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quarta-feira, 7 de março de 2018

Ataska N'Areia (Cascais)

Há muito tempo que não entrava num restaurante e ficava surpreendido com a sua decoração. Escolho os locais onde vou maioritariamente com base na qualidade da comida do que no espaço, por isso foi uma boa surpresa este rústico restaurante que tem, inclusive, pequenos espaços, por baixo de um telheiro, com mesas para quatro que têm um pouco mais de privacidade.


Ementa apelativa mas num registo bastante normal e comparável com as centenas de casas de petisco que surgiram no boom das "petiscarias". Ou seja, o que a poderá distinguir será, principalmente, a execução dos petiscos. Pelas reviews que li, e pela forma como a casa encheu por volta das 13 horas, as expectativas eram relativamente altas...
Começamos com um couvert com bom pão, de exterior perfeitamente crocante, boas azeitonas e tremoços temperados, um paté de atum sem grande história, um prato de um bom Paio e um cremoso Queijo de vaca e ovelha.



O serviço foi bastante rápido, para além de bastante castiço, e os petiscos foram surgindo numa óptima cadência, com o Queijo Brie com Doce de Abóbora e Noz a chegar à mesa em primeiro lugar. Combinação boa, mas que ao fim de algumas tostas parece acabar por cansar o palato.


Excelente Bolinhas de Alheira, bastante bem fritas e um interior saboroso e guloso. Acompanha com um molho de mostarda e mel, mas o mel parecia completamente eclipsado se é que estava presente.


Os Peixinhos da Horta têm uma óptima polme e, ainda que fique mais grossa pois cada peixinho apresenta mais do que uma vagem, a verdade é que faz bastante diferença uma polme de qualidade. Exterior crocante, sem grande excesso de gordura e um interior macio perfazem um conjunto de eleição.


O Pica-Pau de Vaca foi o prato menos conseguido da refeição pois faltou alma e tempo ao molho. Precisava de apurar mais, bem como de evaporar melhor a bebida alcoólica usada (vinho do Porto?). Destaque positivo para a carne, aparentava ser lombo, que não oferecia grande resistência aos dentes.


Boas Batatas Doce fritas, nem muito finas, nem muito grossas, mas perfeitamente fritas e estaladiças!


Às Lulinhas a la Guilho faltava-lhes ali um toque picante mas de resto estavam muito boas, com o azeite com alho a ser merecedor do desporto olímpico de mergulho do pão!


As sobremesas mantiveram o nível, principalmente na Tarte de Limão Merengada, com um merengue fantástico. Faltava-lhe um pouco mais de acidez cítrica no creme, para balancear melhor a doçura do merengue mas ainda assim um óptimo exemplar.


Um pouco mais massudo, principalmente na base, a Tarte de Maçã conjuga sabores bastante clássicos com a maçã e a canela a cumprirem o seu desígnio.


O Leite Creme também não desiludiu. Queimado na hora e por quem sabe o que faz, revelava um interior bastante cremoso após ultrapassarmos a estaladiça e quebradiça barreira de açúcar. 


Um restaurante muito na onda do Páteo do Petisco (de que já falei aqui). Não tem grandes factores diferenciadores mas o que faz, fá-lo com bom nível e isso é o mais importante!

Ataska N'Areia
Cascais, Portugal
Ataska N' Areia Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 13 de Fevereiro 2018

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Depois - Bolos & Sobremesas (Mercado de Campo de Ourique)

O Mercado de Campo de Ourique tem uma banca para os gulosos. Porque depois de partilharmos a mesa com quem nos é querido, depois de enchermos a pança com a deliciosa carne do Atalho, depois dos crus da Carpacceria ou depois dos hambúrgueres do U-Try, então sim, é chegada a hora da sobremesa. E é nessa altura que nos dirigimos à Depois - Bolos & Sobremesas
A fatia de Tarte de Brigadeiro poderia ser mais cremosa. Todos os sabores estão lá, há uma boa combinação de texturas, mas pequenos apontamentos poderiam fazer uma grande diferença nesta tarte. Faltava um pouco mais de cremosidade, que iria ajudar a tornar a tarte mais leve, e apreciaria uma maior proporção de chocolate face à quantidade de bolacha.



Excelente o pote de Cheesecake de Doce de Leite c/ Oreo, com uma versão invertida desta sobremesa. Um bom creme, fugindo ao sabor cansado do Philadelphia usado em demasia, mas sem saber a natas. A combinação com Oreo não é nova mas funciona e liga muito bem com o doce de leite no fundo.



A Tarte de Limão Merengada era apenas simpática, sofrendo bastante de sintomas parecidos com os da Tarte de Brigadeiro. As proporções estão muito erradas, ainda que o merengue alto e fofo seja adequado, mas a quantidade de curd de limão é ínfima e não chega para balancear os restantes componentes, nem para os ligar. A falta de acidez também é um pormenor a rever, mas os restantes componentes não são maus, ainda que também não sejam fantásticos.



Uma bancada gulosa, com um potencial enorme e onde apenas alguns detalhes deveriam ser corrigidos. Muitos são os que precisam de adoçar a boca no final da refeição e o Depois irá facilmente satisfazer essas pessoas.

Depois - Bolos & Sobremesas
Mercado de Campo de Ourique, Rua Coelho da Rocha
Campo de Ourique, Portugal
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Preço Médio: < 10 €

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Conceito Food Store (Bicesse)

Desde que abriu este projecto do chef Daniel Estriga que a curiosidade era mais que muita. Comida de autor, num restaurante perdido em Bicesse, alguma fama conquistada pela qualidade da comida e o projecto Favas Contadas ajudaram para alimentar a vontade de um dia lá ir. Pelo caminho, a oportunidade de provar a sua comida através da food truck que esteve presente no Street Food European Festival (podem ler mais sobre isso aqui).
Não é fácil chegar ao Conceito Food Store. Só de GPS em punho lá consegui guiar-me por uma zona que não conhecia e descobri o escondido restaurante. Ao entrar, salta à vista a cozinha vidrada onde podemos acompanhar praticamente todo o processo de confecção, as prateleiras da "Store" com produtos portugueses que podemos levar para casa e a qualidade irrepreensível do serviço, feito por apenas uma pessoa pois, para além de o restaurante não ser muito grande, também estava praticamente vazio. Simpático, não intromissivo e altamente prestável. Daqueles que faz a diferença pela positiva.
A carta é bastante apelativa, com alguns pratos curiosos como, por exemplo, o Peixe-Porco (que provei e estava bastante bom) ou o Chicharro. Um tipo de cozinha de influência portuguesa mas com técnicas refinadas e um toque de autor. Optei por pedir o Peito de Pato com Risotto de Beterraba. Quando questionado como gostaria do peito de pato pedi mal passado, como é lógico. O que se verificou foi um prato de sabores inquestionáveis e até algo clássicos, com o peito a ter um sabor alaranjado, o risotto a apresentar-se cremoso e saboroso e uns bons cogumelos que conferem um sentimento mais terrestre ao prato. Mas o peito, por muito saboroso que estivesse, pecava pela temperatura a que foi servido. Não estava seco, mas claramente não estava mal-passado (nem médio)!



Uma das coisas que não é descurada neste restaurante é o nível e qualidade dos seus empratamentos, como é exemplo disso esta sobremesa: Amêndoa, Moscatel e Limão. Não cheguei a provar esta sobremesa mas não resisti a tirar uma foto.



A sobremesa que provei foi a Tarte de Limão Merengada. Numa forma desconstruída que funciona, com os 3 componentes principais bem identificados e bem executados. Fantástico merengue, boa bolacha e 2 cremes diferentes, um mais ácido que o outro. Tudo junto resultava num conjunto bem balanceado.



Não posso dizer que tenha ficado deslumbrado com o Conceito Food Store. Sim, gostei do que comi mas fiquei um pouco desiludido com a temperatura a que me foi servido o pato. De resto, tudo estava saboroso e a notar-se que há um cuidado com a qualidade do empratamento. 
Não é um restaurante barato. Considero até que o preço das sobremesas é exagerado face ao preço dos pratos principais ou que as quantidades servidas nos pratos de peixe são desajustadas mas é um restaurante que merece mais uma hipótese para tirar teimas da sua qualidade.

Conceito Food Store
Rua Pequena, Loja A, Lote 1
Bicesse, Portugal
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Preço Médio: < 40 €

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Risotto (Rio de Mouro)

Não tenho por hábito falar de restaurantes inseridos em food courts de Centros Comerciais (CC). As opções são quase sempre desinteressantes e de baixa qualidade. Mas abri um precedente quando falei do The Smokery (aqui) e continuarei a abrir excepções caso veja que o nível da comida ou o conceito é inovador e digno de interesse.
E é aqui que se enquadra o Risotto, no CC Fórum Sintra. Mas não existem já alguns restaurantes de CC que fazem risottos? Sim, mas quantos deles são exclusivamente dedicados a este prato? Na verdade, nem considero este estabelecimento como uma verdadeira cadeia de fast-food, pois os tempos de espera para os pratos são superiores ao da maior parte dos restaurantes aqui localizados. E digo isto como um aspecto positivo! Se me servissem um risotto em 1 ou 2 minutos iria estranhar a forma de preparação e finalização do prato. Aqui chegamos a esperar entre 5 e 10 minutos para que o prato seja finalizado e nos seja entregue, ou seja, existe uma boa preparação por parte da cozinha, que consegue ter várias porções de arroz já adiantadas. 
Não precisamos de fazer o risotto num só passo, podendo haver uma pré-cozedura que será finalizada na hora do pedido. Isto nota-se quando o prato chega a mesa. Um nível de cremosidade bastante satisfatório, e com o arroz a apresentar-se "al dente", não seria possível caso tudo estivesse previamente cozinhado. Aqui, nem as apresentações são descuradas. Apenas os caldos usados poderiam ser mais saborosos, dando maior intensidade ao prato.
No caso do Risotto de Frango e Abóbora, tudo foi executado com um nível de competência relativamente elevado com o frango a ser o ponto mais fraco. O facto de haver uma preparação prévia, pois era impossível fazer um peito de frango do início desde o momento que o pedido entrou até ao momento em que recebemos o prato, acabou por deixar o frango um pouco seco. 



Melhor ainda estava o Risotto de Bacon, Cogumelos e Alho-Francês, pois nenhum destes ingredientes estava mal cozinhado e todos eram de qualidade apreciável. De referir ainda que as doses de risotto são bastante generosas. 



Surpreendendo pela positiva, pois não sendo a primeira visita ao Risotto já conhecia a qualidade dos pratos principais, a Tarte de Limão Merengada. Um merengue simpático, uma curd de limão que poderia ter um pouco mais de acidez e uma bolacha que se revelou o melhor componente da sobremesa graças à adição de pequenos pedaços de manjericão à sua base.



Se fosse num restaurante próprio este Risotto poderia cobrar mais pelos seus pratos que eu pagaria sem pensar muito. A quantidade e qualidade apresentada são justificativos suficientes. Como está inserido num food court, acaba por se tornar uma opção excelente para uma refeição "not so fast-food".

Risotto
CC Fórum Sintra - Piso 2
Rio de Mouro, Portugal
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Preço Médio: < 10 €

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Santa Clara dos Cogumelos (Santa Apolónia)

A visita ao Santa Clara dos Cogumelos não foi uma visita qualquer. Para imaginarem o nível de expectativa em que me encontrava, este era o restaurante que estava no topo da minha wishlist. Adoro cogumelos e desde a abertura deste restaurante que andava tão excitado como um hippie no Woodstock. Demorou mas valeu a pena garanto-vos.
Primeira impressão, e que perdurou, foi a de um serviço informal mas respeitoso e bastante simpático. Por vezes, clientes portadores de descontos (como era o meu caso que ia com um desconto Time Out) podem ser alvos de um nível de simpatia inferior mas aqui não foi o caso. Durante toda a refeição houve simpatia e sorrisos, mesmo com algum embaraço, causado pela incapacidade de conseguir beber a cerveja artesanal produzida pelo restaurante, pois esta não parava de jorrar espuma como um vulcão activo. Uma situação que poderia ser chata acabou por ser resolvida com alguma diversão à mistura.
A ementa do Santa Clara dos Cogumelos é, como podem calcular, focada em cogumelos, de vários tipos e feitios. Um aviso à navegação: Se não gostam de cogumelos, esqueçam! Todos os pratos, sobremesas inclusive, contêm cogumelos. Não existem alternativas e, muito sinceramente, isso não me incomoda nem um bocadinho. É uma forma de se manterem fiéis ao conceito que têm e não acho que seja de forma alguma prejudicial.
Sendo um menu com entradas, petiscos e pratos, aconselho a pedirem (para 2 pessoas) 3 petiscos e 1 prato principal, podendo posteriormente decidir se querem mais ou não, mas esta foi a abordagem que seguimos na nossa visita. Aqui, o difícil é escolher.
Começámos com uns Pleurotus de Fricassé de excelente sabor e com o molho a apresentar uma boa cremosidade, mas gosto do fricassé com um maior nível de acidez para cortar a riqueza do ovo. De realçar que todos os pratos de petiscos são confeccionados com cogumelos diferentes, sendo estes uns Pleurotus Ostreatus, comummente denominados de Cogumelos Ostra.



Já os Cogumelos Panados pareciam ser uns típicos Cogumelos Paris (ou Agaricus Bisporus), perfeitamente fritos com aquela camada exterior crocante e o interior carnudo e macio. Acompanhou com um molho de iogurte e açafrão interessante e leve.



Para terminar a ronda de petiscos, chegaram os Shitake à Bulhão Pato. Boa consistência, bons cogumelos Shiitake e bom molho nesta interpretação de algo tão tipicamente português mas executado com um produto encontrado com mais regularidade na gastronomia asiática. Bom, guloso e a pedir pão, tal como o molho da fricassé também já tinha pedido.



Mas o prato da noite foi o Magret de Pato que, mesmo apesar de alguns aspectos com o qual não fiquei deslumbrado, foi o prato que mais marcou esta refeição. Um peito de pato com o interior bem rosado mas onde a gordura podia estar mais cozinhada e a pele mais estaladiça. Mas o efeito surpresa é o intenso sabor fumado que está incorporado no pato. Surpreendentemente bom! O molho de laranja ajuda a fundir sabores dando-lhe uma nota de maior dimensionalidade.
O risotto de Porcini (Boletus Edulis) "al salto" não convenceu. A técnica de fritura (usada tradicionalmente para reaproveitamento) acaba por secar um pouco o arroz, retirando-lhe cremosidade, e o próprio bago usado pareceu-me estranho. Duvido que fosse Arbório, e não tenho conhecimentos suficientes para os diferenciar, mas pelas descrições que li sobre os diferentes bagos, pareceu-me ser Carnaroli. (Podem ler aqui sobre os diferentes tipos de arroz para risotto)



Não podia sair do Santa Clara dos Cogumelos sem provar uma das sobremesas, pois estas também têm cogumelos. A escolha acabou por recair no Pecado de Santa Clara que, infelizmente, se mostrou pouco pecaminoso. Uma boa sobremesa, bastante inovadora no uso das trompetas da morte (Craterellus Cornucopioides) tanto no topo da tarte de limão como incorporadas em pó entre o creme de limão e o merengue. Bom, com doçura e acidez qb, mas que não me maravilhou neste viagem alucinogénica.



As expectativas que tinha para o Santa Clara dos Cogumelos foram correspondidas. Adoro o conceito e a ementa desenhada à volta desse mesmo conceito (algo que também me atraiu no Pigmeu). Adorei a comida experimentada e só fiquei triste por não conseguir experimentar toda a ementa. Resumidamente, adorei o Santa Clara dos Cogumelos.

Santa Clara dos Cogumelos
Mercado de Santa Clara, 7 - 1º Andar
Santa Apolónia, Portugal
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Preço Médio: < 30 €

quinta-feira, 21 de maio de 2015

LXeeseCake (Alcântara)

Não sou uma pessoa doceira. Prefiro empanturrar-me com os pratos "salgados" do que acabar a refeição com a boca doce. Mas existem excepções na vida para (quase) tudo e, neste caso, abro sempre uma excepção quando vejo Cheesecake na ementa.
Em 2014, abriu o LXeeseCake no sítio mais hipster (escrito sem qualquer conotação depreciativa) da cidade de Lisboa, o LX Factory! Este espaço promete cheesecakes à americana (cozidos no forno) que podemos encomendar, levar para casa ou comer uma fatia na própria loja.
Nesta primeira visita, provámos primeiro o Lemon Pie Cheesecake. Uma fatia muito alta mais do que suficiente para qualquer guloso com apetites extra ou de boas dimensões para dividir. Um merengue interessante, bastante acima da média das Tartes de Limão Merengadas que tenho experimentado, mas sem ser fantástico. Recheio alto, suave e com boas acentuações cítricas mas um sabor ligeiramente mais amanteigado do que o desejável. Pena foi a base de bolacha que se apresentava bastante ensopada, e numa proporção bastante reduzida quando comparada com as restantes camadas. Não dava aquele contraste de textura que procuro num cheesecake.



Também o mesmo problema da bolacha se apresentou no Banoffee Cheesecake. Melhor estava o recheio, que enganava aparências com o seu visual massudo para depois revelar-se suave. Um topping bem balanceado e, felizmente, não sendo excessivamente doce. Pensei que tal pudesse acontecer, pois sei que a preferência de muita gente vai para um caramelo de sabor intenso e este acrescentava apenas a doçura necessária, sem se tornar enjoativo.



Não foram os melhores cheesecakes que provei, mas não deixam de ser muito bons e com uma variedade interessante o suficiente para justificar mais visitas! Basta dizer que poderemos apanhar combinações como: Pêra Rocha e Gengibre ou Chocolate, Baileys e Avelãs. Se a tudo isto juntarmos um serviço muito simpático, ficamos com um sítio muito bom para adocicar a boca.

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LXeeseCake
Rua Rodrigues Faria, 103
LX Factory, Alcântara, Portugal
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Preço Médio: < 5 € (Fatia + Chá/Água)

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Adega das Gravatas (Carnide)

É assustador chegar à Adega das Gravatas, num almoço de domingo, sem reserva e encontrar o restaurante cheio. Mais assustador fica quando escrevemos o nome na folha de pessoas à espera e contamos 36 pessoas antes de nós. Passava pouco das 13 horas quando isto aconteceu, mas tínhamos feito uma viagem longa (com uma tentativa falhada de ir ao cozido d'A Coudelaria, sem reserva, pelo caminho) e como já andava a adiar uma ida ao Gravatas há algum tempo, decidimos ficar e esperar o tempo que fosse necessário.
Mas essa espera foi curta. As mesas pareciam rodar rapidamente e cada vez mais mesas de duas pessoas ficavam disponíveis, com o serviço a passar casos como o nosso à frente de grupos de tamanho igual ou superior a três pessoas, o que deu origem a uma espera de cerca de apenas 15 minutos. Entretanto, já tínhamos olhado para a ementa que se encontra fora do edifício e assim que nos indicaram a nossa mesa pedimos logo os pratos desejados, dispensando qualquer entrada, pois reza a fama deste estabelecimento que as doses são de tamanho XXL.
Se me surpreendeu o tempo de espera por uma mesa, também o tempo de espera pelos pratos foi surpreendente, tendo em conta que o restaurante se encontrava cheio com pessoas a entrar e a sair constantemente. Mas parece-me que aqui reside um dos segredos do Gravatas. Fazer o pedido, comer os pratos principais, pedir e comer a sobremesa, beber café e pagar não ultrapassou os 60 minutos. Com um serviço desta rapidez e qualidade, é uma casa que facilmente consegue rodar as mesas pelo menos três vezes por serviço. Apesar de rápido, nunca me senti pressionado a abandonar o restaurante ou a despachar-me a comer. Serviço rápido e simpático com casa cheia é coisa rara.
Mas vamos ao que interessa, a comida. Sendo esta a primeira visita, decidimos ir para os ex-libris da casa, o Naco na Pedra e a Açorda de Gambas. Apesar de ser fácil a escolha dos pratos, não foi fácil decidir qual o tipo de corte que desejava para o prato de carne, havendo a possibilidade de escolher entre o afamado Lombo ou a menosprezada Alcatra. Acabei por me decidir pela Alcatra, porque a acho uma carne mais saborosa e tendo quase a certeza que a qualidade da carne aqui não iria desiludir ao nível de "limpeza" da peça que me iriam apresentar. E não me enganei. Dois bons nacos de carne, com um corte perfeito, de boa altura e limpos de qualquer nervo que pudesse ser mais complicado de mastigar. Pena apenas que os acompanhamentos não acompanhem a qualidade da carne, tendo-me sido servida uma travessa com um arroz de miúdos seco ainda que saboroso, umas batatas caseiras razoáveis mas sem ser nada de memorável e uma incompreensível e altamente dispensável massa, tipo fusilli mas mais larga, com carne picada e molho de tomate.


Também a Açorda de Gambas à Gravatas é um prato memorável e mais do que recomendável neste restaurante. Boa textura e consistência, não sendo líquida demais nem sólida demais, com um sabor acentuado a alho (algo que não me incomoda nada) e uma quantidade generosa de recheio. Aliás, toda a dose era de tamanho generoso, desde o tacho ao tamanho e quantidade das próprias gambas servidas, não faltando a generosidade e acerto no nível de tempero.


Para satisfazer a necessidade de açúcar, mais da minha excelsa e giríssima companhia do que a minha, pedimos uma Tarte de Limão Merengada para dividir. Fatia de bom tamanho, base saborosa e boa lemon curd, não sendo excessivamente doce, mas acabava tudo por ser estragado pelo excesso de açúcar do merengue, sendo ainda possível sentir os grãos de açúcar do mesmo. Como isto já não bastasse para tornar o conjunto em si doce demais, ainda lhe juntam uma espécie de calda de açúcar, tornando cada garfada, que englobe todos os componentes, enjoativa.


Um clássico lisboeta que tinha na wishlist há muito tempo e que não desiludiu. Fantástica carne e uma açorda exemplar. Fica a vontade de lá regressar para experimentar o resto da ementa.

Adega das Gravatas
Carnide, Portugal
Preço Médio: < 20 €

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sem Espinhas Manta Lounge (Manta Rota)

Há restaurantes que ambicionam ser tudo, com um ambiente moderno (é uma espécie de bar de praia mas com pinta), uma ementa que tem de tudo um pouco (começo a achar que o sushi está demasiado na moda!) e um nome pomposo (tem Lounge no nome, que mais é preciso dizer?) mas que na verdade não são tão bons como se fazem passar, sobrevivendo e até prosperando por terem fantásticas localizações e aproveitando o boom que são os meses de Verão. 
O Sem Espinhas Manta Lounge, infelizmente, acaba por cair nestes pontos, tornando-se um restaurante pouco acima do medíocre, mas com uma grande localização e um espaço, que apesar de bom, me pareceu mal organizado para grupos um pouco maiores. Fui lá num almoço de grupo, onde se pediu que fosse colocado um lugar extra, ao qual o serviço simpaticamente correspondeu. Mas o problema era a localização da mesa, junto de duas grandes portadas que são constantemente usadas pelos empregados para acesso à esplanada. Entre o vento que entrava por uma (e que mais tarde se conseguiu fechar) e a outra portada que ficava bastante à justa para que os empregados conseguissem fazer o seu trabalho sem estorvar quem lá se encontrasse. Um pequeno problema de organização, mas nada de muito grave. Bem, já me alonguei demais sobre aspectos menores, porque na verdade a empregada que nos estava a servir foi bastante simpática. Passemos ao que é importante, a comida!


O Bife de Atum Grelhado com Pimenta e Ervas deixou-me alguns sentimentos contraditórios, muito por culpa de um fantástico bife de atum que tinha comido em casa apenas alguns dias antes. O atum fresco nesta zona é realmente do melhor que se pode encontrar em Portugal, e acredito que no mundo também, seja nos restaurantes ou no mercado local. E a qualidade deste era realmente fantástica. Mas o problema está na confecção do produto. O bife veio médio-bem mas, felizmente, nada seco. Os acompanhamentos são simpáticos e acabam por complementar bem o prato. Mas o maior erro aqui encontrado foi a diferença entre aquilo que é descrito pela ementa e aquilo que chega no prato.




Só à primeira vista, não vejo "Bifinhos" nem nada que esteja cortado muito fino, mas enfim... não é muito grave. Grelhado, check. Pimenta e Ervas? Sim, talvez, não sei, pode haver a possibilidade de ter tido uma pequena esfregadela de uma mistura do género, mas nada que deixasse grande sabor no bife, muito menos sendo "enrolado em". Apenas o "toque agridoce de alfarroba" me pareceu estar presente no molho adocicado que é colocado por cima do bife. Toque esse que não me convence totalmente devido ao doce que se revelou, mas que não é mau nem enjoativo, deixando-me sem saber bem o que achar deste pormenor.


A sobremesa foi fácil de escolher. Um Petit Gâteau de Limão Merengado? Claro que vou ter que experimentar isso!


"Olhe, faz favor, este é o petit gâteau de limão?"
"Sim, é. Vários clientes fazem a mesma pergunta..."
Foi mais ou menos isto que aconteceu quando a sobremesa chegou à mesa. Percebem porquê? Pois, eu mal vi escrito Petit Gâteau de Limão pedi sem ler mais nada. Inclusive sem ler a descrição... porque Petit Gâteau parece-me bastante auto-explicativo. Pois, errado mais uma vez. Na verdade (e nisso a descrição está quase correcta), o Petit Gâteau é uma Tarte de Limão. Ok, o crumble apresentado no copo era bom e com uma textura crocante para contrastar com o creme de limão, que era saboroso e bastante cremoso, mas e o merengue? Pois...
Acaba por ser um restaurante com muitos altos e baixos, tanto a nível de concretização como na forma como a ementa está escrita. Se tentam "vender" um prato com nome X, não apresentem depois um prato Y, limitem-se a apresentar aquilo que o cliente pediu e espera receber!

Sem Espinhas Manta Lounge
Manta Rota, Portugal
Preço Médio: < 30 €