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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Mini Bar (Chiado)


José Avillez é, sem grande dúvidas, o chef português mais mediático por este mundo fora. O Grupo José Avillez tem 7 restaurantes (se contar o Bairro só como um) e 1 serviço de Take-Away (que já usei e do qual gostei bastante!). Estamos perante um dos melhores chefs portugueses e o "Rei do Chiado", logo as expectativas em todos os restaurantes com o seu nome são naturalmente altas assim como o nível de exigência.


Perú de Natal do Take-Away do Grupo José Avillez
Tenho adiado a minha visita ao Belcanto (mais do que devia mas tentarei ir lá este ano de 2017!), e por muito que quisesse que o Belcanto fosse o meu primeiro contacto com a cozinha de José Avillez, decidi ir visitar o Mini Bar para festejar o meu aniversário. Apetecia-me algo diferente, apetecia-me cozinha de autor, em modo "petisco" e que pudesse vir a ser uma das melhores refeições do ano. E foi!
Antes de começar a dissertar sobre os pratos, aconselho vivamente os cocktails do Mini Bar. Penso que se enquadram melhor na temática do restaurante. Todos os 4 experimentados eram muito bons.


Cosmopolitan - Vodka Absolut Citron, Triple Sec, Frutos Silvestre
Kir Royal - Champagne Perrier Jouët Grand Brut NV, Licor Cassis
Lisboa - Vodka Absolut Blue, Frutos Silvestres, Gengibre
Menina e Moça - Rum Havana Club Añejo Especial, Abacaxi, Limão, Cardamomo
A viagem no Menu Épico, composto por 12 momentos, começou com uma refrescante interpretação de um cocktail, a Margarita de Maçã Verde e Hortelã com flor de sal e flocos de piri piri. Um prato de textura engraçada e de sabores subtis, a servir como um limpa-palato para a refeição que se iniciava.



Um dos componentes icónicos comum a vários restaurantes de Avillez (seja isolado como no Mini Bar ou fazendo parte de um Bacalhau à Brás como no Café Lisboa), são as Azeitonas Explosivas, onde Avillez faz uso de uma técnica de esferificação, que utiliza alginato, popularizada por Ferran Adriá no seu (já extinto) El Bulli, onde o chef estagiou em 2007. É uma técnica "antiga", que já se vê em diversos restaurantes mas da qual ainda não me cansei, pois o seu resultado é sempre fantástico.



Também bastante popular é o Ferrero Rocher de José Avillez, onde o chef criou um prato visualmente perfeito na sua conceptualização, apresentando uma mousse de foie gras com avelã como recheio de um bombom de chocolate. Um dos motivos pelo qual a cozinha de autor me fascina bastante é por este desafio cerebral a ideias pré-concebidas. Neste caso, o nosso cérebro vê um ferrero rocher perfeito, a primeira dentada e os primeiros sabores que nos chegam ao cérebro são do chocolate e da avelã... e demora cerca de 3 segundos a aperceber-se que não estamos a comer um prato doce. Conceptualmente perfeito.



As brincadeiras com "finger food" continuam com o Ceviche de Gambas do Algarve, com a meia lima a servir de colher para duas óptimas e frescas gambas, um grão de milho frito, uma esfera de sumo de beterraba, uma rodela de malagueta e brotos de coentros. Sabores perfeitamente balanceados com o sumo da lima, que mordemos e apertamos enquanto colocamos tudo na boca, a contribuir com a sua acidez para se criar o famoso leche de tigre directamente na nossa boca. Fantástico apontamento do milho frito que acrescenta textura e dá um excelente toque salgado ao prato.



E agora, o momento da noite, com a chegada do Frango Assado de José Avillez. Frango assado?! Comida de autor?! Meus caros, este é dos melhores frangos assados que já experimentei. Todos os fantásticos sabores estão lá, representados por uma das coisas que mais aprecio no frango assado, a pele, tendo como toppings um creme de requeijão fumado e outro de abacate. Para terminar, piri-piri em pó para dar algum "kick" a todo o conjunto. Perfeito!



A finger food terminou com um duo de tártaros em cornetto. Excelente Tártaro de Novilho com Emulsão de Mostarda, com vários dos sabores clássicos de um tártaro presentes. Apreciei bastante o corte mais grosseiro na carne, a funcionar bastante bem e a ser um bom ponto diferenciador dos demais tártaros que existem.



A interpretação asiática de José Avillez para o Tártaro de Atum era fenomenal. O atum de uma qualidade exemplar, marinado em soja, e a desfazer-se na boca. Era difícil superar o tártaro de novilho mas conseguiu!



O Ovo BT com Parmesão não convenceu na plenitude ainda que tudo estivesse bem executado. O uso de óleo de trufa não me seduz e não acho que acrescente algo de fantástico ao prato. Já a simples combinação pão torrado, parmesão e ovo é muito boa e funciona bastante bem sem o acrescento do óleo de trufa.



Muito boas, tanto a nível de textura como de sabores, as Vieiras Salteadas com Sabores Thai, onde o molho era uma representação de um caril verde tailandês.



Para terminar os momentos salgados do Menu Épico, o JAburguer DOP. Excelente pão, excelente carne, principalmente a nível de tempero e temperatura, com uma folha de alface e um pouco de tomate. Melhor que muitos hambúrgueres espalhados pela maior parte das hamburguerias que continuam a proliferar por este país fora. Acompanhava com umas excelentes Batatas Parvas.



Para estômagos mais pequenos, este menu tem uma dimensão óptima mas aqui o glutão não se satisfez com (só) 12 momentos e decidimos pedir algo mais. Repetimos as Azeitonas e o Frango Assado e pedimos uns Croquetes com Emulsão de Mostarda, fantásticos nas texturas com o exterior estaladiço e um interior suculento e muito saboroso.



Fechámos o capítulo salgado com um bom Presunto Joselito Gran Reserva.



A sobremesa do menu épico nesta noite foi o Globo Lima-Limão, traduzindo-se na grande desilusão da noite. Apesar de ser um grande fã de sabores cítricos, não gostei dos sabores aqui apresentados, fosse na "casca" de lima ou na espuma cremosa de yuzu. Conceptualmente, a ideia da sobremesa é boa mas não gostei da concretização com sabores que pareceram pouco naturais.
O serviço foi competente e bastante rápido durante toda a noite e apenas aqui houve uma pequena falha. Um dos globos foi para trás com mais de metade no prato e não houve a preocupação de perguntar porquê. Se um prato volta para trás com comida, penso que será do interesse de todos perceber o que deu origem a isso...



O último momento do menu chega com o café (que estava algo queimado), com um Marshmallow de Maracujá e Coco e um Bombom de Chocolate.



As expectativas eram altas ou não estivesse a falar de um restaurante de José Avillez e não foram defraudadas. Falta agora conhecer os restantes espaços do grupo.

Mini Bar
Lisboa, Portugal
Mini Bar Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 60 €
Data da Visita: 20 de Janeiro 2017

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Belvedere - Grande Real Villa Itália (Cascais)

Há alguns anos atrás os restaurantes de hotel eram vistos, quase sem excepção, como uma praga na restauração que teimava em mal impressionar os turistas que recebiam. Felizmente esse paradigma mudou e temos cada vez mais e melhores restaurantes, podendo agora ser vistos como uma opção válida para se jantar sejamos hóspedes ou não. E foi assim que a curiosidade foi despertada, sendo concretizada com um voucher 2 por 1 da Time Out.
O Hotel Grande Real Villa Itália é luxuoso, com uma decoração imponente e de bom gosto, reservando para o seu restaurante uma sala bastante espaçosa. O serviço foi digno do requinte que o local aparenta e mostrou-se informativo durante toda a refeição. Enquanto aguardávamos a mesa, e tomávamos um aperitivo, encaminharam-nos para uns sofás algo desconfortáveis mas a estadia foi curta e rapidamente nos pudemos sentar numas cadeiras bastante melhores.
Couvert com uma óptima variedade. Pão bola, grissini, focaccia, pão integral, tudo de bom nível. Duas manteigas, com especial destaque para a de pancetta (ou prosciutto - já não me recordo), e uma espécie de brandade (mas não triturada) de bacalhau, cebola e tinta de choco muito boa.



Bom Funghi Gratinati Con Mozzarella e Pancetta (Cogumelo Gratinado com Mozzarella e Pancetta), com uma generosa dose de queijo, mas onde se pedia que a pancetta se destacasse mais. Simpática a salada que acompanha e ajuda a cortar a untuosidade e riqueza da mozzarella.



Seguimos a recomendação de entrada do chef para o Cacio e Pepe, um prato que já tinha visto nalguns programas da "especialidade" e que tinha muita curiosidade em experimentar, pela sua simplicidade. Massa fresca muito saborosa, com sabor intenso a alho e pimenta preta (algo normal e que apreciei bastante). Bom equilíbrio destas componentes com o pecorino.



Excelente o Risotto Di Asparagi Verdi E Capesante (Risotto de Espargos Verdes e Vieiras). Boa cremosidade, excelente ponto de cozedura no arroz, notando-se um caldo bem trabalhado e com várias camadas de sabor, onde apenas o sal poderia ser um pouco menos. Pena a escassa existência de vieiras (3), achando que seria mais adequado a adição de mais 1 ou 2. As vieiras perfeitamente cozinhadas, com uma caramelização externa fantástica e depois o seu miolo macio.



Já os Ravioli Al Funghi E Spinaci, Melanzane Con Ricotta, Zucca Arrosto con Pinoli E Crema Di Barbabietole (Raviolis de Cogumelos e Espinafres, Beringela Recheada com Ricotta, Abóbora e Pinhão e Creme de Beterraba) não apresentavam o mesmo trabalho ao nível do sabor. Nada tinha muito sabor, fossem os raviolis de ricotta e espinafres, o creme de beterraba ou a beringela recheada, ainda que esta última fosse o melhor aspecto do prato. Apesar dos muitos componentes do prato, funcionavam bem juntos, mas a falta de sabor do conjunto não fez corresponder às expectativas que tinha do prato.



As sobremesas foram médias, sem serem fantásticas. Não percebo (e embirro com) a utilização de copos afunilados em sobremesas por camadas. Tiramisù fresco mas com sabor a café intenso demais, ofuscando os restantes sabores.



Melhor o "Cappuccino" com uma boa panna cotta de café, bem balanceada com a mousse de chocolate branco e os morangos.



Os preços acima da média (cerca de 73€ para 2 pessoas, sem vinhos, apenas água e 2 proseccos de aperitivo), se fosse só pela comida, não justificariam totalmente mas quando se toma em conta todas as variáveis (espaço, serviço, localização) parece mais justificável. As expectativas eram altas, pelo local, ementa e preçário, e acabei por sair satisfeito com toda a experiência mas não sei se o mesmo teria acontecido caso não tivesse usufruído do voucher da Time Out. 

Belvedere
Cascais, Portugal
Belvedere - Grande Real Villa Itália Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 40 €
Data da Visita: 25 de Outubro 2015 (a partir deste momento, quase todos os posts passarão a contar com uma data para que seja melhor contextualizada a altura em que a visita ocorreu. Sim, alguns posts têm mais de 1 ano de atraso mas tenho cerca de 100 notas para passar a texto e irá demorar algum tempo até conseguir pôr tudo em dia!)

sábado, 29 de novembro de 2014

SushiCafé Oeiras Parque (Oeiras)

O grupo SushiCafé não é uma referência desconhecida quando falamos sobre os melhores restaurantes de sushi na área de Lisboa, mas nunca tinha tido a oportunidade de visitar os seus dois espaços existentes (não estou a contabilizar os seus Sushi Corners), um perto da Avenida da Liberdade e outro no Centro Comercial das Amoreiras.
Mas "se Maomé não vai à montanha, vem a montanha a Maomé" e, para minha felicidade e sorte, abriu um SushiCafé perto da minha zona de residência, no Centro Comercial Oeiras Parque. E esta oportunidade não se podia deixar passar, mais por sugestão da minha cara-metade (e igual glutona quando a sushi se refere) do que por minha sugestão, decidimos investigar este espaço num almoço durante a semana. 
Para restaurante de centro comercial até está bastante apelativo, com um open space contendo uma ilha com balcão, onde podemos apreciar a nossa comida e a dos outros enquanto esta é preparada, e uma zona de mesas mais reservada. O único problema são os bancos comuns a ambas as zonas que não se revelam muito confortáveis.
Sentámo-nos ao balcão, junto à "montra" de peixe, e rapidamente ficámos surpreendidos com a variedade demonstrada, chegando a um total de 6 tipos de peixe (Atum, Salmão, Peixe-Manteiga, Robalo, Carapau e Encharéu), 1 molusco (Polvo) e 1 bivalve (Vieira). Na ementa, várias propostas interessantes, não só de sushi, onde há peças de fusão e peças mais tradicionais, mas também nos pratos quentes, deixando uma grande curiosidade de voltar a este estabelecimento para experimentar esta secção do menu.
Mas esta refeição era para comer sushi e foi isso mesmo que pedimos, começando por uns gunkans de fusão. O Tartar Gunkan revela-se menos surpreendente e a Batata Doce Crocante acrescenta bastante textura mas pouco sabor a uma peça já de si completa. Mesmo sem que este componente se destacasse muito, revelou-se uma peça de frescura exemplar mas de tamanho exagerado, pois só com alguma dificuldade consegui comer a peça de uma só vez.


Mas para verdadeira fusão, o pedido obrigatório é este Gunkan Suzuki, com Robalo, Pancetta e Cebola Frita. Uma verdadeira maravilha, com a gordura da pancetta a encher-nos a boca de sabor e a contrabalançar bem com a doçura da cebola. O peixe, escondido atrás da fatia de pancetta, acaba por brilhar ainda mais enquanto a gordura da pancetta parece fazer sobressair o sabor delicado do robalo. Um delicioso Surf & Turf em forma de sushi.


Tentando experimentar uma maior variedade de peixe, pedimos o combinado Sushi to Sashimi. Infelizmente, este combinado parece que está preparado para apenas 1 pessoa, pois os nigiris são todos de diferentes variedades de peixe, não permitindo que duas pessoas partilhem este combinado e tenham a mesma experiência. Exceptuando isso, fantástico peixe e óptimo arroz. Eclipsou totalmente um tradicional maki de pepino e meteu no bolso um uramaki de salmão, manga e pepino que nada de novo trouxe à mesa, apenas confirmando a qualidade do peixe e do arroz. Mas o melhor neste prato foi o sashimi, de corte um pouco mais grosso do que o habitual, acabando este factor por destacar ainda mais a textura do peixe, que se desfazia na boca.


E como o sashimi foi aquilo que mais nos satisfez, nada melhor que acabar a refeição com um combinado só de sashimi! O combinado Kisetsu trouxe atum, encharéu, salmão, vieira, robalo, polvo e ainda wakame com ikura (ovas de salmão). Exceptuando o polvo, de textura borrachosa e difícil de mastigar, tudo o resto é irrepreensível. As vieiras foram uma boa surpresa pela cremosidade da sua natureza crua e este açoriano encharéu encheu-me as medidas.


Não é um restaurante barato, mas ainda assim acabei a refeição meio deslumbrado pela qualidade do que tinha comido, tanto na facção fusão como na tradicional. O uso da pancetta foi algo inovador para mim e fez-me feliz (porque o bacon torna tudo melhor, não é?) mas a estrela da refeição foi o sashimi experimentado.
Um restaurante capaz de satisfazer todos, dos amantes de sushi de fusão, passando pelos tradicionalistas, aos que nem sushi comem.

SushiCafé Oeiras Parque
Oeiras, Portugal
Preço Médio: < 40 €

domingo, 27 de outubro de 2013

Gordinni Choupana - Risotto de Vieiras, Lima e Vodka

Eu gosto de arroz! Não, gostar é pouco... eu sou um fanático por arroz! Branco, de tomate, frito, com carne guisada, de línguas de bacalhau... é só dizer! E desde que descobri a maravilha que é um bom risotto, são raras as vezes que a palavra surge numa ementa e eu escolho um prato diferente. Por isso, numa visita ao Gordinni Choupana, decidi pedir este risotto de vieiras para verificar a qualidade dos risottos neste restaurante.
Não saí desiludido com a qualidade do risotto... o arroz vem no ponto, com uma cremosidade boa, ou seja, nem muito espesso nem muito líquido, com uma acentuada acidez dada pela lima, mas que acaba por contrabalançar bem com o coulis de manga colocado no prato. A minha queixa não vem do arroz, mas da quantidade de vieira que existe no risotto. Por um risotto que ronda os 20€, esperava mais do que 2 vieiras cortadas aos quartos. Acabamos por andar a racionar os pequenos quartos de forma a conseguirmos mais garfadas com as vieiras, mas o resultado final é sempre o de comer o risotto já sem qualquer bocado de vieira.
Num risotto altamente recomendável, este ponto faz-nos equacionar a vontade de repetir este prato.


Restaurante Gordinni Choupana
Avenida Marginal, 5579
São João do Estoril, Portugal
Preço Médio: < 40 €