quinta-feira, 20 de março de 2014

A Ciência da Gastronomia - Semana 1 - "Energy Transfer" e "Hunger and Satiety" (Parte 1)

Há uns dias anunciei no Facebook que iria começar um curso online sobre "A Ciência da Gastronomia" na Coursera e para que fique bem definido o contexto em que o vou fazer, quero começar por afirmar que apesar de ser um verdadeiro entusiasta pela gastronomia, a minha especialidade é mais o comer e não tanto o fazer.


Para a faculdade, tinha que ter uma actividade extra-curricular e foi-me sugerido que começasse este curso. Olhei para o programa e achei que podia ser interessante descobrir alguns conceitos mais científicos que estão na base da culinária, de forma a aprofundar alguns conhecimentos.
Semanalmente (ou pelo menos irei fazer artigos que acompanharão as 7 semanas do curso), tentarei lançar as minhas conclusões sobre as aprendizagens ao longo do curso, bem como a descrição e resultados das actividades que terei que realizar semanalmente.
Todas as actividades foram realizadas antes de assistir aos vídeos das aulas, tal como especificado pelo próprio outline do curso, para nos meter a pensar e reflectir sobre o assunto, sendo que poderemos repetir as experiências depois de assistir aos vídeos.

Assignment 1 - Sensory-specific satiety 


Para a primeira experiência temos que realizar uma "refeição" de 10 pedaços, e em que iremos ingerir cada pedaço com um intervalo de 3 minutos. Havendo 4 tipos de refeições diferentes, e para não obrigar os alunos a despenderem muito tempo com esta experiência, a refeição é atribuída consoante o mês do seu aniversário.
No meu caso, comi a "Refeição A" que consistiu em 9 gomas e 1 pedaço de chocolate. Havia também a hipótese de comer 9 bolachas de água e sal e 1 pedaço de chocolate ou 4 gomas seguidas de 5 bolachas de água e sal e 1 pedaço de chocolate ou 10 pedaços de chocolate. Com cada pedaço ingerido tinha que assinalar numa tabela qual o nível de satisfação que tinha sentido ao comê-lo, com uma avaliação de 1 a 10 crescente, ou seja com 1 como nota mínima e 10 nota máxima.
Enquanto realizava a experiência, o pensamento mais recorrente era "Nunca mais chega a altura de comer a próxima goma?". Estar a comer gomas com intervalos de 3 minutos, parece algum bastante fácil mas deixava-me com alguma gula para a próxima. Para mim, a primeira goma teve um nível de satisfação bastante elevado e soube-me realmente bem, tendo-lhe atribuído um 8, mas as seguintes foram descendo o meu nível de satisfação acabando com um 5 na 9ª goma. Acredito que isto tenha acontecido porque enquanto reflectia, no final de cada goma, ia-me apercebendo do sabor deixado na boca e não era assim tão agradável como o sabor da própria goma, sendo que já me apetecia parar de comer gomas antes sequer de chegar ao fim da experiência. Claro que isto terá que depender bastante de pessoa para pessoa, e como não sou um fã de doces, também não sou um fã muito grande de gomas.
Não percebo inteiramente o porquê de se terminar com um pedaço de chocolate, e neste ponto o curso não é muito específico no tipo de chocolate a comprar, por isso optei por comprar chocolate negro porque calculei que fizesse um maior contraste com o sabor das gomas (não nos podemos esquecer que nesta altura ainda não tinha visto as aulas sobre este tema). Passado exactamente 3 minutos do bocado de chocolate, que me soube melhor que as 8 gomas anteriores mas não tão bem como a primeira, senti-me relativamente satisfeito com o que tinha ingerido e a fome que sentia tinha diminuído consideravelmente, o que, sendo eu uma pessoa de muita fome e muito alimento, considero um resultado positivo, apesar de não saber se era este o resultado esperado ou não.

quarta-feira, 19 de março de 2014

A Caçoila - Farófias

É público e do conhecimento geral que não sou uma pessoa adepta de doces, não corro por eles, não me desloco a restaurante algum porque tem as melhores sobremesas e acabo por, algumas vezes, não comer sobremesa (ou se a como é porque estou a dividir). Mas isto é na generalidade dos casos, e como sempre existem algumas excepções.
Ao entrar neste restaurante oeirense, enquanto percorro a sala para ver se há mesas disponíveis o meu olhar recai sempre na travessa grande que ostenta umas dunas gigantescas e bem formadas. Dunas? Bem...à primeira vista parecem dunas. Depois começam a parecer-nos um conjunto de nuvens fofas onde queremos mergulhar. Mas estamos num restaurante, por isso deixamo-nos de dunas e nuvens, e começamos a pensar o que iremos comer, sabendo que teremos de deixar algum espaço para a sobremesa.
Mas deixo os pratos principais e os petiscos para uma próxima vez, pois este post é para falar apenas da montanha gigantesca que chega num prato de barro, coberta de leite creme e polvilhada com canela. E se visualmente esta sobremesa causa impacto, o sabor e textura não lhe ficam atrás. Apesar da imensa dimensão, estas farófias não conseguem combater o poder de corte da colher que por elas deslizam sem dificuldade. Levando um pouco do leite creme atrás, só é "pena" que a farófia seja tão leve que desapareça mal chegue à boca, pois queremos que cada colherada dure o máximo possível para podermos saborear com calma e tranquilidade.
Uma receita simples, exemplarmente bem executada e um verdadeiro "must have" deste espaço.


A Caçoila
Rua do Piaui do Brasil, 2/3
Oeiras, Portugal
Preço Médio: < 20 €

terça-feira, 18 de março de 2014

The Frenchie (Camden Town) - The Duck Confit Brioche

Na minha recente viagem a Londres, tinha a expectativa de conhecer Camden Town. Diziam-me mil maravilhas sobre o mercado, e sobre os "food courts" que havia, onde a diversidade de bancas era inigualável. Como devem imaginar, para um "Foodie" como eu, falarem-me de um recinto (ou neste caso, vários espalhados pela zona de Camden) que concentra lado a lado comida de todo o mundo é um verdadeiro paraíso!


A "street food" em Portugal é altamente subvalorizada e todas os locais acabam por servir mais ou menos as mesmas opções, e, na maior parte dos locais, sem grande qualidade. As hipóteses para comer na rua à noite serão sempre os cachorros, os hambúrgueres e as shoarmas, mas acredito que este será o ano da mudança e o ano em que Portugal poderá começar a ter "street food" a um nível mais próximo daquilo que vemos pelo resto do mundo. Entre alguns "food trucks" que já estão em circulação, já arrancou o projecto "Lisboa Sobre Rodas" (do qual apenas falarei quando o for experimentar), que promete mudar a mente dos portugueses neste campo.
Mas voltando a Camden, a verdade é que fiquei deslumbrado com os aromas, com a diversidade e com a aparente qualidade dos produtos que cada banca vende, sendo que temos à medida que vamos vagueando pelas bancas, vai-nos sendo oferecido algumas amostras para nos tentar dificultar (ou facilitar) a decisão sobre o que comer.
Acabei por me decidir por um "Duck Confit Brioche" na banca The Frenchie, que acaba por ser uma sandes em pão de brioche com pato desfiado e confitado, sobre uma cama de chutney de cebola roxa, rúcula e mostarda, com pele de pato frita (estilo courato) e ainda com uma fatia de queijo por cima (com hipótese de 3 queijos diferentes: cheddar fumado, cabra com mel trufado ou azul com mel trufado). Toda a descrição ocupa quase 3 linhas, o que, juntando ao número de ingredientes que disse, parece um verdadeiro exagero para descrever "street food". Mas acreditem que nenhum daqueles ingredientes passa despercebido ou fica eclipsado pelos outros, e a sua conjugação é fantástica.




O pão não estava seco e era tostado levemente na mesma chapa onde o pato é (re)cozinhado, sendo depois barrado com o chutney que nos dava alguma da componente doce. Por cima, rúcula e mostarda para ter também um ligeiro toque amargo mas com a mostarda a dar-nos variações de sabor nas diferentes dentadas e dando vida ao prato. O pato, apesar de reaquecido na chapa, era saboroso e notava-se não estar excessivamente cozinhado pois desfiava-se facilmente à dentada e, juntamente com alguns "couratos de pato", davam consistência e servindo como bom suporte a todos os outros ingredientes. Principal destaque para estes couratos que eram crocantes, estaladiços, saborosos e ajudavam na textura de cada dentada. Na opção de queijo, acabei por deixar à escolha do rapaz que estava a cozinhar e não fiquei desiludido. Uma fatia generosa, em altura, de um saboroso queijo azul que levava um fio de mel antes de ser incorporado no pato e estando ainda um pouco na chapa para o tentar incorporar mais na carne. Apenas este pormenor achei mais fraco, pois desejava que o queijo estivesse mais derretido, apesar de não ter afectado muito o sabor do conjunto.


Para mim, o melhor que comi em Londres!

Foodspotting
The Frenchie
Camden Lock Market, West Yard, London NW1 8AF
Londres, Inglaterra
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Preço: 6 £

segunda-feira, 17 de março de 2014

Nebraska - Huevos Rotos con Patatas y Jamón Ibérico

É impressionante como em Espanha conseguimos encontrar presunto fantástico, seja onde for. Desde a loja de conveniência que nos vende sandes com enchidos a peso, como no Museo del Jamón ou num restaurante de topo. E porque estou eu apenas a falar de presunto quando o prato tem mais ingredientes para além deste?
Porque apenas o presunto merece nota de destaque aqui. O ovo demasiado cozinhado, com a gema já cozida e as batatas cozidas sem grande sabor, e onde apenas o presunto dava um ar de sua graça... uma pena que um presunto tão bom fosse usado num prato tão medíocre.


Restaurante Nebraska (Gran Vía)
Calle Gran Vía, 55
Madrid, Espanha
Preço Médio: < 20 €

quinta-feira, 13 de março de 2014

Restaurante Bom Dia - Cozido À Portuguesa

Não sou muito exigente com um Cozido à Portuguesa. Sendo um prato de simples preparação, basta os ingredientes serem acima da média para que também a sua conjugação se torne acima da média. Neste caso, infelizmente apenas a carne estava acima da média, com os enchidos e os vegetais a não se destacarem muito. Não quero dizer que seja um mau prato, mas com uma aposta um pouco maior na qualidade dos ingredientes seria bastante melhor.
Uma nota para o único ponto mau neste prato, o arroz. Se há algo que adoro num bom cozido, é o arroz que é cozinhado com o caldo dos restantes ingredientes, tornando-se um dos componentes mais saborosos de todos. Neste exemplar, o arroz vinha seco e cozinhado sem grande amor e carinho, sendo fraco e desinteressante.



Foodspotting
Restaurante Bom Dia
Pavilhão Central do Jardim de Paço de Arcos (antigamente na Rua Costa Pinto, nº 180 em Paço de Arcos)
Paço de Arcos, Portugal
Preço Médio: < 20 €

quarta-feira, 12 de março de 2014

The 50's American Diner - Bacon Cheese Burger

Apesar das muitas hamburguerias que abriram ao longo de 2013, e continuam a abrir neste início de 2014, o 50's tem dos melhores hambúrgueres da cidade, muito graças à sua carne saborosa. Não querendo ser inovadores na sua ementa, que conta com alguma "junk food" tipicamente americana, parece ser um restaurante capaz que aposta em produtos com alguma qualidade e bem cozinhados.
O hambúrguer, apesar de ser pedido mal-passado, veio um pouco acima disso, mas nada que disfarçasse a qualidade da carne ou dos ingrediente que a complementavam. A cebola grelhada não tinha um sabor típico grelhado, mas era saborosa e combinava bem com o bacon e o queijo americano. Apesar de não ser um grande fã deste tipo de queijo, não acho a sua utilização desapropriada e é um queijo que derrete facilmente e ajuda a dar cremosidade a cada dentada. O pão é a componente mais fraca, sendo um pouco seco mas apesar de tudo tem uma boa proporção para com os ingredientes.


Foodspotting
The 50's American Diner
Av. Dom João II, Lote 1.17.02 Loja A
Lisboa, Portugal
Facebook
Preço Médio: < 20 €

terça-feira, 11 de março de 2014

Páteo do Petisco - Peixinhos da Horta

Existem muitas opções aceitáveis para se petiscar em Cascais, quase sempre com o mesmo tipo de ementa e com preços muito parecidos. Com isto em mente, o que nos pode levar a escolher um restaurante que fica longe do centro de Cascais, num sítio algo difícil de encontrar à primeira vista e que está quase sempre cheio?
A resposta é simples... a qualidade da comida é acima da média que normalmente se encontra noutros sítios. Não tem uma ementa surpreendente, nem inovadora, mas o que fazem, fazem-no bem, como é o caso destes peixinhos da horta!
Uma polme estaladiça, não gordurosa e com um molho de iogurte refrescante para molharmos, onde apenas desejava que o feijão verde estivesse um bocadinho mais estaladiço, ajudando a conferir uma melhor textura.


Páteo do Petisco
Travessa das Amoreiras, 5
Cascais, Portugal
Preço Médio: < 20 €