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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Maria Pia (Cascais)

Estão a ver aqueles restaurantes que suscitam curiosidade desde a primeira vez que ouvimos falar mas mas, por um motivo ou por outro, vamos adiando e adiando a visita, até que finalmente lá vamos e a única coisa que não conseguimos perceber é o porquê de não lá ter ido mais cedo?
O Maria Pia foi um destes casos! A sua abertura, em Setembro de 2014, passou-me algo despercebida mas rapidamente se tornou um dos restaurantes mais interessantes de Cascais. A sua localização privilegiada, junto ao Clube Naval de Cascais, proporciona uma vista fantástica ajudada pela componente envidraçada do restaurante. O atendimento é jovem, descontraído e extremamente prestável mas um pouco lento, tendo feito com que o almoço demorasse cerca de 3 horas. Não tínhamos pressa, por isso não nos preocupámos muito com isso e só quando saímos do restaurante reparámos na quantidade de tempo que tinha passado.


A refeição inicia-se com um bom Couvert, com destaque para o excelente pão rústico ainda que o de azeitonas não lhe ficasse muito atrás. Bom azeite com coentros e alho e um trio de manteigas deslumbrante, da mais tradicional à de beterraba.


O Maria Pia assume-se como um Seafood Lounge, mas não estamos perante uma marisqueira tradicional. Uma rápida vista de olhos pela ementa mostra-nos o lógico foco em produtos marítimos, mas sempre em interpretações muito próprias, seja de pratos mais clássicos, ou em pratos mais próximos da cozinha de autor.
Inevitável a presença de um prato de Amêijoas à Bulhão Pato, aqui apelidadas Travessa de Amêijoa com Limão e Coentros, com uns bivalves de boa dimensão, bastante saborosos e banhados num molho que soube estar à altura do desafio. Claro que se mandou vir mais daquele maravilhoso pão para a mesa e não se descansou enquanto houvesse pinga de molho.


O "prémio" para melhor prato da refeição, dono de uma execução perfeita, de ingredientes de fantástica qualidade e de um empratamento que poderia ser capa de uma qualquer revista da especialidade, foi o Atum Braseado com Creme de Aipo e Cenouras. Tudo fazia sentido no prato, inclusive a esferificação de balsâmico!


Do lado oposto do espectro visual do atum, o Risotto Negro de Marisco, que tinha muito pouco de apelativo. Mesmo sendo um risotto com tinta de choco, não era necessário ser tão monocromático. Aposto que as cores naturais das proteínas usadas (que mal se distinguiam no meio do risotto) ficariam bastante bem e ajudariam a dar cor ao prato. Felizmente, a falta de cor não representou falta de sabor, com o risotto a apresentar-se perfeitamente cremoso e de fortes sabores.


Muito bom também o Arroz de Lingueirão com Filetes de Robalo. Poderia ter um maior rácio do bivalve face ao arroz, que se apresentou malandrinho, mas servindo mais como acompanhamento do que como prato principal isto não foi crasso. Excelente fritura nos filetes, que na verdade eram goujons (as coisas que aprendo quando estou a fazer o trabalho de investigação para escrever estes devaneios), a fazer deste um prato bastante seguro e bem executado.


As sobremesas não estão ao nível dos pratos, mas andam muito lá perto, o que já é muito bom. O Chocolate e Morango, uma combinação clássica, é uma excelente escolha para quem se quer perder num bom ganache de chocolate, sem olhar para o lado pecaminosamente guloso da questão, que é atenuado pela presença de alguns pedaços de morango e de um bom gelado do mesmo.


Um pouco melhor, principalmente para quem é tão fã de sabores cítricos como eu, A Laranjeira. Boa torta de laranja, ainda que pudesse estar mais húmida e também mais intensa, a acompanhar com 3 gomos de laranja e um gelado, que acabou por estar aquém dos restantes elementos no prato.


Um restaurante que rapidamente se torna para mim um dos meus favoritos em Cascais. Pratos bem executados, muito bem trabalhados ao nível do sabor e com ingredientes de qualidade irrepreensível!

Maria Pia
Passeio Dona Maria Pia - Clube Naval de Cascais
Cascais, Portugal
Maria Pia - Seafood Lounge Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Preço Médio: < 40 €
Data da Visita: 13 de Junho 2018

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Baía do Peixe (Cascais)

Não sou uma pessoa que faça quilómetros para comer marisco. É verdade, pode parecer blasfémias, mas não sou um fã assim tão grande de marisco, excepção feita a bivalves. Já o disse mais do que uma vez mas o trabalho que (algumas vezes) dá e o preço que se paga não me compensa pela satisfação que me traz.
Agora que tirámos isto do caminho, tenho a dizer que tenho ficado bem impressionado com algumas mariscadas a que fui. Já aqui falei do Dom Pepe, mas andava também com a mariscada da Baía do Peixe fisgada. Localização muito boa, com um dos lados do restaurante a ser completamente envidraçado e a permitir vislumbrar toda a baía de Cascais!



Atendimento bastante rápido que em escassos 10 minutos começa a trazer o Rodízio de Marisco para a mesa. Ao contrário do Dom Pepe, em que existem várias fases da refeição, aqui atacamos directamente o marisco. Preparações simples ou mesmo a cru, nada é complicado na Baía do Peixe. 



Casco de sapateira recheado, pernas de sapateira (uma daquelas coisas que dá demasiado trabalho), camarão cozido, percebes, búzios, ostras, amêijoas à Bulhão Pato, mexilhões à espanhola e gambas al ajillo, tudo com um nível bastante bom, onde apenas desejava que os pratos com molho (amêijoas, mexilhões e gambas) fossem mais gulosos! Não puxaram pão para varrer o molho que se encontrava no fundo, o que é algo fundamental quando falamos deste tipo de pratos.



Todos os produtos experimentados apresentaram qualidade, ou seja, aliado ao facto de ser rodízio e onde podemos repetir o que quisermos as vezes que quisermos (enquanto houver stock), o preço (24€) torna-se bastante justo.

Baía do Peixe
Cascais, Portugal
Baía do Peixe Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 25 de Agosto 2018

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Quitanda (Paço de Arcos)

Sou orgulhosamente nascido e criado em Paço de Arcos, uma freguesia do concelho de Oeiras (sim, aquele do Isaltino!). Fui jogador de andebol do Clube Desportivo de Paço de Arcos, cujo pavilhão se encontra no bairro Jota Pimenta. Clube esse bastante conhecido pelo seu hóquei em patins, patinagem artística e também com alguma tradição na vela e outros desportos navais, existindo inclusive um Centro Náutico para o efeito.
Não, este artigo não é sobre mim, mas é para perceberem que Paço de Arcos (e seus arredores) são uma zona que me orgulho de dominar, principalmente na cena gastronómica. Até que fiquei boqueaberto quando ouvi dizer (no longínquo mês de Janeiro e na Time Out em Maio) que no Centro Náutico de Paço de Arcos, num restaurante chamado Quitanda, se comia algum do melhor peixe (de mar!) grelhado da região de Lisboa e, ainda por cima, a bons preços! Como é que eu nunca tinha ouvido falar disto? Ainda por cima, ao lado do supracitado pavilhão, onde tantos anos joguei, existe também um restaurante chamado Quitanda, cujas lembranças gastronómicas são nulas de tão pouco em conta o tínhamos. 
O espaço não tem nada de especial sem ser a localização. A vista da esplanada tem um gradeamento que quebra um pouco da sua beleza, melhorando um pouco quando subimos ao primeiro piso do restaurante. Pelo caminho, obrigatório mirar a montra de peixe, até porque é assim que a escolha é feita. Não vi qualquer ementa durante todo o período que lá estive, mas também não precisei. Sabia ao que vinha: peixe grelhado.
Antes do peixe, e por uma excelente recomendação do serviço, marchou uma travessa grande de boas Amêijoas à Bulhão Pato. Excelentes bivalves, grandes e carnudos, num guloso molho que fugia à tradicional receita pela adição de mostarda. Sei que a receita original do molho não é assim mas gostei bastante desta adição. Uma breve nota quanto ao serviço, do qual muito mal li, mas apanhei um bom dia, tendo testemunhado um serviço prestável e simpático em toda a refeição.


Mas a pièce de résitance foi o Robalo de Mar Grelhado, escolhido de uma montra invejável. 1,2Kg de peixe fantástico para duas pessoas, e este era dos peixes mais pequenos que lá havia! Do melhor que tenho comido ultimamente, ainda que prefira o peixe grelhado inteiro, em vez de escalado. Com muito esforço, pois um bicho daquele tamanho dava à vontade para três pessoas, não restou lasca de peixe. O Peixe do mar, cujo proprietário do restaurante, o Sr. Manuel, vai pessoalmente a várias lotas comprá-lo, não é um produto propriamente barato mas ainda assim considero que 35€/kg num robalo daquela qualidade é um preço muito justo e que não se encontra em muitos locais.


Continuo sem sentir muita curiosidade pelo Quitanda que se situa próximo do pavilhão, mas este tornou-se um dos meus novos locais favoritos quando quiser bom peixe grelhado e a bons preços!

Quitanda
Paço de Arcos, Portugal
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 17 de Agosto 2018

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Fialho (Tavira)

O Algarve é conhecido pela sua gastronomia virada para o mar, principalmente em preparações simples e que deixam o produto brilhar. Podemos encontrar restaurantes deste género um pouco por todo o lado mas, perto de Tavira, sempre tinha lido bastante sobre o Fialho, um dos restaurantes com melhor produto e melhor relação qualidade-preço. Não estamos no domínio das marisqueiras fancy, mas sim num típico restaurante algarvio, quase uma cabana à beira estrada, com um aspecto clássico de tasco.
Iniciámos hostilidades com umas boas Amêijoas à Bulhão Pato, ainda que o molho pudesse estar um pouco mais apurado, mas cumpriu na mesma os requisitos mínimos.


Atirámo-nos depois a umas Ovas de Choco, um petisco nunca antes experimentado por este vosso entusiasta, mas do qual fiquei fã. Encontra-se muitas vezes frito, mas aqui surpreendeu os comensais presentes ao aparecerem numa banheira de escaldante azeite aromatizado com alho e salsa. Não sabia bem o que esperar, mas fiquei rendido, tanto às ovas em si como ao azeite aromatizado onde cheguei a mergulhar pão diversas vezes.


Um dos ex-libris da casa é o Arroz de Lingueirão, que chega à mesa numa dose que dá para 3 pessoas. Infelizmente não achei que estivesse à altura de outros locais onde este icónico prato é servido. Para além do picante, que é uma preferência pessoal neste tipo de pratos, faltava-lhe algum sal e um melhor rácio na proporção entre arroz e bivalve. Pela positiva, arroz bem cozinhado, bastante caldoso e a gigantesca dose.


Encaro atum como se de carne se tratasse e, como tal, peço-o sempre mal passado. Infelizmente isso não aconteceu aqui com a Barriga de Atum. Boa qualidade da barriga, não tendo secado mesmo estando bem passada, mas acho que perde bastante ao ser servida assim.


Terminámos com uma Torta de Laranja com muito pouco sabor, mas de textura correcta. Numa região tão famosa pelas suas laranjas, seria de esperar que as tortas de laranja tivessem sempre bastante sabor.


Uma refeição com alguns altos e baixos mas não achei que justificasse a fama que tem. Tirando as ovas de choco, tudo o resto podia ser melhor e os pratos principais falharam em pormenores essenciais.

Fialho
EM 1339, 1090E - Luz de Tavira
Tavira, Portugal
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 12 de Agosto 2018

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Noélia (Cabanas de Tavira)

Este é um dos restaurantes que menos apresentações necessita, certo? Todos já devemos ter, algures no tempo, ouvido falar da famosa Noélia, que gere um restaurante perto de Tavira, que origina verdadeiras romarias, que trabalha os produtos locais como poucos, que origina orgasmos gastronómicos e que é o melhor restaurante do mundo (!!), segundo o Miguel Esteves Cardoso (aqui).
Pois é, todos os anos saem verdadeiras odes de amor à Noélia e não é por menos. A sua comida, principalmente quando nos focamos nas Sugestões do Dia, é refrescante, é inovadora e, principalmente, é plena de sabor. 
Isto para não falar no amor de pessoa que a mesma é. Tive oportunidade de falar um pouco com ela no final do jantar do Mesas Bohemias e fiquei rendido não só à sua cozinha como à sua pessoa. O carinho com que falava dos "seus míudos", que com ela partilham a cozinha, mede-se no tom de voz.
O único apontamento que tenho a fazer é o facto de não me terem permitido fazer um dos menus de degustação que, na altura, ainda se encontravam no menu (disseram-me que seria retirado entretanto). Queria deixar-me ficar nas mãos da Noélia, pois ela sabe levar-nos na sua cozinha tão familiar e, ao mesmo tempo, tão inovadora.
No último ano fiz 3 refeições na Noélia (duas no seu restaurante, em Cabanas de Tavira, e uma no Mesas Bohemias, em Lisboa) e, ainda que nem todos os pratos tenham deslumbrado, saio sempre com a impressão que quero voltar rapidamente e saber o que de novo a Noélia vai cozinhar. Mas não é só nas inovações que a Noélia se destaca, pois também no tradicional se destaca. Nem tudo do que aqui consta foi perfeito mas, independentemente disso, é daqueles restaurantes obrigatórios e que valem a viagem propositada.
Pudesse eu e estaria lá mensalmente, pois ela é uma mulher que trabalha o que o mar e a terra lhe dão, funcionando até com algumas micro-estações. 
Não vou descrever os pratos. Não vale a pena. Nunca iriam fazer jus ao sabor que tinham. Quero apenas deixar-vos com uma nota. As imagens que vão ver a seguir podem causar elevadas doses de saliva, não sendo recomendadas a quem estiver com muita fome.

Ceviche de Dourada do mar
Canja de Amêijoas
Polvo Frito com Batata Doce
Filetes de Peixe-Galo Frito com Arroz de Coentros
Raia Alhada
Arroz de Ostras "Moinho dos Ilhéus" com espumante Sidónio de Sousa
Arroz Negro de Lulas em 3 Texturas
Mousse de Limão Merengada
Mousse de Chocolate
Bolo de Laranja, Amêndoa e Gila
Polvo Trapalhão com Batata Doce
Açorda de Galinha Serrana
Tarte de Alfarroba e Pudim de Laranja do Algarve com Amêndoa
Pil-Pil de Línguas de Bacalhau
Arroz de Limão com Garoupa e Amêijoas
Tarte de Alfarroba, Amêndoa e Gila
Tapas de Muxama de Atum
Único problema? Estar cheio nesta altura de Verão, seja a que hora do dia for! Tentem reservar ou, conselho pessoal, vão fora da altura de férias para poderem aproveitar uma refeição mais tranquila.

Noélia
Tavira, Portugal
Preço Médio: < 30 €
Data da Última Visita: 17 de Março 2018

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Germano (Marvila)

Nós, portugueses, somos um povo que gosta de se reunir à volta da mesa. Passamos horas à volta de uma mesa bem recheada, entre conversas, gargalhadas e histórias. Estamos até, muitas vezes, a comer e a falar de refeições passadas ou futuras! É por este tipo de coisa que eu considero a comida um dos maiores factores que mais une pessoas, seja em que parte do mundo for.
É por isso que vejo com alguma estranheza atitudes de desconfiança para pessoas que se sentem nas mesas ou nosso lado. E digo isto, seja que tipo de restaurante for, ainda que perceba que a probabilidade de ocorrência possa ser inversamente proporcional ao preço final da refeição.
Porquê este discurso todo? Porque acho que a comida tem mais piada quando partilhamos essa experiência com alguém, conhecido ou desconhecido. E porque me aconteceu algo deste género no Germano, um pequeno restaurante no Braço de Prata, que originou uma noite altamente improvável mas bastante memorável.
Ao chegarmos ao restaurante acabamos por nos assustar um pouco com a quantidade de pessoas que está cá fora à espera. Não existem turistas aqui, são mesmo pessoas que moram naquele bairro ou lisboetas que ali de propósito se deslocam, para experimentar os petiscos da Dona Graça.
Lá nos sentamos, damos uma olhadela rápida pela ementa e pedimos o que nos parece melhor, numa ementa simples, curta e concisa. Estamos no registo dos petiscos, tudo parece tradicional, portanto é deixar-nos levar pelos apetites e vontades da hora. Estamos nas mãos da D. Graça, estamos em boas mãos.
As Amêijoas à Bulhão Pato são as primeiras a chegar à mesa e rapidamente nos apercebemos do erro que foi não pedir logo um cesto de pão torrado. Boas amêijoas com um molho apurado e a pedir para a travessa ser limpa até à última gota. Óptima mão no tempero, algo que se revela uma constante nos diversos pratos experimentados.


As Caracoletas Assadas são algo surpreendentes pois fogem ao registo a que estou habituado. Não há cá molho de manteiga, mostarda ou picante! São assadas com um intenso molho de alho e limão, levando-nos mais uma vez a puxar do pão torrado e absorver o máximo possível do que se encontra na travessa. E é aqui que voltamos ao início deste texto. Chegam as caracoletas e as duas pessoas da mesa ao lado comentam-nas, ao que prontamente nos oferecemos para que provem da nossa travessa. Conversa puxa conversa, não só acabamos a provar os caracóis e os bifes que tinham pedido, como às tantas percebemos que não eramos assim tão desconhecidos. 


No meio de toda esta conversa, chega ainda o Pica-Pau de Vaca e as Batatas Fritas à mesa mas fogem do registo fotográfico. Pica-Pau a manter a consistência ao nível da molhanga dos 2 pratos anteriores mas achei que a carne em si poderia ter um pouco mais de sal. Já as batatas fritas caseiras serviram o propósito de acompanhar a carne mas poderias estar mais fritas.
Não estava com vontade de sobremesa, mas chegou à mesa (que agora já se tinha tornado numa mesa de 4 em vez de duas de 2) uma Mousse de Chocolate, que me disseram estar boa, e um Cheesecake de Morango, considerado fraco.
Gosto de restaurantes assim. Restaurantes honestos, comida simples, a preços justos. Tascas, na verdadeira aceitação da palavra e não nas suas reinterpretações modernas, onde o serviço é sempre familiar, a casa está cheia de clientes habituais e onde saímos a querer fazer parte desse selecto grupo de regulares.

Germano
Lisboa, Portugal
Cervejaria Germano Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 28 de Julho 2018

terça-feira, 6 de março de 2018

Dom Pepe (Parede)

Não sou um grande adepto de marisco. Percebo o fascínio nalguma das coisas, e já experimentei pratos maravilhosos com marisco, mas de forma geral não é algo que costume estar no topo dos meus apetites. Mas aceitei o desafio de alguns amigos meus para ir ao Rodízio de Marisco do Dom Pepe, do qual já me tinham falado muito bem. 
O espaço do Dom Pepe é muito bom e a vista sobre a Marginal é fantástica, tornando-o num dos restaurantes mais bem localizados da Parede, ainda que tenha algumas dificuldades em estacionar perto. 
Estranhamente a refeição começa com o prato mais pesado. Ok, não é assim tão estranho. É como os restaurantes de sushi trazerem primeiro os hot rolls, para que os nossos estômagos se encham o mais rapidamente possível e, neste caso específico, com um produto mais barato, o arroz. Mas, e aí tiro o chapéu ao Dom Pepe, esmeram-se no Arroz de Peixe que servem. Arroz caldoso e bem cozido, bastante bem recheado de peixe mas, acima de tudo, com sabor! 


Bons Mexilhões à Espanhola mas a necessitar de um molho mais apurado, talvez até com um picante que elevasse o prato a um nível superior.
Também o serviço esteve a bom nível, pois quando um comensal extra chegou por esta altura, prontamente refizeram o rodízio de início propositadamente em porções mais pequenas, apesar de ainda estarem os dois tachos presentes na mesa, mas já algo vazios e não tão bons como quando chegaram à mesa.


O Rodízio em si é composto por uma travessa de frios e outra de quentes, que podemos depois repetir uma segunda vez apenas com os itens que mais gostámos. Tudo de um nível bastante aceitável mas a destacar algo pela positiva teria que ser a casca de sapateira gratinada e os camarões fritos. Pela negativa, as ostras não eram das melhores que já experimentei, longe disso (essas foram na Casa da Igreja, da qual falei aqui).



Tudo isto por um valor que considero bastante aceitável, caso não nos estiquemos nas bebidas, o que pode ser complicado pois com este marisco todo apetece-nos um bom verde fresquinho a acompanhar.
Fica por experimentar também o Rodízio do Baía do Peixe para ter um termo de comparação entre duas das mais badaladas mariscadas da Linha de Cascais.

Dom Pepe
Parede, Portugal
Dom Pepe Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 30 de Setembro 2017

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Isaías (Sesimbra)

Sesimbra é sobejamente conhecida pelas suas praias, com a Praia da Ribeira do Cavalo a estar nas bocas do mundo durante semanas no ano de 2016, e a sua gastronomia marítima, com algum do melhor peixe fresco que podemos encontrar pelo país. 


Para ser honesto, o que nos levou a visitar esta zona foi exactamente a afamada, sobrepopulada e sobrevalorizada Praia da Ribeira do Cavalo, mas o que mais nos marcou foi o jantar que fizemos na pitoresca Tasca do Isaías. Uma casa pequena, de tratos simples, gente simples e grandes sabores!
Chegamos antes das 20 horas e pedimos mesa para 2 pessoas, mas teremos que esperar um pouco porque o restaurante já está cheio a essa hora e já existem pessoas cá fora à espera. Enquanto esperamos vamos vendo a ementa exposta e observando a laboriosa tarefa dos "homens da grelha", que com mestria vão controlando a grelha e preparando o peixe dos pedidos que a seguir começarão a ser cozinhados.


Quando a nossa mesa vaga, mas antes ainda de entrarmos no restaurante, já nos estão a perguntar o que vamos comer para tudo começar a ser preparado e diminuir tempos de espera! Partilhamos uma pequena mesa com mais 3 pessoas, com quem não interagimos muito, mas eles sentam-nos onde houver espaço. Porque a verdade é que ninguém vem aqui para conviver ou estar confortavelmente na conversa. Aqui vem-se pela óptima comida e a bons preços! Mal nos sentamos perguntam-nos também o que queremos beber, com um gesto típico por trás do balcão e sem grandes palavras! Como se tivéssemos na casa de amigos...
Iniciámos o repasto com umas gordas e saborosas Amêijoas, num bom molho semelhante ao Bulhão Pato mas onde foi adicionado também Cebola. Excelente matéria-prima, excelente confecção!


Fantástico também o Peixe Espada Preto, bastante bem grelhado com o seu interior bastante suculento e o seu exterior com o característico sabor de grelha.


As Sardinhas foram das melhores que comi nesse ano, com um nível de grelha a comprovar que os vários anos de experiência daqueles senhores fazem diferença no produto quando ele chega à mesa, com uns exemplares gordos e gulosos e aquele desenvergonhado toque extra de sal na pele que a deixa mais estaladiça e faz as nossas glândulas salivares trabalharem com mais afinco.


O único capítulo onde não fiquei fascinado foi nas sobremesas. Fraco Doce da Casa, excessivamente doce.


E uma Mousse de Manga com o creme separado e sem grande encanto.


Felizmente, os apontamentos finais menos felizes em nada influenciaram a minha opinião do local. Estava aqui para comer bom peixe a um preço justo e foi exactamente isso que aconteceu! Pode não ser o local mais confortável, nem o mais requintado, mas ainda bem! Porque aqui o que faz sentido é uma tasca em todos os sentidos da palavra, para também se diferenciar dos restaurantes mais turísticos na zona da praia, e eu adoro isso! Adoro autenticidade e é difícil encontrar um restaurante sesismbrense mais autêntico do que o Isaías.

Isaías
Sesimbra, Portugal
Tasca do Isaías Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 13 de Agosto 2016