domingo, 19 de abril de 2015

Uma Viagem Pelo Sushi 2 ou onde ir quando queremos que alguém prove sushi pela 1ª vez!

Já vos falei (aqui) sobre a evolução que pode acontecer quando começamos a comer sushi. Como começamos por pensar primeiro na carteira, e só mais tarde optamos por preferir qualidade. É um percurso que pode ser diferente para cada um mas onde existem vários factores comuns.
E agora? Deixámos de pensar "Não percebo o fascínio por sushi" e passámos a dizer "Não percebo as pessoas que não gostam de sushi". Repreendemos em alto e bom som as pessoas que nos dizem que experimentaram sushi num buffet de 10€, não gostaram e por isso não voltaram a comer sushi. Mas, e quando temos uma pessoa que nos diz que quer ir experimentar sushi? O que fazer agora? Onde levar essa pessoa a jantar para garantirmos que fique realmente impressionada?
Numa primeira instância será bom percebermos quão aventureira a pessoa é. Muitas pessoas que afirmam não gostar de sushi são pessoas que não gostam de sair da sua zona de conforto, no que diz respeito à comida. Têm meia dúzia de restaurantes que frequentam e a maior parte são de cozinha portuguesa. Pouco exploram o mundo gastronómico que cada vez mais nos envolve e que me maravilha. 
Não recomendo que a primeira abordagem seja feita exclusivamente de sushi tradicional. O sushi tradicional consiste maioritariamente de sashimi, nigiris e hosomakis. Ou seja, baseia-se na qualidade exemplar de um bom arroz e na frescura dos restantes produtos. Parece normal, banal e simples mas não é. Apenas demoramos mais a perceber que quando bem feito é ridiculamente bom.

Temaki Shake
É mais fácil para as pessoas gostarem de sushi quando este se aproxima mais dos sabores ocidentais, aquilo que é denominado como sushi de fusão. Se ao início pensamos que para termos sushi de fusão basta juntar morango, manga e queijo Philadelphia, à medida que vamos descobrindo novos restaurantes vamos nos apercebendo de que realmente existe sushi de fusão com muita qualidade. É a um destes sítios que devemos levar um curioso por sushi.
O acompanhamento que fazemos durante a refeição também é muito importante. Não podemos esperar que as pessoas olhem para a carta de um restaurante de sushi e saibam o que são os itens que lá se encontram ou que saibam escolher o que mais as irá agradar. Temos que fazer um papel de aconselhamento com base naquilo que conhecemos das pessoas e que achamos que irão gostar mais. Peças quentes e com pele de salmão normalmente são consensualmente admiradas logo desde o primeiro dia.
Mas vamos querer que a pessoa que está a experimentar sushi pela primeira vez perceba também o quão fantástico pode ser uma simples fatia de sashimi. É preciso encontrar um equilíbrio no que pedimos para que a pessoa tenha o melhor dos dois mundos, ou seja, peças de fusão fantásticas e peças mais simples onde poderá apreciar a importância de ter produtos de qualidade.


A minha querida mãe via as fotografias que punha de sushi e maravilhava-se com o aspecto colorido e artístico que um prato de sushi bem feito pode ter. Ganhou curiosidade e interesse por sushi, algo que anteriormente não tinha devido a uma má experiência há muitos anos. Até ao dia em que quis passar a barreira da curiosidade e disse-me para marcar mesa. O restaurante escolhido foi o Tamagoshi Food Fusion, na Parede (do qual já falei aqui). E porquê este restaurante e não outro qualquer?
Não só a minha mãe achou fascinante a descrição que lhe fiz das peças que comi no Tamagoshi como se enquadra em todos os aspectos que já referi serem importantes. Aliás, a definição que tinha de sushi de fusão alterou-se quando conheci as peças do sushiman Péricles Lacerda, o cérebro e mãos desta pérola escondida na Linha do Estoril. Tem uma ementa muito apelativa, onde apetece pedir tudo, mas o melhor é pedirmos uma ou duas entradas seguido de um dos Combinados do Chef, terminando a refeição com a sobremesa que a casa recomendar.


Nesta visita que fiz, começámos a refeição com o Couvert, que incluía umas óptimas folhas de endívia com pasta de salmão. Para que a experiência fosse gradual, e como a minha mãe aprecia bastante camarão, pedimos para entrada uma Tempura de Ebi. Fantasticamente executada e a servir bem o propósito de mostrar que nem tudo é peixe cru.


Para tentar fazer a transição entre dois mundos opostos, pedi o Hot Shake Maki Especial que junta já algo cozinhado com algo cru. Primeira reacção bastante positiva!


Como a espera até ao combinado estava a ser algo demorado, pois tudo é feito no momento, foi-nos oferecido uma dose experimental do Carpaccio Especial Tamagoshi. Aqui, receei um pouco pois era o primeiro contacto que ela ia ter com algo aproximado ao sashimi, sem grandes transformações da proteína. Mas a forma como o carpaccio está de tal forma bem temperada que toda e qualquer dúvida que eu pudesse ter passou rapidamente.


O combinado Omakassê Itamae San chegou para dissipar os restos de resistência que pudesse haver. Um autêntico banquete de sabores, com peças de verdadeira fusão. E foi com este combinado que surgiram as primeiras sensações audíveis de satisfação da parte da minha mãe. Se nos pratos anteriores dizia que "Sim, está bom", "Gosto", agora tinha começado a manifestar-se ainda com a peça na boca.


Depois de terminadas as peças, rematámos a refeição com a sobremesa surpresa desse dia, um Cheesecake de Três Chocolates.


Saímos do restaurante cheios, satisfeitos e com mais uma pessoa convertida a esta vertente da gastronomia japonesa. Mais uma vitória e com o Tamagoshi a cilindrar todo e qualquer céptico de sushi. Se tiverem aquele amigo/a ou familiar que diz não gostar de sushi, façam uma aposta com ele: Vão jantar ao Tamagoshi com essa pessoa. Se ela não se converter pagam vocês a refeição, se se converter paga ela. Diria que as probabilidade de sucesso são altas o suficientes.

Zomato
Foodspotting
Tamagoshi Food Fusion
Rua Dr. Francisco Sá Carneiro, 61
Parede, Portugal
Facebook
Preço Médio: < 40 €

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Zé Varunca (Oeiras)

O Zé Varunca já não é apenas um pequeno restaurante no centro da Parede. Expandiu-se e tem também restaurantes em Oeiras e em Lisboa. Apesar de esta expansão não ser recente, só nos últimos tempos surgiu a oportunidade de visitar o espaço oeirense.
Entramos e somos simpaticamente recebidos com um saco de pão quente, queijo fresco e um paté de enchidos muito bom. Enquanto nos maravilhamos com o quão fantástico o pão é, colocam na mesa toda uma panóplia de entradinhas, umas com bom aspecto, outras nem por isso. São estas entradas que podem fazer encarecer o preço da refeição, tornando o Zé Varunca um restaurante mais ou menos barato.
Optámos por provar o Salpicão, que não tem muito que enganar sendo de boa qualidade, e os Casadinhos, uns pequenos fritos de batata com salpicão que se apresentavam excessivamente gordurosos. Uma boa ideia que não teve a melhor das execuções.



E, se nos Casadinhos a fritura era um dos seus problemas, o mesmo não aconteceu nos Pastéis de Bacalhau com Arroz de Tomate. Espectacularmente fritos, com um exterior crocante e um interior leve e suave. Apesar da boa fritura era necessário que houvesse mais sabor, pois a predominância da batata era excessiva. Ainda assim, o melhor no prato era o arroz de tomate, cozinhado no ponto e com bastante sabor.


A Sopa da Panela apresentava um óptimo caldo de galinha, com grandes bocados de pão ensopados, folhas de hortelã e, à parte, uma travessa com três bocados dos restantes produtos usados na cozedura: chouriço, frango e lardo. Só o caldo seria suficiente para me manter satisfeito, mas os restantes ingredientes dão corpo e estrutura ao prato. Esta receita pode variar consoante a zona geográfica, mas esta interpretação alentejana merece ser experimentada!



As doses do Zé Varunca são bastante generosas, revelando uma boa relação qualidade/preço. Não só não conseguimos chegar às sobremesas, como ainda sobrou comida. Boa comida alentejana, a preços justos e servido em quantidades dignas de qualquer restaurante típico português, ou seja, que facilmente dão para duas pessoas.

Zomato
Foodspotting
Zé Varunca
Rua José Falcão, 25
Oeiras, Portugal
Site
Preço Médio: < 20 €

terça-feira, 14 de abril de 2015

Rescaldo do Street Food European Festival (Estoril)

Já vos contei (aqui) quais foram as impressões com que fiquei no 1º dia do Street Food European Festival. Mas, tive a oportunidade de lá voltar mais algumas vezes durante a semana para poder comprovar a evolução desta primeira edição do Festival. Comecemos da mesma forma que comecei o anterior artigo, a falar sobre os problemas organizacionais que existiram, tentando manter a mesma ordem usada.
Acabaram-se as moedas, mas não os Streets. Depois do problema inicial, e depois da organização ter permitido que as bancas pudessem negociar directamente em €uros, voltou-se a negociar (na maior parte das bancas mas não em todas) apenas em Streets, desta vez impressos em cartão. Também a impossibilidade ridícula de não haver devolução de Streets não utilizadas teve um fim, deixando de haver uma clara exploração ao consumidor final. 
No que diz respeito ao espaço do evento, o recinto pareceu ter mais mesas e cadeiras durante a semana, mas seriam claramente insuficientes para as enchentes que se verificaram durante os dias mais fortes, como sexta e sábado. Quanto à questão da sombra, tudo se manteve igual, não havendo sequer uns chapéus de sol nas mesas disponíveis, algo que seria muito importante para os dias de sol e calor que se verificaram. Corrigiram também a inexistência de WC's, com a colocação de WC's portáteis em dois pontos do recinto.
Continuou sem haver um mapa dos participantes, e também a não comparência de muitos participantes anunciados pela própria APTECE. Na própria reportagem que apareceu no Telejornal da RTP1, no dia 4 de Abril, (e que pode ser vista aqui a partir do minuto 35), José Borralho, membro da organização do evento, afirma que há participantes de vários países, inclusive Itália, Polónia, Alemanha, Inglaterra e França. O problema é que dos países referidos apenas se fizeram representar Itália (Mozao) e Inglaterra (The CrabbieShack e Fresh Rootz), sendo que os espanhóis Food Nomads chegaram já durante a semana.
Houve pouca presença daquilo a que chamaria "comida de rua portuguesa". Bifanas e prego (em bolo do caco!) havia, mas e o resto da nossa finger food? Os nossos couratos? Os cachorros em carcaça? Os nossos panados? Nem uma banca de fartura e churros havia. Sei que a ideia é pegar em conceitos mais "gourmet" (palavra que já teve mais significado do que nos dias de hoje) mas não podemos descurar aquilo que já fazemos há muitos anos. Apenas precisamos de actualizar esse tipo de conceito, à semelhança do que se tem feito com os pregos e bifanas. 
Não sei se chegou a existir alguma alteração de horário durante a semana, mas pareceu haver uma flexibilidade de horário para as bancas encerrarem só quando já não houvesse clientes.
Segundo conversas que fui mantendo com pessoas que foram ao evento, não houve mais problemas de stock durante a semana, sendo que estes se repetiram apenas no fim de semana. No fim de semana, e com as bancas a tentarem fazer alguma gestão de stock para que não houvesse sobras em demasia, repetiram-se os problemas de falta de ingredientes, mas quase sempre mais próximo do horário de encerramento e não às 15 horas como no primeiro dia do evento. Ainda assim, é lamentável que uma das bancas (Walkamole) tenha estado sempre encerrada das 4 vezes que me dirigi ao festival!
Ou seja, a organização preocupou-se com as inúmeras críticas que surgiram e conseguiu corrigir aquelas que seriam de fácil e rápida solução. Esperemos que as restantes não caiam no esquecimento e que sejam corrigidos numa futura edição.
Findas as divagações quanto à organização, foquemos no que para mim é o mais importante, a comida! A melhor altura para experimentar este tipo de evento, fugindo às confusões e filas, é durante a semana. Por isso, nada melhor que um almoço mais tardio num dia de semana, para poder finalmente experimentar o tão famoso Soft Shell Crab Burger do The CrabbieShack. Um pão brioche que parece insuficiente para assegurar a integridade estrutural de uma sandes tão massiva, mas que é o invólucro perfeito para o formato do crocante e saboroso soft shell crab em tempura. Da combinação pedida (pepino em pickle, coentros e maionese de wasabi) apenas a maionese me pareceu demasiado subtil e não se mostrou relevante face ao intenso sabor do caranguejo e respectiva polme.


A fome era negra e escapou-se a foto ao Cachorro Francesinha do CaxoRRolote, mas ainda assim fica para a memória um exemplar simpático e de tamanho generoso. Talvez não tão adequado a um festival destes, pois é para se comer de faca e garfo num evento que poucas mesas disponíveis tem. O pão de cachorro, recheado com salsicha, fiambre e chouriço, é depois bem tostado e coberto com queijo ralado. O molho de francesinha é depois despejado em quantidade mais que suficiente sobre o cachorro, acabando por derreter o queijo colocado. No final, para ajudar a textura mais do que se tornar relevante ao nível do sabor, adiciona-se cebola frita. Apenas não fiquei totalmente convencido com o molho, achando-o um pouco pesado demais.
Nessa segunda visita, terminei a refeição com um Dulce de Leche Crepe de dimensões reduzidas. no Food Nomads. A massa do crepe era boa e de espessura adequada, o recheio é saboroso mas a dimensão oferecida é injusta face ao preço (3,50€) pedido.


A minha visita seguinte já estava previamente programada. Sabia que dia 9 de Abril estaria uma das carrinhas ocupadas com um conceito diferente: Um Chef, Um Foodie, Um Produto! Com o Chef Nuno Diniz (Restaurante York House e professor na EHTL), o Foodie Rodrigo Meneses (do foodie.pt) e... Porco! A Sandes de Porco Fumado com Maionese de Bacon (!!!) era apregoada como a Melhor Sandes de Porco Fumado, e isso não é dizer pouco. Estão a imaginar aqueles programas do Food Network com imagens pornográficas de barbecue? A imagem do tacho onde se encontrava a carne provocava-me esse mesmo tipo de sensação.


Um processo moroso e que envolveu vários dias de preparação para que pudessem presentear os seus clientes com algo que achassem digno de tão nobre e saboroso animal. Na minha opinião, acho que conseguiram superar as expectativas. Se no primeiro dia tudo estava fantástico, com um bom pão, uma carne saborosa, extremamente macia e a adição da melhor maionese que já alguma vez provei, no dia seguinte tencionava apenas levar alguém ao evento para a provar mas acabei por não resistir. As palavras "cebola caramelizada" envolveram-me o cérebro e sucumbi à tentação. E que bem fiz. A carne tinha sido cozinhada mais tempo e apresentava-se com ainda mais sabor que no dia anterior, a maionese de bacon continuava perfeita (estou seriamente a considerar pedir a receita) e a cebola caramelizada dava-lhe uma doçura extra que complementava na perfeição os temperos usados na carne. Aos responsáveis pela sandes um pedido... quero mais! Muito mais! O melhor que comi no Street Food European Festival, sem dúvida alguma. O sucesso (merecido) desta sandes foi de tal forma gigante que também eles se ressentiram da falta de stock, vendendo todos os 80kg de pá de porco fumada.


Na banca do #Porco havia ainda uns deliciosos mini Muffins de Porco. Ideia original e extremamente bem conseguida na ligação do doce do milho com o saboroso porco.


No fundo acho que a iniciativa foi um sucesso que deverá ser replicada e melhorada pelo resto das cidades do nosso país. Agora que viram quais os pontos-chave a melhorar, é levar a comida de rua pelo resto do país e aproveitar o tempo fantástico que temos durante quase todo o ano.
E vocês, com que opinião final ficaram deste evento? Que melhorariam? Que mudariam? Quero as vossas opiniões na caixa de comentários!

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Kyuubi (Oeiras)

Parece que, hoje em dia, 90% dos restaurantes de sushi têm uma variante "All You Can Eat", sendo que dentro destes, muitos optam por enviar para a mesa aquilo que o sushiman decidir, não havendo hipótese nenhuma de escolha. Há quem não goste deste tipo de serviço, mas sinceramente, a mim, não me faz grande diferença, acabando por achar piada ao facto de me ser servido aquilo que o restaurante bem entender. Claro que, caso não ache piada ao que me foi servido no "All You Can Eat", baixa é a probabilidade de voltar a esse restaurante, seja para repetir o "All You Can Eat", seja para comer à carta.
Chegando ao Kyuubi, sentámo-nos e rapidamente pedimos a opção "All You Can Eat". Restaurante quase cheio ao almoço, mas em pouco tempo chegou o primeiro prato. Algum sashimi, nigirishosomakis, uramakis, hot rolls e gunkans. Boa composição, boa apresentação e uma boa dose de variedade para o primeiro prato, sendo que a maior parte da proteína animal usada era salmão, um pouco de camarão e mais nada. Ainda assim, peixe de boa qualidade e rolos maioritariamente bem executados, mesmo não tendo um arroz espectacular.


Rapidamente se acabou o primeiro prato, e chamámos o empregado para pedir mais. Ao que o empregado ficou a olhar para nós com um ar de quem não tinha percebido, e nós repetimos "Queremos mais algumas peças, se faz favor!". "Mais?!"?. Claramente não sabiam que tipo de cliente glutão tinham à frente e acharam que duas pessoas ficariam satisfeitas com as cerca de 40 peças primeiramente apresentadas. Mas lá foi feito o pedido e após um tempo de espera superior ao do primeiro prato, chega o segundo prato, sendo uma cópia quase exacta do primeiro.
O segundo prato também acabou por marchar, mas no final do mesmo, eu era o único a desejar mais qualquer coisinha e lá acabaram por me fazer a vontade, mantendo aquele ar estranho de "Mas não quer mesmo terminar a refeição?", e trazendo-me mais 8 peças.
Até achei a relação qualidade/preço aceitável para o sushi que comi, mas a falta de variedade entre pratos e o serviço pouco simpático acabaram por ser motivos suficientes para me levar a não considerar regularmente o Kyuubi quando tenho os meus "desejos de Sushi". Pode ser que, face ao facto de já ter experimentado quase todos os "All You Can Eat" da zona de Oeiras e Cascais, acabe por lá regressar um dia.

Kyuubi
Oeiras, Portugal
Preço Médio: < 30 € (Menu All You Can Eat de 2ª a 5ª por 14,90€ sem bebidas)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Churrasqueira Al's (Sassoeiros)

Há muitos anos atrás ia ao Al's porque era o único sítio que conhecia que servia spare ribs. E uso este termo específico para denotar a diferença que há para a forma de confecção do nosso entrecosto. Sim, são a mesma peça, mas no Al's serviam a peça como a vemos em tantos vídeos de programas norte-americanos e depois cobriam-no com um guloso molho barbecue.
Muitos anos passaram e quando voltei a esta churrasqueira apercebi-me que as coisas tinham mudado. Sim, continua a ser um bom entrecosto, mas já não é o mesmo que estava guardado nos confins da minha memória... Agora é apenas um bom Entrecosto grelhado. Nem sequer é muito bom, é apenas bom. 


Para a sobremesa, um Cheesecake que pouco tinha de cheese, safando-se pela compota que servia de topping. Mas, mais um prato de nível médio e sem especial nota digna de menção.


Bem melhor o T-Bone Steak que provei. Boa carne, bem temperada e com boa temperatura. Se ao menos tivesse pedido esta costeleta tinha ficado bem melhor servido...
E já agora, porquê esta vontade de meter em inglês o nome de pratos que têm tanto de estrangeiro como eu de extra-terrestre? Se não é em nada diferente do que podemos encontrar noutros lados, não faz sentido...

Churrasqueira Al's
Sassoeiros, Portugal
Preço Médio: < 20 €

terça-feira, 7 de abril de 2015

O Bolo da Marta (Alcântara)

Não é todos os dias que vou ao LX Factory, mas andava curioso em experimentar O Bolo da Marta, na livraria Ler Devagar. Por si só, a livraria é daquelas que merecem ser visitadas, mas quando a isto juntam um café que serve bolos com base de suspiro, bastante semelhante a uma pavlova, então torna-se uma visita obrigatória.
A base de suspiro bastante saborosa suportava bem, e sem se desfazer, o doce de limão e sementes de papoila. Um conjunto que funcionaria na perfeição não fosse os bocados de casca de limão presentes no topo que dão um toque excessivamente amargo e não são muito agradáveis de mastigar. Ficaria muito mais satisfeito caso a raspa fosse finamente raspada mas, ainda assim, são bolos que valem a pena a ida até à LX Factory.


O Bolo da Marta
LX Factory, Alcântara, Portugal
Facebook
Preço Médio: < 10 €

segunda-feira, 6 de abril de 2015

1º Dia no Street Food European Festival (Estoril)

Era inevitável fazer uma visita ao Street Food European Festival, que se encontra a decorrer nos jardins do Casino Estoril até dia 12 de Abril. Já vos falei sobre algumas das expectativas que tinha para o evento e quais os participantes que considerei mais apelativos (aqui), mas a verdade é que ainda que a comida tenha correspondido ao que pensava, a organização do evento esteve muitos furos abaixo do que um evento deste género merecia. Comecemos por falar em vários pontos que terão de ser melhorados.


Sabia de antemão que seria necessário trocar dinheiro real por uma moeda fictícia usada para o evento, os "Streets", mas nada me preparou para as condições ridículas que este processo envolve. Existem 3 pontos de venda para este efeito, e apenas 1 pessoa é atendida de cada vez, o que leva a que um evento que deveria esperar milhares de pessoas apenas consiga atender 3 pessoas de cada vez. Claro que com a afluência de gente do primeiro dia, as moedas estavam constantemente a acabar, resultando nuns fantásticos 50 minutos de espera para trocar o dinheiro. Dinheiro esse que não é devolvido caso não seja usado. Visto não haver preços pré-definidos (como, por exemplo, no Peixe em Lisboa), isto leva-nos a tentar adivinhar um valor que servirá para comer e beber, correndo o risco de atirar demasiado por cima e acabarmos por gastar dinheiro que não será usado. E, mesmo sabendo que existem multibancos próximos do recinto, poderiam ter uns terminais de pagamento para facilitar a vida às pessoas. Metade deste problema foi ultrapassado às 15 horas (3 horas depois do evento abrir) quando autorizaram as bancas a negociar directamente em euros. Claro que as bancas não iam preparadas para isto, gerando também alguns problemas, inclusive a falta de recibos/facturas ou o facto de não terem troco para dar às pessoas. Só na compra de "Streets" é que poderíamos pedir uma factura.


Quanto ao espaço em si, seria simpático mais sombras e mais lugares para as pessoas se sentarem. Mais cadeiras, mais mesas, uns chapéus de sol ou até uma tenda com mesas corridas e bancos, uma miniatura do Festival do Caracol Saloio ao nível de logística de sentar se houver espaço, junto de outras pessoas. A inexistência de casas de banho também não faz sentido, não servindo a desculpa de existirem casas de banho nos cafés e restaurantes à volta do recinto. Pede-se que um evento destes tenha pelo menos meia dúzia de casas de banho portáteis para servirem para qualquer urgência. Poderiam também disponibilizar um mapa do recinto, com os locais onde se encontram os participantes, as casas de banho (caso existissem), os pontos de venda de bebidas, troca de moedas, etc. Claro que este mapa só seria válido caso todos os participantes anunciados estivessem presentes, o que não aconteceu, não sabendo se a culpa será da organização do evento ou dos responsáveis das food trucks em si. Mas se anunciam 60 food trucks (11 internacionais) não podem depois ter só metade, sendo que apenas me lembro de ver 3 internacionais: Crabbie Shack, Mozao e Fresh Rootz.


O horário também me parece meio estranho. A hora de encerramento ao fim de semana é discutível (poderia ser mais tarde), mas durante a semana o evento fechará às 20 horas. Para quem pensa sair do trabalho e passar lá para jantar terá que ir cedo. Alargando o horário mais 2 horas poderiam cobrir e atrair mais gente que queira ir experimentar o Street Food European Festival ao jantar, durante a semana.
Mas calculo que o maior problema tenha sido as baixas expectativas quanto à quantidade de pessoas que iriam frequentar o festival. Só dessa forma se justifica a escassez de "Streets" que depois infectou as food trucks começando a haver escassez de produtos em muitas. Penso que quase todas as bancas passaram por esta falta de stock. Não percebo a falta de precaução existente para evitar este tipo de situações. Sei que o espaço de armazenamento não é muito numa food truck e o volume de negócio do primeiro dia deve ter superado largamente aquilo a que estarão habituados, mas deveria haver métodos mais eficazes para precaver estas eventualidades. Agora, ao fim de 4 horas de festival já terem a banca encerrada por falta de stock?


Ridículo é haver uma exclusividade na venda de bebidas básicas (estou, como é óbvio, a falar de água!) para alguns stands. Se estiver a pedir comida e me apetecer beber água tenho que ir para uma fila de 20 pessoas, numa banca exclusiva? Não estou a falar de cerveja, falo de água! Porque acreditem que depois de 50 minutos de espera, ao sol, para trocar as (depois) inúteis moedas, eu vou pedir algo para comer e já agora peço uma água para me refrescar. Porque terei que passar por duas filas diferentes para isto? Se houvessem pontos de venda de bebidas de 10 em 10 metros talvez não me chateasse mas da forma como o recinto está organizado, torna-se bastante chato.


Passemos agora ao que de bom existe no festival, a comida! Sim, porque apesar de criticar muita coisa, nem tudo foi mau. O meu objectivo inicial, e que consegui cumprir, era experimentar, pelo menos, uma das bancas nacionais e uma das internacionais.
Comecei por me dirigir à banca que mais curiosidade suscitava, o Crabbie Shack, mas a fila era muito extensa (algo que foi constante durante as várias horas que estive no evento) e desisti dessa ideia. Deixarei o Soft Shell Crab Burguer para uma segunda visita. A segunda food truck internacional que me deixava a salivar era o Bunsmobile mas depois de duas voltas ao recinto descobri que não se encontrava presente. Quando andei a pesquisar quem vinha ao festival, baseei-me na lista que a Aptece, organizadora do evento, publicou aqui e assumi que na abertura estariam já todos os participantes presentes, mas ficaram longe disso.


Portanto, o passo lógico foi dirigir-me à food truck nacional da Conceito Food Store, para poder perceber que ofertas teriam disponíveis. Um menu muito variado, com propostas muito apelativas, e com a curiosidade de ter um menu de degustação (entrada, prato, sobremesa e copo de vinho, se não me engano) por 18€. Não é barato, mas é uma refeição completa, num conceito diferente. A minha escolha caiu sobre o Croissant de Salmão e confesso-vos que a primeira coisa que impressionou foi a parte visual. O chef Daniel Estriga não se descorou na exigência da apresentação da sua comida, fugindo ao estigma que a street food muitas vezes tem. Croissant quente e torrado com o salmão a dar um bom contraste de temperatura, sendo bem acompanhado por beterraba e algo que pareceu ser uma maionese caseira com um sabor muito ligeiro. O croissant era mais maçudo que o desejável e teria apreciado alguma acidez no conjunto mas, de forma geral, subtileza de sabores num bom início, deixando-me a salivar pelo resto da ementa.


Não havendo Charcutaria Lisboa, foi a Tasca Itinerante a escolhida para dar o seguimento à refeição, com uma óptima e generosa Tábua Individual, composta por 1 pão, 4 tipos de charcutaria e 4 tipos de queijo. Todos os ingredientes de óptima qualidade (pão inclusive), desejando apenas que o presunto tivesse sido cortado um pouco mais fino, mas nada de grave.


Faltava-me provar algo internacional e, depois de ouvir bons comentários de quem foi comigo, acabei por ir ao Mozao, a food truck que veio de Itália. Pensava que serviam tigelles mas parece que o conceito que trouxeram foi diferente, mostrando aos portugueses o Gnocco Fritto, um produto típico da região de Emilia-Romana. Massa saborosa, estaladiça por fora e fofinha por dentro, havendo a opção de pedir no seu tamanho tradicional, num prato com mortadela e salame, ou em versão XL, mas recheado. Experimentei o Gnoccolone Carbonara, que é recheado com uma pasta de natas e depois de frito é-lhe colocado uma finas fatias de (algo que parece) lardo por cima. Pedia-se mais recheio mas exceptuando isso, muito bom!


Acabámos esta primeira visita com um bom café no Coppenhagen Coffee Lab.


Continuo a achar que o festival merece uma visita e tenciono regressar ao Estoril para experimentar mais pratos. Esperemos que a organização consiga trabalhar nos pormenores que estão a falhar para poderem encerrar este primeiro Street Food European Festival em grande. A ideia do projecto é fantástica, a sua concretização é que ainda tem muitos degraus para subir.