segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O porquê de Anthony Bourdain se ter tornado famoso!


Pensar em Anthony Bourdain como um dos melhores chefs do mundo é ter uma ideia muito errada de quem é Anthony Bourdain. Anthony Bourdain atingiu o seu auge como chef, enquanto chef executivo de uma Brasserie Nova Iorquina.
Mas essencialmente, Bourdain é um entusiasta de comida e quando teve a oportunidade, depois de toda a fama ganha com este livro Cozinha Confidencial, saltou para o mundo televisivo e das viagens gastronómicas, primeiro com Cook's Tour, depois com No Reservations e neste momento com The Layover e Parts Unknown. E, vamos ser sinceros, é neste papel de apresentador que Bourdain é realmente genial. É um homem interessado pelas diversas culturas, com um à vontade enorme com as câmaras e um grande narrador.
Mas porque é que um chef, que não é assim tão bom, e ele é o primeiro a dizer que nunca foi um grande chef, teve este boost de popularidade sobre um livro que nem receitas tem? Porque este foi o primeiro livro a retratar, muito de forma autobiográfica, aquilo que se passava no negócio da restauração e no backstage da cozinha. Os mexicanos que cozinham comida francesa sem qualquer tipo de formação, enquanto se insultam aos berros, as drogas, as "trips" dos chefs e muitos segredos obscuros do mundo da restauração, vários contados na primeira pessoa. Foi tal o sucesso deste livro, que deu origem a uma série televisiva com Bradley Cooper.



Sem receio de admitir a sua "Viagem Pelo Mundo da Droga", Bourdain vai contando como foi crescendo na indústria, contando histórias caricatas da sua vivência nesses anos e dando conselhos bastante úteis às pessoas, entre os quais:
- Não pedir pratos de peixe a uma segunda-feira!
- Porque não se deve pedir carne bem passada!
- Porque devemos evitar "Descontos de Sushi"!
É um livro divertido, para ser lido enquanto autobiografia e não como uma bíblia de tudo o que acontece em todas as cozinhas do mundo!

domingo, 20 de outubro de 2013

Bruschetta de Azeite e Alho & Scamorza al Forno - Casanova

Neste post decidi falar-vos sobre duas entradas e não uma só. Porquê? Porque foram pedidos para serem comidos em conjunto e portanto faz sentido que fale deles ao mesmo tempo.
Na Pizzeria Casanova, para muitos a melhor de Lisboa, e de forma quase unânime no Top 3, a especialidade são as pizzas, mas sobre isso falarei noutra altura. Hoje quero contar-vos aquilo que é quase um "guilty pleasure". Duas entradas bastante simples e boas mas que, quando comidas em conjunto, se tornam ainda melhores.


A bruschetta com as pontas bem tostadas, com textura mas sem se tornarem côdea "parte-dentes", as fatias bem regadas com azeite e um ligeiro travo a alho, com uma colher (ou várias) generosa de um scamorza (queijo italiano de vaca, parecido com o mozzarela) derretido faz-nos disparar o apetite e a gulosice. Pessoalmente, preferi comer o queijo com a bruschetta mas percebo perfeitamente os que preferirem comer o queijo à colher.
Eu sei que pode parecer um excesso de gordura e colesterol e tudo o mais que desejem apontar... mas eu comecei por dizer que era um "guilty pleasure". =)



Pizzeria Casanova
Avenida Infante Dom Henrique, Armazém 7 Loja B
Lisboa, Portugal
Site
Facebook
Preço Médio: < 20 €

sábado, 19 de outubro de 2013

Adega dos Lombinhos - Arroz Doce

Se já ouviram o nome Adega dos Lombinhos, provavelmente foi nos últimos tempos (vejam o meu post de ontem sobre a especialidade da casa!) e sabem que irá fechar no dia 31 de Outubro.
E, se ontem já falei sobre a especialidade da casa, os Lombinhos na Chapa, hoje venho para falar sobre a sobremesa pelo qual a casa também é conhecida, o arroz doce.
O que se pretende no arroz doce é algo cremoso, com algum liquido ainda, com o arroz não excessivamente cozido para não ser uma papa, mas não mal cozido para não se tornar estaladiço e nos arriscarmos a partir um dente e com um ligeiro travo cítrico para cortar um pouco qualquer excesso de doce que possa haver. E é exactamente isso que recebemos na Adega! 
Mal provamos a primeira colher de arroz doce e percebemos o índice de "caseirismo" nesta sobremesa. E, para mim, qualquer sobremesa que nos faça relembrar algo que as nossas avós ou mães pudessem fazer em casa, é uma óptima sobremesa!


Restaurante Adega dos Lombinhos
Rua dos Douradores, 52
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 10 €

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Adega dos Lombinhos - Lombinhos na Chapa

Tenho pena de apenas ter conhecido este espaço tão tarde na sua vida. Mas, ainda assim, fico feliz por ter conseguido visitar uma tasca à antiga no centro de Lisboa, e poder dizer que comi bem e barato!
Devido à Time Out e a outros artigos que começaram a surgir nos últimos tempos na Internet, fiquei a conhecer este mítico tasco lisboeta que tem como especialidade os lombinhos na chapa e onde ninguém equaciona experimentar outra coisa.
Irá fechar no final do mês (31 de Outubro), mas não me vou alongar sobre os motivos desse encerramento porque estou aqui para falar sobre os lombinhos! Se quiserem saber mais sobre isso recomendo o artigo da Carrossel Magazine!


Pedidas as doses de lombinhos, cada uma traz quatro destes óptimos e fantasticamente finos bifes de porco, podendo vir acompanhado de ovo estrelado, arroz e batata, conforme a vontade do cliente.
O lombinho é mesmo muito fino e apesar de não ser pequeno, quase dá para devorar cada um em duas garfadas. Mas vim a este sítio para poder conhecer, comer e despedir-me tudo numa só refeição e preferi saborear e apreciar invés de despachar e emborcar. Finos e saborosos a acompanhar com um arroz de cenoura que, ao contrário do que eu pensava que iria acontecer, veio saboroso e não seco.
Se puderem passem lá até dia 31 e experimentem por vocês mesmos!

Restaurante Adega dos Lombinhos
Rua dos Douradores, 52
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 10 €

Comer o coração palpitante de uma cobra


Dois dias consecutivos com comida estranha? Estarei a tornar-me num Andrew Zimmern?
Desta vez trago-vos um prato do Vietnam, mas não um prato característico que se coma em casa. Apenas um prato bizarro, que se pode comer nalguns restaurantes no Vietnam e que, segundo dizem os locais, aumenta a "pujança sexual" de quem o comer.
Ao contrário do que publiquei ontem de manhã, este seria um prato que experimentaria, pois não me faz tanta confusão quanto comer o ânus mal lavado de um javali. 
E vocês? Conseguiriam provar algum deles?

Deixo-vos com o vídeo de Gordon Ramsay, no Gordon's Great Escapes.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Pénalti - Roupa Nova

Não faz muito sentido que se fale de um restaurante que já fechou, ou faz? Quando esta é uma das refeições que está no meu top 5, então faz. Quando ainda hoje se fala de Ferran Adrià e da influência que o El Bulli teve na gastronomia moderna, então faz.
Este era o restaurante que herdou o espaço e alguma da equipa da também extinta 2780 Taberna, adaptando o menu e o conceito, mas mantendo a qualidade dos pratos e a sua identidade de baixa cozinha. Os chefs que estiveram à frente deste (breve) projecto, Francisco Magalhães e Joana Xardoné, criaram um menu com pratos que facilmente reconhecemos mas com uma abordagem muito própria.
Não sei precisar os motivos pelo qual o Pénalti terá fechado, se por incapacidade financeira para aguentar o projecto ou se pela saída dos seus dois jovens chefs, que se mudaram para o Cartel Sabóia no Estoril, mas é um espaço que deixa saudades... e só lá fui uma vez!


Esta versão de Roupa Nova trazia-nos sabores simples mas arrojados, com uma batata frita caseira aos bocados que acompanhava um chouriço carnudo e cheio de sabor. Para ligar estes sabores, um ovo escalfado a baixa temperatura com a sua gema a envolver cada garfada. O azeite trufado que rega o prato, talvez por não ser um sabor que me seja familiar, não o consegui identificar.
Não foi por acaso que esta dupla esteve nomeada para chefs do ano de 2012 pela Time Out, por muito pouco tempo que o projecto tenha estado aberto.

Foodspotting
Avenida Carlos Silva, 9C
Oeiras, Portugal
Facebook
Preço Médio: < 30 €

Anthony Bourdain na Namíbia a comer Ânus de Javali

Anthony Bourdain, com ar de sofrimento, nos Açores, com um cheiro que descreveu como "nibbling egg salad out of one of Hulk Hogan's used Speedos"
Sei que já tenho dito que devemos manter uma mente aberta, em relação ao que comemos. Existem culturas que trabalham ingredientes que não conhecemos e essa não pode ser uma justificação para recusarmos experimentar alguns pratos. Mas até o maior defensor desta ideia, quem mais senão o senhor Anthony Bourdain, se arrepende deste pensamento de vez em quando.
Não, não leram mal o título. Nesta tribo na Namíbia, o ânus do javali é considerado uma das maiores iguarias. E com a visita de tão ilustre convidado, prepararam essa especialidade, entre outras, para Bourdain. Acaba por ser uma lição de como lidar com estas situações e um vídeo que vale a pena ver.
"You'll never get the truly great meals of your life if you don't leave yourself open for the bad ones!"

No inicio, a mistura que Bourdain está a comer é uma omelete de avestruz cozinhada em cinzas. O melhor que ele comeu com esta tribo foram escaravelhos, e isso é dizer muito.