quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tamagoshi Food Fusion (Parede)

A definição que temos de "sushi de fusão" vai mudando consoante os restaurantes que vamos conhecendo. Se ao início ficamos fascinados pelo uso de morangos, manga e queijo creme, esta noção rapidamente se torna aborrecida. Começamos aí a definir as nossas preferências, acabando por pender para um lado mais tradicionalista, onde impera a simplicidade das peças mas somos mais implacáveis com a sua execução, ou para para um lado mais "ocidentalizado" onde nos interessam as peças de fusão e o seu grau de originalidade.
Confesso não ter uma preferência bem definida (como acredito que muitos não tenham), mas não fiquei indiferente às boas críticas que foram surgindo sobre um japonês, com nome de brinquedo virtual dos anos 90, onde a fusão era realmente bem concretizada e inovadora.
Quem por lá passa, mesmo que repare no toldo com o nome, duvido que se aperceba da qualidade que se esconde por trás de um nome que afugenta mais do que atrai. Cheguei a falar neste restaurante a outros apreciadores de sushi, mas surgiu sempre um ar céptico seguido de um franzir de sobrolho como resposta ao nome. Mas nada como entrar e experimentar.
Um rápido olhar pela ementa faz-nos aperceber de que existem algumas peças com ingredientes inovadores, como ovo de codorniz ou couve. Sendo a primeira visita ao Tamagoshi, o desejo era experimenta uma maior variedade de peças de criação do sushiman (ou itamae) e acabámos por pedir o combinado de 50 peças especiais, Omakasse Itamae San. (Omakasse é a maneira japonesa de dizer que deixamos a escolha dos pratos ao critério do chef)


14 variedades diferentes (7 uramakis, 3 gunkans e 4 sashimis) todos de execução exemplar. É difícil falar sobre todas as peças, pois nem sempre consegui identificar todos os elementos que as compunham. Algumas nem parecem existir na carta do restaurante, tornando esta identificação mais complicada. Mas falarei brevemente sobre algumas das peças mais marcantes.
4 variedades diferentes de sashimi, estando o sempre presente salmão acompanhado por charuteiro e por duas variedade de atum, akami e chūtoro (uma zona do atum mais próxima da barriga). Tudo fantástico na frescura e qualidade do corte, com particular destaque para o chūtoro que se desfazia na boca.

Foto retirada daqui
Gunkans também eles excepcionais. Uma das variedades apresentando-se com um molho de ervas no topo que primava por não ofuscar a qualidade do peixe, mas dando-lhe uma sensação mais próximo a "casa". Mas verdadeiramente surpreendente era o gunkan com pepino à volta e o que parecia ser uma pasta de ovas em cima, que me levou para recordações de saladas de ovas devido à complexidade de sabores que me assolava o palato. 

Foto retirada daqui
Nos uramakis, apesar de haver algumas peças muito boas mas menos surpreendentes, outras se destacaram pela originalidade e qualidade com que estavam executadas. Apesar de não ser um fã do uso de componentes muito doces no sushi, pois acaba por tornar toda a peça um conjunto enjoativo, a combinação de goiabada, queijo filadélfia, sésamo e cebola frita estava balanceada na perfeição, com a cebola a ajudar a cortar a doçura dos restantes componentes.
Muito bom o uso da massa descrita na ementa como folha de Harukami (basicamente, a massa usada para o que conhecemos como "crepes chineses"), com a textura crocante da massa a destacar-se, sendo bem acompanhada de salmão, maionese e cebolinho. Apenas desejaria que tivesse sido usada a pele do salmão grelhada para rechear o maki, pois é uma componente mais rica e isso poderia tornar a peça ainda melhor.
E, deixando o melhor para o fim, o uramaki Hakusai (uma variedade de couve japonesa)! Usar a folha da couve para substituir a alga é original e utilizar como topping flocos de milho tostados (Fritos) não só adiciona profundidade de sabor e textura como nos invoca memórias de sabores bem nossos conhecidos.

Para mim, foi uma refeição que exemplificou (quase) na perfeição o que de melhor a comida de fusão pode ter. A conjunção de ingredientes e técnicas de cozinhas diferentes, que acabam por se juntar em combinações improváveis (desculpe o roubo de expressão chef Avillez!), que nos deixam aquela sensação com que ficamos depois de uma refeição que fez transbordar as nossas medidas e superar expectativas.

Tamagoshi Food Fusion
Parede, Portugal
Preço Médio: < 40 €

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Yum Cha Garden (Oeiras)

Já vos falei (aqui) em como acho que a mentalidade portuguesa sobre a comida chinesa está a mudar, muito por culpa dos variados restaurantes cantoneses, ou seja, com comida inspirada na província de Cantão, que vão abrindo pela cidade, mas também pelo facto de estarmos a abrir a nossa mentalidade para novas abordagens gastronómicas. Para mim, o Yum Cha Garden foi o meu primeiro cantonês e, até agora, aquele de que mais gostei. Por isso, quando me pediram uma recomendação para um almoço familiar de Dim Sum, não hesitei em nomear o Yum Cha Garden.
Nunca lá tinha ido ao fim de semana nem com um grande número de pessoas, por isso começo por salientar que a diferença na qualidade do serviço é notável, para pior, quando em grupo. As dificuldades de comunicação aumentam, o serviço parece tornar-se atabalhoado, lento e até um pouco antipático.
A extensa ementa não facilita as escolhas quando em grupo numeroso mas lá acabamos por escrever (aqui tenta-se dissimular as falhas de comunicação escrevendo os números dos pratos que desejamos, pois os empregados não falam português) o nosso pedido. A cadência com que chegou a comida foi desorganizada, havendo doses do mesmo prato a chegar em alturas diferentes à mesa, quando já nos interrogávamos se iria sequer chegar. E, se aqui fiquei meio desiludido, principalmente quando comparando com as minhas visitas prévias, a qualidade da comida continua a não desiludir.
Bons Crepes Vietnamitas, de recheio puramente vegetal saboroso, mas com a massa a estar apenas semi-crocante. Ainda assim, uma alternativa válida e segura para quem está habituado aos crepes chineses dos restaurantes chineses. Para molhar, um molho avinagrado para fugir ao "tradicional" agridoce.


Claro que para a mesa tinha que vir aquele que é provavelmente o meu Dim Sum favorito, os Pães Chineses com Porco e Mel. Fantásticos no sabor, com boa proporção do recheio e bom balanço de sabores. Podem comer com pauzinhos, mas estes pães são tão gulosos que eu como-os à mão. Diferente do que estamos habituados, mas obrigatório seja a vossa primeira ou milésima experiência a comer Dim Sum.


Também os Raviolis de Carne e Vegetais (ou Jiaozi) se adequam às pessoas que tenham algum medo de arriscar na gastronomia cantonesa, pois fazem lembrar as japonesas Gyozas. Massa de espessura adequada e bem fechada, mantendo toda a humidade e sabor da carne e dos vegetais, sendo depois passada numa frigideira para lhe dar algum contraste na textura.


Um prato que me ficou na memória da minha visita ao Restaurante Dim Sum (também em Oeiras) foi o Bolo de Nabo. Se são daquelas pessoas que dispensa a batata no cozido e não passa ao lado do nabo então este é um prato para vocês. Com um sabor bastante próximo à cultura ocidental, este bolo de nabo é passado na frigideira, dando-lhe um muito ligeiro crocante. Simples e bom!


Dentro dos Dim Sum ainda consegui ainda provar as Bolas de Choco com Vegetais e os Crepes Chineses com Gambas, duas propostas interessantes mas sem me deslumbrarem por aí além. Interessantes as Bolas de Choco apesar da sua unidimensionalidade de sabor e um pouco pior os Crepes com Gambas com boa fritura e uma saborosa pasta de gambas no interior, mas não me enchendo as medidas.
Uma das vantagens destes "novos" restaurantes chineses é o facto de podermos pedir variados Dim Sum, acabando por servir como entrada, complementando depois com um prato mais "composto". Dentro desta categoria, tive a oportunidade de provar as Gambas com Caju, com uns legumes bastante saborosos e vibrantes a complementarem bastante bem o conjunto das gambas com o caju. Um prato sólido onde, mais uma vez, temos presentes sabores nossos conhecidos.


Uma das estrelas da casa, e um prato icónico da cozinha chinesa, é o Pato à Pequim, e este é um dos sítios onde (supostamente) melhor o cozinham em Lisboa. Muito bom, em dose que dá facilmente para 3 ou 4 pessoas, dependendo da quantidade de Dim Sum previamente degustado. Carne bastante saborosa, apesar de as pernas estarem com uma consistência um pouco borrachosa, algo que já não aconteceu com o peito da ave, que estava macio e tenro. Mas a estrela deste prato é a pele do pato. Repleta de sabor de toda a gordura que lhe está normalmente acoplada, com uma caramelização perfeita e que a torna bastante estaladiça. Era de tal forma gulosa que dispensei toda aquela cerimónia dos crepes com vegetais e molho, acabando por preferir comer o pato assim mesmo sem grande acompanhamento.


Provei ainda a Massa Fresca com Carne de Vaca e Vegetais, que poderão reconhecer mais facilmente como uma versão do nosso "conhecido" Chao Min de Vaca. Boa porção, com bons sabores mas menos surpreendente que os seus antecessores.
Apesar de não ser uma pessoa fanática por doces, a oportunidade de provar algo diferente é algo que me atrai e decidi experimentar o Doce Recheado com Pasta de Lótus. De consistência estranha, nenhum dos componentes que compõem esta sobremesa é algo que definiria como doce, apresentando dois sabores distintos, que apesar de não combinarem mal, não me farão repetir esta sobremesa.


Se quiserem terminar a sobremesa numa nota doce, sugiro algo que experimentei numa visita prévia, o Ma Lai Kho. Um pequeno bolo fofo de três camadas com um doce de ovo entre camadas. Bom, com uma dose de tamanho suficiente para dividir, pois ao fim de algumas colheradas pode começar a tornar-se desinteressante.


Apesar de não ter sido a melhor visita que já fiz ao Yum Cha Garden, e por muito que o fraco serviço tenha afectado a minha opinião sobre o restaurante, a qualidade da comida continua a tornar este estabelecimento como um que facilmente recomendo.
Para os que ainda acham que as ementas destes novos chineses são intimidantes, têm aqui a prova de que muitos dos sabores que estão disponíveis são sabores que já conhecemos! Claro que não vos recomendaria começar de imediato por uma Salada de Medusa ou as Línguas de Pato, mas se se sentirem aventureiros, porque não? Estejam descansados que, quando eu provar essas iguarias, deixarei aqui o meu relato.

Zomato
Foodspotting
Yum Cha Garden
Praceta de Maputo, 6
Oeiras, Portugal
Facebook
Preço Médio: < 20 €

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Hamburgueria da Linha (Oeiras)

A moda das hamburguerias continua em voga e não parece haver uma tendência para abrandar. Há uns meses publiquei aqui no blog a minha opinião ao (já extinto) In Kyoto, restaurante esse que fechou pouco depois de eu lá ir e que decidiu mudar e acompanhar a moda das hamburguerias, tornando-se assim a Hamburgueria da Linha.
Apesar de ser um tipo de restaurante que começa a causar alguma saturação, a verdade é que não deixa de ser uma boa opção para um almoço rápido e barato. Decoração simples, e também ela já explorada até à exaustão neste tipo de restaurantes (parede com o menu escrito a giz? Onde é que eu já vi isto?) e uma ementa que me parece praticamente igual a tantas outras e sem grande nível de inovação. Portanto aquilo que pode tornar esta hamburgueria interessante e que me poderá fazer voltar é a qualidade do serviço e da comida.
Para ela, um Bacon com Ovo extra e para mim um Pica. Os dois hambúrgueres com 160 gramas de boa e saborosa carne, tendo sido servida à temperatura pedida (mal passada, claro!), faltando-lhe um pouco de sal mas nada de preocupante. Os restantes ingredientes são bons sem ser fantásticos e as combinações banais neste tipo de restaurante.


O Bacon com os ingredientes a funcionarem bem em conjunto, deixando o bacon e a carne brilharem, mas muito bem acompanhados pelo bom molho barbecue. Pena o ovo não ter chegado com o hambúrguer, mas foi prontamente servido quando esta situação foi chamada à atenção da empregada.


O Pica uns pontos acima na forma como os sabores se conjugavam, com a cebola caramelizada e os cogumelos salteados a servirem na perfeição para suavizar e contrabalançar com a malagueta, esta servida em pequenas fatias e, felizmente, com poucas sementes presentes, tendo uma dose bastante aceitável de picante. Perdido andava o bacon que no meio destes sabores fortes não se conseguiu impor, um facto sempre estranho. Ponto mais fraco é o pão não torrado, com a parte de baixo a não aguentar e a absorver os sucos que escorriam, desfazendo-se enquanto o tentava comer à mão, sendo forçado a terminar com talheres.


As batatas caseiras que acompanham os hambúrgueres são simpáticas mas faltava-lhes sal. Ainda assim boa a maionese de alho e ervas.
Destaque ainda para as bebidas, com a Limonada com Morango a saber realmente a morango e com bom balanço de sabores. Também o Sumo de Tangerina era muito bom, sendo um pouco mais aguado que o desejável mas ainda assim gostei bastante do sumo.


Passado pouco tempo (ok, foram 2 meses mas pareceu muito menos!), lá voltei à Hamburgueria da Linha. Pedi o Hamburguer Com Tudo (hambúrguer de 160g, tomate, queijo, alface, cebola roxa, bacon, ovo estrelado, cogumelos e pickles), acabando por confirmar a impressão com que tinha ficado da primeira vez, excepto em relação à carne que já vinha com um ponto correcto de sal.


É uma hamburgueria um pouco acima da média, especialmente por causa da qualidade da carne, com preços justos, serviço rápido e uma opção bastante válida para almoçar na zona de Oeiras.

Hamburgueria da Linha
Oeiras, Portugal
Preço Médio: < 10 €

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O Faustino (Oeiras)

Um dos lugares mais confortáveis e seguros para uma refeição despretensiosa, seja em família, com amigos ou até para um calmo jantar a dois. É um restaurante que frequento com alguma regularidade e já tive a oportunidade de provar vários dos seus pratos, sendo que grande parte deles tem uma qualidade acima da média!
Visto O Faustino ser uma marisqueira, é perfeitamente normal que o grande destaque vá para os pratos com produtos marítimos, mas também os pratos de carne têm uma qualidade acima da média. Por exemplo, o Naco de Javali Grelhado no Espeto com Bacon traz uns bons medalhões envoltos num bacon quase chamuscado da grelha, que aprofunda o sabor a churrasco do prato.


Mas, como disse anteriormente, o verdadeiro destaque tem que ir para os pratos do mar! A aposta mais segura são os Filetes, sempre bem fritos e saborosos, que acompanham com um arroz verdadeiramente malandrinho.


Os especiais do dia são também uma boa opção e foi nesta secção da ementa que encontrei dois dos melhores pratos que lá comi. Primeiro uma Cataplana de Polvo com Batata Doce com o polvo a chegar à mesa digno de se comer à colher de tão macio. Um bom caldo e muita cebola completam este prato, sendo uma óptima conjugação de sabores em cada dentada.


Caso esteja na ementa (e sejam fãs) as Ovas de Pescada Fritas são obrigatórias! Com a perfeita combinação entre o crocante do frito e a textura subtil da ova, o prato vem com pedaços de dimensão ideal para serem comidos à mão. Mas contenham-se pois, caso contrário, torna-se extremamente viciante alternar entre cada bocado de ova frita e uma garfada no arroz que acompanha, que tal como o dos filetes vem malandrinho e é muito bom!


Tive ainda a oportunidade de provar, numa última visita, as Lapas à Madeirense e a Sopa Rica de Peixe. As lapas um pouco rijas mas saborosas, cumprindo o seu papel de abrir o apetite para uma boa sopa, com um caldo saboroso, ainda que um pouco atomatado demais, e bem recheada de peixe, camarão, amêijoa e massa.



Um bom restaurante para várias ocasiões, especialmente se formos com um grupo onde uns preferem peixe, outros carne. Facilmente todos sairão do Faustino satisfeitos e a querer voltar!

O Faustino
Oeiras, Portugal
Preço Médio: < 30 €

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Pizzaria Luzzo (Av. da Liberdade)

Hoje decido começar pelas conclusões e deixem-me que vos diga que esta é uma das melhores pizzarias de Lisboa. É provável que o nome não vos seja desconhecido, pois uma das características que a marca e que mais deu que falar nesta pizzaria é podermos efectuar o nosso pedido através de um tablet, algo inovador na capital portuguesa, mas sendo também possível dispensar o tablet e fazer o pedido à maneira antiga. Claro que este factor traz aspectos positivos e negativos, permitindo-nos ver algumas (boas) imagens da ementa mas tornando toda a interacção com o staff altamente impessoal, ainda que o serviço fosse rápido e eficaz.


Com um convite Zomato, ganho num passatempo da página À La Carte, surgiu a oportunidade de visitar esta pizzaria, que tem tido um crescente enorme de popularidade e adeptos nos últimos meses. Tudo o que tinha lido sobre o restaurante fez com que a minha expectativa aumentasse e entrei com a esperança de lá sair ainda mais entusiasmado. Confirma-se a maior parte das coisas que lemos por esta internet fora, e a Pizzaria Luzzo entra directamente para o meu top 3 de pizzarias favoritas em Lisboa.
Visto ser a nossa primeira visita ao estabelecimento, foi-nos fornecido uma breve explicação da aplicação usada para fazer o pedido, revelando-se uma aplicação bem desenhada e estruturada, com poucas falhas heurísticas notadas, e relativamente user-friendly.


Sem grandes falhas e num curto espaço de tempo, começaram a chegar à mesa as entradas pedidas. O Couvert traz uma focaccia leve e fofa, que podemos molhar numa taça com azeite e vinagre balsâmico ou num pesto caseiro, que tem um perfil de sabor que mais se assemelha a uma maionese de alho, não conseguindo diferenciar que erva terá sido usada para este pesto.


Os Peixinhos da Horta Italianos, ou espargos envoltos em presunto numa tempura de parmesão, estavam com um excesso de gordura reprovável, não se tornando tão estaladiços como deveriam mas apresentando uma combinação engraçada e que não me importaria de repetir. Muito boa a maionese de lima que acompanha, que usa a sua acidez para equilibrar o sabor dos peixinhos.


Mas se quiserem despertar o vosso palato então peçam um memorável Creme de Cogumelos. Apesar da consistência algo granulada, estava perfeito a nível de sabor e teria sido capaz de fazer uma refeição só com este prato, sem me cansar dele. Para ajudar à festa, uns cogumelos frescos salteados e bacon finamente cortado e ligeiramente salteado para juntarmos a uma generosa dose de sopa, fazendo deste conjunto algo clássico mas que me enche totalmente as medidas.


E as pizzas como são? São tudo aquilo que uma fantástica pizza deve ser. Massa saborosa, fina, cozinhada (quase) na perfeição e com uma boa quantidade de topping. Um dos lados da pizza estava com o rebordo exterior da massa quase queimada, e isto aconteceu em ambas as pizzas, levando-me a crer que é apenas uma questão de temperatura não uniforme pelo forno. 

Pizza Django & Pizza Luzzo - Divididas em dois
A Pizza Luzzo, com cogumelos Portobello salteados, tiras de bacon crocante e ananás caramelizado, estava bastante bem equilibrada, os ingredientes eram muito bons e funcionavam bem juntos, cada um ajudando a despertar um aspecto diferente do nosso palato.


Também a Pizza Django era bastante boa, ainda que mais simples na sua combinação, com apenas dois ingredientes: cebola caramelizada e presunto fatiado. Muito bom a forma como o doce da cebola se junta ao salgado do presunto e parece criar um terceiro sabor, mais intenso, mais apetitoso ainda.


A única coisa da qual não fiquei minimamente fã foi a sobremesa, com um Cheesecake à moda do chef, em taça, que apesar de parecer uma ideia interessante com o pormenor das nozes para dar textura e do chocolate no meio da taça a surpreender, a verdade é que o componente em maior quantidade na taça era também o mais fraco. Nenhum sabor a queijo, parecendo apenas um doce de nata. 


Um restaurante com uma qualidade acima da média, e a notar pela enchente que testemunhei, um daqueles de reserva obrigatória. Claro que estas enchentes trazem como negativo a quantidade de ruído, que chega a tornar-se irritante caso encontremos uma mesa de pessoas que gostam de se rir com um nível de decibéis comparável ao produzido por algumas bandas de Heavy Metal ou fãs do Tony Carreira.

Pizzaria Luzzo
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 20 €

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Prémios Lisboa à Prova 2014


Ontem foram entregues os prémios referentes ao concurso gastronómico Lisboa à Prova 2014, uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, numa cerimónia que atribuiu condecorações por 115 diferentes restaurantes. Infelizmente, foram muito poucos os restaurantes premiados que já visitei mas, para os que já tive a oportunidade de visitar, deixarei o link à frente do seu nome.
Eis a lista completa de premiados:

1 Garfo (73 restaurantes):
151 One Five One
2 à Esquina, Iguarias e Petiscos
5 Oceanos
A Casa do Bacalhau
A Travessa do Fado
Adega da Tia Matilde
Alto do Século
Areeiro 3, Vinhos e Petiscos
Bastardo
Belém 2 a 8
Brasileiríssimo Avenida (que entretanto mudou de nome para Rio Luanda)
Brasserie de l’Entrecôte – Chiado
Brasserie de l’Entrecôte – Parque das Nações
Café Lisboa
Cantina da Estrela
Cervejaria da Esquina
Champanheria do Largo
Chão de Pedra
Delícias de Goa
Do Carmo ao Chiado
Duetos da Sé
Equador Bar Bistro
Este Oeste
Everest Montanha – Avenida do Brasil
Faz Gostos
Grelhados de Alcântara
Grill D. Fernando
In Bocca al Lupo
La Paparrucha
Le Jardin
Lisboa na Rota das Sedas
Lisboète
Lost In Esplanada Bar
Luzzo de Santa Marta - Das melhores pizzas na capital! Link
Madragoa Café
Meson Andaluz Lisboa
Moules & Beer
My Story Restaurante Ouro
O Mercado
O Polícia
Oficina do Duque
Oito Dezoito
Open Brasserie Mediterrânica
Os Tibetanos
People & Food
Picanha
Pimenta Rosa
Pistola Y Corazon
Pizzaria Lisboa
Portugália Cervejaria – Belém
Qosqo
Restaurante Bordalo Pinheiro
Restaurante D’Bacalhau
Restaurante Trivial
Santa Clara dos Cogumelos
Sem Dúvida
Senhor Peixe
Sessenta
Solar dos Leitões
Solar dos Nunes
Stanislav Avenida - Apesar de não ter visitado o Stanislav lisboeta, visitei o de Cascais! Link
Sul
Sushi Café Amoreiras - Apesar de não ter experimentado o restaurantes das Amoreiras, assim que abriu um SushiCafé mais próximo de casa não resisti a ir experimentar! Link
Tapa Bucho
Tapadinha – Cozinha Russa - Fui ao Tapadinha ainda antes do Devaneios, mas é um restaurante muito bom com um dos melhores bifes tártaros da cidade!
Tasca Urso
Tentações de Goa
Tertúlia do Paço
The Decadente
Tico Tico e Novo Rio
Uai!
Varanda de Lisboa
Viva Lisboa

2 Garfos (35 restaurantes):
1300 Taberna - Visitei o 1300 Taberna antes da existência do Devaneios, num menu de Dia dos Namorados e tudo correu espectacularmente. Fica o desejo de voltar para uma experiência à carta.
Assinatura
Aura Lounge Café
Avenue
Cafetaria Mensagem
Cantinho do Avillez
Chefe Cordeiro
Enoteca de Belém
Estado Líquido Fusion Sushi
Estórias na Casa da Comida
Faz Figura - Estive neste restaurante no âmbito de um Zomato Foodie MeetUp! Link
Flor-de-Lis
Flores do Bairro
Grei
Horta dos Brunos
Jockey
Kampai
Leopold
Lisboa à Noite
Mini Bar Teatro
O Guarda-Mor
O Poleiro
O Talho - Um dos muitos restaurantes premiados que tenho na minha wishlist! Já lá fui ao serviço de talho mas a oportunidade para lá ir jantar ainda não surgiu! Link
Panorama
Páteo Velho – Ordem dos Médicos
Restaurante Aviz
Restaurante Lapa
Rossio Bar Terraço
Sacramento do Chiado
Sushi Café Avenida
Tasca da Esquina - Um verdadeiro clássico na cidade de Lisboa! Link
U Chiado
Via Graça - O primeiro Zomato Foodie MeetUp realizou-se no Via Graça e o Devaneios esteve presente! Link
Xapuri Bistro
Zambeze

3 Garfos (7 restaurantes):
A Travessa
Belcanto
Eleven
Feitoria
O Nobre – Spazio Buondi - Aos domingos tem um buffet de Cozido à Portuguesa que é simplesmente delicioso! Boa comida portuguesa aliada a um bom serviço!
Salsa & Coentros
Varanda

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Doca Peixe (Alcântara)

Um dos sítios favoritos da minha família para almoços comemorativos é o Doca Peixe. Sinceramente, não percebo o fascínio pelo restaurante. Sim, tem um espaço bonito e peixe fresquíssimo, mas os pratos não são assim tão bons, revelando muitas vezes problemas ao nível de tempero e alguns pormenores ao nível da confecção. Não quero com isto dizer que todos os pratos têm problemas...
As Amêijoas à Bulhão Pato são uma aposta segura e saborosa para entrada. Os bivalves de bom tamanho, com muito e bom molho, de forte sabor a limão e alho, como aprecio. É um prato obrigatório quando lá vamos e devoramos até não sobrar uma pinga de molho e um pedaço de pão em cima da mesa.


Na última visita, o prato principal por mim escolhido foi o Bife de Espadarte Grelhado. De sabores simples e honestos, com o espadarte um pouco mais cozinhado que o desejável mas notando-se a frescura do peixe. Acompanhamentos mais desinteressantes mas ainda assim adequados para o prato servido.


Um dos pratos mais regulares ao nível da qualidade são os Filetes, sejam estes de Peixe-Galo ou Garoupa, bem acompanhados por um arroz, podendo este variar entre arroz de amêijoas ou tomate. Neste campo, a minha preferência recai facilmente sobre os Filetes de Peixe-Galo, sendo eu um grande apreciador deste peixe. Ainda assim, os Filetes de Garoupa são igualmente bons.

Filetes de Peixe-Galo com Arroz de Amêijoas
Filetes de Garoupa com Arroz de Tomate
No campo das sobremesas, prefiro destacar duas. O Cheesecake de Frutos do Bosque com uma base achocolatada mas de boa consistência, bom creme mas sem ser fantástico e uma compota de frutos silvestres com bom balanço entre doçura e acidez a concretizar uma sobremesa de qualidade bastante aceitável. Algumas notas acima está o Pão de Ló de Ovar, com toda a textura correcta, pleno de sabor e com o seu recheio líquido, mas não em demasia, pecando apenas por parecer uma dose de tamanho inferior às restantes sobremesas.

Cheesecake de Frutos do Bosque
Pão de Ló de Ovar
Referi aqui aqueles que considero alguns pratos sólidos deste restaurante, para que possam tentar ter uma referência para quando estiverem a escolher o item na ementa, mas existem alguns outros menos bem conseguidos como as Lulas Grelhadas ou o Bacalhau à Brás.
Restaurante simpático, com bom serviço e boa localização, mas não deixo de o achar um pouco sobrestimado.

Doca Peixe
Alcântara, Portugal
Preço Médio: < 30 €