quinta-feira, 11 de junho de 2015

Taberna 12 (Carcavelos)

Apetecia-me algo simples e barato. Petiscar qualquer coisa ou até um hambúrguer. Mesmo que esteja já farto e entediado destas modas, há dias em que me apetece isso mesmo. Mas tinha que ser nalgum sítio diferente. Apetecia-me experimentar um novo restaurante e acabei por me lembrar deste Taberna 12. Sabia que era um sítio com uma ementa dentro dos parâmetros que já fomos habituados noutros restaurantes com os mesmos conceitos e cuja refeição não me iria custar os olhos da cara. Sejamos sinceros, era tarde, tinha fome mas pouca vontade de gastar dinheiro num sítio que já conhecesse.
O Taberna 12 junta as duas modas de 2014 numa só ementa, mas o que me foi aconselhado (em petiscos) para uma pessoa eram 3 mais 1 acompanhamento, o que me levou a crer que as doses seriam pequenas, ainda que a preços relativamente baixos. Acabei por rejeitar os petiscos e aceitar a sugestão do Hambúrguer do Chefe, um hambúrguer em bolo do caco com ovo, bacon, queijo e cebola caramelizada. O bolo do caco era simpático mas poderia ter sido torrado para lhe dar um pouco mais de encanto. Carne saborosa, temperada e apresentada médio-mal, com uns toppings bastante normais. O que mais se destacava era a cebola caramelizada e esta vinha numa dose insuficiente para o tamanho geral do hambúrguer. E se bacon é sempre bom, independentemente da forma como é apresentado, o queijo num hambúrguer precisa de estar derretido, algo que não aconteceu com o queijo cheddar. Até aqui nada realmente negativo, ainda que nada muito positivo, mas o ovo estrelado estraga logo o impacto que o hambúrguer tem quando chega à mesa. Mesmo à primeira vista dava para perceber que tinha sido cozinhado tempo demais e toda aquela fantástica gema líquida estava agora cozida.
Acompanhamentos também não surpreendentes nem de grande nível. Uma salada simples, ainda que bem temperada, e umas batatas fritas que pareciam ter sido temperadas com sal de paprika, mas mesmo isso não deixava ultrapassar o facto de que não se apresentavam minimamente estaladiças.



Não sendo um mau hambúrguer (e certamente bastante melhor que o seu vizinho Gutsy), não é memorável. Fica o espaço engraçado, a fazer lembrar um lodge de madeira, e o serviço entre o taberneiro e o "jovem e simpático", dependendo da pessoa que vos atender. Talvez numa próxima visita experimente os petiscos e consiga ficar mais surpreendido do que com os hambúrgueres.


Taberna 12
Carcavelos, Portugal
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Preço Médio: < 20 €

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Well (Praia Verde)

Antes de ir de férias para o Algarve li, num dos muitos blogues que sigo, que tinha aberto um novo, e bom, restaurante de sushi na Praia Verde, perto dos Pezinhos na Areia. A crítica era de tal maneira boa que a minha curiosidade passou de 0 a 100 em menos de 4 segundos! E a oportunidade surgiu, planeando uma tarde naquela praia para depois subir e comer bom sushi. Parecia-me um plano fantástico para um dia de Verão.
Chegámos ao restaurante perto das 19h30 e lá estava a nossa mesa à espera. Enquanto esperávamos que o resto dos comensais chegassem decidimos pedir algumas bebidas e algumas das entradas do menu de sushi para irmos picando até que a mesa estivesse completa. A rapariga que nos estava a atender, de forma um pouco seca e até antipática, disse-nos que não havia nenhuma das entradas nem havia hot rolls. Não é um bom começo, e ao fim de algumas tentativas esquisitas de comunicação lá nos indicou que as únicas coisas disponíveis para o efeito que desejávamos estavam no menu de "snack-bar". Enquanto pedíamos as bebidas lá nos trocaram o empregado e a qualidade do serviço subiu um pouco, principalmente ao nível de atitude.
Pedimos uma boa Muxama de Atum, bem curada e de bom sabor, e uma Salada de Ovas que foi servida à temperatura ambiente, ou seja morna, retirando-lhe o factor refrescante que pretendíamos quando a pedimos.




Até no serviço do Gin houve alguma confusão. Ao início tinha sido pedido um Bulldog e um Gin Mare, mas não havia o Gin Mare. Ok, então passa a dois Bulldogs... Só há uma dose? Então, mas afinal, o que é que há? E lá o jovem que nos atendeu sugeriu um Gin Nordés, que é realmente muito bom, servido com uma folha de louro e uva. Mas um padrão começava a aparecer, notando-se que muitos dos itens que estão escritos no menu, pura e simplesmente aparentam não existir.


Como éramos 10 pessoas, foram pedidos dois combinados Sky (70 peças), sendo-nos imediatamente avisado que tantas peças iriam demorar algum tempo. Alguns minutos depois chegou uma Oferta do Chef, que consistia em tiras de salmão panado e encimadas por um excesso de maionese de alho que acabou por se sobrepor ao salmão, que até estava razoavelmente bom e com boa consistência na fritura.


Felizmente, uma qualquer luz deve ter iluminado as cabeças responsáveis pela confecção do sushi, que decidiram dividir os combinados em pratos diferentes que foram enviando para a mesa. E assim chegaram dois pratos de Nigiri. E aqui, mais um erro de inexperiência, porque os pratos não eram idênticos, o que causa alguns problemas numa mesa de 10 pessoas, quando cada prato é colocado em lados opostos, não sendo de fácil acesso a todas as pessoas. De um lado, apenas peixe branco, com toppings diferentes, e do outro lado os Nigiris apresentado salmão e atum e os mesmos toppings, não deixando de dar uma sensação de pouca variedade numa terra tão rica em bom peixe.



Enquanto lentamente acabávamos estes pratos, para tentar que durassem até à chegada do próximo, chegou um prato de Sashimi, apresentando 4 variedades de peixe. Salmão bom e fresco, com a variante do Tataki de Salmão sobre cama de alho francês a funcionar bastante bem, uma flor de peixe branco que mantinha a consistência da qualidade do peixe em relação aos Nigiris já apresentados, algumas fatias de atum, que eram complementadas com uma mistura em pó um pouco picante (Togarashi) e que tornava o atum mais interessante, e aquilo que me pareceu Sashimi de Robalo, com boa frescura mas com a cama de alho francês a não funcionar tão bem.


E, já ao fim de mais de uma hora desde o pedido inicial, finalmente chegaram as últimas peças dos combinados com alguma variedade de Uramakis e um Hosomaki de Salmão com Queijo. Qualidade satisfatória no arroz mas nada de realmente memorável e pouca consistência na técnica de enrolar. Ainda assim, gostei de todas as combinações apresentadas com especial destaque para o uso de alguns ingredientes como uvas ou amêndoas. 


Bem feitas as contas, claro que no final de tanto tempo e com um rácio tão baixo de peças/pessoas, ainda tinha alguma fome e acabei por pedir mais alguma coisa. Decidi-me pelo Nigiri de Toro (Barriga de Atúm) e por um Futomaki Crunchy (Soft Shell Crab, Salmão, Cream Cheese e Cebola Crocante). Se há barriga de atum fresca, e a qualidade do atum no Algarve é fantástica, em pelo menos 20% dos restaurantes daquela zona do Algarve, então este deveria ser um item de aposta segura e um dos pontos fortes da casa não? Claro que não havia Toro e tentei substituir por Unagi (Enguia), mas também este era mais um item inexistente da ementa.
Acabei por pedir um Gunkan Special Tuna (Atum, Alho Francês e Kimuchi/Kimchi). 30 minutos depois lá chegaram as 12 peças pedidas! 30 minutos... Já eu me tinha arrependido, só não sabia se de não ter pedido logo mais sushi (porque ainda tinha alguma fome) ou por sequer ter pedido aquelas peças. Eram boas, mas não valem nem o preço nem o tempo de espera!



Muitas falhas neste bar de praia. E digo bar de praia porque é aquilo que realmente é. Música alta com um ambiente de um bar que ambiciona muito mas não consegue concretizar com a qualidade necessária. O serviço é muito inexperiente, lento e desorganizado sendo que chegámos a estar a comer sushi em pratos de plástico até termos que relembrar os empregados desse facto, tendo depois que relembrar também a falta de guardanapos. A inexperiência e falta de atenção também se nota na elaboração da ementa, com uma ementa que parece apelativa mas onde depois só existe metade e que apresenta erros ortográficos. Sei que não está tudo na nossa língua materna mas basta uma rápida procura por dicionários ou Internet para saber que não se escreve Kimushee (Kimuchi ou Kimchi), Green Pees (Green Peas/Ervilhas), Sho Toro (Chutoro) ou até Carangueijo (acho que esta não preciso corrigir...)!
Um exemplo claro de um estabelecimento que quis ser mais do que tinha capacidade, que idealizou um conceito mas que não o soube concretizar e acaba por cair num nível de mediocridade, não aproveitando a fantástica localização nem os produtos locais.

Restaurante Well
Castro Marim, Portugal
Preço Médio: < 40 € (Caso se opte pela ementa de sushi)

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Walkamole & The Skinny Bagel @ Feira do Livro Lisboa 2015

Final de Maio e início de Junho é uma altura, para mim, sagrada. O tempo aquece, os dias são mais longos e, o mais importante de tudo, existe a Feira do Livro de Lisboa! Não sou só um apaixonado por comida. Sou também um apaixonado por literatura (ainda que não sejam todos os géneros) e a visita anual à Feira do Livro é um daqueles momentos especiais. Posso até não comprar muitos mas é um programa obrigatório.
Este ano foi engraçado constatar que a popularidade recente da Street Food teve repercussões na qualidade das ofertas existentes na Feira do Livro. Vários nomes já badalados estiveram presentes, mostrando a diversidade que a comida de rua pode atingir. Entre os mais mediáticos (e interessantes) estão presentes: The Food Armada, Walkamole, Mister Pig, Pizzaria do Bairro, Frua, Cachorro Vadio, The Skinny Bagel e Comida de Rua (sim, aqueles que foram ao Shark Tank).



Eu decidi experimentar algo que tinha saído frustrado no European Street Food Festival (podem ler mais sobre esse evento aqui e aqui), o Walkamole! Depois da frustração de estarem (quase) sempre encerrados no Estoril, decidi dar-lhes o benefício da dúvida e fui experimentar os seus burritos. O menu é curto e a escolha é simples: Chilli ou Carnitas, Pequeno ou Grande. O preço esse só varia consoante o tamanho (4€ e 6€, respectivamente). Não sendo um especialista na matéria, estes burritos parecem ser uma versão mais Tex-Mex, com a utilização de arroz na sua constituição.



Todos os ingredientes são apresentados numa proporção bastante simpática, não havendo nenhum sabor que se torne absolutamente predominante. Uma boa tortilla, que poderia ser ligeiramente tostada, a suportar um arroz decente que envolve os restantes ingredientes. No caso do Burrito Chilli, um refrescante pico de gallo, um chilli que merecia e deveria ter mais profundidade de sabor, um bom guacamole, uns nachos crocantes que servem todo o seu propósito (o de acrescentar uma camada de textura) e um queijo que passa um pouco despercebido. O picante, que apenas é adicionado se o cliente assim decidir, a ser fraco durante a ingestão do burrito, pois escorreu todo para o fundo da tortilla enrolada. O resultado final são umas últimas dentadas sem ingredientes que contrabalancem o picante que falhou durante o resto da refeição.


Melhor o Burrito Carnitas na sua conjugação de sabores. A mesma base de tortilla, pico de gallo, nachos, arroz e queijo, mas com um melhor entrosamento do Sour Cream com as Carnitas. O Sour Cream parece que ajuda a ligar tudo e as carnitas apresentaram uma relevância maior do que a anterior proteína. Escorrendo sabor e desfibrando-se a carne, este foi o conjunto vencedor.


Para sobremesa, outro conceito que ainda não tinha experimentado, o The Skinny Bagel. Aproveitando também a promoção 2 por 1 da Time Out, fui arrastado pela ideia de um bagel de manteiga de amendoim e banana, o Peanut Bagel. Uma combinação que ficou um pouco aquém das expectativas. Um bagel bem torrado que ao início se revela interessante mas que vai perdendo esse interesse à medida que nos vamos apercebendo que é um pouco maçudo. O duo manteiga de amendoim e banana também não deslumbra. A manteiga de amendoim poderia (e deveria) ser caseira e as rodelas de banana foram escassas. 


Manteiga de amendoim caseira? Isso é fácil de fazer? O Alton Brown explica como!


A Feira do Livro acaba dia 14 de Junho por isso toca a aproveitar para uma última (ou primeira) incursão à mesma, e aproveitem para lá almoçar ou jantar. Há muita variedade e há também qualidade nas ofertas de restauração. Esperemos que esta moda seja recorrente para os restantes eventos deste género.
Este ano fui poupadinho e acabei por apenas trazer 3 livros, mas tenho expectativas altas para qualquer um deles.



Walkamole
Normalmente estão localizados na Praça de Touros do Campo Pequeno mas aconselha-se a consulta da página de Facebook para melhores informações!
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Preço Médio: < 10 €

The Skinny Bagel
Para localização actual o melhor é consultar a página de Facebook!
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Preço Médio: < 10 €

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Tô na Onda (Oeiras)

"Estar na onda", "Tar na onda" ou ainda "Tá na onda" é uma expressão normalmente utilizada para dizermos que estamos numa posição de relevo, estamos "na berra", estamos na moda, somos o que está a dar! Com isto em mente, até poderia ter expectativas elevadas, mas sei que este snack-bar é apenas isso, um snack-bar, com uma privilegiada localização na Marina de Oeiras.
Não foi a primeira vez que fui a este estabelecimento, mas sempre que lá estive foi num contexto diferente, fosse para beber um café numa tarde solarenga ou beber um copo à noite. Mas o relato que vos trago é a de um almoço de fim-de-semana. Passando os olhos pelo menu, com algum preconceito para com a qualidade da comida que me poderia ser servida, decidi apostar em algo que me pareceu de fácil concretização e onde qualquer snack-bar se deveria safar. Foi com isto em mente que pedi o Hambúrguer "TôNaOnda", composto de um duplo hambúrguer, alface, tomate, bacon, queijo e ovo estrelado.


Acho incompreensível como, numa época em que as hamburguerias estão na moda, e em (praticamente) qualquer esquina é possível encontrar um hambúrguer razoável, o que me foi apresentado era de tal forma mau que ainda hoje fico com alguma azia ao pensar nele, tal como fiquei durante toda a tarde depois de o comer. Pão seco, batatas fritas congeladas e ingredientes sem grande sabor, mesmo sendo uma combinação fácil de agradar quando se tem bons ingredientes, foram o menos mau da refeição. A carne em si não tinha bom gosto, acabando por me deixar a questionar há quanto tempo ela se encontrava congelada e se estaria ou não própria para confecção.
Não me importo de comer num snack-bar, e acho que o conceito até se adequa à Marina de Oeiras, mas fico bastante desiludido quando um espaço não consegue concretizar bem uma das coisas que anda na moda.



Correu melhor uma segunda visita onde acabei por optar pelo prato de Carbonara, com a massa bem cozida e bastante recheio de bacon, cogumelos e azeitonas. Não é uma carbonara fantástica, mas acaba por ser um prato aceitável, principalmente quando tendo em conta a minha anterior experiência neste restaurante.

Tô Na Onda
Porto Recreio de Oeiras, Bloco B1
Oeiras, Portugal
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Preço Médio: < 20 €

terça-feira, 2 de junho de 2015

Supremo Sushi (Estoril)

Não tenho nada contra restaurantes de hotel. Acho que podem ser uma opção tão válida para uma refeição como qualquer outro estabelecimento. Desde que adaptem a sua sala ao conceito que tentam transmitir, algo que não acontece no Supremo Sushi. Para além do intenso cheiro a incenso, a sala parece ser mais adequada para um bar de hotel do que para um restaurante. Cadeiras fundas e que poderiam ser confortáveis para se estar descontraidamente à conversa, mas nunca para uma refeição onde a proximidade corporal à mesa é maior. Conseguimos trocar as primeiras cadeiras onde nos sentámos para umas um pouco melhores mas ainda assim nada de muito confortável. O espaço está de tal forma pouco preparado para a restauração que existem umas almofadas no parapeito da janela para que grupos maiores se possam acomodar à volta de uma mesa. Ao início pensei que as almofadas lá estivessem para as colocar nas cadeiras mas assisti mesmo à acomodação de um grupo utilizando estes "lugares".



Apesar de ter ido com um convite Zomato, que incluía um Menu de Degustação para 2 e 2 Cocktails, tive a oportunidade de estudar o menu e pareceu-me bastante estranho. Algumas entradas, alguns pratos já típicos como os tártaros (aqui chamados Kimuchi devido ao molho picante japonês usado), carpaccios, hot rolls que não especificam em nada os ingredientes usados, gyosas e tempuras (itens inseridos na secção de Carpaccios vá se lá saber porquê) mas a parte estranha é realmente a secção dedicada ao Sushi. Não existem rolos individuais e não existe nada a não ser o Combinado Sushi-Sashimi (mais tradicional) e Combinado do "chef". Sim, coloquei entre aspas a palavra chef mas continuem a ler que já lá chego...
Como o convite definia um Menu de Degustação, deixámo-nos entregues à casa e começámos a refeição com umas tiras de Cenoura com Maionese de Alho. Nade de muito novo e uma aposta segura para começar a refeição, com a cenoura bem fresca e a sua doçura a contrastar bem com o sabor a alho da maionese.



Enquanto nos entretínhamos com a cenoura chegou à mesa um hot roll (do qual não fiquei com registo fotográfico) de salmão com uma tempura simpática mas nada de extremamente bem executada. Faltava-lhe mais textura e vinha encimada com soja e um molho adocicado que não consegui identificar.
Num nível bastante mediano estava o Carpaccio de Salmão onde é usado um molho de ervas intenso mas sem qualquer tipo de acidez, acabando por tornar um potencial bom prato num prato com os seus sabores menos vincados e menos estabelecidos. A frescura do peixe estava dentro dos parâmetros que se verificam na maior parte dos restaurantes de sushi médios.



Mas se o salmão parecia apresentar uma frescura satisfatória, o mesmo não consigo dizer do (pouco) atum experimentado. No combinado que nos apresentaram como fazendo parte deste menu de degustação, existiam umas escuras fatias e de ar pouco fresco fatias de sashimi de atum. Tanto no aspecto de qualidade como na variedade de peixe pareceu-me fraco, com apenas atum (e muito pouco) e salmão presentes nos pratos que provámos. Era sábado, o restaurante estava vazio e temos uma costa rica, de certeza que conseguiriam arranjar mais alguma variedade não?
Também de mau gosto pareceu-me ser apresentarem as extremidades dos rolos. Fica mal como apresentação no prato, principalmente porque sabemos que o rolo teria mais peças (normalmente os rolos fazem-se em 8 peças mas também é possível ser feito com 4) ou que poderiam ter aparado as extremidades antes de cortar em peças de tamanho igual. De resto, um bom arroz, tanto na cozedura como no sabor, a ser o ponto alto de toda a refeição. O corte do sashimi bastante irregular, com algumas fatias algo triangulares e o sushi sem combinações muito surpreendentes ainda que não fossem mal executadas. Se tivesse que destacar algumas peças como acima da média, diria os nigiris, o hot roll e o gunkan com salmão à volta, pois o de pepino com pasta de salmão era fraquinho.



Mas eu sou um rapaz de muito alimento e por isso ainda tinha fome quando terminámos o menu de degustação oferecido. Pedimos a carta, pois tudo o que ultrapassasse o menu incluído no convite seria pago à parte, e o empregado vendeu-nos a diferença entre os dois combinados como um sendo de sushi mais tradicional e o outro sendo de autor com peças mais elaboradas, combinações inovadoras (chegou até a utilizar as palavras "foie gras"), peças braseadas (repetiu este termo na descrição do combinado 2 vezes) e mais um pouco de lero lero.
Decidi arriscar no Combinado do Chef de 22 peças, não tendo demorado muito tempo a chegar à mesa. Mas, quando olho para o que me foi colocado à frente, e com uma gentileza de peças extras oferecidas pela casa, aquilo com que me deparo é uma réplica quase idêntica do que já tinha comido. Esse pormenor foi chamado à atenção do empregado que nos atendia, vindo com uma resposta (dada pelo chef) de que os combinados do chef são padronizados e é normal ser praticamente igual visto que no menu de degustação também tínhamos experimentado este mesmo combinado. Ora, se o menu não tem qualquer variedade de sushi disponível, apenas é possível pedir combinados, então qual o interesse de visitar um restaurante que apresentará sempre o mesmo tipo de peças, sem qualquer variedade de peixe demonstrada e sem muito mais de relevante do que bom arroz? Onde está a mão inovadora do chef nos seus combinados? Seria de esperar que num menu tão pequeno, e onde só podemos comer sushi se for em combinados, houvesse uma maior inovação nos combinados de forma a cativar os clientes, não?





Não saí do Supremo Sushi minimamente surpreendido ou fascinado. Nada me pareceu acima da média ou merecedor dos preços praticados. Fosse serviço, decoração, ementa ou qualidade da comida, nada se destacou realmente pela positiva. Não é mau, mas há muito melhor pelo mesmo tipo de preços praticados.

Supremo Sushi
Hotel Alvorada - Rua Lisboa, 3
Estoril, Portugal
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Preço Médio: < 40 €

quinta-feira, 28 de maio de 2015

B'Entrevinhos (Oeiras)

Faltava à Marina de Oeiras um restaurante assim. Um restaurante onde podemos ir com a garantia que seremos bem atendidos e onde a qualidade da comida supera expectativas. O B'Entrevinhos não vem só colmatar uma falha na restauração da Marina, como vem colocar toda uma nova perspectiva sobre os típicos restaurantes de petiscos. Sim, tem alguns clássicos como os Ovos com Farinheira, Croquetes de Alheira ou Salada de Povo, mas tem também petiscos com um nível de criatividade bastante apreciável.



Entrei já com expectativas altas, pois mesmo sem alguma vez ter visitado o restaurante já o tinha recomendado ao meu irmão, que de lá tinha regressado com óptima opinião e que podem consultar aqui. Antes de começar a divagar sobre a comida, uma palavra para o excelente serviço que acompanhou a refeição. A simpatia e atenção foi simplesmente exemplar.
Abrimos as hostilidades com uns pequenos e gulosos Croquetes de Cogumelos. Boa fritura, com um recheio cremoso e saboroso. Muito bons.



As Lulinhas Fritas estavam também elas irrepreensíveis na fritura, no sabor, no contraste de texturas... em tudo. Os exemplares servidos com um tamanho um pouco superior ao que normalmente vemos como Puntillitas. Acompanhava uma maionese de alho com tinta de lula também de óptimo sabor.



A Tosta de Cebola Caramelizada com Rosmaninho e Camembert estava muito bem equilibrada nos sabores, com um bom pão tostado que suportava toda a estrutura do queijo semi-derretido com a cebola caramelizada. Menos evidente o sabor do rosmaninho que se perdia entre dois sabores contrastantes tão fortes.



Apesar de vendidos à unidade, os Croquetes de Alheira têm um tamanho bastante generoso. Mais uma fritura perfeita, sem uma pinga de óleo excessivo, e que revela um interior cremoso e carnudo. Estavam assentes numa maionese de alho que contrabalançava bem com a riqueza do croquete.



Para ir acompanhando a refeição, pedimos duas meias doses de diferentes tipos de batatas. As Batatas do Hugo, com maionese de manjericão e cebola frita, estavam bastante bem fritas, com o exterior estaladiço, sendo depois cobertas com a maionese e a cebola frita. No B'Entrevinhos nota-se que não há só uma preocupação em que as coisas estejam bem confeccionadas. Querem que cada um dos nossos sentidos se sinta vivo.



A interpretação das Batatas Bravas é também "muy buena", usando as mesmas batatas fritas que no prato anterior, mudando apenas o molho tendo este um bom nível de picante, não sendo exagerado (para quem gosta de picante existem também as Batatas Bravíssimas).



E está na altura de pararmos e reflectirmos sobre o tipo de carne que comemos. Para todos aqueles que não gostam de cortes mais gordos digo-vos apenas uma coisa: Nunca experimentaram a Barriga com Mel e Especiarias do B'Entrevinhos! É ridiculamente bom e tinha sido capaz de comer sozinho três doses deste petisco. A carne é macia e está fantasticamente temperada. A pele está perfeitamente estaladiça, desfazendo-se com cada dentada. Foi-nos dito que agora só servem este prato no dia em que assam a barriga e ainda bem que assim é, pois caso contrário a qualidade não seria tão fantástica. O único pormenor que alteraria seria na redução do número de grãos de pimenta preta utilizados.



A Bochecha de Novilho com Compota de Cereja e Gengibre é apresentada de uma forma um pouco diferente da habitual, sendo servida desfiada por cima de uma torrada. Compota com uma forte componente de cereja, que dá uma boa acidez ao prato, mas não deu para sentir muito o gengibre. Todos os pratos pedidos jogam com diferentes texturas o que é um toque muito bom.



O último prato antes das sobremesas foi, para mim, o prato menos conseguido da refeição. O Brie com Pêra Escalfada, Cebola Frita e Redução de Vinho do Porto não me conseguiu satisfazer ao nível dos pratos anteriores. A combinação de brie com pêra não era má, mas não achei fascinante. Falta-lhe alguma acidez e um melhor equilíbrio dos ingredientes.



Chegada a hora da sobremesa, optámos por uma simpática Tarte de Lima, com base de oreo, onde apenas desejava que houvesse mais acidez no creme, e uma Tarte de Nutella que apesar de boa, excedia os meus níveis de doçura pessoal, sendo que nunca conseguiria comer uma fatia sozinho. Ainda assim, boas sobremesas, tanto ao nível da base como do creme, para acabar uma excelente refeição.


Tarte de Lima
Tarte de Nutella
Um restaurante que já estava na minha wishlist há tempo demais. Se soubesse que seria deste nível acho que teria demorado muito menos tempo a visitá-lo. Anseio pela minha próxima visita para que possa voltar a provar aquela barriga de porco...

Update: Já voltei ao B'Entrevinhos e não saí de lá tão maravilhado como na primeira visita. O serviço não foi tão bom, apesar de também não ter sido mau. Apenas menos prestável e informativo.
Repeti alguns petiscos, mas deu ainda para experimentar pratos que tinham ficado para trás na primeira visita. Os pratos repetidos pareceram-me um pouco abaixo da qualidade anteriormente demonstrada. Sabores menos apurados, especialmente na Barriga de Porco que tanto tinha adorado.


Tosta de Cebola Caramelizada com Rosmaninho e Camembert
Barriga de Porco com Mel e Especiarias
Lulinhas Fritas
Croquetes de Alheira
Batatas Bravas
Dos novos pratos, há que destacar o bom Montadito de Salmão Fumado com Queijo Creme e Sriracha, onde os sabores se equilibram e são elevados devido ao ligeiro picante do molho sriracha.



De destaque menos positivo, a Tosta de Bacalhau Fresco e Coentros, de sabores simples e algo neutros, sem qualquer notas mágicas a acontecer na boca. Um sabor que se mantém a cada dentada e que não passa daí.



Para mim, não funcionou o Crostini de Requeijão com Alecrim, Uvas e Mel. Excessivamente doce e a precisar de alguma acidez que cortasse o conjunto. A ideia é original, é boa mas precisa de mais trabalho para se tornar um bom prato.



Mesmo depois de uma visita uns furos abaixo da primeira, continuo a acreditar que o B'Entrevinhos é o restaurante que faltava na Marina de Oeiras. Merece uma visita sem dúvida alguma.

B'Entrevinhos
Oeiras, Portugal
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Preço Médio: < 30 €

segunda-feira, 25 de maio de 2015

O Escondidinho (Mem Martins)

Gosto de uma boa francesinha... Não sou um especialista na matéria mas sou capaz de fazer alguns quilómetros para comer uma francesinha, mesmo arriscando-me a que não se revele tão boa como uma mais próxima de casa (já falei sobre essa aqui). Há uns meses disseram-me que havia um restaurante em Mem Martins que tinha como especialidade da casa as francesinhas, tendo inclusive uma de atum (que vim depois a perceber que é de pasta de atum e não bife de atum)! Mas onde em Mem Martins? Numa ruela difícil de explicar e encontrar, ou não fosse este um restaurante chamado O Escondidinho.
Não foi fácil lá chegar, e se não fosse a excelente integração da Zomato com o Google Maps acho que seria ainda mais complicado, mas ao entrarmos no restaurante deparamo-nos com um espaço de ar castiço e um serviço bastante simpático. Apesar de um menu de almoço com alguns pratos apelativos, deslocámo-nos propositadamente a Mem Martins para comer francesinhas e foi exactamente isso que pedimos.
A Francesinha Suprema pecou pela qualidade da carne, que se mostrou pouco macia mas que foi sendo compensada pela boa salsicha fresca e pela excelente linguiça. Pena também o pão não estar torrado, já que foi amolecendo à medida que ia absorvendo um molho saboroso mas mal balanceado, onde se denotava um sabor excessivo a cerveja e onde se notou a falta do picante. Em cima de tudo, uma boa dose de queijo e um ovo estrelado. Ah... ia-me esquecendo de mencionar que a francesinha também levava fiambre, mas a verdade é que o próprio se perdeu no meio de ingredientes com sabores muito mais activos.



Bastante melhor a Francesinha à Casa, onde o fraco bife de vaca é substituído por um bife de porco macio e saboroso, igualmente bem acompanhado pela salsicha e pela linguiça. De resto, os mesmos pontos altos e baixos que na francesinha anterior. Ambas as francesinhas foram acompanhadas por uma boa dose de batatas fritas caseiras onde falhou o sal, mas que serviram bem o seu propósito.



Não conheço muitas opções em Mem Martins mas se estiverem na zona têm aqui o que me parece ser uma aposta segura para almoçar. Num possível "roteiro de Francesinhas", não acredito que valha a pena a viagem, face à relação qualidade/preço apresentados.

Zomato
Foodspotting
O Escondidinho
Rua Particular à Travessa do Lavadouro
Mem Martins, Portugal
Preço Médio: < 20 €