segunda-feira, 16 de março de 2015

La Vecchia Roma (Oeiras)

Não me apetecia cozinhar nada para o almoço. Verdade seja dita, eu como muito mas pouco cozinho! Não é que as coisas que faço saiam furadas mas a preguiça sobrepõe-se à vontade de comer e tento arranjar atalhos. E que atalho melhor do que ir buscar comida?
Foi assim que tive a minha primeira experiência com o La Vecchia Roma, e na altura fiquei bastante impressionado com a pizza que experimentei. Boa massa, fina e estaladiça e com uma boa combinação de ingredientes (Molho de Tomate, Mozzarella de Bufala, Cogumelos e Salame Italiano). A qualidade desta pizza, e alguns comentários positivos que já me tinham sido transmitidos, aguçaram-me ainda mais a curiosidade para visitar este restaurante.
A ementa é bastante diversificada, com um foco principal nas pizzas e nas massas frescas, todas compostas por conjugações interessantes de ingredientes que dificultam a decisão sobre que pratos escolher. Decidimos começar com um Pão de Aglio. Massa extremamente fina, com uma quantidade qb de manteiga de alho, a deixar as fatias saborosas mas sem um excesso de gordura. Para refrescar um pouco o palato, umas folhas de alecrim, mas numa quantidade suficiente para não se sobrepor ao resto.


Uma das coisas que me convenceu na pizza, que lá tinha ido buscar, foi a qualidade da massa e por isso decidimos experimentar outras das pizzas, recaindo a escolha na Pizza Calzone, com Molho de Tomate, Mozzarella, Chouriço, Salame Italiano, Fiambre e Azeitonas. Apesar da massa estar estaladiça e continuar a ser o ponto de foco do prato, a pizza parecia estar pouco recheada, tendo ainda o problema do (pouco) recheio estar mal distribuído. O molho de tomate não é brilhante e parece que lhe falta algum tempero, algo que lhe dê mais vida e mais sabor.


Se escolher a pizza não foi fácil, mais complicado ainda foi escolher as massas. Muito boas propostas, todas com um conjunto de elementos altamente apelativos. Após bastante tempo de deliberação apostámos no Gnocchi Al Formaggi. Nunca tendo provado gnocchi tinha alguma curiosidade quanto a este tipo de massa que se revelou com uma textura bastante leve mas a precisar de mais sabor, algo que acabou por ser um problema em todo o conjunto. A combinação de queijo, frango, cogumelos e bacon é sempre uma aposta segura mas faltava-lhe sabor, nem que fosse um pouco mais de sal.


Numa 2ª visita, foi a vez de experimentar uns Funghi Alla Milanese, a massa Girandole Ricotta & Fiambre e a Pizza Alla Diavola. Melhores as escolhas desta refeição, com sabores mais aprumados e menos inconsistências.

Funghi Alla Milanese
Girandole Ricotta & Fiambre
Pizza Alla Diavola
Apesar de algumas pequenas falhas, continuo a achar que este é um restaurante interessante se corrigirem estes problemas, tanto pela qualidade das pizzas como pela qualidade das massas frescas. À quarta-feira realizam um rodízio de pizzas por 10€ (sem bebidas), uma modalidade que pode ser interessante se a variedade de pizzas for grande, permitindo experimentar as várias opções que têm no menu. Ainda não tive oportunidade de experimentar este rodízio mas pode ser que essa oportunidade surja num futuro próximo.

La Vecchia Roma
Oeiras, Portugal
Preço Médio: < 20 €

quinta-feira, 12 de março de 2015

Cascas (Cascais)

Se a moda das hamburguerias parece não querer abrandar, o mesmo digo quanto à moda dos petiscos. Aberto em meados de 2012, acabei por já visitar este restaurante por duas vezes e nunca de lá saí desiludido. Mesmo com alguns pratos mais fracos, saio do restaurante de barriga bem cheia e satisfeito.
Tendo visitado o Cascas mais do que uma vez, tive oportunidade de provar uma boa parte da ementa e deixo-vos aqui com pequenos comentários aos pratos experimentados. 


Boa Morcela de Arroz com Ananás, uma combinação clássica e que funciona sempre, desde que os ingredientes sejam bons, como era o caso.


Bons Pimentos de Padrón, com bastante sal e bem salteados. Pena o rácio de picantes ser bastante baixo.


Um interessante e bem frito trio de Croquetes (Farinheira, Queijo Brie e Presunto).


Na segunda visita pedi apenas os Croquetes de Presunto, que tinham sido aqueles que mais me tinham impressionado.


Muito bons os Cogumelos Recheados com Presunto. Saborosos, bem recheados e com uma boa quantidade de queijo por cima.


Uma dose de quantidade e qualidade acima da média de Pica-Pau, bem servida de pickles. Boa carne e molho simpático.



Muito boas as Batatas Fritas nas suas versões Bravas e Ali Oli, mais pela qualidade do molho do que pela das batatas em si mas ainda assim bom,


Não tão bom, chegando até a ser muito fraco, as Batatas Fritas com Parmesão e Redução de Balsâmico. As batatas pouco fritas, numa combinação que poderia funcionar se bem concretizado mas o queijo apresentava-se sem muito sabor e bastante borrachoso. 


Simpáticas as Costelinhas de Porco, sendo já mais semelhante a um prato principal.


Numa altura em que não faltam hambúrgueres por todo o lado, os Mini Hambúrgueres são apenas bons, sendo o melhor o de farinheira. O de queijo Brie e o normal estão bem temperados mas não são surpreendentes.


Acima da média estavam os Peixinhos da Horta, um petisco que peço sempre que possível e que é um dos meus petiscos favoritos. Bem fritos e estaladiços.


Também as Puntillitas estavam muito boas. Pequeninas, bastante crocantes e com uma boa maionese a acompanhar. 


Muito bom é o Prego em Bolo do Caco com que rematei a primeira refeição no Cascas. Bom bolo do caco, óptima carne e simplesmente acompanhado com uma fantástica cebola caramelizada e mostarda de grãos.


Já o Prego Estoril, com secretos de porco preto, grelos e ovo estrelado. O porco estava pouco cozinhado, tendo ainda bocados de gordura não totalmente incorporada. Uma ideia que parece boa mas que falha na concretização.


No campo das sobremesas, um CheeseCake à Cascas algo enjoativo, e com o doce de tomate a não conseguir cortar o sabor excessivo e forte do queijo.


Já a Panna Cotta estava ao nível do restante restaurante. Boa confecção e boa calda de laranja a dar um bom balanço ao prato.


Para regar todos estes petiscos, peça a óptima Sangria de Espumante de Frutos Silvestres
Das muitas opções para petiscar, esta é uma das minhas favoritas. Boa localização, boa comida e a preços justos. Ideal para um fim de tarde solarengo.

Cascas
Cascais, Portugal
Preço Médio: < 20 €

segunda-feira, 9 de março de 2015

Furnas do Guincho (Guincho)

Existem poucos sítios com um rácio tão grande de "restaurantes com uma vista espectacular"/quilómetro como a estrada do Guincho. De 500 em 500 metros (ou menos) damos com um restaurante com uma vista fantástica para o Atlântico. Então, porquê este Furnas do Guincho? Porque a Zomato foi, como sempre, extremamente simpática em me oferecer um convite para eu ter a oportunidade de o experimentar.
Apesar da vista do restaurante ser fantástica, fui lá jantar numa noite pré-natalícia menos luminosa, não a podendo apreciar a 100%. Ainda assim, um restaurante com um bom ambiente e serviço cuidado, altamente recomendado para uma refeição mais intimista.
Começámos a refeição com um óptimo prato de Presunto Pata Negra. Simples e muito bom. Pessoalmente gosto do meu presunto com um pouco mais de gordura nas fatias, mas não sei se a falta da mesma se terá dado pelo corte executado ou pelo presunto em si.


Um dos pratos favoritos da minha cara-metade são Amêijoas à Bulhão Pato. O fanatismo é tal que ela chega a afirmar ser capaz de comer este prato para o resto da sua vida. Os espécimenes degustados apresentavam-se saborosos e de bom tamanho, mas faltava-lhes mais acidez. Sim, podíamos (e devíamos) ter pedido limão mas estávamos com alguma fome e decidimos atacar na mesma os nossos pratos. Um pequeno conselho... não se coíbam de comer os "bichos" à mão por estarem num restaurante mais refinado. Se nos trazem toalhetes húmidos é porque, à partida, pressupõem que o iremos fazer. E são muito melhores quando comidos à mão, não é?


Mesmo sabendo que o Peixe ao Sal é uma das especialidades deste restaurante, e que a qualidade do peixe nos restaurantes desta zona é excepcional, por vezes há dias em que nos apetece algo com um pouco mais de substância e acabámos por optar por uma Cataplana de Polvo com Batata-Doce. Polvo macio, numa boa e típica conjugação de sabores, com os pimentos a darem o ar de sua graça sem dominarem todo o nosso palato. Se a batata fosse mais doce, teria dado um maior contraste ao prato e teria ficado ainda melhor. Se todos os pratos com pimentos fossem assim, não teria uma aversão tão grande aos mesmos.


Por incrível que pareça, o melhor prato da noite não veio do mar. Num restaurante claramente virado para o mar (pun intended), comemos um dos melhores e mais gulosos bifes dos últimos tempos. O Tornedó à Chefe é um saboroso e macio naco de carne, imerso num molho de natas e cogumelos que pede que nele mergulhemos as batatas fritas que vêm a acompanhar.


Aspecto menos positivo de toda a refeição foi a sobremesa. Um Crocante de Ananás que pouco tinha de crocante. Tudo bastante ensopado, sem contraste de texturas e um pouco doce demais. Não estraga muito a imagem geral com que saí do restaurante mas tenho perfeita noção de que um restaurante com esta gama de preços deveria produzir sobremesas melhores.


Numa estrada recheada de bons restaurantes, muitos com o mesmo tipo de menu, é complicado escolher. Não sei se este será superior ou não aos restantes, pois ainda não tive oportunidade de experimentar todos, mas garanto-vos que não sairão desiludidos pela qualidade da comida.

Furnas do Guincho
Guincho, Portugal
Preço Médio: < 40 €

quinta-feira, 5 de março de 2015

Restaurante Caçoila (Oeiras)

Quando vou algumas vezes a um restaurante, tenho a mania de tentar provar toda a ementa, ou pelo menos todos os pratos que parecem propostas atractivas. E, como é lógico, isto não poderia correr sempre bem! E se é mau quando não sabemos o que é o prato, pior é quando criamos uma ideia mental do prato e ela vem completamente errada!
Bem, primeiro irei tentar explicar-vos a imagem que tinha criado das Migas de Pato. Imaginem umas migas à alentejana com o pão frito a criar uma crosta que no interior irá revelar umas lascas de uma perna de pato previamente confitada... talvez até na sua própria gordura para tornar tudo ainda mais saboroso! Já imaginaram? Parece-vos bem?
Bem, voltando à realidade o prato que me chegou nada tinha a haver com aquilo que vos descrevi! Por baixo de umas tiras de couve e uns cubos de batata, uma pasta alaranjada que, se na primeira garfada até parece agradável, rapidamente se torna demasiado enjoativo devido à unidimensionalidade de sabor! Claramente uma má escolha, num restaurante com várias propostas bastante boas.


Apesar de este ter sido um prato que não me convenceu, muitos pratos há que estão mais que aprovados, como é o caso dos Peixinhos da Horta, o Bife de Javali ou a Alheira de Caça com Migas.




Para sobremesa é impossível fugir às obrigatórias e fantásticas Farófias! Não me vou alongar muito sobre as mesmas, e para saberem a minha opinião basta consultarem o post que fiz sobre as mesmas!


Um restaurante com alguns altos e baixos, mas que considero ser uma aposta segura para qualquer ocasião. Peçam o que vos parecer melhor, sejam petiscos ou pratos, que a probabilidade de saírem da Caçoila satisfeitos é grande.

Zomato
A Caçoila
Oeiras, Portugal
Facebook
Preço Médio: < 20 €

segunda-feira, 2 de março de 2015

T'Chef (Telheiras)

Telheiras não é uma zona conhecida pela variedade e qualidade dos restaurantes que lá existem. Mas claro que existem excepções e este T'Chef é a prova viva disso! Nunca alguém imaginou que no meio de Telheiras pudesse existir um restaurante com comida de autor e a preços mais que justos. O convite Zomato foi a motivação final para me deslocar até Telheiras, tentando perceber se todas as críticas positivas que tinha lido seriam justificadas ou não.
Ao chegar ao restaurante fiquei um pouco assustado. O néon arroxeado que ilumina a primeira sala não me transporta para um ambiente de restaurante mas sim de bar. Algo que é logo ultrapassado quando chegamos à sala principal, que apresenta uma decoração sóbria, de bom gosto e com uma iluminação bastante mais normal.

Foto retirada daqui
O convite incluía um menu de degustação do chef mas deram-nos a hipótese de olharmos para a ementa de jantar, que é apresentada dentro de álbuns de vinis. Pratos com descrições bastante apelativas mas o menu de degustação não inclui obrigatoriamente pratos desta ementa, sendo tudo de inspiração da cozinha com base nos ingredientes que têm à disposição. E não podia ter corrido melhor...
Começámos o jantar com um Couvert que incluía uma taça de azeite com vinagre balsâmico, uma manteiga de mel, lima e alecrim e uma pasta de tomate assado com broa crocante. Se o azeite com balsâmico é algo que já se pode considerar banal, mesmo quando o azeite utilizado é de qualidade, os restantes componentes do couvert eram inovadores e fantásticos. Na manteiga não se notava muito o mel, principalmente devido ao sabor predominante do alecrim, que era complementado com a frescura da lima. A pasta de tomate assado não tinha qualquer falha e era gulosa o suficiente para se comer à colher. Muito umami e alguma acidez fizeram as delícias das nossas papilas, mas fomos surpreendidos pelos croûtons de broa que se mantiveram sempre crocantes, conferindo um nível de textura extra. O couvert merecia um pão melhor e, preferencialmente, acabado de sair do forno. Um bom prenúncio para a refeição que se avizinharia.


Não muito tempo depois do couvert, chegou a primeira entrada, um Crocante de Alheira com Gema BT, Grelos, Molho de Alho Doce e Redução de Porto. A trouxa estaladiça escondia um recheio de alheira com bastante qualidade e alguns bons bocados de carne. Para adicionar riqueza ao prato, uma bem executada gema cozinhada a baixa temperatura, por cima de uns grelos que infelizmente apenas se caracterizaram como normais. Os molhos eram bons, quando experimentados à parte, mas perdiam-se no meio de sabores tão fortes.


A segunda entrada mostrou uma conjugação de sabores fortes mas que se balanceavam na perfeição. O Porco Se Embrulhou com a Cabra mostrava uns cilindros de queijo de cabra envolvidos em presunto, com açúcar caramelizado no topo a fazer um excelente contraste de salgado com doce. Para juntar tudo, uma espécie de pesto com tomate ajudava a balancear os sabores fortes do queijo e do presunto. Um prato muito bom e bem conseguido. Esta é uma entrada que faz parte do menu actual.


Findas as entradas, começámos os pratos principais com um bife de Atum Braseado com Esparguete de Legumes. O atum bem selado, com o seu interior cru, necessitando apenas de um pouco de flor de sal para espevitar mais o prato. Excelentes os legumes em soja, com um corte algo irregular (o que nos levou a pensar terem sido cortados à mão), mas muito bons a nível de tempero e execução.


Todo o serviço foi exemplar. Simpático, prestável, explicativo e com vontade de nos dar a conhecer o restaurante e seu conceito. Curioso ainda a procura por restaurantes mais próximos da Linha do Estoril, revelando que a pessoa que nos atendeu (um dos sócios do espaço) é também um entusiasta pela arte de bem comer. Único problema do serviço foi exactamente a seguir ao prato de atum, onde houve uma espera bastante prolongada até que o segundo prato chegasse à mesa. Esta demora foi amenizada pelo pedido de desculpas, pois teria surgido um imprevisto na cozinha.
Se por um lado esta espera pode afectar a experiência geral, por outro pode ser significativo que algo não estava bem com o prato e tiveram que refazer todo o seu processo, o que é apreciável e revelador de um cuidado extra na cozinha apresentada.
Irrepreensível estava o Ramen de Camarão com Granizado de Gengibre, com uns noodles caseiros leves e que se desfaziam na boca. Não fiquei particularmente fã do minúsculo miolo de camarão utilizado, pois também não sou um grande entusiasta deste crustáceo, não tendo ajudado o facto de ter encontrado algumas cascas. Dispensava de todo o camarão, bastando o caldo para que este prato me enchesse as medidas. Acabei por pedir uma colher (que inicialmente tinha dispensado) para poder desfrutar de um saboroso e intenso caldo de marisco que nos preenchia a boca, ajudado pelo granizado de gengibre, e que continha um nível de picante satisfatório.


Para finalizar os pratos principais, fomos presenteados com um dos pratos da ementa actual, as Bochechas de Porco Preto com Risotto de Aipo e Maçã, do qual eu (vergonhosamente) não tirei foto. A pressa e a vontade de provar este prato era tal que só no dia seguinte me apercebi da minha falha. A apresentação deste prato é divertida e diferente, com as bochechas a chegarem numa marmita, deixando ao cliente a parte final do empratamento. O risotto apresentava uma boa cremosidade e os bocados de maçã davam frescura e um ligeiro adocicado ao arroz, mas provado por si só era algo bastante unidimensional. Algo que deixou de acontecer mal lhe juntámos o molho onde vinham as bochechas. Parece que deu outra vida a este prato. Pena as bochechas não estarem "de comer à colher", mesmo que não se apresentassem duras. Faltava-lhes tempo de cozedura para que as fibras se partissem mais e deixasse as bochechas realmente macias.
Começámos a fase doce da refeição com um Crème Brulée de Coco, que estava exemplar no seu creme, tanto no sabor como na consistência. Falhou o brulée que foi claramente exagerado, dando um sabor queimado ao açúcar. Não é preciso tanto tempo de maçarico para que aquela crosta superior fique estaladiça. Ainda assim, uma boa sobremesa.


A sobremesa que mais curiosidade nos tinha despertado, quando olhámos para a carta, foram as Pataniscas do Éden, umas pataniscas de maçã acompanhadas de um puré de batata-doce e ainda uma bola de gelado. Boa fritura nas pataniscas, estando bastante estaladiças, mas mereciam mais pedaços de maçã, para que houvesse um maior contraste entre a textura exterior e interior e também um maior sabor da própria fruta. Bom puré, a cortar bem o frito da patanisca e a combinar bem com a frescura do gelado.


Com o café, ainda nos foi permitido provar a Key Lime Pie. Honestamente, não sou capaz de distinguir entre diferentes tipos de limas, por isso apenas consigo avaliar isto como uma tarte de lima. E deixem que vos diga que é uma boa tarte de lima. Boa bolacha, com um travo a bolacha integral, que combinava perfeitamente com a acidez do creme de lima. Ainda que não tivesse a textura que mais aprecio, pois estava um pouco esponjoso, os sabores estavam lá.


Contas feitas ao final da refeição, saio do T'Chef extremamente satisfeito. Não só pela quantidade de pratos experimentados, como pela qualidade dos mesmos. Apesar dos preços à carta não serem elevados, esta hipótese de ter um menu de degustação de 8 pratos (2 entradas, 3 pratos e 2 sobremesas) com muita qualidade, e que está constantemente a variar, por 22€ é extraordinário, ainda para mais se pensarmos que este menu varia constantemente consoante os produtos disponíveis e a imaginação do chef. A juntar a isto um serviço bom, foram 3 horas bem passadas num desconhecido restaurante em Telheiras. O restaurante dispõe ainda de uma carta de almoço, que varia diariamente, com preços mais acessíveis mas com o mesmo cuidado na confecção e apresentação dos pratos.
Não é perfeito, mas é, sem dúvida, um restaurante que vale a pena conhecer. E não apenas uma vez mas várias, pois é daqueles restaurantes aos quais desejo voltar para me deixar nas mãos do chef e sair de lá surpreendido.

Zomato
Foodspotting
T'Chef
Rua Hermano Neves, 22, Loja B
Telheiras, Portugal
Facebook
Preço Médio: < 30 €

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Croqueteria (Mercado da Ribeira - Cais do Sodré)

Já toda a gente deve ter ouvido falar do renovado Mercado da Ribeira by Time Out, portanto penso que será escusado dar-vos uma descrição muito detalhada sobre o seu conceito e espaço. Mas, apesar de já ter aberto há uns meses (abriu a 18 de Maio de 2014), esta foi a minha primeira visita. Já conhecia o espaço das inúmeras fotos que foram aparecendo na internet e já tinha ouvido falar dos problemas de ruído existentes, mas pude agora comprovar o quão cheio o mercado estava e como isso realmente afectava a acústica do novo e bonito Mercado da Ribeira. Ainda assim, os meus parabéns à Time Out pela renovação e redinamização realizada.
Depois de ultrapassado o problema de arranjar mesa, o que pode ser relativamente difícil para grupos grandes, o problema que se avizinha é escolher onde ir buscar a comida. Muitas bancas apelativas, com oferta para todos os gostos dificultam substancialmente esta decisão. Cinco food corners de chef bastante apelativos (tenho especial curiosidade pelo Vitor Claro, Marlene Vieira e Alexandre Silva), conceitos inovadores como a Tartar-Ia e a Croqueteria, ou até espaços já estabelecidos na cidade como o Sea Me, Honorato ou Santini. Para terem uma ideia de todos os espaços lá existentes, consultem este link. Penso que iria precisar de mais de 30 visitas ao Mercado para conseguir provar tudo o que gostaria.
Sendo um aficionado por croquetes (seria a minha Death Row Meal, ou #MyLastMealOnEarth), decidi que o ideal seria que a minha primeira vez fosse com croquetes. Mas não poderia ser um croquete qualquer. Já que era para experimentar croquetes, que houvesse variedade, e isso não falta na Croqueteria. Para além do tradicional há alheira com grelos, frango e farinheira, atum e tomate seco, choco com tinta, bacalhau com chouriço e até um vegetariano. O preço dos individuais parece-me um pouco exagerado (1,50€) de maneira que a melhor opção para ter uma refeição mais completa é a opção de 3 croquetes à escolha, um acompanhamento e bebida (6,90€). Escolhi aqueles que me pareciam ter as combinações mais originais e por isso pedi (e vou dizê-los pela ordem que estão no prato): Atum com Tomate Seco, Choco com Tinta e Bacalhau com Chouriço. 


Pequenos e gordinhos (que descrição estranha), são colocados no prato ainda mornos e com uma forma pouco perfeita, como os que a nossa avó faz em casa. Trincamos o primeiro e percebemos que para além da temperatura adequada, estão bem fritos, revelando um ligeiro "crunch", e com o interior cremoso. 3 croquetes diferentes, 3 níveis de satisfação diferentes. O Bacalhau com Chouriço era simpático e com bastante sabor ao "fiel amigo" mas desilude na combinação com o chouriço, visto que não se sente o chouriço no palato. Melhor o Choco com Tinta, também ele com um recheio de humidade adequada e de bom sabor, mas ligeiramente salgado. Não muito surpreendente mas ainda assim bom. Deixei o melhor para o fim, o Atum com Tomate Seco. Fantástico! Óptima combinação de ingredientes e a ser daqueles pratos que me obriga a resistir à tentação de comer tudo numa só dentada.
No prato vêm também umas boas batatas fritas, bastante estaladiças e temperadas com bastante pimenta preta e uma mostarda muito boa, usando uma combinação entre Dijon e Wasabi, acabando por abrir mais o paladar na boca. Pedi uma limonada para ajudar a acompanhar tudo isto, e cumpriu na perfeição. Bom balanço entre o amargo e o doce, ajudado por um toque refrescante de hortelã.


Parece-me um pouco caro para croquetes, mas penso que consiga compreender o preço excessivo pela forma como tudo parece fresco, sendo que eles não deixam os croquetes muito tempo na "montra" a arrefecer. Isto claro para não dizer que o Mercado da Ribeira é um dos sítios da moda, e isso pode também inflacionar o custo dos croquetes. Ainda assim, fico agradado por ver bastante inovação na confecção e idealização dos croquetes.

Croqueteria
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 10 €

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Eleven (Lisboa)

No próximo dia 26 de Fevereiro começa mais uma edição Restaurant Week, com restaurantes de topo, espalhados por todo o país, a disponibilizarem menus de 3 pratos por 20€! Já deixei um post sobre esta edição (podem vê-lo aqui) por isso não me vou alongar mais quanto ao conceito da Restaurant Week nem sobre os participantes da mesma. 
Um dos restaurantes que rapidamente esgota as suas reservas é o Eleven, chefiado por Joachim Koerper e detentor de 1 Estrela Michelin. Esta é uma oportunidade única de comer num restaurante estrelado por apenas 20€ (sem bebidas)! Quando andei a olhar para os menus, um ou dois dias depois de terem sido lançados, o Eleven tinha a indicação de já se encontrar esgotado mas um dia depois já havia novos slots de marcação, ainda que apenas para almoços a dias de semana. Mas acabei por marcar, aproveitando para celebrar um aniversário com um almoço num restaurante diferente...
Claro que as expectativas são gigantes quando falamos no Eleven, mas também temos a noção que uma refeição na Restaurant Week não será o mesmo tipo de experiência que uma refeição com um menu de degustação, mas a qualidade da comida tem de continuar a ser exímia, assim como o serviço. E é pelo serviço que quero começar. Eu sei que vamos pagar menos que metade das pessoas na sala mas ainda assim o maître d' não precisa de ser arrogante. E também não precisa de ignorar os nossos pedidos de bebida, já que foi ele que nos perguntou o que queríamos beber! Mas enfim, depois deixámos de lidar com esse senhor e o serviço melhorou para algo bastante profissional e mais simpático. A cadência dos pratos também não foi a melhor, com tempos de espera altos entre pratos.
A refeição começou com dois amuse bouches, oferecidos pelo chef. Um Crocante de Risotto, parecido com um arancini, com um exterior estaladiço, um interior cremoso e um molho de tomate que era indiferente a sua presença, de tão neutro que era o seu sabor.


A Brandade de Bacalhau era muito boa, com um nível de cremosidade adequado e de forte sabor a bacalhau sem ser salgado ou insosso. Simples e bom, não deixando o bacalhau esconder-se atrás da batata ou da cebola.


O Salmão Marinado com Beterraba deixou-me algo indiferente quanto ao seu perfil de sabor. Era bom mas tirando o factor visual nada mais se destacava. Era um prato de sabores suaves e bastante lineares, acabando por não surpreender nem deslumbrar.


O que deslumbrou foi o Creme de Cogumelos. Bastante leve, de textura suave e com uns surpreendentes pedaços de castanha no fundo, que conferiam textura e alguma doçura à sopa. Muito bom! Este sim, um prato da qualidade do que eu esperava encontrar neste tipo de restaurante e que já se equiparou às expectativas criadas.


Também em bom nível se apresentou o Peixe-Espada Preto, Puré de Batata-Doce e Emulsão de Maracujá. Peixe bem cozinhado e bem acompanhado por um bom e sedoso puré de batata-doce. Pena apenas que a emulsão de maracujá não fosse notada quando comida em conjunto com o peixe, nem tivesse um sabor muito activo quando provada sozinha, fazendo-se sentir mais pela acidez.


Também o Magret de Pato com Molho de Cassis, Talharins e Couve de Bruxelas foi um bom prato, apesar de alguns problemas com a proteína. Carne bem cozinhada e com bom tempero mas sem que a pele se apresentasse estaladiça. Também um pequeno reparo quanto à escolha dos talheres, com a faca disponível a dificultar bastante a tarefa de cortar o peito de pato. O molho de cassis é que andava meio eclipsado, sem que qualquer sabor ou acidez fosse notado. O melhor neste prato era, sem dúvida alguma, os talharins servido com minúsculos bocados de bacon e quartos de couves de Brulexas. Massa caseira, saborosa e a roubar protagonismo ao pato.


Uma das sobremesas disponível causou-me alguma confusão mesmo quando li pela primeira vez a ementa... É que um Prato de Fruta, num restaurante onde a criatividade deve primar, faz-me confusão! O abacaxi ainda era saboroso, mas o kiwi nem estava particularmente maduro. Fraco, criativamente inexistente e nem consigo perceber bem porque colocam esta hipótese no menu da Restaurant Week.


Criatividade tinha a Sinfonia Tropical. Uma óptima conjugação do coco com a lima, e um ligeiro travo floral que julgo ser dado pela lúcia-lima. Bom balanço entre doçura e acidez, com brilhante execução técnica tanto no "bolo" como no sorvete. 


Não sei se por ser um cliente de Restaurant Week, mas a verdade é que o Eleven não me deslumbrou. Atenção, de forma geral, a refeição foi positiva. Teve pontos muito bons e que estiveram dentro das expectativas que tinham sido criadas mas acho que um restaurante deste calibre não deve ter tantos pormenores fracos. Seja no serviço, na comida apresentada ou até na construção do menu para este evento. 
Será que a vontade de voltar existe quando a experiência não foi assim tão espectacular? Para mim continua a existir pois acredito que seja diferente, mas a verdade é que não o deveria ser! Deveriam sempre proporcionar a melhor experiência possível, seja um cliente que vá pagar 30€ ou 100€.

Eleven
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 30 € (apenas em Restaurant Week)