segunda-feira, 31 de março de 2014

Bodegas Rosell - Leche Frita

A última especialidade espanhola que me passou pela boca, nesta visita à cidade de Madrid, foi uma sobremesa da qual fiquei um fã imediato.
Leche Frita é uma especialidade típica do norte, mas que se pode encontrar nesta taberna madrilena com a vantagem de ser frita na hora. É feito com leite, farinha e açúcar, sendo depois frito e polvilhado com canela. Com uma textura cremosa por dentro, faz lembrar a consistência dos nossos pastéis de nata (apenas na consistência interna), tendo depois uma boa fritura que lhe dá um toque estaladiço e um bom contraste de texturas.
Foi bom sair da cidade com um sabor adocicado na boca, deixando desejos de um futuro regresso, e acabando a viagem em nota alta.


Taberna Bodegas Rosell
Calle General Lacy, 14
Madrid, Espanha
Preço Médio: < 20 €

segunda-feira, 24 de março de 2014

Nebraska - Perrito Especial Nebraska

Já falei, em posts anteriores, do restaurante Nebraska, na Gran Vía em Madrid. E tanto falei bem, como falei mal. E houve uma sequência dos pratos pedidos que segui na ordem de posts (aros de cebola, fingers de mozzarela, ovos rotos e agora este cachorro quente). Ou seja, a refeição começou muito bem com uns pratos bem confeccionados e saborosos, mas a qualidade foi caindo, e quando quis rematar o jantar com algo mais sólido decidi pedir o cachorro quente da casa.
Pela própria imagem podem verificar que não tem ar de ser por aí além e facilmente identificamos alguns problemas. A distribuição de queijo, bacon e molhos é ilógica e desequilibra os níveis de sabores que poderemos obter de cada dentada. A única fatia de queijo nem derretida está, parecendo que a deixaram, indo talvez uns segundos ao forno mas sem qualquer resultado visível. Os molhos estão apenas numa ponta do cachorro e pelo prato, tornando difícil o seu transporte para o resto do cachorro.
Algumas falhas bastante esquisitas num prato bastante fácil.


Restaurante Nebraska (Gran Vía)
Calle Gran Vía, 55
Madrid, Espanha
Preço Médio: < 20 €

sexta-feira, 21 de março de 2014

A Ciência da Gastronomia - Semana 1 - "Energy Transfer" e "Hunger and Satiety" (Parte 2)

Assignment 2- Taste map

1 - Amargo; 2 - Azedo; 3 - Salgado; 4 - Doce
Esta segunda experiência tem o propósito de melhor entendermos a forma como a nossa língua identifica os diferentes sabores podendo assim criar um mapa da mesma. Para tal, criei 4 soluções com diferentes componentes (sal / salgado, açúcar / doce, vinagre / azedo e cacau em pó / amargo), e tive que tentar identificar as 4 soluções em cada uma das posições da língua (iguais às da imagem) e qual a intensidade que sentia desse componente. Tive que pedir ajuda a uma segunda pessoa, que molhava cotonetes nas soluções, sem que eu soubesse a qual solução correspondia, e as colocava no ponto pedido para que assim eu pudesse construir o meu mapa sensorial da língua.
Já uma vez me fizeram um teste surpresa ao palato e apesar de não me ter portado mal (long story short, primeira colher eram uvas e disse pêssego em calda e na última colher eram mirtilos e eu disse groselhas), sei que não tenho um palato treinado e apurado para coisas mais subtis.



Mas nunca tinha realizado um exercício destes, que me fizesse aperceber em que pontos específicos sinto estes quatro sabores básicos (faltaria apenas o umami), e os resultados também não foram brilhantes. Comecei por identificar mal o sabor do cacau no ponto 1, facilmente apercebendo-me nos restantes pontos que era na verdade o açúcar que devia ter identificado. Ainda assim, e fazendo uma avaliação da intensidade sentida entre 1 e 4, sendo 1 o valor mais baixo e 4 o valor mais alto, não consegui sentir com muita intensidade o açúcar, sendo que a maior intensidade sentida foi na ponta da língua (que avaliei com intensidade 3), correspondendo ao que seria esperado a nível de mapa na língua.
Facilmente me apercebi do erro cometido, quando na segunda solução, seguindo sempre a ordem do ponto 1 até ao ponto 4, sinto claramente o amargo do cacau e estupidificando-me perante o erro cometido previamente. Esta intensidade foi baixando (como esperado) ao longo da língua, sendo que na ponta sentia tanto de cacau, como de açúcar no ponto 1, ou seja, nada!
Como terceira solução, adivinhei correctamente que se tratava da água salina, apesar de ser muito fraco o que senti no ponto 1. Mais uma prova do quanto o meu palato é fraco, é que no ponto 2 senti uma intensidade que classifiquei como 3, voltando depois a diminuir nos pontos 3 e 4, ao contrário do que seria de esperar, que era o máximo de intensidade no ponto 3.
Para último, e como já se aperceberam por exclusão de partes, ficou a solução com vinagre. Mais uma vez consegui perceber que solução era, mas o seu mapeamento na minha língua é totalmente ao contrário, tendo sentido o máximo de intensidade no ponto 4, quando realmente a devia ter sentido no ponto 2, onde apenas classifiquei a intensidade experimentada como 2.
O almoço seguinte à experiência foi de certa forma engraçado, tentando mentalmente perceber que ingredientes me despertavam que pontos da língua, tendo sido o mais surpreendente quando, ao beber limonada, me apercebi que sentia os seus ácidos (na experiência, o vinagre poderia ter sido substituído por sumo de limão) nas partes laterais da língua!
É facto científico que a nossa língua tem papilas gustativas específicas para cada sabor e este é o teste mais comum para as identificarmos e relacionarmos a sua localização com o respectivo gosto, mas faz-me crer que esta sensibilidade também se possa deteriorar (por factores como queimaduras, álcool, etc) ou até mesmo "treinar" (artigo interessante sobre isso aqui).

quinta-feira, 20 de março de 2014

A Ciência da Gastronomia - Semana 1 - "Energy Transfer" e "Hunger and Satiety" (Parte 1)

Há uns dias anunciei no Facebook que iria começar um curso online sobre "A Ciência da Gastronomia" na Coursera e para que fique bem definido o contexto em que o vou fazer, quero começar por afirmar que apesar de ser um verdadeiro entusiasta pela gastronomia, a minha especialidade é mais o comer e não tanto o fazer.


Para a faculdade, tinha que ter uma actividade extra-curricular e foi-me sugerido que começasse este curso. Olhei para o programa e achei que podia ser interessante descobrir alguns conceitos mais científicos que estão na base da culinária, de forma a aprofundar alguns conhecimentos.
Semanalmente (ou pelo menos irei fazer artigos que acompanharão as 7 semanas do curso), tentarei lançar as minhas conclusões sobre as aprendizagens ao longo do curso, bem como a descrição e resultados das actividades que terei que realizar semanalmente.
Todas as actividades foram realizadas antes de assistir aos vídeos das aulas, tal como especificado pelo próprio outline do curso, para nos meter a pensar e reflectir sobre o assunto, sendo que poderemos repetir as experiências depois de assistir aos vídeos.

Assignment 1 - Sensory-specific satiety 


Para a primeira experiência temos que realizar uma "refeição" de 10 pedaços, e em que iremos ingerir cada pedaço com um intervalo de 3 minutos. Havendo 4 tipos de refeições diferentes, e para não obrigar os alunos a despenderem muito tempo com esta experiência, a refeição é atribuída consoante o mês do seu aniversário.
No meu caso, comi a "Refeição A" que consistiu em 9 gomas e 1 pedaço de chocolate. Havia também a hipótese de comer 9 bolachas de água e sal e 1 pedaço de chocolate ou 4 gomas seguidas de 5 bolachas de água e sal e 1 pedaço de chocolate ou 10 pedaços de chocolate. Com cada pedaço ingerido tinha que assinalar numa tabela qual o nível de satisfação que tinha sentido ao comê-lo, com uma avaliação de 1 a 10 crescente, ou seja com 1 como nota mínima e 10 nota máxima.
Enquanto realizava a experiência, o pensamento mais recorrente era "Nunca mais chega a altura de comer a próxima goma?". Estar a comer gomas com intervalos de 3 minutos, parece algum bastante fácil mas deixava-me com alguma gula para a próxima. Para mim, a primeira goma teve um nível de satisfação bastante elevado e soube-me realmente bem, tendo-lhe atribuído um 8, mas as seguintes foram descendo o meu nível de satisfação acabando com um 5 na 9ª goma. Acredito que isto tenha acontecido porque enquanto reflectia, no final de cada goma, ia-me apercebendo do sabor deixado na boca e não era assim tão agradável como o sabor da própria goma, sendo que já me apetecia parar de comer gomas antes sequer de chegar ao fim da experiência. Claro que isto terá que depender bastante de pessoa para pessoa, e como não sou um fã de doces, também não sou um fã muito grande de gomas.
Não percebo inteiramente o porquê de se terminar com um pedaço de chocolate, e neste ponto o curso não é muito específico no tipo de chocolate a comprar, por isso optei por comprar chocolate negro porque calculei que fizesse um maior contraste com o sabor das gomas (não nos podemos esquecer que nesta altura ainda não tinha visto as aulas sobre este tema). Passado exactamente 3 minutos do bocado de chocolate, que me soube melhor que as 8 gomas anteriores mas não tão bem como a primeira, senti-me relativamente satisfeito com o que tinha ingerido e a fome que sentia tinha diminuído consideravelmente, o que, sendo eu uma pessoa de muita fome e muito alimento, considero um resultado positivo, apesar de não saber se era este o resultado esperado ou não.

quarta-feira, 19 de março de 2014

A Caçoila - Farófias

É público e do conhecimento geral que não sou uma pessoa adepta de doces, não corro por eles, não me desloco a restaurante algum porque tem as melhores sobremesas e acabo por, algumas vezes, não comer sobremesa (ou se a como é porque estou a dividir). Mas isto é na generalidade dos casos, e como sempre existem algumas excepções.
Ao entrar neste restaurante oeirense, enquanto percorro a sala para ver se há mesas disponíveis o meu olhar recai sempre na travessa grande que ostenta umas dunas gigantescas e bem formadas. Dunas? Bem...à primeira vista parecem dunas. Depois começam a parecer-nos um conjunto de nuvens fofas onde queremos mergulhar. Mas estamos num restaurante, por isso deixamo-nos de dunas e nuvens, e começamos a pensar o que iremos comer, sabendo que teremos de deixar algum espaço para a sobremesa.
Mas deixo os pratos principais e os petiscos para uma próxima vez, pois este post é para falar apenas da montanha gigantesca que chega num prato de barro, coberta de leite creme e polvilhada com canela. E se visualmente esta sobremesa causa impacto, o sabor e textura não lhe ficam atrás. Apesar da imensa dimensão, estas farófias não conseguem combater o poder de corte da colher que por elas deslizam sem dificuldade. Levando um pouco do leite creme atrás, só é "pena" que a farófia seja tão leve que desapareça mal chegue à boca, pois queremos que cada colherada dure o máximo possível para podermos saborear com calma e tranquilidade.
Uma receita simples, exemplarmente bem executada e um verdadeiro "must have" deste espaço.


A Caçoila
Rua do Piaui do Brasil, 2/3
Oeiras, Portugal
Preço Médio: < 20 €

terça-feira, 18 de março de 2014

The Frenchie (Camden Town) - The Duck Confit Brioche

Na minha recente viagem a Londres, tinha a expectativa de conhecer Camden Town. Diziam-me mil maravilhas sobre o mercado, e sobre os "food courts" que havia, onde a diversidade de bancas era inigualável. Como devem imaginar, para um "Foodie" como eu, falarem-me de um recinto (ou neste caso, vários espalhados pela zona de Camden) que concentra lado a lado comida de todo o mundo é um verdadeiro paraíso!


A "street food" em Portugal é altamente subvalorizada e todas os locais acabam por servir mais ou menos as mesmas opções, e, na maior parte dos locais, sem grande qualidade. As hipóteses para comer na rua à noite serão sempre os cachorros, os hambúrgueres e as shoarmas, mas acredito que este será o ano da mudança e o ano em que Portugal poderá começar a ter "street food" a um nível mais próximo daquilo que vemos pelo resto do mundo. Entre alguns "food trucks" que já estão em circulação, já arrancou o projecto "Lisboa Sobre Rodas" (do qual apenas falarei quando o for experimentar), que promete mudar a mente dos portugueses neste campo.
Mas voltando a Camden, a verdade é que fiquei deslumbrado com os aromas, com a diversidade e com a aparente qualidade dos produtos que cada banca vende, sendo que temos à medida que vamos vagueando pelas bancas, vai-nos sendo oferecido algumas amostras para nos tentar dificultar (ou facilitar) a decisão sobre o que comer.
Acabei por me decidir por um "Duck Confit Brioche" na banca The Frenchie, que acaba por ser uma sandes em pão de brioche com pato desfiado e confitado, sobre uma cama de chutney de cebola roxa, rúcula e mostarda, com pele de pato frita (estilo courato) e ainda com uma fatia de queijo por cima (com hipótese de 3 queijos diferentes: cheddar fumado, cabra com mel trufado ou azul com mel trufado). Toda a descrição ocupa quase 3 linhas, o que, juntando ao número de ingredientes que disse, parece um verdadeiro exagero para descrever "street food". Mas acreditem que nenhum daqueles ingredientes passa despercebido ou fica eclipsado pelos outros, e a sua conjugação é fantástica.




O pão não estava seco e era tostado levemente na mesma chapa onde o pato é (re)cozinhado, sendo depois barrado com o chutney que nos dava alguma da componente doce. Por cima, rúcula e mostarda para ter também um ligeiro toque amargo mas com a mostarda a dar-nos variações de sabor nas diferentes dentadas e dando vida ao prato. O pato, apesar de reaquecido na chapa, era saboroso e notava-se não estar excessivamente cozinhado pois desfiava-se facilmente à dentada e, juntamente com alguns "couratos de pato", davam consistência e servindo como bom suporte a todos os outros ingredientes. Principal destaque para estes couratos que eram crocantes, estaladiços, saborosos e ajudavam na textura de cada dentada. Na opção de queijo, acabei por deixar à escolha do rapaz que estava a cozinhar e não fiquei desiludido. Uma fatia generosa, em altura, de um saboroso queijo azul que levava um fio de mel antes de ser incorporado no pato e estando ainda um pouco na chapa para o tentar incorporar mais na carne. Apenas este pormenor achei mais fraco, pois desejava que o queijo estivesse mais derretido, apesar de não ter afectado muito o sabor do conjunto.


Para mim, o melhor que comi em Londres!

Foodspotting
The Frenchie
Camden Lock Market, West Yard, London NW1 8AF
Londres, Inglaterra
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Preço: 6 £

segunda-feira, 17 de março de 2014

Nebraska - Huevos Rotos con Patatas y Jamón Ibérico

É impressionante como em Espanha conseguimos encontrar presunto fantástico, seja onde for. Desde a loja de conveniência que nos vende sandes com enchidos a peso, como no Museo del Jamón ou num restaurante de topo. E porque estou eu apenas a falar de presunto quando o prato tem mais ingredientes para além deste?
Porque apenas o presunto merece nota de destaque aqui. O ovo demasiado cozinhado, com a gema já cozida e as batatas cozidas sem grande sabor, e onde apenas o presunto dava um ar de sua graça... uma pena que um presunto tão bom fosse usado num prato tão medíocre.


Restaurante Nebraska (Gran Vía)
Calle Gran Vía, 55
Madrid, Espanha
Preço Médio: < 20 €