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domingo, 19 de abril de 2015

Uma Viagem Pelo Sushi 2 ou onde ir quando queremos que alguém prove sushi pela 1ª vez!

Já vos falei (aqui) sobre a evolução que pode acontecer quando começamos a comer sushi. Como começamos por pensar primeiro na carteira, e só mais tarde optamos por preferir qualidade. É um percurso que pode ser diferente para cada um mas onde existem vários factores comuns.
E agora? Deixámos de pensar "Não percebo o fascínio por sushi" e passámos a dizer "Não percebo as pessoas que não gostam de sushi". Repreendemos em alto e bom som as pessoas que nos dizem que experimentaram sushi num buffet de 10€, não gostaram e por isso não voltaram a comer sushi. Mas, e quando temos uma pessoa que nos diz que quer ir experimentar sushi? O que fazer agora? Onde levar essa pessoa a jantar para garantirmos que fique realmente impressionada?
Numa primeira instância será bom percebermos quão aventureira a pessoa é. Muitas pessoas que afirmam não gostar de sushi são pessoas que não gostam de sair da sua zona de conforto, no que diz respeito à comida. Têm meia dúzia de restaurantes que frequentam e a maior parte são de cozinha portuguesa. Pouco exploram o mundo gastronómico que cada vez mais nos envolve e que me maravilha. 
Não recomendo que a primeira abordagem seja feita exclusivamente de sushi tradicional. O sushi tradicional consiste maioritariamente de sashimi, nigiris e hosomakis. Ou seja, baseia-se na qualidade exemplar de um bom arroz e na frescura dos restantes produtos. Parece normal, banal e simples mas não é. Apenas demoramos mais a perceber que quando bem feito é ridiculamente bom.

Temaki Shake
É mais fácil para as pessoas gostarem de sushi quando este se aproxima mais dos sabores ocidentais, aquilo que é denominado como sushi de fusão. Se ao início pensamos que para termos sushi de fusão basta juntar morango, manga e queijo Philadelphia, à medida que vamos descobrindo novos restaurantes vamos nos apercebendo de que realmente existe sushi de fusão com muita qualidade. É a um destes sítios que devemos levar um curioso por sushi.
O acompanhamento que fazemos durante a refeição também é muito importante. Não podemos esperar que as pessoas olhem para a carta de um restaurante de sushi e saibam o que são os itens que lá se encontram ou que saibam escolher o que mais as irá agradar. Temos que fazer um papel de aconselhamento com base naquilo que conhecemos das pessoas e que achamos que irão gostar mais. Peças quentes e com pele de salmão normalmente são consensualmente admiradas logo desde o primeiro dia.
Mas vamos querer que a pessoa que está a experimentar sushi pela primeira vez perceba também o quão fantástico pode ser uma simples fatia de sashimi. É preciso encontrar um equilíbrio no que pedimos para que a pessoa tenha o melhor dos dois mundos, ou seja, peças de fusão fantásticas e peças mais simples onde poderá apreciar a importância de ter produtos de qualidade.


A minha querida mãe via as fotografias que punha de sushi e maravilhava-se com o aspecto colorido e artístico que um prato de sushi bem feito pode ter. Ganhou curiosidade e interesse por sushi, algo que anteriormente não tinha devido a uma má experiência há muitos anos. Até ao dia em que quis passar a barreira da curiosidade e disse-me para marcar mesa. O restaurante escolhido foi o Tamagoshi Food Fusion, na Parede (do qual já falei aqui). E porquê este restaurante e não outro qualquer?
Não só a minha mãe achou fascinante a descrição que lhe fiz das peças que comi no Tamagoshi como se enquadra em todos os aspectos que já referi serem importantes. Aliás, a definição que tinha de sushi de fusão alterou-se quando conheci as peças do sushiman Péricles Lacerda, o cérebro e mãos desta pérola escondida na Linha do Estoril. Tem uma ementa muito apelativa, onde apetece pedir tudo, mas o melhor é pedirmos uma ou duas entradas seguido de um dos Combinados do Chef, terminando a refeição com a sobremesa que a casa recomendar.


Nesta visita que fiz, começámos a refeição com o Couvert, que incluía umas óptimas folhas de endívia com pasta de salmão. Para que a experiência fosse gradual, e como a minha mãe aprecia bastante camarão, pedimos para entrada uma Tempura de Ebi. Fantasticamente executada e a servir bem o propósito de mostrar que nem tudo é peixe cru.


Para tentar fazer a transição entre dois mundos opostos, pedi o Hot Shake Maki Especial que junta já algo cozinhado com algo cru. Primeira reacção bastante positiva!


Como a espera até ao combinado estava a ser algo demorado, pois tudo é feito no momento, foi-nos oferecido uma dose experimental do Carpaccio Especial Tamagoshi. Aqui, receei um pouco pois era o primeiro contacto que ela ia ter com algo aproximado ao sashimi, sem grandes transformações da proteína. Mas a forma como o carpaccio está de tal forma bem temperada que toda e qualquer dúvida que eu pudesse ter passou rapidamente.


O combinado Omakassê Itamae San chegou para dissipar os restos de resistência que pudesse haver. Um autêntico banquete de sabores, com peças de verdadeira fusão. E foi com este combinado que surgiram as primeiras sensações audíveis de satisfação da parte da minha mãe. Se nos pratos anteriores dizia que "Sim, está bom", "Gosto", agora tinha começado a manifestar-se ainda com a peça na boca.


Depois de terminadas as peças, rematámos a refeição com a sobremesa surpresa desse dia, um Cheesecake de Três Chocolates.


Saímos do restaurante cheios, satisfeitos e com mais uma pessoa convertida a esta vertente da gastronomia japonesa. Mais uma vitória e com o Tamagoshi a cilindrar todo e qualquer céptico de sushi. Se tiverem aquele amigo/a ou familiar que diz não gostar de sushi, façam uma aposta com ele: Vão jantar ao Tamagoshi com essa pessoa. Se ela não se converter pagam vocês a refeição, se se converter paga ela. Diria que as probabilidade de sucesso são altas o suficientes.

Zomato
Foodspotting
Tamagoshi Food Fusion
Rua Dr. Francisco Sá Carneiro, 61
Parede, Portugal
Facebook
Preço Médio: < 40 €

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Kyuubi (Oeiras)

Parece que, hoje em dia, 90% dos restaurantes de sushi têm uma variante "All You Can Eat", sendo que dentro destes, muitos optam por enviar para a mesa aquilo que o sushiman decidir, não havendo hipótese nenhuma de escolha. Há quem não goste deste tipo de serviço, mas sinceramente, a mim, não me faz grande diferença, acabando por achar piada ao facto de me ser servido aquilo que o restaurante bem entender. Claro que, caso não ache piada ao que me foi servido no "All You Can Eat", baixa é a probabilidade de voltar a esse restaurante, seja para repetir o "All You Can Eat", seja para comer à carta.
Chegando ao Kyuubi, sentámo-nos e rapidamente pedimos a opção "All You Can Eat". Restaurante quase cheio ao almoço, mas em pouco tempo chegou o primeiro prato. Algum sashimi, nigirishosomakis, uramakis, hot rolls e gunkans. Boa composição, boa apresentação e uma boa dose de variedade para o primeiro prato, sendo que a maior parte da proteína animal usada era salmão, um pouco de camarão e mais nada. Ainda assim, peixe de boa qualidade e rolos maioritariamente bem executados, mesmo não tendo um arroz espectacular.


Rapidamente se acabou o primeiro prato, e chamámos o empregado para pedir mais. Ao que o empregado ficou a olhar para nós com um ar de quem não tinha percebido, e nós repetimos "Queremos mais algumas peças, se faz favor!". "Mais?!"?. Claramente não sabiam que tipo de cliente glutão tinham à frente e acharam que duas pessoas ficariam satisfeitas com as cerca de 40 peças primeiramente apresentadas. Mas lá foi feito o pedido e após um tempo de espera superior ao do primeiro prato, chega o segundo prato, sendo uma cópia quase exacta do primeiro.
O segundo prato também acabou por marchar, mas no final do mesmo, eu era o único a desejar mais qualquer coisinha e lá acabaram por me fazer a vontade, mantendo aquele ar estranho de "Mas não quer mesmo terminar a refeição?", e trazendo-me mais 8 peças.
Até achei a relação qualidade/preço aceitável para o sushi que comi, mas a falta de variedade entre pratos e o serviço pouco simpático acabaram por ser motivos suficientes para me levar a não considerar regularmente o Kyuubi quando tenho os meus "desejos de Sushi". Pode ser que, face ao facto de já ter experimentado quase todos os "All You Can Eat" da zona de Oeiras e Cascais, acabe por lá regressar um dia.

Kyuubi
Oeiras, Portugal
Preço Médio: < 30 € (Menu All You Can Eat de 2ª a 5ª por 14,90€ sem bebidas)

sexta-feira, 20 de março de 2015

Gaijin Sushi Bar - Take II - Almoço à Carta (Paço de Arcos)

Já falei no blog sobre o Gaijin Sushi Bar, em Paço de Arcos, mais concretamente na sua versão All You Can Eat. Desta vez, escrevo-vos para vos falar sobre a experiência que tive à carta, aproveitando um dos descontos 2 por 1 da revista Time Out Lisboa. Aquando a reserva foi-me imediatamente perguntado se tinha conhecimento que o 2 por 1 apenas se aplicava à refeição à carta, e não nos menus de almoço nem no All You Can Eat. Por acaso, já tinha ouvido algumas queixas pela internet, pois todo o artigo que "vende" o Gaijin Sushi Bar na secção de descontos da revista falava no All You Can Eat e só nas letras pequenas do talão em si mencionava que só era aplicável à carta. Um pormenor que não fica bem e que pode levar muita gente ao engano.
Ainda assim, queria experimentar o restaurante à carta para conseguir perceber a diferença entre a oferta à carta e no All You Can Eat. E foi aqui que fiquei um pouco desiludido com esta mais recente experiência no Gaijin, pois pareceu-me que a diferença entre as variedades à carta e as do menu All You Can Eat não compensam a diferença de preço. Para terem um exemplo, uma refeição All You Can Eat são 20€ sem bebidas e pagámos cerca de 16€/pessoa num almoço com desconto em 50% na comida. O que, como poderão ver a seguir, parece-me um pouco díspar quando a variedade da carta não é assim tão significativa.


Pedimos o Combinado de 40 Peças e um uramaki Salmon Skin, algo que tanto eu como a minha fantástica companheira na maioria destes devaneios (e que inicialmente nem apreciadora de sushi era), simplesmente adoramos e pedimos sempre que possível. Íamos também pedir os óptimos Gunkans que o Gaijin serve mas pedimos ao empregado que, caso já viessem no combinado, não valeria a pena trazer extras.
Claro que nos esquecemos de referir o mesmo quanto ao Salmon Skin, e claro que o empregado poderia ter tido também isso em conta quando fez o pedido, mas não. E lá ficámos nós com 12 peças (em 48) iguais. Apesar de não me importar nada de comer pele de salmão grelhada (e que bem grelhada estava) acho que poderia ter sido evitado com um pouco de melhor comunicação.
De resto, a consistência e qualidade que tanto aprecio no Gaijin. Do melhor arroz que já encontrei, peixe com uma frescura exemplar e a desfazer-se na boca e os sempre obrigatórios Gunkans, de comer e chorar por mais (se calhar devia mesmo ter pedido mais).


Para terminar este almoço, uma Mousse de Limão dona de um balanço entre doçura e acidez surpreendente, que nos estimula todas as papilas gustativas e promove uma produção excessiva de saliva.


Resumidamente, apesar de pecar pela variedade, para mim compensa largamente pela qualidade, especialmente na opção All You Can Eat. Nesta vertente à carta não fiquei tão surpreendido mas a qualidade manteve-se e isso é de louvar.

Gaijin Sushi Bar
Paço de Arcos, Portugal
Preço Médio: < 40 €

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tamagoshi Food Fusion (Parede)

A definição que temos de "sushi de fusão" vai mudando consoante os restaurantes que vamos conhecendo. Se ao início ficamos fascinados pelo uso de morangos, manga e queijo creme, esta noção rapidamente se torna aborrecida. Começamos aí a definir as nossas preferências, acabando por pender para um lado mais tradicionalista, onde impera a simplicidade das peças mas somos mais implacáveis com a sua execução, ou para para um lado mais "ocidentalizado" onde nos interessam as peças de fusão e o seu grau de originalidade.
Confesso não ter uma preferência bem definida (como acredito que muitos não tenham), mas não fiquei indiferente às boas críticas que foram surgindo sobre um japonês, com nome de brinquedo virtual dos anos 90, onde a fusão era realmente bem concretizada e inovadora.
Quem por lá passa, mesmo que repare no toldo com o nome, duvido que se aperceba da qualidade que se esconde por trás de um nome que afugenta mais do que atrai. Cheguei a falar neste restaurante a outros apreciadores de sushi, mas surgiu sempre um ar céptico seguido de um franzir de sobrolho como resposta ao nome. Mas nada como entrar e experimentar.
Um rápido olhar pela ementa faz-nos aperceber de que existem algumas peças com ingredientes inovadores, como ovo de codorniz ou couve. Sendo a primeira visita ao Tamagoshi, o desejo era experimenta uma maior variedade de peças de criação do sushiman (ou itamae) e acabámos por pedir o combinado de 50 peças especiais, Omakasse Itamae San. (Omakasse é a maneira japonesa de dizer que deixamos a escolha dos pratos ao critério do chef)


14 variedades diferentes (7 uramakis, 3 gunkans e 4 sashimis) todos de execução exemplar. É difícil falar sobre todas as peças, pois nem sempre consegui identificar todos os elementos que as compunham. Algumas nem parecem existir na carta do restaurante, tornando esta identificação mais complicada. Mas falarei brevemente sobre algumas das peças mais marcantes.
4 variedades diferentes de sashimi, estando o sempre presente salmão acompanhado por charuteiro e por duas variedade de atum, akami e chūtoro (uma zona do atum mais próxima da barriga). Tudo fantástico na frescura e qualidade do corte, com particular destaque para o chūtoro que se desfazia na boca.

Foto retirada daqui
Gunkans também eles excepcionais. Uma das variedades apresentando-se com um molho de ervas no topo que primava por não ofuscar a qualidade do peixe, mas dando-lhe uma sensação mais próximo a "casa". Mas verdadeiramente surpreendente era o gunkan com pepino à volta e o que parecia ser uma pasta de ovas em cima, que me levou para recordações de saladas de ovas devido à complexidade de sabores que me assolava o palato. 

Foto retirada daqui
Nos uramakis, apesar de haver algumas peças muito boas mas menos surpreendentes, outras se destacaram pela originalidade e qualidade com que estavam executadas. Apesar de não ser um fã do uso de componentes muito doces no sushi, pois acaba por tornar toda a peça um conjunto enjoativo, a combinação de goiabada, queijo filadélfia, sésamo e cebola frita estava balanceada na perfeição, com a cebola a ajudar a cortar a doçura dos restantes componentes.
Muito bom o uso da massa descrita na ementa como folha de Harukami (basicamente, a massa usada para o que conhecemos como "crepes chineses"), com a textura crocante da massa a destacar-se, sendo bem acompanhada de salmão, maionese e cebolinho. Apenas desejaria que tivesse sido usada a pele do salmão grelhada para rechear o maki, pois é uma componente mais rica e isso poderia tornar a peça ainda melhor.
E, deixando o melhor para o fim, o uramaki Hakusai (uma variedade de couve japonesa)! Usar a folha da couve para substituir a alga é original e utilizar como topping flocos de milho tostados (Fritos) não só adiciona profundidade de sabor e textura como nos invoca memórias de sabores bem nossos conhecidos.

Para mim, foi uma refeição que exemplificou (quase) na perfeição o que de melhor a comida de fusão pode ter. A conjunção de ingredientes e técnicas de cozinhas diferentes, que acabam por se juntar em combinações improváveis (desculpe o roubo de expressão chef Avillez!), que nos deixam aquela sensação com que ficamos depois de uma refeição que fez transbordar as nossas medidas e superar expectativas.

Tamagoshi Food Fusion
Parede, Portugal
Preço Médio: < 40 €

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Confraria LX (Cais do Sodré)

Nasceu em Lisboa, no LX Boutique Hotel, o irmão mais novo daquele que dizem ser um dos melhor restaurantes de sushi de Cascais, a Confraria, aqui denominado Confraria LX. Mas a fama deste espaço é tal que, para além deste espaço na Rua do Alecrim, também têm uma banca no renovado Mercado da Ribeira. Por isso, toda e qualquer expectativa em torno de uma visita a qualquer um dos seus espaços era alta.
Espaço simpático, com um estilo entre o despreocupado e o chique e um serviço descontraído mas cuidado. Até aqui tudo dentro das expectativas que tinha quanto ao restaurante.
Começámos com umas Gyozas saborosas, com um bom recheio e boa proporção no dumpling entre a massa e o recheio. Uma entrada clássica na maior parte dos restaurantes de sushi e aqui também a não comprometer.


Éramos 3 pessoas e decidimos pedir um combinado de 49 peças, complementado com um pedido à parte de 3 outras peças. O Uramaki Camembert, algo que tinha todo o poder para surpreender, acabou por falhar redondamente. A proporção de camembert era quase inexistente, acabando todo o rolo por saber apenas ao salmão fumado. Poderia ter sido interessante mas não o foi.


Um prato do qual já tinha ouvido falar bastante e do qual tinha alguma curiosidade era o Ceviche Jô, um gunkan de salmão com peixe branco picado e marinado por cima (à semelhança da preparação de um ceviche). Bom peixe mas aqui apresentado com um excesso de cebola no preparado de ceviche, falhando no balanço com uma escassez de acidez nas peças, pedindo até que fosse usado um bocadinho de malagueta para dar mais vida ao gunkan.


Também os Nigiri Skin tinham alguns problemas na sua execução, pois estamos normalmente habituados a que nos apresentem a pele do salmão quente e estaladiça, algo que não aconteceu nestas peças. Pele fria e mole, não aproveitando o contraste de texturas que normalmente existe quando se usa este ingrediente. Bom uso da lima a contrabalançar com a gordura característica da pele e com o molho tare.


Muito melhor e mais consistente o combinado de 49 peças, Garyo. Bom sashimi, nigiris simples mas bem executados, tal como os hosomakis presentes. O uramaki era também de boa execução mas não surpreendente, tal como os gunkan de ovas, ao contrário do gunkan Spice Tuna, com atum picado por cima e um toque de picante bastante interessante.


Em todas as peças havia dois pormenores consistentes. Bom arroz e as peças tecnicamente bem executadas, mantendo a integridade quando se agarrava nelas. Mas não chegou bem ao patamar das expectativas que tinha criado para este restaurante.

Confraria LX
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 40 €

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Sushisan (Beloura Shopping)

Arranjar um restaurante de sushi num sábado à noite, sem reserva não é tarefa fácil, deixem que vos diga. Claro que dizer isto é fácil, mas não me lembrei disso na altura e quando cheguei ao Tomo, perto das 20 horas, num grupo de 8 pessoas, não nos foi possível arranjar mesa e fomos forçados a tentar arranjar uma boa solução para comer sushi e onde achássemos que seria mais provável encontrar mesa.
Eis que surge o nome Sushisan. E porquê? Dois de nós já lá tínhamos ido, sabendo que tem uma boa opção All You Can Eat. Está localizado num centro comercial "fantasma", ou seja, que não tem quase movimento nenhum fora da zona de restauração, e mesmo essa apenas com dois estabelecimentos a atraírem clientela (Zeno e Sushisan). Achámos que conseguiríamos arranjar mesa, o que foi confirmado após um telefonema, onde apenas nos foi indicado que a mesa disponível era numa zona mais escura.
Realmente era uma zona mais escura, em que sem o auxílio de uma lanterna não seria possível distinguir a maior parte dos ingredientes que compõem os rolos, mas enfim, felizmente o sushi não tem espinhas nem ossos (ou não deveria ter).


Não vou estar a descrever prato a prato, preferindo dar apenas uma ideia mais geral do que chegou à mesa. O primeiro prato foi o que trouxe as melhores peças, com várias combinações interessantes e bastante boas, como o caso do rolo com salmão e manteiga de amendoim, do rolo que vem encimado com farripas de alho francês ou de um outro rolo com um ligeiro picante bastante surpreendente e muito bom. Apenas desejei que uma maior variedade de peixe fosse usada, apesar de saber que num regime All You Can Eat todo (ou quase todo) o peixe utilizado é salmão, muito derivado aos custos implicados calculo.


Numa nota menos positiva, os Hot Rolls que chegaram à mesa, que apesar de serem bem fritos e estarem crocantes, não achei que fossem particularmente apelativos a nível de sabor, faltando-lhes o nível de criatividade utilizado nos rolos frios.



Apesar dos altos e baixos da refeição, continuo convencido que é um restaurante com uma boa relação qualidade/preço e um bom serviço All You Can Eat na zona de Lisboa.

Zomato
Sushisan
Abrunheira, Portugal
Preço Médio: < 30 €

sábado, 29 de novembro de 2014

SushiCafé Oeiras Parque (Oeiras)

O grupo SushiCafé não é uma referência desconhecida quando falamos sobre os melhores restaurantes de sushi na área de Lisboa, mas nunca tinha tido a oportunidade de visitar os seus dois espaços existentes (não estou a contabilizar os seus Sushi Corners), um perto da Avenida da Liberdade e outro no Centro Comercial das Amoreiras.
Mas "se Maomé não vai à montanha, vem a montanha a Maomé" e, para minha felicidade e sorte, abriu um SushiCafé perto da minha zona de residência, no Centro Comercial Oeiras Parque. E esta oportunidade não se podia deixar passar, mais por sugestão da minha cara-metade (e igual glutona quando a sushi se refere) do que por minha sugestão, decidimos investigar este espaço num almoço durante a semana. 
Para restaurante de centro comercial até está bastante apelativo, com um open space contendo uma ilha com balcão, onde podemos apreciar a nossa comida e a dos outros enquanto esta é preparada, e uma zona de mesas mais reservada. O único problema são os bancos comuns a ambas as zonas que não se revelam muito confortáveis.
Sentámo-nos ao balcão, junto à "montra" de peixe, e rapidamente ficámos surpreendidos com a variedade demonstrada, chegando a um total de 6 tipos de peixe (Atum, Salmão, Peixe-Manteiga, Robalo, Carapau e Encharéu), 1 molusco (Polvo) e 1 bivalve (Vieira). Na ementa, várias propostas interessantes, não só de sushi, onde há peças de fusão e peças mais tradicionais, mas também nos pratos quentes, deixando uma grande curiosidade de voltar a este estabelecimento para experimentar esta secção do menu.
Mas esta refeição era para comer sushi e foi isso mesmo que pedimos, começando por uns gunkans de fusão. O Tartar Gunkan revela-se menos surpreendente e a Batata Doce Crocante acrescenta bastante textura mas pouco sabor a uma peça já de si completa. Mesmo sem que este componente se destacasse muito, revelou-se uma peça de frescura exemplar mas de tamanho exagerado, pois só com alguma dificuldade consegui comer a peça de uma só vez.


Mas para verdadeira fusão, o pedido obrigatório é este Gunkan Suzuki, com Robalo, Pancetta e Cebola Frita. Uma verdadeira maravilha, com a gordura da pancetta a encher-nos a boca de sabor e a contrabalançar bem com a doçura da cebola. O peixe, escondido atrás da fatia de pancetta, acaba por brilhar ainda mais enquanto a gordura da pancetta parece fazer sobressair o sabor delicado do robalo. Um delicioso Surf & Turf em forma de sushi.


Tentando experimentar uma maior variedade de peixe, pedimos o combinado Sushi to Sashimi. Infelizmente, este combinado parece que está preparado para apenas 1 pessoa, pois os nigiris são todos de diferentes variedades de peixe, não permitindo que duas pessoas partilhem este combinado e tenham a mesma experiência. Exceptuando isso, fantástico peixe e óptimo arroz. Eclipsou totalmente um tradicional maki de pepino e meteu no bolso um uramaki de salmão, manga e pepino que nada de novo trouxe à mesa, apenas confirmando a qualidade do peixe e do arroz. Mas o melhor neste prato foi o sashimi, de corte um pouco mais grosso do que o habitual, acabando este factor por destacar ainda mais a textura do peixe, que se desfazia na boca.


E como o sashimi foi aquilo que mais nos satisfez, nada melhor que acabar a refeição com um combinado só de sashimi! O combinado Kisetsu trouxe atum, encharéu, salmão, vieira, robalo, polvo e ainda wakame com ikura (ovas de salmão). Exceptuando o polvo, de textura borrachosa e difícil de mastigar, tudo o resto é irrepreensível. As vieiras foram uma boa surpresa pela cremosidade da sua natureza crua e este açoriano encharéu encheu-me as medidas.


Não é um restaurante barato, mas ainda assim acabei a refeição meio deslumbrado pela qualidade do que tinha comido, tanto na facção fusão como na tradicional. O uso da pancetta foi algo inovador para mim e fez-me feliz (porque o bacon torna tudo melhor, não é?) mas a estrela da refeição foi o sashimi experimentado.
Um restaurante capaz de satisfazer todos, dos amantes de sushi de fusão, passando pelos tradicionalistas, aos que nem sushi comem.

SushiCafé Oeiras Parque
Oeiras, Portugal
Preço Médio: < 40 €

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Arigato SushiHouse (Parque das Nações)

Desde que comecei a falar na minha tentativa de encontrar o melhor All You Can Eat, tenho ouvido falar bastante do Arigato SushiArena, no Campo Pequeno, como um dos melhores a nível da relação triangular qualidade/diversidade/preço. Infelizmente ainda não foi desta que lá fui, mas numa passagem fugidia até à margem Sul, decidi parar no seu irmão no Parque das Nações, de forma a testemunhar a qualidade standard que esta "marca" apresenta. E não saí desiludido.
Ao almoço, o serviço All You Can Eat é disponibilizado numa versão Buffet com uma fila organizada para que, por ordem de chegada, os clientes possam passar por todas as ofertas disponibilizadas, ofertas essas que raramente se deixam ficar de prato vazio, pois um dos empregados está constantemente a avisar os sushimen quais as peças que estão a acabar, para que rapidamente possam ser repostas.
No meio da (muito) variada oferta do buffet, um Shot de Gaspacho. Refrescante sem ser fantástico e não percebo muito bem qual a sua necessidade de existência junto às peças de sushi, mas a acidez do gaspacho ajudou a limpar o palato para aquele que seria o início de uma bela refeição.


É difícil descrever todas as variedades de peças disponíveis neste buffet, pois dispõe de uma variedade quase (será mesmo só quase?) inigualável para um menu All You Can Eat, todas com uma qualidade acima da média, com um bom arroz, tanto a nível de sabor como de cozedura, apesar de estar um pouco pegajoso demais. Existem várias peças que merecem um destaque especial, tanto pelo facto de ser diferente do habitualmente visto em menus com este regime, como pela qualidade da peça:
- Sashimi de Espadarte, fresco e usando um tipo de peixe que nunca tinha provado em sashimi
- Sashimi de Dourada (pareceu-me dourada mas não tenho a certeza), que era marinado numa espécie de cebolada
- Sashimi de Peixe Manteiga, a desfazer-se na boca e algo do qual sou um grande fã
- Uramaki de Salmão e Queijo Filadélia com Arroz com Tinta de Choco, apesar de não ser surpreendente o sabor, achei piada ao uso da tinta de choco no arroz
- Uramaki e Nigiri de Pele de Salmão Grelhada, algo que facilmente encontramos noutros restaurantes de sushi mas que não deixa de ser um dos meus favoritos
- Nigiri de Rábano Japonês em Pickle, um ingrediente que nunca tinha experimentado e de que gostei bastante



Existem mais propostas acima da média mas estas foram aquelas que memorizei e interiorizei melhor. Existe ainda uma secção com alguns itens cozinhados, suponho que para satisfazer aqueles que não sejam adeptos do sushi, apresentando algumas coisas como Polvo à Lagareiro ou Batata-Doce em Tempura.
Fiquei curioso em conhecer o espaço do Campo Pequeno, tanto ao almoço em buffet como ao jantar em rodízio, e de conhecer o menu de degustação deste espaço no Parque das Nações. Não é, para mim, o melhor All You Can Eat, mas está bastante perto, principalmente devido à diversidade apresentada, mantendo sempre um nível de qualidade acima da média.

Arigato SushiHouse
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 30 €

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O Devaneios esteve na TV...

...mais precisamente no Você na TV, com Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira! E o que fui lá fazer? Falar sobre sushi! Não sou um especialista na matéria, mas sou sem dúvida um entusiasta e um fã de sushi, e, por isso mesmo, a Zomato forneceu o meu contacto à TVI para que pudesse participar num mini debate que iriam promover sobre o tema, opondo 3 pessoas que gostam de sushi a 3 pessoas que não são apreciadoras. Para ajudar à conversa, ainda tive a oportunidade de provar algumas peças preparadas pelo Marcus Araújo, o sushiman do Coral Sushi Concept, e que estavam fantásticas!
É um tema que tem potencial para muito mais, e onde poderia haver um maior debate de ideias, tentando perceber e aprofundar melhor os porquês das pessoas não gostarem, dando a experimentar diferentes variedades e combinações. A semana passada lancei um artigo sobre este mesmo assunto (cuja leitura recomendo a amantes de sushi e não só!) e que me parece enquadrar-se perfeitamente neste debate.
Deixo-vos com o vídeo do segmento onde participei!

Foto by Coral Sushi Concept

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Musashi Sushi Fusion (São Domingos de Rana)

Se alguma vez já ouviram o nome Musashi Sushi Fusion, é provável que a primeira pergunta que façam é "Qual deles? E qual é a diferença entre os dois estabelecimentos?". Se à primeira pergunta vos consigo responder facilmente a segunda já é mais complicada. 
Este restaurante fica perto do E.Leclerc de São Domingos de Rana e não, não sei qual é a diferença entre este estabelecimento e o existente na Parede (nas costas do Pingo Doce). Apenas sei que os dois têm o mesmo nome e o mesmo logo, mas não se relacionam em mais nada. Isto faz-me alguma confusão e não percebo bem o porquê de assim ser, acabando por criar alguma confusão na cabeça dos clientes que pensam que ir a um sítio ou a outro é indiferente. 
Nunca tendo ido a nenhum deles, e apesar de ter maior curiosidade em relação ao Musashi na Parede, a escolha acabou por recair no de São Domingos de Rana apenas pelo facto de terem All You Can Eat durante a semana.
Chegando ao restaurante perto das 14 horas senti-me um pouco desencorajado por apenas se encontrarem mais 2 pessoas, mas como já passava um pouco da hora de almoço normal e a localização do espaço não me parece atrair muita gente de zonas empresariais decidi abstrair-me desse facto.


Primeiro vieram para a mesa uns Temakis simpáticos, mas é um tipo de peça que não me agrada muito pois é realmente importante a qualidade da alga (e a forma como se trabalha) para que consigamos ultrapassá-la facilmente em cada dentada, algo que aqui não aconteceu. Ainda assim, boa qualidade de arroz e de salmão.




Os rolos que se apresentaram a seguir mostraram que a qualidade do Sushi é um pouco acima da média, com um especial destaque para o rolo frito que vinha bastante estaladiço. De forma menos positiva, a apontar o facto de que falta alguma consistência na forma como os rolos são feitos, tendo visto alguns erros na proporção de ingredientes, disposição incoerente e até algum desleixo na forma como fazia os rolos. Ainda assim, algumas combinações saborosas...


O prato de Sashimi que chegou à mesa apresentava um salmão de boa qualidade, um peixe branco (que não sei identificar) que depois de cortado foi cozinhado recorrendo a um maçarico que estava bom e de algumas fatias de atum que não me convenceram. A qualidade do atum parecia-me algo duvidosa revelando uma textura áspera e que me leva a crer que não seria muito fresco.


Para acabar um rolo com abacate que trazia um molho um pouco enjoativo, que dominou todo o palato devido à quantidade apresentada. 


Em todo a refeição, o serviço pareceu-nos estranho, e por o restaurante estar tão vazio, acabámos por nos aperceber numa relação muito dominante da dona perante o sushiman que parecia não o deixar à vontade para criar o que quisesse. Esta relação também se notou aquando o pedido do último rolo em que nos sentimos algo pressionados pela veemência demonstrada para dizermos o que queríamos no rolo.
Saí do restaurante com o sentimento de que apesar de não ter sido uma má refeição, não é um espaço ao qual pense voltar brevemente nem no qual pensarei quando quiser ir a um serviço All You Can Eat...

Foodspotting
Musashi Sushi Fusion
São Domingos de Rana, Portugal
Preço Médio: < 30 €

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Uma viagem pelo sushi ou o porquê de não querer voltar ao Nagoya (Oeiras)

Acredito que alguns de vós irão acabar de ler este artigo com uma enorme vontade de me chamar "food snob" ou algo do género. Sei também que existem muitos fãs do(s) Nagoya(s) por aí fora, e este artigo é especialmente para vocês. 
Existe toda uma evolução natural para quem começa a comer sushi. Primeiro pensamos que peixe cru é esquisito. Não o queremos, preferimos até repudiar e dizer que gostamos da nossa comida cozinhada. Mas na verdade não fazemos a mínima ideia do que falamos. Achamos até que o sushi cheira a uma praça ao sábado de manhã. Mas temos uns amigos que gostam de sushi e até já há uns restaurantes que têm buffet de comida chinesa e japonesa, por isso já podemos ir com os nossos amigos e eles vão comer sushi enquanto nos refugiamos na comida chinesa, ou até no teppanyaki.
Mas já agora porque não provamos? Tiramos meia dúzia de rolos que os nossos amigos dizem estar "muita" bons. A maior parte não nos agrada, apenas um ou outro parecem provocar de forma positiva o nosso palato. Mas também não é assim tão mau, pois não? Depois começamos a descobrir que não são só os restaurantes chineses que servem sushi em grandes quantidades e baixos preços. Existem também alguns restaurantes como o Sakura ou o Nagoya, espalhados um pouco por toda Lisboa.
Começamos a experimentar coisas diferentes, a maior parte com queijo Philadelphia, e começamos a achar mais piada. Até existem algumas coisas com gambas panadas ou pele de salmão grelhada! Uau, afinal isto é bom. Ainda não achamos uma piada por aí além a coisas mais simples como sashimi, nigiri e hosomaki e, sinceramente, não sabemos bem o que estes nomes significam. Mas aqueles rolos com o arroz por fora, morango, salmão e queijo eram fantásticos! E começamos a ficar viciados. Rapidamente precisamos da nossa dose mensal de sushi, e arranjamos um destes sítios para nos satisfazer.
Mas queremos mais. Há restaurantes que praticamente só servem sushi de fusão e é isso mesmo que nós gostamos. São restaurantes mais caros do que o que estamos habituados mas queremos experimentar para perceber se a diferença de preço vale a pena. E é aqui que iremos seguir por um de dois caminhos. Ou não queremos dar este passo e estamos satisfeitos com a qualidade do sushi que comemos nesse momento, ou então vamos continuar à procura da melhor qualidade porque a ânsia de comer melhor sushi é grande.
Os restaurantes que começamos a frequentar têm a possibilidade de pedir combinados de sushi e sashimi. Apesar de não sermos grandes fãs de sashimi, começamos a ganhar-lhe gosto. E a diferença entre estes restaurantes de sushi e os que frequentávamos anteriormente? Abismal! O peixe é muito mais fresco e isso nota-se na textura e sabor. Começamos até a reparar em pequenas nuances como a qualidade do arroz, da alga ou da soja, Isto sim é sushi, pensamos nós. Habituamo-nos a novos padrões de qualidade, aprendemos a distinguir os diferentes tipos de peça e até começamos a pedir cada vez mais sashimi, havendo sempre uma preferência pelo peixe A ou B. 
Era mais ou menos neste ponto da viagem que me encontrava da última vez que fui ao Nagoya de Oeiras. Aproximava-se a hora de almoço e andava já com algumas vontades de sushi. Para não se gastar mais 4 ou 5 euros por pessoa, optámos por voltar ao Nagoya e assim poder saciar a nossa fome com muita quantidade e qualidade média. Mas as coisas já não funcionam assim. Fazemos toda a refeição no Nagoya com a clara sensação que este restaurante já não serve para as nossas necessidades. Nem  o preço baixo ou a possibilidade de comer tudo o que desejarmos é suficiente para compensar a qualidade medíocre de todos os aspectos do sushi que pedimos. Peixe de fraca qualidade, excepto o salmão. Arroz excessivamente compacto e sem sabor. Os rolos mais originais a apresentarem-se com peças inconsistentes e enjoativos no meio de tanto molho e mistura. 




Saio do restaurante com um desejo que não foi aplacado. Há apenas uns anos atrás este restaurante teria sido mais do que suficiente para eu ficar satisfeito e sentir que tinha recebido a minha dose mensal de sushi. Mas as coisas mudam e esta viagem parece-me ser quase inevitável para toda a gente que, como eu, está sempre à procura de melhor qualidade nas suas refeições. 
Se ainda não começaram a comer sushi, podem começar por este tipo de restaurante, sendo que a minha preferência vai claramente para o Sakura. Se já passaram esta fase, então tudo o que leram até agora não foi novidade nenhuma. Mas se se encontram neste tipo de caminho, vão por mim e comecem a procurar novos restaurantes. Por mais meia dúzia de euros conseguimos já boas opções para almoçar ou jantar!
Eu não sei bem em que ponto me encontro, mas sei que tenho ainda um longo caminho a percorrer. O último passo foi experimentar fazer sushi em casa. Se foi bom? Mau não foi. Para uma primeira vez até fiquei bastante satisfeito, mesmo com alguns erros cometidos quanto ao arroz. Deu, pelo menos, para acalmar a chama que o Nagoya não conseguiu apagar.




Podem agora chamar-me "food snob" se quiserem, mas acredito piamente que o gosto pelo sushi é um gosto que se vai adquirindo e refinando. Temos que saber por onde começar e que caminho seguir. Se tivermos alguém que nos possa guiar por estas andanças melhor ainda. Mas não desistam se não gostarem da primeira vez que experimentaram sushi. Tentem antes descobrir quais serão os restaurantes que têm sabores que mais irão de encontro às vossas preferências. Normalmente estes restaurante serão restaurantes de fusão, mas procurem um que seja bom e que tenha boas críticas online, por exemplo. O gosto pelo sushi é uma porta difícil de abrir, mas quando o conseguimos fazer é todo um caminho desbloqueado para novos sabores e experiências.

Nagoya
Oeiras, Portugal
Preço Médio: < 20 €

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Kook Chiado (Chiado)

Ouvi falar, pela primeira vez, no Kook Chiado à cerca de duas semanas, quando saiu um pequeno artigo sobre a sua equipa e o seu conceito. A equipa parecia-me interessante e com passagens por sítios de renome na cidade de Lisboa, mas o conceito assustava-me um pouco. Sushi e petiscos portugueses no mesmo espaço? Já tive más experiências com restaurantes que ambicionam agradar a um público alvo vasto, ou encaixar-se nas modas, e depois falham miseravelmente.
Mas a possibilidade de fazer o passatempo de aniversário do blog num espaço recentemente aberto, com boa pinta e com uma carta que, apesar do anteriormente mencionado, até parece apelativa, era irrecusável. E não poderia lançar um passatempo sobre um restaurante sem primeiro vos dar a minha opinião sobre o mesmo não é?


Ao entrarmos no restaurante ficamos agradados com a decoração. É um restaurante moderno, decorado com bom gosto e recebemos logo o primeiro sorriso da noite. Ao longo de toda a refeição, todo o atendimento foi (quase) exemplar, mas sempre bastante simpático e prestável. Tão prestável que, enquanto nos colocávamos nas mãos do chef David Costa, não colocando qualquer restrição aos pratos com que ele nos quisesse presentear, estávamos bastante indecisos sobre o que beber, ao que nos foi sugerido uma Sakerinha de Maracujá. Fresca, quase um sumo, não se notando muito o álcool e servido com os caroços do maracujá, e isso para mim é um ponto a favor. É como as mousses de maracujá, se não tiver sementes não tem metade da piada.


Assim que chega o Couvert, senti as minhas expectativas subir, apenas pela forma cuidada como é apresentado. Uma base com dois tipos de pães (e dois exemplares de cada) quentinhos a libertar um aroma que nos mete a boca a salivar. A manteiga de ovelha cremosa, quase com a textura de um queijo, derretendo-se assim que colocada num pedaço do fantástico pão. Também o hummus é muito bom, de boa consistência e com a adição de um qualquer ingrediente que não consegui descortinar, mas que lhe conferia uma ligeira acidez, tornando-o multidimensional. (Depois de uma rápida consulta à ementa do Kook, apercebi-me que o hummus do restaurante é feito de tremoço. Excelente ideia e concretização)
Nunca um couvert me deixou com um sorriso tão grande na cara.


Com o couvert, chega também um mini cesto de Chips de Batata-Doce Frita. Não pareciam acabadas de fritar pela temperatura a que estavam e faltava-lhes a adição de um pouco de sal, mas estavam boas e cada rodela estaladiça foi devorada até não restar nada mais no cesto.


Para entrada, o chef quis presentar-nos com uma verdadeira obra de arte, concretizada pelo sushiman Octávio Melo. Apesar de não ser das minhas piores fotos (sendo que as minhas fotos nunca são realmente boas), ela não faz justiça ao prato que nos foi colocado à frente. Sim, sushi é arte, mesmo que não tenha sido pintado por Picasso, e a forma como as peças são dispostas no prato são o cartão de visita do sushiman, pois os olhos também comem.
Variedade suficiente para nos dar a provar um pouco do que têm na carta de sushi, vou tentar descrever-vos o melhor possível aquilo que havia neste combinado de 20 peças. Aqui foi um ponto onde o serviço falhou porque não nos foi explicado (nem antes nem depois) o que nos estava a ser servido. Penso que apenas no couvert e na sobremesa isso nos foi explicado.
Sashimi de salmão, camarão e atum ligeiramente braseado. Fantástico a nível de frescura e sabor, principalmente o atum. Tem sido raro encontrar sashimi de atum desta qualidade, parecendo-me até ser um corte de uma zona mais gorda, mas não sendo barriga. Mais um ponto positivo na apresentação do sashimi de camarão, com a cauda e a cabeça do animal a ser também apresentado. Bonito, mas acima de tudo saboroso.
Nos nigiris, bom o de atum (agora já parecendo ter um tipo de atum mais magro) com um arroz acima da média mas com o formato de nigiri a ser mais alto do que o que estou habituado. O de salmão foi mais uma fantástica surpresa, pela adição de pesto no topo do peixe. Boa combinação e a funcionar bastante bem.
O (único) rolo presente tinha um nível técnico e de inovação que apreciei bastante. O Salmão braseado a fazer a vez do arroz, com atum picado no interior e um molho de kimuchi (a versão japonesa do kimchi) por cima. Excelente combinação, dando para distinguir na perfeição os dois peixes diferentes
Para completar as 20 peças, dois gunkans de salmão, com uma variedade grande de ingredientes a servir de topping, mas infelizmente não fui capaz de distinguir mais quase nenhum. Mesmo não sabendo bem o que estava a comer, a explosão de sabores que senti foi impressionante. Sabores que parecia reconhecer mas que o meu cérebro não conseguiu nomear. Muito bom.


Para nos dar a conhecer a vertente de cozinha portuguesa do Kook, chegaram à mesa dois pratos principais diferentes, tendo a empregada que colocou os pratos se enganado, porque colocou o prato de peixe a quem tinha os talheres de carne e vice-versa. Mas nada de grave.
O prato de peixe era o BaKalhau à Lagareiro, uma reinterpretação bastante fiel do nosso prato tão bem conhecido, sendo o ponto principal de diferenciação o nível da apresentação, não sendo servido uma posta grande mas três bocados. O bacalhau estava excelentemente cozinhado, a lascar bastante bem e com bom ponto de sal, apresentando ainda o pormenor da pele semi-estaladiça. Normalmente evito a pele do bacalhau porque é um pouco grossa e costuma apresentar-se com uma textura mais gelatinosa, mas esta não resisti e não sobrou nem uma amostra para levar à cozinha. Boas batatas no forno e umas folhas de espinafres salteadas completam um conjunto tão típico da nossa cozinha, neste caso elevado a uma qualidade superior à normalmente encontrada.


Porque este é um restaurante com uma temática bastante portuguesa, o prato de carne teria que ser um dos mais emblemáticos pratos de carne em Portugal, o cozido à portuguesa, aqui apelidado de Kozido Kook. E aqui nota-se claramente o cuidado na apresentação (e consequente inovação) que parece ser uma das imagens de marca do Kook. À esquerda, apresentado como numa terrina, as várias carnes colocadas em camadas. Carne de vaca, farinheira, chouriço, morcela e no fim carne de porco e sua orelha. Todas as componentes muito boas individualmente e a funcionar bem quando juntas. A orelha (algo que adoro) estava bastante cozida e até gosto dela um pouco menos cozida para dar uma textura diferente ao conjunto. Também o acompanhamento é diferente e apresentado de forma original, com os legumes cozidos (cenoura, batata-doce e batata?) a estarem enroladas em couve lombarda. Um pouco cozidos demais os legumes, tornando-se em puré já na boca, mas pouco grave na minha opinião. Diferente, novo, original e com um toque de hortelã. Tudo finalizado com o caldo do cozido que é despejado sobre o prato.
Se tivesse que dar um exemplo do que é reinterpretar um clássico, este é um exemplo perfeito. E estava de tal forma saboroso e viciante que, não só fiquei triste quando acabou o prato porque ainda queria mais, como me esqueci de verter mais caldo de tão entusiasmado que estava.


Também nas sobremesas, tivemos o prazer de receber duas diferentes para poder experimentar o máximo de coisas possível. Primeiro, uma surpresa original mas que junta vários sabores nossos conhecidos. Suspiros em cama de mousse de lima, com um granizado de mirtilos (que não era só granizado mas continha também alguns pedaços de gelatina de mirtilos). Individualmente todos os elementos a serem fantásticos, mas a sua combinação é uma coisa de outro mundo. Excelente balanço entre acidez e doce.


Mas as reinterpretações deles não se ficaram pelos pratos principais. Quando me colocaram o prato à frente (foto em baixo) senti-me intrigado, mas devo ter feito cara de parvo quando ouvi as palavras "Este é o nosso Arroz Doce". Arroz doce? Mas onde é que está o arroz? Vou tentar descrever todos os elementos como me foram descritos mas posso-me enganar algures... Arroz doce frito com leite de coco (umas pequenas bolas a fazerem lembrar arancini), mousse de leite de coco com creme de maracujá e gelado de mojito. Muita coisa? Sim, talvez um pouco demais. Individualmente tudo era fantástico. As bolas de arroz doce fritas com o arroz ainda cremoso e bastante saboroso. A mousse de coco e o creme de maracujá a funcionarem bem juntos, graças à acidez do maracujá. E o sorbet de mojito? Genial! Muito bom mesmo. O único problema? Estes elementos não funcionavam bem juntos. Uma pena porque todos eles eram excelentes.


Saio do Kook feliz. Um sorriso na cara e na mente embarcam-me o espírito para o regresso a casa, acreditando que este é um restaurante que pode dar que falar. Pena é, a uma 5ª feira, ter tido apenas 4 clientes (eu e a minha companhia incluídos) enquanto lá estive. E quando saí de lá às 21h30 ficou o restaurante vazio. Apesar de não ser um restaurante barato, achando apenas que existe um desequilíbrio nos preços dos pratos principais, parece-me que tudo o resto é justo para o que é servido. Motivo mais do que suficiente para ser merecedor de algumas visitas e poder experimentar o resto da carta.

Kook Chiado
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 30 €