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domingo, 21 de outubro de 2018

Etc&Tal (Oeiras)

Abriu em Oeiras mais um restaurante muito interessante, para os lados do tribunal de Oeiras. A sua abertura não me tinha suscitado uma curiosidade por aí além, mas as primeiras opiniões começaram a aparecer e parecia que estávamos perante mais um caso de sucesso na zona. Nada como ir experimentar e tirar as minhas próprias conclusões.
Espaço com muito bom gosto, com alguns pormenores decorativos muito engraçados, que se torna acolhedor logo à entrada. De referir também o excelente serviço, que soube explicar e aconselhar durante toda a refeição, sempre com simpatia e honesto interesse em perceber a nossa opinião.
O foco deste restaurante reside nos seus arrozes (com maior enfâse nos risottos e nos salteados) e nos petiscos, sempre com propostas muito familiares, exceptuando meia dúzia de casos que saltam rapidamente à vista e nos chegam a fazer questionar se funcionaria... Mas já lá vamos.
Começámos com um couvert (do qual não houve registo fotográfico) com dois bons pães, tremoços e azeitonas que poderiam estar mais temperados, excelente azeite extra virgem transmontano e uma pecaminosa maionese de alho, a fazer lembrar algumas marisqueiras.
Os restaurantes de petisco não são uma novidade, apostando muitas vezes em pratos que já conhecemos. Mas, já o disse várias vezes, se executarem os pratos bem, já se distinguem dos demais, pois existem muitos por aí cuja execução deixa a desejar. Excelente exemplo desta boa execução são os Ovos envoltos em Alheira. Super cremosos, numa proporção e harmonização perfeita entre ovo e alheira.



Muito bons os Cogumelos à Bulhão Pato, com os sabores clássicos desta preparação evidenciados, mas faltando-lhe coentros. 



Para os amantes de queijo derretido, têm de experimentar o Camembert no Forno com Cebola Confitada! Queijo perfeitamente caramelizado, de interior líquido e guloso, mas que corta na perfeição com o adocicado da cebola. Única sugestão seria a inclusão de algumas tostas para ajudar a comer o queijo.



Depois de três petiscos, decidimos partilhar o Risotto de Bacalhau com Grão, aquele que se apresentava como o mais curioso, levando-me a crer que não funcionaria bem. Mas apresentava-se como especialidade da casa, por isso, tinha de provar. E ainda bem que o fiz. A ideia parece estranha mas funciona, vá-se lá saber como! E, melhor ainda, com todos os sabores que associo às saladas de bacalhau com grão (e mais qualquer coisa). Talvez a proporção entre arroz e bacalhau pudesse ser maior, mas, de resto, é um excelente prato.



Não podíamos sair do Etc&Tal sem experimentar as sobremesas, principalmente quando nos dizem que uma delas é receita da avó da proprietária. Trata-se do Bolo Chocolate&Tal, um bolo que nos fez automaticamente pensar em salame, e com motivos para isso, pois leva também Bolacha Maria e ovo. Excelente para dividir, pois é uma sobremesa bastante rica.



Também bastante competente, a Mousse de Lima não desilude e cumpre, ainda que sem o mesmo brilhantismo dos pratos, mas com uma textura correcta e bom sabor.



Tenho um "problema" com este tipo de restaurantes. Depois de uma visita tão positiva como esta, a vontade é de regressar e experimentar os ovos rotos, o risotto de cogumelos, o agnolotti piemontese, etc, etc, etc.

Etc&Tal
Avenida D. João I, Loja 10B
Oeiras, Portugal
Etc&Tal Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 4 de Outubro 2018

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Fenícios Castilho (Lisboa)

Desde que comecei estes meus devaneios por gastronomia, com especial destaque para restaurantes, uma das áreas pela qual a minha curiosidade tem recaído é a cozinha oriunda de diferentes países. Por vezes precisamos de sair da segurança da nossa cozinha e aventurar-nos em sabores que não conhecemos. Sair da casca ou, usando a expressão do foodie Rodrigo Meneses (o curador da nova Academia Time Out), "sair da despensa".
Graças a um convite da Zomato, pude experimentar um dos poucos restaurantes libaneses da cidade, o Fenícios Castilho, dos mesmos donos de outro libanês, o Fenícios. A entrada do prédio pode passar um pouco despercebida, mas o restaurante está localizado no Piso 7 do edifício (o que dá uma vista fantástica sobre a cidade de Lisboa), onde está a União de Associações do Comércio e Serviços, caso andem a passear pela Rua Castilho. Um pormenor (muito!!) importante, o restaurante apenas funciona ao jantar, sendo que para o serviço de almoço é um restaurante de conceito português chamado Varanda da União.
O serviço do restaurante é simpático, com especial destaque para o chefe de sala que nos deixou à vontade e se mostrou sempre prestável e informado sobre a ementa praticada. As restantes empregadas não pareciam estar tão à vontade, mesmo apesar da simpatia que demonstravam, mas num restaurante libanês é necessário um serviço informado.


Não fiz um grande trabalho de pesquisa anterior à visita, pois queria ir desafiar o desconhecido, sem expectativas. A única coisa que sabia, de há uns meses quando adicionei o restaurante à wishlist, era que a Mezza Fenícia corresponderia a várias entradas típicas para se provar, não sendo necessário muito mais (1 prato ou mais 1 ou 2 entradas) para que duas pessoas ficassem satisfeitas. Aliás, da forma como a ementa está construída, é possível fazer uma refeição só petiscando ou pedindo pratos mais substanciais, muitos deles com uma grande base vegetariana. Faltando bebidas libanesas, pois não é fácil manter produtos importados em stock, bebeu-se um recomendado tinto Quinta de Fafide Reserva 2013.



Começámos pela já mencionada Mezza Fenícia, que traz um conjunto de 8 taças, todas com uma entrada típica libanesa. Pediu-se ainda Kibbe, Foul Moudamas e Moussaka, para complementar a Mezza, optando por não pedir nenhum dos pratos principais. Acho que todos os nomes dos pratos estarão correctos, mas peço desculpas antecipadas caso algo me tenha falhado.
Labneh, uma variante de iogurte grego que pode ser feito à base de leite de vaca ou de cabra, é um creme fresco e de suave sabor.



Tabbouleh é uma salada bastante fresca e aromática, sendo interessante e muito boa. A conjugação dos sabores picados da salsa, cebola, tomate e azeite levam-nos para as saladas algarvias, o que me parece possível devido às influências mediterrânicas comuns. Tem ainda trigo, hortelã e sumo de limão, tornando esta salada bastante adequada para o Verão.



Um prato comum, e alvo também de várias interpretações mediterrânicas, consiste em folhas de videira recheadas, o que no Líbano tem o nome de Warak Enab. Neste caso, a folha é recheada com arroz, tomate e salsa, sendo depois cozinhada e acabando por infundir o arroz com as suas secreções. Mais uma proposta interessante e saborosa.



Bastante saborosas estavam as Batatas Harra. São anunciadas como picantes mas não consegui encontrar qualquer referência palatal ao mesmo, sendo todo o sabor dado pelo salteado com alho.



Um Hoummos muito bom, de excelente consistência e bom sabor. Para usar e abusar com o pão libanês achatado (tipo pão pita) que trazem para a mesa.



O prato que menos apreciei em toda a Mezze foi o Lahm bi Ajin, uma pequena tarte recheada com carne, apesar de ser descrito como uma pizza libanesa. A massa do pão estava mal cozida e parecia quase reaquecida, acabando por ficar um pouco borrachosa, e o recheio estava seco.



O Moutabal, mais conhecido como Baba Ghanoush, é um puré de beringelas grelhadas com pasta de sésamo, alho e limão. Fantástico o sabor a fumado que as beringelas transmitem a todo o puré.



O Falafel, por vezes injustamente colocado na mesma categoria das "Pitas Shoarma" de Centros Comerciais, foi uma das estrelas da noite. Exterior perfeito de crocante e fritura, com um interior diferente da típica pasta de grão a que estamos habituados. Muito saboroso e a aproximar-se mais da ideia que eu teria da intensidade das especiarias usadas, pois quase toda a refeição pareceu ser demasiado suave neste ponto.



À semelhança do falafel, o Kibbe, um pastel recheado com carne picada, também estava bastante bem frito e com um perfil de sabores interessante, com o interior a não se apresentar excessivamente seco. Mais um prato que me aproximou dos sabores imagináveis do Médio Oriente.


Para quem é um fã de leguminosas, o Foul Madamas cumpre e satisfaz. Uma fresca salada de grão-de-bico e favas cozidas, faltando-lhe apenas uma maior profundidade de sabores.


A Moussaka, uma versão bastante diferente da homónima grega, a ter um perfil de sabores que me relembrou do típico prato português bacalhau com grão, mas sem o bacalhau. Bom, mas pensei que iria encontrar sabores mais fortes.



Já com pouco espaço no estômago, o chefe de sala antecipou a nossa vontade de conhecer os doces libaneses e decidiu trazer 3 sobremesas para que nos fosse possível conhecer alguma das variedades disponíveis. Nas sobremesas foi um pouco mais complicado relembrar os nomes, mas com a ajuda de alguma pesquisa online penso que consegui desvendar as experimentadas.
O Meghli é uma espécie de pudim, feito com farinha de arroz e canela, algo desenxabido e sem qualquer vestígio de açúcar na sua constituição. Foi-nos previamente avisado que a sobremesa é mesmo assim, mantendo a receita libanesa, mas que nos deram a provar por ser uma sobremesa típica.



O Osmallieh é bastante interessante em toda a sua conjugação de sabores e texturas, mesmo que não se evidencie muito a aletria. O creme de leite utilizado para cobrir a sobremesa é fantástico e os frutos secos ajudam a conferir textura e algum adocicado extra.



Com um perfil de sabores parecido, a Mouhallabieh é um pudim com flor de laranjeira, onde estes últimos sobressaíam acima de tudo. Mesmo cheios, desta sobremesa não sobrou nada!



Para além do Kibbe e do Falafel, que mostravam uma bom uso de especiarias, os restantes pratos pareceram ficar um pouco aquém das expectativas neste aspecto, ainda que a sua confecção tenha sido sempre boa. Apenas estava à espera de algo mais arrojado mas, e apesar das influências mediterrânicas comuns que podem existir, a ementa pareceu ser sempre demasiado segura e mais próxima dos sabores a que estamos habituados. Quando isto foi dito ao chefe de sala, foi-nos confirmado que os pratos foram adaptados ao palato português com o intento de assim conseguir agradar e cativar mais clientes. Sinceramente, acho que deveriam ser fiéis às suas origens e manter a tradição dos seus pratos, dando a conhecer a verdadeira cozinha libanesa, e não uma versão ocidentalizada. 
Tirando a expectativa de sabores que levava, tudo o resto foi realmente digno de uma refeição bastante boa. Boa vista, boa comida, bom serviço e tudo isto a preços justos.

Fenícios Castilho
Lisboa, Portugal
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Preço Médio: < 20 €