segunda-feira, 13 de julho de 2015

Santa Luzia (Manteigas)

Quando vou de férias tenho a mania de me preparar ao nível gastronómico, para poder satisfazer as minhas vontades de jantar fora com alguma qualidade. Não quero com isto dizer que vá jantar fora todos os dias, muito pelo contrário. Apenas gosto de ter as minhas opções relativamente abertas, mas este método não é infalível. Quis ir em Setembro festejar uma data especial ao Vallécula, em Valhelhas, um restaurante onde fui no Verão de 2013 e do qual fiquei fã. Mas, apesar da informação que tinha retirado de alguns sites fiáveis, parece que o restaurante fecha para jantar ao Domingo, algo que eu não sabia. 
A segunda opção era o Dom Pastor, em Manteigas, mas parece que ao Domingo ao jantar também está fechado, algo que desconhecia devido à pouca informação online existente. Acabámos por dar uma volta por Manteigas, olhando para várias ementas, e decidindo ficar no Santa Luzia, por parecer ter a ementa mais apelativa.
Para começar a saciar o apetite aberto pela caminhada e ares da serra, foi pedida a Vara de Enchidos, que trazia 4 variedades diferentes de enchidos regionais, todos de um nível muito bom. Chouriços carnudos mas macios, uma morcela fantástica e uma farinheira de chorar por mais. Que todos os inícios de refeição fossem assim e eu seria sempre feliz.


Apesar de nos apetecer pratos de carne, queríamos grandes e bons nacos de carne, e por isso optámos por passar os pratos mais tradicionais como a Chanfana ou o Cabrito. O Medalhão de Vitela com Molho Bearnês a apresentar-se com um naco de carne de bom tamanho mas excessivamente passado (foi pedido mal passado e chegou médio-bem). A qualidade da carne era aceitável mas sem ser fantástica. Já o molho Bearnês veio cobrir todo o medalhão, mas com uma temperatura tépida e sem grande sabor. 


Como um só prato de carne não chega, pedimos também o Costeletão de Vitela ao Sal, sendo que este "ao Sal" nada tem a haver com a forma de cozinhar peixe "ao Sal", sendo, logicamente, uma costeleta de tamanho gigante grelhada e sendo temperada apenas com sal. Melhor qualidade na carne deste costeletão do que no medalhão, mas com o mesmo problema de temperatura na carne, pois o corte parecia-me pouco uniforme a nível de altura, tornando o centro da costeleta muito passada e apenas a parte junto ao osso estava mal passada. Ainda assim, doses bastante generosas e com bons acompanhamentos a preços simpáticos (12€ cada um dos pratos principais descritos).


Já um pouco cheios, decidimos pedir algo ligeiro para sobremesa, mas tentando voltar aos produtos regionais, e por isso pedimos o Queijo da Serra com Marmelada. Não sei bem o que esperava desta "sobremesa", mas certamente não era algo com tão pobre aspecto como o que surgiu. Esperava algo nas linhas desta imagem, com um queijo de comer à colher e algumas fatias generosas de marmelada. Mas, apesar do queijo de bom sabor, sendo bem acompanhado por uma marmelada boa, ainda que um pouco seca, todo o prato acabou por desiludir.


Ao longo de todo o jantar o serviço, apesar de simpático e prestável, parecia ter sempre aquela simpatia (es)forçada que se nota facilmente. Felizmente, não foi esforçado o suficiente que prejudicasse a experiência só por si, mas a qualidade da comida não ajudou a que ficasse com muito boa impressão.

Restaurante Santa Luzia
Manteigas, Portugal
Preço Médio: < 30 €

quarta-feira, 8 de julho de 2015

O Tavares (Linhó)

Já vos aconteceu recomendarem um restaurante, recentemente descoberto, para um almoço de família e depois não ser tão bom como foi da primeira vez que lá foram? Claro que existem N factores para que isto possa acontecer, mas a vontade de nos enrolarmos a um canto, embalando-nos e murmurando "Mas eu gostei mesmo deste restaurante há 4 dias atrás", é grande.
Vá, não vou exagerar, o restaurante não mudou da noite para o dia. A ementa continuou a ser apelativa, com pratos de carne e de peixe apetecíveis, a preços bastante justos e em boas doses, o serviço prestável, mesmo com bastante confusão, e a comida que pedi continuou num patamar de qualidade bastante aceitável. O que mudou? Os tempos de espera, e logo num dia em que eu estava com alguma pressa, e a falta de qualidade do atum.
Será uma questão de sorte na escolha dos pratos? Tanto na primeira como na segunda visita, os Lagartos de Porco Preto eram muito bons. O que o nível adequado de sal e uma mão competente na grelha fazem a tão "grosseiro" corte do animal. 



Também a gigante Espetada à Tavares com Louro se apresentava bem confeccionada, com os nacos de carne mal passados. O corte de carne era adequado à espetada mas precisava de um molho que complementasse a carne. Algo que a enriquecesse a nível de sabor. (Sim João, eu disse-te que ia mesmo pôr aqui a foto da espetada em que tu apareces... Isto de tirar fotos a comida tem os seus riscos de "emplastrismo")



Provou-se ainda um saboroso e exemplar rascasso. A fealdade do peixe é inversamente proporcional ao seu sabor. 
Também saboroso estava o Cozido à Portuguesa, prato do dia na segunda visita. Primeiro deixem-me salientar a imensidade da dose apresentada. Fiquei com a impressão que uma dose chegava perfeitamente para 3 pessoas. Depois, a diversidade e qualidade das carnes e enchidos representados. E o arroz, um dos indicadores de qualidade de qualquer cozido que se preze? Um pouco seco, mas bom de sabor e claramente cozinhado com a água do cozido. 



Mas porquê o drama quanto ao receio de fazer recomendações para ocasiões familiares? Primeiro porque a maior parte das minhas experiências em restaurantes são partilhadas com poucas pessoas. Quando multiplicamos este número por 5 é normal que os tempos de espera aumentem exponencialmente e o serviço se torne mais complicado. É difícil gerir uma mesa de 20 lugares num restaurante. 
Mas pior é quando as pessoas que lá levamos experimentam um prato que não está nem perto da qualidade que eu julgava que o restaurante seria capaz. Neste caso, vários Bifes de Atum onde nenhum se apresenta mal passado, como o serviço o tinha descrito. Todos vêm para a mesa bem passados e com um atum sem grande qualidade. Prontificaram-se a mudar por outro bife que tinham feito a mais e tinha sobrado mas também este sofria de sobreexposição ao calor.
Não deixo de considerar O Tavares como um bom restaurante, principalmente para grupos. As doses generosas e os preços moderados ajudam a equilibrar algumas inconsistências na qualidade da comida e possíveis atrasos na cozinha, que são expectáveis em grupos grandes.

O Tavares
Rua da Ribeira, 32
Linhó, Portugal
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Preço Médio: < 20 €

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Herdade de Montalvo (Alcácer do Sal)

Já vos falei de uma das minhas paragens favoritas para quem faz a viagem de férias (ou trabalho) até ao Algarve, como O Cruzamento, mas outro bom ponto de paragem é Alcácer do Sal. Se quiserem ficar por Alcácer do Sal, existem várias boas opções nas imediações! Por já ter ido várias vezes ao Hortelã da Ribeira, sugeri à família irmos experimentar A Escola, restaurante ao qual fui o ano passado e onde fiquei bastante bem impressionado. Mas ao chegarmos ao restaurante, o que ainda envolve um desvio de 17km de Alcácer, deparámo-nos com a sala cheia e como a fome já apertava, não quisemos esperar e fomos à opção mais próxima possível, a Herdade de Montalvo.
Ao contrário da opção anterior, este encontrava-se praticamente vazio, e depois de posta a mesa no simpático alpendre de que dispõem, fomos informados quais eram os Pratos do Dia, acabando por nem sequer olhar para a ementa propriamente dita. Para mim, Galinha de Cabidela, tentando suprimir a fraca cabidela experimentada no Dom Henrique. E, não sendo uma cabidela fantástica, faltando-lhe uma maior profundidade de sabor e vinagre, ainda assim era saborosa e com a carne bastante macia. Também provei o Choco Frito e o Cachaço de Porco, estando ambos com uma qualidade acima da média.



Para a sobremesa pedi aquilo que foi dito ser uma das especialidades da casa, o Pudim de Abóbora. Apesar da aparência ligeiramente queimada (na sua base), esta sobremesa era simplesmente fantástica. Boa textura, óptimo sabor a abóbora, sem ser exageradamente doce para um pudim. Já a Sericaia era bastante massuda mas com uma óptima compota de ameixa (mas sem ameixa). Em conversa com os responsáveis do restaurante, percebemos que têm tido vários problemas em conseguir acertar na receita da sericaia.



Um restaurante simpático e, principalmente, uma óptima opção para se, como nós, chegarem à Escola sem reserva, encontrarem o restaurante cheio e não tiverem vontade de procurar muito mais por uma refeição.

Restaurante da Herdade de Montalvo
Alcácer do Sal, Portugal
Preço Médio: < 30 €

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Santa Clara dos Cogumelos (Santa Apolónia)

A visita ao Santa Clara dos Cogumelos não foi uma visita qualquer. Para imaginarem o nível de expectativa em que me encontrava, este era o restaurante que estava no topo da minha wishlist. Adoro cogumelos e desde a abertura deste restaurante que andava tão excitado como um hippie no Woodstock. Demorou mas valeu a pena garanto-vos.
Primeira impressão, e que perdurou, foi a de um serviço informal mas respeitoso e bastante simpático. Por vezes, clientes portadores de descontos (como era o meu caso que ia com um desconto Time Out) podem ser alvos de um nível de simpatia inferior mas aqui não foi o caso. Durante toda a refeição houve simpatia e sorrisos, mesmo com algum embaraço, causado pela incapacidade de conseguir beber a cerveja artesanal produzida pelo restaurante, pois esta não parava de jorrar espuma como um vulcão activo. Uma situação que poderia ser chata acabou por ser resolvida com alguma diversão à mistura.
A ementa do Santa Clara dos Cogumelos é, como podem calcular, focada em cogumelos, de vários tipos e feitios. Um aviso à navegação: Se não gostam de cogumelos, esqueçam! Todos os pratos, sobremesas inclusive, contêm cogumelos. Não existem alternativas e, muito sinceramente, isso não me incomoda nem um bocadinho. É uma forma de se manterem fiéis ao conceito que têm e não acho que seja de forma alguma prejudicial.
Sendo um menu com entradas, petiscos e pratos, aconselho a pedirem (para 2 pessoas) 3 petiscos e 1 prato principal, podendo posteriormente decidir se querem mais ou não, mas esta foi a abordagem que seguimos na nossa visita. Aqui, o difícil é escolher.
Começámos com uns Pleurotus de Fricassé de excelente sabor e com o molho a apresentar uma boa cremosidade, mas gosto do fricassé com um maior nível de acidez para cortar a riqueza do ovo. De realçar que todos os pratos de petiscos são confeccionados com cogumelos diferentes, sendo estes uns Pleurotus Ostreatus, comummente denominados de Cogumelos Ostra.



Já os Cogumelos Panados pareciam ser uns típicos Cogumelos Paris (ou Agaricus Bisporus), perfeitamente fritos com aquela camada exterior crocante e o interior carnudo e macio. Acompanhou com um molho de iogurte e açafrão interessante e leve.



Para terminar a ronda de petiscos, chegaram os Shitake à Bulhão Pato. Boa consistência, bons cogumelos Shiitake e bom molho nesta interpretação de algo tão tipicamente português mas executado com um produto encontrado com mais regularidade na gastronomia asiática. Bom, guloso e a pedir pão, tal como o molho da fricassé também já tinha pedido.



Mas o prato da noite foi o Magret de Pato que, mesmo apesar de alguns aspectos com o qual não fiquei deslumbrado, foi o prato que mais marcou esta refeição. Um peito de pato com o interior bem rosado mas onde a gordura podia estar mais cozinhada e a pele mais estaladiça. Mas o efeito surpresa é o intenso sabor fumado que está incorporado no pato. Surpreendentemente bom! O molho de laranja ajuda a fundir sabores dando-lhe uma nota de maior dimensionalidade.
O risotto de Porcini (Boletus Edulis) "al salto" não convenceu. A técnica de fritura (usada tradicionalmente para reaproveitamento) acaba por secar um pouco o arroz, retirando-lhe cremosidade, e o próprio bago usado pareceu-me estranho. Duvido que fosse Arbório, e não tenho conhecimentos suficientes para os diferenciar, mas pelas descrições que li sobre os diferentes bagos, pareceu-me ser Carnaroli. (Podem ler aqui sobre os diferentes tipos de arroz para risotto)



Não podia sair do Santa Clara dos Cogumelos sem provar uma das sobremesas, pois estas também têm cogumelos. A escolha acabou por recair no Pecado de Santa Clara que, infelizmente, se mostrou pouco pecaminoso. Uma boa sobremesa, bastante inovadora no uso das trompetas da morte (Craterellus Cornucopioides) tanto no topo da tarte de limão como incorporadas em pó entre o creme de limão e o merengue. Bom, com doçura e acidez qb, mas que não me maravilhou neste viagem alucinogénica.



As expectativas que tinha para o Santa Clara dos Cogumelos foram correspondidas. Adoro o conceito e a ementa desenhada à volta desse mesmo conceito (algo que também me atraiu no Pigmeu). Adorei a comida experimentada e só fiquei triste por não conseguir experimentar toda a ementa. Resumidamente, adorei o Santa Clara dos Cogumelos.

Santa Clara dos Cogumelos
Mercado de Santa Clara, 7 - 1º Andar
Santa Apolónia, Portugal
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Preço Médio: < 30 €

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Restaurante Lounge Sal (Ilha de Tavira)

Última manhã de praia em Tavira, lá fomos nós até à Ilha de Tavira para aproveitar as últimas horas de sol algarvio, seguido de almoço num dos restaurantes da própria ilha. A ideia que tinha desses restaurantes é que seriam todos exagerados ao nível financeiro, virados para as centenas (milhares?) de estrangeiros que todos os dias frequentam aquela praia e sem uma qualidade por aí além. 
Mas este Sal acabou por me convencer do contrário. Começámos por conhecer a cozinheira que está à frente do estabelecimento, que é amiga de uma das pessoas com quem me encontrava, bastante simpática e que disse que fazia os possíveis na cozinha mas sempre com bastante amor. Pode parecer conversa da treta, mas o ar da senhora convenceu-me.
Começámos a refeição com um dos pratos mais curiosos da ementa, Mexilhão com Gengibre e Molho Napolitano. Bons mexilhões mas a verdadeira diferença estava no molho, com a conjugação do tomate, cebola e alho a combinarem perfeitamente com o gengibre tostado finamente picado, dando uma verdadeira sensação de profundidade nos vários sabores que nos vão preenchendo a boca.


As Tiras de Choco Frito são boas e com uma fritura uniforme, de boa textura e sabor, acompanhadas por uma maionese de alho não excessivamente forte. Não são as melhores que já comi mas são bastante boas!


O Lingueirão Salteado com Alho e Limão, a fazer lembrar um Bulhão Pato, com os bivalves bem cozinhados e um nível quase acertado de tempero, faltando-lhe ser acompanhado por um gomo de limão que pudesse ser mais facilmente espremido do que a rodela que vem no prato. Problema facilmente e rapidamente resolvido quando o pedido é feito aos empregados e rapidamente correspondido.


Mas, infelizmente, nem tudo esteve a um bom nível nesta refeição. O Polvo "Aglio Olio" com Batata-Doce com um péssimo nível de cozedura, estando duro, borrachoso e difícil de mastigar. O sabor até era agradável com o azeite a ser perfumado pelo alho que lá foi frito e as batatas de bom sabor e bem cozidas, mas o polvo acabou por estragar a experiência deste prato.


Também a Posta de Garoupa com Amêijoas, um dos pratos sugeridos pela cozinheira, acaba por não surpreender apesar do bom sabor da garoupa, mas a ser estragado pela quantidade de amêijoas que tinham areia, algo bastante desagradável. Um prato bom e consistente mas sem deslumbrar.


Também no campo das sobremesas houve altos e baixos. A Baba de Camelo, realizada com uma receita da filha da cozinheira, era bom por não ser tão doce como as que habitualmente se costumam comer, mas a textura não estava correcta e até já tinha criado um fundo de soro. 


Mas o melhor da refeição ficou mesmo para o fim, acabando com uma nota altíssima toda esta experiência. Pedimos dois Cheesecakes, um de Frutos Vermelhos e outro de Figos, e se o de Frutos Vermelhos já era bom, não sei bem como hei-de descrever o de Figos! É um dos melhores, ou até mesmo o melhor, cheesecake que já experimentei! A base podia não ser a mais consistente mas era bastante saborosa, com o queijo creme a ser complementado com raspas de lima que lhe dão um toque amargo ideal, sendo tudo encimado por um doce de figos de comer e chorar por mais. Inesquecível!




No final, não foi só o ar da senhora que me convenceu mas também a sua cozinha, apesar de alguns pontos mais baixos, a ser consistente e feita de bons ingredientes, com os preços a estarem um pouco acima do normal por o restaurante estar localizado na Ilha de Tavira.

Restaurante Lounge Sal
Tavira, Portugal
Preço Médio: < 30 €

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Zomato Foodie MeetUp @ Tágide Wine & Tapas Bar (Chiado)

Tive o prazer de ser convidado para mais um Zomato Foodie MeetUp, desta vez realizado no restaurante Tágide Wine & Tapas, um restaurante com uma vista fantástica sobre a cidade e com alguma fama, o que automaticamente cria expectativas altas. Um muito obrigado à Zomato pelo convite e aos restantes comensais por mais de 3 horas de boa conversa, um dos pontos altos recorrentes dos encontros onde já estive.
Serviço impecável e irrepreensível durante todo o jantar, infelizmente não sendo bem acompanhado pela comida, que teve demasiados baixos e poucos altos. Para um restaurante que se quer impor como um restaurante de qualidade acima da média, a comida tem que acompanhar a ambição.
Começámos a refeição com uma tábua com um Mix de Petiscos, donde se destacava a Morcela Beirã Assada com Banana e Gengibre. Surpreendente o toque do gengibre a aliviar o peso dado pela conjunção da morcela com a banana. A tábua apresentava ainda uns Mexilhões em Escabeche e um Queijo de Azeitão com Compota de Tomate, mais normais sem deslumbrarem nem comprometerem muito.



Seguiram-se uns Ovos Rotos cuja denominação facilmente poderia ser outra. Na realidade era um prato que apresentava uns ovos mexidos já a caminho de um estado desidratado, umas batatas fritas que apesar da boa fritura apresentavam um excessivo sabor a óleo, safando-se apenas o bom presunto.



O Bacalhau Confitado com Broa, Grão e Hortelã foi o melhor prato da noite com o bacalhau a apresentar-se bem cozinhado e a lascar facilmente, contrastando na perfeição com a textura da broa crocante. Tudo bem temperado e com a hortelã a refrescar-nos o palato enquanto se intrometia com os sabores mais fortes do prato.



Depois do melhor veio também o pior prato da noite, com um Pica-Pau de novilho muito duro e difícil de mastigar. Molho bem apurado, muito devido à mostarda de grão usada, e uns pickles simpáticos mas que não chegavam para salvar o prato em si.



A sobremesa foi uma simpática Trilogia onde nenhuma das individualidades brilhou, mas que se mantiveram com um nível bastante aceitável. Pecou o Creme Brulèe na caramelização do açúcar, a Trufa na cremosidade e a Mousse de Dois Chocolates com Frutos Vermelhos no pouco balanceamento da doçura dos chocolates com a acidez dos frutos vermelhos, pendendo a balança para os chocolates.



Uma refeição fraca para os preços presentes na ementa, com alguns apontamentos engraçados mas caindo a maior parte da refeição numa mediocridade sofrível. Safa-se o bom serviço, a vista e a conversa que durou até gentilmente nos expulsarem do restaurante.

Tágide Wine & Tapas Bar
Lisboa, Portugal
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Preço Médio: < 30 €

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O Convento (Tavira)

Desde pequeno que costumo ir passar férias a Tavira e sempre tinha reparado no Convento das Bernardas, um edifício imponente e num estado avançado de degradação. Mas isso mudou, e agora o Convento das Bernardas é um recuperado (pelo arquitecto Eduardo Souto Moura) complexo de habitação, que inclui um restaurante, O Convento.
Com mesa marcada, entramos no restaurante e deparamo-nos com uma sala grande e de aspecto requintado, com um pé-direito alto o que provoca algum eco na acústica da sala. Mas, sendo um grupo de 7, indicaram-nos uma sala à parte onde tinha sido colocado a nossa mesa para que estivéssemos mais à vontade. Apesar do sentimento de maior privacidade, a sala onde fomos colocados era toda uma diferente cacofonia de pratos a bater, o elevador da comida a subir e descer, a máquina do café a trabalhar, etc. Foi uma tentativa simpática, mas não sei até que ponto não preferia o eco das mesas vizinhas na outra sala...
A ementa é variada, com destaque para alguns pratos com produtos regionais (Polvo de Tavira, Amêijoas da Ria Formosa), mas depois de mais de uma semana a comer apenas peixe, decidi ir para a Bochecha de Porco Preto com Batata-Doce Frita e Cogumelos Salteados. Fantástica a bochecha, a desfazer-se com o garfo e a ligar perfeitamente com os cogumelos salteados, sobressaindo ainda o sabor do alho, mas não de maneira negativa. Também a batata-doce frita era muito boa e a funcionar muito bem como acompanhamento.


A sobremesa foi escolhida rapidamente, mantendo um tema de batata-doce com a aposta a recair sobre a Torta de Batata-Doce com Sabayon de Amarguinha. A torta cremosa e com um nível de humidade adequado onde a batata-doce brilhava, bem acompanhada de um sabayon que balanceava na perfeição a Amarguinha e a amêndoa, não ofuscando o sabor da batata-doce quando combinado com a torta.


Um restaurante simpático em Tavira, com algum requinte na confecção dos pratos mas principalmente na sua apresentação, com um serviço jovem mas bastante prestável e simpático. Os preços são um pouco mais altos do que as ofertas normais, mas entende-se pela qualidade dos pratos que acima descrevi.

O Convento
Tavira, Portugal
Preço Médio: < 30 €