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terça-feira, 27 de março de 2018

Lareira Baixa (Porto)

Almoço tardio num dia de semana, com a necessidade de encontrar algo que fosse simples e relativamente rápido para podermos comer qualquer coisa. Surgiu a hipótese Lareira, restaurante que já tinha na lista há algum tempo conhecido pelas seus petiscos simples e sandes. Aberto desde 1984, o aspecto deste pequeno restaurante não revela a sua idade, mostrando-se bastante bem conservado e de aspecto algo jovial.
A ideia era atacar a sandes de pernil com queijo da Serra, tentando arranjar um termo de comparação com a da Casa Guedes (da qual falei aqui). Mas, sabendo que uma sandes não seria suficiente, decidi abrir as hostilidades com um prato de Rissóis (2 de carne e 1 de leitão, se não me engano). Boa fritura mas o recheio foi uma desilusão em qualquer um dos exemplares, mostrando seco e desinteressante. O melhor do prato eram as batatas fritas caseiras...


A Sandes de Pernil com Queijo da Serra a conseguir elevar um pouco a imagem com que saí do Lareira. Bom pão, a absorver o molho do pernil, a carne macia mas o queijo a apresentar-se completamente sólido, perdendo um pouco por causa disso. Os sabores não são tão intensos e marcantes como os da Casa Guedes mas não deixa de ser uma boa sandes e a um óptimo preço.


O Lareira tem a vantagem de praticar preços impressionantemente baixos, fazendo com que uma refeição facilmente fique abaixo dos 10€. A comida não é fantástica mas pelo preço que pagamos parece-me uma óptima solução para quem não quer gastar muito dinheiro.

Lareira Baixa
Rua das Oliveiras, 8
Porto, Portugal
Lareira Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Preço Médio: < 10 €
Data da Visita: 19 de Outubro 2017

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Mugasa (Sangalhos) @ Mesas Bohemias

Acho que já disse praticamente tudo o que podia sobre o conceito das Mesas Bohemias! A oportunidade que nos dá de podermos de conhecer restaurantes remotos, sem termos de sair dos dois maiores centros urbanos portugueses é imperdível! Sim, isto é uma atitude um tanto ou quanto preguiçosa, pois podíamos fazer umas quantas horas e ter a experiência autêntica mas o que as Mesas Bohemias nos dão é uma aproximação suficiente para me ter viciado.
Desta vez, o Mugasa, um dos melhores restaurantes do país, no que à arte do leitão diz respeito, deslocou-se à capital para nos encher o bandulho do pequeno e delicioso suíno. E, spoiler alert, acho que encontrei o melhor leitão do país! Não posso contabilizar o do Belcanto (aqui), pois apesar de ser uma reinterpretação do prato, não acho que seja comparável com a forma tradicional como o leitão é servido, por muito que os sabores sejam os mesmos.
O primeiro prato servido foi um 2 em 1 focado nas miudezas do leitão. De um lado umas óptimas Iscas de cebolada, com um ligeiro nível de picante que acentuava os sabores presentes. A doçura da cebola contrabalança perfeitamente com o picante e com o fígado, tornando-o um conjunto bastante equilibrado.


Do outro, uma Cabidela de bradar aos céus, feita única e exclusivamente com miudezas, ao contrário do que estamos habituados na cabidela de galinha. Contra aquilo que estamos à espera, esta cabidela não leva sangue, estando por baixo do leitão enquanto ele assa, recolhendo todos os sucos divinos do animal. Um prato fantástico que ganhou adeptos junto de quem não gosta de coisas como fígados, pulmões, coração, etc.


Para segundo prato, algo que nem o próprio Ricardo Nogueira (a cara do Mugasa e responsável pelos maravilhosos leitões) conhece a receita, uma Chanfana à Bairrada. Apenas a mãe sabe a receita e produz este prato, feita da forma mais tradicional possível, passando uma noite inteira num forno de lenha para lhe conferir alguns sabores mais fumados. Carne bastante saborosa, a desfazer-se ao toque, e acompanhado por boa batata e feijão verde.


E eis que chega o grande momento da noite, com o leitão a chegar ao restaurante (o evento foi realizado no Clube do Bacalhau) mesmo antes de ser servido, com toda uma cerimónia exemplar por parte do Ricardo de como se corta um leitão.


E o que dizer deste leitão? É complicado. É muito complicado! Ficamos quase sem palavras mal nos apercebemos do quão perfeitamente a pele está tostada e quão suculento é o interior que protege. Impressionante também o molho apimentado que o acompanha, um pouco mais espesso do que o habitual mas também bastante mais saboroso! Perfeição suína num só prato!


Terminamos com uma Aletria muito boa, com a massa a não se mostrar demasiado empapada, nem o creme a ser excessivamente doce ou líquido.


São restaurantes destes que me dão vontade de arrancar ao fim de semana e ir descobrir estas pérolas da gastronomia portuguesa. E fazer isto regularmente para tentar conhecer o máximo possível das maravilhas que temos perdidas um pouco por todo o país...

Mugasa
Sangalhos, Portugal
Preço Médio: < 30 €
Data da Visita: 23 de Setembro 2017

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Paladares da Bairrada (Rebelva)

Normalmente as refeições que faço em restaurantes escolhidos por mim são sempre de qualidade aceitável. Não são sempre, como é lógico, os melhores restaurantes do mundo mas são restaurantes que normalmente levam algum escrutínio até chegar à altura da minha visita. Isto porque tento sempre garantir que, fora de casa, tenha boas refeições. Claro que podia ter 2 ou 3 restaurantes onde ia sempre e seria seguro, mas a vontade de experimentar sítios novos é enorme, levando-me a ter uma lista com mais de 1600 referências um pouco por todo o país. Isto faz com que de vez em quando, por muita pesquisa que tenha feito ou outras opiniões que tenha lido, as coisas não corram como espero.
No Paladares da Bairrada não só não correu como eu esperava como foi talvez das piores refeições, enquanto um todo, que fiz desde que me lembro. Este não era a minha primeira escolha para o jantar que ia fazer este dia mas o outro restaurante, que tinha marcado pelo The Fork com sucesso, lembrou-se de pôr um post no Facebook no dia 11 de Junho a dizer que reabririam na 4ª feira (dia 14). Por acaso, vi esse post dia 13 e ainda fui a tempo de marcar outro restaurante. A 2ª opção era este Paladres da Bairrada, situado na gastronomicamente populada zona da Rebelva (de que já falei várias vezes aqui), que tinha vindo a receber algumas críticas bastante positivas e que me deixaram com bastante curiosidade para experimentar o seu leitão. Reserva feita pela mesma plataforma, onde havia a indicação que teria 50% de desconto (com as condicionantes normais do The Fork) e logo a seguir recebo um telefonema estranho, dizendo-me que não conseguiriam fazer o desconto de 50% mas que fariam de 30% e que se quisesse poderia cancelar a reserva na plataforma que confirmavam já telefonicamente a reserva. No meio da frustração que ainda sentia da reserva cancelada anterior decidi tentar chatear-me o mínimo possível e disse que sim, cancelando a reserva na plataforma. Há uma coisa que quero deixar aqui claro, não utilizo o The Fork pelos descontos, ainda que admita que dão bastante jeito! Utilizo o The Fork para facilitar todo o processo de fazer uma reserva, e não vou estar a contar que só vou jantar fora para ter X ou Y% de desconto, e nesse dia o que queria mesmo era conseguir uma mesa, estando-me a borrifar para se teria desconto ou não!
O restaurante até tem um espaço simpático e uma ementa bastante interessante, muito focada no leitão contando com vários pratos onde o pequeno suíno é rei como feijoada de Leitão, francesinha de Leitão ou Leitão à Brás. O problema aqui nem foi tanto a comida mas o serviço demorado e forçado. Das duas pessoas que estavam a servir, uma virava-nos a cara se o chamássemos, passando a tarefa de nos atender para aquele que parece ser o dono do restaurante. A simpatia e preocupação do dono pareceu sempre algo forçada, sendo esta uma interpretação pessoal mas que era partilhada por toda a mesa, estando longe de ser um bom serviço. O facto de nos tentar forçar a escolher entradas, usando como justificação as condições da reserva The Fork (aquela que cancelei, tendo ficando só um acordo verbal) também não ajudaram à impressão com que ficámos.
Esperava então que a comida pudesse compensar esta impressão mas a verdade é que quase tudo desiludiu. Pediram-se umas sopas, para as crianças na mesa, que tinham um sabor estranho e algo ácido, ainda que o serviço garantisse veementemente que tinha sido acabada de fazer e que era por falta de sal e uso de courgette. Lá voltou para trás e voltaram 5 minutos depois (ainda que uma das pessoas na mesa dissesse que não queria a sopa) com uma nova cor e sal mas sem grande solução no que ao sabor se referia.
(O registo fotográfico do jantar sofreu também um acidente e apaguei sem querer as fotos, tendo conseguido apenas recuperar 2 dos thumbnails, por isso a falta de qualidade das fotos é culpa minha)
Menos maus estavam os Croquetes de Leitão, com uma boa fritura, secos mas com o seu interior algo seco e massudo.


Apesar de não ter provado a Francesinha de Leitão, achei o seu aspecto despido algo desolador, e a pessoa que a comeu não me parecia extremamente entusiasmada enquanto a comia. Toda a comida era um pouco desoladora, pois também a Feijoada de Leitão era fraca e sem intensidade nos sabores apresentados. Um pouco melhor o Bife Três Pimentas, com a carne macia e um molho simpático ainda que tivesse chegado à mesa médio, quando foi pedido mal passado.
E a estrela da casa, o Leitão à Bairrada assado na casa? Bastante banal, numa dose que seria bem servida se metade não fosse osso, e a falhar no ponto mais relevante do leitão, a pele. Claro que o serviço tinha uma desculpa (como teve para tudo o que falhou) de que à hora a que foi servido (cerca das 21h e tendo entrado no restaurante pouco passava das 20h) já não se conseguia apresentar a pele estaladiça. Safaram-se as batatas, bastante boas!


O melhor ficou reservado para a sobremesa, com um bom Pudim de Pão (de que nem o thumbnail consegui recuperar!), de excelente textura e sabor.
Toda a experiência foi estranha e claramente influenciada pelo estranho serviço prestado. Não que alguma vez tenha sido rude ou antipático (excepto quando vimos as duas pessoas que serviam na sala a discutir) mas a forma como se impôs no espírito e no ambiente da mesa causou transtorno e algum mau-estar.
A experiência não foi positiva, e mesmo admitindo que possa só ter sido um mau dia, não deixou qualquer vontade de regressar para tirar teimas.

Paladares da Bairrada
Estrada da Rebelva, 531
Rebelva, Portugal
Paladares da Bairrada Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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TheFork
Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 13 de Junho 2017

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Bota Feijão (Moscavide)

Este é um daqueles restaurantes que aparece por tudo quanto é guia da cidade de Lisboa, muito graças ao seu Leitão Assado à Moda da Bairrada. Aliás, a casa tem tal fama que não se ouve no ar a pergunta "O que vai ser?" ou "O que vão comer?". Apenas "O que vão beber?". Porque quem entra nesta casa sabe ao que vai e vai lá só para isso! Há quem diga até que é o melhor Leitão que se pode encontrar em Lisboa (está inclusive no site do restaurante).
O espaço em si é algo caricato, pois estamos numa antiga casa, com várias divisões e para chegar à "esplanada", com vista para a linha de comboios, passamos pela sala onde está instalado o forno a lenha usado e podemos ver uns belíssimos exemplares para cedo nos começar a abrir o apetite.
Apesar do ousado descaramento de tal afirmação, deixem que vos diga que é bem capaz de ser verdade. A carne vem bastante suculenta e saborosa, sendo depois ajudado com a textura crocante da pele. As batatas fritas são boas. Apenas o molho não é do melhor que já experimentei mas cumpre bem o seu propósito.


Estamos perante um sítio muito bom para matar qualquer tipo de saudade ou apetite voraz que este lindo e saboroso animal pode suscitar.

Bota Feijão
Moscavide, Portugal
Bota Feijão Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
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Preço Médio: < 20 €
Data da Visita: 9 de Fevereiro 2017

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Fornos do Padeiro (Paço de Arcos)

Já tinha visitado os fornos do padeiro há uns anos, por 2 ocasiões distintas, e não tinha ficado muito bem impressionado. A comida tinha sido memorável, num mau sentido, e a vontade de voltar nunca foi grande. 
Por motivos de comodidade, voltei a este espaço num almoço familiar. O serviço foi bastante simpático e prestável em todos os momentos, com a disponibilização de alterações na disposição da sala conforme algumas limitações existentes.
Boas entradas, com destaque para o Presunto, apesar do corte mais grosseiro, para a Farinheira e Linguiça. Gulosas e viciantes o suficientes para abrir o apetite a toda a mesa.




O Bacalhau com Broa no Forno revelou... pouco bacalhau e um conjunto um tanto ou quanto seco. É quase inevitável fazer comparações com outros exemplares experimentadas e este está muito longe da qualidade da Taverna do Rogério.



Bastante melhor o Leitão, com uma pele estaladiça e a carne suculenta.



O Lombo de Porco no Forno com Batata Doce já foi algo quase memorável (mas desta vez, no bom sentido), apresentando bastante sabor, carne macia, um bom molho e acompanhamentos simpáticos.



Nas sobremesas, umas Farófias simpáticas e leves.



Um bom Requeijão com Doce de Abóbora. Simples e competente!



Ainda que a refeição tinha sido melhor que anteriores experiências, continuo a não conseguir considerar os Fornos do Padeiro como um restaurante de eleição, seja em que contexto for. Sim, o serviço é bastante simpático e prestável, a comida é boa, mas não é uma experiência por aí além, existindo melhores opções no que à relação qualidade/preço diz respeito.

Fornos do Padeiro
Paço de Arcos, Portugal
Restaurante - Fornos do Padeiro Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato
Preço Médio: < 30 €

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

SOCIEDADE (Parede)

Uma das melhores refeições do ano de 2015, num restaurante que me vinha aguçando a curiosidade desde a sua abertura, em Novembro de 2014. A SOCIEDADE (assim mesmo com o nome totalmente capitalizado) é um renovado restaurante na SMUP (Sociedade Musical União Paredense), que promete sabores portugueses com um twist. Adoro reinvenções de pratos e sabores clássicos, portanto fiquei automaticamente curioso com o conceito.
Mas já muitos conceitos me fizeram perder de amores apenas para depois me deixarem de coração partido com altas expectativas. A entrada no restaurante é feita com sorrisos, gestos e palavras simpáticas. Algo que se estende ao longo do tempo como se de clientes habituais nos tratássemos. E foi assim que nos sentimos durante todo o jantar, com o serviço a fazer-me apaixonar-me pela casa e pelo espaço. Ah, já vos falei da ementa? Babei-me, sobre a folha que nos foi entregue, durante todo o longo e penoso processo de selecção. Por mim, vinha tudo! Caso se sintam neste labirinto amoroso, entreguem-se ao serviço e deixem-se levar pelo que vos poderá ser proposto.



Com o couvert, um pão cortado com uma grossura milimétrica e dois tipos de manteiga (cabra e ovelha), é colocado na mesa um Queijo Fresco e Azeite impecável e um prato de Enchidos de Porco Preto e Não Só cortados tão finos que se conseguiam ver à transparência. A delicadeza de um excelente queijo fresco regado de um azeite também de bom nível abrem as hostilidades para uns enchidos que fazem as delícias do meu palato. Sempre ouvi dizer que um homem se conquistava pela barriga, e eu já não precisava de muito mais do que isto para ficar rendido. Mas a refeição ainda agora tinha começado...




A fome neste jantar não era muita (também não pode ser sempre a alarvar, não é?) por isso optámos por pedir 2 petiscos e 2 pratos para dividirmos por 3 adultos e 1 criança. Reparámos depois que as doses de petiscos são de tamanho generoso, daí o preço geral dos petiscos (rondam os 8€, se não me engano) ser mais alto do que estamos habituados. Claro que a qualidade deste SOCIEDADE também é mais alta do que estamos habituados.
Começámos por um Escabeche de Pato muito bom, com uma quantidade invejável da dita ave, e sem qualquer excesso de gordura. A cebola acrescenta-lhe pormenores adocicados, parecendo-me ainda reparar numa ligeira nota cítrica na preparação do prato. Talvez um pouco mais de acidez pudesse ajudar o prato a brilhar ainda mais mas nada de grave.



O segundo petisco escolhido foram uns fantásticos e gulosos Cogumelos, Pancetta e Queijo Emmental, um twist genial nos típicos cogumelos salteados com a adição do emmental a funcionar na perfeição neste típico petisco. Apenas a quantidade de pancetta era algo escassa, acabando por se esconder atrás do sabor dos cogumelos e do queijo. Apesar de o prato ser excelente com os cogumelos paris (Agaricus Bisporus), cada vez sou mais adepto da utilização de cogumelos diferentes e acredito que ajudaria a dar mais "encanto" a este prato. Transforma o sabor dos pratos, confere diferentes texturas, etc.



Muito acima da média estava também o Leitão, Batata-Doce e Abacaxi. Um belo "naco" deste jovem suíno, com a carne muito macia e a desfazer-se na boca, mas a pele poderia estar mais tostada e mais estaladiça. A combinação original do abacaxi com o leitão funciona e surpreende-nos o palato. Acompanha com umas boas chips de batata-doce. Por esta altura já andava a suspirar alto e a pensar que teria que vir a este restaurante mais vezes, mas a refeição ainda nem tinha acabado.



Faltava ainda o prato da noite. Aquele pelo qual me rendi, me ajoelhei, me lambi e que fiquei a desejar mais, as Bochechas de Porco Preto, Pão e Tomate (adoro estes nomes com só 2 ou 3 ingredientes e que nos deixam curiosos com o que será). Estas foram, sem dúvidas ou segundos pensamentos, das melhores bochechas que já comi! Desfiavam-se imediatamente ainda nós estávamos a tentar dividi-las pelos pratos. O seu sabor enchia-nos a boca, mostrando-se relutante a abandonar-nos o palato e a mente. Umas óptimas migas de tomate ajudavam a tornar este prato mais rústico do que sofisticado. O único elemento que dispensava no prato era uma espécie de ratatouille que, apesar de perceber a sua ideia, não me pareceu minimamente necessário para dar vida a um prato que está perto da imortalidade.



Para terminar uma refeição fantástica, e para saber se as sobremesas estariam ao nível de tudo o resto, pedi uma Panna Cotta com Abóbora. Excepcional a execução da panna cotta, extremamente cremosa e a colmatar a sua normal neutralidade com um doce de abóbora fora do comum. Encheu-me o coração de memórias do doce de abóbora que a minha avó há muito não faz.



Um jantar fantástico, cheio de sabores portugueses mas ainda assim com apontamentos originais e que me deixa com borboletas no estômago para uma próxima visita. A paixão criada por toda a envolvência do restaurante, desde o seu serviço à qualidade da comida, deixa marcas. Marcas essas que espero reviver, numa data preferencialmente não muito longínqua.

SOCIEDADE
Rua Marquês de Pombal, 319
Parede, Portugal
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Preço Médio: < 30 €

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Luar da Fóia (Monchique)

A serra algarvia é dona de uma beleza extraordinária. A sua paisagem e envolvente são únicas, dando lugar a recantos preciosos. Quando a isto se junta o melhor da gastronomia local, ficamos na presença de restaurantes que merecem ser icónicos em qualquer guia deste país que entenda promover a boa comida portuguesa.
Nem sempre os lugares de comida tradicional portuguesa são tascos. Nem sequer é uma regra que possa ser seguida axiomaticamente. Cada vez há mais lugares que não se preocupam só com a qualidade da sua comida ou com a utilização dos melhores produtos, dando preferência a sabores da sua região, mas que acrescentam a isso uma boa apresentação nos seus pratos, um serviço cuidado e um restaurante atraente. E quem diria que na Fóia, perto de Monchique, se encontra um lugar que preenche todos estes requisitos? A isso juntamos uma varanda detentora de uma das melhores vistas imagináveis e temos o Luar da Fóia!
Esta é daquelas ementas onde tudo é apelativo e onde cada item nos deixará o estômago a roncar em antecipação. Os preços parecem ser um pouco puxados (os pratos rondam os 15€) mas as doses são de tal tamanho que 3 chegam perfeitamente para alimentar 4 pessoas de bom apetite. Fora da ementa há ainda carnes maturadas, por isso não se coíbam de perguntar o que há.


Foto retirada daqui
O couvert apresenta um fantástico pão, com boa crosta e um interior qb de massudo mas muito saboroso. Apresenta-se também na mesa um bom queijo amanteigado e um Presunto de excelente qualidade, apesar de não aparentar ter muito tempo de cura e ser cortado de forma excessivamente grosseira. Pareciam mais bifes de presunto.



O Polvo Frito com Batata Doce foi a surpresa do dia. Não só a conjugação não é muito comum, como funciona na perfeição. A doçura da batata ajuda a suportar o sabor do polvo frito em alho e coentros. A execução de todo o prato é quase infalível e só desejaria que a batata estivesse um pouco mais crocante para contrastar com o macio polvo.



O Leitão de Porco Preto também tinha elementos surpreendentes. Ainda que apresentado sem um molho que suportasse a carne, o que não foi muito grave visto que não estava seco, o leitão veio praticamente todo desossado, mostrando algum cuidado por parte da cozinha quanto ao que põem no prato. A pele estava pouco uniforme quanto à textura, com algumas partes crocantes e outras nem tanto. Boas batatas fritas caseiras, cortadas finas, estaladiças e sem excesso de gordura.



Apesar de bem cheios, todos os comensais quiseram experimentar as sobremesas. A Mousse de Alfarroba com Gelado de Baunilha mostrou-se simpática, e deu uns ares de graça pela lembrança de gelado de baunilha coberto com chocolate derretido, mas não mais que isso.



O Morgado de Figo era demasiado consistente e seco, acabando por ficar cerca de metade no prato. Ao fim de várias colheradas os meus maxilares já se começavam a queixar. Precisava de algo que ajudasse a cortar a consistência do bolo, como um gelado.



Refrescante foi a reinterpretação de morangos com chantilly no formato de Morangos com Mascarpone. Uma sopa de morangos cremosa, com a sua acidez e doçura a ser bem suportada pelo mascarpone.



Excelente Pudim de Mel, com bom sabor e consistência, não se mostrando excessivamente doce ou massudo. A calda colocada por cima ajuda a que o pudim não esteja seco, acabando por ser a melhor sobremesa experimentada.



Um restaurante delicioso e que vale a viagem, sem dúvida! A localização é excelente, mas não nos esqueçamos que o que realmente interessa no final é o que sai da cozinha e foi esse ponto que me deslumbrou.

Luar da Fóia
Estrada da Fóia
Monchique, Portugal
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Preço Médio: < 20 €

quarta-feira, 15 de julho de 2015

1300 Taberna (Alcântara)

Há muitos anos que não visitava a 1300 Taberna. A única experiência que lá tinha tido foi num Dia dos Namorados, com um menu predefinido e respectivo acompanhamento de vinho. Já na altura tinha ficado com excelente impressão do espaço e, sobretudo, da cozinha praticada pelo chef Nuno Barros, mas tardava por acontecer a oportunidade de poder experimentar o restaurante à carta.
E, eis que finalmente surgiu essa oportunidade, num almoço semanal. Sei que não é um restaurante barato, mesmo com um menu de almoço, que calculo ser mais barato que o de jantar, mas não esperava encontrar uma sala tão bonita numa tão desconsoladora solidão. Bem, ao menos teríamos o serviço e a cozinha praticamente só para nós...
Começámos a refeição com um Gaspacho com Cavala Fumada, que veio substituir (por sugestão do chef) a inexistência do prato de salmão fumado. Não acho que tenhamos ficado a perder com a troca. Pelo contrário, acho que a delicadeza dos sabores do gaspacho se complementavam de tal forma com a subtileza da cavala que saímos a ganhar. Fresco, revigorante e com textura dada pelo pão frito, este gaspacho é uma aposta ganha para tempos mais quentes.



Como o calor já se começava a fazer sentir, também a Terrina de Leitão, Brioche, Laranja e Pimenta Preta é um prato servido frio. O leitão macio e cortado fino brincava com o crocante dos croutons, a doçura da laranja e a envolvência da maionese de pimenta preta. Brincadeiras saudáveis, ou que assim aparentam, numa combinação clássica mas que nos satisfaz o espírito e refresca o espírito.



O Peito de Frango Recheado com Enchidos estava bastante bem executado com o peito a manter-se húmido e macio, algo que nem todos os restaurantes conseguem. Quantas vezes não nos apresentam um peito de frango seco e fibroso? O molho de fricassé um pouco discreto demais e a não fazer a diferença no prato. O ratatouille que acompanha, que nós pedimos para ser trocado por batata migada mas que o serviço gentilmente disponibilizou para que pudéssemos provar na mesma, não convenceu a francesa à mesa com uma versão mais pesada do que seria de esperar.



Vocês não sabem como eu gosto de uma boa bochecha. Sirvam-ma grelhada ou estufada mas é daquelas partes do animal que adoro e peço quase sempre que a vejo numa ementa. Principalmente se forem como estas Bochechas de Porco com Batata Migada e Maçã de Alcobaça que se separam facilmente na inserção do garfo, revelando um interior rosado e macio. Acompanhava com uma cremosa batata migada e balanceava com a acidez do puré de maçã.



Provei ainda umas saborosas Costeletas de Borrego Grelhadas com Couscous e Molho de Iogurte e Hortelã. Muito saborosas e exemplarmente cozinhadas. A sobremesa essa ficou para outras paragens, mesmo sabendo que o bolo de chocolate da Taberna (apelidado de Eusébio, desde os tempos de Oeiras) é um dos ex-libris da casa, mas a curiosidade de experimentar o do Landeau bateu mais forte.



O 1300 Taberna não é um restaurante barato mas apresenta uma cozinha de sabores claros e que justifica o preço praticado. Pratos bem executados, pela mão do chef Nuno Barros, que vão deixando história na cidade de Lisboa. A baixa cozinha, que Nuno Barros começou no 2780 Taberna, não se revela tanto mas parece ainda estar presente em pormenores dos pratos do 1300 Taberna.



1300 Taberna
Rua Rodrigues Faria, 103
LX Factory, Alcântara, Portugal
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Preço Médio < 40 €