domingo, 16 de novembro de 2014

Pho-Pu (Mouraria)

O facto de ver alguns programas televisivos sobre viagens e novas culturas, sempre me despertou uma curiosidade gigante para este tradicional prato vietnamita, o Phô! E, finalmente, abriu em Lisboa um restaurante totalmente dedicado a este prato, o Pho-Pu. A curiosidade aumentou e a oportunidade finalmente surgiu, com um jantar em companhia da dupla Onde Vamos Jantar?, sempre simpáticos, com a conversa todo o jantar a andar à volta de comida e restaurantes. E não poderia ser de outra forma, ou não fossemos todos nós aficionados de comida.
Com tanta ansiedade pela aproximação da visita, tentei informar-me o mais possível sobre o que é o prato e até da forma como o comer e fui dar a um artigo da Food Republic que nos ajuda a compreender melhor este prato e suas nuances. Mas, e o que se come mais para além desta sopa vietnamita? Não muito. A grande estrela deste restaurante é o Phô e é para comer esta especialidade que me desloquei propositadamente à zona multi-cultural do Martim Moniz.
Fizemos o pedido, decidindo ainda experimentar as diferentes entradas que completam o menu. Veio para a mesa uma generosa dose de Crepes Chineses que apesar de estaladiços e saborosos, eram de um tamanho mais reduzido que o habitual, e com pouco recheio.


A outra "entrada" pedida foram os Raviolis Fritos, uns típicos dumplings à semelhança do que podemos encontrar um pouco por toda a Ásia (e consequentemente por restaurantes asiáticos em Portugal). Mais uma generosa dose, com uma melhor proporção de recheio para a massa, e um interior saboroso. Referi "entrada" porque o Phô é algo rápido a chegar e estes dumplings já chegaram quando todos já estávamos a meio do nosso prato principal.


Mas aqui o que interessa é o Phô, essa sopa vietnamita de caldo rico e saboroso. No escaldante caldo do phô vêm fatias de carne, almôndegas, uns pequenos e deliciosos bocados de tripa, cebolinha, cebola e uma das 3 possíveis escolhas de massa que a ementa nos dá. Todos estes componentes fazem deste um prato completo e muito bom. Mas ainda não acabou!
Num prato à parte temos aquilo que torna o phô num prato mais divertido e mais pessoal. Rebentos de soja, manjericão, hortelã, lima, malagueta e molho hoisin (este só descobri depois de ler o post do Onde Vamos Jantar) que podemos usar para completar o phô à nossa medida. Podemos balancear o picante, o ácido ou até a textura (dada pelos rebentos de soja) e criarmos a nossa versão perfeita do phô. Independentemente de tudo aquilo que o phô já traz, o componente principal é o caldo, que já de base é muito bom mas que fica fantástico quando somado todos os restantes ingredientes.



E sobremesas? Não há. Café ainda se arranja mas nada mais. Mas tenham atenção aos gestos que vão fazendo para com as empregadas presentes, pois um simples levantar de mão para chamar à atenção leva com resposta um genuíno e simpático aceno. Aliás, toda a comunicação é difícil visto que o português das pessoas que lá trabalham é... inexistente! Mas faz parte da experiência e acaba por proporcionar alguns momentos divertidos.
E depois da "sopinha"? Foram jantar? Depois de duas horas à volta da mesa (e da sopa) e de muita conversa com os Onde Vamos Jantar, lá decidimos dar por terminada a refeição.
Enganem-se os que pensam que esta sopa vos vai deixar esfomeados, como pensou a minha regularmente presente e sempre gira companheira de refeição. Esta é uma tigela de tamanho XXL que vos vai deixar satisfeitos só por a conseguirem acabar!
Vale a pena sairmos da nossa zona de conforto por uma sopa? Oh sim, se vale!

Pho-Pu
Mouraria, Portugal
Preço Médio: < 10 €

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Adega das Gravatas (Carnide)

É assustador chegar à Adega das Gravatas, num almoço de domingo, sem reserva e encontrar o restaurante cheio. Mais assustador fica quando escrevemos o nome na folha de pessoas à espera e contamos 36 pessoas antes de nós. Passava pouco das 13 horas quando isto aconteceu, mas tínhamos feito uma viagem longa (com uma tentativa falhada de ir ao cozido d'A Coudelaria, sem reserva, pelo caminho) e como já andava a adiar uma ida ao Gravatas há algum tempo, decidimos ficar e esperar o tempo que fosse necessário.
Mas essa espera foi curta. As mesas pareciam rodar rapidamente e cada vez mais mesas de duas pessoas ficavam disponíveis, com o serviço a passar casos como o nosso à frente de grupos de tamanho igual ou superior a três pessoas, o que deu origem a uma espera de cerca de apenas 15 minutos. Entretanto, já tínhamos olhado para a ementa que se encontra fora do edifício e assim que nos indicaram a nossa mesa pedimos logo os pratos desejados, dispensando qualquer entrada, pois reza a fama deste estabelecimento que as doses são de tamanho XXL.
Se me surpreendeu o tempo de espera por uma mesa, também o tempo de espera pelos pratos foi surpreendente, tendo em conta que o restaurante se encontrava cheio com pessoas a entrar e a sair constantemente. Mas parece-me que aqui reside um dos segredos do Gravatas. Fazer o pedido, comer os pratos principais, pedir e comer a sobremesa, beber café e pagar não ultrapassou os 60 minutos. Com um serviço desta rapidez e qualidade, é uma casa que facilmente consegue rodar as mesas pelo menos três vezes por serviço. Apesar de rápido, nunca me senti pressionado a abandonar o restaurante ou a despachar-me a comer. Serviço rápido e simpático com casa cheia é coisa rara.
Mas vamos ao que interessa, a comida. Sendo esta a primeira visita, decidimos ir para os ex-libris da casa, o Naco na Pedra e a Açorda de Gambas. Apesar de ser fácil a escolha dos pratos, não foi fácil decidir qual o tipo de corte que desejava para o prato de carne, havendo a possibilidade de escolher entre o afamado Lombo ou a menosprezada Alcatra. Acabei por me decidir pela Alcatra, porque a acho uma carne mais saborosa e tendo quase a certeza que a qualidade da carne aqui não iria desiludir ao nível de "limpeza" da peça que me iriam apresentar. E não me enganei. Dois bons nacos de carne, com um corte perfeito, de boa altura e limpos de qualquer nervo que pudesse ser mais complicado de mastigar. Pena apenas que os acompanhamentos não acompanhem a qualidade da carne, tendo-me sido servida uma travessa com um arroz de miúdos seco ainda que saboroso, umas batatas caseiras razoáveis mas sem ser nada de memorável e uma incompreensível e altamente dispensável massa, tipo fusilli mas mais larga, com carne picada e molho de tomate.


Também a Açorda de Gambas à Gravatas é um prato memorável e mais do que recomendável neste restaurante. Boa textura e consistência, não sendo líquida demais nem sólida demais, com um sabor acentuado a alho (algo que não me incomoda nada) e uma quantidade generosa de recheio. Aliás, toda a dose era de tamanho generoso, desde o tacho ao tamanho e quantidade das próprias gambas servidas, não faltando a generosidade e acerto no nível de tempero.


Para satisfazer a necessidade de açúcar, mais da minha excelsa e giríssima companhia do que a minha, pedimos uma Tarte de Limão Merengada para dividir. Fatia de bom tamanho, base saborosa e boa lemon curd, não sendo excessivamente doce, mas acabava tudo por ser estragado pelo excesso de açúcar do merengue, sendo ainda possível sentir os grãos de açúcar do mesmo. Como isto já não bastasse para tornar o conjunto em si doce demais, ainda lhe juntam uma espécie de calda de açúcar, tornando cada garfada, que englobe todos os componentes, enjoativa.


Um clássico lisboeta que tinha na wishlist há muito tempo e que não desiludiu. Fantástica carne e uma açorda exemplar. Fica a vontade de lá regressar para experimentar o resto da ementa.

Adega das Gravatas
Carnide, Portugal
Preço Médio: < 20 €

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Sr. Frango / Mr. Chicken (Almancil)

aqui falei do Frango da Guia do Ramires mas existem várias casas pelo Algarve fora que têm neste prato a sua imagem de marca, como é o caso do Sr. Frango / Mr. Chicken, estabelecimento que se pode encontrar em Vilamoura e em Almancil. Apenas experimentei o de Almancil, por isso toda a minha opinião é baseada nesse restaurante.
Apesar de haver vários pratos, a escolha aqui é bastante lógica. Se a casa é conhecida pelo Frango no Churrasco, então é esse mesmo que quero, sabendo que passarei toda a refeição a tentar arranjar comparações com o do Ramires. É algo inevitável, principalmente quando lá estive no início de Junho (este post foi escrito e retrata uma refeição de Agosto).


Apesar de ser bom, está um bocadinho atrás do seu mais famoso exemplar (e suposto antecedente). Frango bem grelhado mas a pele pouco estaladiça e o molho menos saboroso mas quase ao nível do original. A Salada de Tomate (o acompanhamento obrigatório para este prato) bastante boa, bem temperada mas com um bocadinho de oregãos em excesso para mim. Também as batatas fritas caseiras estavam bastante boas.


A refeição foi acompanhada com a melhor imperial que bebi este Verão no Algarve. Porquê referir este facto? Apesar de, na maior parte dos sítios, se beberem boas imperiais, em quantos sítios ficamos positivamente surpreendidos com aquele primeiro gole? 
Um restaurante que, não sendo o melhor para comer Frango da Guia, é, sem dúvida, um local que está perto do topo no que toca ao mercado de restaurantes que apregoam este prato como especialidade.

Sr. Frango / Mr. Chicken
Almancil, Portugal
Preço Médio: < 20 €

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O Devaneios esteve na TV...

...mais precisamente no Você na TV, com Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira! E o que fui lá fazer? Falar sobre sushi! Não sou um especialista na matéria, mas sou sem dúvida um entusiasta e um fã de sushi, e, por isso mesmo, a Zomato forneceu o meu contacto à TVI para que pudesse participar num mini debate que iriam promover sobre o tema, opondo 3 pessoas que gostam de sushi a 3 pessoas que não são apreciadoras. Para ajudar à conversa, ainda tive a oportunidade de provar algumas peças preparadas pelo Marcus Araújo, o sushiman do Coral Sushi Concept, e que estavam fantásticas!
É um tema que tem potencial para muito mais, e onde poderia haver um maior debate de ideias, tentando perceber e aprofundar melhor os porquês das pessoas não gostarem, dando a experimentar diferentes variedades e combinações. A semana passada lancei um artigo sobre este mesmo assunto (cuja leitura recomendo a amantes de sushi e não só!) e que me parece enquadrar-se perfeitamente neste debate.
Deixo-vos com o vídeo do segmento onde participei!

Foto by Coral Sushi Concept

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Musashi Sushi Fusion (São Domingos de Rana)

Se alguma vez já ouviram o nome Musashi Sushi Fusion, é provável que a primeira pergunta que façam é "Qual deles? E qual é a diferença entre os dois estabelecimentos?". Se à primeira pergunta vos consigo responder facilmente a segunda já é mais complicada. 
Este restaurante fica perto do E.Leclerc de São Domingos de Rana e não, não sei qual é a diferença entre este estabelecimento e o existente na Parede (nas costas do Pingo Doce). Apenas sei que os dois têm o mesmo nome e o mesmo logo, mas não se relacionam em mais nada. Isto faz-me alguma confusão e não percebo bem o porquê de assim ser, acabando por criar alguma confusão na cabeça dos clientes que pensam que ir a um sítio ou a outro é indiferente. 
Nunca tendo ido a nenhum deles, e apesar de ter maior curiosidade em relação ao Musashi na Parede, a escolha acabou por recair no de São Domingos de Rana apenas pelo facto de terem All You Can Eat durante a semana.
Chegando ao restaurante perto das 14 horas senti-me um pouco desencorajado por apenas se encontrarem mais 2 pessoas, mas como já passava um pouco da hora de almoço normal e a localização do espaço não me parece atrair muita gente de zonas empresariais decidi abstrair-me desse facto.


Primeiro vieram para a mesa uns Temakis simpáticos, mas é um tipo de peça que não me agrada muito pois é realmente importante a qualidade da alga (e a forma como se trabalha) para que consigamos ultrapassá-la facilmente em cada dentada, algo que aqui não aconteceu. Ainda assim, boa qualidade de arroz e de salmão.




Os rolos que se apresentaram a seguir mostraram que a qualidade do Sushi é um pouco acima da média, com um especial destaque para o rolo frito que vinha bastante estaladiço. De forma menos positiva, a apontar o facto de que falta alguma consistência na forma como os rolos são feitos, tendo visto alguns erros na proporção de ingredientes, disposição incoerente e até algum desleixo na forma como fazia os rolos. Ainda assim, algumas combinações saborosas...


O prato de Sashimi que chegou à mesa apresentava um salmão de boa qualidade, um peixe branco (que não sei identificar) que depois de cortado foi cozinhado recorrendo a um maçarico que estava bom e de algumas fatias de atum que não me convenceram. A qualidade do atum parecia-me algo duvidosa revelando uma textura áspera e que me leva a crer que não seria muito fresco.


Para acabar um rolo com abacate que trazia um molho um pouco enjoativo, que dominou todo o palato devido à quantidade apresentada. 


Em todo a refeição, o serviço pareceu-nos estranho, e por o restaurante estar tão vazio, acabámos por nos aperceber numa relação muito dominante da dona perante o sushiman que parecia não o deixar à vontade para criar o que quisesse. Esta relação também se notou aquando o pedido do último rolo em que nos sentimos algo pressionados pela veemência demonstrada para dizermos o que queríamos no rolo.
Saí do restaurante com o sentimento de que apesar de não ter sido uma má refeição, não é um espaço ao qual pense voltar brevemente nem no qual pensarei quando quiser ir a um serviço All You Can Eat...

Foodspotting
Musashi Sushi Fusion
São Domingos de Rana, Portugal
Preço Médio: < 30 €

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

La Folie (Ericeira)

Um restaurante no centro da Ericeira, que já foi um restaurante italiano/pizzaria e que agora se anuncia como um Bistro. Bem, na verdade, e após a primeira passagem de olhos pela ementa, parece continuar a ter o mesmo conceito onde foram adicionados alguns pratos mais diversificados. Mas a primeira passagem pela ementa não é suficiente para nos ajudar a decidir seja o que for porque a lista é um tanto ou quanto extensa com tanta coisa que eles desejam inserir na ementa.
Mas lá acabei por decidir, meio duvidoso ainda, sem muita certeza do que me apetecia comer ou que tipo de cozinha achei que melhor poderia ser desempenhada, pelo Stir-Fry de Atum, um prato cozinhado no Wok com Arroz, Brócolos e Cogumelos Frescos.


Apesar de as expectativas não serem muito altas, ainda assim não deixou de ser um prato que me surpreendeu pela positiva. O arroz vinha cozinhado na perfeição, com um molho de Soja e Gengibre que envolve todo o prato, funcionando na perfeição para juntar todos os elementos e ainda com um bocadinho de malagueta finamente cortada a dar uma componente ligeiramente picante muito interessante. Bons brócolos, pouco cozinhados, a oferecerem a resistência ideal ao dente e bem acompanhados pelos cogumelos frescos salteados. Mas o que mais me surpreendeu foram os cubos de atum, que apesar da sua dimensão mais diminuta, vinham bem cozinhados, com o seu interior ainda cru.


Para finalizar a refeição, um Tiramisù com pouca história. Agradável, fresco mas sem deslumbrar ou encantar por demasia.

La Folie
Ericeira, Portugal
Preço Médio: < 30 €

terça-feira, 28 de outubro de 2014

HotDog Cascais (Boca do Inferno)

Reza a lenda que os melhores cachorros de Cascais (e depois de Lisboa) nasceram de uma pequena carrinha instalada, desde o final dos anos 80, no Mexilhoeiro, entre a Casa da Guia e a Boca do Inferno. Foi depois aberto um espaço no Centro Comercial Riyadh para poder alojar uma loja dedicada a estes mesmo cachorros! Do conceito desta loja Hot Dog Cascais, nasceu outra em Cascais, a Hot Dog da Villa (na rua do Santini), e posteriormente a criação da marca Hot Dog Lovers, já em Lisboa, sendo que nenhum dos dois espaços posteriores têm qualquer relação com a loja original.
A popularidade manteve-se e a carrinha ainda lá está, ao fim destes anos todos. Se o dia estiver bom, e o sol brilhar, irão encontrar esta carrinha com uma esplanada, que tem uma das melhores vistas da Linha, e alguns dos melhores cachorros que irão comer em Portugal.


Na minha mais recente visita decidi experimentar o Chilly Dog, um cachorro com a típica salsicha, cebola, batata palha e chilli picante. O pão é de uma qualidade fantástica, feito exclusivamente para estes cachorros, mas este não é, para mim, o aspecto principal destes cachorros. Gosto da forma como a doçura da cebola joga com o picante do chilli e a batata frita dá-nos mais um nível de textura. Gosto da simplicidade de estar sentado numa esplanada a olhar para o Oceano Atlântico e poder desfrutar de algo simples e saboroso.
Até pode não ser o melhor cachorro do mundo, ainda que bastante bom, mas a forma como a experiência se reflecte em nós não é só devido ao sabor da comida. Experimentem isto, vão fazer praia para a zona de Cascais ou Guincho e ao fim da tarde, antes de irem para casa, passem na Boca do Inferno e experimentem um dos cachorros... vão ver que não se vão arrepender!

HotDog Cascais
Cascais, Portugal
Preço Médio: < 10 €