domingo, 7 de dezembro de 2014

Snack-Bar Poveiros - Francesinha (Porto)

Sábado passado fui à Comic Con Portugal, realizada na Exponor. Mais do que uma oportunidade para ir ver actores famosos ou autores e ilustradores de banda desenhada famosos, esta é uma experiência que pede para ser terminada comendo uma francesinha no Porto! Mas já lá vamos...
Uma rápida referência à qualidade da comida do evento, que vai de fraco a horrível. Tenho a ligeira impressão que numa ou outra banca vi hambúrgueres com pior aspecto do que aqueles que se vendem nas estações de serviço. Opção menos má, um Pans & Company ou um restaurante self-service, ambos com filas de cerca de 100 pessoas. Muito espaço mal aproveitado que poderia ser utilizado para criar um mini food court com mais e melhores opções do que as existentes na Exponor. Cada vez há melhor street food e até os festivais de Verão começam a procurar soluções com mais qualidade para os seus recintos, porque não adoptar o mesmo pensamento para um evento que recebeu milhares de pessoas (a perspectiva seria as 20 mil pessoas mas penso que terá superado) nos seus 3 dias?


Mas finda a experiência geek de ir a uma Comic Con, chegou o tempo de ir comer uma Francesinha antes de nos pormos a caminho de regresso a Lisboa. Da Exponor ao Bufete Fase é um instante, mas chegar lá e encontrar o Bufete Fase fechado a um sábado à noite? Que frustração!! Queria mesmo uma francesinha do Bufete! 
Próxima alternativa? Vamos até ao Café Santiago! Cheio e com pelo menos 30 pessoas fora do estabelecimento à espera e um tempo estimado de pelo menos 1 hora... Passei algum tempo do meu dia em filas, estava cheio de fome e a temperatura ambiente não ajuda. E agora? Não nos apetecia voltar a pegar no carro portanto teria que ser algo ali perto. Mas (ainda) não dá para "zomatizar" no Porto, e lá descobrimos uma pizzaria a 20 ou 30 metros no Foodspotting, apesar da vontade ainda bater pela Francesinha.
Felizmente existem sítios com aspecto de pastelaria que colocam fotos de francesinhas à porta para indicar que a servem, e mesmo antes da Pizzeria S. Martino, decidimos entrar na Confeitaria/Snack-Bar Poveiros e arriscar numa francesinha que acabou por se revelar bastante decente! Pão torrado demais a dar um ligeiro travo a fumo e queimado à francesinha, mas bom molho, com um picante bastante suave, apenas pecando pelo sabor ligeiramente mais predominante da cerveja, mas a não prejudicar em demasia o conjunto. Carne saborosa, boa salsicha, fiambre, queijo e um ovo estrelado encheram as medidas a um duo esfomeado. Batatas caseiras pouco fritas, a necessitar claramente de uma segunda fritura ou, pelo menos, mais tempo na fritadeira, mas servidas numa travessa bastante generosa.
Não foi um Bufete Fase, não foi desta que experimentei o Café Santiago, mas satisfez-me mais que muitas francesinhas na zona de Lisboa. Das experimentadas em Lisboa, apenas a da Casa das Francesinhas fica acima desta francesinha.

Snack-Bar Poveiros
Preço Médio: < 10 €

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Top Blogs Awards 2014

O Blog Top Imprensa está a organizar os Top Blogs Awards 2014, uma iniciativa que põe a votação vários blogs, e o Devaneios de um Foodie está nomeado para a categoria de Culinária/Gastronomia!

Arroz doce do Kook Chiado
Por isso venho apelar ao vosso voto, e à partilha desta votação pelos vossos amigos. Estão várias categorias a voto e podem descobrir votar nos vossos favoritos.

Preview do post que será lançado amanhã

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Don Castellana (Cais do Sodré)

O Don Castellana abriu em Agosto de 2014, em Lisboa, transportando um dos melhores restaurantes italianos de Luanda até à capital portuguesa, pelas mãos do chef Riccardo Paglia, quase à semelhança daquilo que já tinha acontecido com o Kook Chiado. E, graças a um convite Zomato, tive a oportunidade de ir experimentar o Menu Especial de Natal, que simboliza a extensão do menu que o restaurante apresentou na Restaurant Week, até ao final do ano 2014, mas apenas de 2ª a 5ª feira. Para vos dar um exemplo do quão compensador esta experiência pode ser, este menu à carta não custaria menos de 38€/pessoa sem bebidas, enquanto que neste caso podemos ter uma refeição completa por apenas 20€/pessoa! O difícil é escolher entre o menu de almoço ou de jantar, sendo ambos bastante apelativos.
Não é o típico italiano onde vamos comer pão de alho e pizza, tendo uma ementa bastante mais elaborada, ainda que com alguns clássicos italianos como carpaccio, risotto ou tiramisù. E assim que entramos no restaurante notamos que estamos num sítio diferente, com um ambiente um pouco intimidante, seja pelas cores escolhidas para a decoração, onde predominam as cores arroxeadas, ou pela própria farda dos empregados, a fazer lembrar roupa italiana da época Renascentista. Mas estes aspectos intimidantes vão-se dissipando ao longo da refeição, com um serviço bastante simpático e prestável, onde os empregados sabem adaptar o seu discurso aos clientes. Um aspecto engraçado no restaurante são os pequenos recantos mais íntimos, de mesa para dois, que têm um nível de privacidade bastante adequado.
Assim que nos sentamos, é colocado o Couvert na mesa, composto por um azeite italiano, sal com especiarias, sal fumado e manteiga de cabra e gengibre. Podemos ainda escolher entre três pães diferentes (sêmola, tomate e ricotta ou integral, se não me engano) mas acabei por pedir apenas o de tomate e ricotta, que se revelou surpreendente, levando-me a arrepender apenas ter pedido uma única unidade.


A refeição em si começa com um amuse bouche oferta do chef, constituído por uma Espetada de Tomate Cherry, Mozzarella e Pistáchio e um Copo de Gaspacho. Simples, fresco e a servir quase como um limpa palato para o início da refeição.


De seguida, outra oferta do chef, uma Quiche de Chanterelle, com molho dos mesmos. Massa folhada perfeitamente cozinhada, com um recheio bastante saboroso e de forte sabor a cogumelo, intensificado pelo respectivo molho. Delicioso!


Perto da perfeição estava o Carpaccio de Novilho com Salada de Cogumelos com Funcho, bem temperado e com um bom contraste entre os vários sabores. A delicadeza da carne combina perfeitamente com o habitual parmesão lascado, mas a adição dos cogumelos eleva este prato para um nível superior aos normais carpaccios. Tudo isto regado com um bom azeite e algo que parecia um molho de tomate caseiro semi-picante que criava novas camadas de sabor no palato.


A segunda entrada deste menu consiste num Mil Folhas de Bacalhau com a sua espuma. O que mais me impressionou neste prato foi o quanto os sabores presentes me faziam lembrar os de um pastel de bacalhau. Batata frita às rodelas, com uma pasta de bacalhau entre camadas, a ser uma verdadeira chamada à memória onde temos a textura contrastante da batata frita a ser comparável à da fritura do pastel de bacalhau e o perfil de sabor a retratar-se bastante idêntico. Um prato que brincou com as memórias e onde só a espuma não me pareceu acrescentar algo muito significativo, exceptuando alguma leveza e subtileza ao conjunto.


Para mim, o prato menos surpreendente da noite, não que isso implique que seja um mau prato mas não o considero do mesmo nível que os restantes, os Tortelloni de Crustáceos e Ricotta. Boa espessura na massa mas um recheio de crustáceos e ricotta bastante unidimensional no sabor, complementado com um molho de tomate simpático, mas que me deixou desejoso que fosse como o molho de tomate do Come Prima. Por cima dos tortelloni, pequenos pedaços de diferentes crustáceos, bem cozinhados mas a não ser algo surpreendente. Ainda assim, um bom prato.


Os pratos principais foram o foco menos espectacular da refeição, ainda que o Lombo de Pregado com Caponata de Beringela e Tomate Coração de Boi estivesse melhor que o prato de massa. O peixe panado tinha uma boa crosta, estava bastante húmido e recheado com tomate e manjericão, acabando por funcionar como uma infusão e transferindo bastante sabor para o peixe. A caponata era deliciosa e gulosa, estando repleta de umami. Os restantes acompanhamentos (courgette grelhada e umas tostas com um molho de tomate pouco interessante) pareciam estar algo deslocados no prato não se enquadrando muito bem com os outros componentes. Ainda assim, vale pelo pregado e pela caponata.


A primeira sobremesa foi uma referência muito pouco italiana, mas ainda assim estava fantástico o Petit Gâteau com Gelado de Baunilha. Uma boa crosta a revelar um interior cremoso e que deslizou pelo prato fora. Fantástico! Acompanhava um cremoso e caseiro gelado de baunilha, algo bastante típico nesta sobremesa.


Mas a surpresa da noite foi a Mousse de Iogurte e Lima com Carpaccio de Ananás e Amêndoas Caramelizadas, a fazer lembrar uma panna cotta de forte sabor cítrico e textura delicada. Óptimo balanço com a doçura do carpaccio de ananás a cortar bem a acidez da mousse. Para transferir alguma textura, umas gulosas amêndoas caramelizadas que pecavam apenas pela pouca quantidade.


No final, tivemos direito a mais uma oferenda da casa, com um shot de Limoncello e uma esferificação do mesmo licor com raspas de limão por cima. Por a bebida não se encontrar muito fresca, a notar-se demasiado o álcool no shot, algo que já não aconteceu na esferificação. Ainda assim, uma brincadeira engraçada e bem concretizada a finalizar em beleza uma refeição memorável.


A comida é, de forma geral, fantástica e saí do Don Castellana bastante feliz com a refeição. Apesar de ainda ter algumas reticências quanto aos preços praticados na carta, este menu, que se encontra disponível de 2ª a 5ª até ao final de Dezembro de 2014, é uma opção barata para a qualidade praticada. Para todos os que ficaram curiosos, é de aproveitar este menu, onde todos os itens disponíveis também se encontram na carta, ou então aguardar por uma próxima Restaurant Week.

Don Castellana
Lisboa, Portugal
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Preço Médio: 20€ (sem bebidas) pelo Menu Especial de Natal (disponível até 31 de Dezembro, de 2ª a 5ª) / À carta: < 50 €

sábado, 29 de novembro de 2014

SushiCafé Oeiras Parque (Oeiras)

O grupo SushiCafé não é uma referência desconhecida quando falamos sobre os melhores restaurantes de sushi na área de Lisboa, mas nunca tinha tido a oportunidade de visitar os seus dois espaços existentes (não estou a contabilizar os seus Sushi Corners), um perto da Avenida da Liberdade e outro no Centro Comercial das Amoreiras.
Mas "se Maomé não vai à montanha, vem a montanha a Maomé" e, para minha felicidade e sorte, abriu um SushiCafé perto da minha zona de residência, no Centro Comercial Oeiras Parque. E esta oportunidade não se podia deixar passar, mais por sugestão da minha cara-metade (e igual glutona quando a sushi se refere) do que por minha sugestão, decidimos investigar este espaço num almoço durante a semana. 
Para restaurante de centro comercial até está bastante apelativo, com um open space contendo uma ilha com balcão, onde podemos apreciar a nossa comida e a dos outros enquanto esta é preparada, e uma zona de mesas mais reservada. O único problema são os bancos comuns a ambas as zonas que não se revelam muito confortáveis.
Sentámo-nos ao balcão, junto à "montra" de peixe, e rapidamente ficámos surpreendidos com a variedade demonstrada, chegando a um total de 6 tipos de peixe (Atum, Salmão, Peixe-Manteiga, Robalo, Carapau e Encharéu), 1 molusco (Polvo) e 1 bivalve (Vieira). Na ementa, várias propostas interessantes, não só de sushi, onde há peças de fusão e peças mais tradicionais, mas também nos pratos quentes, deixando uma grande curiosidade de voltar a este estabelecimento para experimentar esta secção do menu.
Mas esta refeição era para comer sushi e foi isso mesmo que pedimos, começando por uns gunkans de fusão. O Tartar Gunkan revela-se menos surpreendente e a Batata Doce Crocante acrescenta bastante textura mas pouco sabor a uma peça já de si completa. Mesmo sem que este componente se destacasse muito, revelou-se uma peça de frescura exemplar mas de tamanho exagerado, pois só com alguma dificuldade consegui comer a peça de uma só vez.


Mas para verdadeira fusão, o pedido obrigatório é este Gunkan Suzuki, com Robalo, Pancetta e Cebola Frita. Uma verdadeira maravilha, com a gordura da pancetta a encher-nos a boca de sabor e a contrabalançar bem com a doçura da cebola. O peixe, escondido atrás da fatia de pancetta, acaba por brilhar ainda mais enquanto a gordura da pancetta parece fazer sobressair o sabor delicado do robalo. Um delicioso Surf & Turf em forma de sushi.


Tentando experimentar uma maior variedade de peixe, pedimos o combinado Sushi to Sashimi. Infelizmente, este combinado parece que está preparado para apenas 1 pessoa, pois os nigiris são todos de diferentes variedades de peixe, não permitindo que duas pessoas partilhem este combinado e tenham a mesma experiência. Exceptuando isso, fantástico peixe e óptimo arroz. Eclipsou totalmente um tradicional maki de pepino e meteu no bolso um uramaki de salmão, manga e pepino que nada de novo trouxe à mesa, apenas confirmando a qualidade do peixe e do arroz. Mas o melhor neste prato foi o sashimi, de corte um pouco mais grosso do que o habitual, acabando este factor por destacar ainda mais a textura do peixe, que se desfazia na boca.


E como o sashimi foi aquilo que mais nos satisfez, nada melhor que acabar a refeição com um combinado só de sashimi! O combinado Kisetsu trouxe atum, encharéu, salmão, vieira, robalo, polvo e ainda wakame com ikura (ovas de salmão). Exceptuando o polvo, de textura borrachosa e difícil de mastigar, tudo o resto é irrepreensível. As vieiras foram uma boa surpresa pela cremosidade da sua natureza crua e este açoriano encharéu encheu-me as medidas.


Não é um restaurante barato, mas ainda assim acabei a refeição meio deslumbrado pela qualidade do que tinha comido, tanto na facção fusão como na tradicional. O uso da pancetta foi algo inovador para mim e fez-me feliz (porque o bacon torna tudo melhor, não é?) mas a estrela da refeição foi o sashimi experimentado.
Um restaurante capaz de satisfazer todos, dos amantes de sushi de fusão, passando pelos tradicionalistas, aos que nem sushi comem.

SushiCafé Oeiras Parque
Oeiras, Portugal
Preço Médio: < 40 €

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

The Meating (Chiado)

Este texto foi escrito há algum tempo e, na altura, o restaurante The Meating ainda se encontrava aberto. Decidi publicá-lo na mesma pois este é um conceito de restaurante americano que quase não existe em Lisboa, excepção feita ao Joe's Shack, no Mercado de Campo de Ourique. O Harlem não aprofunda tanto, aproximando o seu menu mais da Soul Food, e os diners americanos acabam por estar mais focados nos hambúrgueres do que no conceito de "American Barbecue".
Acho que é um mercado que tem muito por explorar em Portugal. Afinal de contas, quantos de nós não salivámos já a ver imagens como esta?

Franklin Barbecue - Link Original
Lisboa tem algumas opções (algumas de qualidade, outras não) de "diner" americano, mas faltava-lhe algo que conseguisse replicar e identificar-se pelo Barbecue à Americana. O The Meating é a resposta a quem se salivava a ver as imagens do Franklin Barbecue e sonhava com uma casa parecida em Lisboa. Eu disse parecida, e é só isso que o The Meating é. É um projecto de restaurante, que me parece ter bastante potencial, mas ainda não é aquilo que penso ser o verdadeiro barbecue, como vemos em tantos filmes, séries e afins.
A primeira vez que olhei para a carta do The Meating, comecei imediatamente a salivar, imaginando e revendo mentalmente as imagens que tantas vezes vi, com carne ultra temperada, fumada durante horas e a desfazer-se ao toque. Por querermos experimentar mais do que uma das especialidades, pedimos um Dá Para Dois, Três ou Quatro.
Dizer que dá para dois eu aceito, três ou quatro é exagerado, a não ser que essas pessoas peçam mais pratos para partilhar. Mas, felizmente, éramos só dois, num almoço tardio, em que fomos bem recebidos ainda que já não fossem horas normais de almoço e achámos que ficaríamos bem com uma "tábua XL".
Esta tábua consiste nuns bons Aros de Cebola, bastante consistentes a nível de fritura e umas Batatas Fritas médias e com ar pouco caseiro, mas que deram para satisfazer a fome.


Mas a verdadeira curiosidade era a qualidade das Asas de Frango BBQ e do Entrecosto BBQ. E, se em relação à forma como a carne era cozinhada, não saí desiludido pois a carne era realmente muito macia e a libertar-se facilmente dos ossos, no que respeita ao sabor penso que coloquei as minhas expectativas demasiado altas.
A carne é boa e apresenta uma boa caramelização, principalmente no entrecosto, mas ultrapassada a crosta criada pelo molho, o resto da carne apresenta um sabor muito uniforme, acabando por ser bom mas não fantástico.
Já as asas de frango, são suculentas mas têm pouco de estaladiço e crocante, que é o que está descrito no menu.


Para terminar a refeição com um pequeno doce, experimentámos a Mousse de Lima, que de mousse pouco tinha. Nada cremosa, de consistência bastante sólida e a deixar-nos desiludidos com a sobremesa pedida.


Acabo por culpar mais a pessoa que escreveu a ementa e a descrição dos pratos, que promete mais do que cumpre, reflectindo-se no restaurante pelas expectativas criadas. Tem potencial e merece que esse potencial seja explorado com um aperfeiçoamento dos pratos.

The Meating
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 20 €

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Arigato SushiHouse (Parque das Nações)

Desde que comecei a falar na minha tentativa de encontrar o melhor All You Can Eat, tenho ouvido falar bastante do Arigato SushiArena, no Campo Pequeno, como um dos melhores a nível da relação triangular qualidade/diversidade/preço. Infelizmente ainda não foi desta que lá fui, mas numa passagem fugidia até à margem Sul, decidi parar no seu irmão no Parque das Nações, de forma a testemunhar a qualidade standard que esta "marca" apresenta. E não saí desiludido.
Ao almoço, o serviço All You Can Eat é disponibilizado numa versão Buffet com uma fila organizada para que, por ordem de chegada, os clientes possam passar por todas as ofertas disponibilizadas, ofertas essas que raramente se deixam ficar de prato vazio, pois um dos empregados está constantemente a avisar os sushimen quais as peças que estão a acabar, para que rapidamente possam ser repostas.
No meio da (muito) variada oferta do buffet, um Shot de Gaspacho. Refrescante sem ser fantástico e não percebo muito bem qual a sua necessidade de existência junto às peças de sushi, mas a acidez do gaspacho ajudou a limpar o palato para aquele que seria o início de uma bela refeição.


É difícil descrever todas as variedades de peças disponíveis neste buffet, pois dispõe de uma variedade quase (será mesmo só quase?) inigualável para um menu All You Can Eat, todas com uma qualidade acima da média, com um bom arroz, tanto a nível de sabor como de cozedura, apesar de estar um pouco pegajoso demais. Existem várias peças que merecem um destaque especial, tanto pelo facto de ser diferente do habitualmente visto em menus com este regime, como pela qualidade da peça:
- Sashimi de Espadarte, fresco e usando um tipo de peixe que nunca tinha provado em sashimi
- Sashimi de Dourada (pareceu-me dourada mas não tenho a certeza), que era marinado numa espécie de cebolada
- Sashimi de Peixe Manteiga, a desfazer-se na boca e algo do qual sou um grande fã
- Uramaki de Salmão e Queijo Filadélia com Arroz com Tinta de Choco, apesar de não ser surpreendente o sabor, achei piada ao uso da tinta de choco no arroz
- Uramaki e Nigiri de Pele de Salmão Grelhada, algo que facilmente encontramos noutros restaurantes de sushi mas que não deixa de ser um dos meus favoritos
- Nigiri de Rábano Japonês em Pickle, um ingrediente que nunca tinha experimentado e de que gostei bastante



Existem mais propostas acima da média mas estas foram aquelas que memorizei e interiorizei melhor. Existe ainda uma secção com alguns itens cozinhados, suponho que para satisfazer aqueles que não sejam adeptos do sushi, apresentando algumas coisas como Polvo à Lagareiro ou Batata-Doce em Tempura.
Fiquei curioso em conhecer o espaço do Campo Pequeno, tanto ao almoço em buffet como ao jantar em rodízio, e de conhecer o menu de degustação deste espaço no Parque das Nações. Não é, para mim, o melhor All You Can Eat, mas está bastante perto, principalmente devido à diversidade apresentada, mantendo sempre um nível de qualidade acima da média.

Arigato SushiHouse
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 30 €

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Come Prima (Alcântara)

Por vezes sinto-me uma pessoa mimada. Não quero com isto dizer que seja um mimado, apenas que a Zomato me mima com os convites fantásticos para experimentar restaurantes como este Come Prima. Se nunca ouviram falar no Come Prima, fiquem desde já a saber que este é um dos melhores restaurantes italianos (ou, quem sabe, o melhor) da cidade de Lisboa. Quer isto dizer que será gerido e com produtos confeccionados por italianos? Nem por isso, porque o chef Tanka Sapkota, apesar de nepalês, conhece bem a cozinha italiana e isso nota-se no respeito que ele tem pelos ingredientes.
O convite Zomato referia que iria experimentar o menu "O Melhor de Itália", mas não soube o que isto incluía, e os primeiros empregados que nos atenderam também não sabiam, acabando por nos colocar a ementa nas mãos. Acabámos por dar uma vista de olhos na ementa, e se nos fosse pedido para escolher à carta já sabíamos o que pedir, mas isso não foi necessário porque a responsável pela sala rapidamente nos veio sugerir que fossem eles a encarregar-se da escolha dos pratos, ao que nós prontamente acedemos, pois assim conseguimos perceber o verdadeiro potencial do restaurante e eles têm a hipótese de mostrar o que consideram ser os seus melhores pratos.
Enquanto o parágrafo anterior se passava, chegou o couvert, composto por um fantástico pão caseiro (a fazer lembrar uma focaccia) servido com azeite e vinagre balsâmico, uma Bruschetta con Pomodoro e Basílico (Bruschetta de Tomate e Manjericão) feita com o mesmo pão caseiro, bastante crocante e plena de sabor com o tomate cortado finamente e o manjericão a dar a dose certa de frescura, e um copo de Prosecco


Começam então a chegar os pratos do menu, todos bastante bem cadenciados, e começam-se a notar os pormenores que fazem deste restaurante um dos melhores da cidade, com o serviço cuidadoso a explicar-nos os pratos, chegando a explicar modos de confecção de certos componentes.
A primeira entrada, Funghi Ripieni (Cogumelos Recheados com Legumes e Queijo) acerta em cheio na entrada que pediria caso fosse lá comer à carta. Cogumelos frescos, cozinhados de forma perfeita, com proporção correcta de recheio em cada cogumelo e tudo com bastante sabor. Mais uma nota de distinção do serviço a oferecerem-se, sempre que necessário, para moer a pimenta preta sobre o prato na hora, cuidados estes que são retrato da tradição italiana.


A segunda entrada que pediria seria a Melanzane Alla Parmigiana (Beringelas Panadas com Tomate e Parmigiano Regiano) e foi exactamente essa a segunda entrada que nos trouxeram para a mesa, quase como se nos estivessem a ler a mente. Tinha uma ideia um bocadinho diferente do que poderia ser o prato, pois imaginava rodelas de beringela panadas, mas ainda assim as expectativas foram ultrapassadas, principalmente a nível de sabor. Fatias fininhas de beringela, onde se denotava algum sabor a pão, cobertas por molho de tomate e parmesão. Tudo fantástico, especialmente o molho de tomate. O chef faz tudo de raiz, assando os tomates antes de os pelar e triturar, juntando depois algumas ervas do seu próprio terraço. Todo este trabalho e dedicação nota-se na qualidade deste molho.


Mas não há duas sem três, e também acertaram na muche quanto ao primeiro prato principal com o Tris di Casa per Due (uma Degustação de Massas Frescas da Casa para duas pessoas) composto por (e sendo sugerido que comêssemos por esta ordem) Ravioli di Ricotta e Spinaci, Taglitatelle Della Casa e Rigatoni Alla Siciliana.
Óptimo raviolis com proporções perfeitas em tudo, desde a espessura da massa, à quantidade de recheio e balanço entre o queijo ricota e os espinafres sendo tudo bastante bem temperado, especialmente com a pimenta moída fresca que liberta e intensifica os restantes sabores. Espectacular em toda a sua simplicidade.
O tagliatelle também esteve perto da perfeição, pena estar um pouco grosso demais para o meu gosto, mas tudo o resto estava perfeito. Camarões frescos espectaculares, e em número generoso para a porção apresentada, complementados com cogumelos frescos laminados e um molho de tomate, natas e (julgo) creme de marisco que era fantástico, com um balanço perfeito e não se tornando enjoativo.
Parece que a execução de massas é realmente a grande especialidade, porque o rigatoni estava soberbo. Toda a conjugação entre as beringelas, a mozzarella e o molho de tomate (o mesmo das beringelas) equilibra-se perfeitamente. As beringelas macias a funcionarem bem com a textura da mozzarella derretida e tudo ligado pelo (não me canso de dizer) fantástico molho de tomate.
Não me lembrava de comer massas tão boas há muito tempo, se é que alguma vez comi massas tão boas. Simplesmente soberbo. Com as entradas e este primeiro prato foi-nos servido um vinho branco Quinta da Lagoalva. Bastante suave e a uma temperatura correcta, acompanhou bastante bem as entradas e as massas.


O Primi Piatti ainda tínhamos considerado e pensado, mas nada nos tinha preparado (e aos nossos estômagos) para a chegada do Secondi Piatti, Vitello Alla Milanese, felizmente numa porção reduzida. Este foi o prato que menos impressionou em toda a refeição. Sim, os medalhões de vitela branca estão a marinar de um dia para o outro em cerca de 7 ervas diferentes, todas do terraço do chef. Sim, a carne é depois cozinhada a baixa temperatura por duas horas, recozida depois só para a avivar antes de ir a panar. Carne tenra e muito saborosa. Mas o próprio empratamento, e os grelos bringidos que são servidos como acompanhamento, fazem com que considere este prato consideravelmente mais pobre que os restantes. Não é que seja mau, mas perto dos restantes pratos este é apenas bom. Para este prato, foi-nos servido um Quinta da Lagoalva, mas tinto.


Já cheios e com vontade de rebolar pela rua abaixo, vieram duas sobremesas para que pudéssemos dividir entre os dois. Não foi fácil aguentar, mas assim que nos pousaram os pratos na mesa, não conseguimos resistir a comer cada bocadinho.
O Dolce Della Casa é bastante semelhante a uma panna cotta. E se avaliarmos isto enquanto panna cotta, é muito boa. Cremosa e com um bom sabor cítrico, especialmente dado pela casca de laranja com que é cozinhado. A acompanhar, uma quantidade apropriada de frutos silvestres mornos, e mais uma clara distinção de qualidade face aos restaurantes que normalmente nos servem os frutos ainda semi-congelados.


Como é lógico, num dos melhores italianos da cidade, não poderia faltar uma das sobremesas mais emblemáticas de Itália, o Tiramisu. Bom contraste entre o doce do mascarpone e o amargo do café que envolve os palitos la reine, notando-se ainda o cacau polvilhado por cima, sendo tudo bastante bem balanceado.


No final ainda estivemos um pouco à conversa com o chef Tanka, que nos continuou a convencer que o resultado de uma refeição deste nível tinham sido muitos anos de trabalho e amor pelo produto que apresentam, confeccionando de raiz tudo o que enviam para a mesa.
Soberbo! Fantástico!
Espero lá voltar muitas vezes, principalmente quando voltarem a fazer um dos seus jantares de abertura de Parmigiano Reggiano!

Come Prima
Alcântara, Portugal
Preço Médio: < 30 €