quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Pizzaria Luzzo (Av. da Liberdade)

Hoje decido começar pelas conclusões e deixem-me que vos diga que esta é uma das melhores pizzarias de Lisboa. É provável que o nome não vos seja desconhecido, pois uma das características que a marca e que mais deu que falar nesta pizzaria é podermos efectuar o nosso pedido através de um tablet, algo inovador na capital portuguesa, mas sendo também possível dispensar o tablet e fazer o pedido à maneira antiga. Claro que este factor traz aspectos positivos e negativos, permitindo-nos ver algumas (boas) imagens da ementa mas tornando toda a interacção com o staff altamente impessoal, ainda que o serviço fosse rápido e eficaz.


Com um convite Zomato, ganho num passatempo da página À La Carte, surgiu a oportunidade de visitar esta pizzaria, que tem tido um crescente enorme de popularidade e adeptos nos últimos meses. Tudo o que tinha lido sobre o restaurante fez com que a minha expectativa aumentasse e entrei com a esperança de lá sair ainda mais entusiasmado. Confirma-se a maior parte das coisas que lemos por esta internet fora, e a Pizzaria Luzzo entra directamente para o meu top 3 de pizzarias favoritas em Lisboa.
Visto ser a nossa primeira visita ao estabelecimento, foi-nos fornecido uma breve explicação da aplicação usada para fazer o pedido, revelando-se uma aplicação bem desenhada e estruturada, com poucas falhas heurísticas notadas, e relativamente user-friendly.


Sem grandes falhas e num curto espaço de tempo, começaram a chegar à mesa as entradas pedidas. O Couvert traz uma focaccia leve e fofa, que podemos molhar numa taça com azeite e vinagre balsâmico ou num pesto caseiro, que tem um perfil de sabor que mais se assemelha a uma maionese de alho, não conseguindo diferenciar que erva terá sido usada para este pesto.


Os Peixinhos da Horta Italianos, ou espargos envoltos em presunto numa tempura de parmesão, estavam com um excesso de gordura reprovável, não se tornando tão estaladiços como deveriam mas apresentando uma combinação engraçada e que não me importaria de repetir. Muito boa a maionese de lima que acompanha, que usa a sua acidez para equilibrar o sabor dos peixinhos.


Mas se quiserem despertar o vosso palato então peçam um memorável Creme de Cogumelos. Apesar da consistência algo granulada, estava perfeito a nível de sabor e teria sido capaz de fazer uma refeição só com este prato, sem me cansar dele. Para ajudar à festa, uns cogumelos frescos salteados e bacon finamente cortado e ligeiramente salteado para juntarmos a uma generosa dose de sopa, fazendo deste conjunto algo clássico mas que me enche totalmente as medidas.


E as pizzas como são? São tudo aquilo que uma fantástica pizza deve ser. Massa saborosa, fina, cozinhada (quase) na perfeição e com uma boa quantidade de topping. Um dos lados da pizza estava com o rebordo exterior da massa quase queimada, e isto aconteceu em ambas as pizzas, levando-me a crer que é apenas uma questão de temperatura não uniforme pelo forno. 

Pizza Django & Pizza Luzzo - Divididas em dois
A Pizza Luzzo, com cogumelos Portobello salteados, tiras de bacon crocante e ananás caramelizado, estava bastante bem equilibrada, os ingredientes eram muito bons e funcionavam bem juntos, cada um ajudando a despertar um aspecto diferente do nosso palato.


Também a Pizza Django era bastante boa, ainda que mais simples na sua combinação, com apenas dois ingredientes: cebola caramelizada e presunto fatiado. Muito bom a forma como o doce da cebola se junta ao salgado do presunto e parece criar um terceiro sabor, mais intenso, mais apetitoso ainda.


A única coisa da qual não fiquei minimamente fã foi a sobremesa, com um Cheesecake à moda do chef, em taça, que apesar de parecer uma ideia interessante com o pormenor das nozes para dar textura e do chocolate no meio da taça a surpreender, a verdade é que o componente em maior quantidade na taça era também o mais fraco. Nenhum sabor a queijo, parecendo apenas um doce de nata. 


Um restaurante com uma qualidade acima da média, e a notar pela enchente que testemunhei, um daqueles de reserva obrigatória. Claro que estas enchentes trazem como negativo a quantidade de ruído, que chega a tornar-se irritante caso encontremos uma mesa de pessoas que gostam de se rir com um nível de decibéis comparável ao produzido por algumas bandas de Heavy Metal ou fãs do Tony Carreira.

Pizzaria Luzzo
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 20 €

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Prémios Lisboa à Prova 2014


Ontem foram entregues os prémios referentes ao concurso gastronómico Lisboa à Prova 2014, uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, numa cerimónia que atribuiu condecorações por 115 diferentes restaurantes. Infelizmente, foram muito poucos os restaurantes premiados que já visitei mas, para os que já tive a oportunidade de visitar, deixarei o link à frente do seu nome.
Eis a lista completa de premiados:

1 Garfo (73 restaurantes):
151 One Five One
2 à Esquina, Iguarias e Petiscos
5 Oceanos
A Casa do Bacalhau
A Travessa do Fado
Adega da Tia Matilde
Alto do Século
Areeiro 3, Vinhos e Petiscos
Bastardo
Belém 2 a 8
Brasileiríssimo Avenida (que entretanto mudou de nome para Rio Luanda)
Brasserie de l’Entrecôte – Chiado
Brasserie de l’Entrecôte – Parque das Nações
Café Lisboa
Cantina da Estrela
Cervejaria da Esquina
Champanheria do Largo
Chão de Pedra
Delícias de Goa
Do Carmo ao Chiado
Duetos da Sé
Equador Bar Bistro
Este Oeste
Everest Montanha – Avenida do Brasil
Faz Gostos
Grelhados de Alcântara
Grill D. Fernando
In Bocca al Lupo
La Paparrucha
Le Jardin
Lisboa na Rota das Sedas
Lisboète
Lost In Esplanada Bar
Luzzo de Santa Marta - Das melhores pizzas na capital! Link
Madragoa Café
Meson Andaluz Lisboa
Moules & Beer
My Story Restaurante Ouro
O Mercado
O Polícia
Oficina do Duque
Oito Dezoito
Open Brasserie Mediterrânica
Os Tibetanos
People & Food
Picanha
Pimenta Rosa
Pistola Y Corazon
Pizzaria Lisboa
Portugália Cervejaria – Belém
Qosqo
Restaurante Bordalo Pinheiro
Restaurante D’Bacalhau
Restaurante Trivial
Santa Clara dos Cogumelos
Sem Dúvida
Senhor Peixe
Sessenta
Solar dos Leitões
Solar dos Nunes
Stanislav Avenida - Apesar de não ter visitado o Stanislav lisboeta, visitei o de Cascais! Link
Sul
Sushi Café Amoreiras - Apesar de não ter experimentado o restaurantes das Amoreiras, assim que abriu um SushiCafé mais próximo de casa não resisti a ir experimentar! Link
Tapa Bucho
Tapadinha – Cozinha Russa - Fui ao Tapadinha ainda antes do Devaneios, mas é um restaurante muito bom com um dos melhores bifes tártaros da cidade!
Tasca Urso
Tentações de Goa
Tertúlia do Paço
The Decadente
Tico Tico e Novo Rio
Uai!
Varanda de Lisboa
Viva Lisboa

2 Garfos (35 restaurantes):
1300 Taberna - Visitei o 1300 Taberna antes da existência do Devaneios, num menu de Dia dos Namorados e tudo correu espectacularmente. Fica o desejo de voltar para uma experiência à carta.
Assinatura
Aura Lounge Café
Avenue
Cafetaria Mensagem
Cantinho do Avillez
Chefe Cordeiro
Enoteca de Belém
Estado Líquido Fusion Sushi
Estórias na Casa da Comida
Faz Figura - Estive neste restaurante no âmbito de um Zomato Foodie MeetUp! Link
Flor-de-Lis
Flores do Bairro
Grei
Horta dos Brunos
Jockey
Kampai
Leopold
Lisboa à Noite
Mini Bar Teatro
O Guarda-Mor
O Poleiro
O Talho - Um dos muitos restaurantes premiados que tenho na minha wishlist! Já lá fui ao serviço de talho mas a oportunidade para lá ir jantar ainda não surgiu! Link
Panorama
Páteo Velho – Ordem dos Médicos
Restaurante Aviz
Restaurante Lapa
Rossio Bar Terraço
Sacramento do Chiado
Sushi Café Avenida
Tasca da Esquina - Um verdadeiro clássico na cidade de Lisboa! Link
U Chiado
Via Graça - O primeiro Zomato Foodie MeetUp realizou-se no Via Graça e o Devaneios esteve presente! Link
Xapuri Bistro
Zambeze

3 Garfos (7 restaurantes):
A Travessa
Belcanto
Eleven
Feitoria
O Nobre – Spazio Buondi - Aos domingos tem um buffet de Cozido à Portuguesa que é simplesmente delicioso! Boa comida portuguesa aliada a um bom serviço!
Salsa & Coentros
Varanda

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Doca Peixe (Alcântara)

Um dos sítios favoritos da minha família para almoços comemorativos é o Doca Peixe. Sinceramente, não percebo o fascínio pelo restaurante. Sim, tem um espaço bonito e peixe fresquíssimo, mas os pratos não são assim tão bons, revelando muitas vezes problemas ao nível de tempero e alguns pormenores ao nível da confecção. Não quero com isto dizer que todos os pratos têm problemas...
As Amêijoas à Bulhão Pato são uma aposta segura e saborosa para entrada. Os bivalves de bom tamanho, com muito e bom molho, de forte sabor a limão e alho, como aprecio. É um prato obrigatório quando lá vamos e devoramos até não sobrar uma pinga de molho e um pedaço de pão em cima da mesa.


Na última visita, o prato principal por mim escolhido foi o Bife de Espadarte Grelhado. De sabores simples e honestos, com o espadarte um pouco mais cozinhado que o desejável mas notando-se a frescura do peixe. Acompanhamentos mais desinteressantes mas ainda assim adequados para o prato servido.


Um dos pratos mais regulares ao nível da qualidade são os Filetes, sejam estes de Peixe-Galo ou Garoupa, bem acompanhados por um arroz, podendo este variar entre arroz de amêijoas ou tomate. Neste campo, a minha preferência recai facilmente sobre os Filetes de Peixe-Galo, sendo eu um grande apreciador deste peixe. Ainda assim, os Filetes de Garoupa são igualmente bons.

Filetes de Peixe-Galo com Arroz de Amêijoas
Filetes de Garoupa com Arroz de Tomate
No campo das sobremesas, prefiro destacar duas. O Cheesecake de Frutos do Bosque com uma base achocolatada mas de boa consistência, bom creme mas sem ser fantástico e uma compota de frutos silvestres com bom balanço entre doçura e acidez a concretizar uma sobremesa de qualidade bastante aceitável. Algumas notas acima está o Pão de Ló de Ovar, com toda a textura correcta, pleno de sabor e com o seu recheio líquido, mas não em demasia, pecando apenas por parecer uma dose de tamanho inferior às restantes sobremesas.

Cheesecake de Frutos do Bosque
Pão de Ló de Ovar
Referi aqui aqueles que considero alguns pratos sólidos deste restaurante, para que possam tentar ter uma referência para quando estiverem a escolher o item na ementa, mas existem alguns outros menos bem conseguidos como as Lulas Grelhadas ou o Bacalhau à Brás.
Restaurante simpático, com bom serviço e boa localização, mas não deixo de o achar um pouco sobrestimado.

Doca Peixe
Alcântara, Portugal
Preço Médio: < 30 €

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Confraria LX (Cais do Sodré)

Nasceu em Lisboa, no LX Boutique Hotel, o irmão mais novo daquele que dizem ser um dos melhor restaurantes de sushi de Cascais, a Confraria, aqui denominado Confraria LX. Mas a fama deste espaço é tal que, para além deste espaço na Rua do Alecrim, também têm uma banca no renovado Mercado da Ribeira. Por isso, toda e qualquer expectativa em torno de uma visita a qualquer um dos seus espaços era alta.
Espaço simpático, com um estilo entre o despreocupado e o chique e um serviço descontraído mas cuidado. Até aqui tudo dentro das expectativas que tinha quanto ao restaurante.
Começámos com umas Gyozas saborosas, com um bom recheio e boa proporção no dumpling entre a massa e o recheio. Uma entrada clássica na maior parte dos restaurantes de sushi e aqui também a não comprometer.


Éramos 3 pessoas e decidimos pedir um combinado de 49 peças, complementado com um pedido à parte de 3 outras peças. O Uramaki Camembert, algo que tinha todo o poder para surpreender, acabou por falhar redondamente. A proporção de camembert era quase inexistente, acabando todo o rolo por saber apenas ao salmão fumado. Poderia ter sido interessante mas não o foi.


Um prato do qual já tinha ouvido falar bastante e do qual tinha alguma curiosidade era o Ceviche Jô, um gunkan de salmão com peixe branco picado e marinado por cima (à semelhança da preparação de um ceviche). Bom peixe mas aqui apresentado com um excesso de cebola no preparado de ceviche, falhando no balanço com uma escassez de acidez nas peças, pedindo até que fosse usado um bocadinho de malagueta para dar mais vida ao gunkan.


Também os Nigiri Skin tinham alguns problemas na sua execução, pois estamos normalmente habituados a que nos apresentem a pele do salmão quente e estaladiça, algo que não aconteceu nestas peças. Pele fria e mole, não aproveitando o contraste de texturas que normalmente existe quando se usa este ingrediente. Bom uso da lima a contrabalançar com a gordura característica da pele e com o molho tare.


Muito melhor e mais consistente o combinado de 49 peças, Garyo. Bom sashimi, nigiris simples mas bem executados, tal como os hosomakis presentes. O uramaki era também de boa execução mas não surpreendente, tal como os gunkan de ovas, ao contrário do gunkan Spice Tuna, com atum picado por cima e um toque de picante bastante interessante.


Em todas as peças havia dois pormenores consistentes. Bom arroz e as peças tecnicamente bem executadas, mantendo a integridade quando se agarrava nelas. Mas não chegou bem ao patamar das expectativas que tinha criado para este restaurante.

Confraria LX
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 40 €

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Restaurante Mensa (Oeiras)

Este é um espaço bastante agradável, no centro de Oeiras, que tenta praticar cozinha do Mundo, com especial destaque para a zona asiática. Não sendo a primeira visita que faço ao estabelecimento, vou começar por falar nos aspectos extra-comida e que são, normalmente, a maior falha deste restaurante.
O serviço é bastante simpático (sem ser forçado) mas parece-me desorganizado, acabando por demorar muito tempo em  todos os pedidos que se façam, seja desde um pedido de um Gin pré-refeição ou o café no fim da mesma.


Mas a comida é realmente acima da média e bastante saborosa, e é isso que me faz voltar lá e facilmente recomendá-lo.
Um dos pratos que mais gosto, apesar de reconhecer a inconsistência na qualidade da sua confecção, é o Bife em Massa Folhada. Se a massa folhada vos leva a pensar em Bife Wellington a la Gordon Ramsay, a verdade é que poucos aspectos há em comum! Sim, é tenro como a carne do Wellington, e sim, leva massa folhada à sua volta. Mas todas as similaridades acabam aí! Este é cozinhado com um revestimento de manteiga que torna cada dentada super saborosa. Mas nem tudo é perfeito... a massa vem sempre mal cozinhada. Umas vezes mais, outras menos, mas a verdade é que nunca apanhei a massa totalmente cozinhada. Para acompanhar, podem pedir qualquer Arroz que a casa tenha, mas não se enganem e peçam o Birmanês! Vai ser dos melhores, e mais gulosos, arrozes que irão comer!


Já o Teppanyaki de Carne e Camarão foi uma boa estreia. Muito saboroso, e não revelando a tendência de exagero de molho de soja que muitos pratos têm, com as proteínas existentes perfeitamente cozinhadas, mas deixando os legumes no prato brilhar. Eu sei que isto parece estranho vindo de um carnívoro como eu, mas a forma como aqueles legumes estavam cozinhados, ainda com alguma textura, e com alguns pedaços de gengibre para ajudar a revitalizar o palato, é a forma perfeita como todos os legumes devem ser cozinhados! O arroz branco ajudava o prato a ganhar algum tamanho no entanto sem se revelar seco e sendo ainda capaz de absorver alguns sucos do teppanyaki!


Uma refeição consistente com o que o restaurante é capaz, sempre com pratos bastante saborosos e onde não se poupa nos temperos! 
Restaurante Mensa
Oeiras, Portugal
Preço Médio: < 30 €

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Casa das Francesinhas - Francesinha à Casa (Take 2) (Abóboda)

Mais uma visita à Casa das Francesinhas e continuo a ficar convencido que esta francesinha está no top 3 da cidade Lisboeta, isto se não chegar mesmo ao 1º lugar! Ainda não experimentei nenhuma com a mesma qualidade na zona de Lisboa.
Porque não falar de entradas ou de sobremesas neste restaurante? Porque cada vez que vou à Casa das Francesinhas sei que saio de lá a rebolar, e por isso mesmo, nunca me arrisquei nas entradas (vá... pão com manteiga não conta) e nunca tenho espaço para a sobremesa!
Com uma dimensão imponente e bem mergulhada no molho da casa, há vários pontos que, para mim, a fazem destacar-se. Primeiro, e sendo que é, muitas vezes, considerado como o ponto fulcral para diferenciar uma boa francesinha de uma excelente, o molho! Cremoso, de boa cor e com bastante sabor, bem balanceado entre a sopa de marisco e o tomate!
Também de destaque o casaco de queijo derretido que esta francesinha leva vestido. Gosto de ver as francesinhas bem vestidas e nada como um queijo, em abundância, bem derretido para as proteger do frio. Mas aqui toda a indumentária é acima da média e também em quantidades equilibradas! Desde a primeira fatia do pão ligeiramente torrado, todos os ingredientes estão bem montados, proporcionando dentadas cheias de sabor. 


Ainda me faltam provar muitas francesinhas pela cidade fora, mas começo a duvidar que seja fácil encontrar um concorrente para esta!

Zomato
Casa das Francesinhas
Abóboda, Portugal
Facebook
Preço Médio: < 20 €

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Pigmeu (Campo de Ourique)

Mal ouvi falar na abertura de um restaurante unicamente dedicado a comer porco fiquei em pulgas. Sou um fã confesso deste tipo de carne e a ideia de um restaurante com um conceito "Nose to Tail" (um conceito popularizado pelo chef Fergus Henderson) é inovador em Lisboa. Bem, neste caso é mais "Ears to Toes", pois não existe nenhum prato com o nariz ou a cauda do bicho. Sim, isto era uma dica para que possam incluir na ementa algo como "Crispy Pig Tails"!
Foto retirada daqui
O restaurante tem a típica decoração de madeira que é usada em qualquer restaurante que queira ter um ar moderno e descontraído, mas o que me trouxe aqui não foi a decoração, mas sim a ementa. E essa tem um aspecto fantástico. Fácil de perceber e com o conceito bem retratado, onde até a opção vegetariana se encaixa no conceito (Sandes Vegetariana de Bolota). Apeteceu-me pedir tudo, mas éramos só 2 e isso poderia ter sido um problema, de maneira que escolhemos apenas os pratos que achámos serem da nossa preferência.
Começámos pelos (já famosos) Croquetes de Bochecha Estufada. Boa fritura e com um interior muito saboroso. Fantástico este novo uso para a bochecha, uma parte do porco que aprecio bastante. Estava apenas um pouco salgado mas ainda assim repetiria vezes e vezes sem conta.


Já o Prato de Presunto Português Reserva não convenceu pela qualidade do produto. A um preço bastante mais simpático que qualquer prato de presunto em qualquer outro restaurante, preferia que o presunto fosse de maior qualidade e que o preço acompanhasse esse ajuste. Pareceu-me um presunto light.


Também a qualidade dos enchidos não satisfez totalmente na Tábua de Enchidos. Existem melhores chouriços, alheiras e morcelas no país, e acho que um restaurante que quer fazer do porco a sua imagem de marca deve usar apenas os melhores produtos que este animal consiga produzir. Não me entendam mal. Os enchidos eram bons, apenas não eram fantásticos. Um pormenor que parece falhar também na tábua é a quantidade dos enchidos. Sendo a maior parte destes acepipes para dividir, não encontro justificação para apenas uma rodela de morcela.


Não sendo fácil a escolha dos pratos principais, optámos por uma Sandes de Pernil, com queijo meia cura, a fazer lembrar a ideia por trás das famosas Sandes de Pernil com Queijo, da Casa Guedes. Boa conjugação de sabores, com um bom balanceamento entre os dois componentes, tudo bem suportado por um fantástico pão. Gostaria apenas que a carne tivesse mais sabor, pois quando provada sozinha parece ser bastante unidimensional. Acho que uma abordagem mais arriscada, com um maior uso de especiarias nas 8 horas que o pernil cozinha, poderia compensar.


Já a Sandes de Barriga, com cebola caramelizada, desapontou um pouco pelos fracos sabores apresentados. Se há algo que a barriga (ou entremeada) precisa é de uma dose de sal qb que ajude a fazer sobressair os sabores deste corte tão subvalorizado. A ideia da sandes está lá, mas precisa de maior aprumo nos temperos usados, acabando por passar como uma sandes insossa. 


Tudo isto foi acompanhado por umas das melhores chips de Batata Doce Frita que experimentei nos últimos anos. Fininhas e estaladiças, estas batatas apresentam um nível de doçura que falta a muitos exemplares que encontramos neste restaurantes "modernos".


A sobremesa deixou-nos um ligeiro amargo de boca. O Crumble de Maçã estava excessivamente doce e com as maçãs apenas semi-cozidas. Não nos convenceu enquanto sobremesa, deixando-me arrependido por não ter experimentado a Mousse de Lima ou o Caldo Verde. Sim, nesta casa o Caldo Verde está na secção das sobremesas, pois é uma forma tão boa como qualquer outra (ou melhor até) de acabar uma refeição. E não, não é uma reinterpretação doce da sopa. 


Saí um pouco desiludido do Pigmeu, não porque tivesse comido mal mas porque reconheço o potencial para ser muito melhor. Adoro o conceito e a forma como foi trabalhado, mas têm que afinar alguns pontos essenciais na confecção dos pratos e nos produtos usados. Precisam também de ser mais arrojados com a forma como cozinham o porco. Atingindo o potencial que demonstram, podem facilmente tornar-se uma nova moda.

Pigmeu
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 20 €