segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Esquina do Avesso (Leça da Palmeira)

Escrever o post do Dom Tacho (aqui) deu-me algumas saudades da Comic Con Portugal 2017, realizada em Matosinhos, e que proporcionava sempre aventuras gastronómicas bastante interessantes. 
Uma dessas aventuras foi também uma das melhores refeições que fiz em 2017. Sim, é um post sobre uma refeição antiga, pode estar algo desactualizado (a nível de ementa certamente que estará, com o chef Nuno Castro a dar asas à sua criatividade e mudando constantemente a ementa) mas há muitos locais entre 2016 e 2017 que ficaram por falar. Alguns falarei deles quando me apetecer, outros se calhar nunca falarei. 
A Esquina do Avesso não é um restaurante qualquer. Aliás, nenhum restaurante deste grupo pode ser tomado como "mais um". A Esquina do Avesso pertence aos mesmos responsáveis de espaços como Terminal 4450, Sushiaria e Fava Tonka! Todos restaurantes na zona de Leça da Palmeira, com conceitos distintos, mas onde todos foram casos de imediato sucesso! Tentemos focar-nos apenas no Esquina, pois ainda não tive oportunidade de experimentar os outros... fossem mais perto e certamente não me escapariam.
No Esquina do Avesso vamos encontrar pratos que podemos partilhar, o que pode ser complicado porque vamos querer comer tudo sozinhos, mas servidos numa dose onde um comensal de apetite médio conseguiria ficar satisfeito com o couvert, um prato e uma sobremesa. Como eramos 4 esfomeados à mesa, decidimos experimentar 6 pratos (dos 14 disponíveis) e todas as sobremesas disponíveis! Vá, ok, eram só 4...
Uma palavra rápida para o espaço, de bom gosto, sóbrio e descontraído e para o bom serviço que acompanhou bastante bem todo o serviço, disponíveis e informados o suficiente para responder a toda e qualquer questão colocada. Houve pequenas falhas, no entendimento de como iríamos fazer a refeição, mas já lá vamos.
Aquilo que menos expectativa me causa, em qualquer restaurante, é o Couvert. Muitas vezes é desconsiderado, ainda que seja a primeira coisa que a maior parte dos seus clientes irá provar, logo será o que causará a primeira impressão! Felizmente, aqui nada é descurado, com o couvert a ser composto por bom pão, um cremoso e saboroso Hummus e uma Manteigas de Cabra soberba.



Fiquei logo deslumbrado com o primeiro prato, sendo para mim o melhor da noite, com uma combinação improvável de Pato, Beterraba e Cacau! O peito de pato num ponto perfeito, a ligar perfeitamente com as duas texturas da beterraba, sendo quase uma interpretação dos pratos de magret de pato com molho de frutos vermelhos. O elemento dissonante nesta equação é o cacau, mas que encaixa na perfeição no prato, tanto a nível de textura como de sabor. Mas havia mais um elemento no prato para equilibrar todos estes sabores, na forma de um sorvete de queijo de cabra! Não sabia bem o porquê do nome do restaurante, mas a verdade é que me trocaram as voltas e colocaram de pernas para o ar logo no primeiro prato.


Fantástico o Rabo de Touro, cozinhado na perfeição, intenso nos seus sabores, mas desossado e moldado como se nada se passasse, acompanhado com um bom puré e legumes, casados em perfeita harmonia por um jus de outro mundo. Mais um prato perfeitamente equilibrado nas suas texturas, nos seus sabores e sempre com apresentações impecáveis.


Excelente execução técnica na Barriga de Porco, Nabo e Pickles, com a barriga macia mas a pele a apresentar-se estaladiça qb (pessoalmente, até poderia ter vindo um pouco mais), um bom puré de nabo que contrastava bem com os elementos mais ácidos do prato, sendo tudo ligado por, mais uma vez, um jus (deixemo-nos de estrangeirismos, um molho!) óptimo.


Bem, isto se calhar poderia tornar-se repetitivo muito depressa, com a quantidade de rasgados elogios que a Esquina do Avesso, e as criações do chef Nuno Castro, merecem! Mas houve pratos que mereceram pequenos apontamentos onde poderiam estar um pouco melhores.
A nível de sabor e texturas, nada a apontar ao Bacalhau Negro, apenas a pouco apelativa apresentação (ainda que totalmente propositada) que nos impede de distinguir visualmente o que estamos a provar.


O prato menos conseguido da noite foi o Tamboril, Ravioli e Bisque, muito por culpa do bisque que se sobrepunha a todos os restantes sabores e ao tamboril já se apresentar algo seco. Sendo 4 pessoas à mesa, o serviço poderia ter-nos informado, ou à cozinha, de que apenas 3 raviolis estariam no prato. É algo que me chateia um pouco, mais nos restaurantes de sushi do que nestes casos, quando não temos um descritivo completo de quantos elementos de cada coisa vêm no prato e depois não conseguimos dividir as coisas equitativamente com facilidade. Poder-se-ia resolver avisando-nos, e passando a bola de uma decisão informada para o nosso lado, ou pedindo à cozinha que adicionasse mais um ravioli. Claro que esta última abordagem é a que menos sentido faz neste caso, pois existem fichas técnicas e food cost nos pratos por um motivo!


Isto aconteceu também no prato seguinte. Codorniz, Abóbora e Tamarindo impecavelmente empratados, com a ave bastante bem cozinhada, mas onde apenas havia um ovo de codorniz. Ainda que o objectivo pudesse ser espalhar a perfeitamente cozinhada gema por todo o prato, parece-me curto. Em tudo o resto, prato fantástico, como foi toda a refeição, a finalizar as componentes salgadas.


As sobremesas conseguiram estar quase à altura dos pratos, principalmente o Limão, Maracujá e Côco, onde os fortes sabores cítricos, dos quais sou fã confesso, deixavam-se complementar pelo exotismo do maracujá e do côco.


Para os fãs de chocolate, a Floresta Negra é a sobremesa ideal, com o mesmo a apresentar-se em várias texturas e diferentes intensidades! Um jogo de contrastes sobre o mesmo elemento engraçado e que funciona muito bem.


A sobremesa que mais expectativa tinha criado, mas saindo uns furos abaixo do que esperávamos, foi o Cheesecake de Manteiga de Amendoim. Salivaram? Tem tudo para correr bem, não é? O problema esteve na quantidade de doce presente, que se tornou excessivo e acabou por cansar o palato.


A sobremesa que fazia antever o excesso de açúcar, acabou por estar bastante bem equilibrada, com o Toucinho do Céu a ser cortado brilhantemente por uma calda de vinho do Porto.


Refeição memorável, num dos melhores restaurantes da zona do Porto, o que foi o suficiente para aumentar (ainda mais) a curiosidade sobre os restantes restaurantes do grupo, o paraíso dos carnívoros Terminal 4450, o céu dos sushi lovers Sushiaria e o éden dos vegetarianos, e mais recente projecto, o Fava Tonka!

Esquina do Avesso
Leça da Palmeira, Portugal
Esquina do Avesso Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 16 de Dezembro 2017

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Blue Jeans (Paço de Arcos)

É verdade... este dia haveria de chegar, mais cedo ou mais tarde! Demorou, até pensei que se fosse safar mas é como uma doença inevitável que vai consumindo tudo e chegando a todo o lado. Alguns sintomas melhores que outros mas a verdade é que o veredicto é quase sempre desfavorável.
Estou a falar, é claro, da febre das hamburguerias, que finalmente chegou a Paço de Arcos. Já havia alguns exemplares por Oeiras, mas a freguesia de Paço de Arcos andava-se a escapar incólume. Ainda culpo o Isaltino Morais (Tio Tino para os locais) por esta abertura. Afinal de contas, foi ele que disse que iria transformar Paço de Arcos na Saint-Tropez de Portugal (aqui)! Bem dito, bem feito e nada como começar a evangelização turística com uma hamburgueria fashion, algo já um pouco fora de moda. Ok, não é propriamente a primeira, pois podemos considerar o Abakua como uma hamburgueria (nunca lá fui, não consigo opinar sobre a mesma) mas pelo que percebo o ambiente é bastante diferente destas hamburguerias "da moda".
A decoração é bastante específica e relacionada com o nome do próprio restaurante, pois podemos observar vários pormenores em ganga (azul, claro). Existe também uma esplanada, ideal para beber um copo ao final da tarde. Staff simpático, ainda que se note alguma inexperiência, mas houve um momento em que pareciam estar a ignorar a sala, focando-se apenas na esplanada. Já a ementa, tem uma ou outra combinação interessante e diferente do habitual, mas nada de extraordinário.
Para nos entretermos antes dos hambúrgueres, pedimos uns Aros de Cebola muito fraquinhos. Polme estaladiça mas com um excesso de gordura que chegou a deixar uma poça no fundo do prato, algo que transparecia também no sabor. Má execução numa entrada tipicamente simples e que consegue agradar gregos e troianos, mas que aqui não agradou ninguém.



Melhores os hambúrgueres, felizmente. Falando de forma geral, nos seus elementos comuns, o pão muito ligeiramente torrado conseguiu aguentar a integridade estrutural durante toda a refeição. A carne estava também bem temperada, apresentando-se média (ou seja, um pouco acima do ponto pedido) e conseguindo sobressair sobre os sabores fortes que compunham os toppings como a geleia de bacon ou o pesto de manjericão.


Denim (Cogumelos Grelhados, Geleia de Bacon, Queijo, Rúcula)
Pepe (Mozzarella, Pesto de Manjericão, Molho de Tomate Cherry, Cebola Panada, Rúcula)
Não foram os melhores hambúrgueres que já experimentei, e também não foram os piores, mas acabam por cair num nível médio que em nada ajuda a proporcionar vontade para lá regressar. Se querem realmente que Paço de Arcos seja a Saint-Tropez de Portugal (preferia que tal não acontecesse, mas é uma opinião pessoal), então temos que melhorar a qualidade da oferta gastronómica que é oferecida, principalmente numa zona que conta com restaurantes como Casa da Dízima, Tasquinha da Vila, Casa Galega ou Pátio Antico (este último encontra-se em obras).
E que tal uma steakhouse como deve ser, como um Butchers ou uma Sala de Corte, em vez destas hamburguerias das quais já estamos todos fartos?

Blue Jeans
Paço de Arcos, Portugal
Blue Jeans - Burger And Bar Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 26 de Julho 2018

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Dom Tacho (Campo Pequeno)

Este ano a Comic Con mudou-se para o Passeio Marítimo de Algés, depois de uma estadia de 4 anos na Exponor, em Matosinhos. Ora, como bom nerd que sou, não podia falhar, tal como não falhei ainda nenhuma das Comic Con Portugal! Ir à Comic Con era sempre uma oportunidade para experimentar novos restaurantes (ainda não falei de muitos deles aqui mas deixo-vos um só nome - Esquina do Avesso) e experimentar uma nova francesinha. Com a mudança para Oeiras, bem perto de casa, deixei de sentir tanto a necessidade de ir experimentar novos sítios, pois é algo que já faço regularmente nesta zona!
Ainda assim, senti falta de sair da Comic Con e ir comer uma francesinha (manias, vá-se lá saber porquê). Por isso, no final do terceiro dia, saímos do recinto e fomos experimentar uma das mais afamadas francesinhas da capital. 
A discussão sobre a melhor francesinha é um daqueles tópicos que nunca levará a lado nenhum. Cada um tem uma preferência diferente, consoante os seus próprios gostos, e não existe consenso estejamos nós a falar da melhor francesinha do Porto, Lisboa ou, muito menos, país! Para mim, a melhor que já experimentei no País (e consequentemente do Porto) está no Francesinha Café (aqui) e a de Lisboa encontra-se na Casa das Francesinhas (aqui). Mas existem muitos locais que me faltam conhecer, sendo que um deles era este Dom Tacho, na zona do Campo Pequeno.
Atendimento castiço, com uma simpatia próxima da nortenha, num espaço pequeno e sem grandes notas de destaque. Iniciámos as hostilidades com uns Salgados fraquinhos. Chamuça pequena, com um recheio bastante seco e sem grande sabor. Um pouco melhor o Croquete de Presunto, a tentar inspirar-se em "nuestros hermanos", mas com o recheio pouco guloso (adoro croquetes, mesmo as versões espanholas), pouco cremoso e com pouco sabor a presunto.


Mas a estrela da casa não desiludiu! A Francesinha Especial apresenta-se numa dose que até parece pequena à primeira vista mas revela-se ser mais do que suficiente para uma pessoa de apetite normal. Chega à mesa bem encasacada, com muito e bom queijo, a esconder um ovo bem estrelado, pão torrado e um recheio de bom nível, excepção feita ao bife. Acho, honestamente, que os bifes são os pontos fracos das francesinhas. Exceptuando no Francesinha Café, onde nos servem um bom e alto bife médio-mal, a maior parte dos locais serve um bife fino e excessivamente passado, acabando por se tornar pouco interessante e deixando todo o brilho para a linguiça e a salsicha fresca. Foi o que aconteceu aqui, com a linguiça e a salsicha a terem o seu espaço para brilhar, pois eram de um nível acima da média. Por último, mas o ponto que para mim é o mais relevante, o Dom Tacho tem um excelente molho! Picante qb, mais puxado ao tomate mas não revelando um excesso do mesmo, de cerveja ou de creme de marisco, equilibrando-se bem com o recheio da francesinha e servindo o propósito de acolher e banhar cada batata que nele mergulhávamos. Pena as batatas não serem fantásticas, acabando por cumprir o seu papel mas podendo ser bem melhores.


Finalmente, uma francesinha na zona de Lisboa capaz de rivalizar com a Casa das Francesinhas. Não está ao nível de muitas na invicta mas a verdade é que estamos aqui perante um muito bom exemplar.

Dom Tacho
Lisboa, Portugal
Dom Tacho Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 08 de Setembro 2018

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Sala de Corte (Cais do Sodré)

Uma das reaberturas mais ansiadas de 2018! A Sala de Corte, do chef Luís Gaspar, tinha encerrado em 2017, procurando um espaço maior onde pudesse acolher as dezenas e dezenas de pessoas que diariamente lá batem à porta, procurando uma das mesas carnívoras mais procuradas de todo o país.
Após longos meses, lá reabriu a Sala de Corte numa nova morada, perto da anterior. Ou seja, continuam no Cais do Sodré, com dezenas de pessoas à porta, que aguardam a oportunidade de ver em primeira mão os fantásticos Jospers a trabalhar. A boa notícia é que agora a Sala de Corte aceita reservas (via The Fork) ou por telefone, ainda que não para todas as horas.
Mal entramos deparamo-nos com uma enorme camâra de maturação onde podemos ver as múmias que irão servir os comensais presentes, separadas por cortes. Enquanto esperávamos pela nossa mesa, podíamos ir observandos os Jospers em acção, ainda que as labaredas que via me fizessem preocupar um pouco... Mas já lá vamos.
Antes de continuarmos, um disclaimer. Este não é um restaurante para vegetarianos. De todo! No máximo conseguiriam comer uma entrada e alguns acompanhamentos. Por isso, se forem vegetarianos ou vos fizer impressão carne mal passada ou crua, este pode não ser o restaurante certo para vocês, ainda que consigo quase garantir que iriam sair de lá convertidos.



Começámos com uma oferta da casa, um Pão com Chouriço, numa versão brioche e com uma intensidade de sabores que me apanhou um pouco desprevenido. Gosto de pão com chouriço, e acho piada aos fornos a lenha que encontramos nas feiras ou nas estradas para a Ericeira, mas esta versão conseguiu levar algo tão simples para todo um outro nível.



Bem, existindo croquetes na ementa, é inevitável que os peça e atacámos uns excelentes Croquetes de Novilho, servidos com mostarda de Dijon, com uma textura exterior perfeita e um interior cremoso e bastante saboroso. Algumas dúvidas quanto a se tinham queijo ou não, visto que tal foi referido quando nos serviram os croquetes, mas não me apercebi do seu sabor, ainda que uma das pessoas presentes na mesa o tenha sentido. Ainda assim, belíssimos exemplares com que me deliciaria diariamente se tal fosse possível.



Falando já da estrela principal da casa, a carne, uma das opções recaiu sobre o Chuletón Galego, da raça Rubia Galega, uma das melhores raças bovinas e que já se consegue encontrar em vários restaurantes da capital. Não sei se será melhor ou pior que raças portuguesas (se alguém organizar um workshop de comparação de diferentes raças, contem comigo!) mas a verdade é que é muito, muito, MUITO boa!
Engraçada a forma de trabalhar da casa que convidam a que seja a própria pessoa a escolher a peça de carne que irá comer. Neste caso, deixei que o serviço escolhesse a peça que iria alimentar duas pessoas, já que de certeza que perceberão mais do que eu destas coisas. A peça é então pesada e informam-nos do peso da mesma, para o caso de querermos uma peça maior ou menor. Gostei bastante desta forma de trabalhar, ainda que me tenha assustado com o facto de ter sido escolhida uma peça com 1,5Kg... Mas não se preocupem que não sobrou nada!
A carne é verdadeiramente fabulosa. Das melhores coisas que já comi! E consigo dizer isto ainda que o seu exterior se tenha apresentado ligeiramente carbonizado, traduzindo a preocupação que tive inicialmente em realidade. Quando estamos a grelhar algo, caso haja demasiada chama, cozinhamos o exterior muito mais depressa do que o interior, como é lógico. O que aconteceu aqui foi que a crosta exterior ultrapassou a desejada reacção de Maillard, e começou a apresentar aqueles sabores amargos queimados. Felizmente o interior estava perfeito, e acabou por me fazer ultrapassar o amargor exterior.



Bons acompanhamentos, alguns melhores que outros, mas de forma geral bastante interessantes. Esparregado de Espinafres com Queijo São Jorge DOP (12 meses) de sabor intenso, devido ao excelente queijo utilizado, um cremoso e saboroso Arroz de Feijão, Chouriço de Cebola e Farofa de Mandioca, e um Dauphinoise de Batata Doce com forte presença de queijo, que ofuscava a batata.





Ainda que o Chuletón fosse fantástico, algo que já esperava, o que não estava à espera é que o Tártaro do Chef fosse tão bom! É um prato que peço bastantes vezes, pois sou muito fã do mesmo (sim, gosto de carne crua! Muito!), mas não estava à espera de encontrar tão bom exemplar na Sala de Corte. Não sei porquê! Faz sentido que um dos melhores restaurantes de carne de Lisboa, tenha um dos melhores tártaros! Tudo bem balanceado, com um corte perfeito na carne, que permitia ainda alguma textura na mesma, e sabores fortes a conjugarem-se perfeitamente na boca.
O mais fraco mesmo foram as batatas fritas que o acompanham, demasiado grossas, sem um exterior crocante e a precisarem de uma segunda (ou terceira) fritura.



Antes da sobremesa, uma pré-sobremesa oferecida pela casa, na forma de umas Bolinhas de Sorbet de Lima, envolvidas numa Crosta de Chocolate Branco e Peta Zetas. A funcionar quase como um limpa-palato, mas mais divertido. Até me podem dizer que o uso de peta zetas já passou de moda mas acho que dá uma certa piada a elementos doces e funcionou muito bem aqui.



Para a sobremesa, decidimos partilhar uma Pavlova de Frutos Vermelhos com Sorbet de Framboesa e Lima e ainda bem que o fizemos, pois a pavlova tem um tamanho bastante generoso, ainda que era tão boa que talvez fosse capaz de a comer sozinho! Excelente crosta a revelar um interior abaunilhado, quase a fazer-me lembrar chocolate branco, com o uso dos frutos vermelhos no meio para ajudar a cortar os sabores excessivamente doces, tal como do óptimo gelado que se fazia acompanhar.



Um dos restaurantes da moda, com um dos conceitos que mais tem aberto pela cidade, o das steakhouses, mas com preços acima das outras casas. A refeição foi muito boa, mesmo considerando a ligeira carbonização do chuletón, e comemos acima do que seria recomendável mas não sei se justifica o preço quando comparado com outras casas do género.

Sala de Corte
Lisboa, Portugal
Sala de Corte Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 60 €
Data da Visita: 22 de Agosto 2018

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Baía do Peixe (Cascais)

Não sou uma pessoa que faça quilómetros para comer marisco. É verdade, pode parecer blasfémias, mas não sou um fã assim tão grande de marisco, excepção feita a bivalves. Já o disse mais do que uma vez mas o trabalho que (algumas vezes) dá e o preço que se paga não me compensa pela satisfação que me traz.
Agora que tirámos isto do caminho, tenho a dizer que tenho ficado bem impressionado com algumas mariscadas a que fui. Já aqui falei do Dom Pepe, mas andava também com a mariscada da Baía do Peixe fisgada. Localização muito boa, com um dos lados do restaurante a ser completamente envidraçado e a permitir vislumbrar toda a baía de Cascais!



Atendimento bastante rápido que em escassos 10 minutos começa a trazer o Rodízio de Marisco para a mesa. Ao contrário do Dom Pepe, em que existem várias fases da refeição, aqui atacamos directamente o marisco. Preparações simples ou mesmo a cru, nada é complicado na Baía do Peixe. 



Casco de sapateira recheado, pernas de sapateira (uma daquelas coisas que dá demasiado trabalho), camarão cozido, percebes, búzios, ostras, amêijoas à Bulhão Pato, mexilhões à espanhola e gambas al ajillo, tudo com um nível bastante bom, onde apenas desejava que os pratos com molho (amêijoas, mexilhões e gambas) fossem mais gulosos! Não puxaram pão para varrer o molho que se encontrava no fundo, o que é algo fundamental quando falamos deste tipo de pratos.



Todos os produtos experimentados apresentaram qualidade, ou seja, aliado ao facto de ser rodízio e onde podemos repetir o que quisermos as vezes que quisermos (enquanto houver stock), o preço (24€) torna-se bastante justo.

Baía do Peixe
Cascais, Portugal
Baía do Peixe Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 25 de Agosto 2018

domingo, 2 de setembro de 2018

Zero Zero (Príncipe Real)

Apesar das várias tendências gastronómicas que se têm verificado nos últimos anos, há um tipo de comida que parece nunca abrandar e todos os anos abrem novos locais especializados nesta especialidade. Estou a falar de pizza!
Apesar de Lisboa já estar bem servida de restaurantes italianos, principalmente pizzarias, a verdade é que continuam a aparecer por todo o lado, seja na sua vertente napolitana (tão em voga nos últimos anos) ou numa mais comum.
A Zero Zero, que deixou de ser apenas um restaurante para se começar a tornar uma séria cadeia de pizzarias (já conta com 3 em Lisboa), é um destes casos recentes. Sim, vou considerar que algo que abriu no final de 2015 é recente. A sua fama, tanto pela qualidade das pizzas como pelo fantástico e deslumbrante pátio exterior, rapidamente se espalhou por blogs e instagrams e tornou-se um verdadeiro sucesso. Destaque também para a mercearia à entrada que permite a compra de várias carnes frias e queijos.
Como na maior parte dos restaurantes de zonas centrais de Lisboa, a minha visita demorou mas finalmente lá aconteceu, num sábado de muito calor, o que nos fez optar pelo A/C interior e não pelo pátio exterior. 
Iniciámos a refeição com um guilty pleasure meu, Arancini. Imaginem risotto, moldado num formato esférico e panado! Tem tudo para ser pecaminosamente bom. Os exemplares experimentados estiveram longe da perfeição, principalmente pelo seu recheio que merecia ter mais sabor. Exterior crocante e um óptimo molho de tomate fizeram com que se tornasse uma entrada bastante decente e compensava um pouco a falta de sabor do recheio.


Como não podia deixar de ser, atacaram-se as especialidades da casa, as pizzas. Falando das pizzas de uma forma geral, e não especificando cada pormenor de cada uma experimentada, estamos perante excelentes pizzas! Bom pão, com o já mencionado molho de tomate, e juntando-lhe mozzarella fior di latte (ou seja, é mozzarela feita com leite de vaca e não de búfala), mas o que brilha aqui são os excelentes toppings (que podemos comprar na mercearia da entrada!).
Combinações de pouco ingredientes mas todos eles com muita qualidade! Seja a Di Graziano, que combina uma ventricina calabrese (quase tipo chourição) picante, queijo taleggio e cebola roxa, ou a Fumè que, como o nome indica, se baseia em produtos fumados como o speck (uma espécie de presunto) e provola fumada. Excelentes ingredientes, que se combinam na perfeição.

Di Graziano
Fumè (crédito da foto para o meu irmão que eu esqueci-me de fotografar a minha própria comida)
Experimentou-se ainda uma Lasagna Portofino, uma versão vegetariana deste clássico italiano, que estava bom, ainda que não conseguisse perceber todos os ingredientes que a compunham.


Essencial no Zero Zero é deixar espaço para as sobremesas! Sim, as pizzas são obrigatórias (e das melhores de Lisboa) mas as sobremesas foram uma verdadeira surpresa.
O extremamente apelativo Millefoglie al Caramello Salato, que é uma verdadeira bomba calórica, servido numa dose que dá bem para dois, mas devido à sua intensidade recomendaria que se partilhasse até por mais pessoas.


Mas fiquei completamente rendido à Mousse di Ricotta com Pêra! Combinação perfeita, numa sobremesa muito menos doce que a anterior (salvo raras excepções, fujo de sobremesas extremamente doces). Excelente também a utilização de sal para aumentar a intensidade de algumas colheradas.


Excelente pizzaria, estando entre as melhores de Lisboa sem sombra de dúvida. Única questão é os elevado preço das pizzas, cuja média está bem acima da média de pizzarias Lisboetas. Acaba por ser algo justificável pela zona e pela qualidade soberba dos ingredientes que lá colocam e que são importados.

Zero Zero
Lisboa, Portugal
Zero Zero - Príncipe Real Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 18 de Agosto 2018

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Quitanda (Paço de Arcos)

Sou orgulhosamente nascido e criado em Paço de Arcos, uma freguesia do concelho de Oeiras (sim, aquele do Isaltino!). Fui jogador de andebol do Clube Desportivo de Paço de Arcos, cujo pavilhão se encontra no bairro Jota Pimenta. Clube esse bastante conhecido pelo seu hóquei em patins, patinagem artística e também com alguma tradição na vela e outros desportos navais, existindo inclusive um Centro Náutico para o efeito.
Não, este artigo não é sobre mim, mas é para perceberem que Paço de Arcos (e seus arredores) são uma zona que me orgulho de dominar, principalmente na cena gastronómica. Até que fiquei boqueaberto quando ouvi dizer (no longínquo mês de Janeiro e na Time Out em Maio) que no Centro Náutico de Paço de Arcos, num restaurante chamado Quitanda, se comia algum do melhor peixe (de mar!) grelhado da região de Lisboa e, ainda por cima, a bons preços! Como é que eu nunca tinha ouvido falar disto? Ainda por cima, ao lado do supracitado pavilhão, onde tantos anos joguei, existe também um restaurante chamado Quitanda, cujas lembranças gastronómicas são nulas de tão pouco em conta o tínhamos. 
O espaço não tem nada de especial sem ser a localização. A vista da esplanada tem um gradeamento que quebra um pouco da sua beleza, melhorando um pouco quando subimos ao primeiro piso do restaurante. Pelo caminho, obrigatório mirar a montra de peixe, até porque é assim que a escolha é feita. Não vi qualquer ementa durante todo o período que lá estive, mas também não precisei. Sabia ao que vinha: peixe grelhado.
Antes do peixe, e por uma excelente recomendação do serviço, marchou uma travessa grande de boas Amêijoas à Bulhão Pato. Excelentes bivalves, grandes e carnudos, num guloso molho que fugia à tradicional receita pela adição de mostarda. Sei que a receita original do molho não é assim mas gostei bastante desta adição. Uma breve nota quanto ao serviço, do qual muito mal li, mas apanhei um bom dia, tendo testemunhado um serviço prestável e simpático em toda a refeição.


Mas a pièce de résitance foi o Robalo de Mar Grelhado, escolhido de uma montra invejável. 1,2Kg de peixe fantástico para duas pessoas, e este era dos peixes mais pequenos que lá havia! Do melhor que tenho comido ultimamente, ainda que prefira o peixe grelhado inteiro, em vez de escalado. Com muito esforço, pois um bicho daquele tamanho dava à vontade para três pessoas, não restou lasca de peixe. O Peixe do mar, cujo proprietário do restaurante, o Sr. Manuel, vai pessoalmente a várias lotas comprá-lo, não é um produto propriamente barato mas ainda assim considero que 35€/kg num robalo daquela qualidade é um preço muito justo e que não se encontra em muitos locais.


Continuo sem sentir muita curiosidade pelo Quitanda que se situa próximo do pavilhão, mas este tornou-se um dos meus novos locais favoritos quando quiser bom peixe grelhado e a bons preços!

Quitanda
Paço de Arcos, Portugal
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 17 de Agosto 2018