segunda-feira, 3 de julho de 2017

O Pizza (Mem Martins)

Andava à procura de um restaurante de preços modestos, perto da zona de Algueirão e Mem Martins. A escolha não é gigante e acabei por optar por este O Pizza, pelas reviews positivas que tem e pela opção de Rodízio de Pizzas que apresenta um apelativo preço de 10€.
Apesar do nome do restaurante poder levar a crer que seria exclusivamente um restaurante italiano, a verdade é que a ementa também tem uma forte componente de pratos portugueses, parecendo passar algo ao lado das pessoas nos pedidos que vemos passar para outras mesas. 
Antecipando alguma possível demora no início do provisionamento das pizzas do rodízio, optámos por começar a refeição com um banal Pão de Alho com Mozzarella, sem nada que o destacasse ou fizesse sobressair das ofertas que podemos encontrar em qualquer medíocre restaurante italiano.



O Rodízio de Pizzas é composto por 8 variedades diferentes de pizza (6 salgadas, 2 doces) e 3 saladas (que nunca chegaram à mesa e que só depois de ter saído do restaurante me lembrei). A qualidade das pizzas é relativamente decente, sem um excesso de ingredientes e com combinações com alguma qualidade. O maior problema nas pizzas será a falta de sal na base, tornando-a algo doce. Já nos toppings, algumas melhores que outras, destacando pela positiva a de chouriço de sangue e maçã (e eu que não sou adepto de fruta nas pizzas), espinafres e farinheira ou cebola roxa e bacon.







O problema principal não esteve na qualidade das pizzas mas no tempo que demoraram com o rodízio a ser feito a conta-gotas, uma pizza de cada vez (e éramos 5 pessoas à mesa) e com largos tempos de espera. Isto fez com que chegássemos ao fim da 6ª pizza e pedíssemos as doces pois já estávamos algo fartos de estar no restaurante e nem toda a gente estar saciada. 




Não fosse os tempos de espera excessivos e consideraria O Pizza como uma opção válida para comer pizza à bruta, ainda que o rodízio não inclua muita variedade, mas estar 2 horas num restaurante para comer meia dúzia de fatias de pizza parece-me excessivo.

O Pizza
Avenida Chaby Pinheiro, 31B
Mem Martins, Portugal
O Pizza Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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TheFork
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 27 de Maio 2017

domingo, 2 de julho de 2017

Balcão do Marquês (Marquês de Pombal)

Estava à procura de algum local barato, prático e para um rápido almoço semanal na zona do Marquês de Pombal. A zona tem vários locais bastante atractivos mas acabavam por obrigar a uma maior deslocação e, como tal, iriam demorar mais tempo. A escolha acabou por recair nesta pastelaria/restaurante sem que nada soubesse quanto à mesma.
Para quem, como eu, possa entrar nesta pastelaria como quem se entrega ao desconhecido ou sem qualquer expectativa, o primeiro impacto até é relativamente positivo. Salta à vista, na sala do lado esquerdo, uma decoração simpática e alusiva à zona onde se enquadra, representada com imagens do passado.
Seguidamente damos conta da muita publicidade que parece existir em torno dos pastéis de nata, surtindo alguma curiosidade em nós, principalmente quando reparamos que esta pastelaria ganhou o prémio de Melhor Pastel de Nata no Peixe em Lisboa 2014 e obteve o 3º lugar em 2015. Ok, a sobremesa está decidida!
A ementa tem alguns pratos à carta mas há um destaque para os pratos no dia, cujo preço é também mais baixo (embora varie consoante as 3 áreas - balcão, mesa, esplanada). Entre o pedido e a comida chegar à mesa passaram, se tanto, 5 minutos, com o serviço a revelar-se bastante eficaz e rápido.
Uns simpáticos Filetes Panados com Salada Russa, com os filetes bastante estaladiços e sem qualquer excesso de gordura, ainda que pudessem estar melhor temperados, acompanhados com uma competente salada russa mas que merecia melhor balanceamento entre as proporções dos diferentes vegetais, com a ervilha a ser o mais utilizado.



A generosa porção de Arroz de Pato, com um arroz bem solto mas não excessivamente seco e uma proporção correcta face à quantidade de pato, apenas pecou pela falta de sal. Tudo parecia excessivamente doce! Exceptuando os bons enchidos que se apresentavam por cima arroz e com que fui temperando a comida à medida que ia comendo.



No final, não podia faltar a estrela da casa, o Pastel de Nata. E não desiludiu com a sua massa estaladiça a revelar um creme consistente e bastante saboroso. Não sendo o melhor que já experimentei é, sem dúvida, um bom exemplar de pastel de nata.



Um local bastante em conta para rápidos almoços de semana, pois tudo o que descrevi passou-se em pouco mais de 30 minutos, com a qualidade da comida a não ser soberba mas a compensar por todas as variantes incluídas (tempo, preço, qualidade).

Balcão do Marquês
Lisboa, Portugal
Balcão do Marquês Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 27 de Maio 2017

quarta-feira, 28 de junho de 2017

O Abel (Gimonde) @ Mesas Bohémias

Este projecto das Mesas Bohémias, com patrocínio Sagres e que nasceu da cabeça de Rodrigo Meneses (curador da Academia Time Out, da qual já falei aqui), é das propostas gastronómicas mais interessantes que podemos actualmente encontrar. A habilidade de, por alguns dias, transladar uma região para uma das duas maiores cidades portuguesas é de louvar! E sim, disse transladar uma região. Porque aqui a questão não é só trazer alguns restaurantes longínquos a Lisboa ou Porto. Aqui, o conceito é trazer também os produtos, desde as proteínas, às especiarias e passando, inclusive, pelo carvão onde os produtos são confeccionados! Como bom apaixonado pela cozinha portuguesa, esta procura de autenticidade é algo muito própria do Rodrigo, querendo dar às pessoas a possibilidade de desfrutar e experimentar novas sensações que muitas, de outra forma, não teriam hipótese de vivenciar e sempre com o maior nível de autenticidade possível. 



A logística envolvente deve ser um verdadeiro pesadelo, com toda a questão do transporte (mantendo a frescura e qualidade) dos produtos, das equipas e também do espaço que irá acolher este restaurante durante os dias em que o evento durar. É o exemplo gastronómico do provérbio "Se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha". A toda a equipa que está envolvida no projecto, os meus mais sinceros parabéns! Fiquei fã e, se fosse possível, reservava já um bilhete de época para todo o ano!
A 1ª edição viu Lisboa, especificamente o restaurante D. Afonso o Gordo, receber a Casa Inês, restaurante icónico da cidade do Porto e casa-filha do também nacionalmente reconhecido Casa Aleixo (sobre o qual falei brevemente aqui). Já o Porto recebeu, no BH Foz, o algarvio Noélia, facilmente proclamado como um dos melhores restaurantes de todo o Algarve.
Nesta 2ª jornada, Lisboa teve o prazer de receber O Abel, um dos melhores e mais conhecidos restaurantes transmontanos, no restaurante Cantina LX (do qual já falei aqui) e o evento esgotou em poucos dias! O nome do evento também não é ao acaso, pois a ideia é também a de juntar um grupo de desconhecidos à volta da mesa, partilhando boa comida. Algo bastante português, como não poderia deixar de ser! E, para perceberem o quão famoso é O Abel, estive sentado com algumas pessoas que costumam ir ao Abel e, mesmo assim, não deixaram passar a oportunidade de comer a sua comida na capital!
Às Mesas Bohémias vamos já com um menu de degustação pré-definido, quiçá o melhor menu de degustação do país por tão baixo valor, e onde podemos experimentar o melhor que o restaurante tem para oferecer. As expectativas eram altas mas ainda assim consegui sair de lá surpreendido, não só pela comida, como pela experiência e ambiente sentido durante toda a refeição. Presenciar o momento em que 100 pessoas gritam, qual grupo de estudantes universitário eufóricos, "chicha" é bastante único.



O Pão de Gimonde abriu a refeição, excelentemente acompanhado por um bom Azeite Transmontano. Pão esse que é ainda amassado à mão antes de ir a cozer num forno a lenha, numa padaria de Gimonde, como nos explicou uma das pessoas da organização.



Com a mesa já completa, pois para facilitar o trabalho e organização da cozinha as mesas são servidas de forma sequencial, começam a chegar as entradas. Excelente Alheira transmontana, feita especialmente para esta refeição, e uma fantástica Chouriça Assada, ambas com notas ligeiramente picantes com o intuito de ligar à amargura encontrada na nova Bohémia IPA.




Fiquei fã do Cordeiro Grelhado! Não foi só o facto de cada peça ter sido temperada (com o molho da posta) à mão pelo Óscar, responsável pela cozinha d'O Abel, mas a forma delicada como estava grelhada, com a gordura extremamente saborosa e a deliciosa e macia carne a encantar o palato. Excelentes também as batatas assadas, que também vieram de Trás-os-Montes, com o sabor adocicado característico das batatas novas e temperadas com cebola crua para lhe dar mais vida. Sabores bastante fortes e que foram combinados com a Bohémia Puro Malte, uma cerveja mais leve e menos intensa, que deixou a comida brilhar.




O prato estrela d'O Abel, a Posta à Abel, não podia faltar. Estamos a falar da, provavelmente, posta transmontana mais conhecida de todo o país! As expectativas que a minha mente criou foram enormes mas valeu cada dentada neste belo naco de carne. Aqui, a posta foi servida em versão meia dose, e ainda bem pois o exemplar completo seria claramente comida a mais para o estômago da maior parte dos comensais. Excelentes também as batatas fritas, extremamente viciantes e a surpreenderem de tão boas. Este prato foi acompanhado pela Bohémia Original. 




Para terminar a refeição, um Pudim de Castanhas muito bom, perfeitamente cozinhado e onde o único problema foi a utilização de um caramelo industrial. 



Nem tudo foi perfeito, como é natural num restaurante e numa equipa que está a trabalhar num espaço que não o seu. Por exemplo, nem todas as postas estavam com a mesma temperatura e o pudim da minha companheira de aventuras não tinha o sabor das castanhas que o meu tinha, levando a várias comparações entre os pratos apenas para chegar à conclusão que o dela sabia apenas a... pudim.
Mas todos estes pormenores são facilmente desculpados. A logística de alimentar 100 pessoas desta forma não é fácil, acabando por naturalmente afectar um pouco da qualidade, mas não o suficiente para que as pessoas saiam do Mesas Bohémias desiludidas, como se podia ver pelos rasgados sorrisos das pessoas enquanto saíam.
O conceito é muito bom, e a execução não lhe fica atrás, trazendo um nível de autenticidade que não é comum encontrar-se. A oportunidade de conhecer restaurantes que se encontram a muitos quilómetros de distância é quase impagável. E o preço que pagamos nas Mesas Bohémias é uma ninharia para o que retiramos da experiência.

O Abel
Gimonde, Portugal
Preço Médio: < 20 € (Mesas Bohémias: 30€)
Data da Visita: 27 de Maio 2017

terça-feira, 27 de junho de 2017

La Rocina (El Rocio)

Num dos dias, que passei na zona do Parque Doñana, decidimos ir conhecer a pitoresca vila de El Rocio, uma vila com bastantes tradições equestres e que faz lembrar uma cidade do Wild Wild West. Não conhecendo nada na zona acabámos por optar pelo restaurante La Rocina para almoçar. 
Foi uma escolha mais pela ementa variada e apelativa, mas ficámos algo assustados quando entrámos no restaurante, encontrando-o completamente vazio, estado que se manteve durante toda a refeição.
É impressionante como se encontra bom Presunto em toda e qualquer esquina espanhola. A maior parte das vezes até a preços baixos, mas no La Rocina, a rácion (dose inteira) deste fabuloso presunto tem um preço desadequado (16€) face aos restantes preços praticados na ementa.



Bastante bom o Choco Frito, numa meia dose bastante generosa para o preço cobrado, ainda que servida sem acompanhamento. Bem frito, sem qualquer excesso de gordura e com uma boa textura.



No La Rocina não há apenas tapas. Um dos destaques das ementa são as carnes locais, naturais da Serra de Aracena. Não consegui resistir a experimentar o Entrecôte de Ternera (vitela) e este não desapontou. Carne de excelente qualidade, bem cozinhada e bem temperada mas com acompanhamentos que não estavam à altura.



Foi, provavelmente, a refeição mais cara que fiz na semana que passei em Espanha em 2016, mas foi também a única que fugiu um pouco à arte de tapear. Considerando tudo, os preços são bastante adequados, exceptuando o do prato de presunto, para a qualidade apresentada.

La Rocina
Plaza Doñana, 8
El Rocio, Espanha
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Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 8 de Junho 2016

segunda-feira, 26 de junho de 2017

O Horácio (Algés)

Nunca tinha ouvido falar desta marisqueira, nem nunca tinha passado pelo bairro onde está localizada. Este foi daqueles sítios que descobri porque queria uma marisqueira, que ficasse entre o trabalho e casa e não me obrigasse a grandes desvios. Rápida procura pela plataforma do costume e lá me deparei com este Hóracio. A ementa era exactamente o que pretendia e os preços pareciam-me adequados.
Pensava que seria fácil arranjar mesa, dada a localização fora de roteiros mais conhecidos, mas a verdade é que, chegando ao restaurante, deparámo-nos com o mesmo cheio e com pessoas à espera. Nada que nos desmotivasse e decidimos esperar também.
Abrimos as hostilidades com umas boas Amêijoas à Bulhão Pato, cujo molho guloso nos levou a comer um cesto grande de bom pão torrado. 



As Gambas à la Guillo tinham um bom tamanho mas gosto dos molhos ainda mais apurados, inclusive até com algum picante, mais à semelhança do que fazem no Ramiro (aqui). Claro que isso não impediu que algum do pão torrado fosse utilizado neste azeite aromatizado.



O Presunto apesar de apresentar uma qualidade decente estava cortado grosso demais, sendo mais apreciador de fatias mais finas (e também de um presunto de maior cura do que aqui servido). O prato de presunto é bastante bem servido a nível de quantidade para a módica quantia que custa (cerca de 4€).



Para a sobremesa, como em qualquer boa marisqueira, um óptimo Prego do Lombo. Carne macia, servida média-mal e bem temperada com alho. Bom também o pão onde o prego foi servido.



Não esperava encontrar um local assim perdido no meio de Algés, tornando-se uma boa revelação. Relação qualidade-preço bastante aceitável para as matérias primas apresentadas.

O Horácio
Algés, Portugal
Horácio Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 19 de Maio 2017

domingo, 25 de junho de 2017

Less by Miguel Castro e Silva @ Zomato Gold Meetup (Príncipe Real)

A Zomato decidiu fazer o seu primeiro Gold Meetup, convidando alguns dos seus subscritores Gold para conhecer o restaurante do Príncipe Real de um dos mais conhecidos chefs portugueses, Miguel Castro e Silva, detentor de um percurso invejável e com vários projectos em carteira para abrir este ano.
Neste Less, Miguel Castro e Silva tem a oportunidade de revisitar pratos e um conceito que há muito tinha colocado de parte, quando o seu foco começou a incidir mais sobre a cozinha portuguesa. Aqui, a ementa reflecte as influências internacionais na cozinha do chef, mas não deixando de parte sabores muitas vezes portugueses. O restaurante, inserido no 1º piso d'A Embaixada no Príncipe Real numa iniciativa conjunta com a Gin Lovers, tem um ambiente algo rústico, com as suas paredes a descascar e colunas imponentes.



Neste jantar, tendo o restaurante praticamente só por conta do Meetup, tivemos a oportunidade de experimentar pratos que ainda estão a ser trabalhados e foram pouco testados (como admitido pelo próprio chef no início do jantar), exceptuando um. O chef teve a oportunidade de estar sentado à mesa, a provar estes mesmos pratos, e foi interessante ver que. no final do jantar, teve a espontaneidade e honestidade de dizer o que ainda teria que trabalhar sobre os pratos para que pudessem estar ao nível que ele concebia.



Começámos com bom pão e tostas, excelentemente acompanhadas por boas manteigas. Muito boa a manteiga de manjericão mas sem conseguir suplantar os excelentes sabores da manteiga de fígados.



O Tártaro de Atum com Cebolete deve ter entrada directa para a carta sem muitas afinações. Sabores simples mas apurados, sem ser necessário inventar muito ou complicar. Aqui nota-se, principalmente, a qualidade do produto servido, sem medo de deixar cubos maiores para que possamos verificar isso mesmo quando trincamos.



A interpretação do Bacalhau à Conde da Guarda de Miguel Castro e Silva apresenta a brandade de bacalhau, plena de sabor, conjugada com uma compota de tomate seco, bastante intensa mas parecendo faltar ao prato alguma acidez, algo que acontecia na interpretação de Vitor Claro (aqui) com o uso de tomate fresco.



O único prato que já está na carta actual são os Ravioli de Abóbora Assada com Amêndoa sendo, curiosamente, o prato salgado que achei menos interessante. Um prato bastante unidimensional e de sabores demasiado ligeiros e doces para o meu gosto, mesmo com o uso do parmesão que dava, ocasionalmente, um toque mais salgado. Talvez a utilização de um caldo salgado mais intenso pudesse fazer o prato brilhar.



O Risotto de Trompetas com Vitela Crocante tinha 2 execuções de qualidade bastante distintas. Se de um lado estava um risotto cremoso, com o arroz cozinhado no ponto e extremamente guloso, do outro tínhamos uma fatia de vitela cozinhada durante 12 horas a baixa temperatura mas cujo tempo posterior na frigideira deixou a carne médio-bem e não surtindo o efeito crocante desejado.



A sobremesa é talvez o prato que precise de mais trabalho e afinação. O Crumble de Pêra com Zabaglione de Disaronno (a substituir o típico vinho Marsala usado) falhava na textura do crumble e, principalmente, no zabaglione. Uma sobremesa que necessitará de mais acidez para não se tornar tudo demasiado uniforme.



Não é possível avaliar esta refeição como se fosse uma refeição normal. Foi um jantar onde o chef aproveitou para experimentar algumas coisas com perfeita noção que teria que haver ainda mais trabalho. De certa forma, isto torna-se reconfortante porque havia aqui pratos já de si muito bons mas percebemos que o chef Miguel Castro e Silva almeja chegar sempre a um ponto que o satisfaça plenamente. E quando se trabalha com este objectivo, o resultado final será sempre bom!

Less by Miguel Castro e Silva
Lisboa, Portugal
Less by Miguel Castro e Silva Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 40 €
Data da Visita: 18 de Maio 2017

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Rabo d'Pêxe (Saldanha)

O Rabo d'Pêxe é um daqueles restaurantes mediáticos e que andam constantemente nas bocas do mundo. A sua abertura, no final do ano de 2015, guiada pelo chef Filipe Rodrigues (ex-Sea Me) rapidamente fez as redes sociais vibrar com reviews positivas. Mas, passados perto de 6 meses, Filipe Rodrigues deixou o leme do barco e entrou, para o seu lugar, um dos mais conceituados chefs portugueses, principalmente no que toca a gastronomia asiática, Paulo Morais (ex-Umai)! Com tudo isto, a expectativa não podia ser maior.
À entrada do restaurante assustei-me um pouco. Abri a porta para uma sala vazia, mas rapidamente fui encaminhado para a minha mesa, que se encontrava no jardim interior do restaurante. Espaço muito giro, dando a real sensação de um jardim (e que deverá ser fantástico para almoços solarengos ou noites quentes) mas a sua acústica não é muito boa, acabando por tornar o espaço algo barulhento. O serviço foi bastante simpático mas notava-se inexperiência e alguma atrapalhação. Para mim, num restaurante desta gama, estou à espera de receber uma resposta rápida quanto a dúvidas na ementa ou quando pergunto que peixes estão no prato de sashimi que me serviram. Aliás, idealmente, nem teria que perguntar...
A influência de Filipe Rodrigues parece notar-se ainda por toda a ementa e conceito do restaurante. O Rabo d'Pêxe tem um conceito bastante parecido ao Sea Me, com o foco nos produtos marítimos (neste caso, sendo boa parte vindo dos Açores) e igualmente com uma abordagem maioritariamente asiática que consegue agradar a gregos e troianos.
O Couvert é composto por um cesto de pão simpático, um óptimo azeite, uma boa manteiga de algas e uma manteiga de sapateira que mais parecia um patê.



O Sashimi Matsu apresentou peixe de excelente qualidade, servido sobre uma cama de gelo. Fantástico o Robalo, o Salmão e o Pregado e, num nível ligeiramente mais baixo mas ainda assim bastante bom, o Atum (ainda que a cor pudesse dar a entender o contrário) e o Carapau. Excelente pormenor e atenção da casa ao servir mais do que as 15 peças anunciadas, pois se é prato para 2 pessoas dividirem, então deve-se adaptar o número de fatias para que ambas possam ter a mesma experiência. 



O melhor da noite, e o mais surpreendente, foi o Dueto d'Tártaros! Um fantástico tártaro de novilho com gema de ovo curada, complementado com uns cogumelos shimeji, dando-lhe um ar florestal. Um genial tártaro de ostra com o uso da clara do ovo num merengue. E a surpresa da noite foi quando quem nos estava a atender disse que era recomendado pela cozinha a junção dos dois tártaros. O nosso ar céptico deve ter revelado bastante do que nos passou pela cabeça na altura mas lá seguimos o conselho e acabámos por ficar extremamente bem impressionados. Não sei se será melhor o conjunto do que a separação das partes mas qualquer das vertentes é fantástica!



Entre os tártaros e os restantes pratos houve uma demora considerável porque decidiram condensar o pedido de 3 nigiris e 3 gunkans num só prato mas, infelizmente, isto levou a uma espera de cerca de 20 minutos por 12 peças!
O Gunkan de Ananás dos Açores com Caranguejo de Casca Mole faltava-lhe textura principalmente mas também o sabor do ananás se sobrepôs ao do caranguejo, ofuscando-o completamente.



O gunkan para o qual estava mais curioso, e que ao mesmo tempo mais me desiludiu, foi o Gunkan de Pêxe Branco com Fígado de Tamboril e Chutney de Abóbora. Conceptualmente pareceu-me fantástico, ainda para mais porque gosto bastante de fígado de tamboril (esse foie gras dos mares!), mas depois a concretização senti que não estava à altura das minhas expectativas. No primeiro segundo fiquei maravilhado com a riqueza do fígado caramelizado mas depois apercebi-me que já estava a uma temperatura bastante ténue e que isso não ajudava a peça. Mas até aqui ok, o problema surgiu quando o sabor do chutney de abóbora se apoderou do meu palato e tornou tudo excessivamente doce.



Fantástico foi o Gunkan de Presunto de Novilho com Bivalves à Bulhão, numa peça claríssima de fusão onde tudo funcionou na perfeição!



No campo dos Nigiris, também alguns altos e baixos. Achei o Nigiri de Cogumelo Grelhado apenas simpático mas muito abaixo do potencial que tem e que imaginava. O cogumelo pouco trabalhado e a composição da peça a revelar alguma fragilidade na componente do arroz, desfazendo-se muito facilmente.



Algo completamente obrigatório no Rabo d'Pêxe, assim como o é no Sea Me, é o Nigiri de Sardinha (sobre o qual já falei aqui). A simplicidade de um filete de sardinha, assado com um maçarico e terminado com flor de sal, que no entanto desperta todos os nossos sentidos de forma complexa... Simplesmente fantástico e com sabor a Verão!



Mas onde fiquei assoberbado foi com o Nigiri de Carabineiro. A pujança e pureza do carabineiro é perfeita. Dá vontade de fazer uma refeição só com estes nigiris.



A ementa do Rabo d'Pêxe é extensa mas bastante apelativa, apresentando qualidade em quase tudo o experimentado. Fica a vontade de regressar e experimentar tudo o resto.

Rabo d'Pêxe
Avenida Duque de Ávila, 42
Lisboa, Portugal
Rabo d'Pêxe Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Preço Médio: < 50 €
Data da Visita: 15 de Maio 2017