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terça-feira, 23 de outubro de 2018

Cantinho do Avillez (Chiado)

Depois da visita que fiz ao Cantinho do Avillez da Expo (aqui), tinha alguma curiosidade para visitar o espaço original e perceber as diferenças entre ambos. E, ainda que se representem o mesmo tipo de conceito do grupo José Avillez, existem realmente diferenças.
A maior diferença encontra-se no espaço e respectiva decoração. Um espaço muito mais escuro, daí as fotos terem ficado com tão pouca qualidade (desta vez, chuto as responsabilidades da falta de qualidade para outrém!) e com um ar mais "caseiro" do que o seu irmão do Parque das Nações. Alguns pratos também diferentes na ementa, mas a base é muito semelhante. O serviço é jovem, informado e altamente prestável.
Começámos com o Tártaro de Atum com Sabores Asiáticos, que já havia experimentado, e achei-o ligeiramente menos atrevido e com sabores menos intensos que da primeira vez. Mantém-se a qualidade soberba do atum.



Excelentes as Vieiras Marinadas com um cremoso creme de abacate a servir de cama para o delicado bivalve, e um crumble de pão alentejano a adicionar-lhe uma (necessitada) camada de textura. Prato muito suave, equilibrado e com uns apontamentos de cebola roxa a ajudar a manter o interesse no mesmo.



Os Ovos à Professor Séc. XXI, uma modernização de uma receita que um antigo cliente do Belcanto criou (muito antes do chef lá ter chegado) que rapidamente se tornou um clássico de José Avillez, foi o prato que se seguiu. Rapidamente percebi o porquê da fama dos ovos. Ovos cozidos a baixa temperatura, chegam à mesa perfeitos, com a gema cremosa que envolve os saborosos pedaços de chouriço salteado e do crumble de pão frito. Prato muito guloso, de comer à colher ou usando o diversificado pão do couvert (se calhar deveriam começar a incluir tostas neste prato)!



E depois da gulodice, outro pecado chegou à mesa, na forma do Queijo de Nisa no Forno. Sabores fortes, mas que sabem trabalhar em conjunto para nos conquistar o palato.



A expectativa para o Bife Tártaro era alta, mas saiu um pouco defraudada. Começando pela melhor parte, as batatas fritas são muito boas! Crocantes, com um nível de sal qb mas dispensava facilmente a redução de balsâmico. O tártaro em si apresenta-se numa receita muito próxima do clássico, com um excelente corte na carne mas a faltar-lhe tempero. Precisava de mais sal e mais mostarda, pelo menos. Longe de estar entre os melhores de Lisboa, infelizmente, mas ainda assim um bom tártaro.



Muito bom o molho que vem no Prego Tradicional, ensopando todo o pão, impossibilitando que se coma o prego à mão, mas compensando largamente ao nível do sabor. Bom pão, bife servido médio, bem temperado e bem regado com a óptima molhanga.



Não podia sair do Cantinho do Avillez sem atacar a mais que obrigatória Avelã3! Aquele contraste de texturas, aquele intenso sabor a avelã e aquela flor de sal... que coisa fantástica.



Excelente refeição, como seria de esperar num restaurante do grupo Avillez, mas a deixar a impressão de que se cortaram nalguns pratos e decidiram ser contidos nos sabores. Não sei se por ser uma zona mais turística, e assim conseguem mais facilmente agradar a todos os seus clientes, mas esperava mais do tártaro de atum (por comparação com experiência prévia) e do bife tártaro!

Cantinho do Avillez
Lisboa, Portugal
Cantinho do Avillez Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 40 €
Data da Visita: 5 de Outubro 2018

domingo, 21 de outubro de 2018

Etc&Tal (Oeiras)

Abriu em Oeiras mais um restaurante muito interessante, para os lados do tribunal de Oeiras. A sua abertura não me tinha suscitado uma curiosidade por aí além, mas as primeiras opiniões começaram a aparecer e parecia que estávamos perante mais um caso de sucesso na zona. Nada como ir experimentar e tirar as minhas próprias conclusões.
Espaço com muito bom gosto, com alguns pormenores decorativos muito engraçados, que se torna acolhedor logo à entrada. De referir também o excelente serviço, que soube explicar e aconselhar durante toda a refeição, sempre com simpatia e honesto interesse em perceber a nossa opinião.
O foco deste restaurante reside nos seus arrozes (com maior enfâse nos risottos e nos salteados) e nos petiscos, sempre com propostas muito familiares, exceptuando meia dúzia de casos que saltam rapidamente à vista e nos chegam a fazer questionar se funcionaria... Mas já lá vamos.
Começámos com um couvert (do qual não houve registo fotográfico) com dois bons pães, tremoços e azeitonas que poderiam estar mais temperados, excelente azeite extra virgem transmontano e uma pecaminosa maionese de alho, a fazer lembrar algumas marisqueiras.
Os restaurantes de petisco não são uma novidade, apostando muitas vezes em pratos que já conhecemos. Mas, já o disse várias vezes, se executarem os pratos bem, já se distinguem dos demais, pois existem muitos por aí cuja execução deixa a desejar. Excelente exemplo desta boa execução são os Ovos envoltos em Alheira. Super cremosos, numa proporção e harmonização perfeita entre ovo e alheira.



Muito bons os Cogumelos à Bulhão Pato, com os sabores clássicos desta preparação evidenciados, mas faltando-lhe coentros. 



Para os amantes de queijo derretido, têm de experimentar o Camembert no Forno com Cebola Confitada! Queijo perfeitamente caramelizado, de interior líquido e guloso, mas que corta na perfeição com o adocicado da cebola. Única sugestão seria a inclusão de algumas tostas para ajudar a comer o queijo.



Depois de três petiscos, decidimos partilhar o Risotto de Bacalhau com Grão, aquele que se apresentava como o mais curioso, levando-me a crer que não funcionaria bem. Mas apresentava-se como especialidade da casa, por isso, tinha de provar. E ainda bem que o fiz. A ideia parece estranha mas funciona, vá-se lá saber como! E, melhor ainda, com todos os sabores que associo às saladas de bacalhau com grão (e mais qualquer coisa). Talvez a proporção entre arroz e bacalhau pudesse ser maior, mas, de resto, é um excelente prato.



Não podíamos sair do Etc&Tal sem experimentar as sobremesas, principalmente quando nos dizem que uma delas é receita da avó da proprietária. Trata-se do Bolo Chocolate&Tal, um bolo que nos fez automaticamente pensar em salame, e com motivos para isso, pois leva também Bolacha Maria e ovo. Excelente para dividir, pois é uma sobremesa bastante rica.



Também bastante competente, a Mousse de Lima não desilude e cumpre, ainda que sem o mesmo brilhantismo dos pratos, mas com uma textura correcta e bom sabor.



Tenho um "problema" com este tipo de restaurantes. Depois de uma visita tão positiva como esta, a vontade é de regressar e experimentar os ovos rotos, o risotto de cogumelos, o agnolotti piemontese, etc, etc, etc.

Etc&Tal
Avenida D. João I, Loja 10B
Oeiras, Portugal
Etc&Tal Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 4 de Outubro 2018

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Pérola da Mourisca (Setúbal - Mourisca)

Quando faço a viagem Lisboa/Algarve, ou vice-versa, surge sempre a mesma dúvida... Onde parar para comer qualquer coisa? Sou um fã eterno d'O Cruzamento (aqui) mas isso entra em conflito com o gostar de experimentar novos locais. Fosse o (entretanto encerrado) Hortelã da Ribeira em Alcácer, que tinha uma Sopa de Tomate de bradar ou o afamado pato da Tia Rosa em Melides (que me desiludiu e sobre o qual falei aqui) a verdade é que tento aproveitar estas viagens para conhecer algo que fique perto de uma saída da A2.
No mapa, o Pérola da Mourisca até parecia satisfazer este critério, mas só passado quase 30 minutos em estradas secundárias chegamos ao restaurante. Chego a pensar que é bom que a viagem valha a pena, ainda com a desilusão de Melides em mente. Um pensamento que se acentua quando entro num restaurante quase vazio, mas é domingo à noite e o local é algo remoto, por isso tenho que dar o benefício da dúvida.
Já tinha ouvido falar bem do local, mas sem um foco específico quanto ao tipo de comida. Como estamos numa Cervejaria/Marisqueira a ementa tem diversas secções interessantes mas optámos por pedir vários petiscos.
Começámos com uns surpreendentes Pimentos Recheados com Sapateira. Para quem não gostava de pimentos até há poucos anos, nem é grande fã de marisco, a primeira garfada fez-me arregalar os olhos e atacar avidamente o que restava no prato. Uma pasta bem balanceada, sem perder o sabor característico da sapateira, sobressaía acima da intensidade do pimento.


O prato mais simples, e digno de outro momento de arregalanço ocular (se a expressão não existia, passa a existir!), foram uns belíssimos Ovinhos de Codorniz em cima de pão torrado e com uma surpresa suína pelo meio. Era capaz de comer 20 daqueles ovinhos!


Chegaram também à mesa uma Farinheira com Ovos e uns Espargos com Ovos, assim mesmo de nome trocado, pelo rácio encontrado no prato. Sabores fortes (e bons) em ambos os extremos do prato, pecando apenas pela textura dos ovos, secos demais para o meu gosto.


Boas Puntillitas, de bom tamanho, fritura correcta, sem excesso de óleo, mas faltando-lhes um pouco de sal na farinha que lhes servia de casaco. Ainda assim, um prato que nunca me escapa quando vejo na ementa.


Um dos pratos mais conhecidos desta casa, e recomendação do staff (que esteve impecável durante toda a refeição), é o Camarão no Forno. Perfeitamente justificável pelo sabor do prato, quase a fazer lembrar camarões salteados com alho, mas onde a logística para os comer não é a melhor. Não saem facilmente da casca e o facto de estarem divididos ao meio não dá jeito nem para comer à mão, nem para comer com talheres! Já para não falar na estranha tentativa da habitual chupadela da cabeça (não há forma menos pornográfica de descrever a acção, desculpem os mais sensíveis).


Queríamos terminar com uma nota doce, recaindo a escolha sobre o Folhado de Queijo Fresco com Doce de Figo. E, deixem-me que vos diga, é uma verdadeira maravilha! Não me perguntem como, mas funciona na perfeição. É leve, é doce sem o ser excessivamente mas não deixa de despontar em nós uma pecaminosa gula.


Apesar do longo desvio, achei que valeu a pena! O atendimento foi descontraído e prestável (o facto do restaurante estar vazio também ajudou) e a comida não desiludiu.

Pérola da Mourisca
Setúbal, Portugal
Pérola da Mourisca Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 18 de Março 2018

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Dear Breakfast (São Bento)

Brunch! Uma refeição que teima em sair da moda. E, aqui entre nós, ainda bem! É bom haver locais que se preocupem com o tipo de refeição capaz de curar aquela leve ressaca, resultante dos excessos da noite anterior. Quem nunca acordou, depois de uma noite de alguns copos, a apetecer-lhe a riqueza de uns bons ovos mexidos ou escalfados? A tentação de um perfeito croissant barrado generosamente com uma gulosa manteiga? Ou então apenas por pura gula, sem qualquer excesso prévio? Não? Ninguém? Só eu?!
Felizmente parece que a moda veio para ficar e continuam a abrir casas dedicadas única e exclusivamente a este tipo de refeição, como este Dear Breakfast, onde o francês Julien Garrec decide dar à cidade de Lisboa uma ementa virada maioritariamente para os ovos, das mais diversas formas e feitios!
Não foi após uma noite de excessos mas acordei com a gula de quem quer a decadência de comer uns ovos escalfados, preferencialmente inundados em molho holandês. E, tendo já ouvido falar deste local, lá me dirigi para aproveitar a única mesa livre que ainda restava por volta do meio dia.
No Dear Breakfast podemos escolher à carta, com muitos e apelativos pratos de ovo (com influências de todo o mundo), ou optar por um dos dois menus existentes. O de Pequeno Almoço (14€) inclui Tostas, Doce, Manteiga, Croissant, 2 Ovos de qualquer estilo, Chá ou Café e uma opção entre Sumo de Laranja, Smoothie ou Salada de fruta. O de Brunch (18€) engloba as mesmas Tostas, Doce, Manteiga, Croissant mas permite escolher um dos pratos de Ovos disponível, bem como bebida à discrição, entre uma das 3 disponíveis (Bloody Mary, Mimosa ou Sumo de Laranja).
A escolha do prato era relativamente óbvia pois ia com um apetite específico para algo que se assemelhasse a um benedict, acabando a escolha por recair sobre os Ovos Royal, com um excelente pão brioche torrado, salmão fumado, 2 ovos perfeitamente escalfados e um molho holandês de bradar aos ceús! Tudo, mesmo tudo, perfeito! Daí a entrada fácil no top dos melhores pratos que comi em 2017 (aqui).



Excelente o croissant que veio para a mesa, com o exterior estaladiço e um interior aveludado em cada camada, que se torna ainda melhor com a utilização generosa da boa manteiga servida, ou do simpático doce de frutos vermelhos. Nota menos para as torradas de pão integral, a serem algo banais.



Como não tinha sido uma noite de excessos, decidi deixar vir ao de cima a diva do Sexo e a Cidade que há em mim e pedir a mimosa, uma simples combinação de espumante e sumo de laranja. Fantástico aqui o serviço a aperceber-se de quando o meu primeiro copo terminou e a prontificar-se a trazer um segundo, tentando garantir que usufruía o melhor possível da bebida à discrição.



Sim, os brunches estão na moda, ainda que nem todos sejam propriamente opções baratas. Facilmente se gastam perto de 20€ por alguns ovos e pão, mas se forem ovos como estes certamente valem a pena!

Dear Breakfast
Lisboa, Portugal
Dear Breakfast  Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 23 de Setembro de 2017

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Happy Comida Caseira (Amadora)

É impressionante o dinamismo, mesmo que lento, que a zona da Amadora tem sentido. Não está a sentir um boom semelhante a Marvila, mas a verdade é que, aos poucos, abrem restaurantes bastante interessantes. Para além d'O Quintal (aqui) abriram, nos últimos anos, alguns espaços interessantes como o Maria Azeitona, Pimenta Malagueta, Lugar ao Sul ou este Happy Comida Caseira.
O nome remete-nos para comida de conforto e caseira mas a ementa não reflecte tanto esse conceito, acabando por ser um misto de petiscos com twists, algumas coisas em bolo do caco, outros pratos de influências maioritariamente portuguesas e carnes! Esta última secção foi a que mais me entusiasmou tendo em conta os cortes que apresentava face ao preços que pratica.
Lá se criou a oportunidade para uma visita de amigos, todos bons vivants e amantes de boa comida, com as expectativas algo elevadas face às reviews que já tinha lido. A primeira impressão não foi das melhores com a entrada no restaurante a fazer-se ao som daquelas campainhas das lojas dos chineses. É algo estranho apanhar este tipo de pormenores, mas sem dúvida é diferente e fica na memória, ainda que não ache muito agradável.
Queriamos experimentar um pouco de tudo e pedimos, para partilhar tudo, 3 petiscos, 1 prato e 1 corte de carne. O serviço parecia meio atrapalhado com algumas das perguntas que foram feitas enquanto escolhíamos mas lá foi respondendo. O próprio chef Pedro Moreira (que já passou pela Mercearia do Páteo Alfacinha) veio algumas vezes à mesa esclarecer dúvidas e receber feedback, o que demonstra o empenho neste seu projecto pessoal.
A lista de petiscos é bastante interessante e foi a que provocou mais dúvidas quanto ao que mandar vir mas começámos com uns Ovos Escangalhados com Chouriço de Porco Preto que fica ali entre uns Ovos Rotos e um Revuelto, mas com a adição de cogumelos. Ovos bem cozinhados, bom chouriço, bons cogumelos mas, por as gemas já virem demasiado "escangalhadas" acabam por não envolver as batatas tão bem, parecendo que estão ali um pouco à parte no prato.



Não sou um fã de sabores adocicados predominantes nos meus pratos salgados. Acho muito bem que existam componentes mais adocicados mas terão sempre que ser balanceados para não abafarem totalmente o prato. Ora, nas Espetadas de Frango Marinadas com Manteiga de Amendoim (um prato que imaginava parecido com um Chicken Satay), foi isso que acabei por sentir mas não por culpa da manteiga de amendoim. A adição de ananás acaba por tornar o sabor deste como predominante, abafando frango e manteiga de amendoim! Uma pena pois o frango está suculento e se se conseguisse trabalhar apenas com a doçura do amendoim poderia ter funcionado melhor.



O prémio para melhor prato da noite (e pior fotografia também) vai para os Secretos à Bulhão Pato. O nome saltou logo à vista, a ideia implantou curiosidade na mente de todos e não desiludiu. Bons secretos, bem temperados e cortados aos pedaços, mergulhados num molho apurado. Sabem qual é o melhor comprovativo para quando algo traz molho? Ninguém na mesa estar satisfeito enquanto houver uma gota do mesmo e pedindo pão suficiente para que tal não aconteça!



O Risotto de Cogumelos (Boletus, Pleurotus e Shiitake) a apresentar-se decente e com os sabores correctos. Só falhou, ligeiramente, o ponto de cozedura ligeiramente a mais do arroz e a cremosidade do mesmo.



Para a carne, optámos pelo Costeletão de Buey com Maionese de Mostarda de Dijon. Não vos posso dizer nada quanto à maionese de mostarda. Não provei... Não achei que fosse sequer necessária naquele belo pedaço de carne. Principalmente quando ele já vinha temperado com um bom molho de ervas (quase tipo chimichurri). Ok, seria justificável para as batatas mas estava de tal forma focado na carne que se me olvidou da mente. Destaque também para o ponto da carne, exactamente como pedido!



Ainda houve espaço para as sobremesas, que não têm uma ementa fixa e vão mudando consoante as vontades de quem as faz. Um Crème Brûlée um pouco consistente demais que não conquistou ninguém na mesa, ainda que seja de referir o facto da boa camada superior caramelizada.



Boa Mousse de Snickers, cremosa e doce qb. Talvez não a chamasse como Mousse de Snickers mas a verdade é que o nome foi chamativo o suficiente para ser a sobremesa que reuniu consenso na mesa na hora de pedir.



E um óptimo Bolo de Bolacha, feito com manteiga e nada daquelas tretas que se vê com natas. Muito bom, talvez apenas um pouco seco demais, mas nada de grave.



Felizmente a impressão final é muito melhor que a primeira e saímos deste espaço felizes (vá, podia ter feito o trocadilho cliché a dizer que tínhamos saído happy) e muito menos incomodados com o barulhinho da porta.

Happy Comida Caseira
Amadora, Portugal
Happy Comida Caseira Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 16 de Janeiro 2018

domingo, 10 de dezembro de 2017

Nó de Gosto (Tavira)

Antes de avançarem muito na leitura deste texto quero deixar bem claro que sou sempre imparcial em tudo o que escrevo. Independentemente se paguei pela refeição ou não (pois há refeições para as quais sou convidado), se usufrui de algum tipo de desconto, se é um restaurante de um amigo ou, como neste caso, o restaurante do meu próprio pai.


Achei por bem avisar-vos antes de começarem esta leitura para que possam tirar as vossas próprias conclusões tendo todos os factos na mão. Factos esses que começam há alguns meses atrás, quando o meu pai decidiu deixar a vida empresarial, tirar um curso intensivo de cozinha e abrir um pequeno restaurante de petiscos na fantástica cidade de Tavira. 


Todo o conceito foi desenvolvido pelo meu pai, Vítor, e pela sua sua esposa, Maria João, ficando o primeiro encarregue da cozinha e o segundo da sala. Uma ementa algo extensa, baseada sobretudo em petiscos com um nível de originalidade bastante engraçado, e uma longa carta de conservas, disponíveis para consumo no restaurante ou para levar para casa.


Tendo passado alguns dias em Tavira, tive a oportunidade de provar grande parte da carta, tendo ficado bastante satisfeito com a qualidade da comida que aqui se serve bem como do serviço de sala. Foi ainda a minha primeira experiência do "outro lado do espelho", tendo estado 2 serviços de jantar a servir à mesa, acabando por perceber melhor algumas das dificuldades que se pode enfrentar nesta profissão, tornando-me mais tolerante a algumas coisas que se possam passar futuramente (mas também menos tolerante a outras)!


Um dos pratos mais marcantes deste espaço, tendo entrado agora na nova carta de Outuno-Inverno, foi a Chora, uma sopa feita com caras de bacalhau, servida a bordo dos navios da Frota Portuguesa do Bacalhau, representando muito da cozinha de reaproveitamento que tanto nos caracteriza e, principalmente, um prato que o meu avô fazia e que nunca vi ser servido em nenhum restaurante! 


A maior parte da cozinha do Nó de Gosto assenta em sabores tradicionais portugueses, em conjunções aparentemente simples mas saborosas como o Bacalhau Fumado com Queijo Creme e Endro.


Ainda na senda dos pratos com bacalhau, as Lascas de Bacalhau com Puré de Grão e Espinafres relembram-me o bom que a comida portuguesa realmente é, ainda aqui com um empratamento que foge ao tradicional mas ajuda a ligar em cada garfada as 3 componentes presentes.


Em muitos dos meus almoços ou jantares de família é servido este Chouriço à Camões, um chouriço cozinhado com vinho tinto e sumo de laranja. É servido há tanto tempo que não me recordo de onde, como ou porquê esta receita entrou na nossa vida mas a verdade é que não mais saiu.


Se a Chora foi o meu prato favorito, pela evocação de sabores familiares que nos comovem e fazem recordar, a Batata-Doce com Pá de Borrego e Alecrim Fresco foi sem dúvida o mais surpreendente. Uma pá de borrego cozinhado durante várias horas, sendo depois desfiada, colocada em cima de uma fina fatia de batata-doce e uma fina fatia de tomate Coração-de-Boi e terminada com alecrim fresco. Um prato bastante completo e equilibrado, que provoca o nosso palato com os seus toques doces, salgados e ácidos.


Ainda no campo dos torricados, excelente combinação neste de Cebola Caramelizada, Queijo dos Açores e Tomilho Fresco, onde mais uma vez vários pontos do nosso palato a serem estimulados ao mesmo tempo.


Excelentes também os Ovos Beneditinos, com o pão ligeiramente torrado a servir perfeitamente de base para um excelente presunto, bons espinafres, um ovo escalfado cozinhado na perfeição e um molho com aquele toque de acidez essencial! Ah, e como bónus, está disponível a qualquer refeição do dia!


A influência da maior parte da ementa é portuguesa, mas muitos dos pratos levam alguns twists que os tornam ainda melhores do que estamos habituados, caso da Muxama Extra, um simples prato com uma excelente muxama (lombo de atum seco, o presunto dos mares), um bom queijo de cabra fresco e uma óptima compota picante para elevar a prato a um nível estratosférico. Como muita da cozinha do Nó de Gosto, simples mas com muito sabor.


As Bochechas de Porco SV (cozinhadas em sous-vide durante 6 horas!) é outro dos pratos que mais me impressionou. Excelente textura nas bochechas, a desfazerem-se facilmente ao toque, regadas com um guloso molho e acompanhadas por dois bons purés, um de castanhas e um de maçã, e com um ligeiro picante dado pelo chutney de malagueta. 


A cozinha do Nó de Gosto passa, como já referi várias vezes, pela simplicidade de alguns pratos mas que contenham muito sabor. Ora bem, tal não era possível também sem que houvesse qualidade nos ingredientes e onde podemos testemunhar facilmente isso é nos Cogumelos do Cardo (Pleurotus Eryngii), com uns saborosos e carnudos exemplares simplesmente salteados e terminados com soja.


Outro dos pratos da nova carta do Nó de Gosto, retrata alguma da melhor comida de conforto portuguesa. Uma das coisas que mais gosto de comer com o tempo frio são bons estufados e guisados. Pratos quentes e que nos aquecem a alma, como estas Favas com Choco.


Podem terminar uma ronda de petiscos com o Prego de Atum, simplesmente braseado com sementes de sésamo, temperado com um pouco de soja e servido num bom pão de alfarroba. Impressionante a qualidade do atum, a não colocar qualquer oposição às dentadas que vorazmente lhe desferi. 


Para acompanhar o Prego de Atum, umas Batatas-Doce Fritas bastante competentes.


Isto já vai longo, mas a verdade é que as sobremesas são também um importante capítulo nesta casa. Vão variando ao longo dos dias por isso o ideal é perguntar o que há ou deixarem-se levar pelas sugestões da casa. Tive a oportunidade de provar algumas cujo registo fotográfico lamentavelmente falhou, como o Bolo Semifrio de Chocolate Picante ou uma óptima Mousse de Marmelo. Tentei compensar garantindo o registo de um óptimo Folhado de Tavira, um bolo típico desta zona algarvia.


Outro item que está sempre disponível são as Panquecas com Fruta Fresca, que podem terminar uma refeição de petiscos ou um brunch composto pelos Ovos Beneditinos!


Pode parecer um texto bastante imparcial mas a verdade é que fiquei realmente agradado com a comida que experimentei! Gostei do espaço, do conceito e da ementa diferente de tudo o que se pode encontrar nas redondezas. Não fiquem iludidos, sei que não é perfeito mas vejo bastante potencial e força de vontade de trabalhar alguns aspectos que possam não estar ainda tão oleados. E, agora numa nota muito pessoal e parcial, isso deixa-me cheio de orgulho no que aqui se produz, acreditem! 

Nó de Gosto
Tavira, Portugal
Preço Médio: < 20 €