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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Blue Jeans (Paço de Arcos)

É verdade... este dia haveria de chegar, mais cedo ou mais tarde! Demorou, até pensei que se fosse safar mas é como uma doença inevitável que vai consumindo tudo e chegando a todo o lado. Alguns sintomas melhores que outros mas a verdade é que o veredicto é quase sempre desfavorável.
Estou a falar, é claro, da febre das hamburguerias, que finalmente chegou a Paço de Arcos. Já havia alguns exemplares por Oeiras, mas a freguesia de Paço de Arcos andava-se a escapar incólume. Ainda culpo o Isaltino Morais (Tio Tino para os locais) por esta abertura. Afinal de contas, foi ele que disse que iria transformar Paço de Arcos na Saint-Tropez de Portugal (aqui)! Bem dito, bem feito e nada como começar a evangelização turística com uma hamburgueria fashion, algo já um pouco fora de moda. Ok, não é propriamente a primeira, pois podemos considerar o Abakua como uma hamburgueria (nunca lá fui, não consigo opinar sobre a mesma) mas pelo que percebo o ambiente é bastante diferente destas hamburguerias "da moda".
A decoração é bastante específica e relacionada com o nome do próprio restaurante, pois podemos observar vários pormenores em ganga (azul, claro). Existe também uma esplanada, ideal para beber um copo ao final da tarde. Staff simpático, ainda que se note alguma inexperiência, mas houve um momento em que pareciam estar a ignorar a sala, focando-se apenas na esplanada. Já a ementa, tem uma ou outra combinação interessante e diferente do habitual, mas nada de extraordinário.
Para nos entretermos antes dos hambúrgueres, pedimos uns Aros de Cebola muito fraquinhos. Polme estaladiça mas com um excesso de gordura que chegou a deixar uma poça no fundo do prato, algo que transparecia também no sabor. Má execução numa entrada tipicamente simples e que consegue agradar gregos e troianos, mas que aqui não agradou ninguém.



Melhores os hambúrgueres, felizmente. Falando de forma geral, nos seus elementos comuns, o pão muito ligeiramente torrado conseguiu aguentar a integridade estrutural durante toda a refeição. A carne estava também bem temperada, apresentando-se média (ou seja, um pouco acima do ponto pedido) e conseguindo sobressair sobre os sabores fortes que compunham os toppings como a geleia de bacon ou o pesto de manjericão.


Denim (Cogumelos Grelhados, Geleia de Bacon, Queijo, Rúcula)
Pepe (Mozzarella, Pesto de Manjericão, Molho de Tomate Cherry, Cebola Panada, Rúcula)
Não foram os melhores hambúrgueres que já experimentei, e também não foram os piores, mas acabam por cair num nível médio que em nada ajuda a proporcionar vontade para lá regressar. Se querem realmente que Paço de Arcos seja a Saint-Tropez de Portugal (preferia que tal não acontecesse, mas é uma opinião pessoal), então temos que melhorar a qualidade da oferta gastronómica que é oferecida, principalmente numa zona que conta com restaurantes como Casa da Dízima, Tasquinha da Vila, Casa Galega ou Pátio Antico (este último encontra-se em obras).
E que tal uma steakhouse como deve ser, como um Butchers ou uma Sala de Corte, em vez destas hamburguerias das quais já estamos todos fartos?

Blue Jeans
Paço de Arcos, Portugal
Blue Jeans - Burger And Bar Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 26 de Julho 2018

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Quitanda (Paço de Arcos)

Sou orgulhosamente nascido e criado em Paço de Arcos, uma freguesia do concelho de Oeiras (sim, aquele do Isaltino!). Fui jogador de andebol do Clube Desportivo de Paço de Arcos, cujo pavilhão se encontra no bairro Jota Pimenta. Clube esse bastante conhecido pelo seu hóquei em patins, patinagem artística e também com alguma tradição na vela e outros desportos navais, existindo inclusive um Centro Náutico para o efeito.
Não, este artigo não é sobre mim, mas é para perceberem que Paço de Arcos (e seus arredores) são uma zona que me orgulho de dominar, principalmente na cena gastronómica. Até que fiquei boqueaberto quando ouvi dizer (no longínquo mês de Janeiro e na Time Out em Maio) que no Centro Náutico de Paço de Arcos, num restaurante chamado Quitanda, se comia algum do melhor peixe (de mar!) grelhado da região de Lisboa e, ainda por cima, a bons preços! Como é que eu nunca tinha ouvido falar disto? Ainda por cima, ao lado do supracitado pavilhão, onde tantos anos joguei, existe também um restaurante chamado Quitanda, cujas lembranças gastronómicas são nulas de tão pouco em conta o tínhamos. 
O espaço não tem nada de especial sem ser a localização. A vista da esplanada tem um gradeamento que quebra um pouco da sua beleza, melhorando um pouco quando subimos ao primeiro piso do restaurante. Pelo caminho, obrigatório mirar a montra de peixe, até porque é assim que a escolha é feita. Não vi qualquer ementa durante todo o período que lá estive, mas também não precisei. Sabia ao que vinha: peixe grelhado.
Antes do peixe, e por uma excelente recomendação do serviço, marchou uma travessa grande de boas Amêijoas à Bulhão Pato. Excelentes bivalves, grandes e carnudos, num guloso molho que fugia à tradicional receita pela adição de mostarda. Sei que a receita original do molho não é assim mas gostei bastante desta adição. Uma breve nota quanto ao serviço, do qual muito mal li, mas apanhei um bom dia, tendo testemunhado um serviço prestável e simpático em toda a refeição.


Mas a pièce de résitance foi o Robalo de Mar Grelhado, escolhido de uma montra invejável. 1,2Kg de peixe fantástico para duas pessoas, e este era dos peixes mais pequenos que lá havia! Do melhor que tenho comido ultimamente, ainda que prefira o peixe grelhado inteiro, em vez de escalado. Com muito esforço, pois um bicho daquele tamanho dava à vontade para três pessoas, não restou lasca de peixe. O Peixe do mar, cujo proprietário do restaurante, o Sr. Manuel, vai pessoalmente a várias lotas comprá-lo, não é um produto propriamente barato mas ainda assim considero que 35€/kg num robalo daquela qualidade é um preço muito justo e que não se encontra em muitos locais.


Continuo sem sentir muita curiosidade pelo Quitanda que se situa próximo do pavilhão, mas este tornou-se um dos meus novos locais favoritos quando quiser bom peixe grelhado e a bons preços!

Quitanda
Paço de Arcos, Portugal
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 17 de Agosto 2018

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Stuppendo Sushi Bar / Momentum Sushi Bar (Paço de Arcos)

O primeiro contacto que tive com o Momentum Sushi (que entretanto virou Stuppendo Sushi Bar) não foi o melhor (aqui). A vontade de conhecer este outro espaço do grupo (na Quinta da Fonte) nem era muita, mas alguns comentários que fui recebendo convenceram-me a dar uma oportunidade. E ainda bem que o fiz.
Senti que a qualidade entre os espaços é abismal. Talvez a medíocre experiência, com sabor a centro comercial, tenha baixado de tal forma as expectativas que a surpresa tenha sido maior. O espaço também é algo descaracterizado e manteve-se maioritariamente vazio durante toda a noite, num jantar a meio da semana, mas acredito que seja mais pela localização do restaurante (dentro de um pólo empresarial) e não pela qualidade do que é servido.
Um ponto que me deixou meio dividido foi o serviço. Extremamente informado, explicando cada prato do extenso Menu de Degustação do Chef Especial com bastante detalhe (tanto que não consegui decorar tudo!) mas com uma simpática arrogância que se foi suavizando ao longo da noite acabando por deixar uma boa impressão mas marcando uma forte primeira posição que pode não ser a mais confortável para todos.
O menu de degustação especial é uma enxurrada de comida tal que apenas não sobrou nada porque estavam duas pessoas de apetite saudável à mesa (vá, uma era um bocado alarve... não vou dizer quem!). Claro que este banquete também se paga (e bem), por isso, caso não tenham apetite para devorar 7 entradas, 1 combinado de sushi de mais de 40 peças e 4 gunkans especiais, existe uma opção mais comedida.
Para não me alongar em demasia (vou tentar com que estes devaneios sejam cada vez mais concisos e objectivos) é de referir que o ponto alto da refeição não foi o sushi, mas sim as várias entradas que o precederam, onde quase todos os pratos superaram as expectativas. Apenas o Tataki de Atum com Cogumelos Shiitake e Cebola Frita deixou um pouco a desejar pela temperatura (fria) a que foi servido.

Tempura
Tataki de Atum, Cogumelos Shiitake, Cebola Frita
Camarão e Rúcula
Usuzukuri
Soft Shell Crab Uramaki
Gunkan Salmão, Vieira, Ikura
Tártaro de Salmão
A expectativa para o combinado era grande mas, apesar da variedade e qualidade aceitável do peixe servido, deixou um pouco a desejar. É sushi de fusão, e não naquele excesso de molho que muitas vezes encontramos mas acabou por ser pouco surpreendente.


Como "sobremesa", chegaram ainda os gunkans que são imagem de marca da casa (e que já tinha experimentado no Taguspark). Boa concretização mas peças demasiado pesadas para o fim de uma refeição tão longa. Sim, é suposto uma refeição de sushi começar nos sabores mais leves e terminar nos mais fortes mas a sensação de ter o estômago a rebentar acaba por prejudicar a experiência.

Gunkan de Picanha
Gunkan de Salmão e Pistáchio
Uma experiência diferente e que surpreende pelos seus primeiros momentos, ficando aquém no momento que deveria ser a apoteose da refeição. Ainda assim, a opinião final é positiva quanto à qualidade da comida, ainda que os preços pareçam um pouco desenquadrados para o contexto.

P.S: Desculpem a longa ausência, mas andava com pouca disponibilidade para escrever. Tentarei que haja uma maior regularidade nos próximos tempos, mas não prometo nada!
Entretanto podem seguir-me no Instagram (aqui) onde vou deixando pequenos resumos rápidos das refeições que vou fazendo!

Momentum Sushi Bar
Edifício Holmes Place - Quinta da Fonte
Paço de Arcos, Portugal
Momentum Sushi Bar by Chef Gerardo Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Facebook
Instagram
TheFork
Preço Médio: < 40 €
Data da Visita: 14 de Março 2018

domingo, 30 de julho de 2017

Marginalíssimo (Paço de Arcos)

Sendo de Paço de Arcos, há muitos anos que ouço falar do Marginalíssimo e o seu fondue. Sempre proclamado como um sítio ideal para grupos poderem encher o bandulho com a especialidade da casa e beber à vontade, por um preço um pouco mais alto do que nos tradicionais jantares de grupo mas que compensaria porque "é fondue". A carne mais encontrada nos fondue é o lombo, por ser bastante macia ainda que perca no sabor (daí os molhos), o que torna impossível que um fondue possa ser barato devido ao preço por quilo do mesmo.
Situado na Avenida Marginal, em Paço de Arcos, é um restaurante meio escondido se não soubermos da sua existência pois confunde-se com as restantes habitações que ali existem, e com as limitações de estacionamento próximo que da localização advém. E o que se come no Marginalíssimo? Fondue e só fondue, ainda que possamos optar por Carne, Carne e Camarão ou Peixe. Isto sempre contemplando entradas (pão, tostas, paté de atum, azeitonas e manteiga de chouriço), o fondue à discrição e respectivos acompanhamentos (batata frita, salada, fruta e molhos), sobremesa (profiteroles), bebidas (sangria branca e tinta, vinho branco e tinto da casa, cervejas, refrigerantes e águas), também ela à discrição, e café. Ou seja, tendo em conta que o fondue mais caro são 25€/pax e inclui tudo isto, até considero o preço justo!



Fiz a reserva da mesa pelo The Fork mas, apesar de ter recebido o email e o SMS de confirmação da mesa, quando cheguei ao restaurante não tinham informação da minha reserva. Felizmente havia mesas disponíveis porque, caso contrário, poderia ter-se tornado numa situação bastante desagradável.
As entradas são simpáticas mas parecem estar lá claramente para encher o estômago dos comensais para que haja menos espaço para o prato principal (e aquele com maior food cost). O destaque é a manteiga de chouriço que sempre dá algum prazer ao comer.



O destaque do fondue não vai só para a carne. As batatas fritas que acompanham são muito boas, com a sua fritura perfeita, bem temperadas e muito (muito!!!!!) viciantes. A salada foi-me de tal forma desinteressante que não lhe toquei, mas a forma como é servida não ajuda a misturar tudo acabando algumas das coisas no prato por cair para a mesa, mas está lá para cumprir o propósito de ir cortando tanta gordura que estamos a ingerir. Melhor a fruta, servida com o mesmo propósito. Os molhos são bons mas não há nenhum que sobressaia.





A carne apresenta qualidade e chega bem temperada à mesa, nuns cubos grandes que permitem que se controle melhor a temperatura a que queremos que eles fiquem. Se fossem demasiado pequenos, cozinhariam depressa demais, por isso prefiro que se opte por um corte maior para que possa continuar a comer a carne mal passada! A única coisa que não inspirou muita confiança foi o fondue em si, com o pote (da 1ª foto deste texto) a estar tão periclitantemente equilibrado que tive sempre algum receio que caísse. Felizmente, isso não aconteceu e pude desfrutar da minha refeição com uma gula imensa.



Os profiteroles de sobremesa são perfeitamente banais e mal lhes toquei. Aconselho-vos a não deixarem espaço para os profiteroles e continuarem a encher a barriga de carne e batatas!
O serviço do Marginalíssimo não é fantástico, parecendo estar escondido demasiadas vezes ainda que seja simpático e prestável, levando a alguma logística de antecipar o que vamos querer para que possamos pedir assim que ponhamos a vista na pessoa (na noite em que fui só vi uma pessoa a atender às mesas).
Gostei da experiência do Marginalíssimo, e saí de lá satisfeito, com o único inconveniente de sair de lá a cheirar a fritos. Por muito que as janelas possam estar abertas, ter todas as mesas a consumir óleo acaba por criar um cheio que penetra em todas as nossas roupas. 

Marginalíssimo
Paço de Arcos, Portugal
Marginalíssimo Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 14 de Agosto 2016

terça-feira, 18 de abril de 2017

Mokuzai Sushi (Paço de Arcos)

Numa das minhas loucas fomes por sushi, decidi experimentar este novo restaurante em Paço de Arcos, aberto no início do ano. As imagens com que o meu facebook ia sendo invadido eram extremamente apelativas e as primeiras palavras que li sobre o sítio eram positivas.
Sábado à noite, dia de clássico na televisão, e quando chegámos ao restaurante (pelas 21h) ainda a sala se encontrava praticamente vazia, o que pode ser algo preocupante para um sábado à noite, mas depois lá se foi compondo. Sala essa com um estilo bastante confortável, principalmente nas cadeiras, que convidam a ficar à mesa pela noite dentro simplesmente na conversa, já para não falar sobre a fantástica vista que o restaurante tem.
A ementa não é muito extensa mas, como estávamos com aquela gula avassaladora, optámos pelo All You Can Eat, esperando que este fosse representativo da qualidade e criatividade do restaurante. E aqui começam as minhas pequenas irritações. Eu sei que o restaurante tem de "fazer dinheiro" e que as opções All You Can Eat não podem mostrar toda a carta, pois correriam o sério risco de entrar em prejuízo, mas ainda assim deve ser representativo da identidade que o restaurante quer ter.
Ora vejamos, para entrada é nos dado a escolher entre uma Miso Shiro simpática mas onde os sabores poderiam ser mais apurados.



Ou umas Gyozas, de bom sabor mas com o recheio a apresentar uma textura algo compacta e indistinta, apresentadas em quantidade suficiente só mesmo para entreter enquanto não chegava o primeiro prato de sushi.



Não percebo esta mania de o primeiro prato de grande parte dos All You Can Eat ser uma enxurrada de peças fritas, quando no sushi deve ser exactamente ao contrário, começando pelas peças mais leves e acabando nas mais pesadas. Quer dizer, eu até percebo mas não quero aceitar. A utilização de peças mais pesadas, por serem fritas e pelo uso de queijos cremes e molhos, faz com que os clientes fiquem cheios mais depressa, acabando por comer menos!



Quando chega o segundo prato, agora sim sem peças fritas, notamos uma vertente muito próxima da tradicional, o que não desagrada, principalmente porque as peças são todas elas bem executadas, com bom arroz e bom peixe (salmão, atum e corvina). Nada de inovador, e as combinações a serem todas muito clássicas mas pode ser esse o caminho que o restaurante deseja. Ou não, não fosse a mesa ao lado ter decidido pedir à carta e nós termos testemunhado peças com muito maior nível de criatividade do que aquilo que nos foi servido.



A criatividade do All You Can Eat não teve problemas só na originalidade das peças. Um dos factores que mais tomo em conta é a diferença das peças entre o primeiro e o segundo prato. Perceber se quem cria as peças tem a preocupação suficiente de mostrar mais aos clientes. De aliciá-los. Ou então se se está "a cagar" e decide fazer o mesmo que já fez e dar às pessoas o mesmo que elas já provaram. Falta de criatividade não deve ser pelas peças que vi passarem para a mesa do lado... será então mesmo falta de querer? Isso aliado ao já natural ar de quem nos serve, como quem diz "A sério que vão querer mais?!", quando pedimos mais e depois ainda esperamos 15 a 20 minutos pelas novas peças. Gostaria que mais restaurantes fossem como o Sushisan (aqui) onde temos de avisar para pararem de trazer comida!



As sobremesas não nos cativaram por aí além e assim decidimos encerrar uma refeição que, à semelhança do que nos tinha acontecido no Suntory (aqui), deixa um pouco a desejar não pela qualidade mas porque são restaurantes que se assumem como de fusão mas não o mostram num tipo de menu que pode ser uma "porta de entrada" para que as pessoas fiquem viciadas e se tornem clientes regulares. Quanto a mim, não sei se me tornarei um regular. Pelo All You Can Eat não será de certeza, e ficará a dúvida se voltarei para experimentar à carta.
P.S: Toda a refeição foi acompanhada com uma Sangria de Frutos Vermelhos que roçava o meu extremo de doçura mas que satisfez as nossas sedes.


Mokuzai Sushi
Paço de Arcos, Portugal
Mokuzai Sushi Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 2 de Abril 2017

terça-feira, 28 de março de 2017

Pátio Antico (Paço de Arcos)

O Pátio Antico é um verdadeiro clássico em Paço de Arcos. Desde que me lembro que existe este encantador recanto, particularmente apelativo pela sua varanda privada, a servir boa comida italiana ainda que com preços acima da média.
Voltei lá há pouco tempo, quando o tempo melhorou e tivemos dias de 25º em Março, para aproveitar as primeiras noites de temperaturas amenas do ano. Pessoalmente, gosto bastante do ambiente daquela varanda. Acho até que nunca tive uma refeição no interior do Pátio Antico, mas também já não ia lá há alguns anos...
O couvert é simpático, sem ser fantástico, muito devido ao pão de qualidade mediana. Mas colocaram também na mesa uma Burratina, outro nome para Burrata, de excelente qualidade e bastante bem temperada.



Ok, não foi só pela varanda que voltei ao Pátio Antico. A verdade é que estava com saudades da fantástica Minestra al Pomodore, ou Sopa de Tomate. Gosto da minha sopa de tomate bastante ácida e aqui tenho os sabores que adoro, com a acidez do tomate a puxar pelas nossas papilas gustativas enquanto cortamos ligeiramente com a cremosidade e riqueza da gema do ovo escalfado.



Outro prato para mim clássico neste restaurante são os Ravioli Ricotta e Spinaci, com uma massa caseira de óptima espessura e perfeitamente cozinhada, com um interior cremoso e equilibrado. Este prato pode ser servido com um molho de manteiga ou com um molho de tomate. Apesar da anterior sopa de tomate, optei por seguir neste rumo comum, e apesar de ter perdido a oportunidade de experimentar o molho de manteiga, o tomate aqui conjuga bastante bem com a doçura da ricotta e o salgado do parmesão ralado por cima.



Acho que nunca aqui tinha experimentado as pizzas mas a Pizza Napoletana (Bacon, Cogumelos, Mozzarella, Tomate, Oregãos) revelou-se uma surpreendente e positiva surpresa. Ainda que não haja muitas opções, sendo este um restaurante italiano com uma ementa mais abrangente nos seus pratos que as típicas pizzarias, excelentes ingredientes, servidos em dose generosa, suportados numa base simpática mas que poderia ser melhor.



Mesmo que já bastante cheio, tendo sobrado até meia pizza, não consegui fugir a comer um dos melhores Tiramisù de Lisboa. Excelente textura, excelentes sabores e bastante equilibrados com a amargura da mistura de café e do vinho Marsala a balancearem-se na perfeição com a doçura natural do mascarpone.



Não é uma refeição italiana barata. Todos os preços (excepto talvez o da Burratina) estão acima da maior parte dos espaços que encontramos em Lisboa e, mesmo com a excelente qualidade da comida, no final parece não se justificar sem ser por aquela fantástica varanda. Ainda assim, um restaurante bastante recomendável para uma refeição mais intimista numa boa noite de Primavera ou Verão.

Pátio Antico
Paço de Arcos, Portugal
Pátio Antico Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 10 de Março 2017

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Tasquinha da Vila (Paço de Arcos)

Tenho a ideia que conheço tudo o que são restaurantes interessantes no eixo Paço de Arcos-Oeiras. Se não por os visitar mas por ouvir falar deles (bem ou mal). Normalmente até sou rápido a visitar aqueles que me pareçam interessantes mas esta Tasquinha da Vila vinha-se a arrastar na minha "wishlist" há mais de 1 ano.
A oportunidade finalmente surgiu num sábado tardio, onde fui encontrar um restaurante vazio demais para a qualidade que me deu a mostrar nessa noite. 
A decoração é engraçada e tem alguns apontamentos de bom gosto e bom humor, que dão graça e alguma autenticidade ao espaço, tentando assim distinguir-se das demais "tabernas modernas gourmet". Tudo o que foi comido (excepto as sobremesas) foi escolhido pela cozinha pois decidimos ficar nas mãos do chef e do que ele entendesse dar-nos a provar. 
O serviço apresentou algumas falhas, parecendo ser por alguma displicência do que por falta de qualidade, pois quando solicitado foi simpático e prestável. Mas servirem as sobremesas sem levantar os pratos onde se comeram os petiscos, e deixarem esses pratos até à altura do café foi algo desconfortável. A não colocação de Batata-Doce na mesa, quando reparámos que todas as mesas as têm logo à partida (inclusive as vazias!), foi uma falha menor, mas levou-nos àquela que foi para mim a maior falha da noite. a Batata Doce. Não me faz sentido que sirvam algo para iniciar a refeição que é doce, extremamente doce, visto serem chips de batata doce frita servidas com açúcar e canela.
Agora a minha falha, não fotografei a Batata Doce nem os bons Pimentos Padrón que aqui se comeu. Grelhados e com um nível de sal alto, tal como eu gosto. Pena nenhum dos exemplares ser picante. O que aumenta a probabilidade de uma dose de pimentos ser picante é o aumento de exposição solar e quantidade de água recebida, bem como o seu grau de maturidade quando apanhado (fonte).
Aquilo que calculo que fosse o Salmão Marinado com Caviar de Beringela (não me recordo exactamente do que foi dito pela pessoa que nos serviu mas pela ementa e fotos prévias na Zomato foi o que me pareceu) foi um início simpático mas que pode ser melhorado. O pão poderia estar torrado e não percebi bem o conceito de caviar de beringela mas a conjugação de sabores funcionou para mim!


O Bolo de Caco com Azeite e Orégãos deveria ser servido em todas as mesas no lugar das Batatas Doce. Simples e a realizar bem o propósito de abrir o apetite.


Um dos pratos mais marcantes foi o Carpaccio de Polvo com Salada Morna de Batata. Excelente textura do polvo, com fatias finíssimas, bem acompanhadas de uma salada de batata, chalota e estragão fresco, tudo bastante bem temperado.


Uma boa conjugação de sabores também no Queijo de Cabra Corado com Coulis de Pimentos, com os sabores fortes do queijo de cabra a serem cortados pelo coulis e com o palato a poder ser refrescado com a salada bem temperada que acompanhava.


O Carpaccio de Novilho com Salada e Parmesão não esteve ao nível do de polvo, faltando-lhe um pouco mais de tempero, principalmente no que se refere a acidez para poder dar uma maior profundidade e dimensionalidade nos sabores.


Excelente Choco Frito, bastante macio e bem frito, com uma polme simpática mas o molho alioli a apresentar-se demasiado líquido e sem aquele característico sabor a alho.


Os Ovos com Farinheira assemelhavam-se a uma omolete, principalmente ao nível visual, e apresentaram sabores aprumados e uma boa textura com o seu interior húmido e bem recheado de uma saborosa farinheira.


"Apenas" 3 opções no capítulo das sobremesas mas, das duas experimentadas, num nível bastante simpático, aliás, como toda a refeição.
A Mousse de Chocolate Gelada, com uma textura de um bom e cremoso gelado de chocolate. servido num engraçado mini tacho.


Mais complexo era o Cheesecake de Abóbora com Praliné de Amendoim. Bolacha saborosa ainda que algo húmida e sem acrescentar textura, papel esse que ficou para o praliné de amendoim, um componente que não se costuma ver associado ao cheesecake. O doce de abóbora simpático e pouco doce, com a componente do queijo propriamente dita a ser algo neutra, sem aquele sabor característico do mascarpone. Ainda que se possa achar piada a servir cheesecakes nestes pequenos recipiente, não sou um fã de sobremesas que tenham múltiplas camadas assim servidas.


Alguns percalços no serviço mas a comida esteve a um nível bastante positivo. Fica a vontade de voltar para experimentar o Bife à Marrare ou o Bacalhau Frito!

Tasquinha da Vila
Paço de Arcos, Portugal
Tasquinha da Vila Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 4 de Fevereiro 2017

domingo, 29 de janeiro de 2017

Claro (Paço de Arcos) - Encerrado

Não é fácil ter os timings certos para a partilha de alguns artigos. Mas sinto o dever de partilhar as experiências que tenho, mais antigas ou mais recentes, melhores ou piores, para que fique na memória de uma pessoa que seja, um nome, uma imagem, um prato... um interesse que seja para futura (ou passada) referência. 
E há um nome que quero que todos retenham neste post, Vítor Claro. Foi ele o chef à frente do restaurante homónimo, no hotel Solar Palmeiras, em Paço de Arcos, terra que me viu nascer e crescer. E demorei tempo demais a conhecer a sua fantástica cozinha, algo que me pesa ainda mais agora que fechou e não sei quando a poderei voltar a experimentar. O Vítor decidiu dedicar-se a tempo inteiro à produção do seu próprio vinho, encerrando assim um dos restaurantes que mais cartas deu nos últimos anos, havendo mesmo quem dissesse que poderia estar próximo de ganhar a sua 1ª estrela Michelin. Esperemos que a sua ausência das cozinhas seja breve.
Antes de começar a falar sobre a fantástica refeição de 3 horas que fiz no Claro, no passado mês de Setembro, um agradecimento para o serviço exemplar do seu sommelier Thomas Domingues, que nos acompanhou durante toda a viagem.
Antes de ir ao Claro, li tudo o que havia para ler em blogues e sites sobre o chef, sobre os menus que apresentava, sobre o seu tipo de cozinha e criei as minhas próprias expectativas sobre o que esperar. Penso que nos devemos tentar informar o melhor possível sobre os sítios, principalmente quando vamos a um restaurante de autor. Perceber se o restaurante será o mais correcto para nós, se o tipo de técnicas usadas se enquadra nos nossos gostos. Pessoalmente não tenho muitos problemas com isso, pois sou um curioso natural, mas acabei por aprender que Vitor Claro apresentava pratos "simples" com os elementos bastante bem trabalhados, principalmente no que a caldos se diz respeito. E foram nesses pormenores que fui tentando ter mais atenção e também que me levaram a ter bastante curiosidade pela sua cozinha.
Começámos com um Couvert bastante simples, com pão, focaccia e manteiga, tudo feito na casa e de um bom nível mas sem a variedade que poderia estar à espera deste tipo de restaurante.


Fizemos o wine pairing, sugerido pelo Thomas, ainda que numa versão mais reduzida pois não queríamos sair completamente ébrios do restaurante, deixando as memórias bem vivas. Como tal, começámos com um fantástico espumante Quinta das Bageiras (Bruto Natural, 2014), feito sem qualquer adição de açúcar mas de uma doçura considerável, que acompanhou os primeiros dois pratos.


O primeiro prato era, até à data, talvez o mais icónico do Claro, com a sua interpretação do Bacalhau à Conde da Guarda, um prato com um impacto visual muito grande mas onde é promovida a simplicidade de ingredientes e os seus contrastes. Quente da quenelle de bacalhau com o frio do tomate, salgado contra acidez, cremosidade contra granularidade. Seria perfeito, não houvesse uma espinha no meu prato, algo que acho pouco admissível neste tipo de restaurante, mas o ar de "pânico" do empregado que recolheu o prato retratou bem o quão improvável e anormal é isto acontecer.


Bastante bom também o Filete de Carapau Alimado, mas gosto deste tipo de pratos mais avinagrados do que o que nos foi apresentado. Talvez o prato menos surpreendente e inovador de toda a visita, mas, ainda assim, um bom prato.


Para os seguintes pratos o Fossil (Branco, 2014) do Vale da Capucha.


A seguir, uma homenagem a um dos chefs com quem trabalhou, Santi Santamaria, na forma de um Raviolo de Gambas e Cogumelos, onde a gamba é trabalhada de forma exemplar a fazer o invólucro que protegem uns óptimos cogumelos salteados. Mais uma vez, simplicidade e uma brilhante execução, tal e qual o que esperaria de Vitor Claro.


Chegou a hora do momento menos conseguido da refeição, com um prato que não nos encheu as medidas e que não conseguiu fazer sentido para nós, a Terrina de Foie Gras de Pato e Alperce Seco Cozido com Especiarias. O alperce não conseguiu cortar na perfeição a riqueza do foie, principalmente por este se apresentar cru, e o sabor a funcho era demasiado pronunciado sobre todo o conjunto.


Continuámos com um Nieeport Dão (Branco, 2015).


Depois de um momento menos bom, mais um momento que nos fez soltar aqueles gemidos pecaminosos de satisfação com um perfeito Choco Grelhado com Molho Romesco. E quando digo perfeito, é mesmo perfeito! Um choco comprado na praça local, levemente passado na brasa mas o suficiente para trazer um pouco do sabor a grelhado para o choco e com uma textura perfeita. 


A Essência de Lavagante mostra a versatilidade deste chef nos seus caldos, com o lavagante perfeito na sua textura, a nadar num caldo trabalhado com caramelo. Mais um prato perfeito e de se sorver todas as gotas que existam na taça.


Thomas decidiu então passar para o tinto, abrindo as hostilidades com o vinho produzido por si próprio, em conjunto com Vitor Claro, o Foxtrot Dominó (Tinto, 2014), surpreendendo bastante a sua escolha porque o primeiro prato que iria acompanhar seria um prato de peixe. E que bem ligou...


...com o Filete de Linguado à Delícia, um prato inspirado no que se servia nalguns restaurantes de cozinha francesa da Linha de Cascais no século XX, que junta um delicadíssimo filete de linguado à doçura da banana caramelizada e à acidez dos cornichons.


O Foxtrot Dominó acompanhou ainda aquele que foi o prato da noite, e um dos Melhores que experimentei em 2016, o Caldo de Bivalves, Coentros e Presa de Porco. Se havia pratos que até agora tinham estado perfeitos, este alcançou todo um novo nível que até agora eu desconhecia, muito graças aos filetes de sardinha "surpresa" e que me espancaram o palato com a imensidão de sabor que continham. Sim, é estranha e arriscada esta combinação de sardinha e porco com um caldo de bivalves à mistura mas é inexplicavelmente bom.


Mudou-se o vinho para um Moinho do Gato (Tinto, 2014) da Quinta do Romeu.


E chegámos ao expoente máximo dos caldos que aqui eram feitos, com o Rosbife Laminado e Molho do Assado, onde a quantidade de umami que invade a boca através do molho é, atrevo-me a dizer, demais. A carne perfeita e algumas folhas de manjericão e hortelã para dar frescura ao conjunto tornaram este momento em mais um prato fantástico.


Ao longo da refeição notou-se um padrão nas influências que actuavam na cozinha, fosse pelas anteriores experiências laborais de Vítor Claro, fosse pelas convivências gastronómicas que tem, como é o caso do Leite Creme Bonsai, uma receita do restaurante Bonsai, do tempo de Mio e Ricardo Komori.


Para terminar uma longa e fantástica refeição, e numa altura em que o nosso estômago já não tinha espaço para muito mais, um Moscatel de 2014 da Casa Agrícola Horácio Simões (sobre a qual já falei aqui).


Que acompanhou a última sobremesa, na forma de uma Ameixa de Elvas e Massapão. Uma nota de boca já demasiado doce para o meu palato mas as texturas e os sabores tão tipicamente portugueses estavam lá perfeitamente representados.


O estereótipo que existe em volta da alta cozinha e (vou usar um termo que não gosto muito de usar) "gourmet" faz algumas pessoas pensar em pratos demasiado elaborados para as "caganitas" apresentas, sem sentido e sem sabores aprumados, sendo cobrados de forma excessiva. 
Vitor Claro prova a todas essas pessoas o contrário. Base de sabores bastante portuguesa, com os ingredientes certos a destacarem-se em cada prato e com uma procura pela perfeição dos sabores em cada prato. E esteve quase sempre perfeito! O que torna justificável e justo o preço cobrado por uma experiência como esta.
Um restaurante e um chef que deixarão saudades... Daí a necessidade que senti em escrever este texto mesmo com o restaurante já encerrado (e também pelo estímulo provocado por uma acção semelhante no blog Ovo Cru).

Claro
Paço de Arcos, Portugal
Restaurante Claro Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 60 €
Data da Visita: 7 de Setembro 2016