segunda-feira, 27 de abril de 2015

Pistola Y Corazón (Cais do Sodré)

Já existiam em Lisboa alguns restaurantes mexicanos mas nunca um espaço exclusivo para um dos pratos mais icónicos deste país, os tacos. Um encontro fortuito num supermercado juntou Aaron e César, os cabecilhas deste projecto, naquilo que se viria a tornar a primeira taqueria portuguesa, o Pistola Y Corazón.
Tem sido um caso de sucesso, com filas constantes à porta e uma interminável lista de nomes no papel que serve para definir a lista de espera por uma mesa. Já mencionei que não aceitam reservas e por isso esta é a única alternativa para se conseguir jantar no Pistola Y Corazón? E é aqui que começam os meus problemas. Não sou um fã desta incerteza temporal para jantar. E o espaço interior de espera não é muito grande, por isso o esforço para podermos experimentar este conceito dependerá também das condições climatéricas. O facto de nos sentarmos de braços dados com estranhos incomoda-me pouco, excepto claro quando se opta por bancos corridos onde, uma pessoa de peso como eu, quase pontapeia violentamente a inocente rapariga que se encontrava sentada a meu lado. E eu não estava zangado, nem a imitar algum ritual de acasalamento esquisito do National Geographic, nem nada que se parecesse. Apenas tinha terminado a minha refeição e tentava graciosamente (quem me conhece sabe o quão "gracioso" sou, até parece que fiz ballet) sair do meu lugar. A isto junta-se um restaurante pequeno e cheio, criando um nível de ruído superior ao que normalmente aprecio quando quero jantar sossegadamente. Resumindo, não sou um fã de algumas coisas no espaço, do tempo de espera e do ambiente barulhento. Mas fiquei fã de tudo o resto.


O tempo de espera não foi completamente inútil, pois deu para avaliar a ementa, entrar em contacto com uma amiga mexicana e pedir-lhe conselhos quanto ao que pedir. Não que a lista seja muito extensa, mas o menu que está à porta encontra-se em espanhol e achámos que possíveis recomendações que atravessassem o Atlântico naquele momento seriam extremamente úteis. Tão úteis que quando finalmente nos sentámos não precisámos de olhar para a ementa para pedir.
A refeição começa com uns Nachos con Pico de Gallo (talvez fossem totopos, uma variante dos nachos, mas não sou capaz de os distinguir), oferta da casa, que servem como couvert e acompanham bastante bem com a cerveja Pacifico, uma das ofertas de cerveja mexicana disponível na carta (e que, segundo o que nos disse a cúmplice mexicana, difícil de arranjar em zonas afastadas do oceano com o mesmo nome). Bons nachos e um pico de gallo refrescante, com algumas notas de picante interessantes.



Todos os pratos chegaram à mesa com um bom timing, não enchendo o pouco espaço disponível, e foram sempre aconchegados por um serviço que se mostrou extremamente simpático e descontraído. Talvez uma explicação quanto aos molhos que vêm com cada prato (visto que na ementa estão vários molhos descriminados) fosse adequada, tal como uma melhor distribuição dos molhos já presentes nas mesas, para que não tenhamos que incomodar ninguém ao pedir um dos três molhos disponíveis.
E, quando estávamos a terminar os nachos, chegaram as Quesadillas, ou seja, meia-luas de tortilla recheadas com queijo e prensadas. O mote do Pistola Y Corazón é "Comida Sin Verguenza", e todos os pratos são feitos para poderem ser comidos à mão. E se as quesadillas são fáceis de comer à mão, é um pouco mais difícil juntar-lhes a pasta de feijão refrito que as acompanham. Nada que não se resolva com a ajuda dos nachos, servindo estes de veículo condutor, ou até do uso das nossas mãos, sem qualquer tipo de vergonha. Bom prato, com uma quantidade suficiente de queijo derretido para tornar as tortillas gulosas e viciantes. 


Seguindo as recomendações já mencionadas, pedimos uns Tacos Al Pastor e uns Tacos Carnitas. Cada um dos pratos vem com três pequenos tacos, promovendo o conceito de partilha, para que se possa experimentar um maior número de itens do menu. Nenhum dos tacos pedidos era picante de origem, ou pelo menos não se revelaram picantes sem a adição dos molhos que vêm nos pratos.
O Al Pastor, uma receita inspirada na Shawarma levada por imigrantes libaneses para o México, era um pouco diferente da ideia que tinha (e que agora complemento com alguma pesquisa, enquanto escrevo este post). O porco marinado desfazia-se na boca, a cebola deu-lhe um ligeiro adocicado, o (pouco notado) ananás alguma acidez e a lima espevitou-nos os sentidos, ajudando a equilibrar e conjugar os sabores do prato.
Torna-se um pouco "messy" pela quantidade e consistência do molho onde (penso) que a carne tenha sido cozinhada. Se assim é, é uma abordagem diferente da que esperava encontrar mas, ainda assim, muito bom taco.


Diferentes as Carnitas, com a carne bastante macia mas apresentando uma costa exterior que lhe dava uma textura diferente e mais interessante que a dos primeiros tacos. Para dar cremosidade, um guacamole um pouco pálido nos sabores, mas que ao mesmo tempo deixava a carne brilhar. Bom o Chimichurri de Leon que vinha no prato, uma maionese mexicana picante, combinando na perfeição com o porco estaladiço.


Para sobremesa, apenas nos perguntaram se queríamos um ou dois exemplares. Ainda questionei sobre o que seria, mais para saber o que escrever depois do que para tomar uma decisão, pois essa já estava tomada. E arrependi-me imenso quando dei a primeira colherada no Pastel de Tres Leches. Arrependi-me de não ter pedido duas doses, engolindo todo o meu egoísmo e contentando-me com a partilha de algo tão delicioso. Para não falar no olhar feroz que a minha companhia fez quando a deixei provar primeiro e me rosnou "Não vais querer isto!". Fantástico na textura, na quantidade de açúcar e na forma como acaba a refeição numa nota que roça o perfeito.


É um óptimo sítio para ir com um pequeno grupo de amigos, pedir vários pratos, petiscarmos e divertir-nos com conversa, boa comida e alguns copos à mistura. Tudo isto enquanto vamos conhecendo um novo lado da gastronomia mexicana.

Pistola Y Corazón Taqueria
Lisboa, Portugal
Preço Médio: < 20 €

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Tasquinha Brimar (São João do Estoril)

Podemos todos estar um pouco fartos de hambúrgueres, pois parecem brotar do solo como cogumelos, mas continua a ser uma opção relativamente barata e rápida para um almoço durante a semana ou um jantar tardio. Parece que até nos nomes a originalidade teima em surgir quando abordamos este segmento da restauração, havendo inúmeros nomes de hamburguerias ditas gourmet bastante parecidos. De vez em quando lá vai surgindo uma hamburgueria com um nome mais original. Citando uma das responsáveis por um destes espaços: “Sempre fomos grandes apreciadores da Hamburgueria do Bairro e do Honorato. Como as hamburguerias estão na moda, decidimos abrir algo do género” (fonte).
Para quando uma Hamburgueria Do Taguspark? Penso que num raio de 3 quilómetros só têm a concorrência do McDonalds, portanto é aproveitar!

Existe ainda um terceiro caso, como os dos snack-bares que viram a popularidade deste conceito como uma oportunidade para melhorar a oferta de comida, atraindo mais clientela e mantendo os preços baixos. A Tasquinha Brimar parece-me ser um exemplar perfeito para este último caso.
Espaço de tasca à antiga, com clientela jovem ao almoço (calculo que originária da escola secundária próxima) e preços abaixo daquilo que se pratica regularmente na maior parte (senão em todas) as hamburguerias. Basta para isto dizer que o hambúrguer mais caro da ementa (que é duplo) custa menos de 5€.
Mas falemos do que foi experimentado e comecemos pelos aspectos negativos comuns aos dois hambúrgueres pedidos. Pão banal, não tostado e comparável com qualquer exemplar comprado num supermercado e uma escassa dose de batatas, pouco fritas e provavelmente congeladas. Dois aspectos muito fracos e que acredito poderem ser facilmente melhorados.
No Hambúrguer BrieMar, composto por queijo Brie, rúcula, presunto e manjericão, o conjunto faz sentido e consegue-se sentir cada ingrediente no palato, com o manjericão a dar um toque algo surpreendente. Pena a carne ter vindo seca e mais passada do que o pedido, ainda que bem temperada. Apesar de apreciar uma boa caramelização exterior (dada pela Reacção de Maillard), esta foi excessiva e acabou por secar a carne.


No Hambúrguer Redneck, a carne já não se apresentava seca, ainda que tivesse também passado o ponto pedido. Combinação clássica de bacon e queijo, sendo o limiano o escolhido para este conjunto, com uns surpreendentes aros de cebola a dar textura ao hambúrguer. O molho barbecue cobre tudo e ajuda a equilibrar os sabores.


Tudo o que está entre as duas fatias de pão é acima da média, mesmo considerando a carne excessivamente cozinhada. Os ingredientes são bons, em quantidades não sovinas, e ainda que a variedade não seja muita, esta casa tem uma relação qualidade / preço mais do que justa. Falha redondamente no pão e nas batatas mas o resto está lá.
Ficam por experimentar as bifanas e pregos numa próxima visita.

Não se esqueçam que temos o Passatempo Tamagoshi Food Fusion a decorrer até ao final deste mês!! De que estão à espera para participar?

Tasquinha Brimar
São João do Estoril, Portugal
Preço Médio: < 10 €

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Passatempo Tamagoshi Food Fusion (by Devaneios de um Foodie)

No seguimento do artigo de ontem, nada melhor do que poder oferecer-vos uma oportunidade para experimentar o fantástico sushi do Tamagoshi Food Fusion, pela mão do chef Péricles Lacerda!


És um amante de sushi? Então aproveita para participar neste passatempo e teres a hipótese de provar o melhor sushi da Linha do Estoril! Queres saber como?
Não gostas de sushi ou nunca provaste? Então este é o sítio ideal para finalmente te converteres ao sushi, através do melhor sushi de fusão que já experimentei.
Podes encontrar o relato das minhas duas experiências aqui e aqui!


Mas para conhecerem um pouco mais sobre o Tamagoshi Food Fusion, deixo-vos com o seguinte texto:
"Não é apenas mais um restaurante japonês na Parede.
O Tamagoshi Food Fusion caracteriza-se por oferecer pratos quentes de qualidade, típicos da culinária japonesa, mas principalmente pelo maravilhoso sushi confeccionado pelo Chef brasileiro Péricles Lacerda, este que teve o privilégio de ter feito a sua formação, tanto tradicional como de fusão, com o reconhecido mestre asiático ‘Chan Wan’.
O que mais impressiona, além do seu profissionalismo e simpatia é o dom da conjugação de sabores no seu sushi de fusão, tocando mesmo a linha da perfeição, reconhecida pelos que têm a oportunidade de o provar.
O Chef Péricles Lacerda (Chef Tamagoshi, como é carinhosamente tratado por alguns clientes) tem deixado a sua marca nos restaurantes da linha de Cascais por onde tem passado.
Aberto há cerca de um ano, o Tamagoshi Food Fusion assumiu e assume cada vez mais a responsabilidade de oferecer sempre aos seus clientes a maior frescura e melhor qualidade.
Tem como base um ambiente agradável, descontraído, calmo e acolhedor que se combina com a simpatia de toda a equipa para o receber e maravilhar!"


Mas, afinal de contas, o que podem vocês ganhar com este passatempo? Iremos sortear 2 vencedores (usando o Random.org) e cada um destes vencedores terá direito à refeição especial "Devaneios no Tamagoshi" para 2 pessoas que inclui:
- Entrada: Especial Tamagoshi
- Combinado Omakassê Itamae Ni - 36 Peças de Sushi/Sashimi escolhidas pelo Chef Péricles Lacerda
- 2 Sobremesas do Dia
(As bebidas não estão incluídas)


Para participar, basta preencher o formulário com os dados necessários e ficarão automaticamente habilitados a ser um dos vencedores do Passatempo Tamagoshi Food Fusion!

- Copiar o link Zomato do Tamagoshi Food Fusion para o formulário. Só têm que ir a www.zomato.com/pt, procurarem o Tamagoshi Food Fusion na área da Grande Lisboa e copiar o link para o formulário;
- Preencher o vosso Nome e Email;

Apenas será aceite uma participação por pessoa e poderão participar até dia 30 de Abril. Os vencedores serão contactados, por email, no dia 1 de Maio.



domingo, 19 de abril de 2015

Uma Viagem Pelo Sushi 2 ou onde ir quando queremos que alguém prove sushi pela 1ª vez!

Já vos falei (aqui) sobre a evolução que pode acontecer quando começamos a comer sushi. Como começamos por pensar primeiro na carteira, e só mais tarde optamos por preferir qualidade. É um percurso que pode ser diferente para cada um mas onde existem vários factores comuns.
E agora? Deixámos de pensar "Não percebo o fascínio por sushi" e passámos a dizer "Não percebo as pessoas que não gostam de sushi". Repreendemos em alto e bom som as pessoas que nos dizem que experimentaram sushi num buffet de 10€, não gostaram e por isso não voltaram a comer sushi. Mas, e quando temos uma pessoa que nos diz que quer ir experimentar sushi? O que fazer agora? Onde levar essa pessoa a jantar para garantirmos que fique realmente impressionada?
Numa primeira instância será bom percebermos quão aventureira a pessoa é. Muitas pessoas que afirmam não gostar de sushi são pessoas que não gostam de sair da sua zona de conforto, no que diz respeito à comida. Têm meia dúzia de restaurantes que frequentam e a maior parte são de cozinha portuguesa. Pouco exploram o mundo gastronómico que cada vez mais nos envolve e que me maravilha. 
Não recomendo que a primeira abordagem seja feita exclusivamente de sushi tradicional. O sushi tradicional consiste maioritariamente de sashimi, nigiris e hosomakis. Ou seja, baseia-se na qualidade exemplar de um bom arroz e na frescura dos restantes produtos. Parece normal, banal e simples mas não é. Apenas demoramos mais a perceber que quando bem feito é ridiculamente bom.

Temaki Shake
É mais fácil para as pessoas gostarem de sushi quando este se aproxima mais dos sabores ocidentais, aquilo que é denominado como sushi de fusão. Se ao início pensamos que para termos sushi de fusão basta juntar morango, manga e queijo Philadelphia, à medida que vamos descobrindo novos restaurantes vamos nos apercebendo de que realmente existe sushi de fusão com muita qualidade. É a um destes sítios que devemos levar um curioso por sushi.
O acompanhamento que fazemos durante a refeição também é muito importante. Não podemos esperar que as pessoas olhem para a carta de um restaurante de sushi e saibam o que são os itens que lá se encontram ou que saibam escolher o que mais as irá agradar. Temos que fazer um papel de aconselhamento com base naquilo que conhecemos das pessoas e que achamos que irão gostar mais. Peças quentes e com pele de salmão normalmente são consensualmente admiradas logo desde o primeiro dia.
Mas vamos querer que a pessoa que está a experimentar sushi pela primeira vez perceba também o quão fantástico pode ser uma simples fatia de sashimi. É preciso encontrar um equilíbrio no que pedimos para que a pessoa tenha o melhor dos dois mundos, ou seja, peças de fusão fantásticas e peças mais simples onde poderá apreciar a importância de ter produtos de qualidade.


A minha querida mãe via as fotografias que punha de sushi e maravilhava-se com o aspecto colorido e artístico que um prato de sushi bem feito pode ter. Ganhou curiosidade e interesse por sushi, algo que anteriormente não tinha devido a uma má experiência há muitos anos. Até ao dia em que quis passar a barreira da curiosidade e disse-me para marcar mesa. O restaurante escolhido foi o Tamagoshi Food Fusion, na Parede (do qual já falei aqui). E porquê este restaurante e não outro qualquer?
Não só a minha mãe achou fascinante a descrição que lhe fiz das peças que comi no Tamagoshi como se enquadra em todos os aspectos que já referi serem importantes. Aliás, a definição que tinha de sushi de fusão alterou-se quando conheci as peças do sushiman Péricles Lacerda, o cérebro e mãos desta pérola escondida na Linha do Estoril. Tem uma ementa muito apelativa, onde apetece pedir tudo, mas o melhor é pedirmos uma ou duas entradas seguido de um dos Combinados do Chef, terminando a refeição com a sobremesa que a casa recomendar.


Nesta visita que fiz, começámos a refeição com o Couvert, que incluía umas óptimas folhas de endívia com pasta de salmão. Para que a experiência fosse gradual, e como a minha mãe aprecia bastante camarão, pedimos para entrada uma Tempura de Ebi. Fantasticamente executada e a servir bem o propósito de mostrar que nem tudo é peixe cru.


Para tentar fazer a transição entre dois mundos opostos, pedi o Hot Shake Maki Especial que junta já algo cozinhado com algo cru. Primeira reacção bastante positiva!


Como a espera até ao combinado estava a ser algo demorado, pois tudo é feito no momento, foi-nos oferecido uma dose experimental do Carpaccio Especial Tamagoshi. Aqui, receei um pouco pois era o primeiro contacto que ela ia ter com algo aproximado ao sashimi, sem grandes transformações da proteína. Mas a forma como o carpaccio está de tal forma bem temperada que toda e qualquer dúvida que eu pudesse ter passou rapidamente.


O combinado Omakassê Itamae San chegou para dissipar os restos de resistência que pudesse haver. Um autêntico banquete de sabores, com peças de verdadeira fusão. E foi com este combinado que surgiram as primeiras sensações audíveis de satisfação da parte da minha mãe. Se nos pratos anteriores dizia que "Sim, está bom", "Gosto", agora tinha começado a manifestar-se ainda com a peça na boca.


Depois de terminadas as peças, rematámos a refeição com a sobremesa surpresa desse dia, um Cheesecake de Três Chocolates.


Saímos do restaurante cheios, satisfeitos e com mais uma pessoa convertida a esta vertente da gastronomia japonesa. Mais uma vitória e com o Tamagoshi a cilindrar todo e qualquer céptico de sushi. Se tiverem aquele amigo/a ou familiar que diz não gostar de sushi, façam uma aposta com ele: Vão jantar ao Tamagoshi com essa pessoa. Se ela não se converter pagam vocês a refeição, se se converter paga ela. Diria que as probabilidade de sucesso são altas o suficientes.

Zomato
Foodspotting
Tamagoshi Food Fusion
Rua Dr. Francisco Sá Carneiro, 61
Parede, Portugal
Facebook
Preço Médio: < 40 €

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Zé Varunca (Oeiras)

O Zé Varunca já não é apenas um pequeno restaurante no centro da Parede. Expandiu-se e tem também restaurantes em Oeiras e em Lisboa. Apesar de esta expansão não ser recente, só nos últimos tempos surgiu a oportunidade de visitar o espaço oeirense.
Entramos e somos simpaticamente recebidos com um saco de pão quente, queijo fresco e um paté de enchidos muito bom. Enquanto nos maravilhamos com o quão fantástico o pão é, colocam na mesa toda uma panóplia de entradinhas, umas com bom aspecto, outras nem por isso. São estas entradas que podem fazer encarecer o preço da refeição, tornando o Zé Varunca um restaurante mais ou menos barato.
Optámos por provar o Salpicão, que não tem muito que enganar sendo de boa qualidade, e os Casadinhos, uns pequenos fritos de batata com salpicão que se apresentavam excessivamente gordurosos. Uma boa ideia que não teve a melhor das execuções.



E, se nos Casadinhos a fritura era um dos seus problemas, o mesmo não aconteceu nos Pastéis de Bacalhau com Arroz de Tomate. Espectacularmente fritos, com um exterior crocante e um interior leve e suave. Apesar da boa fritura era necessário que houvesse mais sabor, pois a predominância da batata era excessiva. Ainda assim, o melhor no prato era o arroz de tomate, cozinhado no ponto e com bastante sabor.


A Sopa da Panela apresentava um óptimo caldo de galinha, com grandes bocados de pão ensopados, folhas de hortelã e, à parte, uma travessa com três bocados dos restantes produtos usados na cozedura: chouriço, frango e lardo. Só o caldo seria suficiente para me manter satisfeito, mas os restantes ingredientes dão corpo e estrutura ao prato. Esta receita pode variar consoante a zona geográfica, mas esta interpretação alentejana merece ser experimentada!



As doses do Zé Varunca são bastante generosas, revelando uma boa relação qualidade/preço. Não só não conseguimos chegar às sobremesas, como ainda sobrou comida. Boa comida alentejana, a preços justos e servido em quantidades dignas de qualquer restaurante típico português, ou seja, que facilmente dão para duas pessoas.

Zomato
Foodspotting
Zé Varunca
Rua José Falcão, 25
Oeiras, Portugal
Site
Preço Médio: < 20 €

terça-feira, 14 de abril de 2015

Rescaldo do Street Food European Festival (Estoril)

Já vos contei (aqui) quais foram as impressões com que fiquei no 1º dia do Street Food European Festival. Mas, tive a oportunidade de lá voltar mais algumas vezes durante a semana para poder comprovar a evolução desta primeira edição do Festival. Comecemos da mesma forma que comecei o anterior artigo, a falar sobre os problemas organizacionais que existiram, tentando manter a mesma ordem usada.
Acabaram-se as moedas, mas não os Streets. Depois do problema inicial, e depois da organização ter permitido que as bancas pudessem negociar directamente em €uros, voltou-se a negociar (na maior parte das bancas mas não em todas) apenas em Streets, desta vez impressos em cartão. Também a impossibilidade ridícula de não haver devolução de Streets não utilizadas teve um fim, deixando de haver uma clara exploração ao consumidor final. 
No que diz respeito ao espaço do evento, o recinto pareceu ter mais mesas e cadeiras durante a semana, mas seriam claramente insuficientes para as enchentes que se verificaram durante os dias mais fortes, como sexta e sábado. Quanto à questão da sombra, tudo se manteve igual, não havendo sequer uns chapéus de sol nas mesas disponíveis, algo que seria muito importante para os dias de sol e calor que se verificaram. Corrigiram também a inexistência de WC's, com a colocação de WC's portáteis em dois pontos do recinto.
Continuou sem haver um mapa dos participantes, e também a não comparência de muitos participantes anunciados pela própria APTECE. Na própria reportagem que apareceu no Telejornal da RTP1, no dia 4 de Abril, (e que pode ser vista aqui a partir do minuto 35), José Borralho, membro da organização do evento, afirma que há participantes de vários países, inclusive Itália, Polónia, Alemanha, Inglaterra e França. O problema é que dos países referidos apenas se fizeram representar Itália (Mozao) e Inglaterra (The CrabbieShack e Fresh Rootz), sendo que os espanhóis Food Nomads chegaram já durante a semana.
Houve pouca presença daquilo a que chamaria "comida de rua portuguesa". Bifanas e prego (em bolo do caco!) havia, mas e o resto da nossa finger food? Os nossos couratos? Os cachorros em carcaça? Os nossos panados? Nem uma banca de fartura e churros havia. Sei que a ideia é pegar em conceitos mais "gourmet" (palavra que já teve mais significado do que nos dias de hoje) mas não podemos descurar aquilo que já fazemos há muitos anos. Apenas precisamos de actualizar esse tipo de conceito, à semelhança do que se tem feito com os pregos e bifanas. 
Não sei se chegou a existir alguma alteração de horário durante a semana, mas pareceu haver uma flexibilidade de horário para as bancas encerrarem só quando já não houvesse clientes.
Segundo conversas que fui mantendo com pessoas que foram ao evento, não houve mais problemas de stock durante a semana, sendo que estes se repetiram apenas no fim de semana. No fim de semana, e com as bancas a tentarem fazer alguma gestão de stock para que não houvesse sobras em demasia, repetiram-se os problemas de falta de ingredientes, mas quase sempre mais próximo do horário de encerramento e não às 15 horas como no primeiro dia do evento. Ainda assim, é lamentável que uma das bancas (Walkamole) tenha estado sempre encerrada das 4 vezes que me dirigi ao festival!
Ou seja, a organização preocupou-se com as inúmeras críticas que surgiram e conseguiu corrigir aquelas que seriam de fácil e rápida solução. Esperemos que as restantes não caiam no esquecimento e que sejam corrigidos numa futura edição.
Findas as divagações quanto à organização, foquemos no que para mim é o mais importante, a comida! A melhor altura para experimentar este tipo de evento, fugindo às confusões e filas, é durante a semana. Por isso, nada melhor que um almoço mais tardio num dia de semana, para poder finalmente experimentar o tão famoso Soft Shell Crab Burger do The CrabbieShack. Um pão brioche que parece insuficiente para assegurar a integridade estrutural de uma sandes tão massiva, mas que é o invólucro perfeito para o formato do crocante e saboroso soft shell crab em tempura. Da combinação pedida (pepino em pickle, coentros e maionese de wasabi) apenas a maionese me pareceu demasiado subtil e não se mostrou relevante face ao intenso sabor do caranguejo e respectiva polme.


A fome era negra e escapou-se a foto ao Cachorro Francesinha do CaxoRRolote, mas ainda assim fica para a memória um exemplar simpático e de tamanho generoso. Talvez não tão adequado a um festival destes, pois é para se comer de faca e garfo num evento que poucas mesas disponíveis tem. O pão de cachorro, recheado com salsicha, fiambre e chouriço, é depois bem tostado e coberto com queijo ralado. O molho de francesinha é depois despejado em quantidade mais que suficiente sobre o cachorro, acabando por derreter o queijo colocado. No final, para ajudar a textura mais do que se tornar relevante ao nível do sabor, adiciona-se cebola frita. Apenas não fiquei totalmente convencido com o molho, achando-o um pouco pesado demais.
Nessa segunda visita, terminei a refeição com um Dulce de Leche Crepe de dimensões reduzidas. no Food Nomads. A massa do crepe era boa e de espessura adequada, o recheio é saboroso mas a dimensão oferecida é injusta face ao preço (3,50€) pedido.


A minha visita seguinte já estava previamente programada. Sabia que dia 9 de Abril estaria uma das carrinhas ocupadas com um conceito diferente: Um Chef, Um Foodie, Um Produto! Com o Chef Nuno Diniz (Restaurante York House e professor na EHTL), o Foodie Rodrigo Meneses (do foodie.pt) e... Porco! A Sandes de Porco Fumado com Maionese de Bacon (!!!) era apregoada como a Melhor Sandes de Porco Fumado, e isso não é dizer pouco. Estão a imaginar aqueles programas do Food Network com imagens pornográficas de barbecue? A imagem do tacho onde se encontrava a carne provocava-me esse mesmo tipo de sensação.


Um processo moroso e que envolveu vários dias de preparação para que pudessem presentear os seus clientes com algo que achassem digno de tão nobre e saboroso animal. Na minha opinião, acho que conseguiram superar as expectativas. Se no primeiro dia tudo estava fantástico, com um bom pão, uma carne saborosa, extremamente macia e a adição da melhor maionese que já alguma vez provei, no dia seguinte tencionava apenas levar alguém ao evento para a provar mas acabei por não resistir. As palavras "cebola caramelizada" envolveram-me o cérebro e sucumbi à tentação. E que bem fiz. A carne tinha sido cozinhada mais tempo e apresentava-se com ainda mais sabor que no dia anterior, a maionese de bacon continuava perfeita (estou seriamente a considerar pedir a receita) e a cebola caramelizada dava-lhe uma doçura extra que complementava na perfeição os temperos usados na carne. Aos responsáveis pela sandes um pedido... quero mais! Muito mais! O melhor que comi no Street Food European Festival, sem dúvida alguma. O sucesso (merecido) desta sandes foi de tal forma gigante que também eles se ressentiram da falta de stock, vendendo todos os 80kg de pá de porco fumada.


Na banca do #Porco havia ainda uns deliciosos mini Muffins de Porco. Ideia original e extremamente bem conseguida na ligação do doce do milho com o saboroso porco.


No fundo acho que a iniciativa foi um sucesso que deverá ser replicada e melhorada pelo resto das cidades do nosso país. Agora que viram quais os pontos-chave a melhorar, é levar a comida de rua pelo resto do país e aproveitar o tempo fantástico que temos durante quase todo o ano.
E vocês, com que opinião final ficaram deste evento? Que melhorariam? Que mudariam? Quero as vossas opiniões na caixa de comentários!

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Kyuubi (Oeiras)

Parece que, hoje em dia, 90% dos restaurantes de sushi têm uma variante "All You Can Eat", sendo que dentro destes, muitos optam por enviar para a mesa aquilo que o sushiman decidir, não havendo hipótese nenhuma de escolha. Há quem não goste deste tipo de serviço, mas sinceramente, a mim, não me faz grande diferença, acabando por achar piada ao facto de me ser servido aquilo que o restaurante bem entender. Claro que, caso não ache piada ao que me foi servido no "All You Can Eat", baixa é a probabilidade de voltar a esse restaurante, seja para repetir o "All You Can Eat", seja para comer à carta.
Chegando ao Kyuubi, sentámo-nos e rapidamente pedimos a opção "All You Can Eat". Restaurante quase cheio ao almoço, mas em pouco tempo chegou o primeiro prato. Algum sashimi, nigirishosomakis, uramakis, hot rolls e gunkans. Boa composição, boa apresentação e uma boa dose de variedade para o primeiro prato, sendo que a maior parte da proteína animal usada era salmão, um pouco de camarão e mais nada. Ainda assim, peixe de boa qualidade e rolos maioritariamente bem executados, mesmo não tendo um arroz espectacular.


Rapidamente se acabou o primeiro prato, e chamámos o empregado para pedir mais. Ao que o empregado ficou a olhar para nós com um ar de quem não tinha percebido, e nós repetimos "Queremos mais algumas peças, se faz favor!". "Mais?!"?. Claramente não sabiam que tipo de cliente glutão tinham à frente e acharam que duas pessoas ficariam satisfeitas com as cerca de 40 peças primeiramente apresentadas. Mas lá foi feito o pedido e após um tempo de espera superior ao do primeiro prato, chega o segundo prato, sendo uma cópia quase exacta do primeiro.
O segundo prato também acabou por marchar, mas no final do mesmo, eu era o único a desejar mais qualquer coisinha e lá acabaram por me fazer a vontade, mantendo aquele ar estranho de "Mas não quer mesmo terminar a refeição?", e trazendo-me mais 8 peças.
Até achei a relação qualidade/preço aceitável para o sushi que comi, mas a falta de variedade entre pratos e o serviço pouco simpático acabaram por ser motivos suficientes para me levar a não considerar regularmente o Kyuubi quando tenho os meus "desejos de Sushi". Pode ser que, face ao facto de já ter experimentado quase todos os "All You Can Eat" da zona de Oeiras e Cascais, acabe por lá regressar um dia.

Kyuubi
Oeiras, Portugal
Preço Médio: < 30 € (Menu All You Can Eat de 2ª a 5ª por 14,90€ sem bebidas)