terça-feira, 18 de março de 2014

The Frenchie (Camden Town) - The Duck Confit Brioche

Na minha recente viagem a Londres, tinha a expectativa de conhecer Camden Town. Diziam-me mil maravilhas sobre o mercado, e sobre os "food courts" que havia, onde a diversidade de bancas era inigualável. Como devem imaginar, para um "Foodie" como eu, falarem-me de um recinto (ou neste caso, vários espalhados pela zona de Camden) que concentra lado a lado comida de todo o mundo é um verdadeiro paraíso!


A "street food" em Portugal é altamente subvalorizada e todas os locais acabam por servir mais ou menos as mesmas opções, e, na maior parte dos locais, sem grande qualidade. As hipóteses para comer na rua à noite serão sempre os cachorros, os hambúrgueres e as shoarmas, mas acredito que este será o ano da mudança e o ano em que Portugal poderá começar a ter "street food" a um nível mais próximo daquilo que vemos pelo resto do mundo. Entre alguns "food trucks" que já estão em circulação, já arrancou o projecto "Lisboa Sobre Rodas" (do qual apenas falarei quando o for experimentar), que promete mudar a mente dos portugueses neste campo.
Mas voltando a Camden, a verdade é que fiquei deslumbrado com os aromas, com a diversidade e com a aparente qualidade dos produtos que cada banca vende, sendo que temos à medida que vamos vagueando pelas bancas, vai-nos sendo oferecido algumas amostras para nos tentar dificultar (ou facilitar) a decisão sobre o que comer.
Acabei por me decidir por um "Duck Confit Brioche" na banca The Frenchie, que acaba por ser uma sandes em pão de brioche com pato desfiado e confitado, sobre uma cama de chutney de cebola roxa, rúcula e mostarda, com pele de pato frita (estilo courato) e ainda com uma fatia de queijo por cima (com hipótese de 3 queijos diferentes: cheddar fumado, cabra com mel trufado ou azul com mel trufado). Toda a descrição ocupa quase 3 linhas, o que, juntando ao número de ingredientes que disse, parece um verdadeiro exagero para descrever "street food". Mas acreditem que nenhum daqueles ingredientes passa despercebido ou fica eclipsado pelos outros, e a sua conjugação é fantástica.




O pão não estava seco e era tostado levemente na mesma chapa onde o pato é (re)cozinhado, sendo depois barrado com o chutney que nos dava alguma da componente doce. Por cima, rúcula e mostarda para ter também um ligeiro toque amargo mas com a mostarda a dar-nos variações de sabor nas diferentes dentadas e dando vida ao prato. O pato, apesar de reaquecido na chapa, era saboroso e notava-se não estar excessivamente cozinhado pois desfiava-se facilmente à dentada e, juntamente com alguns "couratos de pato", davam consistência e servindo como bom suporte a todos os outros ingredientes. Principal destaque para estes couratos que eram crocantes, estaladiços, saborosos e ajudavam na textura de cada dentada. Na opção de queijo, acabei por deixar à escolha do rapaz que estava a cozinhar e não fiquei desiludido. Uma fatia generosa, em altura, de um saboroso queijo azul que levava um fio de mel antes de ser incorporado no pato e estando ainda um pouco na chapa para o tentar incorporar mais na carne. Apenas este pormenor achei mais fraco, pois desejava que o queijo estivesse mais derretido, apesar de não ter afectado muito o sabor do conjunto.


Para mim, o melhor que comi em Londres!

Foodspotting
The Frenchie
Camden Lock Market, West Yard, London NW1 8AF
Londres, Inglaterra
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Preço: 6 £

segunda-feira, 17 de março de 2014

Nebraska - Huevos Rotos con Patatas y Jamón Ibérico

É impressionante como em Espanha conseguimos encontrar presunto fantástico, seja onde for. Desde a loja de conveniência que nos vende sandes com enchidos a peso, como no Museo del Jamón ou num restaurante de topo. E porque estou eu apenas a falar de presunto quando o prato tem mais ingredientes para além deste?
Porque apenas o presunto merece nota de destaque aqui. O ovo demasiado cozinhado, com a gema já cozida e as batatas cozidas sem grande sabor, e onde apenas o presunto dava um ar de sua graça... uma pena que um presunto tão bom fosse usado num prato tão medíocre.


Restaurante Nebraska (Gran Vía)
Calle Gran Vía, 55
Madrid, Espanha
Preço Médio: < 20 €

quinta-feira, 13 de março de 2014

Restaurante Bom Dia - Cozido À Portuguesa

Não sou muito exigente com um Cozido à Portuguesa. Sendo um prato de simples preparação, basta os ingredientes serem acima da média para que também a sua conjugação se torne acima da média. Neste caso, infelizmente apenas a carne estava acima da média, com os enchidos e os vegetais a não se destacarem muito. Não quero dizer que seja um mau prato, mas com uma aposta um pouco maior na qualidade dos ingredientes seria bastante melhor.
Uma nota para o único ponto mau neste prato, o arroz. Se há algo que adoro num bom cozido, é o arroz que é cozinhado com o caldo dos restantes ingredientes, tornando-se um dos componentes mais saborosos de todos. Neste exemplar, o arroz vinha seco e cozinhado sem grande amor e carinho, sendo fraco e desinteressante.



Foodspotting
Restaurante Bom Dia
Pavilhão Central do Jardim de Paço de Arcos (antigamente na Rua Costa Pinto, nº 180 em Paço de Arcos)
Paço de Arcos, Portugal
Preço Médio: < 20 €

quarta-feira, 12 de março de 2014

The 50's American Diner - Bacon Cheese Burger

Apesar das muitas hamburguerias que abriram ao longo de 2013, e continuam a abrir neste início de 2014, o 50's tem dos melhores hambúrgueres da cidade, muito graças à sua carne saborosa. Não querendo ser inovadores na sua ementa, que conta com alguma "junk food" tipicamente americana, parece ser um restaurante capaz que aposta em produtos com alguma qualidade e bem cozinhados.
O hambúrguer, apesar de ser pedido mal-passado, veio um pouco acima disso, mas nada que disfarçasse a qualidade da carne ou dos ingrediente que a complementavam. A cebola grelhada não tinha um sabor típico grelhado, mas era saborosa e combinava bem com o bacon e o queijo americano. Apesar de não ser um grande fã deste tipo de queijo, não acho a sua utilização desapropriada e é um queijo que derrete facilmente e ajuda a dar cremosidade a cada dentada. O pão é a componente mais fraca, sendo um pouco seco mas apesar de tudo tem uma boa proporção para com os ingredientes.


Foodspotting
The 50's American Diner
Av. Dom João II, Lote 1.17.02 Loja A
Lisboa, Portugal
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Preço Médio: < 20 €

terça-feira, 11 de março de 2014

Páteo do Petisco - Peixinhos da Horta

Existem muitas opções aceitáveis para se petiscar em Cascais, quase sempre com o mesmo tipo de ementa e com preços muito parecidos. Com isto em mente, o que nos pode levar a escolher um restaurante que fica longe do centro de Cascais, num sítio algo difícil de encontrar à primeira vista e que está quase sempre cheio?
A resposta é simples... a qualidade da comida é acima da média que normalmente se encontra noutros sítios. Não tem uma ementa surpreendente, nem inovadora, mas o que fazem, fazem-no bem, como é o caso destes peixinhos da horta!
Uma polme estaladiça, não gordurosa e com um molho de iogurte refrescante para molharmos, onde apenas desejava que o feijão verde estivesse um bocadinho mais estaladiço, ajudando a conferir uma melhor textura.


Páteo do Petisco
Travessa das Amoreiras, 5
Cascais, Portugal
Preço Médio: < 20 €

segunda-feira, 10 de março de 2014

Nebraska - Fingers de Mozzarela con Coulis de Fresa

São raras as pessoas que não gostam de queijo derretido. E eu não fujo à regra neste caso. Seja em pizzas, tostas ou fondue, um bom queijo derretido, daqueles que dá para esticar em cada dentada é sempre bom.
Uma das minhas formas favoritas de comer queijo é panado, e estes cheese fingers são um belo exemplo de como se deve fazê-lo. Com uma boa crosta estaladiça e um interior totalmente derretido, a sua combinação com o doce de morango é fantástica e complementa-se muito bem.


Restaurante Nebraska (Gran Vía)
Calle Gran Vía, 55
Madrid, Espanha
Preço Médio: < 20 €

Get Jiro - banda desenhada escrita por Anthony Bourdain



Parece que não me canso de falar sobre Anthony Bourdain... Mas sou um fã do ex-chef e apresentador de TV, e não consigo resistir aos seus livros. Bourdain tem uma forma muito característica de contar histórias, tanto baseadas em factos verídicos ("Cozinha Confidencial"), como em ficção ("Um Osso na Garganta") e estava curioso sobre a sua habilidade para transpor este humor e boa disposição, juntamente com o respeito pela comida, para uma banda desenhada.
E a verdade é que a BD parece representar na totalidade aquilo que Bourdain é e sente em relação à comida, às suas tradições e às novas modas. Comecemos pela personagem principal, Jiro, que parece uma mistura entre Bourdain e Jiro Ono (dono do restaurante Sukiyabashi Jiro, que teve o documentário "Jiro Dreams of Sushi" a contar a sua história). Num mundo virado para a gastronomia e numa Los Angeles dominada por dois chefs, Jiro é um "itamae" fiel às tradições japonesas de sushi, que arde de fúria quando vê clientes a mergulhar os seus perfeitos nigiris no molho de soja com o arroz virado para baixo, e os decapita quando lhe pedem um California Roll.


Bourdain representa perfeitamente aquilo que ele acredita serem as várias tendências gastronómicas e consegue dar o seu parecer quanto às mesmas (até pelo próprio desfecho da história)! Os dois chefs rivais são de "campos gastronómicos" opostos. Se um deles é um chef com uma base culinária assente nas técnicas tradicionais francesas e em produtos de topo, sem que se importe como os obtém, a sua rival é uma chef vegetariana que quer a toda a força apoiar os produtos locais e sazonais. Mas não são só estas vertentes que estão retratadas. Existe também um vendedor de street food mexicana, o dono de um pequeno bistro que usa os produtos menosprezados e lhes confere sabor, usando da simplicidade culinária para deslumbrar Jiro, e mais algumas personagens pequenas que conferem (apesar do claro sarcasmo e hipérbole usados nestas representações) autenticidade e proximidade à realidade gastronómica neste mundo de ficção.
Em cada um dos personagens que vão aparecendo, Bourdain rapidamente dá a entender o que pensa deles pela forma como a personagem está caracterizada e pelas acções que toma.
Não sendo capaz de avaliar com justiça a componente gráfica desta BD, aquilo que se destaca claramente são as expressões faciais que o artista consegue mostrar e que ajudam o leitor a melhor perceber os sentimentos das personagens.
Resumindo, é uma leitura bastante agradável, rápida e se, como eu, forem fãs de Bourdain, irão encontrar bastantes semelhanças entre as ideias transmitidas nesta BD e os seus discursos ao longo dos seus diversos programas (A Cook's Tour, No Reservations, The Layover, Parts Unknown e The Taste).