de topping. Mas, mais um prato de nível médio e sem especial nota digna de menção.


Bem melhor o T-Bone Steak que provei. Boa carne, bem temperada e com boa temperatura. Se ao menos tivesse pedido esta costeleta tinha ficado bem melhor servido...
E já agora, porquê esta vontade de meter em inglês o nome de pratos que têm tanto de estrangeiro como eu de extra-terrestre? Se não é em nada diferente do que podemos encontrar noutros lados, não faz sentido...

Churrasqueira Al's
Sassoeiros, Portugal
Preço Médio: < 20 €

terça-feira, 7 de abril de 2015

O Bolo da Marta (Alcântara)

Não é todos os dias que vou ao LX Factory, mas andava curioso em experimentar O Bolo da Marta, na livraria Ler Devagar. Por si só, a livraria é daquelas que merecem ser visitadas, mas quando a isto juntam um café que serve bolos com base de suspiro, bastante semelhante a uma pavlova, então torna-se uma visita obrigatória.
A base de suspiro bastante saborosa suportava bem, e sem se desfazer, o doce de limão e sementes de papoila. Um conjunto que funcionaria na perfeição não fosse os bocados de casca de limão presentes no topo que dão um toque excessivamente amargo e não são muito agradáveis de mastigar. Ficaria muito mais satisfeito caso a raspa fosse finamente raspada mas, ainda assim, são bolos que valem a pena a ida até à LX Factory.


O Bolo da Marta
LX Factory, Alcântara, Portugal
Facebook
Preço Médio: < 10 €

segunda-feira, 23 de março de 2015

O Nobre / Spazio Buondi (Campo Pequeno)

O Nobre é, sem dúvida alguma, um dos restaurantes mais famosos na cidade de Lisboa. Não só por ser chefiado pela chef Justa Nobre, uma verdadeira estrela no pequeno mundo dos celebrity chefs portugueses, ou pelo famoso buffet de Cozido à Portuguesa que é servido aos almoços de domingo (apenas no Inverno, se não me engano), mas por ser um dos bastonários da comida tradicional portuguesa, com especial influência transmontana.
Já tinha tido a oportunidade de experimentar o buffet há uns anos e lembro-me de ter ficado bastante satisfeito com a qualidade da refeição em si, mas sempre tive curiosidade em voltar. Essa oportunidade surgiu quando ganhei um passatempo Zomato, num dos muitos blogs que sigo. O convite era para experimentar o Menu da Chef, que acredito ser equivalente ao Menu de Degustação que existe na carta do restaurante.
No início da refeição perguntaram-nos se desejaríamos ver a carta ou nos iríamos deixar levar pelas sugestões da casa. Claro que optámos pela segunda opção, e prontamente nos foi perguntado se tínhamos algumas restrições alimentares, pergunta essencial neste tipo de menu. Todo o serviço foi bastante prestável e simpático, sem ser intrometido, e colocando-nos sempre à vontade.
Começámos a refeição com um fantástico Presunto Pata Negra Joselito. Boa cura, bem cortado e com um bom nível de gordura presente nas fatias. Não há dúvidas que comer presunto de qualidade é um dos grandes prazeres da vida...


O presunto não esteve presente apenas em fatia, com umas Tostas com Manteiga de Presunto e Ervas a chegarem à mesa bastante estaladiças e gulosas. Apreciei a ausência de vergonha na altura de colocar a manteiga na tosta. Uma tosta quer-se bem barrada e com a manteiga derretida a cair pelas extremidades.


Petiscámos ainda uma Salada de Favas com Chouriço, uma versão refrescante do prato favorito de José Cid. De destacar o excelente chouriço, assim como a qualidade das favas usadas. Frescas, bem cozinhadas e com um tempero exemplar. Tudo conjugado resultou num prato simples e bastante saboroso.


Não é só a qualidade dos produtos que é notável, mas também a execução dos pratos em si, algo que foi notório quando alguém que não gosta de iscas (a minha excelsa cara-metade, que cada vez mais abre os seus horizontes gastronómicos) decidiu experimentar e repetir umas surpreendentes Iscas de vitela. Cortadas de forma muito fina, perdem toda a sua textura farinhenta, sendo depois temperadas com azeite, vinagre, alho e salsa.


Eis que chega um dos pratos icónicos do restaurante, a Sopa de Santola. Servida na própria carapaça, é um creme de marisco de sabores claros, simples e com uma cremosidade exemplar. Aliás, os elementos cremosos estiveram, ao longo de toda a refeição, sempre perfeitos na sua consistência, uma amostra da perfeição técnica da cozinha de Justa Nobre. Esta sopa aqueceu-nos a boca e o espírito. Agora consigo perceber o porquê da fama desta sopa, e apenas posso afirmar que é totalmente justificada.


O prato do mar, a Empada de Lavagante, continuou a revelar alguns pormenores de execução brilhantes. Massa bem cozinhada e estaladiça, recheio cremoso e com a proteína a revelar-se cozinhada na perfeição. Uma empada fantástica (a lembrar mais uma empanada) em toda a sua complexão. Acompanhou com legumes (courgette, cenoura, nabo, beterraba e couve-flor) simplesmente cozidos, parecendo depois terem sido borrifados com azeite. Visualmente, apresentavam um brilho que se traduziu também em sabores brilhantes. Nunca na minha vida comi legumes cozidos que fossem tão gulosos!


Até aqui tudo tinha deslumbrado e não foi diferente com o prato de carne, umas Bochechas de Porco Bísaro com Puré de Castanhas. Um puré uniforme, sem vestígio de granularidade e exímio tanto no sabor como na execução. As bochechas, cozinhadas até ao ponto em que as podemos comer com uma colher, estavam perfeitas também no nível de tempero. Um prato muito consistente e que é representativo das influências transmontanas na cozinha de Justa Nobre.


Já a rebentar pelas costuras e desejando apenas uma sobremesa pequena, chega-nos à mesa um Pijama! Ainda que em doses moderadas, as quatro sobremesas juntas ultrapassavam a nossa quota disponível, mas lá se fez o esforço e acabou por não sobrar nada. Tarte de Castanhas bem executada mas a desiludir um pouco no sabor, quando comparado com o puré de castanhas do prato anterior. Cheesecake muito amanteigado e a precisar de alguma acidez para contrabalançar o creme, mesmo considerando as raspas de laranja e lima presentes. Pudim Abade de Priscos e Sopa Dourada muito bons mas tendo um nível de açúcar (próprio destes doces) que o meu corpo tem dificuldade em ingerir em grandes quantidades. Apesar de boas, as sobremesas não estiveram ao mesmo nível dos restantes pratos.


Com o café uns caseiros Mini Pastéis de Nata. Mais uma vez, parece que nada falha na execução técnica dos pratos, com um recheio cremoso e saboroso a preencher um invólucro perfeitamente cozinhado e crocante.


A consistência apresentada em todos os pratos não é fácil de alcançar. O Nobre prima não só pela execução como pela qualidade dos produtos que confecciona, e assim se percebe o sucesso (justificado) que o restaurante tem ganho nos últimos anos. Pode não ser um restaurante barato, mas vale uma visita para podermos apreciar e testemunhar a qualidade da comida.

Zomato
Foodspotting
O Nobre / Spazio Buondi
Avenida Sacadura Cabral, 53B
Lisboa, Portugal
Facebook
Site
Preço Médio: < 50 €