segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Stanislav (Cascais)

Festas do Mar em Cascais, com José Cid a actuar, num sábado de Agosto. Haverá sítio possível para jantar descansado no centro de Cascais? Há, e quase fico arreliado de revelar esta pérola escondida, mas é para isso que tenho este blog. Para poder dar a conhecer as experiências gastronómicas que vou tendo, por isso vou-me deixar de egoísmos e vou partilhar convosco este restaurante, que, num dia em que Cascais estava atolado de pessoas, estava ocupado apenas com uma mesa quando lá entrámos.
Não foi a primeira vez que lá fui, e se da primeira tinha ficado positivamente surpreendido, esta recente visita serviu para confirmar as altas expectativas com que tinha ficado. A entrada escondida ajuda a perceber o porquê de um restaurante tão bom estar tão vazio. Mas mal entramos somos congratulados com um sorriso grande e genuíno por parte de uma rapariga que fala um português esforçado, mas com uma clara vontade de nos dar a conhecer os melhores itens da ementa, de tal forma que mal tive tempo de olhar para o menu fazendo apenas o acompanhamento da explicação apresentada. No fim, acabámos por pedir 2 entradas e 4 pratos que fomos dividindo quase como petiscos.
Para começar, as mais que obrigatórias Beringelas "Stanislav", um dos pratos mais famosos deste restaurante. Rodelas de beringela ligeiramente cozinhadas, com uma rodela de tomate e maionese de ervas, cobertas por queijo Brinza (podem ver a dona do Stanislav a fazer este prato aqui). Não é à toa que este é, provavelmente, o prato mais pedido no Stanislav. As beringelas estão macias, combinando bem com o tomate e a maionese dando-lhe frescura e um ligeiro sabor a alho (provavelmente da maionese), sendo depois finalizado pelo toque salgado do Brinza, combinando tudo na perfeição sem que qualquer ingrediente ofuscasse outros.


Também os Blinis, uma espécie de panqueca recheada (sei que normalmente os blinis são associados ao caviar, havendo também essa opção no Stanislav) que vêm em 3 variedades, nomeadamente, cogumelos, carne e couve, são surpreendentemente bons. Boa massa, apesar de um pouco doce, com partes crocantes que ajudam o prato a ganhar textura, e com recheios bastante saborosos e numa boa proporção recheio/massa.


O primeiro prato principal a chegar são os Golubsi, uns rolos de couve lombarda recheados com arroz e carne picada. Mais uma vez, a proporção recheio/envolvimento a ser bastante correcta, não deixando que nenhum dos componentes se eclipse do prato, também devido ao bom ponto de tempero apresentado.


E para algo mais próximo do que estamos habituados não poderia faltar o Stroganoff. Carne macia e acompanhada de um molho saboroso, com o arroz branco a servir na perfeição para ajudar a carne a brilhar. Havendo várias receitas de Stroganoff pelo mundo fora (e tendo cada um de nós a sua própria receita caseira), esta é bastante saborosa e uma aposta segura para quem não se quer arriscar nos pratos desconhecidos da gastronomia russa.


O prato mais desinteressante de todos foi o Vareniqui, uns pequenos "raviolis" recheados com batata e cobertos com Smetana. Aqui a proporção de recheio poderia ser maior mas não é um grande problema. Ao comer o prato vamos-nos dando conta de que, apesar de ser bom, falta-lhe um pouco mais de tempero e de algum elemento que dê diferentes notas de sabor, parecendo um prato bastante uni-dimensional. Ainda tivemos o bónus surpresa de receber um Pelmeni, que é o mesmo tipo de almofada mas recheada com carne. Aqui já se nota mais a vaiedade de sabores que seria relevante ter em todo o prato, devido ao tempero dado à carne. Mais facilmente veria estes Vareniqui como um acompanhamento do que como um prato principal.


Outro prato que repeti da primeira para a segunda visita (a par das Beringelas e dos Golubsi) foi o Frango à Kiev, que é também um prato bastante seguro para quem tem medo de arriscar. Um peito de frango panado e recheado com manteiga e ervas aromáticas, que quando cortado escorre toda aquela manteiga líquida para o prato, fazendo-nos percorrer cada bocado cortado pelo prato tentando absorver cada bocadinho que foge pelo prato. Saboroso, bem cozinhado, com uma boa crosta exterior e bons acompanhamentos, com especial destaque para uns montinhos fritos de batata e cenoura. A maior parte dos pratos são finalizados com mirtilos, que transmite uma leve nota ácida ao prato, e Smetana, ajudando a dar cremosidade a cada garfada.


Já bem satisfeitos da vasta refeição apenas queríamos provar uma sobremesa para satisfazer o gosto ao dente e matar a curiosidade sobre as sobremesas russas. Mais uma vez decidimos ouvir a fantástica e simpática empregada, que prontamente nos sugeriu o Bolo Napoleão. E não desiludiu! Boa massa folhada e um recheio bastante saboroso, que me deixou triste por não ter pedido um bolo destes só para mim! A acabar a refeição numa nota bastante alta e num patamar bastante elevado.


Toda esta refeição foi acompanhada de cerveja russa (não me recordo do nome), que foi também uma das sugestões da empregada. Parece que fomos guiados ao longo de toda uma viagem gastronómica à Europa do Leste, com uma guia competente que não nos deixou sair do restaurante sem uma sensação de grande satisfação, e dando, no final da refeição, o mesmo sorriso honesto que nos ofereceu no início.
Para os que se assustam mais pelo nome dos pratos do que pelos ingredientes que os compõem, deixem-se levar pela ementa e não tenham medo de perguntar e arriscar, pois a ementa é construída por muitos sabores que nos são familiares.
Para quem não quer fazer a deslocação até Cascais, existe o Stanislav Avenida em Lisboa!

Zomato
Restaurante Stanislav
Cascais, Portugal
Preço Médio: < 30 €

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Hamburgueria T5 (Alcoitão)

Isto das modas tem muito que se lhe diga... Se por acaso ficamos com a possibilidade de comer um hambúrguer razoável em qualquer esquina na Grande Lisboa, também acabamos por nos fartar de ver hamburguerias por todo o lado. Felizmente, ainda não cheguei a este ponto. Continuo a não me importar de ir a um restaurante para comer um hambúrguer. Mas pela quantidade de oferta que existe, é normal que nos tornemos mais exigentes com o que comemos, e acabemos por ficar com menos vontade de andar a experimentar tantas casas.
Esta Hamburgueria T5 destaca-se à partida pela forma como o menu é apresentado. Escolhemos o tipo de carne pretendido (Angus maturada - bons artigos sobre carne maturada aqui, aqui e aqui -  ou Açoriana), o pão (Pão de Hambúrguer, Pão de Malte ou o também já utilizado por praticamente todos os estabelecimentos Bolo do Caco) e depois escolhemos 1 queijo e 2 ingredientes para completar a nossa combinação. Existem já algumas versões pré-definidas mas parece ser para este tipo de escolha que o menu nos puxa. Apesar de termos maior poder de escolha em relação ao que vamos pedir, pessoalmente prefiro quando só existem versões pré-definidas, acabando por demorar muito mais tempo a escolher neste formato.
Fizemos então o nosso pedido e começámos a olhar à volta, tentando aperceber-nos de como era o serviço e tentar fazer uma estimativa de quanto tempo iria demorar. As mesas à nossa volta estiveram bastante tempo de pratos vazios, tentando chamar a atenção de algum empregado que passasse, mas foi difícil tal acontecer. Aliás, todo o serviço durante a nossa refeição foi lento e desorganizado.
Mas, passado algum tempo, lá chegaram os hambúrgueres pedidos. Na variante Hambúrguer Açores, foi pedido o hambúrguer em Pão de Malte com Queijo da Ilha, Cogumelos Fritos e Ovo. Pão interessante e diferente, de bom sabor e tostado, mas com ambas as metades a serem um pouco altas demais. Carne com alguma qualidade mas quase sem tempero e apresentada média quando foi pedida mal-passada. Alguns erros, mas o pior estava nos ingredientes pedidos, ou antes, na falta dos mesmos. Nenhum deles merece destaque pela positiva, apresentando também problemas na falta de tempero, mas o problema era a escassez apresentada. Uma fatia de queijo mal derretida, sem grande sabor, onde nem a casca retiraram, criando um problema na inconsistência com que o queijo derrete, e apenas 3 ou 4 fatias de cogumelos laminados salteados.


Já o Hambúrguer de Angus Maturado foi pedido em Pão de Hambúrguer com Gorgonzola, Tomate Frito e Cebola Caramelizada e também apresentou erros em todos os três aspectos que referi anteriormente. Pão tostado mas desta vez com a parte de baixo a ser fina e, com os sucos libertados, a desfazer-se, não permitindo que comesse o hambúrguer todo à mão. Este é, para mim, um guilty pleasure. Um hambúrguer sabe-me melhor quando comido à mão! Manias...
Nos toppings, escolhidos de forma a tentarem dar ao conjunto toques de salgado (queijo), ácido, umami (tomate) e doce (cebola caramelizada), apenas o queijo se destacou pela positiva. O tomate não era bem frito, mas ensopado em gordura, revelando-se desinteressante, a acompanhar uma cebola também desinteressante e a sofrer do mesmo mal que a carne: falta de tempero! Também a temperatura, à semelhança do hambúrguer de carne açoriana, estava errada.


Safaram-se as batatas, provavelmente a única coisa que estava temperada no prato, apesar de se apresentarem pouco estaladiças, com uma boa maionese a acompanhar.
É complicado querer voltar a um sítio destes, que já ninguém espera que surpreenda, mas pelo menos que tenha uns padrões de qualidade acima da média se se quer destacar. Quando isso não acontece, numa cidade populada por hamburguerias, a T5 torna-se só mais uma. E ninguém quer ir comer "só mais um hambúrguer"! Se é para ir comer, que seja O hambúrguer. E esse onde andará?

Hamburgueria T5
Alcoitão, Portugal
Preço Médio: < 20 €

domingo, 7 de dezembro de 2014

Snack-Bar Poveiros - Francesinha (Porto)

Sábado passado fui à Comic Con Portugal, realizada na Exponor. Mais do que uma oportunidade para ir ver actores famosos ou autores e ilustradores de banda desenhada famosos, esta é uma experiência que pede para ser terminada comendo uma francesinha no Porto! Mas já lá vamos...
Uma rápida referência à qualidade da comida do evento, que vai de fraco a horrível. Tenho a ligeira impressão que numa ou outra banca vi hambúrgueres com pior aspecto do que aqueles que se vendem nas estações de serviço. Opção menos má, um Pans & Company ou um restaurante self-service, ambos com filas de cerca de 100 pessoas. Muito espaço mal aproveitado que poderia ser utilizado para criar um mini food court com mais e melhores opções do que as existentes na Exponor. Cada vez há melhor street food e até os festivais de Verão começam a procurar soluções com mais qualidade para os seus recintos, porque não adoptar o mesmo pensamento para um evento que recebeu milhares de pessoas (a perspectiva seria as 20 mil pessoas mas penso que terá superado) nos seus 3 dias?


Mas finda a experiência geek de ir a uma Comic Con, chegou o tempo de ir comer uma Francesinha antes de nos pormos a caminho de regresso a Lisboa. Da Exponor ao Bufete Fase é um instante, mas chegar lá e encontrar o Bufete Fase fechado a um sábado à noite? Que frustração!! Queria mesmo uma francesinha do Bufete! 
Próxima alternativa? Vamos até ao Café Santiago! Cheio e com pelo menos 30 pessoas fora do estabelecimento à espera e um tempo estimado de pelo menos 1 hora... Passei algum tempo do meu dia em filas, estava cheio de fome e a temperatura ambiente não ajuda. E agora? Não nos apetecia voltar a pegar no carro portanto teria que ser algo ali perto. Mas (ainda) não dá para "zomatizar" no Porto, e lá descobrimos uma pizzaria a 20 ou 30 metros no Foodspotting, apesar da vontade ainda bater pela Francesinha.
Felizmente existem sítios com aspecto de pastelaria que colocam fotos de francesinhas à porta para indicar que a servem, e mesmo antes da Pizzeria S. Martino, decidimos entrar na Confeitaria/Snack-Bar Poveiros e arriscar numa francesinha que acabou por se revelar bastante decente! Pão torrado demais a dar um ligeiro travo a fumo e queimado à francesinha, mas bom molho, com um picante bastante suave, apenas pecando pelo sabor ligeiramente mais predominante da cerveja, mas a não prejudicar em demasia o conjunto. Carne saborosa, boa salsicha, fiambre, queijo e um ovo estrelado encheram as medidas a um duo esfomeado. Batatas caseiras pouco fritas, a necessitar claramente de uma segunda fritura ou, pelo menos, mais tempo na fritadeira, mas servidas numa travessa bastante generosa.
Não foi um Bufete Fase, não foi desta que experimentei o Café Santiago, mas satisfez-me mais que muitas francesinhas na zona de Lisboa. Das experimentadas em Lisboa, apenas a da Casa das Francesinhas fica acima desta francesinha.

Snack-Bar Poveiros
Preço Médio: < 10 €

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Top Blogs Awards 2014

O Blog Top Imprensa está a organizar os Top Blogs Awards 2014, uma iniciativa que põe a votação vários blogs, e o Devaneios de um Foodie está nomeado para a categoria de Culinária/Gastronomia!

Arroz doce do Kook Chiado
Por isso venho apelar ao vosso voto, e à partilha desta votação pelos vossos amigos. Estão várias categorias a voto e podem descobrir votar nos vossos favoritos.

Preview do post que será lançado amanhã

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Don Castellana (Cais do Sodré)

O Don Castellana abriu em Agosto de 2014, em Lisboa, transportando um dos melhores restaurantes italianos de Luanda até à capital portuguesa, pelas mãos do chef Riccardo Paglia, quase à semelhança daquilo que já tinha acontecido com o Kook Chiado. E, graças a um convite Zomato, tive a oportunidade de ir experimentar o Menu Especial de Natal, que simboliza a extensão do menu que o restaurante apresentou na Restaurant Week, até ao final do ano 2014, mas apenas de 2ª a 5ª feira. Para vos dar um exemplo do quão compensador esta experiência pode ser, este menu à carta não custaria menos de 38€/pessoa sem bebidas, enquanto que neste caso podemos ter uma refeição completa por apenas 20€/pessoa! O difícil é escolher entre o menu de almoço ou de jantar, sendo ambos bastante apelativos.
Não é o típico italiano onde vamos comer pão de alho e pizza, tendo uma ementa bastante mais elaborada, ainda que com alguns clássicos italianos como carpaccio, risotto ou tiramisù. E assim que entramos no restaurante notamos que estamos num sítio diferente, com um ambiente um pouco intimidante, seja pelas cores escolhidas para a decoração, onde predominam as cores arroxeadas, ou pela própria farda dos empregados, a fazer lembrar roupa italiana da época Renascentista. Mas estes aspectos intimidantes vão-se dissipando ao longo da refeição, com um serviço bastante simpático e prestável, onde os empregados sabem adaptar o seu discurso aos clientes. Um aspecto engraçado no restaurante são os pequenos recantos mais íntimos, de mesa para dois, que têm um nível de privacidade bastante adequado.
Assim que nos sentamos, é colocado o Couvert na mesa, composto por um azeite italiano, sal com especiarias, sal fumado e manteiga de cabra e gengibre. Podemos ainda escolher entre três pães diferentes (sêmola, tomate e ricotta ou integral, se não me engano) mas acabei por pedir apenas o de tomate e ricotta, que se revelou surpreendente, levando-me a arrepender apenas ter pedido uma única unidade.


A refeição em si começa com um amuse bouche oferta do chef, constituído por uma Espetada de Tomate Cherry, Mozzarella e Pistáchio e um Copo de Gaspacho. Simples, fresco e a servir quase como um limpa palato para o início da refeição.


De seguida, outra oferta do chef, uma Quiche de Chanterelle, com molho dos mesmos. Massa folhada perfeitamente cozinhada, com um recheio bastante saboroso e de forte sabor a cogumelo, intensificado pelo respectivo molho. Delicioso!


Perto da perfeição estava o Carpaccio de Novilho com Salada de Cogumelos com Funcho, bem temperado e com um bom contraste entre os vários sabores. A delicadeza da carne combina perfeitamente com o habitual parmesão lascado, mas a adição dos cogumelos eleva este prato para um nível superior aos normais carpaccios. Tudo isto regado com um bom azeite e algo que parecia um molho de tomate caseiro semi-picante que criava novas camadas de sabor no palato.


A segunda entrada deste menu consiste num Mil Folhas de Bacalhau com a sua espuma. O que mais me impressionou neste prato foi o quanto os sabores presentes me faziam lembrar os de um pastel de bacalhau. Batata frita às rodelas, com uma pasta de bacalhau entre camadas, a ser uma verdadeira chamada à memória onde temos a textura contrastante da batata frita a ser comparável à da fritura do pastel de bacalhau e o perfil de sabor a retratar-se bastante idêntico. Um prato que brincou com as memórias e onde só a espuma não me pareceu acrescentar algo muito significativo, exceptuando alguma leveza e subtileza ao conjunto.


Para mim, o prato menos surpreendente da noite, não que isso implique que seja um mau prato mas não o considero do mesmo nível que os restantes, os Tortelloni de Crustáceos e Ricotta. Boa espessura na massa mas um recheio de crustáceos e ricotta bastante unidimensional no sabor, complementado com um molho de tomate simpático, mas que me deixou desejoso que fosse como o molho de tomate do Come Prima. Por cima dos tortelloni, pequenos pedaços de diferentes crustáceos, bem cozinhados mas a não ser algo surpreendente. Ainda assim, um bom prato.


Os pratos principais foram o foco menos espectacular da refeição, ainda que o Lombo de Pregado com Caponata de Beringela e Tomate Coração de Boi estivesse melhor que o prato de massa. O peixe panado tinha uma boa crosta, estava bastante húmido e recheado com tomate e manjericão, acabando por funcionar como uma infusão e transferindo bastante sabor para o peixe. A caponata era deliciosa e gulosa, estando repleta de umami. Os restantes acompanhamentos (courgette grelhada e umas tostas com um molho de tomate pouco interessante) pareciam estar algo deslocados no prato não se enquadrando muito bem com os outros componentes. Ainda assim, vale pelo pregado e pela caponata.


A primeira sobremesa foi uma referência muito pouco italiana, mas ainda assim estava fantástico o Petit Gâteau com Gelado de Baunilha. Uma boa crosta a revelar um interior cremoso e que deslizou pelo prato fora. Fantástico! Acompanhava um cremoso e caseiro gelado de baunilha, algo bastante típico nesta sobremesa.


Mas a surpresa da noite foi a Mousse de Iogurte e Lima com Carpaccio de Ananás e Amêndoas Caramelizadas, a fazer lembrar uma panna cotta de forte sabor cítrico e textura delicada. Óptimo balanço com a doçura do carpaccio de ananás a cortar bem a acidez da mousse. Para transferir alguma textura, umas gulosas amêndoas caramelizadas que pecavam apenas pela pouca quantidade.


No final, tivemos direito a mais uma oferenda da casa, com um shot de Limoncello e uma esferificação do mesmo licor com raspas de limão por cima. Por a bebida não se encontrar muito fresca, a notar-se demasiado o álcool no shot, algo que já não aconteceu na esferificação. Ainda assim, uma brincadeira engraçada e bem concretizada a finalizar em beleza uma refeição memorável.


A comida é, de forma geral, fantástica e saí do Don Castellana bastante feliz com a refeição. Apesar de ainda ter algumas reticências quanto aos preços praticados na carta, este menu, que se encontra disponível de 2ª a 5ª até ao final de Dezembro de 2014, é uma opção barata para a qualidade praticada. Para todos os que ficaram curiosos, é de aproveitar este menu, onde todos os itens disponíveis também se encontram na carta, ou então aguardar por uma próxima Restaurant Week.

Don Castellana
Lisboa, Portugal
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Preço Médio: 20€ (sem bebidas) pelo Menu Especial de Natal (disponível até 31 de Dezembro, de 2ª a 5ª) / À carta: < 50 €

sábado, 29 de novembro de 2014

SushiCafé Oeiras Parque (Oeiras)

O grupo SushiCafé não é uma referência desconhecida quando falamos sobre os melhores restaurantes de sushi na área de Lisboa, mas nunca tinha tido a oportunidade de visitar os seus dois espaços existentes (não estou a contabilizar os seus Sushi Corners), um perto da Avenida da Liberdade e outro no Centro Comercial das Amoreiras.
Mas "se Maomé não vai à montanha, vem a montanha a Maomé" e, para minha felicidade e sorte, abriu um SushiCafé perto da minha zona de residência, no Centro Comercial Oeiras Parque. E esta oportunidade não se podia deixar passar, mais por sugestão da minha cara-metade (e igual glutona quando a sushi se refere) do que por minha sugestão, decidimos investigar este espaço num almoço durante a semana. 
Para restaurante de centro comercial até está bastante apelativo, com um open space contendo uma ilha com balcão, onde podemos apreciar a nossa comida e a dos outros enquanto esta é preparada, e uma zona de mesas mais reservada. O único problema são os bancos comuns a ambas as zonas que não se revelam muito confortáveis.
Sentámo-nos ao balcão, junto à "montra" de peixe, e rapidamente ficámos surpreendidos com a variedade demonstrada, chegando a um total de 6 tipos de peixe (Atum, Salmão, Peixe-Manteiga, Robalo, Carapau e Encharéu), 1 molusco (Polvo) e 1 bivalve (Vieira). Na ementa, várias propostas interessantes, não só de sushi, onde há peças de fusão e peças mais tradicionais, mas também nos pratos quentes, deixando uma grande curiosidade de voltar a este estabelecimento para experimentar esta secção do menu.
Mas esta refeição era para comer sushi e foi isso mesmo que pedimos, começando por uns gunkans de fusão. O Tartar Gunkan revela-se menos surpreendente e a Batata Doce Crocante acrescenta bastante textura mas pouco sabor a uma peça já de si completa. Mesmo sem que este componente se destacasse muito, revelou-se uma peça de frescura exemplar mas de tamanho exagerado, pois só com alguma dificuldade consegui comer a peça de uma só vez.


Mas para verdadeira fusão, o pedido obrigatório é este Gunkan Suzuki, com Robalo, Pancetta e Cebola Frita. Uma verdadeira maravilha, com a gordura da pancetta a encher-nos a boca de sabor e a contrabalançar bem com a doçura da cebola. O peixe, escondido atrás da fatia de pancetta, acaba por brilhar ainda mais enquanto a gordura da pancetta parece fazer sobressair o sabor delicado do robalo. Um delicioso Surf & Turf em forma de sushi.


Tentando experimentar uma maior variedade de peixe, pedimos o combinado Sushi to Sashimi. Infelizmente, este combinado parece que está preparado para apenas 1 pessoa, pois os nigiris são todos de diferentes variedades de peixe, não permitindo que duas pessoas partilhem este combinado e tenham a mesma experiência. Exceptuando isso, fantástico peixe e óptimo arroz. Eclipsou totalmente um tradicional maki de pepino e meteu no bolso um uramaki de salmão, manga e pepino que nada de novo trouxe à mesa, apenas confirmando a qualidade do peixe e do arroz. Mas o melhor neste prato foi o sashimi, de corte um pouco mais grosso do que o habitual, acabando este factor por destacar ainda mais a textura do peixe, que se desfazia na boca.


E como o sashimi foi aquilo que mais nos satisfez, nada melhor que acabar a refeição com um combinado só de sashimi! O combinado Kisetsu trouxe atum, encharéu, salmão, vieira, robalo, polvo e ainda wakame com ikura (ovas de salmão). Exceptuando o polvo, de textura borrachosa e difícil de mastigar, tudo o resto é irrepreensível. As vieiras foram uma boa surpresa pela cremosidade da sua natureza crua e este açoriano encharéu encheu-me as medidas.


Não é um restaurante barato, mas ainda assim acabei a refeição meio deslumbrado pela qualidade do que tinha comido, tanto na facção fusão como na tradicional. O uso da pancetta foi algo inovador para mim e fez-me feliz (porque o bacon torna tudo melhor, não é?) mas a estrela da refeição foi o sashimi experimentado.
Um restaurante capaz de satisfazer todos, dos amantes de sushi de fusão, passando pelos tradicionalistas, aos que nem sushi comem.

SushiCafé Oeiras Parque
Oeiras, Portugal
Preço Médio: < 40 €

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

The Meating (Chiado)

Este texto foi escrito há algum tempo e, na altura, o restaurante The Meating ainda se encontrava aberto. Decidi publicá-lo na mesma pois este é um conceito de restaurante americano que quase não existe em Lisboa, excepção feita ao Joe's Shack, no Mercado de Campo de Ourique. O Harlem não aprofunda tanto, aproximando o seu menu mais da Soul Food, e os diners americanos acabam por estar mais focados nos hambúrgueres do que no conceito de "American Barbecue".
Acho que é um mercado que tem muito por explorar em Portugal. Afinal de contas, quantos de nós não salivámos já a ver imagens como esta?

Franklin Barbecue - Link Original
Lisboa tem algumas opções (algumas de qualidade, outras não) de "diner" americano, mas faltava-lhe algo que conseguisse replicar e identificar-se pelo Barbecue à Americana. O The Meating é a resposta a quem se salivava a ver as imagens do Franklin Barbecue e sonhava com uma casa parecida em Lisboa. Eu disse parecida, e é só isso que o The Meating é. É um projecto de restaurante, que me parece ter bastante potencial, mas ainda não é aquilo que penso ser o verdadeiro barbecue, como vemos em tantos filmes, séries e afins.
A primeira vez que olhei para a carta do The Meating, comecei imediatamente a salivar, imaginando e revendo mentalmente as imagens que tantas vezes vi, com carne ultra temperada, fumada durante horas e a desfazer-se ao toque. Por querermos experimentar mais do que uma das especialidades, pedimos um Dá Para Dois, Três ou Quatro.
Dizer que dá para dois eu aceito, três ou quatro é exagerado, a não ser que essas pessoas peçam mais pratos para partilhar. Mas, felizmente, éramos só dois, num almoço tardio, em que fomos bem recebidos ainda que já não fossem horas normais de almoço e achámos que ficaríamos bem com uma "tábua XL".
Esta tábua consiste nuns bons Aros de Cebola, bastante consistentes a nível de fritura e umas Batatas Fritas médias e com ar pouco caseiro, mas que deram para satisfazer a fome.


Mas a verdadeira curiosidade era a qualidade das Asas de Frango BBQ e do Entrecosto BBQ. E, se em relação à forma como a carne era cozinhada, não saí desiludido pois a carne era realmente muito macia e a libertar-se facilmente dos ossos, no que respeita ao sabor penso que coloquei as minhas expectativas demasiado altas.
A carne é boa e apresenta uma boa caramelização, principalmente no entrecosto, mas ultrapassada a crosta criada pelo molho, o resto da carne apresenta um sabor muito uniforme, acabando por ser bom mas não fantástico.
Já as asas de frango, são suculentas mas têm pouco de estaladiço e crocante, que é o que está descrito no menu.


Para terminar a refeição com um pequeno doce, experimentámos a Mousse de Lima, que de mousse pouco tinha. Nada cremosa, de consistência bastante sólida e a deixar-nos desiludidos com a sobremesa pedida.


Acabo por culpar mais a pessoa que escreveu a ementa e a descrição dos pratos, que promete mais do que cumpre, reflectindo-se no restaurante pelas expectativas criadas. Tem potencial e merece que esse potencial seja explorado com um aperfeiçoamento dos pratos.

The Meating
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 20 €