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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Pimenta Malagueta (Amadora)

Os últimos anos têm sido bastante generosos no que à cena gastronómica da Amadora se refere. Disse-o quando fui a'O Quintal (aqui) e ao Happy Comida Caseira (aqui) e vou voltar a dizer, sem qualquer problema. Este Pimenta Malagueta vinha-me despertando a curiosidade há meses e meses, mas a oportunidade de o conhecer surgiu após um convite dos proprietários.
O registo em que se apresenta é bastante diferente dos restaurantes que já mencionei. Aqui entramos num local que nos faz lembrar um típico e confortável restaurante português, quase uma tasca. Não é uma tasca moderna, cheia de pormenores kitsch. É mesmo uma tasca, mas com um aspecto clean. 
Os clientes que aqui entram são recebidos entre sorrisos e palavras simpáticas, algo que é uma constante por toda a refeição como pudemos testemunhar. Existe uma genuína preocupação de que as pessoas se sintam bem e que comam bem! A casa aqui começa a ser feita por quem serve e por quem cozinha, que vem à mesa saber como estão as coisas. E vimos isto a ser feito também a outras mesas, daí percebermos que é algo realmente honesto.
A ementa reflecte influências claramente portuguesas, com comida aparentemente simples exceptuando alguns pratos que parecem mais trabalhados. Os preços são algo surpreendentes para alguns pratos, mas já volto a este ponto...
Começámos por atacar um bom Queijo de Ovelha Curado, que nos foi servido com o couvert. De salientar também a óptima manteiga de alho que nos foi servida e que barrámos generosamente em fatias de um simpático pão.



Até estávamos para passar as entradas à frente, mas a sugestão de um Folhado de Queijo de Cabra falou mais alto. Massa folhada num ponto perfeito, com um recheio de queijo de cabra, tomate e oregãos que faz todo o sentido. Para refrescar, uma salada bem temperada com apontamentos doces dados por morangos e uma fruta da época, a romã. Se o folhado cumpriu bastante bem e ficámos agradados com a sugestão, a salada que o acompanha foi uma boa surpresa. 



Apesar das influências portuguesas e do menu aparentemente simples, existem algumas pérolas que parecem meio perdidas, como este Polvo com Puré de Batata Doce, Grelos e Molho Romesco. Nota-se aqui uma evolução do simples restaurante de bairro, com um prato de alguns componentes mais invulgares, como é o caso do molho romesco, e um empratamento cuidado. Mas não é só o prato que é bonito, ou a dose que é bastante generosa. Os sabores apresentados são também muito bons, principalmente o romesco! Polvo cozinhado na perfeição, de textura macia, e uns grelos fantásticos. Dispensava o puré de batata e deliciava-me só com o polvo, os grelos e o molho.



Uma das imagens que mais vi, e que mais me fez salivar nos períodos antes desta visita, foi a de um bife com um aspecto divinal, banhado em molho e com uma malagueta por cima. Existem alguns bifes, podendo optar por vazia ou lombo. O lombo acaba por ser um corte que, devido à sua falta de gordura, não apresenta muito sabor, logo a escolha teve que recair pela vazia.
Fantástica peça de carne. Mesmo muito boa, bem temperada, cozinhada perfeitamente no ponto pedido (mal passada)! Bom molho, onde ia mergulhando o simples arroz branco para criar uma gulosa "pasta" de molho e arroz e umas excelentes batatas fritas, estaladiças qb. Ah, e voltando à questão do preço, este bife da vazia tem o custo de 9,80€, tornando-o num dos nacos de carne mais apetecíveis da cidade de Lisboa a meu ver.



As Farófias, servidas de uma forma muito pouco ortodoxa, a apresentarem uma óptima consistência mas o creme de ovo a levar-nos mais a pensar em arroz doce do que em farófias. Não é mau, visto que também gosto bastante de arroz doce, mas foi algo inesperado.



Excelentes sabores no Cheesecake com Doce de Morango, Framboesa, Gengibre e Lima, principalmente no que ao topping diz respeito. Bastante bem equilibrado entre a doçura e a acidez, ligando na perfeição com o creme e a base. Único problema foi a base não estar estaladiça, algo que aprecio nesta sobremesa para dar alguma textura à mesma.



Saí do Pimenta Malagueta com vontade de regressar muito em breve. Não só a ementa tem outros pratos apelativos por descobrir (vi passar pratos com óptimo aspecto para outras mesas) como me senti verdadeiramente bem lá. Ou então voltar quando simplesmente me apetecer um belo bife a bom preço.

Pimenta Malagueta
Rua 1º de Dezembro, 38A
Amadora, Portugal
Pimenta Malagueta Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Foodspotting
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Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 24 de Janeiro 2018

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Tia Rosa (Melides)

Viagens para Norte ou Sul de Portugal são, para mim, sempre desculpas perfeitas para conhecer restaurantes a meio caminho. São viagens longas e que "obrigam" quase sempre a uma ou outra paragem, portanto porque não fazer pequenos desvios e ir conhecer aqueles restaurantes que, noutros casos, não teríamos uma oportunidade tão fácil?
Foi numa dessas viagens, para a fantástica cidade de Tavira, que resolvi fazer mais um desses desvios. Habitualmente, o ponto de paragem obrigatório é O Cruzamento (já falei sobre ele aqui), em Grândola, mas desta vez queria algo diferente. A fama da Tia Rosa em Melides é mais que muita e não é assim tão longe de Grândola... Porque não?
Entro cedo num restaurante bastante vazio mas isso não me intimida. A zona não é propriamente famosa pelo seu turismo nos meses de Inverno e o restaurante é algo remoto dos locais mais habitados da zona. Desde que a comida valha o desvio e corresponda às altas expectativas que tinha criado, nada mais importa.
As hostilidades começam com um Prato de Enchidos de Porco Preto. Estive entre esta entrada e a Alheira Assada no Forno (e o serviço não ajudou muito na decisão) por isso fui por aquele que me parecia mais adequado a uma pessoa. E lá chega o pratinho com rodelas de chouriço, chouriço de sangue e farinheira... enrolado em plástico. Daquelas técnicas de conservação de snack bar, mostrando claramente que aquele prato estava cortado e preparado há algum tempo. Porque cortar enchidos na hora é uma tarefa hercúlea. A qualidade dos mesmos não era má mas também não me excitaram as papilas gustativas por aí além.


Mas aqui a atracção principal era o Pato Assado no Forno com Arroz de Miúdos, o prato que move multidões e é alvo de peregrinações! Ok, se calhar é um pouco exagerado a parte das peregrinações mas a verdade é que é a especialidade da casa e aquele de que toda a gente fala e que dizem ser obrigatório. Estão a imaginar a expectativa com que entrei no restaurante, certo? Sentei-me estrategicamente para ter uma visão para a cozinha e conseguir observando os passos que levariam o meu prato a chegar à mesa e foi aí que começou a desilusão. Começo por ver a travessa do pato a ser aquecida num microondas e depois colocada no forno. Pelo caminho, vejo verterem um pouco de óleo também para lá.
Resultado final, quando o prato chega à mesa já estou meio desconfiado, mas tento afastar os preconceitos da minha mente. A pele é logo a primeira coisa a ser atacada e, para minha felicidade, revela-se estaladiça e saborosa. A carne já não tanto, estando o peito do pato algo seco mas todos conhecemos a dificuldade de cozinhar uma ave inteira, visto ter tão diferentes pontos de cozedura. Melhor a carne da asa, que chego a roer com as mãos. O problema está no fundo do prato com uma altura de gordura algo desnecessária e que em nada acrescenta a nível de sabor. Ainda tentei verter um pouco sobre o pato mas não adicionou nada de positivo, apenas tornou o prato desnecessariamente mais pesado. Talvez tenha adicionado às batatas que nela cozinharam mas quando as colocava no prato tentava levar o mínimo de óleo possível.


O Arroz de Miúdos era também alvo de grande expectativa. Adoro miudezas de aves, seja na canja, no arroz ou simplesmente estufados! Mas este arroz também não esteve à altura. Cozinhado em demasia, apresentando-se já um pouco empapado, a necessitar de mais sal e com aquela camada de ovo em cima que é dispensável, ainda que a nível visual seja apelativa. Se fosse uma leve pincelada percebia que ajudasse a dar cor no forno ainda passava, mas é demasiado e acaba por ser arroz com ovos mexidos por cima.


Salvou-se a honra da casa com a sobremesa. Umas belíssimas Farófias, feitas no forno, fantásticas nas suas texturas e com um doce de ovo que não era demasiado doce. Faria um desvio por estas farófias mas não pelo pato!


Não é que tenha sido uma má refeição, muito pelo contrário. Saio desiludido porque tinha as expectativas num patamar demasiado elevado. Já falei várias vezes sobre o quão perigosas são e aqui foi mais um caso em que só saio algo desanimado porque esperava muito melhor. Não me levem a mal os fãs daquele pato assado, pois acho o prato interessante e se tivesse na zona não teria problemas em lá voltar, mas não me convencem a fazer outro desvio propositado por ele. Já por aquelas farófias...

Tia Rosa
Melides, Portugal
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 19 de Janeiro 2018

domingo, 16 de abril de 2017

Tasca Velha (Rebelva)

Existe um eixo na Rebelva repleto de restaurantes, uns melhores (Taverna do Rogério, BeSushi, Brasa da Belavista ou Casa do Mar - do qual ainda irei falar aqui), outros piores e outros que ainda não tive oportunidade de conhecer, mas a verdade é que é uma zona de restauração muito interessante. Dependendo dos nossos apetites podemos escolher um dos muitos restaurantes que por lá habitam.
Neste frio dia de Janeiro apetecia-nos comida caseira simples e reconfortante e optámos por escolher a Tasca Velha como destino. Aqui não existe uma ementa diferenciadora ou especializada nalgum aspecto mas tudo o que experimentámos estava bem confeccionado. 
Seja nas Lulas à Lagareiro, de bom tamanho e bem cozinhadas, apresentado-se macias e com aquele azeite e alho guloso.


Ou no Choco Frito, de tiras longas e macias, que são acompanhadas por um belíssimo Arroz de Feijão.


Terminando com umas boas Farófias, não ao nível das da Caçoila, mas ainda assim altas, fofas e com um simpático creme inglês a completar o conjunto.


Nada na Tasca Velha é inovador ou único mas também não é esse o objectivo. É um restaurante fiável e seguro para diferentes ocasiões com comida honesta e a preços justos.


Tasca Velha
Rebelva, Portugal
Tasca Velha Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 9 de Janeiro 2016

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Fornos do Padeiro (Paço de Arcos)

Já tinha visitado os fornos do padeiro há uns anos, por 2 ocasiões distintas, e não tinha ficado muito bem impressionado. A comida tinha sido memorável, num mau sentido, e a vontade de voltar nunca foi grande. 
Por motivos de comodidade, voltei a este espaço num almoço familiar. O serviço foi bastante simpático e prestável em todos os momentos, com a disponibilização de alterações na disposição da sala conforme algumas limitações existentes.
Boas entradas, com destaque para o Presunto, apesar do corte mais grosseiro, para a Farinheira e Linguiça. Gulosas e viciantes o suficientes para abrir o apetite a toda a mesa.




O Bacalhau com Broa no Forno revelou... pouco bacalhau e um conjunto um tanto ou quanto seco. É quase inevitável fazer comparações com outros exemplares experimentadas e este está muito longe da qualidade da Taverna do Rogério.



Bastante melhor o Leitão, com uma pele estaladiça e a carne suculenta.



O Lombo de Porco no Forno com Batata Doce já foi algo quase memorável (mas desta vez, no bom sentido), apresentando bastante sabor, carne macia, um bom molho e acompanhamentos simpáticos.



Nas sobremesas, umas Farófias simpáticas e leves.



Um bom Requeijão com Doce de Abóbora. Simples e competente!



Ainda que a refeição tinha sido melhor que anteriores experiências, continuo a não conseguir considerar os Fornos do Padeiro como um restaurante de eleição, seja em que contexto for. Sim, o serviço é bastante simpático e prestável, a comida é boa, mas não é uma experiência por aí além, existindo melhores opções no que à relação qualidade/preço diz respeito.

Fornos do Padeiro
Paço de Arcos, Portugal
Restaurante - Fornos do Padeiro Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €

quinta-feira, 5 de março de 2015

Restaurante Caçoila (Oeiras)

Quando vou algumas vezes a um restaurante, tenho a mania de tentar provar toda a ementa, ou pelo menos todos os pratos que parecem propostas atractivas. E, como é lógico, isto não poderia correr sempre bem! E se é mau quando não sabemos o que é o prato, pior é quando criamos uma ideia mental do prato e ela vem completamente errada!
Bem, primeiro irei tentar explicar-vos a imagem que tinha criado das Migas de Pato. Imaginem umas migas à alentejana com o pão frito a criar uma crosta que no interior irá revelar umas lascas de uma perna de pato previamente confitada... talvez até na sua própria gordura para tornar tudo ainda mais saboroso! Já imaginaram? Parece-vos bem?
Bem, voltando à realidade o prato que me chegou nada tinha a haver com aquilo que vos descrevi! Por baixo de umas tiras de couve e uns cubos de batata, uma pasta alaranjada que, se na primeira garfada até parece agradável, rapidamente se torna demasiado enjoativo devido à unidimensionalidade de sabor! Claramente uma má escolha, num restaurante com várias propostas bastante boas.


Apesar de este ter sido um prato que não me convenceu, muitos pratos há que estão mais que aprovados, como é o caso dos Peixinhos da Horta, o Bife de Javali ou a Alheira de Caça com Migas.




Para sobremesa é impossível fugir às obrigatórias e fantásticas Farófias! Não me vou alongar muito sobre as mesmas, e para saberem a minha opinião basta consultarem o post que fiz sobre as mesmas!


Um restaurante com alguns altos e baixos, mas que considero ser uma aposta segura para qualquer ocasião. Peçam o que vos parecer melhor, sejam petiscos ou pratos, que a probabilidade de saírem da Caçoila satisfeitos é grande.

Zomato
A Caçoila
Oeiras, Portugal
Facebook
Preço Médio: < 20 €

quarta-feira, 19 de março de 2014

A Caçoila - Farófias

É público e do conhecimento geral que não sou uma pessoa adepta de doces, não corro por eles, não me desloco a restaurante algum porque tem as melhores sobremesas e acabo por, algumas vezes, não comer sobremesa (ou se a como é porque estou a dividir). Mas isto é na generalidade dos casos, e como sempre existem algumas excepções.
Ao entrar neste restaurante oeirense, enquanto percorro a sala para ver se há mesas disponíveis o meu olhar recai sempre na travessa grande que ostenta umas dunas gigantescas e bem formadas. Dunas? Bem...à primeira vista parecem dunas. Depois começam a parecer-nos um conjunto de nuvens fofas onde queremos mergulhar. Mas estamos num restaurante, por isso deixamo-nos de dunas e nuvens, e começamos a pensar o que iremos comer, sabendo que teremos de deixar algum espaço para a sobremesa.
Mas deixo os pratos principais e os petiscos para uma próxima vez, pois este post é para falar apenas da montanha gigantesca que chega num prato de barro, coberta de leite creme e polvilhada com canela. E se visualmente esta sobremesa causa impacto, o sabor e textura não lhe ficam atrás. Apesar da imensa dimensão, estas farófias não conseguem combater o poder de corte da colher que por elas deslizam sem dificuldade. Levando um pouco do leite creme atrás, só é "pena" que a farófia seja tão leve que desapareça mal chegue à boca, pois queremos que cada colherada dure o máximo possível para podermos saborear com calma e tranquilidade.
Uma receita simples, exemplarmente bem executada e um verdadeiro "must have" deste espaço.


A Caçoila
Rua do Piaui do Brasil, 2/3
Oeiras, Portugal
Preço Médio: < 20 €